sexta-feira, 2 de fevereiro de 2024

O que a mídia pensa: Editoriais / Opiniões

Acordo entre Lula e Tarcísio é exemplo em país polarizado

O Globo

Recuo do presidente e parceria com o governo paulista no túnel entre Santos e Guarujá devem ser celebrados

Representa um avanço institucional o recuo do governo Luiz Inácio Lula da Silva na ideia de construir sozinho o túnel que ligará as cidades de Santos e Guarujá, no litoral paulista. A obra, que integra o novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo federal e é orçada em R$ 6 bilhões, era também reivindicada pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), ex-ministro no governo Jair Bolsonaro e um dos principais antagonistas do PT na cena nacional. A conversa entre dois adversários políticos para pôr em marcha um projeto em benefício da população é fato tão raro nestes tempos de polarização ideológica que precisa ser celebrada.

Na terça-feira, uma reunião entre Lula, Tarcísio e colaboradores em Brasília transcorreu de forma profissional e cordial, misturando assuntos técnicos, política e futebol. No final, ficou acertado que o túnel de 860 metros de extensão será construído em conjunto pela União, pelo estado de São Paulo e por uma parceria público-privada (PPP). Cada governo destinará R$ 2,7 bilhões à obra, e o restante será bancado com a receita de pedágio auferida pela empresa que vencer a concessão da PPP.

Maria Cristina Fernandes - A eleição da realidade paralela

Valor Econômico

Uso da inteligência artificial nas disputas eleitorais da Eslováquia, Argentina e EUA mostra o que aguarda as eleições municipais, embate que colocará em xeque a superação do bolsonarismo

Dois dias antes da acirrada eleição na Eslováquia, em outubro do ano passado, o Facebook divulgou um áudio em que o candidato do partido pró-Otan contava a uma jornalista que seu partido comprara votos da minoria cigana do país. As vozes, falsas, foram produzidas por inteligência artificial. O episódio mostrou a vulnerabilidade não apenas do candidato mas da jornalista à ferramenta.

Ambos denunciaram o áudio de imediato, mas como a política da Meta, dona do Facebook, é de excluir apenas vídeos - e não áudios -, a peça publicitária se espalhou até o dia da eleição. O silêncio imposto aos candidatos pela legislação eleitoral impediu o candidato atingido de se manifestar. O Smer, partido favorável à retirada de apoio militar à vizinha Ucrânia, acabou vencendo a eleição.

A margem apertada daquela eleição tornou o uso da inteligência artificial mais dramático, mas não foi caso isolado nem o único alerta para o que se deve esperar de 2024, ano de eleições em 58 países, dos EUA à Índia, de Taiwan à Rússia, da Venezuela à África do Sul, e nos 5.565 municípios do Brasil.

Menos de um mês depois, a Argentina enfrentou uma eleição com farto uso de IA, mas a margem folgada da vitória de Javier Milei não permite que se atribua o resultado aos artifícios da tecnologia. Até porque peças nocivas também foram dirigidas contra si.

César Felício - Enfim, o grande acordo nacional

Valor Econômico

Presença do ex-presidente Fernando Collor à posse de Ricardo Lewandowski foi um símbolo do vigor do establishment político depois do vendaval da Lava-Jato

A presença do ex-presidente Fernando Collor no Palácio do Planalto na manhã dessa quinta, durante a posse de Ricardo Lewandowski no Ministério da Justiça, em linha reta diante do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, nada teve de anormal. Pelo contrário, foi um símbolo do vigor do establishment político depois do vendaval da Lava-Jato.

Collor não recebeu a deferência de ser citado na cerimônia, como foi seu antecessor, José Sarney, mas lá estava na primeira fila, a mesma em que se sentavam os ministros do Supremo Tribunal Federal que começam a julgar a partir do dia 9 o embargo de declaração que o ex-presidente apresentou contra sua condenação a 8 anos e 10 meses de prisão por corrupção passiva, no âmbito da Operação Lava-Jato. A situação jurídica do ex-presidente é delicada, mas o ambiente político lhe é favorável.

O julgamento, virtual, deve se encerrar antes da posse de Flávio Dino, agora ex-ministro da Justiça, no STF, a casa de Lewandowski até abril do ano passado. Muitos titulares da Justiça já foram para o Supremo no passado, e uns poucos aposentados da suprema corte foram para o governo, mas esse movimento nunca havia acontecido simultaneamente. A harmonia entre Judiciário e Executivo parece ter atingido um de seus níveis mais altos.

