sexta-feira, 11 de maio de 2012

CPI em evolução:: Hélio Schwartsman

Se Franz Kafka (1883-1924) inovou a literatura ao fazer com que seu personagem Joseph K. enfrentasse um processo judicial sem nem mesmo saber do que era acusado, a CPI do Cachoeira revolucionou os princípios da investigação, ao criar uma situação em que os próprios investigadores não têm acesso às evidências que devem analisar.

Por mais bizarro que seja o resultado, ele tem uma explicação coerente. Essa e outras incongruências da CPI decorrem do fato de ela ter-se convertido numa arena em que duas lógicas opostas estão em disputa.

A melhor analogia vem da biologia. No nível da seleção de grupo, não interessa a nenhum dos grandes partidos uma apuração muito completa. O ideal mesmo seria encontrar meia dúzia de bodes expiatórios -de preferência, não dos mais graúdos- e sacrificá-los o quanto antes.

O problema com a seleção de grupo é que ela não é lá muito estável. É sempre possível encontrar entre os membros das comunidades um ou mais indivíduos particulares para os quais trair os interesses coletivos pode trazer significativas vantagens adaptativas. Seria o caso de um parlamentar que pretenda reeleger-se como paladino da CPI ou de alguém que, para safar-se de uma encrenca jurídica ou apenas evitar um dano maior à imagem, esteja disposto a romper com a lógica gregária.

A própria CPI só teve início porque as denúncias contra o senador Demóstenes Torres pareceram ao ex-presidente Lula e a alguns dos réus no mensalão uma ocasião propícia para ampliar sua aptidão inclusiva.

Para a maioria dos cidadãos que não fazemos parte de nenhum dos partidos e grupos metidos na disputa, resta torcer para que interesses individuais prevaleçam e as forças que atuam para limitar a CPI sejam derrotadas. Excluídos cenários extremos e bastante improváveis em que a governabilidade e as próprias instituições se veriam ameaçadas, quanto mais sujeira vier à tona, melhor.

FONTE: FOLHA DE S. PAULO

Democracia e corrupção:: Marina Silva

O povo brasileiro vê mais um escândalo de corrupção e já não sabe o que sente, se indignação ou fastio. Muitos já não têm esperanças de que esse triste e repetitivo espetáculo um dia termine.

Desta vez, as informações divulgadas -a famosa pontinha do iceberg- nos dão uma visão estarrecedora: algumas das instituições mais importantes do país e até partes da sociedade estão permeadas por relações ilegais, dinheiro ilícito, tráfico de influência e até sequestro e extorsão.

Nos comentários, aqui e ali despontam expressões como "máfia" e "Cosa Nostra", representando um poder criminoso oculto incrustado em parte da própria estrutura do Estado e da sociedade.

É como se as estantes da sala ostentassem livros e objetos de fina arte intactos apenas em sua aparência, mas corroídos, desde as paredes, por traças e cupins. O Congresso, ministérios, governos estaduais, tribunais, polícia, empresas e até parte da imprensa dão sinais de infiltração e contaminação.

A democracia brasileira, que custou tanto esforço e sacrifício, é usada pelos operadores de tais esquemas como verniz para manter as aparências. E o mais preocupante é que o próprio processo de descoberta, investigação e punição do crime parece destinado a administrar o mal em vez de erradicá-lo.

A Comissão Parlamentar de Inquérito sobe ao palco para representar uma disputa política que, num ano eleitoral, estende-se pelas metrópoles e pelo interior levantando novas vestais e derrubando novos vilões, mas tudo rápido e passageiro, pois os grandes partidos -da situação e da oposição- estão envolvidos e, no próximo ano ou na próxima eleição, teremos outra montagem.

Velhos atores paramentam-se para novos papéis, trocam de lugar -acusadores passam a ser acusados- e acrescentam mais uma peça a seus currículos. Uma ópera-bufa, uma comédia de terror.

Não podemos perder as esperanças de que tudo isso resulte em avanços e aperfeiçoamento dos processos, de que as instituições corrijam e, sobretudo, previnam os sistemas de corrupção. Mas isso só será possível se pararmos de tratar a corrupção como se fosse um problema do governo que está de plantão, e passarmos a tratá-la como um problema a ser determinadamente enfrentado por todos os cidadãos e cidadãs de nossa nação.

Foi assim que reconquistamos nossa democracia e, em que pese os muitos aprendizes de feiticeiro, estabilizamos nossa economia, bem como diminuímos os índices inaceitáveis de pobreza, que por si só constituíam a maior denúncia do modelo concentrador e excludente de nossa economia.

É essa força da sociedade que nos livra de criarmos uma geração inteira sob o signo da conivência e da acomodação.

FONTE: FOLHA DE S. PAULO

Sinais de desarrumação:: Celso Ming

Há algumas semanas a economia brasileira vem passando certos sinais de desarrumação.

Não dá mais, por exemplo, para continuar afirmando que a inflação não é problema. O avanço do IPCA de abril, de nada menos que 0,64% (foi de 0,21% em março), e, mais do que isso, o nível de difusão dessa alta (63%) mostram que ela não pode ser atribuída apenas à estocada dos preços dos cigarros - como sugeriu ontem o ministro da Fazenda, Guido Mantega.

A primeira prévia do IGP-M de maio também apontou uma guinada forte dos preços no atacado (de 1,15%). E, como o atacado de hoje tende a ser o varejo de amanhã, em consequência desse fator alguma inflação adicional está encomendada.

A força das remarcações no atacado, por sua vez, reflete em alguma medida a escalada das cotações do dólar no câmbio interno, de 6,5% nas últimas cinco semanas, induzidas por ação do Banco Central.

A ânsia por puxar pela desvalorização do real parece ter impedido o governo Dilma de entender que, nos dois últimos anos, a indústria ficou muito mais dependente das importações. Para enfrentar custos crescentes dos fatores de produção, sobretudo da mão de obra, o setor industrial recorreu mais pesadamente às importações de matérias-primas, insumos, peças e conjuntos. A alta do dólar no câmbio interno criou um custo adicional de produção que está sendo repassado quase automaticamente para os preços finais.

Essa nova alta de preços vai sendo desenhada num ambiente em que o consumo cresce entre 5% e 6% ao ano sem contrapartida da atividade econômica, que vai ficando para trás.

Por falar nisso, a presidente Dilma enfrenta agora a perspectiva de não poder entregar, pelo segundo ano consecutivo, o crescimento econômico anual prometido, desta vez entre 4,0% e 4,5%. O discurso oficial ainda conta com essas projeções. Mas o mercado, consultado semanalmente pelo Banco Central por meio de sua Pesquisa Focus (que atinge cerca de 100 instituições), já trabalha com crescimento do PIB para 2012 de só 3,2%. Mas um punhado de analistas passou a projetar números inferiores a 3,0%. O mau desempenho da indústria, reafirmado por um punhado de estatísticas de origens diversas, parece confirmar essa percepção.

Em outras palavras, o comportamento insatisfatório do setor produtivo vai mostrando os limites da atual política econômica voluntarista da presidente Dilma, construída com sucessão de puxadinhos e expedientes improvisados. Parece mais difícil agora esticar a alta do dólar e derrubar os juros para elevar a competitividade da indústria.

Essa desarrumação foi ontem enfaticamente desmentida pelo ministro Guido Mantega. Mas está cada vez mais difícil confiar nas declarações dele, ultimamente contrariadas pelos fatos. O último objeto dos reiterados desmentidos do ministro foram as mudanças nas cadernetas. Mantega argumentava que não havia o que alterar nas regras das cadernetas, porque não detectara migração significativa de aplicações dos fundos de renda fixa para elas. Agora, insiste em que a alta do dólar no câmbio interno não provoca inflação relevante. Tomara que o ministro esteja certo e que, no final deste ano, possa comemorar um crescimento do PIB de ao menos 4,5%.

FONTE: O ESTADO DE S. PAULO

Novos elementos:: Míriam Leitão

O sistema de metas de inflação mudou, na visão do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini. Ele acha que a crise fortaleceu o sistema de metas, tanto que este ano os Estados Unidos e o Japão adotaram o modelo explicitamente. Ao mesmo tempo, mudou a interpretação de como ele deve funcionar. "A estabilidade de preços é condição necessária mas não é condição suficiente", diz o presidente do BC.

Tombini falou isso no seminário de ontem do Sistema de Metas de Inflação, um encontro que acontece anualmente no Rio e que reúne a diretoria do BC e economistas de bancos, empresas e consultorias. Na visão dele, é preciso que o Banco Central também garanta a estabilidade financeira. A crise nos países desenvolvidos explodiu depois de longo tempo de inflação baixa, crescimento econômico pouco volátil e juros baixos. Segundo Tombini, isso pode ter levado os agentes econômicos a assumir riscos excessivos.

Essa reflexão ele fez num momento em que há muita dúvida sobre se o Banco Central atual tem autonomia para elevar os juros se necessário for. Uma coisa, certamente, não mudou: a inflação continua desafiadora. Quem duvida deve olhar o gráfico abaixo: ele mostra que produtos afetados pelo dólar, os bens duráveis, ajudaram a puxar o índice para baixo. Estão em deflação de 2,65%. Os serviços, que são preços que não sofrem concorrência externa nem são afetados pelo dólar, estão em alta de 8%.

