O Estado de S. Paulo
A guerra santa promovida após vir à tona uma
notícia falsa de que o candidato do PL, Flávio Bolsonaro, pretendia tirar de
Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil ressuscitou a batalha
entre duas alas do STF, às vésperas das eleições.
Não bastasse a campanha do primeiro turno estar chegando ao fim sem que os eleitores saibam as propostas dos candidatos para comandar o País pelos próximos quatro anos, agora os dois principais postulantes à Presidência têm um juiz para chamar de seu. Na prática, a agenda sobre o que precisa ser feito para impulsionar o desenvolvimento do Brasil foi sequestrada pelo escândalo do Banco Master e pela crise do STF.
De um lado da Corte está o grupo de André
Mendonça, que é evangélico, integrado pelo presidente do TSE, Nunes Marques, e
por Luiz Fux. De outro, a ala liderada por Alexandre de Moraes, Flávio Dino,
Gilmar Mendes e Cristiano Zanin. O primeiro grupo virou a tropa de choque de
Flávio. O segundo cerra fileiras para defender o presidente Lula.
Embora tenha sido indicado por Lula para o
cargo, Dias Toffoli caiu em desgraça com o presidente após ter impedido a ida
dele ao velório do irmão Vavá, em 2019. À época, o petista estava preso. Hoje,
Toffoli parece mais ligado a Mendonça.
Cabe ao presidente do STF, Edson Fachin,
impedir que os homens de toga se digladiem, desta
Marques decidiu levar hoje o caso para o
plenário virtual do TSE, longe das câmeras.
Fachin tem contado com o apoio de Cármen
Lúcia em suas decisões. Mas, se até agora a dupla não conseguiu tirar do papel
o Código de Ética para os magistrados, que dirá promover o armistício entre os
colegas?
Enquanto o fim do mundo não vem, Lula vai
erguendo a imagem da padroeira e anunciando bondades para atrair votos, como o
reajuste no Bolsa Família e o fim das bets. E, como Nossa Senhora entrou para
ficar na campanha, o PT aproveita para distribuir pelo WhatsApp figurinhas com
a santa fazendo o “L”.
Na outra ponta, aliados de Flávio também
espalham – e muito – notícias falsas, dizendo que o presidente é “macumbeiro”.
Além disso, nos cultos, pastores reembalam o discurso de que Lula, se reeleito,
fechará igrejas evangélicas, uma fake news cantada desde 2002.
O fato é que, nessa toada, o Brasil vai chegando ao domingo, dia da votação, sem nada saber sobre o que os candidatos à Presidência propõem para mudar o atual estado de coisas. Seria importante, até porque o difícil não é matar um leão por dia, mas, sim, se desviar das antas.

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