domingo, 8 de julho de 2018

Eliane Cantanhêde: Guerra de foice

- O Estado de S.Paulo

Eleição vai ter de afunilar, apesar dos temores e inseguranças de candidatos

Acaba a Copa para nós e começa de fato a eleição, ainda cercada de interrogações, mas com o tempo correndo cada vez mais rápido. Até 15 de agosto, prazo final para o registro de candidaturas, as respostas mais importantes terão que ser dadas, queiram ou não os partidos. É quando ficará claro quem entra, quem sai, quem está com quem.

Cresce a pressão para que o ex-presidente Lula faça uma “Carta à Nação” a ser lida na convenção do PT, no dia 28, para sair de campo espetacularmente, lançar Fernando Haddad e articular a candidatura dele a partir da cela em Curitiba – enquanto ainda estiver na cela em Curitiba.

Essa carta, com a renúncia à candidatura, serviria, ou servirá, como sinal verde para o Supremo dar o passo seguinte: livrar Lula da prisão. Em resumo, Lula abdica de ser candidato em troca de conquistar a liberdade. Uma complexa negociação, com Dias Toffoli afirmando-se não só como o próximo presidente de fato do STF, mas como o mais audacioso entre os onze ministros.

Fora da prisão e da chapa, Lula apresenta um candidato que mantém o PT e as esquerdas unidas, oferece enfim um nome ao Nordeste, que vota em quem seu mestre Lula mandar – e atrai dois tipos essenciais de eleitores: petistas decepcionados com o partido, mas sem alternativa, e também eleitores de outras siglas, igualmente desanimados com os nomes já colocados.

Vera Magalhães: Bolsonaro e Ciro

- O Estado de S.Paulo

Retórica e ênfase na autoridade aproximam candidatos mais do que eles gostariam de admitir

Ciro Gomes adora apontar autoritarismo e vazio de ideias em Jair Bolsonaro – que, por sua vez, execra o pedetista por ser de esquerda e próximo ao PT. Mas a noção que ambos têm de autoridade e os caminhos de governabilidade que apontam caso sejam eleitos não são diferentes. Isso sem falar no pavio curto.

Ambos acreditam, e dizem, que são os únicos capazes de tirar o País da gravíssima crise em que se encontra. Ainda que identifiquem culpados e remédios diferentes, o instrumento que apontam para resolver o nó é o mesmo: restauração da autoridade. Negociação com o Congresso? Vai se dar nos termos que Ciro e Bolsonaro quiserem. Afinal, serão eleitos para colocar ordem na casa. Quem ousaria se opor? Partidos? Nenhum dos dois vai negociar nos termos do presidencialismo de coalizão de hoje.

Então como se dará isso? A resposta em entrevistas e sabatinas é sempre vaga, amparada em bravatas e lastreada por essa ideia torta de “quem manda” que Dilma Rousseff também tinha, até ser debulhada por Eduardo Cunha e seu Centrão. Ciro fala em fazer reformas constitucionais por meio de plebiscito ou referendo. Questionado sobre a proposta de revogar a reforma trabalhista, e vaiado por uma parcela da plateia na sabatina da CNI por conta disso, tasca: “É assim que vai ser. Ponto final”.

Samuel Pessôa: Reforma política, falsa questão

- Folha de S. Paulo

Deixemos a política trabalhar; as reformas mais importantes já foram feitas

Em período eleitoral, é inevitável que diversos candidatos e seus assessores econômicos se pronunciem sobre a necessidade de reforma política —para muitos, "a mãe de todas as reformas"— e ataquem o presidencialismo de coalizão, ou de cooptação, ou ainda o toma-lá-dá-cá.

Infelizmente, o diagnóstico não está claro e muito menos o que exatamente fazer. Corre-se o risco de mudar tudo para ficar tudo como está.

O sistema político brasileiro tem essencialmente três problemas: excessiva fragmentação partidária, grande distância entre o representante e o representado e elevado custo de campanha.

O Congresso Nacional aprovou emenda constitucional, publicada no Diário Oficial em 4 de outubro de 2017, que produzirá nos próximos 12 anos forte queda da fragmentação partidária.

Os interessados podem ler o texto da emenda constitucional 97 no endereço aqui.

A emenda estabelece que a partir da eleição deste ano "terão acesso aos recursos do fundo partidário e à propaganda gratuita no rádio e na televisão os partidos políticos que, na legislatura seguinte às eleições de 2018, obtiverem, nas eleições para a Câmara dos Deputados, no mínimo, 1,5% dos votos válidos, distribuídos em pelo menos um terço das unidades da Federação, com um mínimo de 1% dos votos válidos em cada uma delas; ou tiverem elegido pelo menos nove deputados federais distribuídos em pelo menos um terço das unidades da Federação".

Marcos Lisboa: Esquerda à brasileira

- Folha de S. Paulo

Cortina de fumaça disfarça discurso que defende velhos setores

A polarização usual contrapõe PSDB e PT como direita e esquerda. Não deveria. Na definição clássica de Norberto Bobbio, a direita aceita maior desigualdade para estimular o crescimento, enquanto a esquerda opta por maior equidade mesmo ao custo de menor renda.

Essa taxonomia permite diferenciar, por exemplo, os Estados Unidos, com menor gasto social e tributação, de países europeus, que, por outro lado, têm menor crescimento.

Nesses termos, tanto o PSDB quanto o PT são de esquerda. Ambos elevaram a carga tributária e os gastos sociais. O salário mínimo, por exemplo, cresceu cerca de 20% acima da inflação em cada mandato de FHC e pouco mais nos dois de Lula.

Mesmo na economia, a diferença foi menor do que a retórica sugere. Em ambos, havia o resquício da tese cepalina de que o Estado deve proteger e conceder benefícios a empresas que produzam localmente para estimular o crescimento.

Esse argumento, porém, nada tem de esquerda, afinal significa transferir recursos para as empresas, além de tornar mais caros os bens domésticos. Não deveria surpreender que a desigualdade fosse maior no período mais fechado da economia, entre 1970 e 1990.

A divergência entre os economistas decorre sobre a extensão e a forma da intervenção estatal para promover o crescimento.

Bolívar Lamounier: Os três hemisférios do cérebro brasileiro

- O Estado de S.Paulo

Inegavelmente, um deles tem um modelo de crescimento e diretrizes de política econômica

A elite pensante brasileira mantém-se firme na convicção de que consegue compreender os problemas do País com base na dicotomia esquerda-direita. Qualquer que seja o assunto em pauta, lá vai ela de volta ao século 19 e de lá retorna com os chavões habituais. Não percebe que comete pelo menos dois graves equívocos.

Primeiro, não percebe que fala apenas de si e para si. Tudo se passa como se fosse formada por duas tribos se insultando mutuamente. A esquerda xinga a direita de direita e a direita xinga a esquerda de esquerda. Sabem por que afirmo isso? Muito simples. Não passa de 20% a parcela da sociedade que tem pelo menos um vago entendimento desses termos. Um pouco mais, um pouco menos. E não em razão do precário nível de instrução em nosso país, assim é por toda parte.

O segundo equívoco é a crença de que todos os desacordos existentes na sociedade podem ser encaixados numa única dimensão. Ora, a dicotomia esquerda-direita sintetiza, mal e parcamente, o conjunto de questões referente à política econômica e às desigualdades de renda e riqueza. Para representá-la graficamente basta-nos traçar uma linha (horizontal, suponhamos), numa ponta teremos a esquerda e na outra, a direita. Ao longo de tal linha temos graus de esquerdismo e direitismo na dimensão econômico-social. Mas onde entram, por exemplo, as dezenas de agudas desavenças que se manifestam no plano dos valores: questões de religião, combate à corrupção, concordâncias e discordâncias referentes à legalização do aborto, política de gênero, etc.? Ora, não entram em nenhum ponto da linha horizontal, uma vez que pertencem a outra dimensão.