Luiz Carlos Azedo - Lira esnobou reabertura dos trabalhos do Supremo

Correio Braziliense

Barroso dedicou a maior parte de seu discurso a medidas para agilizar, facilitar e modernizar o acesso da sociedade à Justiça, inclusive com adoção de linguagem clara e objetiva

Não fosse a ausência do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), a reabertura dos trabalhos do Supremo Tribunal Federal (STF) teria sido uma incontestável demonstração de harmonia entre os Poderes. Tanto o presidente da Corte, Luís Roberto Barroso, quanto o presidente do Congresso, senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que fez o discurso mais duro da cerimônia, ressaltaram a harmonia e o alinhamento com a democracia entre o Judiciário, o Executivo e o Legislativo. A Câmara foi representada por seu vice-presidente, Marcos Pereira (PR-SP). Lira permaneceu em Alagoas, em razão de compromissos político-eleitorais.

"É uma benção nós podermos fazer esta abertura do ano judiciário sem termos nenhuma preocupação que não sejam as preocupações normais de um país: crescimento, educação, proteção ambiental e todos os outros valores que estão na Constituição, que nos unem a todos", disse Barroso.

Bernardo Mello Franco – Polícia para quem precisa

O Globo

Se não traduzir suas ideias, ministro da Justiça arrisca virar alvo fácil para o bolsonarismo

O novo ministro da Justiça defende que o combate à violência precisa ir além da “enérgica ação policial”. Ricardo Lewandowski estreou com um discurso progressista sobre segurança pública. Criticou o encarceramento em massa, elogiou as penas alternativas e cobrou mais esforço para reduzir a desigualdade, que definiu como um “apartheid social”.

Na cerimônia de posse, Lewandowski sustentou que não há “soluções fáceis” para enfrentar o crime. “Não basta, como querem alguns, exacerbar as penas previstas na legislação criminal, que já se mostram bastante severas”, disse.

O ministro também criticou a ideia de restringir mecanismos de progressão penal, como as chamadas “saidinhas”. “Tais medidas, se levadas a efeito, só aumentariam a tensão nos estabelecimentos prisionais e ampliariam o número de recrutados para as organizações criminosas”, sentenciou.

Flávia Oliveira - Somos o mundo

O Globo

A mobilização da sociedade faz soar o alerta entre autoridades

Faz quase 40 anos, uma ação entre artistas mudou a forma de celebridades e sociedade civil se relacionarem com agendas humanitárias urgentes. A ficha caiu — expressão que também fazia sentido há quatro décadas, com os orelhões da pré-história da telefonia — diante do documentário “A noite que mudou o pop” (Netflix, 2024), que trata da articulação altruísta, logística e técnica que resultou na gravação do megassucesso “We are the world” (Nós somos o mundo, em tradução livre). Lembrar-se dessa época denuncia a idade, mas é para isso que serve a maturidade. Para os jovens de hoje, não é fácil dimensionar o que foi a reunião dos mais estourados artistas da música dos Estados Unidos para, numa noite, registrar a canção que rendeu, de imediato, mais de US$ 50 milhões para ações de enfrentamento à fome na África.

A iniciativa, a bem da verdade, não era inédita. No outro lado do Atlântico, em Londres, britânicos já tinham se unido em fins de 1984 no grupo Band Aid para lançar “Do they know it’s Christmas?” (Eles sabem o que é Natal?). O single foi proposto pelo cantor e compositor Bob Geldof e pelo guitarrista Midge Ure para destinar recursos a uma Etiópia mergulhada numa crise severa de desnutrição e morte, sobretudo, de crianças e mulheres. Participaram nomes como Bono, Boy George, George Michael, James Taylor, Paul McCartney, Paul Young, Phil Collins e Sting.

Vera Magalhães - Negacionismo da corrupção

O Globo

Decisão de Dias Toffoli reforça discurso de que petrolão não passou de complô, mas anulação das leniências traz risco para as contas públicas

A decisão do ministro Dias Toffoli de suspender por tempo indeterminado os pagamentos referentes ao acordo de leniência fechado entre a Odebrecht e o Ministério Público Federal, com a participação da União e homologado pela Justiça, parece ser um teste para a posterior anulação desse e de outros acordos. Um ensaio que começou há certo tempo, diga-se.

Há uma Ação por Descumprimento de Preceito Fundamental impetrada ironicamente pelo PCdoB em favor da empreiteira, sob relatoria do ministro André Mendonça. Mas já não é a primeira vez que Toffoli é acionado por uma empresa para driblar o relator da principal ação que trata do tema.

Os vazamentos de conversas de procuradores da força-tarefa da Lava-Jato, a princípio tratados com parcimônia pelo Supremo Tribunal Federal por serem prova ilegal, aos poucos foram sendo institucionalizados e se tornaram a justificativa a pautar todas as anulações de condenações e, agora, ao que tudo indica, dos acordos de leniência.

Eliane Cantanhêde - O crime compensa?

O Estado de S. Paulo

J&F e Novonor/ Odebrecht perdem o ônus e mantêm o (belo) bônus dos acordos de leniência

O ministro do Supremo Dias Toffoli encerrou o ano judiciário de 2023 suspendendo a multa bilionária da gigante J&F e iniciou o de 2024 concedendo a mesma graça à Novonor, nova marca da também gigante Odebrecht. Escolheu a dedo os dois momentos e, no caso da ex-Odebrecht, o dia 1.º/2, cheio de eventos, simbolismo e notícias.

