O Estado de S. Paulo
É abismante a hipótese de que os donos de
partidos do que se chama de Centrão resistam a se aliar a Flávio Bolsonaro “por
medo” do Supremo. Para além do já paralelamente constituído Tribunal Xandônico
Eleitoral, seria o “fator STF” interferindo na eleição por meio de
“recomendações”: juízes da Corte constitucional que usariam o poder togado para
fazer carga sobre agentes políticos que têm foro por prerrogativa de função
naquela mesma Corte constitucional.
“Recomendações” prudentes de quem controla a informação e a caneta para materializá-las em decisão serão “recomendações” autoritárias. “Recomendações” autoritárias daqueles que são os gestores dos tempos de inquéritos não serão recomendações.
Será impossível não especular sobre por que
Flávio Dino mantém xandonicamente abertos os inquéritos relativos às corrupções
do orçamento secreto, quando dispõe dos elementos para declarar inconstitucional
a emenda de comissão, com todas as consequências para os parlamentares que lhe
violaram o espírito republicano. “Recomendações” autoritárias não raro são
entendidas como facas nos pescoços.
Publicou Malu Gaspar, no Globo, que os proprietários de PP e União Brasil estariam sob “pressão” de ministros do STF “para preferir não fazer aliança formal com a chapa do filho de Jair Bolsonaro – tanto pelo risco de serem alvo de algum tipo de retaliação em razão da opção eleitoral por adversário da Corte como pelo risco de o próprio Flávio vir a ser alvo de alguma medida judicial até o final da eleição”.
O “risco de serem alvo de algum tipo de
retaliação” como consequência de aliança política compõe nova ode à função de
ministro de tribunal constitucional submetida à agenda política. O juiz que
poderia-deveria agir, que tem os instrumentos formais e as razões fundamentadas
para punir – e que agirá, que agiria, para retaliar, jogando com as
possibilidades enquanto corre aquele relógio específico das convenções
partidárias.
Há vários motivos (dos dinheiros de Vorcaro
até os trânsitos do crime organizado pelo governo do PL no Rio de Janeiro) para
que um partido não se associe à casa de vidro de Flávio Bolsonaro; que, de
resto, pode ter quantos adversários – inimigos, sob o discurso para conflito
bolsonarista – quiser. O Supremo não pode ter adversários nem ser aquele que,
detentor exclusivo da prerrogativa de autorizar operações, medidas cautelares e
até prisões contra o senador investigado, previne agentes políticos sobre o
risco de se aliar ao senador candidato.
Melhor acreditar que os ciros nogueiras não fecham com Flávio Bolsonaro porque um acordo de neutralidade com o PT lhes ameniza a ladeira de pedir votos no Nordeste contra Lula. Melhor acreditar que os ruedas e alcolumbres, senhores de bilhões em emendas parlamentares, não fecham com Flávio Bolsonaro porque podem prescindir de contratos prévios com candidaturas majoritárias.

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