domingo, 24 de fevereiro de 2013

História e tempo real - Eduardo Portella*

Em coletânea de colunas publicadas no GLOBO, jornalista narra o desenrolar do julgamento do mensalão

O novo livro de Merval Pereira, “Mensalão” (Editora Record) — que será lançado na Livraria da Travessa do Shopping Leblon na terça, dia 26, às 19h —, é um manual de cidadania, destinado a todos os que, embora diante de uma democracia moralmente agonizante, resistem e apostam no amanhã. Porque, em meio aos destroços de um cotidiano politicamente enfermo, ainda é possível identificar saídas recuperadoras. Não por intermédio da mera reciclagem do lixo, mas pela restauração, pela reoxigenação de verdades nas quais continuam a acreditar o homem, o indivíduo social, os verdadeiros cidadãos, a insubstituível Justiça, o Estado de Direito. Aqui se escreve a história transparente do espantoso delito praticado contra os bons costumes democráticos. Aqui aparecem, à luz do dia, “tenebrosas transações” que se escondiam na escuridão da noite dos negócios partidários.

Queira-se ou não, goste-se ou não, o fato é que o super episódio “mensalão” alcançou surpreendente e instrutiva repercussão na opinião pública nacional e mesmo internacional. A nossa imprensa livre — ainda bem que livre —, tem sido impecável na cobertura dessa até então encoberta trama contra o projeto democrático republicano.

O livro de Merval Pereira é o painel alarmante e incontestável de uma grande falcatrua. “Desvio de dinheiro público” que, quando lava o dinheiro, suja a alma. Se fizermos um balanço criterioso, isento, entre o que a população inerte ganha com a assistência social, dirigida ou não, e o que perde com a corrupção, explícita ou não, os resultados serão escandalosamente desfavoráveis para os desprotegidos.

Opinião pública como fiscal

O ministro Celso de Mello, decano do Superior Tribunal Federal, não vacilou em esclarecer, com a sua habitual precisão: “corruptos e corruptores, (são) os profanadores da República, os subversivos da ordem institucional, os delinquentes marginais da ética do Poder, os infratores do erário, que portam o estigma da desonestidade. E, por tais atos, devem ser punidos exemplarmente na forma da lei”.

A Justiça soube resistir às pressões do Estado fatiado. E evitou que ela mesma fosse fatiada. Vale agora fazer justiça à Justiça. Ficou claro que os protagonistas, os coadjuvantes, e até os extras, da cena pública, estavam todos unidos na partilha da degradação política. Logo, de nada adianta chorar o leite derramado, nem reclamar da “judiciarização” da política. Quando os mandatários políticos se envolvem em ações criminosas, essa “judiciarização” torna-se inevitável. E permitiu estabelecer um divisor de águas entre os magistrados íntegros e os comissários destituídos de saber e imaginação.

Será que as coisas estão mudando? É provável. A ministra Carmen Lúcia disse, a certa altura do campeonato, que “o Brasil mudou”. Deus lhe ouça, dizemos nós.

O que não se pode mais dizer é que o mensalão foi uma “farsa”. Ele foi uma evidência cruel, um tiro no pé da democracia. Só não foi no coração graças à Procuradoria Geral da República e ao Supremo Tribunal Federal. A partir de agora, a lavagem deslavada, a doação oculta, o famoso “caixa dois”, passarão a ser tratados no severo âmbito da defesa da sociedade. O labirinto judiciário ficou transparente. O STF saiu engrandecido dessa empreitada. A farsa verdadeira terminou sendo, e talvez continue sendo, a recusa intempestiva do mensalão, o “mais importante julgamento da história política do Brasil”.

É verdade que ainda sobrevivem, desinibidamente, aqueles que buscam embaralhar os critérios, com o propósito de transformar réus em heróis. A subversão do tripé republicano não é outra coisa senão a tentativa de ferir de morte o compromisso democrático, fraudando, transmitindo, sobre antenas impróprias, a eletricidade sem energia, a iluminação sem luz, o telefone sem linha.

Se levarmos em conta as proporções de cada uma, teríamos de admitir que a corrupção de outrora se processava em patamar artesanal. Já hoje se verifica em escala industrial, e se fala em “cadeia de corrupção”. E todo esse desvendamento oportuno se deve à imprensa livre e independente. Ela é hoje o único partido inteiro.

A reação subdesenvolvida como resposta à decisão do STF compromete o equilíbrio dos poderes da República, e expõe a inidoneidade e o cinismo de nossas representações eleitoreiras.

A questão da qualidade passa ao largo das disputas eleitorais e, evidentemente, das siglas partidárias. Siglas fantasmas que falam em nome de necessidades irreais. As disciplinas encarregadas de levar adiante o trabalho de qualificação societária nunca recebem o tratamento necessário na bolsa de valores das construções orçamentárias, submetidas parlamentarmente às injunções clientelistas. O vácuo educacional e cultural pode ser visto a olhos nus. Quem aprende mal, vota mal. A inclusão social ou é qualitativa ou não é.

Tudo isso está muito presente no olhar atento e solidário de Merval Pereira. Militante da informação qualificada, ele jamais se furta a combater o bom combate, com a serena coragem cívica, aquela que dispensa a bravata e o exibicionismo. Chego até a imaginar, sem muito realismo porém com muito boas intenções, que o livro de Merval Pereira deveria ser distribuído nos nossos educandários, para que os jovens brasileiros fortalecessem as suas imunologias éticas, e aprendessem a se defender desde cedo dos assaltos demagógicos que proliferam por todos os lados.

Uma prova concreta de que a esperança nunca foi abandonada são as palavras finais do livro de Merval Pereira: “O que importa, hoje, no Brasil, é que há instituições que podem trabalhar com independência, e a opinião pública atua fortemente para frear abusos de governos autoritários”.

“Mensalão” é o diário do julgamento, a radiografia, e uma espécie de sinal de alerta à memória coletiva, em um país cultor da amnésia. O país em que, como dizia o saudoso Millôr Fernandes, citado por Merval Pereira, “a cada quinze minutos o brasileiro se esquece dos últimos quinze minutos”. Para além do “domínio dos fatos”. Porque todo fato é feito, e nem todo feito tem efeito. Aqui estamos frente a frente com o acontecimento efetivo, ao qual devemos fidelidade a bem da verdade.

*Eduardo Portella é escritor e professor, integrante da Academia Brasileira de Letras (ABL)

Fonte: Prosa / O Globo

E a banda passou - Ferreira Gullar

Por toda zona sul do Rio, são multidões que já não dançam nem cantam, puxadas por trios elétricos

Passado o Carnaval, me ponho a refletir. No final da década de 1950, o Carnaval de rua, no Rio, havia morrido. À exceção do Cordão da Bola Preta e de um ou outro bloco, quase nada havia. É certo que alguns foliões mascarados, vestidos de palhaço, de urso ou vestidos de mulher, vagavam pela Cinelândia, misturavam-se a um ou outro grupo de gente que brincava na avenida Rio Branco.

Bêbados desgarrados sempre houve e haverá, mas o Carnaval de rua, com banda de música tocando e muita gente sambando, como décadas atrás, isso não havia mais. Por que, não sei, mas lembro das conversas de foliões nostálgicos, lamentando o fim desse tipo de brincadeira carnavalesca.

Foi então que, em Ipanema, surgiu um pequeno grupo que decidiu sair para a rua, batucando e cantando. Parece que a primeira aparição desse grupo foi em 1964, pouco antes do golpe militar que viria instaurar uma ditadura no país. Não era muita gente, não, dez ou 20 pessoas e alguns músicos, creio eu.

Nascia a Banda de Ipanema, inventada por Albino Pinheiro e Ferdy Carneiro, a que aderiram Jaguar, Ziraldo, a turma do Pasquim e do Jangadeiro, mas também Sérgio Cabral e o grupo que militara no CPC da UNE e depois no Teatro Opinião, encabeçados por Thereza Aragão. Com o tempo, outros mais aderiram.

O pessoal se reunia na praça General Osório, a banda começava a tocar chamando gente, aumentando o bloco que seguia pela Prudente de Morais até a altura do Bar Vinte, se não me falha a memória. Ali dobrava e retornava pela Visconde de Pirajá de volta à praça de onde partira e onde se dispersava.

Àquela altura, já anoitecera e o pessoal bastante animado, especialmente porque, durante o percurso, parava nos bares para tomar cerveja e batidas de limão.

Era comum que, quando chegava à praça, já muita gente ficara pelo caminho, muitos pelos botecos onde enchiam a cara pelo resto da noite.

A Banda de Ipanema era, assim, uma exceção, mas, de certo modo, uma retomada do Carnaval de rua que, talvez pela importância que o bairro tomara, por nele residirem ou frequentarem seus restaurantes e bares, artistas e intelectuais de prestígio, despertava o interesse de gente de outros bairros -e a banda foi crescendo, de ano para ano.

Não demorou muito e aquele pequeno grupo inicial duplicara ou triplicara de tamanho, e com isso o entusiasmo dos carnavalescos crescia contaminando, claro, os moradores do bairro que, no começo, ficavam nas janelas vendo a banda passar.

E com isso ela também se tornou, de certo modo, manifestação política contra o regime militar. Não explicitamente e sim pelo fato mesmo de opor-se à hipócrita seriedade da ditadura: mostrar-se alegre e irreverente já era ser contra os milicos. Os anos se passaram e outras bandas começaram a surgir em diferentes bairros da zona sul do Rio: no Leme, em Copacabana, no Catete, no Jardim Botânico.

