quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Adeus à pechincha na feira, por Fábio Alves

O Estado de S. Paulo

Movimento de queda nos preços dos alimentos deve perder força a partir deste mês

Aqueda nos preços dos alimentos em magnitude maior do que o mercado estimou nos meses de junho e julho foi um dos fatores que mais contribuíram para puxar para baixo a inflação corrente. Essa surpresa levou os investidores a precificar cortes de juros, endossando as últimas decisões do Copom, a despeito de expectativas inflacionárias de longo prazo ainda desancoradas e de elevadas incertezas nos cenários doméstico e externo.

Mas agosto poderá marcar a virada no custo de produtos agropecuários, como vêm mostrando as prévias dos índices de preços no atacado (como o IGP-M, da Fundação Getulio Vargas), e, com isso, resultar em maior pressão no item “alimentação no domicílio” nas próximas leituras da inflação ao consumidor.

Em junho e julho, conforme o IBGE, o item “alimentação no domicílio” do IPCA registrou deflação de 0,39% e de 1,14%, respectivamente. Em junho de 2025, por exemplo, em vez de deflação, houve alta de 0,39%. Em julho do ano passado, também houve queda, mas bem menor do que neste ano: 0,33%. Ou seja, o alívio sazonal nos preços dos alimentos, em 2026, foi muito mais intenso do que os analistas vinham projetando. Não fosse a deflação em “alimentação no domicílio”, a alta de 0,07% do IPCA em julho teria sido maior, de 0,25%.

Na realidade, a inflação ao consumidor acabou corroborando o que já tinha sido captado pelo IPA-Agropecuário no IGP-M, que recuou 0,97%, em junho, e 1,74% em julho. O preço da batata-inglesa no atacado caiu quase 30% no mês passado, enquanto o do tomate recuou mais de 36%. Para agosto, esse quadro deve mudar.

O economista sênior da 4intelligence, Fabio Romão, projeta um avanço de 0,42% no IPA-M em agosto, puxado por uma alta estimada de 2,02% nos preços dos produtos agropecuários. Com isso, o IGP-M subiria 0,36% em agosto, ante a deflação de 1,16% em julho.

“As altas esperadas nos preços de frutas, carnes, cereais, leguminosas e oleaginosas, como o arroz, além de deflação menor em tubérculos, raízes e legumes, como batata-inglesa e tomate, sinalizam que o período mais intenso de quedas em alimentação no domicílio ficou para trás, diz Romão. Ainda assim, ele projeta uma queda de 0,10% em “alimentação no domicílio” do IPCA de agosto – mais modesta em comparação com os últimos dois meses.

O alívio à inflação deste mês virá de outros fatores, como o bônus de Itaipu, que reduzirá as contas de luz. Romão prevê leve queda de 0,04% no IPCA em agosto. Mas, a partir de setembro, a pressão sobre os preços de alimentos voltará a preocupar.

 

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