quinta-feira, 19 de abril de 2012

Candidatos radicais conquistam eleitores jovens na França

Partidos de extrema-direita e extrema-esquerda são opção de 42% desses eleitores

Deborah Berlinck,

GENEBRA — A grande surpresa das eleições presidenciais da França, no próximo domingo, poderá vir dos jovens. Uma sondagem do instituto CSA para o jornal “Le Monde” revelou que 42% dos entrevistados entre 18 e 24 anos estão pendendo para os extremos. Da direita e da esquerda. Num país em que 22,4% dos jovens nesse limite de idade não tinham emprego em novembro último — mais que o dobro da média nacional — não fica difícil entender por que soluções que se afastam bastante do centro têm um poder de sedução maior sobre essa fatia do eleitorado. Sedução que, medida em números, duplicou o poder de fogo da extrema-direita e triplicou o da extrema-esquerda menos radical nos últimos meses entre os jovens.

Desiludidos com os grandes partidos, 26% dos entrevistados anunciaram seu voto na louríssima Marine Le Pen, da extrema-direita, deixando ligeiramente para trás, com 25%, o homem mais cotado para se tornar presidente da França, o socialista François Hollande. Progride também, segundo a mesma pesquisa, a simpatia por outro extremo: o candidato da Frente de Esquerda, Jean-Luc Mélenchon — uma versão “light” da extrema-esquerda. Entre o fim de 2011 e março de 2012, Mélenchon passou de 5% para 16% na preferência dos jovens. Já Marine Le Pen saltou de 13% para 26%.

— Para os jovens, a Frente Nacional é o voto da contestação — afirmou Anne Muxel, do Centro de Estudos da Vida Política Francesa (Cevipof), à rádio RMC.

Voto de protesto contra o sistema

A opinião é compartilhada por Mikael Garnier-Lavalley, da Associação Nacional de Conselhos de Crianças e Jovens (Anacej), que promove a participação de jovens nas decisões públicas. Mas, Garnier contesta a sondagem da CSA, feita com menos de 200 pessoas, e cita a pesquisa feita por sua organização junto a 800 jovens de 18 a 22 anos. Nela, o socialista François Hollande dispara na frente, com 31%. Marine Le Pen chega em segundo, com 23%, e 21% de preferência para o atual presidente Nicolas Sarkozy, do conservador UMP. De qualquer forma, a extrema-direita chega em segundo.

— Marine encarna uma mulher independente. É um voto de protesto de direita que vem de jovens de categoria social mais baixa, menos diplomados e desempregados — diz.

É o caso de Aurélie Mougeot, de 25 anos, e o marido Sébastien Bru, de 31, moradores de Montpellier, no Sul da França — ambos desempregados. Eleitores do Partido Socialista nas presidenciais de 2007, vão votar pela primeira vez na extrema-direita de Marine Le Pen. Sem formação universitária, Sébastien admite que tentou dar um passo maior do que as pernas quando montou uma empresa de marcenaria, sem ter experiência. Chegou a ter três empregados, carro do ano, até se afundar em dívidas. A queda foi dura: expulso do apartamento, foi parar, literalmente, na rua. Hoje, culpa os imigrantes.

— Nós deveríamos ser prioridade (para o Estado), mas os estrangeiros estão passando na nossa frente. E se aproveitam — queixa-se.

Aurélie, filha de uma agente de limpeza, também sem formação superior, está grávida de 5 meses e tem uma filha de 5 anos. Sobrevive com ajuda do Estado e de associações de caridade:

—Voto em Marine para que a França volte a ser dos franceses. Fomos deixados de lado. Não nos sentimos bem no nosso próprio país.

Na França em crise, os imigrantes passaram a disputar com os jovens franceses de baixa renda empregos que exigem menor qualificação Mas, a realidade desses jovens é bem mais complexa. Os filhos da elite não temem os estrangeiros, nem o futuro. São eleitores de Hollande.

— Não estou certo de que teremos a mesma qualidade de vida — admite Clément Leroy, de 20 anos, aluno do conceituado Sciences-Po, o Instituto de Ciências Políticas de Paris, acrescentando ter sentido o “declínio francês e da Europa” ao fazer um intercâmbio na Austrália, no ano passado.

Sua colega Alice Laila, de 21 anos, concorda que essa geração terá que fazer sacrifícios. Mas contemporiza:

— Temos sorte em relação a outros europeus. No Reino Unido, não há seguridade social e, na Espanha, os jovens universitários sonham em ir para o exterior, porque não há perspectiva de emprego.

Imigrantes discriminados

A 15 km de Paris, em Clichy-sous-Bois, bairro pobre da periferia, onde explodiu a revolta de jovens de 2005, que resultou em milhares de carros queimados nas periferias de toda a França, a vida é diferente. Em prédios erguidos pelo Estado para acolher imigrantes nos anos 1960, existe a função de “carregador”, pago para ajudar mulheres e idosos a subir as escadas com as compras. O elevador está quebrado há dez anos. Dali, Abdel Eliot, de 24 anos, filho de imigrantes do Marrocos, é menos positivo.

— Não sou nem mesmo francês! Quero dizer, sou. Mas quando digo que sou francês, me perguntam logo: mas você vem de onde? — desabafa Eliot, de uma família com 7 irmãos e irmãs, eleitor de Hollande.

Ele sonhava em ser advogado. Mas teve formação técnica e virou eletricista. Trabalha por conta própria numa zona onde o desemprego chega a 40% da população jovem. O mesmo ocorre em La Paillade, banlieue de Montpellier, reduto dos socialistas.

— A situação não melhorou depois da revolta de 2005. Ao contrário, piorou. Os jovens que se revoltaram para serem ouvidos, hoje viraram bodes expiatórios — queixa-se Alouari Haddade, presidente da AJPPN, uma associação local de jovens.

O descrédito na classe política é grande:

— Veja o blog da candidata socialista daqui. Vai ter um opinião gastronômica do cuscuz (prato tipicamente magrebino) do bairro, mas nada sobre escola, habitação e desemprego. Como é que ela pode vir aqui e fingir que a vida é bela?

Como nas favelas do Rio, gangues se formam, a droga flui, e a polícia mantém distância. Uma geração de franceses que não se sentem franceses e é estigmatizada faz sua própria lei. Como Toni Tavares, de 22 anos, filho de imigrantes de Cabo Verde, e seu amigo Booba D, de 18 anos, da Martinica, que passou dois anos na prisão por envolvimento numa briga que resultou em morte. Os dois não acreditam no voto, são descrentes da França. Booba se anuncia como um ladrão e diz:

— Somos um zero à esquerda aqui, madame. Não tenho nada a perder.

FONTE: O GLOBO

Nicolas Sarkozy despenca nas pesquisas a quatro dias das eleições

Números mostram que Hollande está cinco pontos à frente do presidente para primeiro turno

PARIS - O presidente francês, Nicolas Sarkozy, sofreu um duplo revés a quatro dias do primeiro turno da eleição presidencial, ao perder o apoio de mais políticos importantes e despencar nas pesquisas de intenção de voto.

Fadela Amara, ex-ministra do Planejamento, juntou-se à crescente lista de figuras políticas que abandonaram a candidatura do conservador Sarkozy e anunciaram apoio ao socialista François Hollande.

Uma nova pesquisa mostrou Hollande cinco pontos percentuais à frente de Sarkozy para o primeiro turno, a ser realizado no domingo, e com 16 pontos de vantagem na simulação para o segundo turno, em 6 de maio.

Confirmando a tendência de outras pesquisas da semana, o instituto CSA informou na noite de quinta-feira que Hollande tem 29 por cento das intenções de voto, alta de dois pontos em relação ao levantamento anterior, enquanto Sarkozy caiu de 26 para 24 por cento. Em entrevista a uma TV, Sarkozy disse que não comentaria a sua queda nas pesquisas.

Amara foi uma das figuras de centro-esquerda recrutadas por Sarkozy para seu governo nos primeiros anos após sua eleição, em 2007. Corinne Lepage, que foi ministra do Meio Ambiente em um governo anterior de centro-direita, já havia anunciado apoio a Hollande, alegando que Sarkozy havia ido à direita demais.

O antecessor conservador de Sarkozy, Jacques Chirac, de 79 anos, também pretende votar em Hollande, segundo o homem que o ajudou a escrever sua autobiografia após 12 anos como presidente (1995-2007). Sarkozy disse que as pessoas deveriam deixar Chirac em paz, ao invés de "manipulá-lo".

Martin Hirsch (ex-alto-comissário de Combate à Pobreza), Azouz Begag (ex-vice-ministro para as Oportunidades Iguais) e Jean-Jacques Aillagon (ex-ministro da Cultura) são outros ex-funcionários dos governos de Sarkozy ou Chirac que anunciaram voto em Hollande.

Semanas atrás, Sarkozy chegou a aparecer à frente de Hollande nas simulações para o primeiro turno, mas nenhuma pesquisa lhe deu em momento algum a vitória no segundo turno.

De acordo com a pesquisa CSA, a ultradireitista Marine Le Pen se consolidou em terceiro lugar, com 17 por cento das intenções de voto, seguida pelo ultraesquerdista Jean-Luc Mélenchon, com 15 por cento, e do centrista François Bayrou, com 10.

