Política e cultura, segundo uma opção democrática, constitucionalista, reformista, plural.
sábado, 29 de agosto de 2026
Uma nova política para um novo mundo do trabalho, por Ivan Alves Filho*
sexta-feira, 28 de agosto de 2026
O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões
Pauta eleitoreira dispersará esforço dos parlamentares
Por O Globo
Em vez de 6x1 e ‘blusinhas’, Congresso deve
se concentrar em data centers, minerais críticos e PEC da Segurança
Depois de almoçarem com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), eram só sorrisos. Motta já havia declarado voto em Lula. O encontro serviu para selar também a paz entre Lula e Alcolumbre, depois de meses de estranhamento, cujo ápice foi a rejeição no Senado da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo. O acerto entre os três tem indisfarçável motivação eleitoral. Com a campanha em curso, o Congresso promoverá na semana que vem o tradicional “esforço concentrado”. Propostas que não forem examinadas até lá ficarão para depois de outubro. A conversa serviu para definir o que deverá ir a votação.
Terapia de guichê, por José de Souza Martins*
Valor Econômico
O Brasil é, a seu modo, inovador na questão de filas e suas práticas correlatas. Somos criativos
Nossa sociedade gosta de filas e de esperas,
provavelmente mais do que muitas outras. Um jeito de puxar conversa com o
vizinho de fila e ocupar o tempo da espera para ser atendido com queixas e
reclamações justamente contra filas e esperas. O típico assunto para matar
tempo e falar sobre tema de falta de assunto.
Quase sempre, para pôr a culpa no funcionário
do banco, da repartição pública ou do hospital pela lentidão no atendimento.
O Brasil é, a seu modo, inovador na questão de filas e suas práticas correlatas. Somos criativos. Quase sempre, nessas pequenas questões populares, o somos pelo avesso do que usualmente são os nativos de países desenvolvidos. A começar pelo fato de que sentimos compulsão de preencher o tempo vazio que é o de uma prática entre momentos de obrigação do trabalho.
Percalços de Lula e Flávio pelos votos do Nordeste, por Andrea Jubé
Valor Econômico
Candidatos reveem estratégias e intensificam visitas aos Estados onde esperam melhorar o desempenho
Num momento decisivo para as campanhas,
diante do início da propaganda eleitoral no rádio e na televisão, os candidatos
reveem estratégias e intensificam visitas aos Estados onde esperam melhorar o
desempenho. Enquanto o presidenciável do PL, Flávio Bolsonaro, fez a primeira
incursão ao Nordeste, feudo lulista, em agenda em Alagoas, o presidente Luiz
Inácio Lula da Silva foi obrigado a mudar o roteiro do fim de semana. Ele faria
uma ofensiva na região Sul, reduto do adversário.
Preocupado com o crescimento de Flávio no Rio
Grande do Sul, Lula teve de cancelar o compromisso em Porto Alegre nesta
sexta-feira (28) por causa das fortes chuvas, com previsão de inundações e
vendavais. A agenda foi substituída por uma caminhada com aliados e militantes
em Salvador, na Bahia.
Sexto maior colégio eleitoral, com 5,3 milhões de eleitores, o Rio Grande do Sul é a aposta do PT para ampliar a votação na região, que se tornou um reduto bolsonarista, impulsionado pelo agronegócio. Levantamento recente da Quaest mostrou Flávio com 34% das intenções de voto no Estado, e o petista com 28%.
Lula dobra aposta na economia do afeto e na aliança com Alcolumbre e Motta, por Luiz Carlos Azedo
Correio Braziliense
É essa a lógica que conecta
iniciativas aparentemente distintas, como o fim da escala 6 x 1 e a
renegociação de dívidas com cartões de crédito, que voltam à pauta do Congresso
A “economia do afeto”, conceito formulado pelo historiador Alberto Aggio para
explicar uma das características centrais da cultura política do lulismo, talvez
seja a melhor chave para compreender os movimentos recentes do presidente Luiz
Inácio Lula da Silva em busca da reeleição. Trata-se de uma relação de
reciprocidade entre ele e os setores populares, construída pelo reconhecimento
simbólico, pela identificação pessoal e por políticas que produzam benefícios
concretos no cotidiano.