O governo se esforçou para que o dólar subisse - com imposto à entrada de capital e restrição às importações - e a moeda americana teve alta de 7% nos últimos 30 dias. Isso significa que os produtos impactados pelo moeda americana podem ficar mais caros agora.

A alta do dólar e um possível reajuste no preço da gasolina tornam mais difícil para o presidente do BC cumprir o que promete desde o início de seu mandato, que é levar a inflação para o centro da meta no fim de 2012. A inflação no Brasil está em torno de 5%, com perigo de aumentar mais no segundo semestre. A meta é 4,5%. Nos Estados Unidos, a meta é 2%. No Japão, 1%. Na Europa, 2%.

Aqui, no ano passado, o Banco Central comemorou quando ela fechou em 6,5%. Faltam vários umbrais a cruzar no caminho da estabilização no Brasil. A meta tem que ser mais baixa e o BC não pode confundir teto com centro. Se o país quiser mesmo ter juros de primeiro mundo precisa também querer ter inflação de primeiro mundo.

Alguns analistas acreditam que será interrompida a sequência de quedas que levou o IPCA em 12 meses, de 7,3%, em setembro do ano passado, para 5,1%, em abril. Se o IPCA de maio vier acima de 0,47%, o índice em 12 meses voltará a subir.

- A inflação não deve cair abaixo de 5% ao longo deste ano e por dois motivos: a valorização do dólar, que encarece os produtos comercializáveis, e também por questões de safras agrícolas - disse o economista Roberto Padovani, da Votorantim Corretora.

O que mais impressiona é isso acontecer apesar de o nível de atividade estar fraco. O PIB do primeiro trimestre deste ano, que só será divulgado no início de junho, não será muito melhor que os dois anteriores. O economista José Márcio Camargo, da Opus Gestão de Recursos, prevê PIB de 2,8% este ano com inflação de 5%.

- A indústria está fraca há quatro trimestres, e isso vai manter o PIB baixo. Mesmo com a queda dos juros não houve recuperação porque não estamos com problema de demanda, mas sim com um problema de competitividade e produtividade da indústria - disse José Márcio Camargo.

Luis Otávio Leal, do Banco ABC Brasil, acha que a economia cresce pouco pelo impacto da inadimplência, por estoques elevados da indústria e pelas restrições da Argentina aos produtos brasileiros, que afetaram empresas exportadoras no país.

O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, deixou claro o que todo mundo já tinha notado: mudou a forma de o BC se comunicar. Ele será mais direto ao falar com o mercado. Quanto mais transparência, melhor. O que preocupa é a sensação de que o BC procura novas interpretações para esconder o fato de que é mais leniente com a inflação.

- O Dionísio Dias Carneiro tinha uma frase que dizia: o BC deve ser o primeiro dos pessimistas e o último dos otimistas. Nosso Banco Central atual é o contrário disso. Ele gosta de tomar mais risco. Isso significa aumentar o risco da economia como um todo - disse a economista Monica de Bolle, da Galanto Consultoria.

FONTE: O GLOBO

Teoria & prática do BC do Brasil:: Vinícius Torres Freire

Presidente do BC explica em discurso por que e como mudou o modo de lidar com inflação e juros no Brasil

A direção do Banco Central do Brasil tem sido muito criticada pela maioria do "mercado". Por quê?

1) Porque mudou a política vigente de 1999 (início do regime de metas de inflação) a 2010, por aí;

2) Tolera inflação alta por mais tempo do que gestões anteriores;

3) Não se antecipa a altas da inflação esperadas pelo mercado; corre o risco do descontrole de preços;

4) Usa instrumentos "exóticos" a fim de reduzir a taxa de inflação;

5) Comunica suas intenções e políticas de maneira confusa.

O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, respondeu indiretamente a várias dessas críticas. Foi no discurso com que abriu ontem, no Rio, o 14º Seminário Anual de Metas para a Inflação.

Tombini fez uma síntese sumária das novas teoria & prática do BC brasileiro, justificadas em parte pelas mudanças na compreensão do que seja estabilidade financeira e econômica no pós-crise de 2008.

Para resumir, e muito, a conversa, Tombini diz que os BCs têm de ser muito mais cuidadosos no controle de exageros dos mercados em períodos de bonança e estabilidade de preços, excessos que causam bolhas e colapsos catastróficos.

Parece óbvio, mas não era assim que a elite do mundo pensou entre, digamos, 1990 e 2008, pelo menos.

Mas ressalta que a atuação "prudencial" têm também efeitos macroeconômicos: sobre crédito e, pois, preços e ritmo da economia.

Não seria possível, assim, calibrar o nível de juros sem levar em conta o efeito de medidas administrativas de contenção de excessos de crédito e similares (e vice-versa).

O BC leva isso em consideração nos seus processos decisórios.

Ou seja, é possível ter juros menores se foram implementadas medidas "prudenciais" que têm também o efeito de esfriar a economia.

Mais: não é possível tomar decisões sobre juros ou limites de risco e crédito sem também considerar a política fiscal (gastos do governo).

Não se trata de novidade teórica, mas de repensar a prática do BC considerando em detalhe as relações entre medidas "prudenciais", juros e variação do gasto público.

O BC tem sido criticado ainda por variar muito e em pouco tempo os sinais que dá sobre futuras altas e baixas de juros. Entre considerações sobre o tema da comunicação dos BCs, Tombini vai direto ao ponto ao notar que o mundo está volátil demais no pós-crise. Basta ver como têm variado as previsões sobre EUA, China e Europa. Os BCs têm de se ajustar a essa biruta, diz Tombini.

O que Tombini não diz? Primeiro, se o BC pode tomar medidas "prudenciais" sem que elas se imponham devido à necessidade de reduzir riscos. Isto é, usá-las apenas como instrumento alternativo à taxa de juros no controle da inflação.

Segundo, não diz por que, mesmo com expectativas de inflação em alta, o BC não toma medidas, via juros ou outras, a fim de se antecipar a essa possível alta de preços.

Pode ser que o BC estime que o custo de esfriar ainda mais a economia não compense o resultado em termos de baixa da inflação. Pode ser que o BC preveja marasmo ainda duradouro na economia, o que impediria a tal alta da inflação, embora expectativas de mercado e previsões de modelos digam outra coisa. Sim, o pragmatismo do "novo BC" parece muito razoável. Mas, de qualquer modo, faltou explicar.

FONTE: FOLHA DE S. PAULO

Surge, enfim, a Comissão da Verdade

A presidente Dilma Rousseff anunciou ontem, seis meses após ter sancionado a lei que criou a Comissão da Verdade, os sete integrantes que investigarão violações de direitos entre 1946 e 1988. Seis são da área jurídica, incluindo Rosa Maria Cardoso da Cunha, advogada de Dilma durante a ditadura militar.

Dilma anuncia nomes da Comissão da Verdade

Entre os sete escolhidos, seis têm formação jurídica e dois fizeram parte do governo FH; trabalhos começam no dia 16

Evandro Éboli, Luiza Damé, Juliana Dal Piva, Mariana Timóteo e Tatiana Farah.

BRASÍLIA, RIO e SÃO PAULO - Quase seis meses depois de sancionar a lei que cria a Comissão da Verdade, a presidente Dilma Rousseff finalmente anunciou ontem seus sete integrantes. Entre eles está a advogada de Dilma durante a ditadura, Rosa Maria Cardoso da Cunha.

Completam a comissão: José Carlos Dias, ex-ministro da Justiça; Gilson Dipp, ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ); Claudio Fontelles, ex-procurador-geral da República; Paulo Sérgio Pinheiro, advogado e ex-secretário de Direitos Humanos; Maria Rita Kehl, psicanalista e escritora; e José Paulo Cavalcanti Filho, advogado e escritor.

A cerimônia de posse dos integrantes e instalação da comissão ocorrerá na próxima quarta-feira, no Palácio do Planalto, com as presenças dos ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva, José Sarney e Fernando Collor. Todos confirmaram presença, segundo o porta-voz da Presidência, Thomas Traumann.

O Planalto quer dar à Comissão da Verdade - que vai apurar, sem objetivo de punir, a violação de direitos entre 1946 e 1988 - um caráter de órgão de Estado, e não do governo petista. Os nomes serão publicados na edição de hoje do Diário Oficial da União. A presidente fez o convite aos sete pessoalmente ontem à tarde. À noite, todos foram jantar no Palácio da Alvorada.

Entre os escolhidos estão dois ex-auxiliares de FH: o advogado José Carlos Dias, ministro da Justiça de julho de 1999 a abril de 2000, e o diplomata Paulo Sérgio Pinheiro, secretário de Direitos Humanos no governo tucano. Dilma também colocou na comissão o primeiro procurador da República do governo Lula, Cláudio Fontelles (2003/2005).

A comissão terá prazo de dois anos para funcionar, após sua instalação. Seus integrantes receberão salário de R$ 11,2 mil e terão uma assessoria com 14 servidores. Caberá a ela esclarecer os casos de tortura, morte, desaparecimento e ocultação de cadáveres, identificando e tornando públicas as estruturas, locais, instituições e circunstâncias relacionados aos crimes contra os direitos humanos.

Para isso, poderá requisitar informações, dados e documentos, além de convocar pessoas que tenham relação com os fatos analisados e pedir perícias e diligências para coleta ou recuperação de informações, documentos e dados. Não terá, no entanto, poderes para punir.

