sábado, 12 de setembro de 2026

Sobre como se blinda, por Carlos Andreazza

O Estado de S. Paulo

A sessão do Supremo marcada para 15 de setembro tem como fundamento uma mentira: a de que seria competência exclusiva do plenário autorizar investigação contra ministro. Isso inexiste na Lei e no Regimento do STF – invenção destinada a tornar ainda mais difícil o impossível.

Este artigo parte de um pressuposto: o de que o Supremo não autorizará investigação contra Alexandre de Moraes; consultor de Vorcaro sobre se o banqueiro com ordem de prisão expedida contra si – sabedores ambos dessa informação sigilosa, que discutiam – deveria fugir do País. O cronista quer estar errado. Nunca um ministro do STF foi investigado. Não será esta composição do tribunal a fazê-lo.

Em fevereiro, numa reunião clandestina, os ministros pactuaram por proteger Dias Toffoli. Tinham diante de si um relatório da PF que esmiuçava a relação do colega com Vorcaro e uma arguição de suspeição contra ele. Optaram, todos sabendo do que se tratava, por classificar o documento como “lixo jurídico”.

Foi nessa ocasião que Dino declarou que só por motivo de estupro ou pedofilia admitiria arguição contra um par. Naquela

ocasião, o Supremo de Fachin decidiu pela solução puxadinho em que Dias Toffoli renunciaria à relatoria do caso Master; que passaria a Mendonça, desde então omisso sobre o que a PF apresentara relativamente ao amigo. Um relatório formal, da mesma natureza daquele sobre Moraes, assinado pelos mesmos delegados, merecedor de atenção nenhuma.

Isso será instrumentalizado para catimbar. As prioridades de Mendonça – e a facilidade como se pode fazer de Dias Toffoli um boi de piranha – já ofertando condições para que a imparcialidade do relator seja questionada. Haverá uma blitz por suspeição generalizada. E haverá Gonet, confrade no clube do uísque de Vorcaro, que não viu razão para a prisão preventiva do obstrutor de Justiça, mui à vontade para se manifestar pela nulidade do relatório da PF que documenta a saudade que o PGR sentia do banqueiro “matador”.

O pressuposto pode ser refinado: o Supremo nem sequer chegará a deliberar sobre se investigação contra Moraes deveria ser aberta. A questão sendo como a Corte constitucional procederá para que não investigado seja um dos seus. Os termos da blindagem são negociados agora, articulando-se todos os zanins, tentada a embolação xandônica de julgamentos. As preliminares – as barragens de fachada processual – estão erguidas e se avolumam.

Fachin pode ter ofertado mais uma senha à suspensão. Ao solicitar a Mendonça que remetesse aos ministros todos os procedimentos contidos na investigação sobre o Master, estabeleceu conexão entre esses milhares de arquivos e a petição que será julgada. O imenso volume, associado à escassez de tempo, forjaria o pretexto para pedido de vista. Visto está o jogo. Será inflexão na história do Brasil se se superar o teatro dos vícios. •

 

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