É essa lógica que conecta iniciativas aparentemente distintas, como o fim da
escala 6 x 1; a redução da chamada “taxa das blusinhas”; a renegociação de
dívidas com cartões de crédito e outras medidas voltadas para renda, consumo e
qualidade de vida. Lula procura reconstruir a percepção de que seu governo
melhora a vida dos “de baixo”. Ao mesmo tempo, isso depende da aliança
pragmática com o Centrão, materializada na aproximação com os presidentes do
Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).
Lula 3 não entendeu que Lula 4 depende de muito mais do que emprego e renda melhores, por Vinicius Torres Freire
Folha de S. Paulo
Mês e pouco antes da eleição, dados do IBGE
ainda mostram melhora surpreendente
Mau humor indica que povo pensa de outra
maneira o que seja bem-estar material
Mês e pouco antes da eleição somos
informados outra vez pelos dados do IBGE de que a situação do
trabalho é a melhor em quase meio século. Mas, como se sabe, a avaliação
de Lula 3 está no vermelho desde o início de 2025. Parte dessa
incongruência parece ter explicações razoáveis. Mas o mistério ainda é grande.
Primeiro. Desde a ascensão da extrema direita, parte importante das opiniões sobre "economia" é determinada pelo que se pensa da política, não o contrário. Acontece nos EUA também. Até os tradicionais índices de confiança de consumidor estão entortados por isso que se chama de "polarização".
Flávio Bolsonaro quer entregar Brasil a Cristo, por Hélio Schwartsman
Folha de S. Paulo
Candidato ameaça editar decreto que violaria
princípio constitucional da laicidade do Estado
Com uma única declaração, ele revela várias
facetas de sua inadequação para a Presidência
Num desafio à lógica, às instituições e à
própria higidez das religiões, Flávio
Bolsonaro ameaçou: "Eu quero debater
com quem não acredita em Deus, porque, quando eu for presidente, um
dos meus primeiros atos será decretar que o Brasil é do senhor Jesus Cristo".
O primeiro problema com o período flaviano é que ele carrega um imenso "non sequitur". Se você convida alguém para um debate, o pressuposto é o de que pretende persuadi-lo pela força dos seus argumentos, o que entra em contradição com o recurso à canetada, que impõe o dogma sem se importar em obter o consentimento dos que estariam sujeitos à medida.
Três Poderes se unem num pacto de conveniências mútuas, por Dora Kramer
Folha de S. Paulo
Conciliações são bem-vindas e necessárias,
desde que construídas para atender ao interesse público
Não foi o que se viu no acordo firmado entre
autoridades motivadas pela defesa de causas próprias
Nada como a conjugação de interesses para
promover tréguas de ocasião. É o que se viu no acerto entre os presidentes da
República, da Câmara dos
Deputados e do Senado para
levar adiante, no Legislativo, pautas populistas às vésperas das eleições.
Junte-se a eles o quarto elemento na figura do sujeito mais ou menos oculto do Supremo Tribunal Federal, cujo vice-presidente achou pelo bem da República fazer as vezes de mediador político do armistício de conveniência.
Dark Horse', estrangeiro onde? Por Ruy Castro
Folha de S. Paulo
O verdadeiro produtor de um filme é aquele
que o financiou e cujo nome nem sempre aparece
Se o filme sobre Bolsonaro for nacional, ele
nos deve, sim, satisfações sobre seus custos
Flávio Bolsonaro está se jactando de que as especulações sobre "Dark Horse" , filme sobre seu pai, são "página virada". A Ancine (Agência Nacional do Cinema) deu ao filme o registro de "obra estrangeira", o que o põe a salvo de investigações sobre a origem, a trajetória e o destino do dinheiro usado na produção. Com isso, por ser uma produção "americana", ninguém tem nada a ver com o fato de que esse dinheiro, gerado no Brasil, foi dar um passeio pelos EUA e voltou para pagar as contas aqui. Mas será ele, tecnicamente, uma "obra estrangeira"?
