quinta-feira, 8 de outubro de 2026

A metamorfose das direitas, por Maria Hermínia Tavares

Folha de S. Paulo

Ascensão do PL vai consolidando a liderança da extrema direita

Sigla está servindo à ambição eleitoral dos políticos de direita

O exercício da Presidência não assegurou a Lula a mesma porcentagem de eleitores que lhe entregou as chaves do Palácio do Planalto há quatro anos. A diferença entre o número de votos recebidos por Lula e Flávio Bolsonaro é muito próxima da que levou o presidente ao segundo turno contra o pai do candidato do PL. Apenas inverteram-se as posições de chegada.

Entre 2022 e agora, o líder petista perdeu eleitores em todo o país. Usando dados preliminares do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), o cientista político Marco Faganello (CPESP-FGV) mostrou que a sangria foi de 3,4 milhões de votos, espalhados por 98% dos municípios brasileiros. Praticamente todos, exceto as capitais dos estados.

Com Flávio, Brasil vai virar a Venezuela ou a Hungria? Por Thiago Amparo

Folha de S. Paulo

O segundo mandato de governantes autocráticos é sempre mais perigoso

Com Suprema Corte e Congresso governistas, não vai adiantar chorar o leite derramado

Cientistas políticos como Steven Levitsky apontam que o segundo mandato de governantes autocráticos é sempre mais perigoso.

Bolsonaro pai tentou um golpe à moda antiga e foi condenado por isso; Bolsonaro filho, um pouco mais esperto, vai perdoar o pai no primeiro dia como presidente e tentar um golpe à moda contemporânea, refundando a Constituição.

Mal passou o primeiro turno, Flávio já cogita ampliar o mandato do presidente, no caso, o dele.

Muitos Bolsonaros para um Brasil só, por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

Dos 20 Bolsonaros que concorreram, 13 se elegeram ou ficaram como suplentes já no aquecimento

Hélio Negão, fiel Bolsonaro cenográfico, não pôde concorrer como Hélio Bolsonaro e perdeu

Foi a vitória de Deus, da pátria e da família Bolsonaro. Deus ainda terá de aguardar para saber com o que será aquinhoado —a promoção, talvez, da praça dos Três Poderes para a dos Quatro Poderes. A pátria nem imagina o que a espera, mas já decidiu que será bom para ela também. E a família já se garantiu —dos 20 Bolsonaros que concorreram às eleições, 1 aguarda o segundo turno e 13 se elegeram ou ficaram como suplentes, já no aquecimento para entrar em campo. As demais famílias brasileiras continuam onde estavam, vivendo através das redes sociais.

Imobilismo ou estelionato eleitoral nos programas econômicos de Flávio e Lula, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Finalistas escondem plano fiscal, discussão é ruim e não se trata de outros assuntos

O que um Bolsonaro 2 fará de trabalho, comércio exterior, pesquisa e desenvolvimento?

A discussão de programa econômico dos candidatos a presidente quase inexiste. Sabemos de inanidades, camuflagens e frases de efeito, soporífero ou revoltante, a depender da bobagem.

Trata-se quase apenas do "fiscal", do que fazer de gastos do governo e impostos, que é assunto grave e urgente, mas longe de único. A possibilidade de que seja votado o fim da escala 6x1 levou os finalistas a se engajarem. Mas não se diz grande coisa sobre os problemas dramáticos do mundo do trabalho e do financiamento da Previdência (quanto mais pejotização, precarização e informalidades, mais faltará dinheiro, entre outros problemas). Lula defende o fim da 6x1, um projeto muito necessário, mas péssimo, na atual versão, com risco inclusive para quem trabalha. Flávio diz que vai libertar trabalhadores para negociarem seu tempo de trabalho com as empresas, escárnio que não precisa de comentário.

'Papai, por que você votou no Hitler?' Por Conrado Hübner Mendes

Folha de S. Paulo

No Dia das Crianças, livro de Didier Daeninckx vale para toda a família

A banalidade do voto, a responsabilidade e a cumplicidade na linguagem infantil

Em 5 de março de 1933, Otto, garoto de 5 anos, vê seus pais discutindo. A mãe repudiava o voto do pai no dia da eleição. O pai, com medo da crise econômica no país, aponta as promessas de emprego e prosperidade de seu candidato.

O líder prometia ordem e trabalho, o resto era menos importante. As ameaças, as propostas, o ódio, tudo era periférico. "Papai dizia que era preciso que as coisas mudassem."

Ao longo do livro, Otto testemunha os efeitos do regime apoiado por seu pai. Vizinhos desaparecem, livros queimados, censura, um primeiro campo de concentração para homossexuais, ciganos, judeus, pessoas com deficiência. Até que chega a tragédia familiar: nasce sua irmã, bebê com deficiência mental, alvo das políticas de eugenia do governo que seu pai ajudou a eleger.

Flávio assume o sobrenome ao revelar seu programa, por Igor Gielow

Folha de S. Paulo

Plano de mudança constitucional, da lei penal e de mandato não havia sido mencionado em público

Fazer proposta é legítimo, mas levanta suspeita de ser mistura de golpismo bolsonarista e Trump 2.0

Quando chegou ao poder em 2019, Jair Bolsonaro prometia uma revolução contra o que chamava de sistema, um ente etéreo e útil como alvo de críticas por radicais à direita e à esquerda.

