domingo, 13 de janeiro de 2013

Conversinha - Vinicius Torres Freire

Três personagens à procura de um programa de governo conversam com empresários

Dilma Rousseff conversa com empresários. Aécio Neves e Eduardo Campos também.

Dilma quer animar a torcida e pegar umas dicas para o final de governo. Aécio e Campos querem encontrar uma torcida. Fazem "road show", uma turnê inicial de propaganda entre donos do dinheiro.

Aécio, senador tucano, provavelmente vai (ser candidato a presidente), mas finge que não. Campos, governador de Pernambuco, do PSB ora governista, provavelmente não vai, mas finge que sim. Pelo sim ou pelo não, ambos deixam como está para ver como é que fica. Isto é, ver se o governo Dilma se trumbica.

A campanha começa daqui a ano e meio. Já está tarde para uma candidatura séria. O que querem os candidatos de ocasião, oportunistas, com essas conversas com empresários além de fazer graça com quem tem poder e dinheiro?

Todo mundo sabe o que os empresários querem, da boca para fora. Na prática, empresários-empresas podem querer coisas muito diferentes. Muito empresário-empresa se arranjou com o que se chama de "intervencionismos" dos governos Lula 2 e Dilma. A chiadeira começou mesmo quando o PIB empacou e Dilma engrossou com a banca e uns outros.

Uma candidatura que não se resuma a esperar o governo Dilma cair de podre, a encontrar podres de Lula e a demagogias teria de arrumar encrenca com empresário-empresa.

Reduzir favores estatais a empresas dá rolo. Abrir a economia, ainda que de modo lento, gradual e seguro, dá rolo. Dar cabo do endividamento público progressivo dá rolo (a dívida federal ainda custa uns 5% do PIB por ano, dinheiro que vai para bancos, empresas capitalizadas e famílias ricas).

Dá rolo e trabalho submeter as empresas a mais competição e ao mesmo tempo usar a energia e os fundos do governo para auxiliá-las com ciência e tecnologia, uma providência óbvia faz décadas.

Não se vai tirar o país do trilho conservador sem mexer também com esses interesses, que são os da parceria da grande empresa com o Estado, como quase sempre.

Liderar Estados e municípios a fim de revolucionar a educação dá rolo. Inclui mexer com a corporação dos professores, uma das maiores e ora das mais reacionárias categorias de trabalhadores.

É preciso debulhar o Estado de suas mil-e-uma inutilidades, limitar seus agora excessos assistenciais, mexer a fundo na sua repartição de gastos. De outro modo, não se vai financiar o que deveria ser a prioridade de governos, em especial os de esquerda: da educação dos pobres da creche à universidade. Ou bancar a redução da violência, que afeta em especial os pobres. Morremos como moscas por causa de tiro e facada; morremos aos montes no trânsito e no trabalho; morremos de doenças primitivas. Bárbaros, não damos a mínima para essas dezenas de milhares de mortes.

O tempo é escasso para inventar uma candidatura que tenha planos sérios e agregue capacidades técnicas e apoios sociais para cuidar disso tudo. Nem se mencione coisa mais complicada, como tornar a democracia brasileira mais democrática, digamos, que são outros quinhentos, talvez quinhentos anos.

Enquanto isso, Dilma conversa com empresários. Aécio também. Campos também.

Fonte: Folha de S. Paulo

Dilma e a burguesia - Celso Ming

A presidente Dilma Rousseff parece convencida de que tem de mudar sua maneira de tratar os empresários e o mundo dos negócios.

Nos dois últimos dias chamou para uma conversa alguns dos empresários mais ativos para deles saber o que falta para que voltem a investir.

Essa iniciativa vem num momento em que se espraia pelo mundo (e não só pelo Brasil) a percepção de que o governo Dilma não disfarça atitudes "antibusiness". As críticas manifestadas pelo mais importante semanário de Economia e Política, a revista inglesa The Economist, são desdobramentos dessa imagem ou, se não isso, das contradições com que vem tratando o mundo dos negócios.