Novos ‘fronts’ de luta, por Fernando Gabeira
O Estado de S. Paulo
Será delicado extrair terras raras em MG,
assim como será delicado explorar petróleo na Amazônia. Novos ‘fronts’ numa
luta já tão vasta
Oceano e terras raras, o progresso nos
empurra para novas dimensões do debate ambiental no Brasil. Do fundo do mar,
nas camadas do pré-sal, o País explora a riqueza do petróleo; do fundo do mar,
quando o pré-sal se esgotar, o País vai tirá-lo na Margem Equatorial, próxima à
foz do Rio Amazonas.
A nova frente de exploração do petróleo é delicada. O Brasil hospedou a COP-30 em Belém com o objetivo de mostrar a importância e a vulnerabilidade da Amazônia. O País se comporta como um líder na transição energética e um interlocutor indispensável nos esforços para combater e mitigar as mudanças climáticas. É uma contradição, portanto, explorar novas fontes de petróleo na Amazônia. Ocorre que a correlação de forças internas aponta irresistivelmente para a realização desse projeto. A única saída é considerar a contradição como não antagônica e levá-la adiante sem que um dos polos seja eliminado. A equação será explorar o petróleo com rigorosos cuidados ambientais. Se depender de políticos do tipo Alcolumbre, os cuidados vão para o espaço. Se depender da opinião internacional, o ideal seria deixar a Amazônia em paz.
Lula põe PF e STF na campanha, por Eliane Cantanhêde
O Estado de S. Paulo
Propaganda eleitoral começa com pedras e paus, ao som da corrupção
O horário eleitoral gratuito no rádio e na TV
começa hoje e esquenta amanhã, com a entrada em cena dos candidatos a
presidente. Lula e Flávio Bolsonaro estarão à vontade para falar maravilhas de
si e atacar o outro, sem constrangimento nem questionamentos.
Os programas de estreia devem ser alegres e coloridos, uma apresentação edulcorada de cada candidato. Mas não se iludam, isso é só o início, porque candidatos, líderes de campanha e marqueteiros já estão de pedras e paus nas mãos contra os adversários. Motivos não faltam.
Candidatos escondem ‘maldades’ econômicas, por Raquel Landim
O Estado de S. Paulo
Com algumas exceções, os planos econômicos
que vêm sendo apresentados pelos principais candidatos à Presidência são
exagerados, vagos, com muitas promessas, contas que não fecham e pouca
viabilidade política.
Mas não chega a assustar que os
presidenciáveis escondam as “maldades” econômicas que vão precisar fazer em
2027. Ninguém se elege dizendo que vai retirar aumento real de aposentado. É
assim em toda eleição. E é bom o eleitor estar ciente.
O diagnóstico do ajuste fiscal brasileiro é conhecido. Os economistas responsáveis são unânimes em afirmar que seria importante cortar subsídios, cobrar mais impostos dos mais ricos (retomar a discussão dos lucros e dividendos), mexer na regra de reajuste do salário mínimo, que impacta a Previdência, ajustar os limites constitucionais de saúde e educação.
Renan: antissistema, ‘pero no mucho’, por Vera Magalhães
O Globo
Com retórica que se adequa ao palco,
candidato do Missão se diferencia de outros políticos do gênero ao investir em
eleger bancada de seu novo partido
Renan Santos não tem chance de ser presidente
da República. Mas seria um erro tomar sua candidatura apenas como
excentricidade de uma eleição novamente polarizada, desta vez entre Lula e
Flávio Bolsonaro. O candidato do Missão apareceu de verdade ao país nesta
semana, na entrevista à TV Globo, e se mostrou com figurino mais sóbrio do que
o usado no debate da Band. O tom mudou, mas o programa não.
Na Globo e na sabatina da CBN, do GLOBO e do Valor, Renan trocou parte da agressividade performática por explicações mais longas e um tom de quem pretende demonstrar preparo. Continuou, no entanto, a defender que a polícia “atire para matar”, a elogiar o regime de exceção de Nayib Bukele em El Salvador, a propor a sério ( !?) uma bomba atômica brasileira e a dizer que descumpriria decisões do Supremo que considerasse ilegais.
Bomba atômica, banho de sangue e regime de exceção: as ideias de Renan Santos, por Bernardo Mello Franco
O Globo
Candidato, que já exaltava Bukele,
surpreendeu ao revelar admiração por Kim Jong-un
Na semana das entrevistas à TV Globo, Renan
Santos se destacou entre os candidatos que disputam o terceiro lugar na corrida
ao Planalto. O candidato do Missão pôs no bolso os rivais Romeu Zema e Ronaldo
Caiado. A constatação diz mais sobre o mau desempenho dos ex-governadores do que
sobre o pensamento vivo do líder do MBL.