Em entrevista à rádio France Inter, Hollande alertou seus eleitores contra o clima de "já ganhou", e disse que disputas por cargos seriam prematuras neste momento. Ele também prometeu renegociar um tratado europeu sobre disciplina fiscal, para dar mais prioridade à retomada do crescimento, sem o qual seria impossível reduzir o endividamento público, segundo ele.

FONTE O ESTADO DE S. PAULO

A França, de tricolor a monocolor:: Clóvis Rossi

Da seleção campeã de 1998, negra e árabe, às portas fechadas para a imigração no território francês

PARIS - Stade France, final da Copa do Mundo de 1998, França x Brasil: o presidente da época, Jacques Chirac, veste um cachecol tricolor (o vermelho-branco-azul da bandeira francesa) e torce despudoradamente a cada um dos três gols que sua seleção fez no Brasil para se tornar, pela primeira vez, campeã do mundo.

No campo, o time francês também é tricolor, mas, como se dizia, é "black/blanc/beur" ou negro, branco e de ascendência árabe (popularmente chamados de "beurs"). Caso do maior astro de todos os tempos na França, Zinédine Zidane, de origem argelina. Vitoriosos, todos cabiam no grito de "allez, les bleus", todos azuis, mesmo os negros ou de origem árabe.

Quem viu essa festa, como eu, só pode ficar chocado quando o sucessor de Chirac, Nicolas Sarkozy, gritou domingo que "a França tem o direito de decidir quem aceita em seu território", em plena place de La Concorde, por onde passaram há 14 anos os "black/blanc/beur" na comemoração da vitória.

Claro que a França, como qualquer país, tem o direito de aceitar ou rejeitar quem pretenda nela se instalar. Aliás, antes da vitória no Mundial-1998, havia muxoxos da extrema-direita contra o que considerava excesso de cores na seleção nacional.

Depois, os vitoriosos foram todos aceitos, qualquer que fosse a sua cor, no que não deixa de ser, no detalhe, uma cópia da relação dos franceses com os imigrantes, em especial os de ex-possessões da França no Norte da África (argelinos e marroquinos), os mais numerosos.

Pelo menos é a história como a interpreta Said Alaraby, neto de argelinos, que esteve preso sob acusação de pequenos furtos, mas hoje é balconista em um supermercado de Montparnasse. Para ele, houve, originalmente, uma troca de necessidades entre a França e seu avô, por exemplo: "Ele veio porque a vida era insuportável na Argélia e foi aceito porque os franceses recusavam o trabalho pesado que vovô se dispôs a fazer".

O avô de Said não se arrependeu, segundo o neto, mesmo tendo passado a vida recolhendo lixo nas ruas de Paris: "Apesar de discriminado, ele dizia viver melhor do que se tivesse ficado na Argélia".

Esse peculiar "contrato social", para defini-lo de alguma maneira, começou a se quebrar quando descendentes dos "beur" e "blacks", originários de outras ex-colônias francesas, quiseram ter todos os direitos inerentes ao Estado de Bem-Estar Social que, por mais avariado que esteja, ainda é um orgulho da França (e da Europa).

Não eram mais necessários, menos ainda agora que financiar benesses até para os "blanc" está muito difícil.

O emprego, porta de entrada inescapável, foge dos imigrantes e descendentes: em 2008, o último ano em que o Insee (o IBGE francês) registra dados da imigração, 19% deles estavam desempregados, contra 7% de franceses natos então sem trabalho.

No total, 19% da população total da França (ou 11,8 milhões) era, em 2008, formada por imigrantes ou descendentes diretos. Mas ao contrário de Zidane e cia. não são mais enquadrados como "bleus".

FONTE: FOLHA DE S. PAULO

O bate-bola dos bancos:: Celso Ming

O Bradesco e o Itaú, os dois maiores bancos privados do Brasil, anunciaram nesta quarta-feira cortes dos juros em algumas das suas operações de crédito. Seguem iniciativas tomadas nos dias anteriores pelo HSBC e pelo Santander. É inevitável, agora, que toda a rede bancária vá atrás, em resposta à presidente Dilma Rousseff – que, além de mobilizar os dois maiores bancos estatais (Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal), exigiu a queda imediata do spread bancário (diferença entre o que os bancos pagam na obtenção dos recursos e o que cobram do tomador de crédito).

Ficou comprovado que “a bola não está apenas com o governo”, como dia 12 havia anunciado o presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Murilo Portugal.

Ainda será preciso observar até que ponto essa queda dos juros será relevante para a redução dos custos financeiros do setor produtivo e dos consumidores. Esse tipo de reação do sistema bancário quase sempre atende mais às conveniências da hora do que propriamente às pressões de mercado. Quando é assim, esses movimentos dificilmente se sustentam.

Além disso, os cortes se limitaram a aparar rebarbas. Não parecem disposições reais de baixar os juros com firmeza. Acontecem apenas em algumas linhas e sob certas condições. Tampouco alcançam os escorchantes cartões de crédito e não preveem renegociação dos juros muito mais altos contratados anteriormente.

A mobilização concertada dos bancos também para esse corte dos juros pode ser entendida como outra manifestação de sua atuação cartelizada.

Independentemente do sucesso ou não da ofensiva oficial contra o alto custo do crédito no Brasil, há providências que dependem só do governo para derrubar o custo financeiro. A redução dos impostos cobrados no crédito é uma delas. Outra é a aprovação do chamado cadastro positivo, cujo texto já aprovado pelo Congresso, ainda depende de regulamentação.

Cadastro positivo é a relação de bons pagadores que, na prática, constituem reduzido risco de crédito. Por isso, podem levar juros mais baixos. Hoje, os bancos já trabalham com o cadastro negativo levantado pela Serasa (Centralizadora dos Serviços dos Bancos S.A.), que aponta calotes passados na praça – não só os financeiros.

O projeto do cadastro positivo está encalhado em Brasília desde 2009, por atender a motivações paternalistas. Prevaleceu até agora o ponto de vista de que seria necessário proteger o cliente do banco: bastaria que estivesse fora dessa lista positiva para que um devedor qualquer fosse tratado como pária do sistema de crédito. É uma argumentação destituída de lógica porque, como ficou dito, a Serasa já se encarrega de sujar o nome de caloteiros e inadimplentes.

Mas não só no crédito, os custos bancários são exorbitantes. As taxas de administração cobradas nos fundos mútuos de investimento caíram uma insignificância nos últimos anos com a redução dos juros e a queda da inflação. Nesse particular, o governo guarda no bolso do colete nova frente de pressão sobre os bancos – informou a esta Coluna alta fonte de Brasília. Não quer rever tão cedo a remuneração da caderneta de poupança, para fazer concorrência aos fundos de investimento e para que os bancos se vejam obrigados a baixar suas taxas de administração.

CONFIRA

Aí está a trajetória dos juros básicos (Selic), desde junho de 2008, tal como definida ontem pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. O novo corte, de 0,75 ponto porcentual, põe os juros a 9% ao ano. Se continuar prevalecendo o aviso dado pelo Copom na ata da reunião anterior, foi a última redução da Selic antes de uma pausa destinada a aferir o comportamento da inflação (e da atividade econômica) a partir dos estímulos monetários dados desde agosto – corte acumulado de 3,5 pontos porcentuais. O Banco Central entende que, em situação de crise, a resposta da economia aos juros é mais lenta.

FONTE: O ESTADO DE S. PAULO

Próximo passo:: Míriam Leitão

A dúvida é o que acontecerá a partir de agora com a taxa Selic. Que ontem os juros seriam reduzidos, todos sabiam. A pergunta que continua sendo feita é até que ponto as taxas poderão continuar caindo. O ponto mais baixo que os juros básicos do Brasil chegaram foi 8,75%, um pouco antes da crise de 2008. Os termos da nota divulgada ontem pelo Banco Central voltaram a abrir as portas para novas reduções.

Na ata da reunião de março, o BC deu a entender que levaria os juros a 9%, ao dizer que havia alta probabilidade de a Selic chegar a "patamares ligeiramente acima dos mínimos históricos, e nesses patamares se estabilizando". Pois ontem o Copom levou os juros a 9% e disse que estava "dando seguimento ao processo". Ou seja, não demonstrou já ter atingido o objetivo. A leitura feita pelo mercado, logo após a nota, é de que novos cortes podem acontecer.

O Brasil tem um problema que não é de solução fácil. Economistas do governo, e de fora do governo, já fizeram avaliações tentando projetar uma fórmula para que a Selic possa cair mais. O piso acaba sendo a remuneração da caderneta de poupança.

- A poupança é corrigida em TR mais 6% ao ano, o que dá entre 7% e 7,5% ao ano. Quando a gente fala de Selic a 9%, estamos falando, na verdade, da taxa bruta, mas é preciso descontar o Imposto de Renda, que varia de 15% a 22,5% sobre o rendimento, e a taxa de administração. O Imposto de Renda não incide sobre a poupança. Quando se tira essas taxas, a rentabilidade dos fundos cai para níveis próximos da poupança - diz Miguel de Oliveira, da Anefac.

As aplicações de renda fixa são lastreadas pelos títulos do Tesouro. Se houver corrida para a poupança, isso desequilibraria o financiamento dos títulos da dívida pública.