Sérgio Besserman Vianna: Vida e futebol

- O Globo

Jogamos o melhor que podemos e, às vezes, somos os melhores ou nosso time é

Passo pela vida tendo como um dos marcadores do tempo as Copas do Mundo. Passo o tempo da vida começando o dia pelas páginas de futebol no jornal. É bom começar o dia pelas batidas do coração. Passo a régua das memórias mais queridas pelo firme chão dos campos de pelada ou das polêmicas futebolísticas do dia a dia.

Por que o futebol é o esporte mais querido e amado do planeta, de longe? Vamos descartar as hipóteses mais simples? Por conta da beleza de seus melhores momentos? Não! Outros esportes são igualmente espetaculares, e a frequência de seus momentos mais emocionantes, muito maior.

Por conta de seu caráter tribal, substituto civilizado das guerras? Outros esportes fazem isso com mais simbolismo guerreiro. Por conta do acaso? Pode ser, mas, hummm, não deve ser. Décadas atrás o Saldanha dizia que era pelos poucos requisitos materiais: uma bola, um campinho qualquer e duas sandálias como traves. Parecia um bom argumento, mas a história mostrou que não é isso. Um campinho hoje, com aglomerados urbanos de milhões de pessoas, ficou difícil.

Bem, é uma paixão, e paixão não tem explicação. Bobagem, toda paixão tem razões que a própria paixão desconhece (se conhecer deixa de ser paixão). Vou oferecer uma explicação, que não mata a paixão, porque não explica nada. Amamos o futebol porque ele é o esporte mais parecido com a vida. Não jogamos com o que temos de melhor, as mãos, mas com o que as regras e o contexto permitem, os pés. Jogamos (e vivemos ) sozinhos, mas junto aos outros, sem os quais não haveria jogo, nem vida, e nem mesmo conseguiríamos sonhar com quem somos.

Merval Pereira: Acabou a brincadeira

- O Globo

No bom sentido, é claro, pois todo mundo sabe que futebol é coisa séria. E nada mais exemplar do que o jogo de ontem. Todos os ingredientes de uma decisão dramática estavam lá, desde o herói improvável que se transformou em vilão — o brasileiro Mário Fernandes, que abriu mão de jogar na seleção de seu país para se naturalizar russo, em agradecimento à recuperação do alcoolismo, logo na terra em que o índice de alcoolismo é um grave problema social.

Mário fez o gol de empate da Rússia na prorrogação, e perdeu um dos pênaltis. Pois essa Copa, mais que as anteriores, está revelando a fragilidade e a grandeza dos ídolos do futebol. Neymar, por exemplo, é vítima do que se poderia chamar de “síndrome de Pedro e o Lobo”.

Composta por Serguey Prokofiev em 1936, a música, transformada em peça de teatro, conta a história de um pastor que, entediado com o passar do tempo a cuidar de ovelhas, resolveu se divertir e gritou por socorro. Foi ajudado uma, duas vezes, por outros pastores, mas não havia lobo algum. Na vez em que um lobo verdadeiro apareceu, ninguém foi ajudá-lo.

Mesmo quando Neymar é agredido brutalmente, quase sempre o juiz acha que foi encenação, dado o histórico de quedas sensacionais que já viraram memes na internet. Mas Neymar, se não é o único extraclasse em atuação no mundo hoje — pelo menos Messi e Cristiano Ronaldo estão na frente dele, embora em fim de carreira —, com certeza é o mais criativo, mais original. Mas vai ter que se reinventar.

Bruno Boghossian: Nos acréscimos

- Folha de S. Paulo

Em 2014, mais de 20 milhões definiram voto na véspera ou no dia da eleição

A eliminação precoce do Brasil na Copa pode até redirecionar alguns holofotes para a eleição presidencial, mas a disputa deste ano só será resolvida nos acréscimos. Fora dos campos, o quadro político continua indefinido, os partidos prolongam suas articulações e os eleitores permanecem indecisos.

Em 2014, cerca de 15% dos brasileiros chegaram à véspera da abertura das urnas sem um candidato escolhido. Isso significa que 21 milhões de votos foram definidos nas 48 horas que antecederam o primeiro turno. Outros 19% se decidiram apenas duas semanas antes de votar.

Tradicionalmente, metade dos eleitores não consegue escolher um candidato de maneira espontânea antes do início da propaganda eleitoral na TV. Este ano, a indefinição deve se prolongar: a legislação mudou e os programas dos presidenciáveis só estrearão em setembro.

Luiz Carlos Azedo: A criminalização da política

- Correio Braziliense

A prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e sua inelegibilidade exacerbam as tensões entre os políticos e promotores, delegados federais e magistrados que os investigam

A criminalização da política é a outra face da moeda de sua judicialização. São fenômenos que refletem a velha tensão entre a ética da responsabilidade e a ética das convicções, conceitos que ajudam a entender as vicissitudes da Operação Lava-Jato e seus atores, o inferno astral dos políticos às vésperas das eleições e o racha entre “garantistas” e “punitivistas” no Supremo Tribunal federal (STF). Essa bola rola quadrada no debate eleitoral, mais ou menos como aconteceu com a nossa seleção no jogo contra a Bélgica, na sexta-feira, um adversário sem tradição nas finais da Copa do Mundo. Entretanto, quem sentiu o peso da camisa foi a equipe do Brasil, pentacampeã mundial.

Aproveitando o parêntese, não é só na política e na economia que não entendemos a globalização. O Brasil exporta aviões, carne, soja, café, minérios e jogadores de futebol. Com exceção dos aviões, são matérias-primas que serão processadas e beneficiadas, recebendo valor agregado lá fora, o que inclui os jogadores de futebol. O mundo no qual os nossos jogadores surpreendiam os adversários e seus esquemas táticos com a habilidade do drible e a criatividade das jogadas deixou de existir. Na conquista do Penta, no Japão, a maioria dos nossos craques já era globalizada. No futebol, como acontece com a nossa economia, exportamos craques, mas não importamos a expertise organizacional e comercial dos grandes clubes europeus para acompanhar as mudanças em curso no mundo.

Rolf Kuntz: Haverá novo presidente, mas de que República?

- O Estado de S.Paulo

Bagunça institucional é a nova forma da velha e bem conhecida insegurança jurídica

O naufrágio do Titanic, dizem os otimistas, seria hoje evitável com um bom radar. Para aceitar essa afirmação é necessário pressupor um comandante, um piloto e vários especialistas ocupados, de forma organizada e eficiente, com suas funções. Como esse pressuposto nem sempre é realista, a insegurança envolve mais que a possível presença de um iceberg à frente e, nos piores casos, de nevoeiro. É esse o caso do Brasil, neste momento. Fala-se muito do cenário enevoado e da incerteza quanto à orientação do próximo presidente. O jogo eleitoral continua indefinido, as propostas são obscuras e as poucas indicações conhecidas são, em boa parte, assustadoras. Incerteza política é uma referência quase inevitável quando se discute como ficarão a partir de 2019 as finanças públicas, a pauta de reformas, a inflação, as políticas de câmbio e de juros e as condições de crescimento econômico.

Também as perspectivas de prazo mais curto são obscuras. A agenda de reformas está empacada e o Congresso pouco deverá produzir neste semestre, mas nem a execução orçamentária deste ano é previsível. Quem pode hoje apostar, por exemplo, em qualquer receita derivada de concessões e privatizações? Mas o detalhe mais perigosamente obscuro é outro. Antes do fim do ano os brasileiros elegerão um novo presidente da República - mas de que República? Quais são de fato e como operam as suas instituições e como se exercem os poderes do Estado?

