O Estado de S. Paulo
Os desdobramentos dos inquéritos envolvendo o
empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, preocupam cada vez mais o
comando da campanha do presidente Lula à reeleição. A equipe petista não sabe o
que está por vir e, para se desviar da crise, aposta no crescimento das
denúncias contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal adversário do
presidente, a partir do dia 28, quando começa a propaganda no rádio e na TV.
Nos bastidores da campanha de Lula há um clima de constrangimento e apreensão. “É dolorido para nós”, disse à coluna um dos principais auxiliares do presidente, sob a condição de anonimato. O discurso oficial é que todos serão investigados, “doa a quem doer”. Mas, como na política a melhor defesa sempre parece ser o ataque, a cobrança do governo e do PT se volta agora para o ministro do STF André Mendonça.
O magistrado é relator de dois dos três
inquéritos contra Lulinha e também do caso sobre o filme Dark Horse, que conta
a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. Flávio, o candidato, pediu R$ 134
milhões a Daniel Vorcaro, do Banco Master, e disse que o dinheiro era para
financiar o longa. A PF desconfia que Dark Horse, na verdade, não era bem um
filme, mas, sim, um subterfúgio com o objetivo de angariar recursos tanto para
a campanha do senador como para bancar despesas do deputado cassado Eduardo
Bolsonaro nos EUA.
Embora Mendonça tenha autorizado essa
investigação, o comitê de Lula afirma que o ministro e uma ala da PF agem com
“dois pesos e duas medidas” para prejudicar o presidente.
Lulinha é alvo de inquéritos por tráfico de
influência para obter vantagens no governo, ao lado da amiga Roberta
Luchsinger, que trabalhava como lobista para Antônio Carlos Camilo Antunes, o
“Careca do INSS”.
As suspeitas derrubaram Marco
Aurélio Ribeiro, o Marcola, que era chefe de
gabinete de Lula e recebeu pagamentos de Roberta. Disse ser um empréstimo.
O Palácio do Planalto entrou em alerta, no
entanto, porque a empresária e Lulinha não se reuniram apenas com Marcola.
Estiveram com Swedenberger Barbosa, o Berger, à época secretário-executivo do
Ministério da Saúde e hoje chefe do Gabinete Adjunto de Lula.
Roberta tentou fechar contrato com o
ministério para a venda de medicamentos à base de canabidiol, sem licitação, e
enviou até mesmo uma minuta do documento para Marcola. Nada, porém, foi
adiante. Em troca de mensagens com Lulinha, obtida pela PF, ela reclamou e
disse que Berger fazia corpo mole. “Nosso futuro é Suíça”, escreveu a
empresária.
Para quem não se lembra, Roberta é neta do
ex-banqueiro suíço Peter Paul Luchsinger. Em 2017, chegou a fazer uma doação de
R$ 500 mil para ajudar Lula, que havia tido dinheiro e bens bloqueados pelo
então juiz da Lava Jato Sérgio Moro. Roberta não é e nunca foi uma estranha no
ninho petista. Ex-filiada ao PCdoB, ela sempre circulou com desenvoltura nas
fileiras do PT.

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