O deputado acreditava ser possível moldar a política brasileira a seu gosto apenas com os votos que recebera.

Politicamente, mostrou-se desdentado, amparado por uma amálgama de militares, aderentes de ideologias exóticas e boa vontade do dito mercado, enquanto isso foi lucrativo.

Afago ao bolsonarismo, por Carolina Brígido

O Estado de S. Paulo

Eventual vitória de Flávio deixa ministros do STF próximos de Lula mais perto do impeachment

Flávio Bolsonaro arrancou na frente no primeiro turno e o Supremo Tribunal Federal (STF) foi atrás dele. Desde a divulgação do resultado das urnas, ministros próximos de Luiz Inácio Lula da Silva tomaram decisões favoráveis ao bolsonarismo. Eventual vitória de Flávio no dia 25 deixa esse grupo mais perto do impeachment em 2027.

Ao menos 31 dos senadores eleitos defendem o afastamento de ministros da Corte. O presidenciável do PL fez dessa ideia bandeira de campanha. Nesse cenário, Gilmar Mendes arquivou investigação por estupro contra Alfredo Gaspar, vice na chapa de Flávio.

O risco do cheque em branco, por William Waack

O Estado de S. Paulo.

Os limites da euforia com os resultados até aqui das eleições estão na política

Os agentes econômicos consideram a eleição terminada e decidida contra o atual governo. De fato, os profissionais em pesquisas consideram bastante improvável uma virada de Lula no segundo turno, embora não seja impossível. Esse é o fator mais imediato da “euforia” traduzida em alguns números nos mercados.

O outro fator imediato é um dado inédito na recente história política brasileira, surgido do primeiro turno: a possibilidade (caso Flávio vença) de um presidente com maiorias confortáveis nas duas casas do Legislativo. O efeito manada entre as agremiações fisiológicas está em pleno curso no Congresso, atraídas pela perspectiva de poder. É a projeção dessa maioria no Senado e na Câmara que já levou Flávio a falar em alterações na Constituição.

Nada decidido até o eleitor falar, por Míriam Leitão

O Globo

A 17 dias da eleição, nada está definido. A distância não é grande, há vantagens para Flávio Bolsonaro e possibilidades para o Lula

O país viverá os próximos 17 dias em emoção na intensidade máxima. A eleição não acabou, nem está definida, até porque o eleitor faz o que quer com o voto. O que tenho ouvido de especialistas é que a distância não é grande, há vantagens para Flávio Bolsonaro e possibilidades para o presidente Lula. Para além dos cálculos dos políticos, há uma dúvida mais aguda: quais são as intenções de Flávio Bolsonaro em relação à democracia? A fala dele sobre usar a maioria conservadora e mudar a Constituição para “redemocratizar o país”, assustou. E assustou exatamente por ele ser quem é e filho de quem é.

Frente ampla evapora nas urnas, por Julia Duailibi

O Globo

O governo mirou basicamente os seus, na forma e na confecção das políticas públicas

É comum no meio político a avaliação de que a perspectiva de poder tem um valor de mercado maior que o próprio poder. Nos últimos três dias, depois do resultado do primeiro turno, os movimentos favoráveis à campanha de Flávio Bolsonaro comprovam a máxima.

Partidos do Centrão, que traçam seus movimentos guiados pelo melhor custo-benefício, correram para se sentar na janelinha da campanha de Flávio, já de olho numa composição de governo. Há poucos meses, torciam o nariz, em parte porque ainda velavam a candidatura à Presidência de Tarcísio de Freitas e porque também abraçavam o diagnóstico do presidente do PSD, Gilberto Kassab: a chance de Flávio ganhar é zero.

STF manda recados para um eventual governo de direita, por Merval Pereira

O Globo

É um sinal muito ruim de que vamos continuar na direção de ter um tribunal que faz acordos políticos.

Depois do resultado do primeiro turno da eleição presidencial, o STF tomou cinco decisões que chamam a atenção: foram arquivados processos envolvendo dois blogueiros bolsonaristas e o ex-deputado Marcos do Val — todos no inquérito das fake News — , as condições da prisão de Debora do Batom foram aliviadas, a visita de Flavio Bolsonaro a seu pai foi autorizada pela PGR, e também foi arquivado o processo do deputado Alfredo Gaspar, vice de Flavio Bolsonaro.

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Cláusula de barreira continua a depurar quadro partidário

Por O Globo

Fragmentação partidária caiu pela metade desde 2018, e Brasil alcança patamar de democracias sólidas

A exigência de que os partidos alcancem uma proporção mínima de votos para garantir acesso ao fundo partidário e à propaganda eleitoral gratuita, associada à proibição de coligações nas eleições proporcionais, continua a reduzir a fragmentação do Congresso e a depurar o sistema político-partidário brasileiro, aumentando sua coerência programática e ideológica. Ninguém está proibido de fundar uma legenda, registrá-la e eleger representantes. Mas o uso de dinheiro público para custear seu funcionamento é reservado aos partidos que conquistam alguma base eleitoral, princípio conhecido como “cláusula de barreira” ou “cláusula de desempenho”, coerente com regras em vigor nas democracias mais sólidas.

Poesia | A verdade , de Carlos Drummond de Andrade

 

Música | Paulinho da Viola - Filosofia (Noel Rosa)