A tão citada insegurança jurídica, apontada como um dos entraves ao investimento produtivo, à eficiência e ao crescimento econômico do Brasil, está vinculada a essa questão. Já não se trata só da incerteza quanto à aplicação das normas ou da mudança frequente de regras. O quadro piorou e hoje é difícil saber quem decide sobre isto ou aquilo.

Míriam Leitão: Aumento de impostos

- O Globo

O próximo governo vai aumentar impostos. A questão é saber quais e de que forma. Alguns candidatos dizem que não vão aumentar, outros fazem ameaças vagas aos mais ricos. Outros dizem que reduzirão benefícios, o que é, na prática, elevar tributos. O tema é tabu no Brasil. O esforço deveria ser, qualquer que fosse a pessoa eleita, tornar o sistema tributário mais justo, menos confuso.

Alguns candidatos estão falando em taxar dividendos. O Brasil em 1995 optou por taxar mais na pessoa jurídica, deixando os dividendos sem tributação. Existem dois impostos sobre o mesmo fato gerador, o Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e a Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL). Depois o que sobra é transferido para os acionistas em forma de dividendos, e não há imposto. É justo ou não?

Fontes da Receita explicam que é uma forma de tributar e consideram que se tiver imposto sobre dividendos será preciso talvez reduzir a alíquota das empresas. Nos Estados Unidos, Argentina, entre outros países, houve redução do imposto sobre a empresa em si, mas a pessoa física de alto rendimento é mais taxada. Antes, o IRPJ nos EUA era como no Brasil, em torno de 35%.

— Lá atrás ficou entendido se concentrar o imposto na Pessoa Jurídica e deixar o dividendo isento. O problema é que veio a pejotização com lucro presumido, a ampliação do Simples e isso gerou muita confusão — explica-se na Receita.

Alguns candidatos estão falando em combater a “pejotização”. Ou seja, um profissional liberal que, em vez de ser contratado pela empresa, cria uma firma, paga os tributos da Pessoa Jurídica, distribui para si mesmo os dividendos e sobre eles não recaem impostos.

— A questão é que imposto é a alíquota e a base de cálculo, e o lucro presumido ficou até R$ 78 milhões o que é muito alto — explica um técnico.

Vinicius Torres Freire: A maior derrota do Brasil

- Folha de S. Paulo

Não há mais dúvida de que estamos em crise de raridade secular e num pacto pelo desastre

"Não exagere. Já saímos de crises iguais a esta ou piores."

Em conversas com pessoas bem-postas na vida, da esquerda à direita, não raro é possível ouvir variantes desta frase depois de se expor com desânimo ou franca exasperação uma análise do que se passa com este país.

É uma atitude que revela conservadorismo, menosprezo pelos pobres, indiferença obstinada e obtusa por fatos elementares.

É conservadora porque tolera a reincidência de crises tremendas, que seriam inexoráveis como as estações do ano, e o crescimento pífio nas últimas quatro décadas.

É menosprezo pela miséria pelo motivo óbvio, porque os pobres se estrepam mais nos apagões nacionais.

É crença entre mágica e equivocada na ideia de que podemos sair, sem mais, desta outra temporada no inferno e de que o Brasil não tenha um problema de fundo, antigo e grave. Mas essa doença crônica pode ser uma outra aberração deste país tão aberrante (entre os líderes mundiais de desigualdade, taxas de juros, taxa de homicídio e de mortes no trânsito etc.).

Desde 1980, a renda (PIB) per capita brasileira cresce 0,8% ao ano (o que equivale a um crescimento atual da economia de 1,6% ao ano). Desde 1990, o Brasil foi o país que menos cresceu entre as 11 economias relevantes da América Latina, afora a Venezuela, extinta por um meteorito.

Desde 1980, tivemos três recessões cataclísmicas. Vamos completar neste 2018 o segundo pior quinquênio de crescimento desde que se tem notícia (1901).

José Roberto Mendonça de Barros: A reforma trabalhista vai pegar

- O Estado de S. Paulo

O fim da contribuição sindical obrigatória é uma importante inovação da reforma

No Brasil, todas as leis mais transformadoras são aprovadas duas vezes: depois de passar no Legislativo e sancionada pelo Executivo, as partes que se sentem prejudicadas tentam virar o jogo no Judiciário. Só então a nova lei entra efetivamente em vigor (“pega”).

Fora o Plano Real, um dos exemplos mais marcantes para mim foi o processo de concessão de rodovias em São Paulo, objeto de inúmeras contestações até sua pacificação na Justiça, quando os riscos legais dos contratos se reduziram drasticamente, ao contrário do ocorrido em lugares como o Rio Grande do Sul.

Como resultado, a malha de rodovias duplicadas cresceu em nosso Estado, beneficiando todos os usuários e elevando a produtividade. Hoje, das 20 melhores rodovias do Brasil, 18 são concessões paulistas. Só aqui temos uma rede rodoviária de padrão internacional.

Não há nada de errado nessas contestações, exceto pelo fato de que, em muitas ocasiões, a tradicional lentidão da Justiça brasileira transforma a ação em tática de procrastinação.

O resgate da coesão nacional: Editorial | O Estado de S. Paulo

Na cerimônia em homenagem ao soldado Mário Kozel Filho, morto há 50 anos pela explosão de um carro-bomba, o comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, fez um diagnóstico realista do que vem ocorrendo no País há algum tempo. A “sociedade brasileira está se esgarçando”, disse o general. “Hoje, o momento é de linhas de fratura, o que exige a recuperação de uma coesão nacional.”

Tem razão o general Villas Bôas quando aponta a necessidade de resgatar a unidade nacional. O ambiente de polarização e radicalismo é perigoso e contraproducente, tanto para o bom funcionamento das instituições democráticas como para o próprio convívio social, que exige um mínimo de harmonia e respeito pelo outro, mesmo quando não há o compartilhamento das mesmas ideias e causas políticas. A República deve sempre primar pelo pluralismo e pela tolerância, como caminho para que todos os cidadãos, sejam quais forem suas posições políticas e ideológicas, possam viver em paz e em liberdade.

Para a tarefa de resgate da unidade nacional, é preciso atacar as causas que conduziram o País à atual situação, que é muito diferente do ambiente de harmonia social que sempre caracterizou o Brasil. Por exemplo, um fator importante que contribuiu para a atual polarização foi a prática lulopetista de contrapor o “nós” contra “eles”.

Além de apresentar quem pensa de forma diferente como inimigo – o que é profundamente antidemocrático e antissocial –, o PT no governo federal conduziu a própria administração pública a atuar nessa ótica excludente, com a apropriação do Estado em favor de seu projeto de poder. Naturalmente, tal tática gerou profundos descontentamentos em quem se viu obrigado a financiar um modo de vida com o qual não concordava e a sustentar um poder público que trabalhava em benefício de um único grupo político-partidário.

O caminho da unidade nacional passa pelo reordenar da máquina pública ao interesse público, que é sempre mais abrangente que uma única bandeira partidária. Um governo radicalmente faccioso produz atritos e tensões, quando seu papel deveria ser promover a união e a concórdia. Tal advertência serve para os Três Poderes. Se o Judiciário esquece o Direito e toma decisões alheias à sua missão constitucional, ele também contribui para esgarçar o tecido social.

Eleições com um outro padrão: Editorial | O Globo

A baixa popularidade dos políticos em geral, refletida em taxas de rejeição mesmo de candidatos que aparecem à frente nas pesquisas, reflete elevada dose de mau humor do eleitorado

Os diversos partidos se preparam para definir chapas às eleições majoritárias — para presidente, governador e senador —, sem esquecer, por óbvio, a formação de bancadas nas assembleias estaduais e no Congresso. Nada, na essência, diferente de pleitos anteriores. Mas há aspectos novos.