Zema insistiu no papel de linha auxiliar do bolsonarismo. Defendeu anistia a golpistas, fim da vacinação obrigatória e presídios inspirados na ditadura de El Salvador. Tentou se vender como self-made man, mas omitiu o fato de ser herdeiro de um conglomerado familiar. Cobrado sobre a alta dos feminicídios em Minas Gerais, prometeu “uma série de programas contra as mulheres”. O ato falho foi o momento mais memorável da entrevista.
O mundo de ponta-cabeça, por Pablo Ortellado
O Globo
Professores e estudantes passam a endossar e
a celebrar a justiça popular
Na última terça-feira, um estudante foi espancado por colegas na UFRJ. Os agressores lincharam um rapaz que usava camiseta com simbologia associada ao nazismo. O vídeo da agressão, reproduzido pela imprensa, mostra o estudante caído no chão, chutado por dez colegas. O rapaz consegue então se levantar e escapar do prédio, mas é alcançado pela turba e agredido novamente na calçada. Por que esse linchamento violento e covarde num campus universitário não é amplamente condenado? Por que, ao contrário, é endossado e aplaudido?
quinta-feira, 27 de agosto de 2026
O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões
Sanções contra plataformas digitais merecem aplausos
Por O Globo
Enquanto Meta fecha acordo de US$ 17 bilhões
nos EUA, TikTok leva multa de R$ 154 milhões no Brasil
Foi acertada a decisão da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) de multar a ByteDance, controladora do TikTok, por falhar na proteção de dados de crianças e adolescentes. O valor da multa — R$ 153,7 milhões, maior sanção aplicada a uma empresa do setor no Brasil — comprova a seriedade com que a agência começa a tratar o tema, num momento em que o cerco contra as plataformas digitais se fecha no mundo todo. Nos Estados Unidos, a Justiça anunciou ontem um acordo pelo qual a Meta (dona de Instagram, Facebook e WhatsApp) comprometeu-se a pagar US$ 17 bilhões e a realizar modificações na arquitetura de suas redes — como acabar com a rolagem infinita — para escapar de um processo, movido por 47 estados, em que era acusada de tê-las projetado com a intenção de viciar crianças e adolescentes. Se perdesse, o prejuízo poderia chegar a US$ 1,4 trilhão.
A direita envergonhada de Caiado e Zema, por Maria Cristina Fernandes
Valor Econômico
Candidatos do PSD e do Novo recusam compromissos fiscais impopulares
A direita saiu do armário com a ascensão do
bolsonarismo e ganhou um eleitor pra chamar de seu. Oito anos depois, as
candidaturas dos ex-governadores Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo)
desfilam com um figurino envergonhado tamanha é a profusão de recuos e
titubeios do seu discurso. As sabatinas de que têm participado não poderiam
escancarar mais este movimento - do Orçamento à segurança pública.
Candidato mais bem posicionado para capturar a direita democrática, a despeito da obsessão pela anistia ao golpismo, Caiado se recusa a assumir a racionalidade fiscal que uma candidatura centrista requer. Nega mudanças nos pisos da educação e da saúde ou no ganho real da aposentadoria.
O perigoso mar de lama, por William Waack
O Estado de S. Paulo
A expressão mar de lama é antiga na política brasileira, mas voltou com força na atual campanha eleitoral. Nos anos 50, quando foi criada, servia para definir crises de corrupção sistêmica. Na acepção atual, descreve o ambiente no qual se movem candidatos à Presidência.
Cada um no eixo Lula-Bolsonaro acredita ter
mais sujeira para jogar no outro e, assim, obter decisiva vantagem eleitoral.
Mas as pesquisas qualitativas sugerem um outro fenômeno: quando confrontados
com esse tipo de mar de lama, eleitores tendem a ver todos como iguais.
Especialmente os “de centro”, que, assume-se, vão decidir o pleito.