Perfil dos escolhidos é elogiado por entidades

Após fazerem muita pressão pública pela nomeação da Comissão da Verdade, as entidades ligadas aos ex-presos políticos e às famílias de mortos e desaparecidos na ditadura militar receberam com alívio e animação os nomes dos indicados por Dilma, mas cobram que as investigações do órgão resultem em processos judiciais.

O grupo Tortura Nunca Mais quer que o trabalho da Comissão seja acompanhado pelo Ministério Público Federal (MPF) para processar violadores dos direitos humanos.

- Os crimes de lesa-humanidade são imprescritíveis e, nesses casos, as investigações devem ser levadas à Justiça - disse a diretora do grupo, a jornalista Rose Nogueira.

Rose elogiou o perfil dos escolhidos, dizendo que são pessoas equilibradas, em sua maioria juristas, e conhecedoras do tema.

Ex-preso político, Ivan Seixas, da Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos, também felicitou a escolha de nomes do meio jurídico:

- Foi um período de grandes ilegalidades. Esse caráter jurídico da Comissão é necessário, tem de ter uma centralidade jurídica para analisar esse período. Achei a nomeação perfeita. São sete nomes de pessoas competentes e sérias - disse Ivan.

Para ele, que teve o pai assassinado na tortura, o foco inicial da Comissão deve ser a investigação dos desaparecimentos.

- Mas ditadura não é só morto e desaparecido. É preciso revelar também o conteúdo dos decretos secretos - apontou Ivan.

O procurador regional da República Marlon Weichert, do Grupo de Justiça de Transição, que investiga os crimes da ditadura, elogiou a biografia dos integrantes da Comissão.

- São todos nomes grandiosos. Não há reparo. Todos têm uma biografia que atende aos critérios da lei que criou a Comissão - disse o procurador.

Marlon afirmou que o MPF está preparado para compartilhar informações sobre o assunto com a Comissão.

- É do espírito público a sinergia de esforços- afirmou.

A indicação de Rosa Maria Cardoso da Cunha, que defendeu Dilma na ditadura, foi elogiada por Amélia Teles, uma das fundadoras da Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos e ex-presa política. Rosa Maria também foi advogada dela no período em que esteve presa.

- Ela é uma profissional muito séria, combativa e de imensa responsabilidade. Sempre lutou contra todos os obstáculos daquela época - avaliou Amélia.

Ela, no entanto, faz ressalvas ao funcionamento da Comissão.
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- Os nomes são bons. O problema não é esse. A comissão está engessada com um período longo para investigar em um prazo muito curto - afirmou Amélia Teles.

FONTE: O GLOBO

Filha de desaparecido elogia escolha de integrantes da Comissão

Maíra teixeira

SÃO PAULO - Filha do deputado Rubens Paiva, desaparecido após ser preso por militares em 1971, a psicóloga Vera Paiva elogiou a escolha dos integrantes da Comissão da Verdade.

"É um grupo com pessoas supercompetentes, que conhecem o contexto todo. Em princípio, ficou uma comissão digna, que pode dar conta do desafio", afirmou.

Ela ressaltou, no entanto, que o órgão só conseguirá desempenhar bem seu papel se tiver ter recursos e autonomia. "E acho importante também que um grupo de familiares de presos e desaparecidos políticos acompanhem as investigações", disse.

A presidente do grupo Tortura Nunca Mais, Rose Nogueira, também aprovou as nomeações. Colega de cela de Dilma Rousseff quando as duas foram presas pela ditadura, ela defendeu a nomeação da advogada Rosa Maria Cardoso da Cunha, que defendeu a presidente na época.

"Ela tem um entendimento sensível sobre a questão da tortura e das violações. Na ditadura, pedia que fizessem exames ginecológicos e pedia dentistas para os presos. Ela cuidava de dar um mínimo de dignidade em condições muito difíceis."

O procurador regional da República Marlon Weichert, que era cotado para integrar a comissão, disse que os escolhidos são qualificados para integrar o grupo. "Convivi com muitos deles. São honrados e têm trajetórias de vida pública de grande respeito."

FONTE: FOLHA DE S. PAULO

Na ilha por vezes habitada:: José Saramago

Na ilha por vezes habitada do que somos, há noites,
manhãs e madrugadas em que não precisamos de
morrer.
Então sabemos tudo do que foi e será.
O mundo aparece explicado definitivamente e entra
em nós uma grande serenidade, e dizem-se as
palavras que a significam.
Levantamos um punhado de terra e apertamo-la nas
mãos.
Com doçura.
Aí se contém toda a verdade suportável: o contorno, a
vontade e os limites.
Podemos então dizer que somos livres, com a paz e o
sorriso de quem se reconhece e viajou à roda do
mundo infatigável, porque mordeu a alma até aos
ossos dela.
Libertemos devagar a terra onde acontecem milagres
como a água, a pedra e a raiz.
Cada um de nós é por enquanto a vida.
Isso nos baste.

(in Provavelmente alegria, Editorial Caminho, Lisboa, 1985, 3ª Edição)

quinta-feira, 10 de maio de 2012

OPINIÃO DO DIA – Roberto Gurgel : mensalão

Na verdade, o que nós temos são críticas de pessoas que estão morrendo de medo do julgamento do mensalão. São pessoas que aparentemente estão muito pouco preocupadas com as denúncias em si mesmas, com os fatos, com os desvios de recursos e com a corrupção. Ficam preocupadas com a opção que o procurador-geral, como titular da ação penal, tomou em 2009, opção essa altamente bem-sucedida. Não fosse essa opção, nós não teríamos Monte Carlo, nós não teríamos todos esses fatos que acabaram vindo à tona. Há um desvio de foco que eu classificaria como, no mínimo, curioso.

GURGEL, Roberto, procurador geral da República. Entrevista: ‘críticas são de quem morre de medo do mensalão’ O Globo, 10/5/2012

Manchetes de alguns dos principais jornais do Brasil

O GLOBO
Investigada por desvios, Delta ainda cobra R$ 1 bi de governos
Comissão de Ética criada por Cabral ameaça renunciar
Inflação dá salto e BC pode frear juro baixo

FOLHA DE S. PAULO
Protetores de mensaleiros me atacam, diz procurador-geral
Senado estende seguro-desemprego a toda doméstica
Câmara assume gasto pessoal de deputados com taxa de limpeza
Inflação supera expectativas e sobe em abril

O ESTADO DE S. PAULO
Procurador-geral vê réus do mensalão por trás de ataques
Serra tem 31% e Haddad, 3%, na primeira pesquisa Ibope
Inflação pelo IPCA triplica em abril e vai a 0,64%
Dólar preocupa o governo

VALOR ECONÔMICO
Em negócio inusual, J&F vai gerir Delta sem pagar nada
Depósito judicial ajuda o superávit
Massa salarial já subiu 6,2% no ano
Governo pode reduzir compulsórios
Concessão de rodovias deve ser prorrogada

CORREIO BRAZILIENSE
Senado acaba com 14° e 15° salários
Procurador negocia para depor por escrito
STF define regras de julgamento
Remuneração de ministros do Supremo deve chegar a R$ 32.147
Seguro contra desemprego para doméstica

ZERO HORA (RS)
Estrutura precária atrasa ampliação de voos no Interior
Senado aprova Lei Geral da Copa

JORNAL DO COMMERCIO (PE)
Agreste vai receber duas megafábricas
Seca atinge bacia leiteira do Estado
Lei da Copa só depende de Dilma
Novo benefício para empregado doméstico

O que pensa a mídia - editoriais dos principais jornais do Brasil

http://www2.pps.org.br/2005/index.asp?opcao=editoriais

Um dos donos da 'nova' Delta tem planos de disputar o governo de Goiás

José Batista Júnior diz que está longe da direção da empresa e não vê conflito

Flávio Freire

LIGAÇÕES PERIGOSAS

SÃO PAULO. Há menos de um ano filiado ao PSB de Goiás, José Batista Junior, um dos seis irmãos da família Batista, a controladora da J&F Holding, já tem planos definidos na esfera política. Mantido o entusiasmo que existe hoje no partido, Junior, integrante do Conselho de Administração da JBS, pretende se candidatar ao governo do estado em 2014. Com isso, terá de mudar de lado no balcão eleitoral. Depois de sua empresa doar R$ 12 milhões à direção nacional do PT e ao comitê financeiro da campanha de Dilma Rousseff, em 2010, ele agora buscará apoiadores na disputa à sucessão do tucano Marconi Perillo. A JBS é a maior processadora de carnes do mundo.

A proximidade com a política também levou a JBS naquele mesmo ano a fazer doações de R$ 6 milhões ao comitê presidencial da campanha de José Serra. A empresa também ajudou, em volumes menores, outros vários partidos, como DEM, PMDB, PRB, PMN, entre outros. Ainda, há dois anos, a JBS doou R$ 1,5 milhão ao PSB, partido ao qual se filiaria em 8 de junho de 2011. Além disso, a processadora foi uma das patrocinadoras do filme "Lula, o filho do Brasil", sobre a história do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Ontem, Junior passou o dia na sede do diretório estadual do partido, em Goiânia. Já acerta detalhes de sua entrada na corrida sucessória. Informalmente, ele tem discutido com correligionários de que forma sua eventual campanha poderá ser beneficiada pelo desgaste que Perillo sofreu ao ter seu nome envolvido com o contraventor Carlos Cachoeira, que atuaria como representante da Delta Construções ajudando a negociar contratos com órgãos públicos. Curiosamente, a J&F Holding, que controla o frigorífico JBS, confirmou ontem que irá assumir a gestão da Delta.

