O Estado de S. Paulo
Eventual vitória de Flávio deixa ministros do STF próximos de Lula mais perto do impeachment
Flávio Bolsonaro arrancou na frente no
primeiro turno e o Supremo Tribunal Federal (STF) foi atrás dele. Desde a
divulgação do resultado das urnas, ministros próximos de Luiz Inácio Lula da
Silva tomaram decisões favoráveis ao bolsonarismo. Eventual vitória de Flávio
no dia 25 deixa esse grupo mais perto do impeachment em 2027.
Ao menos 31 dos senadores eleitos defendem o afastamento de ministros da Corte. O presidenciável do PL fez dessa ideia bandeira de campanha. Nesse cenário, Gilmar Mendes arquivou investigação por estupro contra Alfredo Gaspar, vice na chapa de Flávio.
Alexandre de Moraes concedeu regime
semiaberto a Débora dos Santos, que pichou a estátua da Justiça com batom. O
procurador-geral da República, Paulo Gonet, foi favorável ao retorno das
visitas de Flávio a Jair Bolsonaro. Moraes sinalizou que deve julgar o pedido
nesses termos.
Anteontem, ministros da Corte receberam nos
gabinetes Rogério Marinho, cotado para presidir o Senado a partir de 2027. Ao
presidente do tribunal, Edson Fachin, o parlamentar avisou que “o Senado não
vai se omitir”, se enxergar crimes de responsabilidade dos ministros.
Enquanto ministros ligados a Lula tentam se
cacifar com o grupo de Flávio, quem já estava nele agora disputa a liderança.
Kassio Nunes Marques anunciou que vai levar
ao plenário o pedido de liberdade de Jair Bolsonaro após o segundo turno.
Aliados de Flávio querem iniciar os processos
de impeachment por Moraes. A intenção é evitar que ele seja empossado
presidente do Supremo em 2027, pois é o próximo na linha de comando da Corte.
Com isso, a cadeira seria de Nunes Marques, que sucede a Moraes pelo critério
de antiguidade.
Flávio também sonha com a maioria no
plenário. Ele já tem o apoio de Nunes Marques, André Mendonça e Luiz Fux.
Começaria o mandato com uma vaga para indicar: a de Luís Roberto Barroso, que
ainda está aberta. Já são quatro dos 11 ministros.
Nos próximos quatro anos, Fux e Cármen Lúcia
vão se aposentar, o que deixaria o time de Flávio com cinco ministros. Gilmar
deixa o tribunal em dezembro de 2030, último mês do próximo mandatário. Se
Flávio conseguir retirar Moraes do STF, garantirá a maioria nos julgamentos.
Para tentar angariar votos, Flávio e Lula vão continuar batendo no Supremo. No dia seguinte ao primeiro turno, Fachin respondeu aos ataques com um discurso em homenagem ao aniversário da Constituição: “Conjunturas se alternam. O tribunal é maior do que tudo e do que todos, e ele permanecerá”.

Um comentário:
Amo a esquerda e a direita,somos todos irmãos e irmãos são diferentes,ficam na paz.
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