Vejam bem: nem as duas empresas pediram nem Toffoli concedeu a anulação, mas, sim, a suspensão das multas do acordo de leniência de ambas. Com a anulação as duas empresas deixariam de pagar as multas, mas perderiam as mamatas obtidas nos acordos. Com a suspensão, elas se livram do ônus e mantêm os bônus, como participar de licitações e retomar empréstimos e contratos públicos, além do fim dos processos contra seus executivos.

Fernando Gabeira - Brasil está mal no mapa da corrupção

O Estado de S. Paulo

O ranking da Transparência Internacional é apenas um dado. Mas não deveria ser esquecido rapidamente

Creio que foi Guy Debord, no seu livro A Sociedade do Espetáculo, que enfatizou pela primeira vez como a percepção dos governos era mais importante que o que realmente faziam. Esta semana, o Brasil sofreu um pequeno baque. No ranking da Transparência Internacional sobre percepção de corrupção, caiu para 104.º lugar entre 180 países. Não estamos bem na fotografia.

Nos últimos tempos, tenho enfatizado a necessidade de se preocupar com a imagem das instituições, sobretudo para evitar súbitas e inesperadas revoltas populares como aconteceu em 2013.

São coisas distintas corrupção e sua percepção pela sociedade. Nesse particular, o chamado orçamento secreto, que vigorou no governo Bolsonaro, foi mais longe, para além de apenas passos suspeitos: a Polícia Federal teve de investigar compra de material robótico para escolas que não tinham internet, superfaturamento de tratores e um escandaloso caso numa cidade do Maranhão onde, para aumentar os repasses de emendas parlamentares, todos os habitantes teriam quebrado o dedo em um ano.

Bruno Boghossian - Lula e o churrasquinho em 2024

Folha de S. Paulo

Seca e outras pancadas climáticas ameaçam reversão de quadro favorável do primeiro ano de governo

Poucas promessas de campanha eram consideradas tão sensíveis para a largada deste mandato de Lula como aquelas relacionadas ao preço da comida. A ideia de fartura na mesa foi uma das ferramentas mais exploradas pelos petistas para agitar uma base eleitoral de rendas baixa e média, crucial para a vitória sobre Jair Bolsonaro.

Não por acaso, o Planalto bateu bumbo quando os alimentos fecharam o primeiro ano de governo em deflação (-0,52%). Lançou um vídeo publicitário, torceu gráficos e tirou proveito de um quadro de aumento da safra, contenção de riscos externos e ampliação da disponibilidade de produtos como carne e leite.

Vinicius Torres Freire – Lula e a romaria das empresas

Folha de S. Paulo

Agro, aéreas falidas, setor de eventos e turismo, siderúrgicas etc. pedem ajudas variadas ao governo

O ano da política politiqueira vai começar quente para Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Haddad. Haverá turumbamba logo de cara porque o Congresso reclama cargos atrasados; porque quer reaver emendas que Lula vetou, porque está fulo com medida provisória que derrubou decisões parlamentares reiteradas, porque a bancada religiosa não quer que mexam com suas prebendas etc.

O ano da política empresarial havia começado doce, ao menos para indústrias que esperam receber crédito mais fácil. Mas ficou logo azedo para o governo, esculachado por reeditar a política industrial de Lula 2 e Dilma 1 —não foi bem isso, mas "imagem é tudo".

O ano vai ficar mais difícil porque empresas e setores formam fila no Planalto e na Fazenda a fim de pedir socorros variados. Quem pede?

Fazendeiros de grãos, o pessoal do leite. O agro que quer mais subsídio para o seguro rural. "Fazendeiros do ar", as companhias aéreas, algumas quase falidas, que pedem subsídio grosso na veia das asas.

A lista não acabou. Há o caso das siderúrgicas, que reclamam da avalanche de importações de aço, da China em especial. Há as empresas que perdem benefícios fiscais com a desativação do Perse, daqui a dois anos. Esse "Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos" foi criado em 2021, na epidemia, quanto tais negócios foram arrasados (embora não seja mais assim). Era para durar dois anos. O Congresso prorrogou.

André Roncaglia* - Adjetivos e desonestidade no debate sobre a atuação do BNDES

Folha de S. Paulo

Mas, ao fim, avançou a discussão construtiva sobre a política industrial

Em sua réplica ao meu artigo que contesta suas alegações sobre a atuação do BNDES, meu colega Marcos Mendes expôs sua visão dos "fatos". Após usar termos como "neonarrativa" e "granaduto", Mendes ressentiu-se de os "adjetivos" se voltarem contra ele.

Contudo, em vez de argumentos, repetiu-se o alarmismo prenhe de distorções (ou paranoia). Afirmou que o banco faz "empréstimos a países desprovidos de capacidade de pagamento", quando se sabe que o financiamento à exportação de serviços não beneficia países, mas, sim, as empresas brasileiras e que —como ocorre em 90 países— conta com fundo garantidor de exportações (que não usa recursos do contribuinte).