Pode-se argumentar que as acusações de corrupção que chegam à antessala de Lula têm outro quilate do que as suspeitas envolvendo qual a destinação final do dinheiro que o candidato Flávio Bolsonaro pediu para um ex-banqueiro que comandava um esquema criminoso. Mas aqui não é este o ponto.
Quem comanda o Supremo? Por Carolina Brígido
O Estado de S. Paulo
A troca de comando no Supremo Tribunal
Federal (STF) está prevista para setembro de 2027 – mas, na prática, a
transição já começou. Alexandre de Moraes, o próximo presidente, tem representado
a Corte em encontros com chefes do Executivo e do Legislativo, além de promover
reuniões com lideranças do Judiciário.
Moraes abriu a semana conduzindo uma audiência pública com presidentes de tribunais de todo o País para discutir combate ao crime organizado. Também chamou integrantes do Ministério da Justiça, da Procuradoria-Geral da República (PGR), da OAB e de prefeituras. O ministro convocou as reuniões por ser relator de ações que contestam a Lei Antifacção. Edson Fachin, o presidente do STF, compareceu como convidado.
A insensatez da chantagem nuclear entre Putin e Zelensky na guerra da Ucrânia, por Luiz Carlos Azedo
Correio Braziliense
Moscou advertiu que não aceita uma Ucrânia
nuclear e ameaça promover ataques preventivos, o que pode transformar o
conflito regional numa crise mundial
A Guerra do Peloponeso começou em 431 a.C. como uma disputa pela hegemonia do
mundo grego e terminou, 27 anos depois, com a derrota de Atenas, o esgotamento
de Esparta e o enfraquecimento de praticamente todas as cidades-estados
envolvidas. Segundo Tucídides, o crescimento do poder ateniense e o medo que
isso despertou nos espartanos tornaram o confronto inevitável. A guerra
resultou de decisões equivocadas, alianças automáticas e cálculos errados.
Os governantes foram incapazes de interromper a escalada. A desastrosa
expedição ateniense à Sicília selou o destino da guerra. Apesar dos riscos, os
dirigentes de Atenas enviaram uma grande força militar para conquistar
Siracusa. Foi uma catástrofe: a frota foi destruída, milhares de soldados
morreram ou foram escravizados e Atenas perdeu a capacidade de sustentar sua
hegemonia. Entretanto, a vitória final de Esparta também foi efêmera. Décadas
depois, a Grécia, fragmentada e exaurida, acabou submetida à Macedônia de
Felipe II.
A ultradireita pôs a política exterior na urna, por Maria Hermínia Tavares
Folha de S. Paulo
Interferência externa é possibilidade
considerada e divide a opinião pública
Metade dos eleitores vê chance de países
estrangeiros se intrometerem na disputa
Uma enorme bandeira dos EUA, estendida na
horizontal, cobria parte do minguado público presente no comício de lançamento
da candidatura de Flávio
Bolsonaro, no ensolarado domingo (16), na praia de Copacabana.
Impossível adivinhar os motivos de quem teve a iniciativa.
Nas atuais circunstâncias, não deixa de parecer um gesto de júbilo pelas manifestações explícitas de apoio do governo Trump ao candidato da extrema direita —e, talvez, do desejo de que elas prossigam sob outras formas, mais diretas e continuadas.
A interferência da Casa Branca nas eleições presidenciais brasileiras é uma possibilidade real. O uso político das tarifas, a tentativa de enviar funcionários para verificar a integridade do sistema eletrônico de votação e a crescente crispação nas relações diplomáticas parecem anunciar a intenção de influir no resultado das urnas e de criar um clima favorável à sua contestação, caso o PT leve a melhor.
A piora das finanças de SP sob a gestão de Tarcísio, por Adriana Fernandes
Folha de S. Paulo
Contas pioram, e os números oficiais do
próprio estado apontam para essa realidade
Candidatos vendem números a torto e a direito
sem o mesmo escrutínio que se faz dos resultados do governo federal
As contas do governo Tarcísio pioram, e os números
oficiais do próprio estado apontam para essa realidade.
O filme da evolução do desempenho das
finanças paulistas ao longo do mandato do governador mostra uma deterioração
gradativa que culminou com um déficit orçamentário de R$ 12,2 bilhões no ano
passado, o pior resultado desde 1995.