O governo Lula chegara à conclusão de que não poderia só cultivar relações com sindicatos, trabalhadores e povão - afinal, suas raízes. Talvez inspirado no modelo corporativista do presidente Getúlio Vargas, formado por sindicatos dos trabalhadores de um lado e por sindicatos patronais de outro (cujas versões políticas foram o PTB e o antigo PSD), Lula entendeu que tinha, também, de dar acolhimento especial para a chamada burguesia empresarial. Para vice-presidente, escolheu um empresário de sucesso, o Zé Alencar. Para passar a impressão de que o homem de negócios participaria do governo, criou um superteatro, o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, o Conselhão.

Embora tenha herdado muita coisa da administração Lula, a presidente Dilma parece ter concepção própria do mundo dos negócios. Parece entender que tanto as empresas públicas como as do setor privado têm de fazer o jogo do governo, fortemente intervencionista.

É simplista e equivocado dizer que o governo Dilma seja ou estatizante ou antiprivatizante. Ela tanto reforçou como prejudicou o setor estatal, como também reforçou e prejudicou grandes segmentos do setor privado.

Reforçou o setor estatal na medida em que injetou recursos do Tesouro, aumentou ou manteve alguns dos seus privilégios. E tudo fez para preservar elefantes oficiais - como a Infraero e bancos públicos. Mas também sangrou e vem sangrando empresas estatais - Petrobrás, Eletrobrás e os próprios bancos oficiais -, por deliberadamente sacrificar seu caixa e seu Ebitda, com o intuito de garantir determinadas prioridades de sua política.

Dualidade equivalente vem sendo reservada ao setor privado. De um lado, favoreceu-o com a derrubada dos juros, com a desvalorização do real, com providências destinadas a reduzir as tarifas de energia elétrica, com a redução (ou isenção) do IPI sobre bens de consumo durável, com a desoneração dos encargos trabalhistas e com a criação de reservas de mercado para os fornecedores da Petrobrás e para a indústria de veículos.

De outro, também prejudicou o setor privado, como o do etanol, as empreiteiras, as concessionárias de energia elétrica, as empresas de comunicação e os bancos. O governo Dilma mudou, sem consulta ou negociação prévia, importantes regras do jogo.

Agora, por exemplo, encoraja a Receita Federal a despachar multas multimilionárias a grandes empresas, escorada em legislação tributária intencionalmente confusa e ambígua.

O resultado líquido desses procedimentos é certa erosão de confiança. Mesmo quando não atingido por esses repentes de vontade política, o empresário sente que há uma espada de Dâmocles oscilando ameaçadoramente sobre a sua cabeça. Sempre teme que a política que atropela regras de jogo e que corrói o caixa das estatais acabe derrubando seus negócios. Por isso, prefere manter o breque de mão puxado, não se empenha em modernizar sua empresa e até ri desenxabido quando a presidente Dilma faz apelos insistentes para que, afinal, libere seu espírito animal.

O gigante pela própria natureza está precisando de um choque de capitalismo e de uma mudança radical na maneira como o governo está encarando o mundo dos negócios - tanto os do setor público como os do privado. Embora a presidente Dilma já tenha ultrapassado a metade do seu atual mandato, não é tarde demais para isso.

Fonte: O Estado de S. Paulo

Acender a vela - 2001 e 2013 - Suely Caldas

Além da falta de investimentos - uma persistência nos últimos 30 anos -, o maior erro da crise de energia elétrica de 2001 foi o governo demorar a reconhecer o problema, adiar soluções e começar a agir só quando o racionamento restou inevitável. Desse mal o governo Dilma Rousseff não padece, tantos têm si¬do os alertas, vindos de todos os lados.

Em 2001, o ex-presidente FHC só tomou conhecimento do baixo nível dos reservatórios das hidrelétricas no dia 8 de maio, numa reunião do Conselho Nacional de Política Energética. Como ago-ra, o período de dezembro a março de 2001 foi seco, não choveu, e o nível dos reservatórios das hidrelétricas foi baixando, baixando. Passaram Natal, ano-novo, carnaval e os responsáveis pelo setor elétrico (Ministério de Minas e Energia, Aneel, Operador Nacional do Sistema e empresas geradoras) não agiam, pareciam não querer acabar com o clima de festas.