Ruy Castro - Ratos de porão

Folha de S. Paulo

História de Adriano Nóbrega é contada no livro "Decaído", de Sérgio Ramalho

No dia 24 de julho de 2005, o jovem deputado estadual Flávio Bolsonaro pendurou no pescoço do tenente PM Adriano da Nóbrega a Medalha Tiradentes, a maior honraria do Legislativo do Rio. A cerimônia não se deu numa sessão solene no Salão Nobre do Palácio Tiradentes, mas numa sala do Batalhão Prisional, em Benfica, zona norte da cidade, onde o agraciado estava preso pela tortura e execução, em 2003, de um guardador de carros.

A cerimônia era o de menos, o importante era a medalha. Ela seria usada pelos advogados de Adriano para inocentá-lo do crime e evitar sua expulsão da PM. E não ficou nisto. Em Brasília, o deputado federal Jair Bolsonaro, numa rara intervenção ao microfone da Câmara, usou o plenário para defender Adriano: "Um rapaz de 20 e poucos anos, coitado, sem dinheiro para sustentar a família, acusado para atender aos interesses da Anistia Internacional!". Não adiantou: Adriano foi condenado a 19 anos.

José de Souza Martins* - A revolução que deu certo

Valor Econômico

Os índices internacionais de avaliação comparativa indicam que é ela, hoje, a mais importante da América Latina

No dia 25 de janeiro, dia do aniversário da capital paulista, ocorreu o 90º aniversário da Universidade de São Paulo. Escrevo sobre a efeméride não só como observador do processo histórico e dos protagonismos criativos que lhe deram origem. Mas também como beneficiário de sua criação e do espírito que a motivou.

Seu fundador, o jornalista Júlio de Mesquita Filho, começou a inventar a USP na cadeia, preso político em consequência de sua participação na Revolução Constitucionalista de 1932. Da cadeia mandou pedir que a esposa lhe levasse dois livros de sociologia da educação, do sociólogo francês Émile Durkheim.

A Universidade foi a resposta política mais sólida à derrota de São Paulo pelo Exército e pelo governo provisório de Getúlio Vargas. São Paulo, traído, perdeu nas armas, mas venceu no saber e na cultura através da USP e de seus desdobramentos. Como a Fundação de Amparo à Pesquisa - a Fapesp, a Unesp e a Unicamp.

A criação da USP foi, deliberadamente, um ato social e politicamente revolucionário, no sentido de criar uma instituição científica e de educação que desse origem a gerações de brasileiros libertos da persistente cultura autoritária da escravidão e da dominação pessoal dos régulos de província, sem contar dos ímpetos e surtos autoritários das forças armadas.

Poesia | Minha terra, de Manuel Bandeira

 

Música | Roda e Avisa - Alceu Valença

 

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2024

O que a mídia pensa: Editoriais / Opiniões

Lewandowski deve integrar o combate ao crime

O Globo

Novo ministro tem oportunidade de fazer o governo federal enfim assumir sua responsabilidade em área crítica

O jurista Ricardo Lewandowski, de 75 anos, assume o Ministério da Justiça e Segurança Pública com talvez a missão mais espinhosa do governo Luiz Inácio Lula da Silva: domar a violência que fustiga o país, aterroriza os brasileiros e ameaça a imagem do presidente.

Embora os números registrem queda de 4% nos assassinatos no ano passado, nas ruas predomina a sensação de insegurança, atestada por pesquisas de opinião e pelo senso comum. Oito em cada dez brasileiros acreditam que a violência se agravou, segundo pesquisa Quaest de novembro. As ações do governo para debelar a crise não têm sido bem recebidas pela população. A gestão de Lula na segurança é considerada ruim ou péssima por 50% e regular por 29%, mostrou o Datafolha em dezembro.

Assis Moreira* - Carro blindado, snipers e licitações para o G20

Valor Econômico

Na presidência do grupo o Brasil tem a responsabilidade de fixar a ordem do dia e dar os resultados dos debates entre as maiores economias do mundo em meio a crises

A reunião de ministros de Relações Exteriores do G20 nos dias 21 e 22 de fevereiro no Rio de Janeiro ocorrerá sob segurança máxima, como era de se esperar. Os EUA e a Rússia vão trazer seus próprios carros blindados para transportar na cidade seus representantes, o secretário de Estado Antony Blinken e o ministro Sergey Lavrov, como fazem normalmente. As forças de segurança brasileira terão um esquema de “proteção cabível”, o que significa admitir que alguns trazem mais riscos que outros. Snipers, os chamados atiradores de elite, acompanharão certos ministros por todo lado.

Outro peso pesado da diplomacia internacional, o ministro chinês Wang Yi, não irá ao Rio. Ele passou recentemente pelo Brasil, conversou com o presidente Lula e será substituído por uma autoridade provavelmente de peso no Partido Comunista e que, pela praxe chinesa, será designada em cima da hora.

