sexta-feira, 2 de outubro de 2026

O futuro do Brasil na boca na da urna, por Vera Magalhães

O Globo

O Brasil chega à eleição depois de uma campanha que discutiu muito pouco o país que o próximo presidente receberá. Há uma situação fiscal que exige corte de gastos, problemas graves de segurança pública e desafios impostos pela inteligência artificial e pela nova ordem mundial ignorados pelos programas dos candidatos.

Lula tem contas a prestar. A responsabilidade fiscal nunca esteve entre suas preocupações centrais. A frente ampla que o ajudou a derrotar Jair Bolsonaro em 2022 foi tratada, depois da posse, como uma aliança eleitoral, e não como fundamento político de um prometido governo de união e reconstrução. E a promessa muito concreta — simbolizada pela picanha e pela cerveja — de que sua volta ao Planalto significaria prosperidade não se realizou, mesmo com a melhora dos indicadores de renda e emprego.

O antipetismo atávico — agravado depois de casos de corrupção em seus governos e nos de Dilma Rousseff —, aliado à frustração com estes últimos quatro anos, garantiu sobrevida ao bolsonarismo.

Flávio Bolsonaro não é apenas um candidato de direita com um sobrenome conhecido. É o herdeiro de um movimento político que tentou solapar a democracia por meio de um golpe de Estado. Jair Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão. Não se trata de interpretação sobre suas intenções, mas de uma decisão judicial, tomada a partir de provas e depoimentos de quem foi instado a participar do golpe.

O filho também chega à eleição com um passivo que não foi inventado por seus adversários. O caso das rachadinhas em seu gabinete na Assembleia do Rio acabou arquivado depois da anulação de provas, mas revelou práticas que nunca foram explicadas. No escândalo do Master, que tomou a campanha de assalto, é o único candidato a presidente pessoalmente investigado por ter pedido e recebido de Daniel Vorcaro, a quem chamava de “irmão”, pelo menos US$ 12 milhões cuja destinação não foi esclarecida por ele.

Todos esses casos vieram à luz pela imprensa. Mas a força eleitoral do bolsonarismo, a despeito de tudo o que foi noticiado, leva parte da esquerda a ressuscitar o discurso de que o jornalismo profissional “normalizou” Flávio. O candidato do PL é senador, filiado ao partido com maior bancada no Congresso e está elegível. Portanto, não cabe à imprensa decidir se deve ter espaço no debate, e sim fazer a respeito dele e dos demais candidatos uma cobertura crítica.

A tese desconsidera ainda um dado importante: Lula e o PT torceram pela escolha de Flávio como candidato. Seria essa também uma “normalização” que agora cobra um preço alto?

Só a defesa da democracia não foi suficiente para reeditar a frente ampla de 2022. Culpar o eleitor ou a imprensa por isso não é razoável. Se a esquerda não se renovou e não vê legitimidade na insatisfação com o governo, a análise a respeito da resiliência do bolsonarismo fica capenga.

Existe uma chance real de vitória de Flávio. A lista do que ele ou seus aliados já disseram que farão obriga o eleitor a redobrar sua atenção. Indulto ao pai e demais condenados pela tentativa de golpe, caça às bruxas no Itamaraty, concessões aos Estados Unidos na negociação de terras-raras e minerais críticos e o uso do Senado para promover um confronto com o Supremo Tribunal Federal são promessas explícitas, que prenunciam um mandato não de reformas e estabilidade, mas de confronto e impasse institucional.

O eleitor chega às urnas depois de uma campanha em que suspeitas envolvendo políticos, ministros e tribunais substituíram a discussão sobre o futuro do país. A pesada interferência da Justiça na reta final da campanha deixa um rastro de imprevisibilidade que terá consequências futuras na crise institucional já em curso.

É desalentador que o brasileiro tenha recebido tão poucas razões para votar movido por esperança e tantas para escolher premido pelo medo. Agora, cabe exclusivamente ao eleitor decidir que defeitos considera toleráveis num candidato e que riscos aceita correr. Aos demais e às instituições, cabe aceitar sua decisão.

 


2 comentários:

Anônimo disse...

Quanta torcida pelo Lula no velho corrupto de dezenas de processo não se vê defeito todos os defeitos cai em cima do Flávio Bolsonaro igual caí em cima do pai essa faça do 8/1 será revelada e os jornalistas que assinarem embaixo dessa grande mentira vão ficar de cara grande
Alexandre de Moraes foi mentor dessa grande armadilha para Jair Bolsonaro
Em cima de uma única delação do coronel Mauro Cid que foi forçado a declarar o que o Moraes queria conforme ele denunciou em áudio condenou Jair Bolsonaro e várias pessoas e mais centenas de inocentes a prisão arbitrária sendo devido processo legal

Anônimo disse...

Quantos absurdos num único comentário. Moraes fez uma armadilha pro GENOCIDA? O genocida há décadas defende e admira ditaduras e ditadores, assim como torturadores! Desde o início do seu DESgoverno, o genocida se aproximou dos militares e atacou princípios democráticos e as urnas eletrônicas - ele que se elegeu com urnas eletrônicas por décadas!! O genocida não reconheceu a vitória legítima de Lula, e começou a articular e pressionar comandantes militares e arregimentar militares golpistas dispostos a apoiá-lo em medidas ilegais e sem qualquer base jurídica ("intervenção militar", estado de sítio, etc.). No final, covardão como sempre foi, fugiu do país e deixou órfãos os seus milicianos que o apoiaram e acreditavam que o "Mito" teria coragem de dar um Golpe com apoio insuficiente (Marinha) ou mínimo. O genocida preferiu se esconder nos EUA, onde vendeu as joias que o Brasil recebeu dos árabes.