O grande debate é este: a partir de que ponto da taxa Selic haverá competição entre fundos de renda fixa e cadernetas? Há também o peso das chamadas "exigibilidades": 65% do que é captado via caderneta de poupança têm obrigatoriamente que ir para o mercado imobiliário. A ligação entre poupança e mercado imobiliário criou uma teia de ativos e passivos que poderiam ficar descasados caso houvesse uma mudança na fórmula de remuneração da caderneta.

Em termos jurídicos, dificilmente se sustentaria uma mudança retroativa, o que significa que contas já abertas não podem ter agora uma mudança na regra de remuneração. Se algo for alterado terá que ser para as novas contas. O poupador brasileiro sofreu a violência do governo Collor. E esse trauma pode reaparecer só de falar em qualquer mudança na fórmula de cálculo da caderneta. Esse produto financeiro é o preferido de quem tem pouco para poupar e tem um perfil bem conservador. Portanto, toda vez que a Fazenda falou em mudanças na poupança teve que voltar atrás e negar que estivesse pensando no assunto tabu. Em ano eleitoral, então, mais proibido ainda fica esse tema.

A Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças Administração e Contabilidade) divulga hoje cálculos que fez para medir a atratividade da poupança em relação aos fundos de investimento, num contexto de Selic a 9%. Os dados, que foram antecipados à coluna, mostram que a poupança vence em 16 das 20 simulações, que variaram em prazos de resgate e taxas de administração cobradas pelos bancos. Continuar nos fundos só seria melhor negócio com as menores taxas e os maiores prazos de resgate.

"A poupança já ganha dos fundos na maioria das situações (com a Selic a 9%), sendo que quanto menor o prazo de resgate da aplicação, bem como maior for a taxa de administração cobrada pelo banco, maior vai ser a vantagem da poupança frente aos fundos", explicou a Anefac.

Desde setembro, o IPCA está em queda forte, mas o total acumulado nos últimos 12 meses está acima do centro da meta. Os economistas especializados no tema acham que a inflação pode subir no final do ano com a entrada da entressafra, que este ano deve ser mais forte que nos anteriores. A Petrobras tem dado sinais de que os preços da gasolina vão subir. O produto tem um alto peso no índice.

E, por fim, alguns economistas acreditam que pode haver uma onda inflacionária no mundo em consequência do excesso de liquidez no mercado financeiro internacional. A política monetária excessivamente expansionista pode alimentar um aumento de preços assim que a economia retomar um ritmo normal de atividade. Tudo isso terá que ser pesado pelos integrantes do Copom na próxima reunião. Por isso, a ata da próxima quinta-feira deve ser lida com lupa atrás de sinais dos passos seguintes do BC.

O nível de atividade deve melhorar nos próximos meses. Uma das fontes do estímulo será a Selic, mas outra, mais forte ainda, é a redução que está havendo nas taxas bancárias. Ontem, Itaú e o Bradesco deram o braço a torcer e seguiram Banco do Brasil e Caixa Econômica, derrubando os juros que cobram das empresas e dos clientes pessoa física. O movimento que o governo iniciou está dando certo. O resultado será um reforço a mais no estímulo econômico, o que é bom para uma economia que está estagnada, no momento. Mas o ritmo mais aquecido pode aumentar a probabilidade de um cenário de elevação de preços do final de ano.

Por tudo isso, a próxima reunião será difícil. Até aqui, a derrubada da Selic foi mais fácil de decidir do que os próximos movimentos a serem feitos pelo Copom. O que a presidente Dilma está avisando é que quer juros nos patamares internacionais. Hoje, no mundo, se pratica juros negativos. Quanto mais poderá cair a Selic? Não percam as próximas reuniões do Copom.

FONTE: O GLOBO

Juros para inglês e Dilma verem:: Vinícius Torres Freire

Apesar do rebuliço e das baixas de juros nos bancos privados, não dá para saber efeito real da "liquidação"

A taxa básica de juros da economia, a Selic, caiu ontem de novo. Grosso modo, a Selic indica o custo básico dos bancos para tomar dinheiro emprestado, fundos que depois serão reemprestados à clientela, pessoas físicas e empresas. Na verdade, o bolo do custo de captação dos bancos tem mais ingredientes, mas, para esta conversa, a Selic é um equivalente razoável.

Todos os maiores bancos privados passaram a oferecer juros menores em algumas operações. Embora alguns deles o neguem até agora, tratou-se em primeiro lugar de um gesto para apaziguar a pressão oficial. Em segundo lugar, mas não se sabe em qual medida, deram o desconto para não perder negócios.

De qualquer modo, considerada a queda de ontem da Selic, os bancos estão dando esmola com o dinheiro alheio, digamos, ao menos em parte, pois o custo deles caiu.

Note-se também que muitas das linhas de crédito agora "barateadas" são aquelas nas quais os bancos correm menos risco de calote ou mais risco de perder clientes.

Bancos baratearam o custo do crédito para a compra de carros e o do consignado. Nesses casos, as taxas já estão entre as menores da praça, pois as garantias de pagamento ou retomada do bem são razoáveis. No caso do consignado, as parcelas do financiamento são capturadas da conta do tomador de empréstimo, sem choro nem vela.

Como se observava em reportagem de ontem desta Folha, bancos privados também foram mais agressivos na redução dos juros para empresas, pois nesse caso sentiram um pouco mais o calor da concorrência: empresas operam com vários bancos e fazem um leilão de cotações antes de tomar empréstimos.

Houve reduções "de tabela" nas taxas do cheque especial, mas não se sabe muito bem quem vai ter acesso a essas linhas mais baratas. Provavelmente, aqueles que não vão mergulhar muito profundamente nesse poço do inferno do crédito, no qual taxas de juros na casa de 190% ao ano condenam o tomador à danação financeira eterna.

Obviamente não se pode culpar os bancos do "crime" de evitar negócios ruins e prejudiciais. Mas tem sido cuidadosa a movimentação geral da banca privada, alardeada, porém, em anúncios publicitários gritantes. Contrapropaganda.

Ou seja, o pessoal sentiu o golpe do governo, percebeu os danos de imagem e ficou acuado politicamente. Enfim, resolveu pelo menos dar um jeito naquele horrível "faux pas" (escorregão) diplomático da Febraban, que foi a Brasília como se estivesse visitando a criadagem na copa & cozinha -ou ao menos foi assim que a coisa "pegou" no Planalto. Mas isso é conversinha política.

Vai demorar pelo menos até a metade do ano para sabermos de fato em quanto as taxas baixaram, para qual quantidade de empréstimos. Ou melhor, para tentarmos saber o que ocorreu de fato, pois outros determinantes dos juros poderão ter tido papel relevante e embolar o meio de campo da análise. Nível de inadimplência, demanda de crédito, perspectiva de crescimento da economia, estado geral das finanças e da liquidez pelo Brasil e pelo mundo etc. são fatores que influenciam o nível das taxas de juros.

De qualquer modo, o governo começou um experimento para saber o que se passa no mercado bancário. Mas é pouco. Faltam reformas.

FONTE: FOLHA DE S. PAULO

Cultura: Filme queimado

Suspensão do Festival de Paulínia é a ponta do iceberg do descaso com o polo de cinema, em que estúdio virou depósito

Matheus Magenta, Lúcia Valentim Rodrigues

ENVIADOS ESPECIAIS A PAULÍNIA (SP) - Construído para ser a Hollywood brasileira, o Polo Cinematográfico de Paulínia (a 117 km de São Paulo) hoje mais parece uma cidade fantasma. Cursos e editais foram suspensos, e os estúdios atualmente não têm utilidade.

Na semana passada, o prefeito José Pavan Júnior (PSB) cancelou a quinta edição do festival de cinema, previsto para junho, para "priorizar o trabalho social" na cidade.

Sem explicar direito que destino daria à verba, de pelo menos R$ 3 milhões, suspendeu a principal vitrine da produção local e um dos principais eventos do país, ao lado de festivais como Gramado e Brasília, por exemplo.

Desde a compra dos terrenos, na década de 1990, estima-se que tenham sido gastos R$ 490 milhões no desenvolvimento do polo. A estrutura conta hoje com cinco estúdios, um teatro e uma escola.

O projeto foi bancado principalmente com dinheiro dos impostos pagos pelo setor petroquímico da cidade (em 2011, a receita total foi de cerca de R$ 920 milhões).

Graças às indústrias, o município de 82 mil habitantes tem a maior arrecadação de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) per capita do Estado.

O polo de cinema foi concebido pelo prefeito anterior, Edson Moura (PMDB), para tentar diminuir a dependência da cidade do petróleo.

Pavan diz que continuará a investir em cinema, mas não é isso o que se vê hoje.

O estúdio de animação de R$ 29 milhões tem 120 estações de trabalho e softwares de última geração, mas seus equipamentos estão totalmente desligados. Nenhum filme foi produzido lá desde sua inauguração, em 2009.

Um espaço com o fundo em "chroma key" (usado para criar efeitos de sobreposição) hoje serve como depósito para amontoar cadeiras, armários e objetos da prefeitura.

Os estúdios são geridos pela Quanta -empresa de locação de recintos e equipamentos audiovisuais. Num esquema de parceria público-privada, a Quanta recebe por contrato, haja ou não a realização de filmes. No ano passado, foram pagos à empresa cerca de R$ 20 milhões.