Para 2026, a projeção oficial aponta para um déficit de R$ 9 bilhões. Detalhe: o governador recebeu o estado com um superávit de R$ 11,1 bilhões em valores atualizados pela inflação.
Pelo fim das candidaturas policiais, por Thiago Amparo
Folha de S. Paulo
Sendo carreiras de Estado, policiais e
militares não cabem nas urnas
Candidatos são em sua maioria de partidos de
direita
Ao menos 1.229 candidaturas no pleito de 2026
possuem relação com as polícias, Civil ou Militar, ou com as Forças Armadas —6%
do total de mais de 20 mil candidatos. Os dados são de um levantamento da Agência Pública com base na Justiça
Eleitoral.
Embora tenha havido uma redução significativa em números absolutos das candidaturas de policiais e militares —37,4% em relação ao pleito de 2022—, o montante ainda é relativamente expressivo —queda proporcional de apenas 0,71% em comparação a quatro anos atrás— e os números continuam a preocupar pelo uso da farda e das instituições como alavanca eleitoral.
Renan Santos repete Enéas com ideia de bomba atômica, por Marcos Augusto Gonçalves
Folha de S. Paulo
Candidato do Missão retoma posição de
presidenciável do Prona, que fazia campanha na década de 1990
Proposta insensata causaria terremoto de
reações, embora arma nuclear possa funcionar como dissuasão
A ideia de construir uma bomba nuclear no Brasil circulou durante a ditadura e alimentou um programa sigiloso. Em 1986, já no governo Sarney, a repórter Elvira Lobato revelou, na Folha, que a Aeronáutica havia construído na serra do Cachimbo, no Pará, um poço de 320 metros cujas características eram compatíveis com testes nucleares subterrâneos.
Casas Bahia e Habib's fazem país acordar para problema faz meia década no forno, por Vinicius Torres Freire
Folha de S. Paulo
Dívida alta das famílias é problema pelo
menos desde 2021; juros pioraram situação
Número de pedidos de recuperação judicial já
era problema visível desde 2023
A recuperação extrajudicial de Casas Bahia e
Habib’s, marcas "pop", acabou por dar rosto para uma situação que
anda ruim faz tempo, não apenas por causa de juros e
dívidas. O enrosco, porém, não é bem compreendido ou é manipulado a depender do
gosto político do freguês.
Parece ficar mais forte a sensação de "crise no ar", de que o "Brasil vai mal". Até pessoas que deveriam estar mais informadas do problema não se deram conta de que o novo rolo começou faz meia década, tanto em empresas avariadas como na situação do crédito de firmas e famílias.
O passado não perdoa, por Merval Pereira
O Globo
Não há mais o favoritismo do presidente Lula,
e o representante do ex-presidente Jair Bolsonaro resiste, tudo devido aos
escândalos que cercam as duas candidaturas.
A campanha eleitoral mais desanimada dos últimos tempos segue seu ritmo sem que se possa antever o que sairá das urnas. Não há mais o favoritismo do presidente Lula, e o representante do ex-presidente Jair Bolsonaro resiste, tudo devido aos escândalos que cercam as duas candidaturas. A cada dia fica mais evidente que não existe uma terceira via com capacidade de competir com os dois favoritos. O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado, que era considerado a melhor alternativa, a cada aparição em debates ou entrevistas vai se tornando menor, revelando que os muitos anos de política o desgastaram mais que ao presidente Lula.
Tarcísio enrola Flávio em ‘relação tóxica’, por Julia Duailibi
O Globo
A campanha do governador de São Paulo empurra
com a barriga as agendas públicas com o presidenciável
Flávio Bolsonaro está num “relacionamento
tóxico” com Tarcísio de Freitas. O candidato a presidente pelo PL depende do
governador de São Paulo para ampliar sua margem de votos no maior colégio
eleitoral do país e compensar, pelo menos em parte, a liderança de Lula no
Nordeste. Tarcísio, no entanto, faz ghosting nas tentativas de encontros
públicos com Flávio. E faz de caso pensado.