Luiz Carlos Azedo - Copom mostra alinhamento entre Campos e Haddad

Correio Braziliense

A unanimidade no Copom não é inédita, porém, com cinco diretores indicados por Bolsonaro e quatro por Lula, sinaliza a blindagem da equipe econômica do governo

A redução da taxa Selic em 0,5 ponto percentual, de 11,75% ao ano para 11,25% ao ano, nesta quinta-feira, pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, decidida por unanimidade, mostra um alinhamento tácito entre o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Foi o quinto corte seguido na taxa básica de juros, desde agosto do ano passado, a taxa de 11,25% permanece no menor nível de 2022, quando chegou a 10,75% ao ano.

A unanimidade no Copom não é inédita, porém, com a composição atual, com cinco diretores indicados durante o governo Bolsonaro e quatro pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sinaliza a blindagem da equipe econômica do governo, apesar dos ataques especulativos que Haddad vem sofrendo por parte de lideranças do PT e, também, das contradições e dos resultados fiscais negativos da própria política econômica do governo.

Felipe Salto* - As bombas fiscais e o futuro em aberto

O Estado de S. Paulo

O problema fiscal tem duas cabeças. Uma, de curto prazo. Outra, relacionada a melhorar a qualidade do gasto e restabelecer instrumentos de planejamento e gestão

O governo apresentou um déficit de R$ 230,5 bilhões ou 2,1% do PIB em 2023. O resultado inclui o pagamento dos precatórios extras, de R$ 92,4 bilhões, após o Supremo Tribunal Federal (STF) declarar inconstitucional o teto anual inventado há alguns anos. Por outro lado, o governo conseguiu aprovar uma nova regra fiscal e uma série de medidas para elevar a arrecadação. Os números de 2023 ensejam uma discussão de maior fôlego sobre os desafios para melhorar as contas do País.

As despesas primárias federais (sem contar os juros da dívida) passaram de 18% para 19,6% do PIB entre 2022 e 2023. O Bolsa Família subiu 0,7 ponto porcentual (p.p.); os precatórios de custeio e capital, 0,5 p.p.; os benefícios previdenciários, 0,4 p.p.; as despesas discricionárias, 0,2 p.p.; o apoio financeiro aos Estados e municípios, 0,1 p.p.; e o benefício de prestação continuada, 0,1 p.p.. Outros efeitos redundaram em queda de 0,4 p.p., explicando, assim, a alta de 1,6 p.p. do PIB no gasto total.

Vinicius Torres Freire - Para a Selic cair mais rápido

Folha de S. Paulo

Inflação para 2025 está na meta, na conta do Banco Central, que mantém ritmo de cortes

A inflação de 2025 deve chegar à meta, segundo as contas do Banco Central. O IPCA do ano que vem seria de 3,2%, um preciosismo acima do objetivo de 3%, segundo o "cenário de referência" do BC, mesma projeção de dezembro.

Qual é a base desse "cenário"? Espera-se que a Selic, a taxa básica de juros, baixe aos poucos até 9% ao ano em setembro e por aí permaneça até dezembro (é a atual mediana das projeções de economistas de "o mercado"). Que os preços de dólar e petróleo se comportem como projeta o BC, embora apenas os céus saibam o que será dessas cotações. Que o preço da eletricidade siga sob "bandeira verde".

Isso quer dizer que a Selic real, descontada a inflação, estaria perto dos 6% no final deste 2024, se ficar estacionada por aí. É horrível e um desestímulo econômico. Para o cotidiano do cidadão comum que pega empréstimos quaisquer, quer dizer que vai ser possível notar diferença maior no arrocho apenas a partir de lá pela metade do ano.

Maria Hermínia Tavares* - Lamentável surpresa

Folha de S. Paulo

A suspensão das aulas na pandemia fez pouca ou nenhuma diferença; a maioria das escolas quase nada ensina

A julgar pelo domínio de matemática, a pandemia não afetou o aprendizado médio dos brasileiros na faixa dos 15 anos. E mais, a queda, onde houve, foi pior entre estudantes de renda mais alta, ao contrário do que ocorreu em países ricos como Alemanha, França, Islândia e Suécia.

A informação é do professor da USP e do Insper, Naercio Menezes Filho, reconhecido especialista em economia da educação. Na sua coluna de 26/1 no jornal Valor, ele comparou os resultados de 2019 e 2022 do exame internacional Pisa. Realizada em 81 países, a prova afere conhecimentos de estudantes do mesmo grupo de idade em matemática, leitura e ciências.

