terça-feira, 6 de outubro de 2026

Difícil, mas Lula pode virar se mudar a rota e souber jogar, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Se nunca houve reviravolta entre os dois turnos, nunca a distância do primeiro para o segundo lugar foi tão pequena

A dúvida é se o presidente terá força e discernimento bastantes para corrigir os erros a tempo de ganhar

O desempenho da direita impressionou, mas não o suficiente para consolidar a impressão de que a eleição esteja resolvida, Jair Bolsonaro indultado e os golpistas anistiados.

É verdade que não há registro de virada do segundo sobre o primeiro colocado de um turno a outro, e é fato também que nunca a distância foi tão estreita.

Foram menos de dois pontos percentuais de diferença. Dianteira que a oposição tem motivo para comemorar, mas que o governo tem condição de inverter nas próximas três semanas se souber disputar com competência os cerca de 8% dados aos demais candidatos.

Posta a bola no chão, fica a lição de que a subestimação do adversário é péssima conselheira. Isso valeu para Luiz Inácio da Silva (PT), que desde o início menosprezou a oponente, e vale agora para Flávio Bolsonaro (PL), que será imprudente se desdenhar da capacidade de reação de Lula, decorrente do susto.

O choque de realidade ficou evidente no semblante de decepção dos aliados e na aparente calma da manifestação do presidente logo após a confirmação do resultado do primeiro turno. Lula mediu palavras, procurou se ater aos limites da normalidade a fim de ganhar tempo e não se precipitar sobre o que fazer.

 

O petista acostumou-se a colher vitórias em sua trajetória, mas também a enfrentar adversidades e superar obstáculos.

Nas piores horas, soube pisar no freio e redirecionar a rota. Daí ter sido eleito depois de três derrotas, reeleito no meio da tempestade do mensalão e voltado à Presidência depois de parecer que a prisão na Lava Jato seria o fim de carreira.

Lula ignorou orientações, deixou-se tomar pelo ressentimento, deu espaço à figura antipatizada de Janja, reduziu os eleitores a devedores de gratidão, ignorou a demanda por progresso e bem-estar, deu prioridade a temas alheios aos reais interesses do país e, diante disso, preferiu o culto à própria personalidade.

Pode produzir uma guinada na direção? Pode, resta saber se terá força e discernimento bastantes para dar conta do recado.

 

Um comentário:

Anônimo disse...

o feijão e o sonho
Já era acabou o Lula não conseguiu resultado bom gastando 300 bilhões pra comprar votos em seis meses de campanha não vai ser agora que vai conseguir reverter votos a seu favor
A derrota vai ser grandiosa o que mais Lula temia perder pro filho do Bolsonaro
O velho mentiroso vai pra casa viver o ostracismo
Se achava o tal vai ver que não passava de um velho gaga ultrapassado