terça-feira, 22 de setembro de 2026

Lula reage, mas avaliação de governo ainda claudica, por César Felício

Valor Econômico

Crise do STF não afeta corrida eleitoral e votos de Cury migram para Flávio no Sudeste

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) alcançou 33% de intenção de voto no primeiro turno na pesquisa Quaest divulgada nesta segunda-feira, o mesmo percentual que ele havia atingido na fase pré-“Dark Horse”. O impacto provocado pela divulgação do áudio em que o candidato bolsonarista pediu dinheiro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, está encerrado, na ausência de fatos novos. Ele está agora a quatro pontos percentuais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no primeiro turno, a menor diferença registrada pelo instituto. Tecnicamente empate no limite da margem de erro. Cresce, de modo contínuo, dois pontos percentuais por semana desde o início de setembro.

A principal novidade da pesquisa Quaest, encomendada pela Globo e pelo jornal O Globo, contudo, não é essa. O lulismo começou a reagir com o fim do inverno. Foi quebrada a sequência de queda na intenção de voto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na simulação de segundo turno. Ele subiu de 40% para 41% e agora está a um ponto percentual de Flávio, com 42%. No primeiro turno, Lula oscilou para cima, de 36% para 37%, o que não acontecia desde julho.

A aprovação de governo, que caía há dois meses, subiu de 43% para 44%, seis pontos percentuais abaixo da desaprovação, que seguiu estável. A avaliação positiva (soma de bom e ótimo) foi de 32% para 33%, mas a imagem negativa (ruim e péssimo) teve um repique, indo de 38% para 42%. O resultado, contudo, está muito longe de ser favorável para Lula. Incumbentes com este nível de desaprovação e de avaliação tendem a perder a reeleição.

O presidente anunciou na quinta-feira (17) o reajuste de 15% no benefício do Bolsa Família. É pouco tempo para se contabilizar impacto na campanha, mas de todo modo, houve retomada da intenção na faixa até dois salários mínimos de renda (45% para 49%), segmento em que estão incluídos os favorecidos pelo programa social. Lula também cresceu entre os eleitores com ensino fundamental (44% para 47%), no Nordeste (52% para 54%) e no Norte (de 36% para 41%), onde o peso do Bolsa Família é maior.

Crise no STF não afeta corrida eleitoral

A crise no STF, que teve no dia 15 seu ponto mais agudo e que foi amplamente explorada pelos aliados de Flávio nas redes sociais e na campanha, martelando um vínculo entre o presidente e o ministro Alexandre Moraes, não desgastou Lula. A rejeição ao presidente, que havia saltado de 53% para 55% na semana anterior, ficou no mesmo patamar, empatada com a do senador bolsonarista. O efeito da crise Master, de acordo com a pesquisa, é difuso, a opinião pública hesita na escolha do principal culpado, se o petismo, o bolsonarismo ou o próprio Judiciário, ou todos eles. Não sangra mais Flávio e nem Lula, particularmente.

A soma de todos os outros candidatos, que se mantinha em 16% no início do mês, recuou para 14%. Como neste intervalo de tempo os polarizadores do debate nacional passaram de 66% para 70%, considerando o eleitorado somado de Lula e Flávio, um afunilamento se desenha.

Na pesquisa espontânea, Lula passou de 28% para 31%, depois de três rodadas de estabilidade e Flávio continua crescendo forte, passando de 20% para 26% em duas semanas. Paulatinamente o eleitorado vai se vestindo para a guerra entre vermelhos e azuis.

Desidratação de Cury reverte a favor de Flávio

A falta de debates entre os candidatos sufocou as alternativas. O terceiro colocado, Augusto Cury (Avante), havia crescido nada menos que oito pontos percentuais na última semana de agosto, logo após aparecer com destaque no único confronto televisivo, na TV Bandeirantes, boicotado por Lula e Flávio. Neste mês, contudo, esvaziou de 10% para 6%. Há sinais de que Cury perdeu visibilidade nas redes sociais. Na faixa de eleitores entre 16 e 34 anos, a mais afeita a elas (ou vulnerável, a depender do ponto de vista), o candidato do Avante caiu de 14% para 7% em setembro.

A desidratação de Cury reverteu a favor de Flávio. Na região Sudeste, o candidato do PL consolidou sua dianteira, passando de 30% para 36% ao longo de setembro, mesmo período em que Cury caiu de 10% para 5%.

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