Um dos principais, o fim do financiamento de campanha por empresas, o que aumentou o poder de barganha dos partidos maiores, donos de grandes fatias dos fundos partidário e eleitoral, pelos quais o contribuinte financia mais este gasto, sem ter sido consultado.

Uma reforma política tênue, mesmo que tenha sido na direção correta, adiou para 2022 a entrada em vigor da necessária eliminação da coligação em eleições proporcionais — que engana o eleitor, ao eleger com seu voto quem ele não conhece —, mas estabeleceu, para este pleito, enfim, uma cláusula de barreira, mesmo baixa. Começa fixando que os partidos precisam obter pelo menos 1,5% dos votos nacionais destinados aos candidatos a deputado federal, distribuídos em pelo menos um terço dos estados. Em 2030, será o mínimo de 3% dos votos e pelo menos 2% em cada um de um terço dos estados. Só assim o partido terá acesso aos fundos e ao horário de campanha dita gratuita.

A serviço do público: Editorial | Folha de S. Paulo

Portaria que autoriza transferência compulsória de funcionário federal abre caminho para racionalizar alocação de pessoal

O Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão deu um passo até certo ponto óbvio, mas com algum potencial contencioso, na administração de pessoal: diminuiu as barreiras para remanejar servidores públicos federais entre órgãos, prescindindo da autorização destes para as transferências, que passam a ser obrigatórias.

A medida estava prevista em lei desde 1990, sem chegar a ser posta em prática por falta de regulamentação. Esta veio na quarta-feira (4), com a publicação de uma portaria no Diário Oficial da União.

Ninguém desconhece que as regras a disciplinar o funcionalismo compõem hoje um emaranhado que, em nome de proteger os empregados, levantam obstáculos consideráveis para os gestores. Premido por restrição orçamentária, o Planalto enfim buscou a flexibilidade necessária para racionalizar recursos disponíveis.

Cacá Diegues: Na porta do gol

- O Globo

O principal eleitor de Obrador foi Trump e sua fúria antimexicana, sua insanidade que fez o cidadão do país ao sul do Rio Grande escolher alguém disposto a enfrentá-lo

Perdemos. Mas nem por isso temos do que nos envergonhar. Há muito tempo não víamos uma seleção brasileira tão cheia de qualidades. E tão parecida com o Brasil. Temos dificuldade em combater o infortúnio, sempre deixamos a bola escapar na porta do gol. Há de haver outros Neymares, tomara que a gente não desista. Nunca. 
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A eleição no México do novo presidente Andrés Manuel López Obrador, que seus eleitores chamam, com carinho e muitos significados, de AMLOve, é mais significativa do que muita gente pensa. Não se trata apenas de uma virada do país para a esquerda democrática, como também a potencial consagração de uma nova ordem política no futuro da América Latina.

Pela primeira vez, desde o ocaso da Revolução Mexicana do início do século XX, um político e seu partido, o Morena, retomam as teses sociais daquela esquerda, sem autoritarismo, apelos populistas e apoios suspeitos. Não se trata de construir um capitalismo de compadrio, como já aconteceu e acontece em alguns países de nosso continente; nem de inventar uma democracia cabocla demagógica e de fachada, como algumas do passado e do presente latino-americano. Mas de experimentar o nosso próprio jeito de ser, de ser o que somos, para o bem de todos.

O principal colaborador de Obrador na economia é Carlos Urzúa, um professor que já foi seu secretário no governo da Cidade do México. Urzúa avisou que não pretende fazer nada de diferente do que ele e AMLO faziam na administração municipal. Uma declaração de confiança nas forças econômicas que, desde alguns anos, estão tirando o México da miséria social.

O principal eleitor de Obrador foi Donald Trump e sua fúria antimexicana, sua insanidade colonialista que fez o cidadão do país ao sul do Rio Grande escolher alguém disposto a enfrentá-lo. Num de seus discursos de campanha, o novo presidente fez ironia certeira com a insensatez de Trump, ao lembrar que, se ele quer construir um muro para evitar os mexicanos, esse muro pode servir também para evitar os americanos invasores que, no passado, tiraram na porrada a Califórnia, o Novo México, a Flórida e o Texas do México, senhor original dessas terras. Uma observação parecida com a do grande ator seu patrício, Gael García Bernal, a uma revista dos Estados Unidos.

Resta torcer para que essa virada política no México dê certo. No Brasil, em situação parecida, quando deixamos a ditadura sonhando com um futuro democrático, acabamos criando leis e regras que, graças aos compromissos de nossos libertadores com militares moderados, políticos espertos e democratas conservadores, impediram uma reforma mais radical do regime, em direção a uma justa democracia política, econômica e social.

A Lei de Anistia de agosto de 1979, por exemplo, criada por aqueles militares moderados, promulgada pelo último general-presidente e garantida por todos os governos posteriores, de Collor e Itamar, de FHC e Lula, de Dilma e Temer, nos impede de conhecer o que se passou de fato durante a ditadura, para que se faça justiça e nada daquilo volte a acontecer. Ela livrou a cara daqueles que prenderam, torturaram e mataram nosso jornalista, escritor e cineasta Vladimir Herzog, em 1975, encenando ridiculamente um suicídio na prisão, não apenas improvável como também impossível.

Agora, a Corte Interamericana de Direitos Humanos acaba de condenar, pela primeira vez, o Estado brasileiro pelo assassinato de Herzog, finalmente tratado como o que ele foi, um crime contra a humanidade. Para que dure e seja bem-sucedido, tomara que AMLOve, o amor atual dos mexicanos, não sofra esse tipo de constrangimento. 
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Clara Nunes - O Mar Serenou

Carlos Drummond de Andrade: Foi-se a Copa

Foi-se a Copa? Não faz mal.
Adeus chutes e sistemas.
A gente pode, afinal,
cuidar de nossos problemas.

Faltou inflação de pontos?
Perdura a inflação de fato.
Deixaremos de ser tontos
se chutarmos no alvo exato.

O povo, noutro torneio,
havendo tenacidade,
ganhará, rijo, e de cheio,
A Copa da Liberdade.

(1978)

sábado, 7 de julho de 2018

Opinião do dia: Geraldo Alckmin

Ou nós vamos pegar o caminho da eficiência, da competitividade, do crescimento – melhorar salário, dobrar a renda dos brasileiros e promover o desenvolvimento – ou nós vamos empurrando os problemas com a barriga e vamos ter problema ali na frente.

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Geraldo Alckmin é presidente nacional do PSDB e pré-candidato presidencial, em Cuibá, 6/7/2018

Miguel Reale Júnior: Segurança na segurança

- O Estado de S.Paulo

Há que evitar candidato que gosta de aplausos ao esquadrão da morte ou de receber juiz a tiro

O tema mais sensível da disputa pela Presidência da República é o da segurança pública, em vista do desassossego que aflige o cotidiano da população, principalmente nas cidades grandes e médias. A delicadeza da questão está no fator emocional, no medo sentido diante da violência presente nas ruas, além da sensação de impunidade.

Nestas condições, a campanha eleitoral levará candidatos populistas a explorar o problema com propostas simplistas de maior repressão, manifestamente pouco redutoras da criminalidade, mas enganosas.

Vem de ser promulgada a Lei n.º 13.675, instituidora do Sistema Único de Segurança, cuja tônica está na busca de integração operacional das diversas unidades de polícia - Federal, Militar, Civil, Rodoviária, municipal - e na criação de rede nacional informatizada para intercâmbio de informações das integrantes desse sistema. Criar banco de dados criminal de âmbito nacional é essencial para orientar os trabalhos de persecução penal - a ser financiado, como sugerimos em nossa passagem pelo Ministério da Justiça, pelo Fundo de Telecomunicações.