Conrado Hübner Mendes* - O STF senta à mesa com empresários

Folha de S. Paulo

E por coincidência esvazia a proteção constitucional da dignidade do trabalhador

O Brasil, sozinho, tem 98% de todas as ações trabalhistas do mundo. Ministros do STF folgam 98% do tempo. Bancos financiam 98% das viagens de ministros do STF ao exterior. Ministros do STF são 98% técnica, 2% família. 98% dos brasileiros apoiam Alexandre de Moraes para a Presidência. 98% dos militares respeitam a lei e não acreditam ter última palavra na interpretação constitucional.

Essas frases falsas dariam boas manchetes na política do pânico e circo. Na democracia com déficit de atenção, a desinformação verossímil se espalha com mais força e facilidade do que a mentira voando abaixo do radar da verossimilhança. Ou talvez o contrário, a depender das inclinações de espírito da rede por onde navega.

Pois uma dessas frases foi dita por Luís Roberto Barroso, presidente do STF, anos atrás. Afirmou que o país tinha 98% das ações trabalhistas do mundo (do mundo) e prejulgou qualquer discordância: "Na vida devemos trabalhar com fatos, não escolhas ideológicas prévias." Sua frase, ironicamente, dizia mais sobre si mesmo do que sobre o mundo. Faltavam fatos, sobraram escolhas prévias. Falhava empiricamente e teoricamente.

Bruno Boghossian - Dino foi a China

Folha de S. Paulo

Ministro trabalhou para flexibilizar visões internas; Lewandowski pode ter mais dificuldade

Quando pisou em Pequim, em 1972, Richard Nixon estabeleceu um paradigma na política. Naquele momento de tensão global, um gesto de conciliação com os chineses seria encarado com desconfiança pelo eleitor americano. Mas a reputação do presidente como um anticomunista incontestável foi visto como garantia de rigor com os rivais.

A expressão "Nixon vai à China" passou a ser usada para descrever episódios em que um representante de uma corrente ideológica faz uma jogada tipicamente associada a uma linha política contrária. Seu objetivo é explorar a credibilidade interna para reduzir resistências e persuadir seu próprio campo da importância de determinada medida.

Maria Cristina Fernandes - A disputa é pela asfixia da extrema-direita

Valor Econômico

Sobrevivência do bolsonarismo está em jogo

O ex-presidente Jair Bolsonaro não perdeu a malandragem com a qual bem encarna o injustiçado. Tem aparecido em mangas de camisa, com sobrepeso e a proficiência de sempre ao embaralhar assuntos, desviar o foco e se mostrar como alguém que, assim como o telespectador, nada entende desta derradeira operação da Polícia Federal sobre o aparelhamento da Abin.

A habilidade não escamoteia o cerco, evidente, mas mostra um personagem nos cascos para nova fase de vitimização. Já se sabe que está fora da palheta de 2026. O que está em jogo agora é a sobrevivência do bolsonarismo.

A decisão do PL de manter o deputado federal Alexandre Ramagem como candidato no Rio, apesar das suspeitas que pesam contra si nesta operação, seus colegas, Nikolas Ferreira, em BH, e Abílio Brunini, em Cuiabá, o ex-ministro sanfoneiro Gilson Machado, no Recife, além da pressão pela chapa do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, com o ex-comandante da Rota, Mello Araújo, mostram a aposta no bolsonarismo raiz.

Nem todos têm chance, mas puxam a eleição de vereadores, cabos eleitorais da futura Câmara, e mantêm acesa, na política, a chama com a qual as investigações em curso ameaçam tosquear o ex-presidente. A operação não deixa dúvidas de que prossegue, no STF e na PF, a expectativa de que é deles a missão de banir o bolsonarismo.

Ruy Castro -Na mira do araponga

 

Folha de S. Paulo

Se a Abin fez o meu dossiê, ignoro. Mas o que sairá da investigação sobre Bolsonaro será letal

Em algum momento de 2020 ou 21, alguém me soprou: "Fique esperto. Ouvi dizer que estão de olho em você. Tem gente do governo levantando os podres de cada desafeto do Bolsonaro e reunindo num dossiê para ser usado um dia." Não me surpreendi. Eu desconfiava que o então presidente não era grande fã das minhas colunas na Folha, porque, desde o começo de seu mandato, eu apontava para a inevitabilidade do golpe com que ele esperava se perpetuar no poder.

Hoje, com a investigação em curso sobre o uso por Bolsonaro da Abin (Agência Brasileira de Informação) para bisbilhotar os passos de ex-aliados, juízes, advogados, políticos e jornalistas, vejo que a dica fazia sentido. E começo a me dar conta das vezes em que tive a sensação de estar sendo observado e de algo que parecia diferente do que deveria ser.

William Waack - Lula e o medo da Abin

O Estado de S. Paulo

O presidente quer resolver a crise do jeito habitual, pelo lado pessoal

A desconfiança que Lula nutre por órgãos de inteligência como a Abin vem de uma dificuldade mais profunda de governantes brasileiros, que é o desprezo pelo princípio da impessoalidade (recentemente apontado aqui pelo sociólogo Bolívar Lamounier). De fato, quem assume o governo assume também que o aparato de Estado pertence ao vencedor da eleição.