Tive que deixar o país e, assim que voltei, já estava eu lá na banda de Ipanema. Havia muita gente nova, mas os antigos companheiros continuavam lá. Em seguida, mudei-me para Copacabana e, com o tempo, deixei de desfilar. Quando voltei a participar, ela havia mudado muito. Fora alguns dos velhos participantes -Albino, Jaguar, Sérgio Cabral-, a banda tinha sido tomada por outra turma, e à frente dela iam alegríssimos travestis, vindos talvez de outros Estados.

A banda crescera bastante, não conhecia quase ninguém, ou não encontrava os amigos em meio a tanta gente. Foi a última vez que desfilei.

Pois bem, acabo de ver na televisão a banda de hoje desfilando pela Vieira Souto, tomada por uma multidão, que mal conseguia caminhar quanto mais sambar. Coisa semelhante ocorre, agora, por toda a zona sul do Rio, do Jardim Botânico a Santa Tereza, de Botafogo à Cinelândia. São multidões que já não dançam nem cantam, puxadas por trios elétricos.

No sábado de Carnaval, aquilo que foi outrora o Cordão da Bola Preta tornara-se uma multidão que encheu a avenida Rio Branco, criando um sufoco: gente apavorada não conseguia sair dali, algumas moças desmaiaram e foram, a muito custo, resgatadas por policiais.

É, a vida muda e, às vezes, para pior.

Fonte: Ilustrada /Folha de S. Paulo

A alma da Casa de Rui Barbosa:- Beatriz Resende*

Neste artigo, a pesquisadora Beatriz Resende defende o trabalho de servidores da Fundação Casa de Rui Barbosa, criticados pelo ex-presidente da instituição, o cientista político Wanderley Guilherme dos Santos, que reunciou em janeiro, e pelo sociólogo Emir Sader, que chegou a ser indicado para o cargo em 2011 mas caiu antes de assumir.

Diante de infelizes declarações que vieram a público sobre a Fundação Casa de Rui Barbosa (FCRB) e seus servidores, sinto-me na obrigação de tornar igualmente público meu depoimento de toda uma vida acadêmica sobre a Casa e seus pesquisadores.

Foi na Casa Rui, como chamamos, com intimidade, esta importante instituição, que escrevi minha dissertação de mestrado, primeiro trabalho que realizei sobre o escritor carioca Lima Barreto. O acesso à documentação do Arquivo-Museu de Literatura Brasileira, o convívio com pesquisadores de literatura e História, o estímulo do então diretor de Pesquisa, Francisco de Assis Barbosa, foram decisivos para que realizasse meu doutorado sobre o mesmo autor e continuasse a estudá-lo. Lima Barreto e o Rio de Janeiro tornaram-se objeto de pesquisa permanente, e foi em parceria com uma pesquisadora da casa, Rachel Valença, que organizei os dois volumes de “Toda crônica”, editado pela Agir, reunindo os escritos de Lima Barreto para a imprensa.

Por décadas tenho participado, como palestrante ou espectadora, dos seminários organizados pelos pesquisadores da FCRB. São sempre encontros especialmente antenados com o que de novo surge nas investigações sobre arte, literatura, História e, mais recentemente, políticas culturais. Falo das áreas que me dizem respeito, porque são as que conheço melhor. A cada um desses agradáveis e provocantes encontros, me espanta o ânimo dos organizadores, capazes de contornar as inúmeras dificuldades que existem no serviço público, especialmente nas instituições federais, para que se convidem palestrantes estrangeiros, se ofereça hospedagem a quem não é do Rio e assim por diante. É o estímulo que nos oferecem que nos leva à Rua São Clemente.

Pesquisas da casa são referência imprescindível

Nos últimos anos, como parecerista e representante da área de Letras, primeiro na Faperj e agora no CNPq, tenho tido oportunidade de conhecer projetos de pesquisa e de publicações realizados pela FCRB e constatar a alta qualificação dos autores e coordenadores de projetos, o ineditismo das propostas e a seriedade impecável do cumprimento de suas realizações.

O principal mérito da instituição, a meu ver, foi ter, ao longo dos anos, construído um perfil próprio, com objetos de pesquisa focados e continuidade. Estudos sobre o Rio de Janeiro, sobre a República, sobre a imprensa no Brasil, sobre a literatura do século XX e, agora, do século XXI, com forte ênfase em textos e documentos da Primeira República, têm nas pesquisas da FCRB uma fonte de referência imprescindível. Acervos e bibliotecas abrigados e investigados pelos profissionais da Casa são muitas vezes coleções únicas e, sem acesso a elas, seja no estudo da preciosa coleção de literatura de cordel, seja na manipulação de revistas de outros séculos, diversos trabalhos de gerações de pesquisadores não poderiam ter sido concluídos.

Sendo de Letras, não posso deixar de destacar a importância de haver na FCRB um setor de Filologia. Os estudos de Filologia estão praticamente extintos no Brasil. Na Casa Rui trabalha-se com estabelecimento de texto, mas em momento algum os estudos literários separam-se da reflexão teórica mais contemporânea. Isso é raro, especialmente porque os resultados de pesquisas são partilhados em publicações e seminários e confrontados com investigações de outras instituições. Tudo isso convive com a democratização do saber que significa a difusão online de revistas como a “Escritos” ou o site “Machado de Assis em linha”. Além de ensaios dos pesquisadores, que não se agarram à propriedade de seus estudos. Sempre com um padrão gráfico de excelência, no papel ou na internet, que só um artista plástico do maior destaque poderia garantir.

O museu e os jardins falam por si, e sempre sugiro aos colegas de fora ou às crianças do século XXI que visitem a Casa e, em especial, a cozinha ou o quarto da babá. Como estamos na era da internet, lembro que a visita também pode ser feita online.

Observando de fora, me impressiona algo que, na falta de melhor palavra, chamaria de “amor à camisa”. Os servidores da FCRB têm resistido aos momentos mais difíceis pelos quais a cultura passou neste país. Resistido a políticas de desmonte, de descaso, de indiferença, que, entre nós, infelizmente não são incomuns.

Cada perda que a Fundação Casa de Rui Barbosa sofre, seja de estudiosos que, diferentemente de Francisco de Assis Barbosa e de Adriano da Gama Kury, que ficaram na Casa até o fim de seus dias, decidem aceitar convites mais interessantes de outros lugares, ou acervos de escritores brasileiros que deixam de ser adquiridos e tratados, é uma perda para todo o país, perda inestimável que talvez só no futuro se possa avaliar.

Acervos culturais e de memória ou espaços de pesquisa e debate inteligente não precisam ser atacados, proibidos, deliberadamente destruídos. Podem morrer em silêncio, ir sucumbindo, desaparecendo e, se não chamarmos a atenção em voz alta e não cobrarmos com veemência sua preservação, correm o risco de deixar o cenário da cidade e do país sem que muitos notem.

*Beatriz Resende é professora titular da UFRJ, “Cientista do Nosso Estado” pela FAPERJ e pesquisadora do CNPq

Fonte: Prosa / O Globo

Feita de luz

Exposição, livro, CDs, DVDs, filme... Agora é Clara Nunes quem ganha um ano inteiro de homenagens

Mauro Ferreira

Viúvo de Clara Nunes (1942-1983), o compositor carioca Paulo César Pinheiro se recusou a ver o corpo da cantora no caixão, em 2 de abril de 1983, dia em que as funções vitais da artista se encerraram após 28 dias de agonia no CTI da Clínica São Vicente, no Rio.

Pinheiro, marido de Clara desde 1975 e produtor dos discos da cantora a partir de 1976, nem sequer viu a mulher no CTI, para onde ela fora encaminhada na tarde de 5 de março de 1983 por conta de um choque anafilático que desativou seu cérebro - complicação inesperada do que seria uma corriqueira cirurgia de varizes. Ele preferiu guardar na memória a imagem vivaz de Clara Francisca Gonçalves, cantora mineira que conquistou o Brasil a partir de 1971 com a estilizada imagem de baiana arquitetada pelo radialista Adelzon Alves para traduzir visualmente o repertório de sambas de sotaque afro-brasileiro que Clara adotaria a partir de então, após fracassadas incursões pelo terreno dos boleros e das músicas de festival. Decorridos 30 anos da precoce saída de cena da cantora, Pinheiro mantém sua postura reclusa e prefere ficar ausente das saudações a Clara que vão acontecer ao longo de 2013 para lembrar as três décadas da morte da artista. Caixa com a obra completa, CDs avulsos, DVDs, documentário, exposição, reedição de biografia e lançamento de gravação na internet vão fazer ressoar o canto luminoso de Clara Nunes.

"Nunca participo de nada. Com Clara em vida, a única coisa que fiz foi produzir seus discos. O que eu tinha que fazer, eu já fiz. E fiz bem. Clara cantou em vida um repertório magnífico. Esse repertório não morre", avalia Pinheiro, que assumiu a produção dos álbuns a partir de Canto das Três Raças (1976), disco em que Clara começou a abrir o leque estético de seu repertório.