A escola Magia do Cinema foi desativada. Os cursos para a formação de roteiristas, diretores e produtores deram lugares a eventuais work-shops de curta duração. O prédio deu lugar a uma escola de ensino fundamental.

Fernando Negrovsk, 29, saiu de Caxias do Sul (RS) em 2010 para se aperfeiçoar em cinema. O produtor e diretor foi para Campinas (SP), mas não conseguiu se inscrever nos cursos de Paulínia por não morar na cidade.

Resolveu então se mudar para lá, onde ficou mais de um ano aguardando as aulas começarem. "Fiquei esse tempo todo sendo enrolado, com a perspectiva de que ia acontecer alguma coisa. Transferi minha vida para cá, mas não serviu de nada", conta. Recentemente, fundou uma produtora com um colega em São Paulo.

A falta de profissionais treinados dificulta o cumprimento de uma das exigências do edital de apoio a produções na cidade. Ele determina que metade do valor recebido pela produtora seja gasto com mão de obra e serviços locais.

"Há uma carência danada de mão de obra qualificada na cidade. Você forçar a contratação de uma pessoa não qualificada é complicado, mas isso a escola estava resolvendo aos poucos", afirmou o produtor Rodrigo

Letier, da TVZero, responsável por "Bruna Surfistinha".

A maior parcela dos contratados locais acaba servindo de motorista e figurante.

Retomada?

Um grupo de cerca de 200 produtores locais formou uma comissão para tentar viabilizar o Festival de Paulínia, mas isso dependerá de uma parceria, ainda não negociada, com a prefeitura.

Entre 2007 e 2010, foram distribuídos cerca de R$ 38,8 milhões em editais para 42 filmes, muitos deles sucessos de bilheteria como "Chico Xavier" e "O Palhaço".

Neste ano, serão produzidos os últimos vencedores do edital de 2010. Estão em pré-produção "Acorda Brasil", "O Tempo e o Vento" e "Trinta".

Depois, seu futuro é incerto. Em 2011, não se convocou edital para longas. O prefeito promete lançar um até junho, mas sem especificar valores. Se sair, deve sofrer cortes.

Procurados desde a semana passada, o prefeito e o atual secretário da Cultura não responderam à Folha até o fechamento desta edição.

FONTE: FOLHA DE S. PAULO

Hora da poesia: Ato de pensar:: Graziela Melo

Pensar,
pensar,
pensar

Nas trevas,
na luz,
no ar...

Pensar
em andar
na terra
ou em voar!!!

Pensar
na amargura
ou na douçura
que a gente
não cansa
de procurar!!!

Pensar
na loucura,
nos tempos
terríveis
da ditadura...

Pensar
na ternura
que guardo
na alma,

Sempre
disposta
a entregar...

Entregar
ao mundo
à vida,
à terra,
ao mar!!!

E pensar,
pensar,
pensar!

idealizar,
filosofar,

brincar
amar,
querer,

até a hora
de acabar

o carinho,
o afago...

É o momento
amargo

de terminar
o ser,
o ter
e o
haver...

É a hora de morrer!!!

quarta-feira, 18 de abril de 2012

OPINIÃO DO DIA - Dora Kramer: os farsantes de Lula.

“A ideia de Lula e companhia de convencer a sociedade em geral e o Supremo Tribunal Federal em particular de que as ocorrências registradas sob a rubrica "mensalão" não passaram de uma urdidura da oposição mancomunada com a imprensa municiada de informações por bandidos sofre de um erro de origem.

Para se concordar com a tese é preciso aceitar por consequência que a Procuradoria-Geral da República que ofereceu a denúncia em 2006 e o Supremo Tribunal Federal que no ano seguinte houve por bem transformá-la em processo, são cúmplices de uma farsa e, portanto, farsantes.

Antes de se cometer uma leviandade dessa dimensão conviria aos interessados fazer a leitura, senão das 136 páginas ao menos das 12 primeiras nas quais o então procurador-geral Antonio Fernando de Souza resume o que as investigações o levaram a concluir.”

KRAMER, Dora, jornalista. ‘A denúncia revisitada’ coluna em O Estado de S. Paulo, 17/4/2012.

Manchetes de alguns dos principais jornais do Brasil

O GLOBO
Reestatização na Argentina vai a tribunal internacional
Vale o que está escrito?
Réu no caso do mensalão, deputado se reúne com ministro do Supremo
Um futuro desafiador para o Rio em 4 anos
Comissão do Senado aprova unificação do ICMS para importados

FOLHA DE S. PAULO
Escuta mostra que senador negociou verba para a Delta
Dilma criou "padrão global" anticorrupção, diz Hillary
Alta do dólar pode tirar do Brasil posto de 6ª economia
Bancos privados sinalizam que vão cortar juros

O ESTADO DE S. PAULO
Repsol pede US$ l0,5 bi de indenização à Argentina
Comissão aprova fim da guerra dos portos
Delta é suspeita de montar rede de lavagem de dinheiro
PMDB quer controlar CPI para coagir PT

VALOR ECONÔMICO
Estiagem reduz a geração de energia no Sul
Argentina recusa valor pedido por YPF
FMI prevê taxa de inflação acima da meta
Petrobras prevê preço médio mais alto para o petróleo e não descarta reajuste

CORREIO BRAZILIENSE
Governo teme perder controle sobre a CPI
Obras de empreiteira sob suspeita
Irmão de Demóstenes é investigado
Salários extras: Senado decide fim de privilégio

ESTADO DE MINAS
Erros médicos em Minas superam Rio e São Paulo
MG perde no Minha Casa
Empresa tem 60 contratos irregulares com o governo
Repsol cobra US$ 10,5 bi da Argentina
Hillary elogia Dilma pela luta contra a corrupção

ZERO HORA (RS)
Vendas de carros caem com restrição a crédito
Por que a Argentina compra briga
Novas regras devem lotar os tribunais
Assis Moreira é condenado por lavagem

JORNAL DO COMMERCIO (PE)
Petrobras prevê alta do combustível

O que pensa a mídia - editoriais dos principais jornais do Brasil

http://www2.pps.org.br/2005/index.asp?opcao=editoriais

Vale o que está escrito?

CPI de bicheiros já tem assinaturas

Apesar da resistência de PMDB e Planalto, que temem consequências imprevisíveis, o requerimento para criar a CPI das atividades de Carlinhos Cachoeira obteve número suficiente de assinaturas. Mas sua instalação ainda não tem data prevista, e, até lá, os parlamentares podem desistir.

No papel, CPI já é realidade

Partidos obtêm número suficiente de assinaturas para investigar atividades de bicheiro

Maria Lima

Tentáculos da contravenção

Certos de que a CPI mista de Carlinhos Cachoeira vai provocar estragos imprevisíveis no governo, no PT, em outros partidos, nos governos estaduais e podendo até chegar ao ex-presidente Lula, os líderes do PMDB seguraram até o último minuto o apoio do partido. No final, carimbaram a criação da comissão, considerada explosiva e incontrolável, como uma iniciativa exclusiva do PT. Numa cena inusitada na Secretaria Geral da Mesa da Câmara, expoentes do PT, ao lado de líderes de PSDB e DEM - principais partidos de oposição - comemoravam, por volta das 20h30m, o sucesso na contagem de assinaturas coletadas: 272 deputados, 101 a mais do que o mínimo de 171. As assinaturas podem ser retiradas até algumas horas antes da instalação da comissão, sem data ainda prevista.

No Senado, o líder da bancada do PT, Walter Pinheiro (BA), também comemorou as 67 assinaturas de senadores, 40 a mais do que o mínimo necessário no requerimento de criação da CPI.

Ainda ontem à noite, outros líderes na Câmara apresentaram novas assinaturas e o requerimento de criação da CPI já contava com apoio de mais de 340 deputados, estabelecendo uma situação inédita: a união de partidos governistas e de oposição em defesa de uma mesma CPI.

A bancada de deputados do PT contribuiu com o maior número de assinaturas: 78 de um total de 85 deputados. Dois petistas, o presidente da Câmara, Marco Maia (RS), e o líder do governo, Arlindo Chinaglia (SP), alegaram impedimento por causa das funções que ocupam. Quatro estavam fora de Brasília e apenas um, presente na Câmara, não quis assinar, o paranaense André Vargas - mais tarde, disse que assinaria.

Foi diante desse cenário de empolgação dos petistas com a CPI do Cachoeira que o PMDB traçou sua estratégia de demarcar terreno nessa disputa, deixando claro que foi o PT quem quis criar a CPI. Para marcar ainda mais o distanciamento do partido com o assunto, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), comunicou que vai se licenciar por 15 dias, em função de doença, que o levou a ser internado em São Paulo para desobstrução de uma artéria.

Os líderes do PMDB contam que em reuniões alertaram o líder do governo no Senado, Eduardo Braga (PMDB-AM), sobre os riscos de uma CPI. Ele, por sua vez, repetiu, que da, presidente Dilma Rousseff, ouviu que não haveria nenhuma orientação. Ontem, antes de liberar a bancada, o líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), voltou a se reunir com Romero Jucá (PMDB-RR), Eunício Oliveira (PMDB-CE) e Braga, que manteve a posição do Planalto.