No PSB, a possível indicação de Junior para concorrer ao governo goiano é comemorada. Indagado por que Junior seria o melhor nome para disputar o cargo em nome do partido, o presidente estadual da legenda, Barbosa Neto, evocou o sucesso do empresário.

- Ele presidiu por 25 anos uma empresa inserida em cinco continentes, Depois de ter passado por São Paulo e pelos Estados Unidos, voltou para o seu estado só para desempenhar um papel político. - disse Neto.

Nascido em Anápolis, 52 anos, Junior vive hoje em Goiânia com a família. Em meio à compra da Delta por seu grupo, ele evita contato com a imprensa. Ontem, mesmo ao lado de Barbosa Neto numa reunião partidária, não atendeu ao pedido de entrevista do GLOBO.

À época de sua filiação ao PSB, deixou claro que seu objetivo é ajudar na estruturação do partido e que não via conflito de interesses entre a prática político-partidária e o trabalho a frente de sua empresa, principalmente em razão das doações. Ele disse que há seis anos é apenas acionista da JBS e que cinco irmãos dirigem o grupo, além de estar sem ligação direta com a a empresa há quase dez anos.

FONTE: O GLOBO

J&F Holding confirma que vai assumir a gestão de empreiteira

Decisão será tomada após auditoria sobre ativos e contratos da empresa

Gustavo Uribe

SÃO PAULO. A J&F Holding, grupo que controla o frigorífico JBS, confirmou ontem que assumirá, a partir da próxima semana, a gestão da Delta Construções, empresa no epicentro de denúncias envolvendo o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Em nota, a J&F Holding afirmou que a decisão de adquirir a empreiteira será tomada após auditoria sobre os seus ativos e contratos, processo que será realizado nos próximos meses e que estabelecerá o valor a ser pago pela empresa, que atualmente corre o risco de ser declarada inidônea. A expectativa é que essa verificação seja concluída em até 60 dias.

A Controladoria Geral da União (CGU) identificou indícios de possível tráfico de influência e corrupção de servidores públicos em contratos firmados entre a construtora e o governo federal. A Delta ainda é a principal empresa nas obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Procurada, a J&F Holding não se pronunciou sobre o motivo de assumir o controle de uma empreiteira investigada por suspeitas de irregularidades. O BNDES detém 31,41% do capital da JBS, principal empresa sob o controle da J&F Holding, responsável por 96,6% da receita líquida do grupo (de R$ 62,7 bilhões).

O contrato preliminar, assinado na segunda-feira entre a J&F Holding e a Delta Construções, resguarda os novos gestores, até a conclusão da auditoria, de qualquer responsabilidade sobre os contratos vigentes. A Delta Construções apresenta atualmente, segundo projeções, mais de 200 contratos . O acordo dá direito à nova gestora de realizar substituições na estrutura administrativa da empreiteira, incluindo os cargos de presidente, diretores e conselheiros.

A J&F Holding informou que o novo presidente da Delta Construções será anunciado nos próximos dias e negou a informação de que o ex-presidente do Banco Central (BC) Henrique Meirelles, presidente do conselho consultivo da holding, exercerá algum cargo ou função na gestão da empreiteira.

As negociações para a venda da Delta Construções se estenderam por duas semanas, conduzidas por Joesley Batista (presidente da J&F) e Meirelles e por Fernando Cavendish, presidente licenciado da Delta Construções.

"Nosso objetivo é honrar os contratos que serão auditados e preservar os mais de 30 mil empregos da Delta Construções", afirmou, por meio de nota, Joesley Batista.

A J&F Holding informou que o controle da Delta Construções não envolve pagamento aos seus antigos controladores e especificou que, caso a venda seja concretizada, os recursos da distribuição dos dividendos futuros da Delta Construções serão utilizados no pagamento da empresa. Na nota, ela ressaltou que "não haverá necessidade de utilização de recursos próprios ou de terceiros para financiar a operação de compra".

A provável aquisição da empreiteira pela holding representa a expansão dos negócios da J&F para o ramo da construção civil. O grupo possui atualmente participações em empresas de alimentos, celulose, higiene, limpeza e concessão de crédito ao agronegócio, entre outros. O mercado financeiro já vinha apostando em um acordo para esta semana entre a construtora e a holding, com a divulgação de um comunicado.

"Já presente no mercado de commodities, com JBS e Eldorado, no mercado interno de consumo, com Flora e Vigor, e no setor financeiro, com Banco Original, a entrada da J&F Holding no setor de infraestrutura consolida a sua presença em áreas dinâmicas da economia brasileira, fundamentais para o desenvolvimento econômico do país", disse Henrique Meirelles por meio de nota.

FONTE: O GLOBO

BNDES é sócio da principal empresa da holding

Banco estatal tem 31% da JBS, a maior produtora de carne do mundo; grupo assumirá a Delta, acusada de desvios

Márcio Beck, Ronaldo D"Ercole

LIGAÇÕES PERIGOSAS

RIO e SÃO PAULO. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) é sócio, com mais de um terço de participação, do principal empreendimento da holding J&F Participações: a empresa de proteína animal (carnes) JBS S.A., formada em setembro de 2009 a partir da associação com a Bertin, outra empresa do segmento. O banco informou que não tem participação acionária na J&F Participações nem concedeu financiamento à holding. Esclareceu que participa exclusivamente, com 31,4%, da JBS S.A, e que financia R$ 1,4 bilhão em investimentos na atividade produtiva da empresa, em operações contratadas entre 2008 e 2011.

O banco informou que usa recursos de giro para atuar no setor de frigoríficos, tendo como principal estratégia a subscrição de ações ou debêntures conversíveis - papéis que podem ser trocados por ações de uma empresa - por meio da sua subsidiária BNDESPAR. Desta forma, o banco liberou R$ 8,1 bilhões desde 2007, em quatro operações com a JBS. A maior delas foi a aquisição de R$ 3,5 bilhões em debêntures para reforçar a estrutura de capital da JBS após a aquisição da Pilgrim"s Pride pela JBS USA e a incorporação da Bertin S.A.

Além disso, o BNDES também aprovou, em junho do ano passado, financiamento de R$ 2,7 bilhões para a Eldorado Celulose e Papel, outra companhia do grupo. O empréstimo do BNDES corresponde a 53% da primeira linha da maior fábrica de celulose do mundo, que está sendo construída no município de Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul. A expectativa é que a unidade comece a operar em novembro, produzindo 1,5 milhão de toneladas por ano de celulose branqueada de eucalipto. O volume de recursos representa quase 20% dos R$ 14 bilhões desembolsados pelo banco para o setor nos últimos dez anos.

A Eldorado, segundo projeção do Banco Original, instituição financeira do grupo JBS, terá receita líquida de R$ 2 bilhões em 2013.

Nascido em 1953 de um pequeno açougue - a Casa de Carnes Mineira, na cidade de Anápolis, em Goiás -, o grupo JBS passou a voar alto na década passada. O fundador do negócio, José Batista Sobrinho, o Zé Mineiro, com a ajuda dos filhos José Júnior, Joesley e Wesley, passou ao longo dos anos a adquirir pequenos abatedouros e frigoríficos e, com a marca Friboi, no início dos anos 2000, já era um dos maiores produtores de carne bovina do país.

Internacionalização começou em 2005

A compra da Swift Argentina, em 2005, foi o ponto de partida na internacionalização do grupo. Dois anos depois, já contando com 21 unidades de produção de carne aqui, outras cinco na Argentina e capacidade de abate de 20 mil cabeças de gado por dia, o grupo foi à Bolsa de Valores e captou R$ 1,5 bilhão com o lançamento de suas ações no mercado.

O caixa reforçado abriu caminho para novas aquisições. De uma tacada, arrematou a Smithfield Fiverivers e a Tasman, tornando-se líder na produção de carne também nos Estados Unidos e na Austrália. Em 2008, criou o banco JBS, seu braço no setor financeiro.

Mas a vertiginosa expansão dos negócios da família Batista, sempre com o BNDES como principal financiador, chegaria ao ápice em 2009, quando o grupo anunciou a compra da Pilgrin"s Pride, um dos líderes do segmento de frangos nos Estados Unidos, e a fusão das operações da JBS Friboi com a Bertin, um dos principais concorrentes no mercado nacional de carne bovina.

Fusão com Bertin ampliou negócios

Na fusão com o grupo Bertin, a JBS incorporou também os ativos das áreas de lácteos (a Vigor) e de beleza e cosméticos (das marcas Albany, OX e Neutrox). E, em vez de pagamento em dinheiro, a família Bertin ganhou participação acionária no bloco de controle da JBS S.A.. Os Bertin são sócios dos Batista na JB Participações (com 40% e 60% do capital cada, respectivamente). Com 46,9% das ações da JBS, é a JB que escolhe seus executivos e define as estratégias de negócio da empresa.

O BNDES socorreu a JBS na operação de compra da Pilgrin"s, depois que a crise de 2008 inviabilizou uma emissão de ações da JBS nos Estados Unidos, que seria usada para pagar os acionistas da empresa americana. O banco tem hoje 31% do capital acionário da empresa.