Nesse sentido, o que Jair Bolsonaro fez com a Abin foi devastador. Da mesma maneira como se comportou no setor de saúde, desprezando estruturas do Estado, Bolsonaro dizia confiar mais no seu “serviço de inteligência informal”, ao qual tentou subordinar a Abin.

Investigações da PF indicam que a finalidade principal era a proteção de si e da família de investigações criminais. Bolsonaro também não distinguia entre sua pessoa e a figura institucional do presidente da República nas batalhas com tribunais superiores ou a Câmara dos Deputados, nas quais usou a Abin.

Malu Gaspar – A gente nunca está seguro

O Globo

Abin paralela de Bolsonaro impõe a Lula desafio de separar inteligência de espionagem

‘A gente nunca está seguro’, disse Lula na segunda-feira à Rádio CBN de Recife, quando questionado a respeito da operação da Polícia Federal (PF) sobre a “Abin paralela” — o esquema de espionagem ilegal que funcionou durante o governo de Jair Bolsonaro, mas que a PF sustenta ter sido encoberto pela Abin de Lula.

No dia seguinte, a Presidência da República trocou cinco diretores da agência, incluindo o número 2, Alessandro Moretti, acusado pela PF de atuar para barrar as investigações. Moretti nega. Afirma até que foi ele o primeiro a abrir uma sindicância para averiguar as denúncias de arapongagem. Quem conhece bem o inquérito, porém, diz que há diversos documentos mostrando como e quando ele tentou impedir que a apuração avançasse.

Poesia | Amigo, de Pablo Neruda

 

Música | Roberta Sá e Zeca Pagodinho - Pago pra ver

 

quarta-feira, 31 de janeiro de 2024

O que a mídia pensa: Editoriais / Opiniões

Alta na percepção de corrupção traz custo ao Brasil

O Globo

Recuo do país em ranking global expõe enfraquecimento de instituições de controle depois da Lava-Jato

O Judiciário — em especial os tribunais superiores — deveria dar atenção à última lista de percepção da corrupção global preparada pela Transparência Internacional. A sensação de um ambiente contaminado por negociatas tem custo enorme para a reputação brasileira e afasta empresas e investidores sérios do país.

Numa escala em que zero é o cenário menos e cem o mais corrupto, o Brasil ficou com 36 pontos. Caiu dez posições, para o 104º lugar entre 180 países. Merece reflexão o histórico dos últimos dez anos. Em 2014, início da Operação Lava-Jato, eram 43 pontos. De lá para cá, a trajetória, com altos e baixos, foi descendente. Os piores resultados aconteceram em 2018 e 2019, quando a pontuação foi 35, patamar equivalente ao atual.

Medir corrupção é das tarefas mais difíceis. Negociatas são feitas nas sombras justamente para ficarem longe do escrutínio público. Paradoxalmente, um aumento no combate à corrupção pode, com a revelação dos esquemas, contribuir para a percepção de que houve aumento na roubalheira. Um ranking que apenas somasse os valores descobertos em operações ilegais penalizaria os países dispostos a coibi-las. Por isso a análise baseada em percepção, de preferência com prazo mais alongado, é medida mais precisa.

Vera Magalhães - Polarização como vício

O Globo

As declarações recentes de Lula mostram um presidente capturado pela ideia de contraposição com Bolsonaro

Não bastasse o mal que faz ao debate público, o desgaste que causa às instituições de Estado e o risco que representa para a própria democracia, a polarização política virou uma muleta que os dois lados que dela se alimentam passaram a usar para justificar todas as suas mazelas e exigir do público complacência com as inconsistências de seus projetos de governo.

O clã Bolsonaro — investigado em múltiplas frentes por suspeitas que vão de aparelhamento de Estado e tentativa de minar o processo eleitoral, por parte do patriarca e ex-presidente, a traficâncias várias por que são investigados os filhos — coloca tudo no saco da perseguição política do PT, do Judiciário e da imprensa.

Mais: essa sanha incontrolável não estaria voltada apenas à família, mas seria destinada a abater toda a direita e o pensamento conservador, incluídos aí cristãos, por meio de uma cruzada religiosa.

Trata-se de uma tática tão surrada quanto ainda eficaz de criar uma cortina de fumaça para fatos de extrema gravidade. A parcela do público que reza segundo a cartilha do bolsonarismo compra de forma acrítica essa explicação, que não se sustenta de pé e funciona como elixir para tudo, de Abin paralela a joias ofertadas por um país ao governo brasileiras e vendidas sorrateiramente.

Bernardo Mello Franco – Em nome do papai

O Globo

Investigado por arapongagem, Zero Dois sempre deixou claro que cumpria ordens do pai

Depois de se eleger presidente, Jair Bolsonaro informou que presentearia o filho Carlos com a Secretaria de Comunicação Social. “O cara é uma fera nas mídias sociais. Tem tudo para dar certo”, justificou. A ideia pegou mal, e o capitão desistiu do ato de nepotismo explícito. O Zero Dois não virou ministro, mas se tornaria uma eminência parda do governo.