- Não botem no colo do PMDB uma responsabilidade que não é dele. O PMDB não é protagonista disso e não inventou essa CPI - disse Eunício.

- Na reunião com Sarney e os líderes, alertei que essa seria a CPI mais sangrenta da história do Congresso. Por que vamos puxar um problema que é da Justiça para o Congresso? - emendou o presidente do PMDB, senador Waldir Raupp (RO).

Até no PT tem engrossado o coro dos cautelosos, além de Jorge Viana(AC), Delcídio Amaral (MS) e Humberto Costa (PE), que têm se posicionado contra. Um deles lamentou que os líderes do partido estejam levando a ferro e fogo uma vontade do ex-presidente Lula, sem medir as consequências:

- Essa orientação de Lula, incendiando a CPI, foi um grande erro e pode ser uma grande tragédia para o governo e para o PT .

O objetivo da CPI é investigar as relações do bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, com políticos e empresários. E segundo o líder petista no Senado, o requerimento de criação deve ser protocolado amanhã.

- Da nossa parte não tem recuo nenhum - afirmou Walter Pinheiro.

A oposição, por sua vez, decidiu mostrar que o grupo está determinado a levar adiante a CPI. Em ato no qual participaram deputados e senadores de PSDB, DEM e PPS, foi anunciado que a oposição assinaria, em peso, o requerimento.

- Vamos cobrar para que essa CPI não termine em pizza. Se depender da oposição, vamos apurar doa a quem doer. Somos minoria, mas tudo passa pela contundência dos fatos - disse o líder do DEM, ACM Neto (BA).

- Esperamos que não haja nenhum tipo de manobra para impedir a investigação - emendou o deputado Bruno Araújo (PE) , líder do PSDB.

FONTE: O GLOBO

Governo manobra para ter controle da investigação

Escolha do relator da comissão divide petistas

BRASÍLIA. Publicamente, a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, diz que a CPI do Cachoeira é assunto do Legislativo, e que a preocupação do Palácio do Planalto é com a não paralisação das votações. Porém, o governo tenta interferir nas indicações de parlamentares aliados para compor a CPI e na escolha do relator, que será do PT.

A ministra negou que o Planalto queira abafar a investigação:

- Para nós, o foco é continuar as votações. A CPI é uma deliberação do Poder Legislativo - disse ela.

Estimulado pelo ex-presidente Lula, o PT comandou a articulação para criar a CPI. O objetivo dos petistas é expor o relacionamento de Cachoeira com setores da imprensa e sua infiltração no governo do tucano Marconi Perillo (GO).

A ofensiva do PT atropelou a presidente Dilma Rousseff, que ficou irritada com o vídeo gravado pelo presidente do partido, Rui Falcão, afirmando que a CPI servirá para desmascarar os autores da "farsa" do mensalão. Mas quando Dilma se deu conta do tamanho do problema, não havia mais como impedir a CPI. A ordem , agora, é tentar ter um certo controle, com parlamentares de confiança na investigação.

O PT está dividido sobre a escolha do relator. Os mais próximos de Lula, além de setores do PMDB, querem o ex-líder do governo deputado Cândido Vaccarezza (SP). Mas Chinaglia e Ideli preferem outro , como Paulo Teixeira (SP) ou Odair Cunha (MG). Derrubado da liderança do governo, Vaccarezza é desafeto de Ideli. Com ele, o Planalto teme perder o controle sobre a condução dos trabalhos .

FONTE: O GLOBO

Governo teme perder controle sobre a CPI

Assinaturas na Câmara e no Senado já são suficientes para criar comissão que investigará ligações políticas de Cachoeira

Desde sexta-feira, o Palácio do Planalto negocia com os líderes dos partidos aliados os nomes que vão compor a CPI mista destinada a apurar as relações criminosas do bicheiro Carlinhos Cachoeira com políticos e empresas. O maior receio é não ter "soldados" para defendê-lo durante os trabalhos da comissão e, com isso, tornar-se refém de exigências da base aliada. "Estamos com dificuldades para escalar nossa tropa de choque", admite um interlocutor do governo. Na avaliação de aliados, o Planalto demorou demais para perceber a gravidade da CPI. Na noite de ontem, o documento para abertura da comissão tinha o apoio de 340 deputados e 54 senadores - bem acima do mínimo necessário, que é de 171 adesões na Câmara e 27 no Senado.

Planalto procura os "soldados" da CPI

Com o pedido de abertura da investigação dos negócios de Carlinhos Cachoeira apresentado ontem no Congresso, governo busca nomes de confiança para atuar na comissão

Paulo de Tarso Lyra, Karla Correia, Erich Decat e Gabriel Mascarenhas

O Palácio do Planalto está preocupado com as dificuldades em escolher os "soldados" que defenderão o governo durante a CPI mista que investigará os negócios do bicheiro Carlinhos Cachoeira com agentes públicos e privados. Sem ter avançado na nomeação dos cargos e com as emendas parlamentares liberadas em um ritmo ainda aquém do esperado, o governo sabe que pode se tornar refém das exigências da base aliada. "Estamos com dificuldades para escalar nossa tropa de choque", reconheceu ao Correio um interlocutor do governo.

O pedido de CPI foi protocolado ontem na secretaria-geral da Mesa do Senado, com o apoio de 340 deputados e 54 senadores. No Senado, esse número poderá chegar a 67, com a inclusão do bloco comandado pelo PTB. O documento foi recebido pela secretária-geral da Mesa, Cláudia Lira. Como o presidente do Congresso, José Sarney (PMDB-AP), está de licença médica por 15 dias, caberá à vice-presidente do Congresso, Rose de Freitas (PMDB-ES), a missão de ler o requerimento de instalação da CPI em plenário, o que deve ocorrer até amanhã.

Desde a última sexta-feira, a ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, assumiu a tarefa de chamar os líderes dos partidos aliados, principalmente PT e PMDB, para negociar quais nomes serão escolhidos. Ideli foi repreendida pela presidente Dilma Rousseff, que reclamou ter tido poucas informações sobre o avanço das negociações no Congresso para a instalação da CPI, especialmente durante o período em que esteve nos Estados Unidos. "É natural que Ideli estivesse mais preocupada em se defender das acusações de comprar lanchas para financiar sua campanha. Mas ela terá que voltar a trabalhar direito agora", alfinetou um interlocutor da presidente.

Ideli entendeu o recado e ontem, às 8h30, estava na liderança do governo no Congresso reunida com os aliados para definir uma pauta mínima de votações na Casa. Entre elas, estão a Lei Geral da Copa, a cobrança de ICMS no comércio eletrônico e a isenção fiscal concedida por estados portuários. "O governo vai continuar trabalhando mesmo com CPI. Estamos focados para que as matérias mais importantes sejam votadas", disse a ministra.

O receio do governo é concreto. Na última grande CPI que abalou o Executivo — dos Correios, em 2005 —, o Planalto tinha uma tropa de choque fiel. Além da própria Ideli, contava com a proteção do atual ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e de nomes como Jorge Bittar (atual secretário de Habitação da Prefeitura do Rio) e de soldados obedientes como Sibá Machado. "Com quem contaremos? Os petistas do Senado são estrelas isoladas e o PMDB está doido para dar o troco no Planalto", reconheceu um aliado da presidente, numa alusão à iniciativa dos senadores petistas em criar a CPI e aos peemedebistas que lavaram as mãos para ela.

Sugestões

A crise está, por exemplo, na escolha de quem será o relator da CPI. Os nomes mais cotados são os deputados Odair Cunha (MG), Paulo Teixeira (SP) e Cândido Vaccarezza (SP). O líder, Jilmar Tatto (SP), no entanto, despista. "Tenho recebido várias sugestões, mas no momento adequado nós apresentaremos os nomes. Temos 85 nomes prontos para trabalhar para pôr a limpo essa grande maracutaia que teve como centro o Carlinhos Cachoeira. Doa a quem doer", ressaltou Jilmar Tatto, que coletou 78 assinaturas em sua bancada. Pelo Twitter, o deputado Romário (PSB-RJ) alerta sobre os riscos da investigação: "Essa CPI do Cachoeira vai dar m... Acabou tomando uma proporção que nem o governo esperava".

O Planalto já emitiu sinais de que não simpatiza com Vaccarezza, por ele ter proposto, durante a tramitação da emenda para buscar novas fontes de financiamento para a saúde, a legalização dos bingos. O ex-líder do governo nega qualquer envolvimento com empresários do setor e disse que, caso seja convidado por Tatto, aceitará a missão.

A partir de hoje, o requerimento de instalação da CPI será devolvido para cada uma das Casas para que as assinaturas sejam checadas. Líderes da oposição, entretanto, não veem motivo para que a checagem passe desta semana. "Como posso especular prazos, se eles, a princípio, iriam entregar o documento na quinta e o fizeram hoje?", irritou-se o líder do PT no Senado, Walter Pinheiro (BA). Ao longo do dia de ontem, chegou a ser firmado um acordo para que as assinaturas só fossem entregues na quinta-feira de manhã.

O líder do DEM na Câmara, ACM Neto (BA), concorda com seu colega baiano. "A experiência das outras CPIs mostra que isso pode ser feito em questão de horas, não precisa nem um dia inteiro", ressaltou. "Do ponto de vista formal não há por que não formalizar essa comissão até quinta-feira", emendou o líder do PSDB na Câmara, Bruno Araújo. Os dois partidos reuniram o apoio de 77 deputados.