Paulo César Pinheiro se refere a cantoras como Aline Calixto. Mineira como Clara, Calixto vai lançar em março na internet, para download gratuito, gravação inédita de Conto de Areia (Romildo Bastos e Toninho Nascimento), sucesso de 1974 que fez o sétimo álbum de Clara, Alvorecer, vender 300 mil cópias e abrir caminho na indústria para cantoras de samba como Alcione, que seria contratada pela Philips para gravar seu primeiro LP em 1975, e Beth Carvalho, convidada a ingressar na RCA em 1976 após três discos editados na pequena Tapecar. Calixto convidou o rapper paulista Emicida - atual sensação do hip hop ao lado de Criolo - para participar da gravação. "A ideia é lembrar de Clara com linguagem contemporânea. Meu pai e meus avós tinham Clara e Elis como referências de cantoras brasileiras", contextualiza Calixto, que vai apresentar em São Paulo este ano o show com músicas de Clara Nunes que estreou em Belo Horizonte (MG) no ano passado, em meio às comemorações do 70º aniversário da cantora, festejado em agosto.

A imagem de Clara chegou às novas gerações através do YouTube e do primeiro DVD póstumo da cantora, Clara Nunes - Os Musicais do Fantástico das décadas de 70 e 80. Lançado em 2008 pela EMI, o já esgotado vídeo ganhou DVD de Ouro pelas vendas superiores a 25 mil cópias. Tanto que outro DVD póstumo, com o registro do Especial Clara Nunes, gravado em 1973 para a TV Bandeirantes com o Conjunto Nosso Samba, vai ser lançado em abril. "É incrível como a Clara tem grande legião de fãs que a seguem tanto no lado musical como no espiritual", ressalta Luiz Garcia, gerente de marketing estratégico da EMI.

Simultaneamente com o DVD do especial de 1973, Garcia pretende colocar nas lojas, entre março e abril, a reedição da caixa Clara, lançada em 2004 com reedições dos 16 álbuns oficiais da artista no formato 2 em 1. "A reedição da caixa vai pegar uma nova geração", prevê o executivo. Ao longo do ano, os títulos mais importantes da discografia serão reeditados, de forma avulsa, em embalagem digipack. "A gente vai relançar aos poucos todos os álbuns emblemáticos, em formato de luxo, com faixas-bônus", detalha Garcia.

Para corrigir os erros da edição original da caixa, que embalou os álbuns Clara Nunes (1972) e Claridade (1975) com capas equivocadas, as reedições dos 16 discos foram revisadas pelo jornalista Vagner Fernandes, biógrafo da cantora, cujo livro Clara Nunes - Guerreira de Utopia, lançado em 2007 e já esgotado, vai ser reeditado em abril. "A obra de Clara é atemporal. A personagem é atemporal. A maneira como ela interpretou seu repertório é atual", ressalta Fernandes. Dono de vasto arquivo de imagens, áudios e vídeos de Clara, Fernandes vai exibir parte desse acervo em exposição programada para ser inaugurada no Rio em meados deste ano. Uma das atrações vai ser o áudio dos ensaios de Sabiá, Sabiô, show que Clara iria fazer em 1972, sob a direção de Hermínio Bello de Carvalho, mas que foi abortado antes da estreia. Outra preciosidade é o áudio de Tinguá, música de autoria da ex-jogadora de basquete Neuci Ramos da Silva que foi defendida por Clara no II Festival Fluminense da Canção Popular, realizado em 1968 no Estádio Caio Martins, em Niterói (RJ).

Fernandes também comemora a descoberta do áudio integral (com boa qualidade técnica) da última apresentação do show Brasileiro, Profissão Esperança, feito por Clara em 1974 ao lado do ator Paulo Gracindo (1911 - 1995). Calcado nas obras dos compositores Antônio Maria (1921 - 1964) e Dolores Duran (1930 - 1959), o espetáculo bateu recordes de público no extinto Canecão e foi parcialmente registrado em disco que, de acordo com Fernandes, não é ao vivo como alardeado na contracapa do LP original. "É um registro de estúdio ao qual foram adicionadas palmas", sustenta o biógrafo.

No registro integral de Brasileiro, Profissão Esperança, Clara canta trecho de Travessia (1967), primeiro sucesso de Milton Nascimento. Ardoroso fã da mineira cantada em verso e prosa por João Nogueira (1941 - 2000) no samba intitulado justamente Mineira (1975), Milton define Clara como "a maior cantora de samba" em depoimento concedido para a série de cinco programas documentais exibidos pelo Canal Brasil em dezembro. Filmado sob a direção de Darcy Burger, a partir de roteiro traçado por Vagner Fernandes, o documentário vai ser reeditado para exibição nos cinemas e posterior edição em DVD.

Outro DVD que vai ser lançado ao longo de 2013 para celebrar Clara Nunes é Canto Sagrado, registro audiovisual do show idealizado pela cantora paulista Fabiana Cozza, uma das vozes mais elogiadas do samba de São Paulo, cidade onde o show vai ser gravado ao vivo, em abril ou maio. Cantora habituada a dar voz a repertório de tom afro-brasileiro, Cozza conta que a motivação para a criação do show Canto Sagrado foi seu desejo pessoal de homenagear Clara. "Além de ter sido cantora de timbre personalíssimo, com um canto pontuado por belíssimas costuras melódicas e senso rítmico apurado, Clara imprimiu ao longo da carreira uma brasilidade ímpar, valorizando e ressaltando a cultura afro-brasileira, da beleza da mulher negra à religiosidade e às diferentes manifestações culturais espalhadas pelo País", teoriza Cozza.

Se Fabiana Cozza apresenta no roteiro de Canto Sagrado alguns lados B da obra de Clara Nunes, como Deixa Clarear (Wilson Moreira e Nei Lopes) e Novo Amor (Chico Buarque), músicas gravadas pela Guerreira em 1981 e 1982 respectivamente, a cantora baiana Mariene de Castro optou por priorizar os hits de Clara em Ser de Luz, CD e DVD que a gravadora Universal Music põe agora nas lojas.

Abrindo as saudações a Clara Nunes por conta dos 30 anos de sua morte, Ser de Luz registra o show feito por Mariene no Espaço Tom Jobim, no Rio, em 9 de outubro de 2012. A baiana dá voz a 16 músicas lançadas por Clara entre 1971 e 1982, período áureo da carreira da mineira. Quando Clara morreu, Mariene ia fazer cinco anos. Ausente da memória afetiva de Mariene, o repertório de Clara somente foi recentemente assimilado pela cantora que, para muitos, é a mais perfeita tradução visual de Clara. "Tive pouco contato com a obra de Clara, mas bateu em mim a curiosidade de conhecer essa pessoa a quem tanto me associavam", explica Mariene, que no Carnaval de 2012 desfilou em homenagem à colega na Portela, a escola de samba que Clara abraçou após ter sido recebida com frieza na Mangueira.

"No dia em que escutei Um Ser de Luz (samba feito em 1983 por João Nogueira, Mauro Duarte e Paulo César Pinheiro em memória de Clara) entendi a emoção que esse povo tem ao falar de Clara Nunes, entendi a saudade do Brasil e chorei compulsivamente no meio da rua", conta Mariene, que vai cair este ano na estrada com o show em que canta somente as músicas da artista mineira, ajudando a amenizar a saudade que o Brasil tem de Clara Francisca Gonçalves, a imortal Clara Nunes.

Som
Música na rede
A mineira Aline Calixto lança em março, na internet, gravação inédita de Conto de Areia, feita com participação de Emicida.

Caixa de CDs
Lançada em 2004, com reedições de 16 álbuns no formato 2 em 1, a caixa Clara foi revisada e vai ser reeditada em abril.

CD 2013: 30 Anos sem Clara Nunes
A cantora baiana Carla Visi finaliza disco com regravações de sucessos de Clara, feitas em dueto com artistas como Péricles e Thiaguinho. Daniela Mercury também participa do projeto.

Álbuns em digipack
A EMI prepara reedições avulsas, em embalagem digipack, dos álbuns mais emblemáticos da cantora.

CD Ser de Luz
CD e DVD em que a cantora baiana Mariene de Castro canta 16 músicas do repertório de Clara Nunes sob a direção musical de Alceu Maia, com participações de Diogo Nogueira e Zeca Pagodinho em Juízo Final (Nelson Cavaquinho e Élcio Soares, 1973) e em Coisa da Antiga (Wilson Moreira e Nei Lopes, 1977), respectivamente. Sai em fevereiro via Universal Music.

Imagem
Documentário Clara
Dirigido por Darcy Burger, o filme tem previsão de estreia em 2013. Vai ser editado a partir do material bruto filmado para os cinco episódios da série documental apresentada pelo Canal Brasil em dezembro.

Exposição
Biógrafo de Clara, Vagner Fernandes prepara exposição com fotos e material inédito em vídeo, áudio e imagens.

Livro
Reedição, prevista para abril, da biografia Clara Nunes - Guerreira da Utopia, escrita por Vagner Fernandes e lançada em 2007.

DVD Especial Clara Nunes
A gravadora EMI planeja editar em abril o DVD com o registro integral do especial gravado por Clara em 1973 para a TV Bandeirantes com o Conjunto Nosso Samba. O repertório inclui Fim de Caso, de Dolores Duran (1930 - 1959).

DVD Canto Sagrado
A cantora paulista Fabiana Cozza faz ao vivo, em São Paulo, entre abril e maio, o registro audiovisual do show Canto Sagrado para edição em DVD.