No ramo financeiro, o grupo contou recentemente com um empurrão do Fundo Garantidor de Crédito (FGC, mantido pelos bancos privados) para incorporar o banco Matone. Em novembro do ano passado, o FGC injetou R$ 850 milhões para equilibrar o balanço do Matone, antes de ele ser comprado. Dessa união nasceu o banco Original, novo braço financeiro da holding J&F.

Empresa busca liderança no setor de celulose

Apesar da diversificação do grupo, o negócio de carnes continua sendo a principal atividade. No ano passado as receitas líquidas da JBS representaram 96,6% do faturamento da holding. O negócio de carnes deve perder peso com o início da operação da fábrica de celulose que a J&F inaugura no fim do ano, em Três Lagoas (MS), na qual está investindo R$ 6,2 bilhões, para tornar-se um dos líderes mundiais da commodity. A expectativa é que a unidade comece a operar em novembro.

FONTE: O GLOBO

Procurador-geral vê réus do mensalão por trás de ataques

Alvo da base aliada na CPI do Cachoeira, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, acusou os réus do mensalão de serem os mentores dos ataques contra ele. Parlamentares envolvidos na investigação contra a organização criminosa chefiada por Carlinhos Cachoeira afirmam que o procurador-geral prevaricou, pois havia indícios das ações de Cachoeira e de seus elos com políticos desde 2009, na chamada Operação Vegas, da Polícia Federal. Sem apontar um responsável, Gurgel afirmou que é "notório" quem seria o principal interessado nas críticas, mas negou-se a responder se seria o ex-deputado José Dirceu, acusado pelo Ministério Público de ser o "chefe da quadrilha" que operou o mensalão. As críticas, insinuou o procurador, seriam uma estratégia de réus do mensalão para fragilizar a acusação e seus julgadores - ministros do Supremo Tribunal Federal

Na mira da CPI, Gurgel reage e diz ser vítima de ofensiva dos réus do mensalão

Caso Cachoeira. Diante da ameaça de ser convocado a depor na Comissão Parlamentar de Inquérito e acusado de prevaricação, procurador-geral da República diz que ataques contra ele são movidos por quem está "morrendo de medo do julgamento" no Supremo

Felipe Recondo, Eugênia Lopes

BRASÍLIA - Alvo da base aliada na CPI do Cachoeira, especialmente do PT, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, acusou ontem os réus do mensalão de serem os mentores de ataques contra ele. Parlamentares envolvidos na investigação contra a organização criminosa chefiada por Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, afirmam que o procurador-geral prevaricou, pois havia indícios das ações de Cachoeira e de seus elos com políticos desde 2009, na Operação Vegas, conduzida pela Polícia Federal. Questionado se o principal interessado em fomentar as críticas contra ele seria o ex-ministro José Dirceu, Gurgel reagiu, sorrindo: "Eu acho que é notório. Fatos notórios independem de prova". Dirceu foi apontado pelo Ministério Público como o chefe da quadrilha do mensalão. "Eu tenho dito que na verdade o que nós temos são críticas de pessoas que estão morrendo de medo do julgamento do mensalão", afirmou Gurgel. "Acho que, se não réus, há protetores de réus como mentores disso."

As acusações contra ele, insinuou o procurador, seriam uma estratégia dos réus do mensalão para fragilizar a acusação da Procuradoria e atingir também seus julgadores – ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), cujos nomes são citados em algumas conversas telefônicas gravadas pela Polícia Federal. Há um movimento no Congresso para convocar o procurador-geral a depor na CPI do Cachoeira. "Esse (o mensalão) é o atentado mais grave que já tivemos à democracia brasileira. É compreensível que algumas pessoas ligadas a mensaleiros tenham essas posturas de querer atacar o procurador-geral e querer também atacar ministros do Supremo com aquela afirmação falsa de que eu estaria investigando quatro ministros do STF", disse. "Há pessoas que foram alvo da atuação do Ministério Público e
ficam querendo retaliar. É natural isso. E há outras pessoas que têm notórias ligações com pessoas que são réus no mensalão", acrescentou, sem tergiversar.

Ofensiva. Na tentativa de pôr Gurgel contra a parede, parlamentares da base iniciaram ontem mesmo um movimento para convocar a subprocuradora da República Cláudia Sampaio. A convocação da mulher de Gurgel é defendida majoritariamente por petistas. Foi Cláudia quem informou ao delegado Raul Alexandre Marques, responsável pela Operação Vegas, em setembro de 2009, não ter encontrado elementos jurídicos que fundamentassem um pedido de investigação do Supremo na ocasião. "Não vou cumprir o papel de inocente útil de pessoas que querem desmoralizar o procurador-geral na véspera do julgamento do mensalão", reagiu o senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), um dos integrantes da CPI. Em depoimento anteontem, o delegado Marques disse que Gurgel não deu prosseguimento às investigações da Vegas, que detectou indícios de crimes praticados por três parlamentares.

A estratégia montada no bunker do PT foi a de insuflar a convocação de Cláudia Sampaio para atingir Gurgel sem precisar chamá-lo para depor na CPI. "É preciso checar as declarações do delegado com os documentos da Operação Vegas. Se for confirmado, temos de ver se foi o procurador-geral o responsável ou outra pessoa abaixo dele", disse o senador Wellington Dias (PT-PI). Apontado como um dos integrantes da "ala independente" da CPI, o senador Pedro Taques (PDT- MT) é contra a convocação do procurador e de sua esposa. "Não podemos transformar esta CPI, que deve investigar a construtora Delta e sua relação com governos estaduais, na CPI do procurador-geral. Estamos fugindo do foco do debate."

CRONOLOGIA

As ações do procurador

27 de março

Inquérito. O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, envia ao STF um requerimento para a instauração de inquérito contra o senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO).

25 de abril

Tentativa. Fernando Collor (PTB-AL) tenta convocar Gurgel para depor na CPI. Segundo ele, o procurador-geral não tomou nenhuma providência, em 2009, quando recebeu informações da Operação Vegas que incriminavam Demóstenes e os deputados Carlos Leréia (PSDB-GO) e Sandes Júnior (PP-GO).

29 de abril

Aviso. Parlamentares da base avisam que, caso Gurgel não aceite o convite, a convocação pode ser votada e aprovada na comissão.

2 de maio

Convite recusado. Gurgel rejeita o convite para ir à CPI mista. O pedido havia sido feito pelo presidente da comis-são, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), e pelo relator, Odair Cunha (PT-MG).

Nota oficial. No mesmo dia, a Procuradoria-Geral da República (PGR) emite uma nota oficial sobre o caso, onde o procurador-geral se defende das acusações e afirma que há três anos não havia indícios contra o senador goiano.

Anteontem

Delegado. Em depoimento na CPI mista instalada no Congresso, o delegado da Polícia Federal Raul Alexandre disse que partiu da subprocuradora da República Cláudia Sampaio Marques (esposa de Gurgel) a decisão de não levar adiante as evidências reunidas na Operação Vegas em 2009.

FONTE: O ESTADO DE S. PAULO

Protetores de mensaleiros me atacam, diz procurador-geral

O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, disse que os ataques que sofre por não ter investigado Demóstenes Torres em 2009 partem de quem "está morrendo de medo do julgamento do mensalão". Sem citar nomes, Gurgel disse ser "compreensível" que pessoas que buscam proteger os réus do mensalão, denunciados pela Procuradoria, queiram fazer ataques a ele e a ministros do STF, que julgarão o caso.

Procurador diz que críticos tentam proteger mensaleiros

Alvo de ataques na CPI, Gurgel é o responsável pela acusação no caso mensalão

Setores liderados pelo PT querem levá-lo a depor sob o argumento de que retardou ação contra Demóstenes

Felipe Seligman, Rubens Valente, Andreza Matais e Natuza Nery

BRASÍLIA - O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, disse ontem que as críticas que sofre de integrantes da CPI do Cachoeira por não ter investigado o senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO) em 2009 são feitas por quem tem "medo do julgamento do mensalão".

Sem citar nomes, Gurgel, responsável por acusar réus do processo, disse ser "compreensível" que pessoas que buscam proteger ou que são "ligadas a mensaleiros" queiram atacá-lo e também a ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), que serão responsáveis por julgar o caso.

As críticas a Gurgel têm sido lideradas pelo PT -partido da maior parte dos envolvidos no escândalo de 2005 e que tem controle sobre a CPI. Parlamentares têm dito que Gurgel tem de depor na comissão.

A principal crítica feita ao procurador é que ele deveria ter investigado Demóstenes em 2009, quando recebeu o material da Operação Vegas, da Polícia Federal, que já investigava o empresário Carlinhos Cachoeira, acusado de corrupção e de comandar jogos de azar.

Os autos da Vegas foram incorporados neste ano a outra operação da PF, a Monte Carlo, que começou em novembro de 2010 e resultou na prisão de Cachoeira.

Gurgel diz que o material da Vegas não era suficiente para pedir inquérito contra Demóstenes e que, graças à sua atitude, a apuração pode continuar na Monte Carlo e ser mais efetiva.