"Amigo pessoal"

Entre os deputados tucanos que colocaram o nome na lista está Carlos Alberto Leréia (GO), citado nas investigações da Polícia Federal. "Como meu nome está citado em várias reportagens, sou amigo pessoal do senhor Carlos Cachoeira, gostaria de comunicar a esta Casa que eu assinei a CPI para que possamos apurar esses fatos aqui no Congresso", ressaltou. Outro que também é mencionado nas investigações e que apoiou a CPI foi o líder do PTB na Câmara, Jovair Arantes (GO). "Fui lá assinar porque se não poderia parecer estranho, né?", disse.

A avaliação de governistas experientes é de que o Planalto demorou demais a perceber a gravidade da situação. "Dilma deve ter recebido sinais externos — possivelmente emitidos pelo ex-presidente Lula — de que a CPI não atrapalharia o governo. Quando acordou, era tarde demais", disse um petista experiente. Segundo ele, o Planalto acordou quando as denúncias engolfaram o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, e o subchefe de Assuntos Federativos, Olavo Noleto.

"Essa CPI do Cachoeira vai dar m... Acabou tomando uma proporção que nem o governo esperava"
Romário (PSB-RJ), deputado, pelo Twitter

ASSINATURAS
340 deputados. Total de parlamentares que assinaram a favor da CPI do Cachoeira na Câmara

54senadores. Quantidade de congressistas que referendaram no Senado a abertura da investigação

FONTE: CORREIO BRAZILIENSE

FH afirma que é preciso apurar todas as denúncias

Tucano elogia a anunciada decisão de Dilma de não interferir na investigação

BRASÍLIA. Ao ser homenageado ontem no Congresso, com o lançamento do documentário "A Construção de Fernando Henrique Cardoso", o ex-presidente elogiou a decisão da presidente Dilma de não interferir na criação da CPI do Cachoeira. Disse que este é o momento de o Congresso se afirmar e passar as denúncias a limpo:

- Não é uma questão de a presidente Dilma não interferir para reforçar sua imagem de defensora da transparência. Isso é uma questão de postura, e ela está certa.

Não ficou livre das alfinetadas de petistas, que lembraram que, como presidente, FH e seus aliados barraram várias CPIs, como a do Sivam e a do Proer. Agora, FH disse que chegou a hora de o Congresso assumir suas responsabilidades. Afirmou que as denúncias atingem quase todos os partidos:

- Nos cansamos de ver fraudes, corrupção. Não estou criticando A, B ou C, porque, infelizmente, (as denúncias) atingem quase todos, não digo pessoas, partidos.

FONTE: O GLOBO

PMDB quer controlar CPI para coagir PT

O PMDB quer ser tutor da CPI do Cachoeira e assim negociar com o Planalto os rumos da investigação sobre as ligações políticas do contraventor Carlinhos Cachoeira. A ideia é mostrar que a CPI é uma "invenção do PT" e, uma vez instalada, respingará no governo de Dilma Rousseff por culpa do seu próprio partido.

PMDB quer controle de CPI para coagir Planalto

PT, por outro lado, acelerou coleta de assinaturas para afastar rumores de que estaria envolvido numa "operação abafa" para proteger parlamentares

João Domingos, Eugênia Lopes

BRASÍLIA - O PMDB quer ser tutor da CPI do Cachoeira e assim negociar com o Planalto os rumos da investigação sobre as ligações políticas do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. A ideia é mostrar que a CPI é uma "invenção do PT" e que, uma vez instalada, vai acabar respingando no governo de Dilma Rousseff por culpa do voluntarismo de seu próprio partido.

O PT, para amenizar os rumores de que estaria envolvido numa "operação abafa" para proteger os parlamentares citados nas conversas com Carlinhos Cachoeira, correu ontem para colher assinaturas a favor da CPI tanto no Senado quanto na Câmara. O requerimento de criação da CPI mista necessita de pelo menos 171 assinaturas na Câmara e 27 no Senado.

Até a noite de ontem, a CPI já tinha 67 assinaturas no Senado e 340 na Câmara. A oposição, que continuou denunciando a tentativa de "a CPI já nascer com cheiro de pizza", também foi atrás de apoio para as investigações.

Pelo Planalto, a ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais) disse que o governo não participará de "nenhuma operação abafa", porque a agenda do Executivo é outra: aprovação de projetos como a Lei Geral da Copa e a flexibilização da Lei de Responsabilidade Fiscal.

O senador Aécio Neves (PSDB-MG) reagiu contra a tentativa da base de excluir das investigações da CPI empresas e pessoas ligadas ao governo. "Não podemos começar uma CPI tirando ou incluindo de uma forma discricionária A ou B, seja agente público ou privado."

Detentor da presidência da CPI, por ser o maior partido no Senado, o PMDB vai esperar para ver o PT chegar ao auge do desgaste com a presidente, para assim aparecer como o "salvador da Pátria". "Essa pode ser a CPI mais sangrenta da História", disse o presidente do PMDB, senador Valdir Raupp (RO). "Nós não queríamos a CPI. O PT insistiu em fazê-la. Tudo poderia ter sido resolvido pelas investigações da Polícia Federal e Ministério Público", afirmou Raupp.

O PMDB manteve a cautela enquanto petistas e oposição iam atrás das assinaturas. "Não há mais como deixar de assinar a CPI. Mas temos a consciência de que o PMDB não é um partido com vocação para pitbull. Não temos essa espécie na nossa bancada", disse o presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado, Eunício Oliveira (CE). Ele avisou ainda aos petistas: "Não botem no colo do PMDB um problema que não é dele".

Antes de liberar a assinatura de parlamentares a favor da CPI, o PMDB buscou orientação do Planalto sobre a investigação. O líder no Senado, Renan Calheiros (AL), perguntou ao líder do governo, Eduardo Braga (PMDB-AM), qual era a ordem. Braga respondeu: "Não tenho nenhuma orientação".

Hospitalizado, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), licenciou-se por 15 dias. Caberá à vice-presidente da Câmara, Rose de Freitas (PMDB-ES), convocar sessão para a leitura do requerimento de criação da CPI. Assim que as assinaturas forem conferidas, ela chamará a sessão.

Colaborou Rosa Costa

FONTE: O ESTADO DE S. PAULO

Cúpula do PSDB afina defesa de governadores

Para Guerra, foco da CPI está em Brasília e Demóstenes foi o único atingido da oposição

Evandro Fadel

CURITIBA - O PSDB estabeleceu uma estratégia para proteger os governadores de Goiás, Marconi Perillo, e de Tocantins, José Wilson Siqueira Campos, na CPI do Cachoeira. A reunião dos governadores tucanos, ontem, em Curitiba, serviu para que o partido afinasse o discurso de defesa dos correligionários.

O presidente do PSDB, deputado federal Sérgio Guerra (PE), disse que, desde o início, o partido aprovou por unanimidade a instalação de uma CPI por convicção do "mérito, integridade e competência" de Perillo. "Entre nós não há o que esclarecer, rigorosamente tudo para nós já está esclarecido", afirmou.

Para Guerra, o único atingido da oposição foi o senador Demóstenes Torres (sem partido, ex-DEM). "O que desejamos é uma CPI limpa, aberta, uma CPI que não respeite interesses partidários e que vá buscar em qualquer lugar os esclarecimentos que precisam ser encontrados."

No encontro que reuniu na capital paranaense sete governadores do PSDB - Teotônio Vilela Filho, de Alagoas, não compareceu - Campos e Perillo voltaram a negar qualquer irregularidade em contratações de pessoal ou de empresas relacionadas ao contraventor Carlinhos Cachoeira.

"Nunca recebi qualquer indicação do senhor Carlos Cachoeira para qualquer cargo do governo", afirmou o governador goiano, destacando que mandou apurar as denúncias e os assessores que tiveram os nomes citados na investigação da Polícia Federal já deixaram o governo.

"Tenho certeza de que ao final restará provada a inocência de cada um deles", afirmou.

Fortuito. Campos admitiu um encontro fortuito com o contraventor. "Nunca mais tive contato, não tenho relacionamento", observou. "O relacionamento dessa figura, que hoje tem projeção nacional, não é comigo nem com os meus partidários, é com os nossos adversários."

Guerra disse que o PT e o governo criaram nos últimos anos manobras para impedir o funcionamento de CPIs. Para ele, "o governo apoiou a CPI sem saber o que estava fazendo". "Viram esse negócio de Goiás, pensaram que era por aí e não era. O negócio foi para Brasília e vai para outros lugares."

FONTE: O ESTADO DE S. PAULO

Mensalão esquenta bastidores do Supremo

Um clima marcado por trocas veladas de acusações e cobranças tomou conta do Supremo Tribunal Federal (STF) na trilha do julgamento do mensalão. Na semana passada, uma demonstração clara dessa crise: o ministro Ricardo Lewandowski bateu boca com Gilmar Mendes no intervalo da sessão, incomodado por ser cobrado pelo colega nas páginas dos jornais. Para evitar que a discussão se agravasse, Luiz Fux viu-se obrigado a intervir.