Fonte: Caderno 2 / O Estado de S. Paulo

Mariene de Castro - "Um Ser de Luz" - (João Nogueira)

Os domingos - Paulo Mendes Campos

Todas as funções da alma estão perfeitas neste domingo.
O tempo inunda a sala, os quadros, a fruteira.
Não há um crédito desmedido de esperança
Nem a verdade dos supremos desconsolos -
Simplesmente a tarde transparente,
Os vidros fáceis das horas preguiçosas,
Adolescência das cores, preciosas andorinhas.

Na tarde – lembro – uma árvore parada,
A alma caminhava para os montes,
Onde o verde das distâncias invencidas
Inventava o mistério de morrer pela beleza.
Domingo – lembro – era o instante das pausas,
O pouso dos tristes, o porto do insofrido.
Na tarde, uma valsa; na ponte, um trem de carga;
No mar, a desilusão dos que longe se buscaram;
No declive da encosta, onde a vista não vai,
Os laranjais de infindáveis doçuras geométricas;
Na alma, os azuis dos que se afastam,
O cristal intocado, a rosa que destoa.
Dos meus domingos sempre fiz um claustro.
As pétalas caíam no dorso das campinas,
A noite aclarava os sofrimentos,
As crianças nasciam, os mortos se esqueciam dos mortos,
Os ásperos se calavam, os suicidas se matavam.
Eu, prisioneiro, lia poemas nos parques,
Procurando palavras que espelhassem os domingos.
E uma esperança que não tenho.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

OPINIÃO DO DIA - Roberto Freire:em gestação bloco alternativo

“Eu costumo dizer que Eduardo sairá candidato não como oposição, mas como bloco alternativo, E quero dizer que nós, do PPS, estamos olhando isso com muita simpatia. Vamos tentar trazer para o bloco que aí está [de oposição ao governo Dilma] mais uma parceria.”

Roberto Freire, deputado federal e presidente do PPS, no programa “Entre Aspas” da Globo News, 21/2/2013

Manchetes de alguns dos principais jornais do país

O GLOBO
Sem competitividade - Após greve ilegal, governo adia privatização de portos
Incerteza na Venezuela: Chanceler diz que Chávez piorou
Exploração sexual: Governo enfrentará tráfico de pessoas
E no Uruguai... Crimes da ditadura prescrevem

FOLHA DE S. PAULO
Comércio corta vagas, e emprego perde força
Saúde de Chávez piorou e ele 'luta pela vida', diz chanceler
Gil Rugai pega pena de 33 anos, mas recorrerá em liberdade
Deslizamento de terra mata uma mulher na Imigrantes
Grupo de ensino pagou gastos de Chalita, acusa ex-colaborador
Comissão aponta conduta suspeita de chefe da AGU

O ESTADO DE S. PAULO
Lula garante Temer como vice de Dilma, diz Alves
Criação de vaga formal tem pior janeiro desde 2009

CORREIO BRAZILIENSE
Denúncias de homofobia crescem 400% em Brasília
PIB pequeno freia a criação de empregos
US$ 11,4 bilhões: Rombo nas contas

ESTADO DE MINAS
Martírio Mineiro – Governo suspende duplicação da 381
Assembleia: Deputados têm que dispensar vereadores
Patrimônio: Iepha libera R$5,6 mi para restaurar 16 bens em MG

O TEMPO (MG)
Após 31 horas, rebelião chega ao fim, e reféns são libertados
Aécio e FHC começam em BH a corrida presidencial de 2014
Justiça bloqueia bens de Valério
Papa transfere monsenhor após vazamento de dossiê

GAZETA DO POVO (PR)
Tarifa de ônibus de Curitiba vai subir para R$ 2,80, no mínimo
Paraná teve um crime por minuto em 2012
Saúde de Chávez piorou, diz chanceler
Polícia apura seis mortes ocorridas no Evangélico

ZERO HORA (RS)
Carro cedido à BM some em depósito
7 fiscalizadas, 6 fechadas
Obra parada: Salgado Filho leva carimbo "preocupante"

JORNAL DO COMMERCIO (PE)
Pernambuco zera fila de transplantes de córnea
Eduardo fala em agilizar verbas para prefeitos
Aumento da conta d'água fica em 5,19%

O que pensa a mídia - editoriais de alguns dos principais jornais do país

http://www2.pps.org.br/2005/index.asp?opcao=editoriais

Lula diz a presidente da Câmara que vai apoiar Temer para vice em 2014

Henrique Alves afirmou que ex-presidente acredita na manutenção da chapa por causa de seu êxito

Daiene Cardoso

SÃO PAULO - Após um encontro de quase duas horas com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente da Câmara, deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), disse nesta sexta-feira, 22, que o petista apoia a manutenção do vice-presidente Michel Temer na chapa para a reeleição de Dilma Rousseff em 2014. "A relação Dilma-Temer é uma coisa, a meu ver, consolidada, resolvida, e senti claramente isso hoje na posição e nas palavras do presidente Lula", declarou Alves.

De acordo com o presidente da Câmara, é natural que, diante do "êxito" da parceria entre Dilma e Temer, não haja mudanças na chapa que disputará a eleição presidencial. "Ele (Lula) foi muito afirmativo de que essa aliança, por seu êxito, deve continuar", enfatizou. Alves ressaltou que Lula vê com "bons olhos" a continuidade dessa aliança e que as pesquisas mostram aprovação popular do atual governo.

O deputado disse que Lula deverá se reunir com Michel Temer nos próximos dias. "Ele revelou um imenso apreço, um carinho muito grande pelo vice Temer. Ele deixou muito claro que essa relação PT-PMDB tem tudo para continuar", acrescentou.

Sobre o espaço que seria dado ao PSB de Eduardo Campos, atual governador de Pernambuco, Alves afirmou que a sigla continuará sendo importante para a aliança. "Nós queremos muito o PSB e o governador Eduardo Campos. Eles já participam do governo Dilma", respondeu.

Segundo o presidente da Câmara, a questão da cassação dos deputados condenados no julgamento do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal (STF) não foi abordada no encontro desta tarde. O peemedebista reafirmou que o tema não colocará a Câmara dos Deputados em oposição à decisão do Supremo em relação à perda de mandato dos parlamentares. "Não há a menor possibilidade de confronto entre os Poderes (Legislativo e Judiciário)", disse.

Alves chegou ao Instituto Lula às 14h30 e conversou a sós com o ex-presidente. Aos jornalistas, o deputado disse que veio ao encontro de Lula para agradecer seu esforço durante a eleição para a presidência da Câmara dos Deputados. "Sei do trabalho importante dele para que o PT cumprisse o compromisso com o PMDB e que cumpriu fielmente."

Fonte: O Estado de S. Paulo

Lula virou ‘presidente adjunto’, afirma FHC

Vinícius Neder

RIO - Fernando Henrique Cardoso afirmou ontem que seu sucessor, Luiz Inácio Lula da Silva, que deixou o Palácio do Planalto há mais de dois anos, "está inaugurando uma espécie de Presidência adjunta" no País.

A declaração do ex-presidente tucano foi dada ontem no Rio de Janeiro, durante uma série de seminários na Casa das Garças, em evento no qual seu ex-ministro da Fazenda Pedro Malan foi homenageado por causa dos seus 70 anos.

Ela ocorre num momento em que Lula assume informalmente a articulação política do governo da sua afilhada política e sucessora, Dilma Rousseff, e dá o tom do discurso petista para as eleições de 2014. Na quarta-feira, Lula "lançou" a candidatura de Dilma à reeleição e defendeu que o partido faça comparações sobre o desempenho dos governos petistas com o governo de FHC.

Na festa de Malan, o ex-presidente tucano voltou a comentar as comparações feitas pelos adversários políticos. "A relação do PT comigo é de psicanálise. Tem que tirar o pai da frente! Eles sabem que quem fez a estabilização fomos nós. Não sou psicanalista. Não opino, mas não caio na conversa", disse FHC.

Ele já havia divulgado um vídeo na internet no qual chamou as comparações dos petistas - a mais recente feita em uma cartilha sobre economia distribuída à militância - de "picuinhas".

Tanto FHC quanto Malan afirmaram ontem que os petistas têm uma "Visão maniqueísta".

"Para o bem do Brasil, é preciso que as pessoas respeitem as regras e entendam que não devem tratar o adversário como inimigo. Infelizmente, a tática de toda a vida do PT tem sido o oposto a isso", afirmou FHC, cujas declarações foram dadas em entrevista a jornalistas depois de discursar em seminários no Instituto de Estudos de Política Econômica Casa das Garças, um tradicional reduto de economistas tucanos do Rio de Janeiro.

Na cartilha distribuída à militância nesta semana - na festa de comemoração dos dez anos do PT no comando do Planalto -, a direção do partido chama o governo FHC (1995-2002) de "neoliberal" e o período petista, com os governos Lula (2003-2010) e Dilma (desde 2011), de "desenvolvimentista". O material petista usa números da economia para fazer as comparações, todas favoráveis a Lula e Dilma.

Transição. O primeiro a criticar o que chamou de visão maniqueísta na comparação entre os governos do PT e do PSDB foi Malan, em discurso de agradecimento pela homenagem. Ele citou como exemplo contrário a esse "maniqueísmo" a transição política de 2002, último ano de FHC, e início de 2003, primeiro ano de Lula no Palácio do Planalto.

O processo de transição da época foi elogiado à época tanto por tucanos quanto por petistas.