"O que nós temos são criticas de pessoas que estão morrendo de medo do julgamento do mensalão. Pessoas que estão muito pouco preocupadas com as denúncias em si mesmo, com os fatos -desvio de recurso, corrupção etc.- e ficam preocupadas com a opção que o procurador-geral tomou em 2009, opção essa altamente bem-sucedida. É um desvio de foco que eu classificaria como no mínimo curioso", afirmou Gurgel.

As declarações irritaram integrantes do governo. No grupo ligado ao ex-presidente Lula e ao ex-chefe da Casa Civil José Dirceu, acusado pela Procuradoria de liderar o esquema do mensalão, a crítica foi explícita. "Assim como o país não sabia quem era o Demóstenes, a presidente Dilma também não tinha como saber quem era o Gurgel ao nomeá-lo", disse o deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP).

Gurgel é procurador-geral desde 2009 e foi reconduzido por Dilma em 2011 depois de vencer a eleição interna entre os procuradores.

Na CPI, a pressão sobre o procurador cresceu após o depoimento prestado pelo delegado da PF Raul Alexandre Souza à comissão, anteontem. Ele disse que Gurgel deixou de fazer investigações necessárias em 2009.

Na reunião, o senador Fernando Collor (PTB-AL) atribuiu a Gurgel uma "espécie de ameaça velada" a parlamentares, pois estaria disseminando a informação de que informações coletadas pela PF poderão atingir outros parlamentares.

Em suas declarações de ontem, Gurgel fez referência indireta a Collor ao dizer que os seus críticos são, "se não réus [do mensalão], protetores de réus", além de já terem sido alvos do Ministério Público e que agora querem "retaliar".

Outro foco de potencial atrito gira em torno das provas encaminhadas pela Procuradoria à comissão.

O delegado Souza afirmou que a PF interceptou 61.813 telefonemas na Vegas. Contudo, a quantidade de grampos que chegou é bem inferior, segundo cinco parlamentares ouvidos pela Folha.

A Procuradoria não informou o total dos áudios enviados. O delegado Souza fará hoje comparação entre o material da PF e o enviado à CPI.

FONTE: FOLHA DE S. PAULO

Gurgel em entrevista: 'Críticas são de quem morre de medo do mensalão'

Procurador-geral da República afirma que por trás de ataques à sua atuação estão mensaleiros ou quem os protege

Carolina Brígido, Givaldo Barbosa

LIGAÇÕES PERIGOSAS

O GLOBO: A atuação do senhor tem sido alvo de críticas na CPI do Cachoeira...

ROBERTO GURGEL: Na verdade, o que nós temos são críticas de pessoas que estão morrendo de medo do julgamento do mensalão. São pessoas que aparentemente estão muito pouco preocupadas com as denúncias em si mesmas, com os fatos, com os desvios de recursos e com a corrupção. Ficam preocupadas com a opção que o procurador-geral, como titular da ação penal, tomou em 2009, opção essa altamente bem-sucedida. Não fosse essa opção, nós não teríamos Monte Carlo, nós não teríamos todos esses fatos que acabaram vindo à tona. Há um desvio de foco que eu classificaria como, no mínimo, curioso.

Como o senhor classifica o trabalho da CPI?

GURGEL: Eu não posso ficar me preocupando com o que acontece a cada momento, a cada segundo na comissão. Eu tenho que me preocupar em levar adiante a investigação. O que parece haver é uma tentativa de imobilizar o procurador-geral da República para que ele não possa atuar como deve, seja no caso que envolve o senador Demóstenes, seja preparando-se para o julgamento do mensalão. Esse é o atentado mais grave que já tivemos à democracia brasileira. É compreensível que algumas pessoas que são ligadas a mensaleiros tenham essas posturas de querer atacar o procurador-geral e querer também atacar ministros do Supremo, com aquela afirmação falsa de que eu estaria investigando quatro ministros.

O senhor se sente atingido por essas críticas?

GURGEL: A atividade do Ministério Público tem como uma das suas características a de desagradar a muitos, se não a todos. Portanto, faz parte do nosso ofício saber que vamos ser alvo de crítica, que vamos ser alvo de pessoas que já foram alvos, e alvos notórios da atuação do Ministério Público, e que têm agora a sua chance de tentar uma retaliação. E é isso que se está fazendo. A minha preocupação é de continuar trabalhando, de continuar investigando, de levantar o véu e revelar cada vez mais fatos que estão submetidos também à CPMI, mas que parece mais preocupada com outros aspectos, parece mais preocupada com o julgamento do mensalão.

O senhor acha que há algum réu do mensalão como mentor desses ataques?

GURGEL: Eu acho que, se não réus, há protetores de réus como mentores disso.

O senhor suspeita de alguém específico? José Dirceu? Fernando Collor?

GURGEL: (Ri) Eu apenas menciono isso: há pessoas que foram alvo da atuação do Ministério Público e ficam querendo retaliar, é natural isso. E há outras pessoas que têm notórias ligações com pessoas que são réus no mensalão.

O senhor acha que os inquéritos sobre as ligações de Cachoeira devem continuar sob sigilo, apesar de todos os vazamentos?

GURGEL: A lei impõe o sigilo, porque há uma série de interceptações telefônicas. Agora, não há dúvidas de que esse é um dos casos de vazamentos mais escandalosos que temos na História. Pedi ao diretor-geral da Polícia Federal que fosse instaurado inquérito para que se apure. É preciso que se pare com essa coisa no país de achar que o sigilo é para inglês ver. A quebra de sigilo nesse caso foi talvez uma das mais escandalosas de que eu tenha tido notícia.

FONTE: O GLOBO

Cabral gastou R$ 7.000 em dois dias de agenda oficial em Paris

Em visita, governador foi fotografado em festa com empresários

Italo Nogueira

RIO - O governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), gastou mais de R$ 7.000 em diárias na missão a Paris em setembro de 2009, quando foi fotografado confraternizando com empresários, entre eles Fernando Cavendish, então dono da Delta Construções.

Sua agenda oficial só registra compromissos em dois dias da visita à cidade. Para justificar os gastos, sua assessoria, em nova versão, alega agora que o peemedebista chegou três dias antes à França para se preparar.

Quando esteve na capital francesa também por dois dias no ano passado, de 31 de maio a 1º de junho, ele gastou R$ 2.035 em diárias, em valores atualizados. Se forem contados os dois dias de eventos, a média de 2009 alcança mais que o triplo deste valor.

Os dados foram levantados pelo deputado estadual Luiz Paulo (PSDB) no sistema de acompanhamento orçamentário do Estado, a partir de levantamento da Folha na Secretaria de Fazenda.

Questionada sobre o gasto, a assessoria do governador afirmou que as diárias referentes à missão de Paris em 2009 referem-se a cinco, e não a dois dias de viagem.

Segundo a nova versão oficial, Cabral embarcou no dia 10 para se preparar com o presidente do COB (Comitê Olímpico Brasileiro), Carlos Arthur Nuzman, para a apresentação da candidatura do Rio como sede da Olimpíada de 2016. O dirigente não foi localizado para confirmar.

É a primeira vez que tal compromisso é divulgado desde os primeiros questionamentos sobre a viagem a Paris, há uma semana. Na visita, o governador e quatro secretários foram fotografados confraternizando com empresários, entre eles Cavendish.

Até então, sua agenda só registrava atividades nos dias 14 e 15. Agora, a assessoria diz que os compromissos não foram informados por terem sido "agenda fechada". Na nova versão, as reuniões ocorreram numa sexta-feira e durante o fim de semana.

Recursos próprios

O sistema orçamentário não registra gastos de 13 missões. A assessoria de Cabral diz que duas foram a convite (Suíça, pelo COB, e Buenos Aires, pela província argentina). Diz ainda que dois compromissos foram custeados com recursos do governador (Colômbia e Estados Unidos).

Em nove casos, as diárias foram pagas com cartão corporativo do Estado, que foi criado no ano passado e não tem os gastos detalhados.

Segundo o governo, os secretários Sérgio Côrtes (Saúde), Wilson Carlos (Governo) e Júlio Lopes (Transportes) pagaram do próprio bolso a viagem a Paris.

Régis Fichtner (Casa Civil) recebeu R$ 4.256. A assessoria do governo informou que só poderia responder hoje se ele também participou de reuniões com o COB.

O Ministério Público pediu informações sobre as viagens de Cabral ao exterior.

Procurador pede dados sobre viagens

O procurador-geral de Justiça do Rio, Cláudio Lopes, solicitou ontem informações ao governo do Rio sobre as viagens de Sérgio Cabral ao exterior, para decidir se abrirá investigação sobre o caso. A Promotoria ainda não disse se o pedido questiona Cabral sobre viagens pessoais ao exterior.

FONTE: FOLHA DE S. PAULO

Planalto tenta conter impulso do PT para investigar imprensa

Petistas estudam convocação de jornalista para depor na CPI sobre relacionamento com Carlinhos Cachoeira

Bancada do partido também defende quebra de sigilo de editor e convocação do dono da Editora Abril

BRASÍLIA - O Palácio do Planalto iniciou ontem uma operação para tentar arrefecer o ânimo dos petistas que querem usar a CPI do Cachoeira para investigar as relações do empresário com jornalistas e órgãos de imprensa.

Em reunião na noite de segunda-feira, a bancada do PT na CPI discutiu a proposta de convocação do jornalista Policarpo Júnior, redator-chefe da revista "Veja" em Brasília. A quebra do sigilo fiscal e bancário do jornalista também é defendida no partido.