As chances de Flávio na eleição presidencial passam por uma margem de votos favorável no Sudeste. Em 2022, Jair Bolsonaro levou quase 4 milhões de votos a mais que Lula em São Paulo e no Rio de Janeiro. Nos dois estados, no entanto, Bolsonaro filho está hoje empatado com Lula. Precisa de uma mãozinha local e, para isso, aposta no conservadorismo do interior paulista e na máquina que está nas mãos do governador. Os caminhos levam a Tarcísio. Mas, como se diz por aí, o governador faz a egípcia.
A batalha decisiva, por Malu Gaspar
O Globo
A guerra mais sangrenta e decisiva para o
resultado da eleição presidencial não se dará no horário eleitoral, nas redes
sociais ou nos debates, mas no Supremo Tribunal Federal (STF),
onde tramitam os casos Dark Horse e Lulinha. O ritmo de cada um e as revelações
produzidas daqui para a frente não definirão só quem tem mais chance de vitória
numa eleição pautada pela rejeição, mas também com quem ficará o domínio do
tribunal.
À primeira vista, tudo se resume a uma disputa de poder. Se der Lula, a ala de que fazem parte Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Gilmar Mendes tende a emplacar aliados nas três vagas que se abrem até o fim do próximo mandato com as aposentadorias de ministros, mais a de Luís Roberto Barroso, que continua indefinida com a derrota de Jorge Messias no plenário do Senado Federal. A vitória de Flávio Bolsonaro faria o Supremo pender à direita e empurraria o centro de gravidade na direção do ministro André Mendonça, que detém ao mesmo tempo a relatoria dos casos do Banco Master e do INSS.
Razões da deflação de agosto e o futuro próximo, por Míriam Leitão
O Globo
A deflação de agosto é uma boa notícia, mas pode não se repetir nos próximos meses. O fato é que não há sombra de descontrole inflacionário
A inflação deu ontem um refresco num país
premido por urgências e números preocupantes. O IPCA-15 registrou uma deflação
de 0,4%. Os preços caíram em quase todos os segmentos, inclusive o de
alimentação, com vários preços encolhendo, mas o mais importante para os
economistas é que a inflação de serviços está cedendo. Há uma razão específica
que ajudou a levar para a deflação: o bônus de Itaipu. Mesmo assim, o efeito
baixista foi geral.
O bônus de Itaipu é um recurso proveniente da sobra dos resultados da hidrelétrica binacional, dividido meio a meio entre o Brasil e o Paraguai. Aqui, ele se transforma num desconto na conta de luz. Não explica toda a deflação, mas em parte sim. Só que isso acontece uma vez e, no mês de setembro, a tendência é subir, exatamente pela comparação do preço de um mês com o do mês anterior.
quarta-feira, 26 de agosto de 2026
O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões
Medir eficácia deve ser condição para incentivo tributário
Por O Globo
Governo não pode abrir mão de 7% do PIB em
impostos sem ter garantia de que não há desperdício de recursos
As isenções e os incentivos tributários somaram R$ 96 bilhões no primeiro trimestre. A previsão é o governo perder R$ 400 bilhões em arrecadação até dezembro, de acordo com dados da Declaração de Incentivos, Renúncias, Benefícios e Imunidades de Natureza Tributária (Dirbi). Esse termômetro da Receita Federal leva em conta apenas os incentivos concedidos ao setor produtivo e mede os benefícios que as empresas dizem ter usufruído. O custo total é muito maior.
Perigos do “Triângulo das Bermudas” (SP, MG e RJ) desafiam campanhas de Lula e Flávio, por Luiz Carlos Azedo
Correio Braziliense
Os três estados concentram parcela decisiva do
eleitorado e podem engolir qualquer vantagem construída no restante do país. O
equilíbrio nacional está assentado em grandes assimetrias
“Um dia de cada vez”, máxima consagrada pelos Alcoólicos Anônimos, aplica-se
sob medida às campanhas dos dois candidatos que polarizam a eleição
presidencial: Luiz Inácio Lula da Silva, que pleiteia a reeleição, e Flávio
Bolsonaro, herdeiro político do ex-presidente Jair Bolsonaro. A sucessão de
fatos negativos produz oscilações nas pesquisas e obriga os marqueteiros das
duas campanhas a ter menos ansiedade com o futuro e mais atenção aos problemas
do presente, sobretudo àqueles aparentemente pequenos, mas capazes de assumir
grandes proporções.



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