O evento no qual Malan foi homenageado reuniu a nata do pensamento econômico liberal e muitos ex-colaboradores do governo do PSDB, como Edmar Bacha, Pérsio Arida e Gustavo Franco. Economistas famosos internacionalmente, como o ex-secretário do Tesouro dos EUA Larry Summers e o presidente do Banco Central de Israel, Stanley Fischer, também participaram do seminário.

• Freud na cabeça

Ex-presidente da República: "A relação do PT comigo é de psicanálise. Tem que tirar 0 pai da frente! Eles sabem que quem fez a estabilização fomos nós.

Não sou psicanalista. Não opino, mas não caio na conversa

É preciso que respeitem as regras e entendam que não devem tratar o adversário como inimigo"

Fonte: O Estado de S. Paulo

Campos diz que futuro é o que interessa, não heranças

Governador afirma que esquerda errou quando disse que Real seria fiasco

Letícia Lins

GRAVATÁ, PE - O governador de Pernambuco e presidente do PSB, Eduardo Campos, em recado velado a petistas e tucanos, recomendou ontem aos prefeitos do seu estado que se preocupem com o futuro e não com a herança que receberam dos antecessores.

- É preciso parar de alimentar esse debate velho e cansado, de um botar a culpa no outro. E também é preciso humildade para reconhecer os acertos, mesmo que eles sejam oriundos dos nossos adversários - disse Campos, salientando que a construção da democracia no Brasil foi levada a efeito por pessoas que hoje lutam pelo poder.

- A gente tem que ter humildade para reconhecer erros e acertos. Hoje, por exemplo, não podemos dizer que nós, da esquerda, estávamos certos quando dissemos que o Real seria um fiasco. Ali, a esquerda errou - afirmou.

Embora não goste de responder a provocações, o governador rebateu acusação antiga do senador Aécio Neves (PSDB-MG) de que ele e a ex-senadora Marina Silva estão "no divã", por não saberem se são governo ou oposição:

- Garanto que estou muito mais tranquilo do que ele.

Campos confirmou ontem que convidou a ministra Eliana Calmon, do Superior Tribunal de Justiça, para ingressar no PSB, com o objetivo de disputar o governo da Bahia. Ele disse que vários socialistas já mantiveram conversas com a ex-corregedora nacional de Justiça e lembrou que, caso ela queira mesmo entrar na política partidária, o PSB estará de braços abertos para recebê-la.

- Se não existia convite, eu o fiz publicamente agora. Se ela deixar a magistratura, não sei se já tomou essa decisão, e entrar na política, sabe muito bem que o nosso partido está com as portas abertas para ela - declarou.

Indagado se o PSB vai procurar outras pessoas que, como Calmon, não têm cacife eleitoral, mas que são consideradas baluartes da ética, respondeu:

- Não queremos o monopólio da ética, mas queremos contribuir para que a vida pública seja feita com mais ética. Mas não ao ponto de achar que quem é mais sério só se filia ao PSB. O que estamos fazendo é seguir as estratégias que montamos lá atrás, desde 2004, de crescimento do nosso partido. Acho que, onde tiver gente séria, querendo fazer política, o PSB deve ir buscá-las para ajudar na construção da legenda.

Fonte: O Globo

"Aécio precisa de dois divãs", rebate Eduardo

Depois de o tucano afirmar que o socialista precisa decidir se é governo ou oposição, Eduardo devolve a provocação, dizendo estar "mais tranquilo" que o senador

Débora Duque

GRAVATÁ - Em nova troca pública de provocações com o senador Aécio Neves (PSDB), o governador Eduardo Campos (PSB) rebateu ontem as declarações feitas pelo tucano de que sua possível candidatura presidencial seria uma "costela" do projeto petista. Em entrevista ao jornal Estado de S.Paulo, Aécio ironizou os posicionamentos dúbios do socialista, que ora se comporta como aliado do PT e ora como adversário, dizendo, pela segunda vez, que Eduardo está no "divã" para definir se é governo ou oposição.

"Ele sabe que eu estou mais tranquilo do que ele está. Se eu preciso de um divã, ele precisa de dois", retrucou o governador, sorrindo. Aécio tem enfrentado críticas dos próprios aliados, que consideram a sua atuação bastante discreta para quem alimenta o sonho presidenciável.

Ao mesmo tempo em que respondeu as declarações do tucano, Eduardo voltou a condenar o que chamou de "velho debate político", numa referência indireta à polarização entre o PT e o PSDB. Disse, também, que a esquerda "errou" ao criticar, nos anos 90, o Plano Real que, de acordo com ele, "ajudou a controlar a inflação". "Podemos ter críticas ao governo FHC, mas não podemos dizer que estávamos certos que dizíamos que o Real ia ser um fiasco. Ali, a esquerda brasileira errou", disse.

Questionado sobre a visita que o ex-presidente Lula (PT) fará na próxima semana a Fortaleza, com o objetivo de articular o apoio do PSB, por meio do governador do Ceará, Cid Gomes (PSB), à reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT), Eduardo atacou, novamente, a "antecipação do debate eleitoral". Sinalizou, mais uma vez, que as articulações políticas para disputa presidencial dependem do desempenho econômico do País neste ano. "Não vale nada falar sobre 2014 se a gente perder o ano de 2013. Vai mudar tudo", disse o governador.

Portas abertas

Os rumores de que a ministra do Supremo Tribunal de Justiça (STJ) Eliane Calmon estaria a caminho do PSB não foram confirmados pelo governador Eduardo Campos. Mesmo de forma evasiva, ele não escondeu a existência de articulações no partido para atrair a ex-presidente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), e lançá-la candidata ao governo da Bahia. "Se um dia ela resolver largar a magistratura e entrar na política, ela sabe que o PSB está de portas abertas. Sei que muitos amigos do PSB já falaram isso a ela", desconversou o governador, que é presidente nacional do PSB.

Fonte: Jornal do Commercio (PE)

Campos tenta fazer palanque nos Estados

BRASÍLIA. O governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB, Eduardo Campos, apressou a montagem de palanques estaduais para dar sustentação a uma possível candidatura dele à Presidência da República em 2014. Um emissário de Campos procurou Eliana Calmon, ex-corregedora nacional de Justiça e ministra do Superior Tribunal de Justiça (STJ), e propôs o ingresso dela no PSB, com duas alternativas: disputar o governo da Bahia ou uma cadeira do Senado.

A Bahia é o quarto colégio eleitoral do País, atrás de São Paulo, Minas e Rio. Lá Dilma Rousseff obteve 70% dos votos na eleição de 2010. Eliana Calmon não deu ainda uma resposta.


O PSB nacional aposta no espaço para o surgimento de um novo nome na Bahia, uma espécie de surpresa capaz de agradar a uma gama distinta de eleitores baianos e dar força ao partido no Nordeste numa eventual disputa com o PT. A ideia do PSB é lançar os seis governadores à reeleição e número igual ou maior de candidatos viáveis em outros Estados em 2014.

Ausente na festa de comemoração dos 33 anos do PT e dez à frente do governo federal, Campos tem aproveitado todo o tempo de que dispõe para trabalhar o fortalecimento do PSB.

Fonte: O Tempo (MG)

Aécio e FHC começam em BH a corrida presidencial de 2014

Representantes do PT e do PSDB viajam pelo país para discutir seus projetos com a população

Lula também coloca os pés na estrada pela campanha à reeleição de Dilma

BRASÍLIA - Protagonistas dos discursos que anteciparam a corrida eleitoral para o Planalto em 2014, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva planejam percorrer o país no segundo semestre.

Principal aposta da oposição para o pleito, Aécio disse a aliados que aguarda o início da exibição das inserções de seu partido na TV, em maio, para começar seu giro. Já Lula, que anteontem lançou a candidatura de sua sucessora, Dilma Rousseff, à reeleição, discute com aliados uma andança pelo país, a partir de junho, para elaborar o programa do PT para a disputa do próximo ano. Antes disso, visitará, da próxima quinta-feira até maio, uma dezena de cidades na série de seminários em que o PT exaltará seus dez anos à frente do governo federal.

Do lado tucano, Aécio avalia que só após uma apresentação mais efetiva em veículos de "comunicação de massa" terá uma base para iniciar sua caminhada. A propaganda do PSDB na TV começará a ser exibida no fim de maio e terminará em 1º de junho, quando Aécio já terá assumido a presidência nacional de seu partido.

Seminário. Aécio vai participar de evento em Belo Horizonte na segunda-feira

Aécio participa em Belo Horizonte, na segunda-feira, da abertura de um seminário com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. O mineiro voltou a dizer aos seus apoiadores que é cedo para lançar a candidatura. Ele teria afirmado que "não há campanha que resista por dois anos"

No PT, a avaliação é que o ex-presidente Lula lançou Dilma mais para afastar as especulações de que seria ele, e não ela. Lula usará os seminários do PT para tentar unir a base aliada em torno da reeleição de Dilma. Durante o evento em Fortaleza, na quinta-feira, ele pretende se reunir com o governador Cid Gomes, um dos líderes do PSB. Depois dos seminários, visitará o interior do país. "Lula quer saber o impacto dos projetos do governo, para atualizar a plataforma do PT", diz o senador Wellington Dias (PT-CE), líder do partido no Senado.