O jornalista tinha em Cachoeira uma de suas fontes de informação e seu nome é mencionado em diversas conversas do empresário com integrantes de seu grupo, de acordo com escutas telefônicas feitas pela Polícia Federal nos últimos três anos.

Segundo o delegado Raul Souza, ouvido anteontem pela CPI, não há nas escutas nada que indique algo além da relação entre um repórter e uma fonte de informação.

As perguntas sobre o caso que os petistas fizeram ao delegado na sessão da CPI anteontem não foram relatadas à ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, responsável pela articulação do governo com o Congresso.

Ela só ficou sabendo das perguntas pelos jornais. A omissão dos parlamentares petistas causou desconforto no Palácio do Planalto.

Ontem, já era perceptível uma mudança de tom na bancada, especialmente no grupo ligado ao ex-ministro José Dirceu e ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Escalado para a interlocução entre os representantes do partido na CPI e o governo, o deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP) adotou um tom cauteloso.

"Acho que agora é cedo para a convocação [de Policarpo]", disse, contrastando com o clima da reunião de segunda à noite.

Aliados de Lula e Dirceu defendem o foco na imprensa por achar que assim conseguirão minar a credibilidade de reportagens que deram origem ao escândalo do mensalão, que pode ir a julgamento no Supremo Tribunal Federal neste ano. Dirceu é um dos réus do caso.

Ideli havia escalado o relator da CPI, Odair Cunha (PT-MG), para resistir à pressão, mas ele admite a interlocutores que o trabalho é difícil.

"Se for confirmada a existência de mais de 200 conversas entre Policarpo e o esquema, ele tem de ser convocado. O Roberto Civita, não", disse o líder do PT na Câmara, Jilmar Tatto (PT-SP), referindo-se ao dono da Editora Abril, que publica "Veja", cuja convocação é defendida por setores do PT.

FONTE: FOLHA DE S. PAULO

Dilma dá diretoria do BB a ex-senador do PR

Iniciativa visa acabar com disputa por poder no banco e na Previ e ainda contempla um partido da base aliada

César Borges, que não tem mais mandato no Congresso, vai assumir vice-presidência de Governo do banco

Andreza Matais, Natuza Nery

BRASÍLIA - A presidente Dilma Rousseff decidiu indicar um político do PR para a cúpula do Banco do Brasil: o ex-senador Cesar Borges substituirá Ricardo Oliveira na vice-presidência de Governo do BB.

Ao convidar César Borges (BA), Dilma Rousseff contempla o PR, um partido insatisfeito com a perda de espaço no governo após denúncias de irregularidades no Ministério dos Transportes, que derrubaram o senador Alfredo Nascimento (PR-AM), no ano passado.

A troca inicia a dança de cadeiras deflagrada pelo Planalto para pôr fim à disputa de poder entre o comando do BB e a Previ, maior fundo de pensão da América Latina.

Ricardo Oliveira é apontado no governo como um dos responsáveis por alimentar a guerra entre o presidente do BB, Aldemir Bendine, e o chefe da Previ, Ricardo Flores. Bendine e Flores não se falam há mais de um ano.

Vazamento

Para o governo, foi Oliveira quem vazou informações à mídia sobre Allan Toledo, ex-vice-presidente do banco investigado por movimentação financeira atípica.

Toledo é ligado a Flores, e a notícia foi interpretada no Planalto como um ataque ao presidente da Previ.

Próximo ao ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência), foi Oliveira quem indicou Bendine para o cargo.

Ele não foi encontrado pela Folha ontem.

FONTE: FOLHA DE S. PAULO

Serra tem 31% e Haddad, 3%, na primeira pesquisa Ibope

A cinco meses da eleição, o candidato José Serra (PSDB) lidera a corrida pela Prefeitura de São Paulo, com 31% das preferências, de acordo com a primeira pesquisa Ibope para a eleição municipal. Celso Russomanno (PRB) aparece em segundo lugar, com 16%, seguido de Netinho (PCdoB), com 8%, Soninha Francine (PPS), com 7%, Gabriel Chalita (PMDB), com 6%, e Paulinho da Força (PDT), com 5%. Fernando Haddad (PT), o único na lista que nunca disputou eleições, tem 3%. O levantamento ouviu 805 eleitores entre os dias 5 e 7 em pesquisa estimulada, na qual os eleitores declaram a preferência após ler a relação de candidatos

Ibope mostra Serra com 31% na capital; pré-campanhas ainda não surtem efeito

Tucano tem 15 pontos porcentuais sobre segundo colocado, Russomanno, do PRB; petista Haddad aparece com 3% das intenções de voto

Daniel Bramatti

O ex-governador José Serra tem 31% das intenções de voto para a Prefeitura de São Paulo, segundo a primeira pesquisa Ibope feita desde a entradado tucano na corrida eleitoral. O pré-candidato do PSDB está 15 pontos porcentuais à frente de Celso Russomanno (PRB), que aparece com 16%. A disputa pelo terceiro lugar está embolada: Netinho (PC do B, 8%), Soninha (PPS, 7%), Gabriel Chalita (PMDB, 6%) e Paulinho da Força (PDT, 5%) têm menos de três pontos de distância entre si – porcentual que equivale à margem de erro da pesquisa. O petista Fernando Haddad, o único da lista que nunca disputou eleições, tem apenas 3% das intenções de voto. Os números se referem à pesquisa estimulada, aquela na qual os eleitores declaram sua preferência depois de ler a relação de candidatos. Na consulta espontânea, Serra aparece com 11% – é o único com porcentual de dois dígitos. Apesar de os partidos terem antecipado na prática a campanha eleitoral, cujo início formal será apenas em julho, os paulistanos se mostram pouco empolgados com a sucessão e desinformados sobre ela. Quatro em cada cinco eleitores não conseguem indicar espontaneamente seu candidato.

A atual pesquisa do Ibope apresentou resultados semelhantes aos do instituto Datafolha, divulgados em março. Desde então, o quadro ficou praticamente inalterado, apesar do esforço dos partidos e pré-candidatos. Os principais nomes da disputa já contam com assessores de campanha e participam quase todos os dias de eventos nos quais buscam aparecer na mídia e conquistar eleitores – apesar de estarem formalmente proibidos de pedir votos até julho.

Obstáculos. Líder na pesquisa, Serra enfrenta um grau de rejeição superior ao seu porcentual de apoio. Nada menos do que 35% dos entrevistados pelo Ibope afirmam que não votariam nele de jeito nenhum. Haddad, pouco conhecido entre os eleitores, é rejeitado por 12%. O líder nesse quesito é Netinho (38%). Segundo colocado, Russomanno se beneficia do fato de ter um palanque informal em programas da TV Record, controlada pelo bispo Edir Macedo, da Igre-ja Universal do Reino de Deus, à qual o PRB também é ligado.

Segmentos. Serra é o líder isolado entre os eleitores de todas as faixas de renda, com exceção dos mais pobres. Entre os que ganham menos de um salário mínimo, o tucano tem 17% das preferências, o mesmo que Russomanno e quatro pontos a menos que Netinho – outro pré-candi-dato que se lançou na política após ganhar exposição em programas de televisão. Dividindo-se o eleitorado de acordo com o grau de escolaridade, Serra oscila pouco. Na faixa com formação superior, na qual atinge 32%, sua vantagem em relação aos adversários é mais folgada – Soninha (11%), Gabriel Chalita (10%), Russomanno (10%) e Haddad (7%) estão em-bolados a seguir. O Ibope ouviu 805 pessoas com mais de 16 anos em todas as regiões de São Paulo, entre os dias 5 e 7 deste mês. Não é possí vel comparar os resultados com os da pesquisa anterior do instituto, feita em dezembro do ano passado, porque na época o nome de Russomanno não foi incluído entre as opções apresentadas aos entrevistados.

"Partidos vão pesar", afirma ex-governador

O pré-candidato do PSDB, José Serra, afirmou ontem que o cenário retratado pela sondagem do Ibope é preliminar e que o peso dos partidos influenciará a eleição. "É muito cedo para comentar pesquisa. Vai ter muita exposição de todos os candida-tos. Os partidos vão pesar." Questionado sobre o porcentual de intenções de voto de Fernando Haddad (PT), Serra desconversou. "Eu até tenho vontade de comentar, mas não vou." O PT minimizou a estagnação do pré-candidato, apesar da intensiva agenda de compromissos na capital. "A pesquisa Ibope praticamente repete os números do Datafolha, de março, o que sugere que o eleitor ainda não está atento ao processo elei-toral", disse Haddad. O ex-deputado Celso Russomanno (PRB) comemorou a con- solidação na segunda posição. Para ele, a pré-candidatura ainda é pouco conhecida e precisa de divulgação: "A rejeição é baixa e não muda. Mas posso crescer." O pré-candidato do PMDB, Gabriel Chalita, que se apresenta como uma "terceira via", demonstrou otimismo. "A campanha não começou."