Quanto à integração operacional, posso lembrar minha experiência na Secretaria de Segurança de São Paulo e à frente do Ministério da Justiça. Neste, organizamos forças-tarefa compostas pelas Polícia Federal, Rodoviária Federal e Polícias Civil e Militar de São Paulo e de Mato Grosso do Sul, no combate ao roubo de carga, com resultado muito positivo. Para integrar as polícias, outro caminho está em fazê-las ter formação parcialmente conjunta, dividindo salas de aula.

Tais medidas são importantes, mas não suficientes. Onde estão os gargalos da segurança pública? A meu ver, na elucidação dos crimes, na absoluta falta de uma política criminal de cunho social, no sistema prisional produtor de reincidência.

Bolívar Lamounier: Da polarização à anomia

- Revista IstoÉ (5/7/2018)

Os milhões de indignados são como milhões de partículas que não se somam. Cada uma, quero dizer, cada indivíduo, entende a situação de um jeito

Suponhamos que o Brasil ganhe a Copa, de maneira brilhante. Em seguida, os atletas, embora quase todos joguem na Europa, certamente virão ao Brasil para receber as homenagens e o calor da torcida.

Essa hipótese suscita a velha e boa indagação sobre os possíveis efeitos políticos dos triunfos esportivos. A alegria e o orgulho de sermos brasileiros serão sentimentos efêmeros, que logo se dissiparão, nos levando de volta à situação anterior? A situação anterior, como ninguém ignora, era uma forte tendência à radicalização, um ambiente raivoso, um mau humor sem precedente em nosso País. Mau humor, acrescento, perfeitamente compreensível, afinal ainda nem saímos da recessão de quase três anos provocada pelo governo Dilma. O número de desempregados continua na casa dos 13 milhões. A corrupção amazônica é corajosamente enfrentada em Curitiba, mas, em Brasília, a Segunda Turma do STF insiste em passar uma borracha em tudo, com a cara mais limpa desse mundo.

O quadro acima esboçado piora bastante quando nos voltamos para o quadro eleitoral. A indignação é generalizada, mas não é um corpo homogêneo. Os milhões de indignados são como milhões de partículas que não se somam. Cada uma, quero dizer, cada indivíduo, entende a situação de um jeito. Cada um responsabiliza um político, um partido ou um acontecimento qualquer pela catástrofe que se abateu sobre o País. Em sociologuês, isso é o que se costuma chamar de anomia, ausência de ordem, desnorteio geral, agravado por um sentimento de desânimo e desesperança. Um sentimento de que tudo vai mal e de que não há a quem apelar.

Não há a quem apelar: aqui entram as eleições. Antes, bem ou mal, tínhamos a polarização PT X PSDB. Agora, nem isso. Os candidatos presidenciais até agora não empolgaram, e não parece provável que esse dado vá se alterar. Raras vezes na história dessa república tivemos um elenco tão ruim de presidenciáveis.

E é assim mesmo que vamos para a eleição, com um alto índice de abstenção e os votos válidos esfarelados entre os diversos candidatos. Teoricamente, a responsabilidade por apontar rumos e engendrar convergências cabe aos partidos, mas só os muito otimistas acreditam que nossa estrutura partidária tenha alguma relevância neste momento. E agora, José?

Hélio Schwartsman: Estado contra a sociedade

- Folha de S. Paulo

Autoridades não se empenham de verdade em facilitar a vida do cidadão

É um fracasso a tal da CNH Digital anunciada com algum estardalhaço pelo governo. Como mostrou a Folha, depois de nove meses de vigência da inovação, apenas 0,4% dos motoristas carregam a carteira de motorista em seus celulares.

A reportagem relaciona vários motivos para a baixa adesão. Eles vão da ganância de alguns Detrans, que chegaram a cobrar mais de R$ 200 por um serviço cujos custos são irrisórios, até entraves burocráticos, que exigem inexplicáveis comparecimentos físicos dos condutores aos órgãos emissores do documento.

O buraco, contudo, é, a meu ver, mais embaixo. Seja por falta de imaginação, seja pelo desejo de manter o “statu quo”, as autoridades não se empenham de verdade em facilitar a vida do cidadão. Se as polícias já têm, através de seus computadores de bordo, acesso aos bancos de dados de motoristas e de veículos, a atitude sensata é mudar a lei para que ela dispense as pessoas de portar esses documentos, não criar mais versões do papelório.

E isso é menos do que a ponta do iceberg. Existe hoje tecnologia que permitiria ao poder público disponibilizar de forma gratuita (ou por taxas mínimas) uma infinidade de serviços e procedimentos burocráticos. Isso vale para obrigações fiscais, previdenciárias, registros públicos e trâmites jurídicos.

É ridículo, por exemplo, obrigar as partes a contratarem advogados para realizar inventários extrajudiciais e divórcios consensuais, que poderiam simplesmente ser registrados num grande cartório virtual mantido pelo Estado. Aliás, a tecnologia do blockchain, que é essencialmente uma forma de reconhecer e validar consensos, pode em tese aposentar —e com muito mais segurança— vários dos procedimentos que hoje realizamos em cartórios.

É claro que alguns profissionais se veriam privados de suas reservas de mercado e sairiam perdendo, mas, quando se consideram os ganhos para o conjunto da população, não há como hesitar.

João Domingos: Tudo ainda incerto

- O Estado de S.Paulo

Não haverá renovação das forças políticas nem na Presidência nem no Congresso

A exatamente três meses do primeiro turno da eleição presidencial, a incerteza quanto ao resultado é a mesma de há seis meses ou de há um ano. Pelas mãos de Lula ou de outro o PT voltará ao poder? A extrema direita e seu saudosismo da ditadura militar triunfará? O centro, que sempre foi competitivo, ficará de fora? Dessa vez Marina Silva vai? E como ficará a tentativa de Ciro Gomes de unir a centro-esquerda à centro-direita? Uma certeza, no entanto, é possível ter desde já: não haverá renovação, seja na Presidência da República, seja no Congresso.

Se houvesse uma casa de apostas no Brasil, e se as apostas fossem sobre o resultado da eleição de 7 de outubro, poderia até haver favoritos. Mas todas as possibilidades deveriam ser levadas em conta a julgar pelo que já fizeram os que melhor pontuam nas pesquisas sobre intenção de votos.

Não dá para dizer que sem Lula o PT perdeu a competitividade. Se o ex-presidente não conseguir o registro de sua candidatura, pois enquadrado na Lei da Ficha Limpa, o nome que ele indicar tem possibilidades concretas de passar para o segundo turno. O PT foi vitorioso na estratégia política de manter o nome de Lula na disputa, mesmo preso. Tanto é que os institutos de pesquisa continuam oferecendo ao eleitor o nome do ex-presidente. E quando se fala em recursos de Lula ao STF, passa-se à sociedade a ideia de que se trata de algo a respeito das condições de elegibilidade dele, não da ação penal pela qual foi condenado. E o plano B petista, o ex-prefeito Fernando Haddad, pontua bem quando é dito que ele seria apadrinhado por Lula.

O deputado Jair Bolsonaro (PSL) consolidou sua posição e tem condições de chegar ao segundo turno. Se conseguir a aliança com o PR e o senador Magno Malta (ES) de vice, tem condições de crescer. Avançará sobre parte do eleitorado evangélico e terá na chapa o reforço de um aliado que, como ele, se apresenta como a antítese do PT e de Lula. É possível até que nesse papel de inimigo dos petistas Malta consiga ser mais convincente do que o próprio capitão reformado do Exército.

Marina Silva está um pouco diferente das eleições anteriores das quais participou. Procura apresentar-se como uma pessoa de paz, que não está disposta a entrar em briga com quaisquer dos lados da disputa. O problema dela é que seu partido, a Rede, tem uma estrutura partidária insignificante, seu tempo de propaganda na TV é ínfimo e seu quinhão no fundo eleitoral é quase nada. Ela procura se socorrer nas redes sociais. Mas serão suficientes para se contrapor ao poderio e alcance da TV aberta?