Fonte: O Tempo (MG)

Rede de Marina intensifica busca por eleitores

Legenda promove eventos no país para coletar assinaturas. No DF, a ex-ministra participa de ato na Feira do Guará

Juliana Colares

Uma semana após o lançamento da Rede Sustentabilidade, os fundadores da legenda dão, hoje, a largada nacional na corrida contra o tempo para a coleta das 500 mil assinaturas que podem viabilizar a criação oficial da agremiação. O dia será de eventos em todo o país, ocasião em que os apoiadores estarão a postos para conseguir reunir o máximo possível de assinaturas. Figura central do movimento pela criação da Rede e possível candidata à Presidência da República em 2014, Marina Silva participa do evento no Distrito Federal, marcado para começar às 10h, na Feira do Guará. Ela chegará acompanhada pelo deputado federal Reguffe (PDT-DF), por volta das 11h30. Até ontem, a Rede contava com cerca de 3 mil voluntários cadastrados para arregimentar apoiadores. Mais de 20 mil downloads da ficha de apoio ao registro do partido foram contabilizados na última semana.

Mais do que o ponto de largada para a coleta de assinaturas — que já começaram a ser colhidas em vários estados —, os eventos têm caráter simbólico. Marina quer conseguir o maior número de firmas no menor tempo possível para viabilizar a participação dos “sonháticos”, como estão sendo chamados seus apoiadores, nas próximas eleições. Segundo um dos integrantes da Comissão Nacional Provisória da Rede, Gutemberg Gomes, a ideia não é transformar o ato em comício. A meta é apenas pedir o apoio dos presentes e lembrá-los de que, ao assinar a ficha de adesão, ninguém estará se filiando, apenas apoiando a criação da legenda.

“Quem assina não é fundador, membro nem filiado e não tem qualquer vínculo com o partido”, enfatizou André Lima, que integra a comissão nacional. Marina deve permanecer no local por uma ou duas horas. O evento termina às 17h. A expectativa inicial é de que 20 a 30 voluntários façam o trabalho de coleta de assinaturas na Feira do Guará. A fase de verificação terá início em março. A meta inicial é reunir as 500 mil assinaturas necessárias até a segunda quinzena de junho. A Rede sonha alto e almeja alcançar 1 milhão de apoios formais.

Objetivo

Segundo André Lima, ainda não se sabe o número de assinaturas já coletadas. No Distrito Federal, o objetivo é conseguir o apoio de 150 mil pessoas até o fim de maio. O número é mais de 80 vezes maior que a meta mínima, de 1,8 mil assinaturas, que correspondem a 0,1% dos eleitores do DF — a lei exige que esteja representado pelo menos 0,1% de pessoas aptas a votar de nove estados. Dos quase 20 milhões de votos conquistados por Marina na última eleição presidencial, mais de 600 mil eram da capital federal, onde Marina desbancou os demais concorrentes.

Fonte: Correio Braziliense

PMDB aproveita acirramento da disputa ao Planalto para se cacifar

Partido aliado pretende mostrar mais seu papel no governo Dilma e fala em lançar mais nomes nas disputas estaduais

Débora Bergamasco

BRASÍLIA - O PMDB vai aproveitar a alta temperatura política entre os pré-candidatos à Presidência para tentar se cacifar. Quer mostrar mais seu papel no governo Dilma Rousseff, no qual ocupa a Vice-Presidência com Michel Temer e cinco ministérios. Esse já será o tom do programa partidário de dez minutos que vai ao ar no dia 28, em cadeia nacional.

Na convenção prevista para o dia 2 de março, os líderes da agremiação também vão prometer aos correligionários privilegiar as candidaturas próprias nas eleições estaduais. "Queremos lançar em 2014 ao menos 20 nomes próprios de norte a sul, ainda que choque com os interesses PT", disse o presidente do partido e senador Valdir Raupp (RO) .

O modelo de cabeça de chapa defendido agora, a mais de um ano e meio da eleição, será incentivado, prometem os peemedebistas, mesmo onde não houver chances reais de vitória.

Essa seria uma plataforma para, segundo promete Raupp, retomar a maioria na bancada da Câmara dos Deputados, manter a maioria no Senado e emplacar mais governadores, senadores, deputados, prefeitos, vereadores e, no futuro, lançar um nome próprio para a Presidência da República em 2018.

No mínimo. Fontes do partido admitem que não aceitarão menos que a vice na chapa de Dilma em 2014 e, caso isso aconteça, consideram possível um racha também na composição nacional. Raupp se esquiva e diz acreditar no repeteco Dilma e Temer e afirma não trabalhar com outra hipótese. Ontem, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva prometeu que isso, de fato, ocorrerá, segundo o presidente da Câmara, Eduardo Hednrique Alves (PMDB-RN), que esteve ontem em São Paulo com o petista.

Os peemedebistas afirmam em conversas informais que os petistas são ingratos. Apesar do posto de vice, dos cinco ministérios e do apoio nas eleições de Alves na Câmara e de Renan Calheiros (PMDB-RN) no Senado, argumentam que o PT ainda não pagou a conta pelo gesto do deputado federal Leonardo Quintão (MG), que desistiu de concorrer à prefeitura de Belo Horizorite para apoiar Patrus

Ananias (PT), que acabou derrotado. A demora para entregar o prometido ministério da Ciência e Tecnologia para Gabriel Chalita - alguns peemedebistas, inclusive, já mudaram até de ideia quanto a Chalita; querem em seu lugar alguém de Minas, a fim de fazer um contraponto ao tucano Aécio Neves, senador que é pré-candidato à Presidência pela oposição. Os peemedebistas afirmam que precisam reafirmar sua posição política no Estado.

Por enquanto, as insatisfações não foram verbalizadas a Dilma.

Regionais. "Os futuros candidatos aos governos de Estado já estão com ampulheta na mão, vendo a areia cair", descreve um peemedebista que se encontra nesta exata situação, mas não quer ter o nome divulgado. Para ele, os ministérios hoje do PMDB "não ajudam a eleger nem vereador" e nem mesmo a vice-presidência de Temer ou os postos de comando no Congresso servem para transferir prestígio ao partido regionalmente. "Demitir funcionário do Senado é discurso?", pergunta esse mesmo peemedebista, referindo-se a reformas administrativas anunciadas por Renan. "Essa história de palanque compartilhado não existe mais, vimos que não dá certo, precisamos deixar de ser subalternos ao PT. Os candidatos a governador estão de olho em suas sobrevivências e isso implicará em dissidências e alianças alternativas."

O que quer o aliado

• País visibilidade Peemedebistas acham que os cinco ministérios, a vice-presidência da Replica e o comando do Congresso não transferem votos ao partido nos Estados

• Mais ministério Partido quer mais um posto na Esplanada: ou para Gabriel Chalita ou para um nome do partido que seja de Minas Gerais

• Mais gratidão

Querem receber a "dívida" pelo gesto do deputado federal Leonardo Quintão, que abriu mão de se candidatar em Belo Horizonte em 2012 para apoiar um petista

Fonte: O Estado de S. Paulo

Na Globo News, Freire aponta desgaste do PT e diz que Campos pode ser 'bloco alternativo' em 2014

Para Roberto Freire, candidatura de Eduardo Campos ganha força

Por: Fábio Matos - Assessoria do parlamentar

O deputado federal Roberto Freire (SP), presidente do PPS, debateu a sucessão presidencial de 2014 no programa Entre Aspas, da Globo News, com Beto Albuquerque (PSB-RS) e a jornalista Mônica Waldvogel

Após dez anos governando o Brasil e em meio às graves dificuldades na economia e a uma série de problemas de infraestrutura, o PT já dá sinais de desgaste junto à população e “cansaço de material”. Esta é a avaliação do deputado federal Roberto Freire (SP), presidente nacional do PPS, um dos entrevistados da última quinta-feira (21) pelo programa “Entre Aspas”, exibido pela Globo News e apresentado pela jornalista Mônica Waldvogel. Além de Freire, participou do debate o líder do PSB na Câmara, deputado Beto Albuquerque (RS).


Assista: Veja a íntegra do programa ‘Entre Aspas’ que contou com a participação do deputado Roberto Freire


Ao analisar as primeiras movimentações das principais forças políticas do país com vistas à sucessão presidencial de 2014, Freire e Albuquerque citaram o protagonismo que vem sendo assumido pelo presidente nacional do PSB, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos. Mesmo ainda fazendo parte da base aliada do governo de Dilma Rousseff, ele vem sendo cotado como provável candidato ao Planalto no ano que vem.

“Quem está na política tem o sonho de disputar a Presidência da República. No caso do Eduardo Campos, está se delineando uma circunstância muito especial. Nós estamos em um processo de ascendência de uma nova geração na política brasileira, e isso ficou claro na última eleição. O PT está há muito tempo no governo e há certo cansaço de material”, apontou Freire, que criticou a “perda permanente dos valores republicanos e de mudança” por parte do PT.

“Eu costumo dizer que Eduardo sairá candidato não como oposição, mas como bloco alternativo”, continuou Freire. “E quero dizer que nós, do PPS, estamos olhando isso com muita simpatia. Vamos tentar trazer para o bloco que aí está [de oposição ao governo Dilma] mais uma parceria.”

Já o líder do PSB na Câmara fez coro àqueles que acreditam na candidatura presidencial do governo pernambucano. “Se depender de mim, o Eduardo Campos é candidatíssimo a presidente”, afirmou Albuquerque, que citou como exemplo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, derrotado três vezes em eleições presidenciais antes de ser vencer o pleito de 2002.