Bruno Boghossian, Daiene Cardoso e Felipe Frazão

FONTE: O ESTADO DE S. PAULO

Inflação pelo IPCA triplica em abril e vai a 0,64%

A inflação oficial, medida pelo IPCA, triplicou de março para abril, passando de 0,21% para 0,64%. De acordo com o IBGE, a inflação de alimentos dobrou, mas cigarros, empregados domésticos e remédios, juntos, foram responsáveis por quase 40% do índice no mês. Em maio, os reajustes de energia elétrica, água e esgoto e táxi devem pressionar o IPCA

Inflação oficial, IPCA triplica em abril

Aumento do preço de cigarro, gastos com empregado doméstico e alta de remédios fazem indicador saltar de 0,21% em março para 0,64%

Daniela Amorim

RIO - A inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), disparou na passagem de março para abril. A taxa triplicou, saindo de 0,21% para 0,64% no período, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Pesaram mais no bolso das famílias os gastos com o tradicional feijão com arroz e a farinha. A inflação de alimentos dobrou, mas o destaque ficou com três itens que, juntos, foram responsáveis por quase 40% da inflação no mês: cigarro, empregado doméstico e remédios. "No resultado de abril, nossa surpre-sa ficou por conta de fatores potuais, como um reajuste ligeiramente acima do esperado em cigarros e uma retomada da alta dos preços de automóveis usados", declarou Octavio de Barros, diretor de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco.

O reajuste nos preços do cigarro confirmou a expectativa de maior impacto em abril, seguido por empregados domésticos e remédios. Juntos, somaram 0,24 ponto porcentual, o equivalente a 38% do IPCA. Se por um lado as pressões de cigarros e remédios foram pontuais, a dos empregados domésticos é persistente. "O principal impacto nos serviços em abril foi de empregados domésticos, não apenas pelo aumento do salário mínimo, mas também pela maior oferta de vagas, que diminui o contingente de trabalhadores nessa área", disse Eulina Nunes dos Santos, coordenadora de Índices de Preços do IBGE. A inflação de serviços subiu de 0,52% para 0,76%. Os aumentos nos preços administrados ou monitorados também incomodaram, passando de 0,18% para 0,47%. Em maio, os reajustes das tarifas de energia elétrica, água e esgoto e táxi devem pressionar o IPCA. "Os serviços monitorados, na taxa acumulada no ano e em 12 meses, ainda estão abaixo do índice geral (IPCA). Isso significa que os serviços estão pressionando mais a inflação do que os monitorados", afirmou Eulina.

No mês, houve impacto ainda da valorização do dólar sobre o óleo de soja e o alho, mas também sobre os artigos de limpeza, os primeiros itens a refletir a transmissão do câmbio para o consumidor. "Em geral, quando o dólar começa a chegar aos preços ao consumidor, um dos primeiros itens que revelam esse efeito são os artigos de limpeza", disse Eulina, citando sabão em pó, detergente e desinfetante. A valorização do dólar também já contaminou o preço das carnes no atacado, segundo o aumento detectado pelo Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna, medido pela FGV. A alta deve ser repassada para o consumidor no IPCA de maio. "Em alguma hora, esses aumentos vão chegar ao varejo, não tem jeito", afirmou André Guilherme Pereira Perfeito, economista-chefe da Gradual
Investimentos. A expectativa para a inflação de maio é de desaceleração, mas ainda no nível de 0,5%. "O IPCA de maio virá menor do que o de abril com a saída da pressão de cigarro e remédios, mas não vai recuar mais porque os alimentos vão continuar acelerando", previu Luis Otávio Leal, economista-chefe do banco ABC Brasil.

Impacto. Eulina Nunes dos Santos coordenadora do IBGE: "Quando o dólar chega aos preços ao consumidor, um dos primeiros itens que revelam esse efeito são os artigos de limpeza"

Efeito. No mês, houve impacto ainda da valorização do dólar sobre o óleo de soja e alho, mas também sobre artigos de limpeza, como sabão em pó e detergente.

FONTE: O ESTADO DE S. PAULO

Inflação em alta pode afetar corte no juro

IPCA de abril teve impacto da alta do dólar e é um sinal de alerta para o governo de que é preciso desvalorizar o câmbio, dizem economistas

Márcia de Chiara

A aceleração da inflação oficial em abril e também das primeiras prévias deste mês de outros índices de custo de vida reverteu o cenário favorável para os preços do primeiro trimestre e fez acender o sinal de alerta em relação à inflação e à pretensão do governo de derrubar as taxas de juros, avaliam economistas.

"Há uma restrição ao movimento de redução de juros, que pode não ser sustentável. Dificilmente a inflação em 12 meses, hoje em 5,1%, ficará abaixo disso", diz a coordenadora técnica do Boletim Macro Ibre da Fundação Getúlio Vargas, Silva Matos.

A economista fez as contas e constatou que a inflação oficial em abril, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do IBGE, foi fortemente influenciada pela valorização do câmbio, que impulsionou os preços dos produtos comercializáveis. Produtos comercializáveis são aqueles cujos preços sofrem diretamente o impacto do dólar, como alimentos processados e vestuário, por exemplo.

Silvia observa que, depois de dois meses seguidos de deflação, de -0,21% em fevereiro e de -0,08% em março, os preços dos produtos comercializáveis deram um salto em abril e subiram 0,55%. "Esse resultado reflete a valorização do dólar e as restrições às importações. Acendeu o sinal de alerta para a política de juros, se o câmbio continuar a se valorizar", diz a economista.

Fabio Silveira, sócio da RC Consultores, faz avaliação semelhante. Ele aponta a valorização do câmbio, que nos últimos 60 dias subiu cerca de 10% e que já tinha aparecido nos resultados dos índices gerais de preços (IGPs), como o principal fator de reaceleração da inflação em abril. Nas suas contas, 70% da alta de 0,64% do IPCA de abril vem do câmbio.

Silveira também considera o resultado da inflação de abril um sinal de alerta, só que para o governo ajustar a taxa de câmbio. "A pressão inflacionária pode retardar o declínio dos juros para 8% no final de 2012. O câmbio deve começar a ser desvalorizado agora", recomenda.

Serviços. Já para o economista da Tendências Consultoria Integrada, Tiago Curado, a alta do IPCA de abril reflete elevações pontuais de preços, como a dos cigarros, medicamentos e vestuário, e a reaceleração dos preços dos serviços. "Não tivemos tempo de observar o impacto do câmbio."

Para ele, o cenário inflacionário está "longe de ser considerado tranquilo". Ele destaca que a inflação deste ano não deve ser muito pressionada por causa dos bons resultados do primeiro trimestre. Mas, para o segundo trimestre, não é possível contar com desempenho semelhante Na opinião de Curado, "a política de redução de juros está inviabilizada pelo cenário inflacionário há algum tempo e o resultado do IPCA de abril aumenta o risco dessa política".

A reaceleração da inflação de serviços em abril fica clara nas contas de Silvia, da FGV. De janeiro a março, os preços dos serviços, excluindo passagens aéreas, tinham subido 2,86%. Em abril, o índice foi para 3,62%.

FONTE: O ESTADO DE S. PAULO

Para promotor, Celso Daniel queria ‘dar fim à corrupção’

Será esta a tese que a acusação usará hoje, no julgamento de cinco envolvidos no assassinato do ex-prefeito petista

O prefeito Celso Daniel (PT), de Santo André, foi executado a tiros em janeiro de 2002 porque decidiu dar fim a um esquema de corrupção em sua própria administração. Essa é a tese que o promotor Marcio Friggi de Carvalho vai sustentar no Tribunal do Júri de Itapecerica da Serra, onde hoje serão julgados cinco acusados pelo crime. O j ulgamento será presidido pelo juiz Antonio Augusto Galvão de França Hristov. Segundo o promotor, Daniel foi vítima de “encomenda mediante paga”.

O promotor afasta completamente a hipótese levantada pela Polícia Civil, de que o prefeito foi atacado por um bando de criminosos comuns, que o sequestraram para pedir resgate em dinheiro. Ele reafirma tese do Ministério Público, de que Daniel aceitava a corrupção em seu governo enquanto imaginava que dinheiro desviado ia para o caixa 2 do PT. “O prefeito conhecia o esquema de dinheiro para o caixa 2 de seu partido, para beneficiar o PT nas eleições, inclusive para a campanha do presidente Lula naquele ano”, afirma o promotor. “Ele estava de acordo. Aí descobriu que o dinheiro também servia para enriquecimento pessoal de integrantes do esquema.” O promotor relata que uma testemunha contou que Gilberto Carvalho, então assessor de Daniel na Prefeitura, “levava dinheiro do esquema de corrupção pessoalmente ao então presidente do PT, José Dirceu”. Carvalho, hoje secretário-geral da Presidência, é réu em ação civil por improbidade na Vara da Fazenda Pública de Santo André. Ele e Dirceu negam categoricamente envolvimento.

O principal suspeito, segundo a promotoria, é o empresário Sérgio Gomes da Silva, o Sérgio Sombra. Ele seria o mandante do assassinato e teria pago uma parcela de US$ 40 mil aos executores. Seu advogado, Roberto Podval, questiona no Supremo Tribunal Federal a legitimidade do Ministério Público para fazer investigações criminais. O júri de Sombra ainda não tem data. O primeiro julgamento do caso Celso Daniel, em novembro de 2010, levou à condenação de Marcos Roberto Bispo dos Santos, que pegou 18 anos de prisão. Hoje serão julgados outros cinco réus, entre eles o líder da quadrilha, Ivan Rodrigues da Silva, conhecido como Monstro. / F.M.

FONTE: O ESTADO DE S. PAULO