À espera do julgamento, parte dos ministros cobra publicamente de Lewandowski a liberação em algumas semanas do processo do mensalão. O risco, dizem, é o de que o julgamento tenha de ser adiado para 2013 se não for julgado até o fim de junho. Para esse grupo, a composição desfalcada do tribunal - Cezar Peluso se aposenta até o fim de agosto - e as eleições em outubro adiariam a conclusão do caso.

Esses ministros dizem ainda que Lewandowski, por ser revisor do processo, deveria ter começado a analisar o caso desde o fim da instrução da ação penal, quando concluída a coleta de provas, depoimentos de testemunhas e alegações finais.

De outro lado, alguns ministros dizem ser possível julgar o caso a partir de agosto, mesmo que para isso o ritmo do julgamento tenha de ser reduzido, já que seis membros do STF terão de se dividir entre a Corte e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Além disso, perguntam por que a pressa em julgar um processo específico com centenas de inquéritos e ações penais na fila.

"Esse é um processo igual aos outros", afirma, por exemplo, o ministro Marco Aurélio Mello.

Na troca velada de suspeitas, ministros questionam a postura do próximo presidente da Corte, Carlos Ayres Britto. Três deles demonstram insatisfação com o que classificaram de interferência. Um deles diz que Britto, ao propor o julgamento no recesso de julho, quer uma sobrevida à sua curta gestão - ele se aposenta em novembro.

Outro ingrediente da discussão é o risco de prescrição dos crimes. Parte dos ministros afirma que a eventual demora de Lewandowski poderia levar à prescrição de algumas penas. /F.R.

FONTE: O ESTADO DE S. PAULO

Réu no caso do mensalão, deputado se reúne com ministro do Supremo

João Paulo procurou cinco ministros do STF

Réu no mensalão, deputado já foi recebido por Dias Toffoli; motivo alegado foi entrega de relatório sobre código penal

Carolina Brígido

BRASÍLIA. Réu no processo do mensalão, o deputado João Paulo Cunha (PT-SP) bateu pessoalmente à porta do Supremo Tribunal Federal (STF). Pediu audiência a cinco ministros. Por enquanto, foi recebido por Dias Toffoli em seu gabinete na semana passada. O ministro confirmou o encontro, mas alegou que o parlamentar o procurou na condição de integrante da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados. Teria ido apenas para entregar o relatório final da comissão de juristas que estuda mudanças no Código Penal. Porém, João Paulo não relata a comissão, nem recebeu missão para representá-la no STF.

Perguntado se trataram do mensalão, Toffoli garantiu que não. Disse que o interlocutor sequer puxou o assunto. Questionado sobre o motivo do encontro, João Paulo reagiu como se o conteúdo da conversa não devesse ser divulgado. O GLOBO perguntou se fora tratar de algum projeto de lei, João Paulo Cunha respondeu com uma gargalhada:

- Para esse assunto (o julgamento do mensalão), o GLOBO não me ouve. Sobre esse assunto eu não vou falar. Não tenho razão. Posso falar de outra coisa - disse o deputado, após ser insistentemente questionado sobre o motivo da visita ao gabinete de Toffoli.

O parlamentar tem uma audiência marcada com o ministro Celso de Mello. A assessoria do ministro não divulgou quando será. Ontem à tarde, a assessoria de João Paulo telefonou ao gabinete de Carlos Ayres Britto para pedir uma audiência. O ministro assumirá a presidência do tribunal na quinta-feira - e, espera-se, presidirá o julgamento do mensalão. Por falta de disponibilidade na agenda, o encontro não foi marcado. Mas não houve recusa em agendá-lo para adiante.

Recentemente, a assessoria do deputado também procurou o gabinete de Marco Aurélio Mello. A audiência não foi marcada por falta de horário disponível. O mesmo ocorreu no gabinete de Luiz Fux. As assessorias dos gabinetes informaram que o parlamentar não revelou o motivo do encontro. Questionados pelo GLOBO, os demais ministros ou suas respectivas assessorias negaram ter sido procurados pelo parlamentar para o mesmo fim.

Às vésperas do julgamento do mensalão, que deve ocorrer ainda neste semestre, ainda é uma incógnita a participação de Dias Toffoli na votação. Isso porque, entre seus colegas, paira a certeza que ele estaria impedido para julgar o caso. Há dois motivos. Um deles, porque à época do suposto mensalão, Toffoli era assessor jurídico na Casa Civil, subordinado do então ministro-chefe da pasta, José Dirceu, um dos 38 réus no processo. Toffoli e Dirceu eram amigos e costumavam frequentar as casas um do outro em eventos festivos.

O outro motivo é que a companheira de Toffoli, a advogada Roberta Rangel, atuava na defesa do ex-deputado Professor Luizinho, para quem fez sustentação oral no STF quando foi julgada a denúncia do Ministério Público contra os acusados, em agosto de 2007. À época, Roberta e Toffoli atuavam no mesmo escritório de advocacia. Hoje, Roberta não defende mais nenhum réu no processo. Mesmo diante dos fatos, Toffoli não declarou ainda se participará ou não do julgamento.

O relatório sobre o motivo alegado da visita - segundo Toffoli, da comissão que analisa as alterações no Código Penal - está a cargo do deputado Alessandro Molon (PT-RJ). Questionado se agendou alguma reunião com ministros do STF, na última semana, para a entrega de relatório da subcomissão, Molon disse que não.

FONTE: O GLOBO

Comissão do Senado aprova unificação do ICMS para importados

Comissão aprova unificação do ICMS

Senadores do PT divergem mas rolo compressor do governo define alíquota de 4%

Cristiane Jungblut

BRASÍLIA. Depois de muita discussão e em clima de tensão e atrito entre senadores governistas, a Comissão de Assuntos Econômicos do Senado (CAE) aprovou ontem a proposta de unificar em 4% a alíquota do ICMS em operações interestaduais envolvendo produtos importados, acabando com a guerra fiscal entre portos brasileiros. Hoje, o ICMS nessas operações varia entre 12% e 7%, dependendo da região do estado.

A proposta foi aprovada por 20 votos a favor e apenas seis contra. Por determinação da presidente Dilma Rousseff, o governo usou o "rolo compressor", ignorando a resistência dos governadores e até pedidos de senadores aliados para que a votação fosse adiada. O governo quer votar a proposta hoje à tarde. A nova regra entra em vigor em janeiro do ano que vem.

O modo duro como o governo conduziu a votação provocou um bate-boca entre os senadores petistas José Pimentel (CE) e Lindbergh Farias (RJ): o primeiro queria a votação ontem e o segundo, o adiamento.

- Não é trabalho de Vossa Excelência, senador Pimentel, atuar como bedel. Não tenho de dar satisfação nenhuma à bancada. Como líder do governo, não tem o papel de ficar dando pito. Eu não lhe devo satisfação! - disse Lindbergh, no plenário do Senado mais tarde.

- Não retiro um milímetro da minha atuação na Comissão de Assuntos Econômicos - rebateu Pimentel.

A aprovação da Resolução 72 é o primeiro passo, dentro do Senado, para a aprovação do chamado minipacote tributário. O texto final foi apresentado pelo líder do governo no Senado e relator na CAE, Eduardo Braga (PMDB-AM), contrariando os interesses de três estados: Santa Catarina, Espírito Santo e Goiás.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou ontem que o governo vai conceder financiamentos do BNDES a taxas reduzidas (em torno de 7%) para compensar os estados prejudicados pela mudança na forma de cobrança do ICMS sobre importações. Os governadores do Espírito Santo, Santa Catarina e Goiás - os principais afetados pela alteração - queriam que a redução na alíquota do ICMS fosse feita de forma gradual, com um período de transição, de maneira que as economias locais não tivessem fortes perdas de receita de uma única vez.

- Para permitir que os estados façam essa transição (para a alíquota única), o governo está dando recursos, principalmente financeiros, a taxas de juros baixas de modo que eles não terão falta de recursos para substituir eventuais perdas, e para realizar novos investimentos que vão atrair e fixar novas atividades econômicas no lugar dessas que eles estão praticando - disse Mantega. - A transição é dar recursos ao estado para ele migrar para uma atividade produtiva legítima, real, e não uma mera importação - completou.

FONTE: O GLOBO

Serra assedia católicos para neutralizar Chalita

Aliados do tucano iniciaram contatos com padres, sobretudo da zona leste, em busca de apoio na eleição; ala da Assembleia de Deus aderiu à candidatura

Bruno Boghossian

Em busca do apoio de líderes religiosos para a eleição municipal de outubro, a equipe de pré-campanha do ex-governador José Serra (PSDB) começa a aproximar o tucano de padres católicos de São Paulo. O objetivo é neutralizar principalmente o assédio feito às paróquias por Gabriel Chalita (PMDB) - que pertence à ala carismática da Igreja.

Emissários de Serra mantêm contato principalmente com padres da periferia. Eles querem agendar encontros entre o pré-candidato e o padre Geraldo Antonio Rodrigues, de São Miguel Paulista, e com o padre Edmilson Leite, do Itaim Paulista, ambos na zona leste da capital.

"O Chalita não é dono e senhor desses segmentos. Também temos boas relações com a Igreja Católica", diz o deputado tucano Walter Feldman, um dos responsáveis pela articulação da campanha de Serra com líderes comunitários e religiosos.