O deputado gaúcho não se furtou a enumerar alguns dos mais graves problemas enfrentados hoje pelo Brasil. “É inegável que a economia brasileira sofre, está instável nos seus pilares. Há muita desconfiança dos investidores internacionais. Há o problema da seca no Nordeste”, disse.

Crise

Para o deputado Roberto Freire, apesar de o discurso oficial do governo petista minimizar os gargalos do país em infraestrutura e a estagnação econômica, não há dúvida de que o Brasil atravessa um momento muito delicado. “A nossa economia não está enfrentando dificuldades, está em uma crise. E com um governo incompetente, o que é pior”, afirmou o presidente do PPS. “A inflação, se está quase na meta, está muito acima da meta para o setor de menor renda... Ele [Beto Albuquerque] está aqui dizendo que tem crise e é líder de um partido que está na base. E o governo não quer admitir que tem crise.”

Freire divergiu do deputado do PSB, que criticou a antecipação do debate sobre o processo eleitoral de 2014, atribuída por Albuquerque ao ex-presidente Lula. “Lá nos Estados Unidos, por exemplo, isso [o longo debate sobre a eleição muitos meses antes da disputa] não atrapalha. Ao contrário. Quem sabe, com isso, esses temas serão enfrentados e os contendores futuros vão ter de se posicionar”, disse Freire.

Sobre a decisão de Lula de lançar Dilma à reeleição no próximo ano, Roberto Freire demonstrou certa cautela. “Não escrevo o que o Lula diz. Lançou Dilma, mas pode ser ele o candidato. Vai depender da situação da economia. Vai depender das investigações do Ministério Público [sobre as denúncias de Marcos Valério contra o ex- presidente em relação ao mensalão]. Ele está acuado. Quem sabe se ele não vai correr para ser candidato”, afirmou.

Além de falar sobre Eduardo Campos e Dilma Rousseff, Freire e Albuquerque também debateram as primeiras articulações de outros presidenciáveis, como o senador tucano Aécio Neves (PSDB-MG) e a ex-ministra Marina Silva, que tenta fundar um novo partido, o Rede Sustentabilidade, para concorrer à Presidência mais uma vez.

Fonte: Portal do PPS

O outro lado - Merval Pereira

E, se em vez de insistirmos na comparação entre os governos petistas e os do PSDB dos últimos 20 anos, fizéssemos uma análise mais abrangente, com as comparações da performance brasileira nos últimos dez anos com a própria performance dos governos ao longo da nossa História e, além disso, com as demais economias do mundo, inclusive dos países emergentes? O professor titular de Economia Internacional da UFRJ Reinaldo Gonçalves se propôs a se distanciar da polarização PT-PSDB para analisar a economia brasileira e os avanços sociais nos dez anos de governos petistas, e encontrou quadro bastante desolador, distante da propaganda oficial, a que deu o título "Brasil negativado, Brasil invertebrado: legado de dois governos do PT".

A"negatividade" é informada por inúmeros indicadores de desempenho da economia brasileira que abarcam o país, o governo, as empresas e as famílias. O "invertebramento" envolve a estrutura econômica, o processo social, as relações políticas e os arranjos institucionais. Essa trajetória é marcada, segundo Gonçalves, na dimensão econômica, por fraco desempenho; crescente vulnerabilidade externa estrutural; transformações estruturais que fragilizam e implicam volta ao passado; e ausência de mudanças ou de reformas que sejam eixos estruturantes do desenvolvimento de longo prazo. Na avaliação do crescimento da renda durante os governos do PT, o professor classifica de "fraco desempenho pelo padrão histórico brasileiro e pelo atual padrão internacional". A taxa secular de crescimento médio real do PIB brasileiro no período republicano é 4,5%, e a taxa mediana é 4,7%. No governo Lula, a taxa obtida é 4%, enquanto as estimativas e projeções do FMI para o governo Dilma informam taxa de 2,8%.

O resultado é claramente negativo: no ranking dos presidentes do país, Lula está na 19ª posição, e Dilma tem desempenho ainda pior (24ª), em um conjunto de 30 presidentes com mandatos superiores a um ano. Resultados que não são compensados pelo fato de o governo Fernando Henrique estar em 27ª posição, com o crescimento médio de 2,3%.

O Brasil negativado dos governos do PT também é evidente quando se observam os padrões atuais de desempenho da economia mundial, ressalta Gonçalves. Durante os governos petistas, a taxa média anual de crescimento do PIB (considerando as estimativas e projeções do FMI para os dois últimos anos do governo Dilma) é 3,6%. No período 2003-2014, a estimativa é que a economia mundial cresça à taxa média anual de 3,8%; no caso dos países em desenvolvimento, essa taxa deverá ser de 6,4%.

Portanto, salienta Gonçalves, o Brasil negativado é evidente quando se constatam não somente essas diferenças como dois outros fatos: em seis dos 12 anos do período 2003-14, a taxa de crescimento da economia brasileira é menor do que a taxa média mundial; e, em todos os anos, a taxa de crescimento do PIB brasileiro é menor do que a média dos países em desenvolvimento.

O Brasil negativado também é evidente quando se compara o crescimento do PIB brasileiro durante os governos petistas com a média simples e a mediana das taxas de crescimento dos 186 países que são membros do FMI e que representam um painel muito representativo da economia mundial.

A taxa média durante os governos Lula e Dilma (3,6%) é menor que a média simples (4,6%) e a mediana (4,4%) das taxas de crescimento dos 186 países. A taxa de crescimento brasileiro é menor que a média simples e a mediana da economia mundial em dez e sete anos dos 12 anos, respectivamente.

O fraco crescimento da economia brasileira durante os governos petistas está diretamente associado às baixas taxas de investimento, ressalta Gonçalves. A taxa média de investimento do Brasil no período 2003-14 é 18,8% enquanto a média e a mediana mundial (painel do FMI) são 23,9% e 22,5%, respectivamente. Em todos os anos de governo petista, a taxa de investimento é menor que a média e a mediana do mundo. No painel de 170 países o Brasil ocupa a 126ª posição, média para o período 2003-14. (Amanhã, o social)

Fonte: O Globo

O futebol e a política - Fernando Rodrigues

É inquestionável a melhora do Brasil com a sequência de FHC, Lula e Dilma no Palácio do Planalto. Agora, PT e PSDB têm duelado para saber quem fez o país avançar mais. Esse debate só interessa aos políticos.

Petistas e tucanos fariam melhor se refletissem sobre o que preocupa os brasileiros no dia a dia. Por exemplo, a persistência de um certo bolsão de incivilidade e intolerância entre torcidas de futebol nos estádios e em suas redondezas.

A violência das torcidas não é exclusiva dos brasileiros, mas o país poderia dar o exemplo para o mundo. Essa não parece ser uma preocupação de quem comanda o país, pois nenhuma política eficaz foi adotada por tucanos ou petistas nas últimas décadas.

Agora, os brasileiros chegaram ao paroxismo. Exportaram a violência. Há indícios de que foram torcedores do Corinthians os responsáveis pela morte de um boliviano de 14 anos durante um jogo no país vizinho.

O amor pelo futebol é uma das marcas mais vibrantes da cultura brasileira. Os jogos da seleção nacional são um dos raros momentos em que o país parece virar uma nação. Ao mesmo tempo, fãs desse esporte -as chamadas torcidas organizadas- demonstram seus instintos mais primitivos quando assistem a um jogo.

Um levantamento do jornal "Lance" em 2012 indicava que a violência ligada ao futebol já havia provocado 191 mortes no Brasil desde 1988. A maioria, jovens de até 30 anos.

Vou a estádios desde os anos 70. A situação só piora. Governadores, deputados, senadores, prefeitos e a presidente da República têm o dever de propor políticas eficazes que reduzam esse tipo de violência.

Até ontem, apenas o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, havia manifestado pesar pela morte do jovem boliviano. É pouco. E demonstra como a política está desconectada da vida real das pessoas.

Fonte: Folha de S. Paulo

Redes, partidos e política - Marco Aurélio Nogueira

Compreensível o interesse despertado pelo lançamento da Rede Sustentabilidade, o novo partido articulado pela ex-senadora Marina Silva, entre outros políticos e ativistas. Se o quadro partidário brasileiro provoca tédio e desesperança, nada como uma proposta recheada de boas intenções para que se espalhe a sensação de que algo pode ser feito para que se melhore a política hoje prevalecente.

O novo partido surge propondo-se a ser diferente na estrutura (uma rede), nos procedimentos e nas ideias. Não partiu da arregimentação de lideranças expressivas ou bancadas parlamentares preexistentes. E não está poupando energia para convencer a opinião pública de que veio para valer, não é mero capricho de seus idealizadores. Lançou-se, porém, com uma meta clara: dar abrigo e sustentação à futura candidatura presidencial de Marina Silva, principal justificativa para que a operação fundacional fosse desencadeada agora, quando já é nítido o rufar dos tambores das eleições de 2014, um frenesi eleitoral aparentemente intempestivo e prematuro, mas que tem sua razão de ser, como observou nesta mesma página o cientista político Luiz Werneck Vianna (16/2).

Tal justaposição de objetivos - criar um novo modo de fazer política e tornar viável uma candidatura - fará, portanto, com que os articuladores da proposta tenham de agir para demonstrar que terão disposição para amassar o barro da política dura, que não se sujeita nem obedece a princípios vagos, chefes supremos ou calendários eleitorais. Não à toa o discurso de Marina insiste em enfatizar que o novo partido existirá "para questionar a si, não para disputar uma eleição" - não terá "espírito de manada".