Carluxo fabricou crises, derrubou ministros e comandou o famigerado gabinete do ódio. Sem cargo formal em Brasília, ganhou o apelido de vereador federal. O pai preferia chamá-lo de “meu pit bull”. Um cão feroz, sempre a postos para morder a canela dos adversários.

Em março de 2020, o ex-ministro Gustavo Bebianno disse que o Zero Dois queria criar uma “Abin paralela”. Um sistema de informações clandestino, que não deixaria rastros de suas atividades. Agora a Polícia Federal acredita que essa ideia também ficou pelo caminho. Os Bolsonaro acharam mais útil capturar a Abin oficial.

Zeina Latif - A necessária renovação política, nos EUA e no Brasil

O Globo

A falta de novas candidaturas, mais conectadas aos anseios da sociedade, poderá trazer desânimo aos mercados e à sociedade

Os EUA terão eleição este ano num clima de desânimo. De um lado, uma sociedade insatisfeita e, de outro, a incapacidade de renovação da política. Os partidos rivais não conseguiram construir candidaturas competitivas alternativas a Donald Trump e Joe Biden.

Nutre-se, assim, a polarização, que por sua vez, dificulta a construção de consensos necessários para atender aos anseios da sociedade, hoje mais complexa. Que o Brasil não siga o mesmo caminho.

O desconforto da sociedade é revelado em pesquisas de opinião e nos indicadores de confiança. O baixo desemprego (3,7% em dezembro ante 14,9% no auge da pandemia e média histórica de 5,7%) e o recuo da inflação (3,3% ao ano em 2023 ante 8,9% em meados de 2022) não têm trazido maior satisfação aos indivíduos.

Afinal, não basta ter trabalho; as pessoas anseiam também por melhor qualidade de vida, igualdade de oportunidades e justiça.

Roberto DaMatta - Esse eu conheço!

O Globo

Nossa aversão à impessoalidade chega às raias da repulsa. De tal modo que a regra universal é tida como desgraça ou castigo

Salta aos olhos a trivialidade da expressão acima. No entanto, quanto mais a usamos, menos penetramos em seu significado. Veja como ela pouco diz traduzida para o inglês, justamente porque, como diria Gilberto Freyre, ela — como o carnaval — é um “brasileirismo”.

É um “conhecer cultural” inscrito no nosso inconsciente. Na escondida hierarquia das nossas relações sociais, e no modo como as vivenciamos.

Todos conhecem X, mas nem todos podem dizer com orgulho, revelação ou desprezo: “Esse eu conheço!” — o que equivale a revelar um elo pessoal. Um laço instaurador de um conhecimento íntimo, cotidiano e familiar. Tudo o que socialmente faz diferença, porque afasta o demônio do informal e do impessoal que não sabe quem somos.

Realmente, nossa aversão à impessoalidade chega às raias da repulsa. De tal modo que a regra universal é tida como desgraça ou castigo, jamais como regulador informal de um hábito ou costume.

Elio Gaspari - O jogo pesado de Emmanuel Macron

O Globo

Até as pedras sabiam que o presidente francês, Emmanuel Macron, se opunha ao acordo de comércio da União Europeia com o Mercosul, mas, ao anunciar que as negociações deveriam ser interrompidas, ele jogou pesado. Uma coisa é divergir, o que vem acontecendo desde que as conversas começaram, há 25 anos. Outra é fechar a porta. No século passado, americanos e vietnamitas negociavam em Paris, enquanto Hanói e Haiphong eram bombardeadas.

Macron falou grosso porque agricultores franceses sitiaram Paris. Bloqueada, a cidade tem três dias de comida. Sua atitude foi truculenta, porém compreensível. Na França, enfrentar os agricultores é suicídio. Eles defendem seus interesses.

O petardo partiu da assessoria de Macron:

Fernando Exman - O baile de máscaras de Lula e Lira no pré-carnaval

Valor Econômico

Volta dos trabalhos legislativos agita Brasília

Sempre falta animação no pré-carnaval de Brasília. Mas não neste ano. Na política, pelo menos, há grande agitação em torno da volta dos trabalhos do Congresso. A grande dúvida é como estarão as relações entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o deputado Arthur Lira (PP-AL), presidente da Câmara, depois dos vetos às propostas que ampliam o poder dos parlamentares na gestão dos recursos do Orçamento.

Por parte do Palácio do Planalto, a expectativa de auxiliares diretos de Lula é que o presidente da Câmara passe a adotar o que, na visão deles, seria um posicionamento menos ambíguo. Já pelo lado das lideranças do Centrão, espera-se que o governo passe a cumprir com mais rapidez os acordos fechados. Torcem para que a situação da Funasa, a Fundação Nacional da Saúde, seja resolvida antes da quarta-feira de cinzas.