O contato com as paróquias da periferia também é visto pelo PSDB como um trunfo na disputa com o PT. Os tucanos pretendem aproveitar a rede de projetos sociais mantidos pelas paróquias nos extremos de São Paulo, onde seu desempenho nas urnas é tradicionalmente mais fraco e onde os petistas mantêm laços comunidades eclesiásticas.

A equipe de Serra avalia que os padres têm influência não apenas sobre os frequentadores das paróquias como sobre usuários dos projetos sociais mantidos pela Igreja. Eles esperam que essas lideranças possam declarar apoio ao PSDB antes de outubro.

Parte dos padres católicos prefere adotar uma postura de independência no período eleitoral, mas é comum em algumas paróquias que os fiéis recebam orientação de seus líderes.

"Vamos dizer ao povo o que é mais conveniente para a cidade de São Paulo. Direcionar um pouco sem obrigar ninguém a votar", diz o padre Rosalvino Viñayo, da Obra Social Dom Bosco, em Itaquera. Ele ainda não foi procurado por Serra, mas já conversou com Chalita e Haddad.

Evangélicos. Com a ajuda do prefeito Gilberto Kassab (PSD), os tucanos também costuram acordos com grupos evangélicos. Esta semana, Serra recebeu uma declaração de apoio de uma ala da Assembleia de Deus.

A articulação também contou com a participação do deputado federal Paulo Freire (PR), filho do pastor José Wellington Bezerra da Costa, da Assembleia de Deus.

A equipe de Serra tenta agora conseguir o apoio do Conselho de Pastores e Ministros Evangélicos de São Paulo. Os tucanos já procuraram o presidente do grupo, o pastor Jabes Alencar, também da Assembleia de Deus.

Alencar é ligado ao pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, do Rio. Malafaia apoiou Serra no 2.º turno da eleição presidencial de 2010. Ele é crítico do PT e acusa Haddad de ter autorizado a elaboração de um kit didático contra a homofobia para distribuição em escolas.

"Não vou botar a cara no primeiro turno, mas os evangélicos farão campanha contra o Haddad no segundo turno", diz Malafaia. "Não adianta nem ele dizer que não é autor do "kit gay"."

O PSD do prefeito Gilberto Kassab tenta articular encontros dos serristas com integrantes da Igreja Mundial do Poder de Deus, da Igreja Renascer em Cristo e da Igreja Universal - que deve se engajar na campanha de Celso Russomanno (PRB).

Os petistas também conversam com líderes religiosos, mas negam que esse contato tenha vínculos com o voto religioso.

"O Serra ensaia mais uma vez uma campanha conservadora e obscurantista. Não vai dar certo, pois o povo de São Paulo é progressista", afirma o vereador petista José Américo, um dos responsáveis pela área de comunicação da campanha de Haddad.

FONTE: O ESTADO DE S. PAULO

Soninha defende produção legalizada de maconha

Em entrevista à "TV Estadão", pré-candidata disse que comércio da droga deveria ser feito por "pessoas honestas"

Flávia Dangelo

A pré-candidata à Prefeitura Soninha Francine (PPS) defendeu ontem que a produção e venda da maconha sejam feitas dentro da legalidade no Brasil. Em entrevista à TV Estadão, Soninha disse ser a favor de discutir mudanças na legislação, desde que com seriedade. "Mesmo bem-humorado, o oba-oba (em torno da maconha) não contribui ao debate que me interessa", afirmou.

Para Soninha, o monopólio da venda da droga na mão de criminosos é "um desastre". "Eu preferia que pessoas honestas, conhecidas, com CNPJ, nota fiscal e carteira assinada, cuidassem da produção disso (maconha), dentro da legalidade e não nesse modelo de hoje, em que (criminosos) combatem e se defendem com armas", argumenta.

Nesta semana, alunos da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP organizaram a "Semana de Barba, Bigode e Baseado". O propósito principal do evento é discutir a legalização da maconha.

Vice. Soninha disse que não abre mão da candidatura em favor do pré-candidato tucano José Serra. "Se o PPS decidir, em convenção, que pretende indicar o vice do Serra e abrir mão da candidatura própria, ele pode indicar o vice do Serra, mas a opção não serei eu", avisou.

Como candidata pela segunda vez à sucessão em São Paulo, Soninha disse que vai manter o discurso de 2008: o da busca por uma "solução estrutural" para a cidade.

FONTE: O ESTADO DE S. PAULO

Em BH, Eros Biondini quer um vice do PDT

Deputado que foi candidato a vice-prefeito na chapa de Leonardo Quintão em 2008, agora pretende disputar PBH

Daniel Camargos

O deputado federal Eros Biondini (PTB) vai enfrentar a ampla aliança que está sendo construída em torno da candidatura de Marcio Lacerda (PSB), que aglutina opostos como PT e PSDB. Depois da reunião da executiva do partido, na manhã de ontem, Biondini teve o nome confirmado. Membro da Renovação Carismática e coordenador da bancada católica da Câmara dos Deputados o deputado federal teve uma expressiva votação na última eleição para o congresso, conseguindo 208 mil votos. Na eleição municipal, em 2008, ele foi candidato a vice-prefeito na chapa encabeçada por Leonardo Quintão (PMDB), derrotada por Lacerda.

Mesmo lutando com o atual prefeito, que é apoiado pelos partidos que governam o estado (PSDB) e o país (PT), o consultor político e professor da Universidade de São Paulo (USP) Gaudêncio Torquato entende que para um deputado é um "grande negócio" ser candidato a um cargo majoritário. "Alavanca o nome no meio do mandato sem nenhuma ameaça ao cargo em caso de derrota. Quem pode dizer que não é um grande negócio passar 45 dias com intensa publicidade e ainda gerar um recall na cabeça do eleitor, que vai lembrar o nome na eleição seguinte?", questiona Torquato.

Porém, o consultor político vê o outro lado da importância dessas candidaturas, por romper a polaridade gerada na capital mineira desde o último pleito, quando Lacerda venceu o segundo turno contra Quintão. "É muito difícil para um candidato situacionista perder, pois ele é beneficiado pela situação econômica que permeia o país. Existe um conforto social, pois o bolso do brasileiro está mais cheio do que em épocas passadas", observa Torquato.

Para o PTB, o melhor vice viria do PDT. E é também entre os pedetistas que Leonardo Quintão – que pretende ser novamente candidato – busca um companheiro de chapa. Um dos nomes que mais tem sobressaido no assédios de ambos os partidos é do presidente estadual do PDT, ex-deputado federal Mário Heringer. Apesar de ter rompido com Quintão e lançado voo solo, Biondini diz manter uma relação "saudável" com antigo parceiro de chapa.

O presidente estadual do PTB, Dilzon Melo, entende que o cenário é complicado e foi por esse motivo que retardou ao máximo o lançamento de candidato. "Apoiamos o Lacerda na eleição anterior e não nos arrependemos disso. Agora vamos disputar a eleição. Democracia é isso", avalia. Para a presidente municipal do PTB, a vereadora Elaine Matozinhos, os trabalhistas não podem ficar alheios ao processo. Ela volta ao passado para ressaltar a importância da legenda, citando os nomes do ex-presidente Getúlio Vargas e do ex-governador Hélio Garcia.

Na base Outra legenda que chegou a cogitar candidatura própria foi o PPS. Porém, o partido deve se manter na base de Lacerda, integrando a chapa do atual prefeito, de acordo com a presidente estadual do partido, a deputada estadual Luzia Ferreira. Está marcada para a noite de hoje uma reunião para discutir o assunto e um encontro partidário em 5 de maio, para referendar a decisão. "A tendência do PPS é apoiar Lacerda", antecipa Luzia. O partido faz parte da administração municipal, controla a Regional Nordeste e a Secretaria Adjunta de Direitos Humanos.

Entretanto, o ex-candidato a governador pelo PV, José Fernando de Oliveira, que hoje integra o PPS, ainda defende a candidatura própria. "Mostra que o chapão em torno do Lacerda não se consolidou, mesmo com o encontro dos antagônicos PT e PSDB em torno do prefeito. É apenas uma busca do poder pelo poder", analisa. José Fernando considera um erro não lançar candidatura própria. "O PPS se quiser ser partido tem que lançar candidatura própria, ou então é uma legenda de apoio a outros projetos", argumenta.

"PT é secundário em BH", diz Aécio

O senador Aécio Neves (PSDB) criticou os descontentes do PT com a aliança PSB-PT-PSDB. Depois de frisar que os tucanos apoiaram Marcio Lacerda (PSB) desde que ele tinha 2% nas pesquisas, em 2008, atacou: "O que acho é que, depois de tantas discussões, o PT devia efetivamente participar da discussão de um grande projeto para Belo Horizonte Não cabe mais esse sem-número de reuniões onde se passa a impressão que a reeleição de Marcio Lacerda depende dessas reuniões do PT". O senador disse que os petistas são bem-vindos mas chamou o PT de "partido secundário" na capital, baseado na campanha para governador de 2010. "Mesmo com o apoio do presidente Lula, da presidente Dilma, das principais lideranças do PT, alcançou 20% dos votos em Belo Horizonte. O candidato do PSDB nas eleições para governador alcançou mais de 72% dos votos".

FONTE: ESTADO DE MINAS