Cercada de expectativa, a Rede chamou a atenção pelo inusitado de algumas de suas ideias. Não aceitará, por exemplo, contribuições financeiras que provenham de negócios que agridam ou prejudiquem a saúde e o meio ambiente (bebidas alcoólicas, cigarros, armas, agrotóxicos), o que mostra uma face simpática e sensível, mas pouco clara quanto a seus efeitos efetivos. A hipótese certamente é que o partido consiga sobreviver eleitoralmente graças à contribuição expressiva de seus militantes e simpatizantes, o que parece romântico demais. Vale o mesmo para a pretensão de limitar a reeleição de seus futuros parlamentares - uma em cada Casa legislativa - e de organizar um conselho de cidadãos que monitore com independência a sigla e seus dirigentes. São ideias interessantes, mas de efeito impreciso, com a agravante de que podem sugerir que o partido pretende estacionar fora da política institucionalizada, feita e vivida pelos brasileiros. Tanto a questão é delicada que alguns de seus propositores, a começar da própria ex-senadora, têm procurado deixar claro que o novo partido não fugirá das alianças (desde que sejam "pontuais e em torno de ideias") e trabalhará para criar novas correlações de forças no País, em vez de deixar tudo como está.

O mais importante, porém, é a proposta abrangente da nova legenda, antes de tudo sua disposição de funcionar como uma rede que promova a articulação entre políticos de diferentes orientações partidárias e, ao mesmo tempo, impeça que o partido concentre todas as decisões políticas e fique engessado em torno de seus próprios interesses. A perspectiva tem potência, especialmente porque proclama que é mais importante privilegiar aquilo que une e é comum do que aquilo que distingue e opõe. Se a questão é agir "pelo bem do País" ou por uma causa magna que esteja acima de partidos e facções, a estruturação em rede faz total sentido. Foi mais ou menos assim que Joaquim Nabuco definiu a estratégia do abolicionismo nos anos 1880: ativar um movimento, uma opinião, uma agitação para "desagregar fortemente os partidos existentes, até certo ponto constituindo uma igreja à parte composta dos cismáticos de todas as outras".

Em seu discurso no ato de lançamento do partido, Marina Silva pareceu emular essa posição de Nabuco: "Não seremos nem oposição nem situação ao governo de Dilma Rousseff. Se a presidente estiver fazendo algo bom para o Brasil, nossa posição será favorável". A Rede pretende "quebrar de fato o monopólio dos partidos na política", substituindo-o pela ação da cidadania. É um palavrório vago. A questão é saber se esse caminhar no fio da navalha será viável diante da natureza "partidária" da política, de sua essência agonística de luta pelo poder, da falta de gente que trabalhe desinteressadamente por uma causa maior.

Apresentar-se como novidade é fácil. Difícil é dar corpo e vida à nova proposta, traduzi-la em termos políticos, intelectuais e organizacionais. Não será simples criar um partido numa época de homens partidos e pobres de ideias políticas. Parecem faltar espaço e oxigênio para que se agregue a essa criação um projeto de sociedade, sustentado por uma análise criteriosa do mundo e do País, que não só revele a estrutura dos problemas, como os acomode numa agenda articulada. Em política, não é novo o que se proclama como tal, mas o que produz coisas novas a partir da transformação daquilo que existe. Será preciso propor soluções positivas a partir de uma análise concreta do existente. Sem isso a Rede vai girar em círculos.

Mas é ainda mais fácil falar mal daquilo que se propõe como novidade. De um modo ou de outro, querendo ou não, o novo incomoda o que está estabelecido e desafia hábitos mentais, rotinas e posições consolidadas. Difícil mesmo é submeter o novo à crítica ponderada e criteriosa, ver se o que se propõe é algo de aproveitável, concedendo-lhe algum crédito de confiança para mostrar a que veio. Se isso não é feito, tudo se resume a bate-boca, a torcida contra ou a favor. E não se avança em direção nenhuma, ficando todos recolhidos ao mesmo ramerrame de sempre.

Marco Aurélio Nogueira é professor titular de Teoria Política e diretor do Instituto de Políticas Públicas e Relações Internacionais da Unesp

Fonte: O Estado de S.Paulo

Golpe contra novos rumos - Cacá Diegues

Brasileiros sectários, supostamente em defesa de Cuba, provocam uma reação que só faz prejudicar o projeto de abertura daquele país

Não é muito fácil, para uma pessoa da minha idade, falar sobre Cuba. Para minha geração, Cuba foi um modelo de sonho, esperança de um inédito socialismo democrático, com liberdades individuais, direitos e oportunidades iguais para todos, liderado por rapazes como nós, com menos de 30 anos de idade, num país miscigenado como o nosso, ao som de rumba, mambo e bolero.

Nada poderia nos produzir mais euforia que a noite de Ano Novo em que Fidel Castro entrou em Havana e tomou o poder com seus guerrilheiros barbudos. Eu tinha 18 anos e estava nas ruas, com meus colegas da UNE e os companheiros do futuro Cinema Novo, celebrando a vitória da beleza e da justiça, como diria Paulo Martins em “Terra em transe”. Isso ninguém esquece. Mesmo que o sonho se transforme em pesadelo, permanece em nossos corações na sua forma original.

Nossa proximidade afetiva e cultural com o cinema cubano alimentou, durante anos, nossa tolerância com o que de errado víamos acontecer na ilha. Os cineastas brasileiros sempre tiveram a absoluta solidariedade dos cineastas cubanos liderados por Alfredo Guevara, Tomás Gutierrez Aléa e Julio Garcia Espinoza. Nos piores momentos da ditadura militar no Brasil, nunca nos faltaram moralmente (apoiando nossos filmes e nossos projetos cinematográficos) e materialmente (recebendo alguns de nós em exílio ou na escola de cinema de San Antonio), sem nada em troca.

Mas, ao longo do tempo, foi ficando desconfortável defender Cuba. Era como se a mulher amada estivesse fugindo com outro, a dor de corno reprime o amor.

A agressão na Baía dos Porcos, a desumanidade do embargo comercial, a barbárie de Guantánamo, o terrorismo de estado (vejam “A hora mais escura”, de Kathryn Bigelow), os cubanos presos em Miami, todos os erros e crimes da política externa americana não podem justificar o silêncio diante da falta de liberdade, do controle da vida dos cidadãos, da perseguição aos homossexuais, das misérias da ditadura de Fidel Castro. Não quero viver num mundo em que seja obrigado a escolher entre dois males. Prefiro continuar sonhando.

Em dado momento, a União Soviética se ocupou de Cuba, garantindo sua sobrevivência ao embargo. Com isso, o regime pôde investir correta e fartamente em educação e saúde, com resultados gloriosos. Mas de que serve ser alfabetizado se não posso ler o que bem entender? De que serve estar fisicamente bem se não posso levar meu corpo para onde bem quiser?

Quando a União Soviética desmoronou, deixando Cuba à deriva, o regime cubano tentou resistir por sua própria conta e o resultado foi um período de extrema miséria, cujas consequências eram o desejo de fuga em massa da população e o endurecimento do regime para conter o desagrado geral. Aí começou a história de Yoani Sánchez.

Embora não seja nenhum Hermano Viana (um dos meus heróis do pensamento contemporâneo), uso a web com alguma frequência. Mas não tenho muita paciência, concentração e habilidade para estar acessando os muitos blogs interessantes ou que poderiam vir a me interessar. Não é que eu subestime a tecnologia, a tecnologia é que me superestima.

Assim, nunca li uma só linha do blog de Yoani Sánchez, o Generácion Y. Mas, independentemente do que pudesse achar dele e dela, todos devem ter o direito de se manifestar pacificamente, em qualquer país ou circunstância, mesmo que sejam agentes do demônio (em Cuba, agentes da CIA são presos ou talvez fuzilados, não é provável que recebam passaporte). Essa é aliás uma grande contribuição da internet à civilização — ser quase incontrolável.

Aí a moça vem ao Brasil e é recebida a pedra e pau. Como relataram os jornais, as TVs e o próprio senador Eduardo Suplicy, puxaram-lhe os cabelos, jogaram-lhe objetos, bloquearam sua locomoção, impediram que se projetasse o filme de Dado Galvão em que ela aparece (nem sei direito do que trata o filme, mas é uma pena que nossas associações de classe cinematográfica não se tenham manifestado a propósito dessa censura informal e selvagem contra um cineasta brasileiro).

Os manifestantes, que também têm o direito de dizer o que quiserem, preferiram fazê-lo a cassetete, lembrando vulgares policiais da repressão. Como disse o senador Suplicy, deviam ter tido mais coragem de ouvir.

É evidente que a autorização do governo cubano para que Yoani Sánchez viajasse, depois de suas 20 tentativas fracassadas, é sinal de um processo de abertura política gradual e de lenta transformação econômica. Estranho é que brasileiros sectários, supostamente em defesa de Cuba, provoquem uma reação que só faz prejudicar esse projeto de novos rumos no horizonte político do país.

Impedir pela força que a blogueira se manifeste, pondo em risco sua integridade física, não é só inaceitável gesto de intolerância, como também um golpe traiçoeiro nesse projeto de reaproximação de Cuba com a democracia, em convivência com o resto do mundo. É isso o que deviam desejar aqueles que ainda têm Cuba no coração.

Cacá Diegues é cineasta

Fonte: O Globo