Ciro Gomes, do PDT, tem marcado uma posição clara. Aproxima-se ao mesmo do tempo do empresariado nacional, com acenos de redução nos juros e controle do câmbio, e das corporações sindicais de trabalhadores, ao dizer que vai rever parte da reforma trabalhista. Ciro tem um projeto ousado, de aliança com a centro-esquerda, no caso o PSB, e com a centro-direita. Se conseguir esse objetivo, tem condições de passar ao segundo turno.

Geraldo Alckmin, do PSDB, tem alguns problemas sérios pela frente. Ele não consegue passar para o eleitor – e ele mesmo diz isso – que é candidato a presidente. A isso atribui o fato de patinar nas pesquisas sobre a intenção de votos. É preferido do mercado, por defender as reformas e o controle fiscal, e é tido como o nome mais capaz de fazer a transição política do País, tirando-o da divisão em que se encontra, por ter perfil moderado e conciliador. Mas Alckmin não consegue convencer nem mesmo partidos identificados com ele do ponto de vista programático de que dará a volta por cima e melhorará sua situação nas pesquisas eleitorais.

Zuenir Ventura: Lembrando um mártir

- O Globo

A recente condenação do Estado brasileiro pela tortura e morte do jornalista Vladimir Herzog, em 1975, durante a ditadura militar, veio lembrar o que alguns ainda querem negar — que crimes contra a humanidade eram então cometidos por torturadores, um dos quais é hoje exaltado por um candidato à Presidência da República.

A família Herzog teve que recorrer à Corte Interamericana de Direitos Humanos para obter o que, por 43 anos, não conseguiu aqui. A versão oficial do assassinato era uma farsa segundo a qual ele se suicidara enforcando-se com o cinto de seu macacão (que não tinha cinto) no DOI-Codi paulista, um centro de tortura do II Exército, onde se apresentara conforme prometera na véspera aos policiais que foram intimá-lo na TV Cultura, onde era diretor de jornalismo. Podia ter fugido, mas Vlado explicou aos companheiros de trabalho: “Não tenho nada a temer. Amanhã me apresento, esclareço tudo e volto para casa”.

Naquele sábado mesmo, ele foi torturado até a morte por volta das três horas da tarde. Os outros dez jornalistas que estavam presos lá acompanharam do lado de fora da sala o desenrolar da sessão — o rádio ligado a todo volume, as pancadas, os gemidos, os gritos fortes no começo, depois sufocados, finalmente silenciados. “Eles queriam silenciar Herzog”, contou mais tarde o cardeal D. Paulo Evaristo Arns, “e encheram sua boca com lã, também para fazê-lo sofrer.

Ele era cardíaco, e o coração parou, e não conseguiram mais reanimá-lo”. Durante os dois anos em que trabalhamos juntos, produzimos não só algumas matérias de que me orgulho, como construímos uma bela amizade. De 15 em 15 dias, eu ia a São Paulo pela revista e às vezes dormia em sua casa para conversarmos até de madrugada sobre pautas, matérias, movimento artístico. Raramente falávamos de política. Por isso, a sua morte me pareceu mais estúpida.

Ele foi morto pelo que não fazia. Ele não era um militante, não usava a profissão para contrabando ideológico, uma tentação daqueles tempos de sufoco. Ao contrário — e essa era a mais admirável de suas virtudes profissionais — Vlado não usava o jornalismo como pretexto político; acreditava na informação como força transformadora. Quer dizer: mataram a pessoa errada. Como se houvesse uma pessoa certa a matar.

Naqueles tempos de horror, difíceis de viver e trabalhar, Vlado soube viver, trabalhar e morrer com dignidade. Para mim, ele ficou como um mártir da abertura. Foi a partir do choque causado por sua morte — com toda a indignação e revolta que espalhou — que a imprensa brasileira tomou coragem de avançar até o horizonte do possível.

Antônio Cláudio Mariz de Oliveira: Cultura punitiva, sociedade em risco

- O Estado de S.Paulo

Sem estrita obediência às garantias legais, instaura-se a tirania investigativa e judiciária

Um sofrimento infligido a um homem ou à sociedade, quando é adotada uma da reação para extirpá-lo ou minimizá-lo, é acrescido de outro padecimento, de natureza diversa. O exemplo mais claro é o do medicamento que causa efeitos colaterais danosos. Procura-se a cura de uma moléstia e se adquire, como efeito direto do remédio ingerido, um outro mal para a saúde.

O mesmo se dá com os fenômenos advindos da conduta humana. O exemplo a ser analisado é o da criminalidade, violenta ou a denominada de colarinho-branco. A primeira tem como antídoto escolhido a repressão policial. No cumprimento dessa missão, tem-se assistido ao remédio voltar-se contra os doentes, que se tornam vítimas do arbítrio policial. Ademais, os próprios responsáveis pelo combate à doença do crime violento têm sido atingidos pelo tratamento escolhido: inúmeros são os policiais mortos em serviço.

Já o combate ao crime não violento, que encontra na corrupção o seu mais eloquente modelo, vem provocando efeitos colaterais que atingem o ordenamento penal e a segurança jurídica do País.

Instalou-se uma verdadeira “cruzada anticrime”, responsável por uma cultura punitiva criada pelos responsáveis pela persecução penal e caracterizada pelo desrespeito ao sistema de normas constitucionais e legais que regem essa atividade. Como arauto dessa cultura nós temos a mídia, que, por sua vez, influencia uma sociedade cada vez mais raivosamente intolerante e sedenta de castigo e de vingança.

Ruy Fabiano: STF: sem juízes e sem juízo

- Blog do Noblat | Veja

Supremo nunca teve o protagonismo político de hoje

Em nenhum outro momento da História do Brasil, o STF teve o protagonismo político de hoje. Da mesma forma, jamais sua imagem e credibilidade estiveram tão desfavorecidas perante a população. Não são situações desconexas: uma coisa decorre da outra.

Na medida em que se auto-investiu da condição de poder moderador – figura que, inexistente na república, cabia ao imperador na monarquia -, desfez-se da moderação, relativizou a Constituição e desceu ao vale-tudo do varejo político-partidário.

Usurpou prerrogativas dos demais Poderes, legislando, vetando leis e, até mesmo, nomeação de ministros de Estado. O Direito tornou-se um detalhe, a ser acionado quando convier.

Exemplo claro disso deu-se no espaço de uma mesma semana. No dia 3, o ministro Dias Toffoli negou habeas corpus a Evanildo José Fernandes de Souza, morador de rua que furtou e depois devolveu à loja uma bermuda de R$ 10.

A Defensoria Pública da União recorreu à tese da irrelevância do furto e ao fato de o morador ter devolvido a mercadoria. Toffoli foi implacável: tratava-se de reincidência – e ponto.

Evanildo cumprirá pena de 1 ano e sete meses. Já José Dirceu, reincidente dos reincidentes – condenado no Mensalão e duas vezes no Petrolão por desvios multimilionários –, foi posto em liberdade pelo mesmo Toffoli, sem que a defesa do condenado o pedisse.

Míriam Leitão: Congresso bomba

- O Globo

Criar 300 novos municípios inviáveis, de cinco mil a oito mil habitantes. Multiplicar por dez o que a União paga aos estados pela Lei Kandir. Prorrogar por mais 15 anos a guerra fiscal e incluir nela a redução de impostos federais. Aumentar os benefícios para as transportadoras. Dar novos descontos de dívidas para empresas rurais, inclusive as grandes. Quem teria tais ideias? O Congresso brasileiro.

Essas são algumas das decisões aprovadas ou em tramitação no Congresso nos últimos tempos. A mistura perigosa de fim de governo com concessões aos lobbies está piorando a ingovernabilidade do Brasil. Essas medidas têm sido aprovadas, ou avançam no Parlamento, sob os aplausos da oposição e com a conivência de partidos da base. O que os partidos deveriam considerar é que esse governo está terminando, e todas as bombas acabarão estourando no colo de quem for eleito. Quem arma a bomba pode ter que desarmar dentro de alguns meses.

O projeto de regulamentação de municípios inclui brechas que pode permitir a criação de cidades inviáveis. Permitiria, por exemplo, explica um alto funcionário que acompanha as decisões legislativas, pegar municípios que hoje vivem de transferências, de 15 mil habitantes, por exemplo, e dividi-los em dois para atender a lideranças políticas diferentes. Assim, haveria duas prefeituras, duas câmaras de vereadores. O projeto de lei complementar que regulamenta a criação de municípios teve urgência aprovada na Câmara e já foi votado no Senado. Um levantamento do Ipea indica que isso permitiria a criação de pelo menos 300 novos municípios no país.

Adriana Fernandes: Licença para gastar

- O Estado de S.Paulo

Inflação mais alta corrigirá o teto de gastos; governo terá 'uma folga' de R$ 15 bilhões para despesas em 2019

A greve dos caminhoneiros levou o IPCA de junho ao patamar de 1,26%, o mais alto para mês desde 1995. E de quebra o repique inflacionário acabou provocando um efeito colateral no Orçamento da União: permitir um aumento de despesas para o próximo presidente da República.

Com o resultado da inflação de junho, a taxa acumulada em 12 meses saltou de 2,86% em maio para 4,39% no mês passado. É justamente essa inflação de 12 meses encerrada em junho que corrigirá o teto de gastos, fixando o volume máximo de despesas que poderão ser feitas em 2019. A emenda que criou o teto trava o crescimento das despesas à inflação do ano anterior.

A forte aceleração da inflação deu uma "folga" de R$ 15 bilhões no teto. Esse espaço fiscal aberto poderá até mesmo ser maior porque as projeções iniciais da área econômica foram feitas com base num IPCA um pouco menor em junho. O valor é próximo ao que o governo vai gastar esse ano para bancar a redução de R$ 0,46 no preço do diesel na bomba.

Discretamente, o governo não esconde que está aliviado. Com essa folga, ficará mais fácil administrar o Orçamento de 2019, que está com muito pouco espaço para investimentos e a continuidade de programas importantes devido ao avanço sem trégua das despesas obrigatórias.

O desgaste para administrar a adoção de novas medidas para cobrir o buraco orçamentário e garantir que o teto não estoure no primeiro ano do próximo governo continua. Mas agora será, sem dúvida, menor. Tudo indica, porém, que será necessário ainda suspender o reajuste dos servidores. Uma batalha difícil que poderá ser resolvida com a aprovação da Lei de Diretrizes Orçamentárias com dispositivo que não permite o reajuste.

Fernando Gabeira: Bom enquanto durou

- O Globo

Estava me acostumando, é hora de voltar. Um pouco mais, talvez eu me acomodasse

Depois de tanta retranca e de tantos pontapés, um jogo. Esse gesto de desenhar um retângulo no ar, indicando a tela de TV — e o VAR —, parece que contaminou o mundo. Jornalistas, torcedores, turistas, espectadores ocasionais, todos parecem fazer um retângulo no ar antes de emitir sua opinião.

Tenho assistido aos jogos em russo. Comentários e debates, também. Acho ótimo, pois não entendo nada. Só no dia seguinte consigo ver o que se passa no Brasil. Os debates são acalorados, mas felizmente há muita gozação recíproca.

Jornalistas esportivos não usam gravata, são mais leves. Alguns se politizaram com o tempo e ganharam a solenidade de um senador. Mesmo assim, só de vez em quando.

A Copa está para os jornalistas esportivos como Florença, para Leonardo da Vinci, no século XV: estimula a criatividade e a associação de diferentes disciplinas. É a biografia de Da Vinci que estou lendo no intervalo dos jogos e no tempo em que passo batendo perna, fotografando a Rússia.

O que une a todos é a paixão pelo futebol. Apesar de o meu trabalho não estar diretamente ligado a ele, assisti a todas as partidas, mesmo as mais tediosas, como Bélgica e Inglaterra, França e Dinamarca.

Confesso que foram poucos os lances que me fizeram saltar da cadeira, exceto, é claro, os gols do Brasil, por menos plásticos que tenham sido.

Os jovens não se lembram muito da tabelinha, consagrada por Pelé e Coutinho e muito comum no futebol brasileiro. Hoje há um tal bolo na área que as tabelinhas ficam bem mais difíceis. Parece que existe também uma barreira em que todos os chutes a gol esbarram e na qual se perdem.

Tanto que alguns dos gols mais interessantes foram feitos bem de fora da área. Os de Cavani contra Portugal, Di María contra a França e Pavard contra a Argentina.

Eu sabia que o grande adversário seria a Bélgica. Acabaram vencendo, embora ainda ache que o nosso futebol é superior. A saída do Brasil muda toda a minha perspectiva. Trabalhei até o primeiro jogo da tarde. Passei a manhã na casa de Gorki.

Ricardo Noblat: Canário belga canta melhor

- Blog do Noblat | Veja

Sepultada a geração Neymar. Que venha a próxima

A Seleção de Telê, Falcão, Sócrates e Zico perdeu a Copa do Mundo de 1982, mas é universalmente celebrada até hoje. Para alguns, foi superior à Seleção de Pelé, Tostão, Gerson e Jairzinho que conquistou o tri no México em 1970. Um exagero, talvez.

Esta, de Tite, Neymar, Gabriel Jesus e Fernandinho, eliminada da Copa da Rússia, é uma Seleção para ser esquecida. Foi muito bem na fase de classificação e nos amistosos. Na fase de grupos e nas oitavas de final, avançou sem convencer. Deu no que deu.

Por dias a perder de vista, e por muitas horas consecutivas, os especialistas em futebol, reunidos em torno de mesas com todos os formatos, discutirão a derrota do Brasil e tentarão explicá-la da melhor maneira possível. Faz parte do ofício deles.

É tão simples: a Bélgica jogou melhor. A Bélgica é um time melhor do que o do Brasil. Do ponto de vista tático, seu técnico espanhol deu um baile em Tite, elevado ao altar antes da hora. A vitória foi justa e merecida. O canário belga cantou mais bonito. E ponto final.

Candidatura de Dilma está ameaçada, dizem especialistas

Questionamentos sobre fatiamento do processo e inelegibilidade da petista devem chegar ao Supremo

Carolina Linhares | Folha de S. Paulo

BELO HORIZONTE - O registro da candidatura da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) ao Senado por Minas Gerais deve obrigar o Supremo Tribunal Federal a discutir o fatiamento do seu impeachment, afirmam especialistas consultados pela Folha. Segundo eles, a eleição da petista corre o risco de ser barrada judicialmente.

“A candidatura está relevantemente ameaçada porque certamente será impugnada, essa impugnação chegará ao plenário do Supremo e ali hoje não há como se ter uma previsibilidade do que vai acontecer”, diz o advogado eleitoral e professor da PUC-SP Carlos Gonçalves Júnior.

A insegurança jurídica em torno da candidatura de Dilma é resultado de uma interpretação da Constituição considerada bizarra, peculiar, excepcional e uma verdadeira mutação pelos especialistas: a decisão de fatiar o impeachment em 2016.

Sob a condução de Ricardo Lewandowski, então presidente do STF, os senadores resolveram votar separadamente a cassação de Dilma e a perda de seus direitos políticos. Somente a primeira punição foi aprovada.

Na Constituição Federal, a perda do cargo e a inabilitação por oito anos para o exercício de função pública aparecem ligados pela palavra “com”. Embora a ministra Rosa Weber, do STF, tenha negado liminares de partidos que se opuseram ao fatiamento, o Supremo não chegou a debater se as consequências do impeachment podem ser separadas.

“Essa questão não foi enfrentada pelo STF, mas ela está latente. E agora a situação concreta vai surgir”, diz a professora de direito eleitoral da FGV-Rio e procuradora da República Silvana Batini. Caberá ao TRE-MG julgar se ela está elegível, mas o caso tende a parar no Tribunal Superior Eleitoral e, depois, no STF por meio de recursos.

Apesar de bem nas pesquisas, Aécio está isolado no partido

Senador vem sendo pressionado por aliados a não tentar se reeleger, mesmo tendo chances de obter uma das vagas do Senado em Minas

Daniel Carvalho e Bernardo Caram | Folha de S. Paulo

BRASÍLIA - Com a proximidade das eleições, o senador Aécio Neves (PSDB) vem sendo pressionado por aliados a não tentar se reeleger, mesmo tendo chances de obter uma das vagas do Senado em Minas, estado em que alcançou 92% de aprovação quando deixou o governo, em 2010.

Um dos nomes de maior projeção do PSDB, Aécio tornou-se um político isolado e cuja incerteza sobre o futuro deixa aliados apreensivos.

Desde que foi divulgada gravação em que pede R$ 2 milhões ao empresário Joesley Batista, da JBS, o mineiro, que quase chegou à Presidência em 2014, passou a ser um problema para seu partido.

Tucanos temem que sua presença na chapa majoritária, mesmo que ele tenha um eleitorado cativo, traga dificuldades para o senador Antonio Anastasia (PSDB-MG) chegar novamente ao comando do estado.

Ironicamente, foi pelas mãos de Aécio que Anastasia, então seu vice, foi eleito governador pela primeira vez, há oito anos.

Para o presidente do PSDB-MG, deputado Domingos Sávio, o eleitor de Aécio votará em Anastasia independentemente da posição em que ele se colocar nas eleições.

Para o deputado, portanto, ceder a vaga a outro partido pode fortalecer a aliança e trazer mais votos para o candidato ao governo do estado.

Paulo Câmara minimiza apoio de Lula a Marília Arraes ao governo

Governador ainda alimenta esperança de compor com o PT em sua chapa à reeleição

Kleber Nunes | O Estado de S.Paulo

RECIFE - Pré-candidato à reeleição, o governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), minimizou nesta sexta-feira, 6, a sinalização que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado e preso pela Operação Lava Jato, deu a favor da candidatura da vereadora Marília Arraes (PT) ao governo do Estado nas eleições 2018.

Da prisão em Curitiba, o petista enviou o recado via o ex-presidente do PT Rui Falcão e o líder do MST, João Pedro Stedile. Para Câmara, que ainda alimenta a esperança de ter o PT em sua chapa, o episódio não passa de um movimento político "de quem gosta de falar”.

“Enquanto tiver conversas (entre PSB e PT) não há porque ficar falando de uma questão que mais para frente pode ser que não se confirme. Não me incomoda, vou continuar trabalhando. Tem muito tempo para a gente discutir”, disse Câmara durante cerimônia de entrega do segundo módulo do Museu Cais do Sertão, seu último ato de inauguração antes da campanha.

“A gente já construiu alianças importantes para 2018 com partidos que tem nos ajudado. O que a gente puder agregar até lá (as convenções partidárias em agosto) ótimo, se não puder vamos disputar com as nossas forças”, completou Câmara.

O aceno de Lula dá força à tentativa de Marília, que, mesmo sem apoio oficial do partido, tem intensificado agendas e conversas. Por meio da assessoria, Marília disse que não iria comentar a declaração de Lula que foi gravada em vídeo e postada nas redes sociais da vereadora.

Defensor de Alckmin, líder do DEM diz que alinhamento com Ciro não define aliança nas eleições 2018

O partido admite abertamente a possibilidade de o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, abrir mão de se candidatar ao Planalto e apoiar outro presidenciável

Daniel Weterman | O Estado de S.Paulo

Defensor de uma aliança com o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) nas eleições 2018, o líder do DEM na Câmara, deputado Rodrigo Garcia (SP), afirmou, em conversa com o Estadão/Broadcast, que a aproximação de diretórios regionais com Ciro Gomes(PDT) não definirá os rumos que o partido tomará na disputa pelo Planalto.

O partido admite abertamente a possibilidade de o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, abrir mão de se candidatar ao Planalto e apoiar outro presidenciável. Na quinta-feira, 5, Maia afirmou que, do ponto de vista "das ideias", é mais fácil o partido apoiar Geraldo Alckmin (PSDB). Em relação aos palanques estaduais, ponderou, há mais afinidade com Ciro.

O líder da bancada relativiza a declaração do presidente da Casa. "Essa lógica quem vai deliberar é o presidente (do partido), ACM Neto, entre as bancadas do Senado e da Câmara e a Executiva Nacional, ponto", disse Garcia. E ainda argumenta o alinhamento histórico do DEM com o programa do PSDB para defender uma aliança com Alckmin. "Se for tomado outro rumo, naturalmente vai ter que se colocado isso de maneira clara o porquê de outro rumo."

No DEM, há o temor de que a divergência em relação à aliança faça o comando da legenda convocar uma votação ampliada entre dirigentes, deputados e senadores para decidir quem apoiar na eleição presidencial. A Executiva deve se reunir na quarta-feira, 11, para discutir o assunto.

Alianças. Para contrapor a ala do partido que defende uma aliança com Ciro Gomes, Rodrigo Garcia argumenta que DEM e PSDB estão juntos em oito Estados. Os democratas apoiam candidaturas tucanas em São Paulo, Rondônia, Roraima e Piauí. Já os tucanos apoiam pré-candidatos do DEM no Amapá e no Pará. Além disso, os partidos estão juntos em Pernambuco e Alagoas.

"Em virtude de uma decisão nacional estar sendo tomada muito próximo da convenção, deverá ser respeitada a realidade de cada Estado. Não pode ser encarado como nenhuma dissidência se, por acaso, a decisão for diferente da nacional", diz o líder do DEM, admitindo a divisão no partido em relação à campanha presidencial.

“PSDB vai disputar as eleições com o melhores palanques do Brasil”, diz Alckmin

CUIABÁ - “Nós vamos ganhar a eleição. Vamos para o segundo turno e, no segundo turno, vamos ganhar a eleição. E o mais importante: fazer um grande governo”, disse o presidente nacional do PSDB, Geraldo Alckmin, em Cuiabá, no Mato Grosso.

O pré-candidato tucano à Presidência afirmou que o Brasil está hoje num divisor de águas: “Ou nós vamos pegar o caminho da eficiência, da competitividade, do crescimento – melhorar salário, dobrar a renda dos brasileiros e promover o desenvolvimento – ou nós vamos empurrando os problemas com a barriga e vamos ter problema ali na frente.”

Antes da coletiva, Alckmin vistoriou com o governador Pedro Taques (PSDB) as obras de duplicação da rodovia Emanuel Pinheiro (MT-251) no perímetro urbano de Cuiabá. “Pesquisa, neste momento, não indica intenção de voto. Bolsonaro não vai ao segundo turno. Ele não chega lá”, disse o ex-governador de São Paulo. Deu o exemplo da recente eleição do Tocantins, em que os dois candidatos que apareciam na frente a uma semana do pleito nem chegaram ao segundo turno.

Aos jornalistas, explicou que o PSDB vai disputar as eleições com o melhores palanques do Brasil e que sua candidatura já conta com cinco partidos, o que lhe garante, de saída, 20% do tempo de rádio e televisão.