Como o ministro da área era um político (senador do antigo PFL), FHC decretou intervenção no ministério e deslocou Pedro Parente (experiente e imaginativo funcionário de carreira) da Casa Civil para a Câmara de Gestão da Crise de Energia. Em menos de um mês o País tinha um plano de racionamento e os brasileiros foram obrigados a economizar 20% na conta de luz. Com os reservatórios em níveis razoáveis, a Região Sul ficou fora do racionamento, o que não livrou Dilma Rousseff, na época secretária de Minas e Energia do governo gaúcho, de reunir-se uma dúzia de vezes com Pedro Parente. Mesmo indiretamente, foi seu primeiro contato com uma situação de crise como a de hoje. O "apagão de FHC", que ela tanto criticou ao chegar ao governo Lula.

Se hoje Dilma tem a retaguarda das usinas térmicas para garantir o supri¬mento, ela deve isso ao plano de emergência montado por Pedro Parente no governo FHC. Alimentadas por gás natural ou diesel (combustíveis que não dependem de fatores climáticos), essas usinas começaram a ser construídas em 2001 para serem postas em reserva e ligadas só quando a produção de energia diminui por falta de chuvas. É essa reserva que tem dado um pouco mais de tranquilidade a Dilma e afastado o risco de racionamento. Por enquanto, porque a seca deste ano é mais grave do que a de 2001. Hoje, o nível dos reservatórios das Regiões Sudeste e Centro-Oeste está em 28,31%, abaixo de 31,41%, de janeiro de 2001, e até do mais baixo patamar, de 28,55%, registrado em junho de 2001. A solução agora está mais com São Pedro, no céu: rezar muito para ele mandar com urgência chuvas em abundância. Se demorar e o racionamento for inevitável, como fica o "pibão" de 2013?

Mas Dilma não quer nem ouvir falar em racionamento. E com razão: ela conhece as consequências. Depois de ver o PIB desabar para 2,7%, em 2011, e provavelmente 1%, em 2012, o que esperar de 2013, se o consumo de energia for racionado? A resposta ela viu acontecer em 2001: o PIB caiu de 4,3%, em 2000, para 1,3%, a produção industrial recuou de 6,5% para 1,5%, o desemprego cresceu e o Tribunal de Contas da União contabilizou em R$ 45,2 bilhões os pre¬juízos do País. Nenhum governante quer isso em sua gestão. Mas Dilma pre¬cisa ajudar. E acelerar os investimentos (público e privado) é o caminho mais rápido e seguro para expandir a geração.

O setor elétrico vem dando sinais até exuberantes de esgotamento. Nos governos Lula e Dilma aconteceram dez apagões de grandes proporções, que deixaram milhões de brasileiros no escuro. O maior, em novembro de 2009, atingiu 18 Estados (São Paulo, Rio de Janeiro e, Espírito Santo ficaram totalmente sem luz). O mais grave é que estão virando rotina: no curto espaço entre setembro e dezembro de 2012 foram seis apagões e o último, em 15/12, deixou 2,7 milhões de brasileiros sem luz. Sinal mais do que óbvio de saturação do sistema elétrico e da carência de investimentos. Há mais de 30 anos se investe mal e sem planeja¬mento. Urge o governo trabalhar num plano de longo prazo de estímulo ao in¬vestimento privado em geração e trans¬missão e a Aneel atuar com maior rigor na fiscalização e exigência de manutenção adequada de parte das empresas.

Fonte: O Estado de S. Paulo

Brasil, um retrato em tom cinza - Clóvis Rossi

Pesquisa sobre capacidade de o país enfrentar grandes crises não dá resultados nem confortáveis nem trágicos

O Brasil nem está tão bem quanto parecem acreditar o governo e os governistas mais empedernidos nem tão mal como querem fazer crer recentes análises, nacionais e estrangeiras.

Esse tom cinza transparece da pesquisa "Percepção de Riscos Globais", feita por iniciativa do Fórum Econômico Mundial (pelo oitavo ano consecutivo). Foram ouvidos mil especialistas de 139 países, entre executivos, acadêmicos e membros do governo e da sociedade civil.

Dá até para dizer que o copo do Brasil está meio cheio quando a pergunta se refere ao país todo, e não apenas a seu governo. A pergunta foi esta: "Se este risco [econômico, ambiental, geopolítico, social ou tecnológico] se materializasse no país em que você é especializado, qual seria a capacidade dele de se adaptar ou se recuperar do impacto?".

Os dados recolhidos, dizem os autores do relatório, só permitiram comparações entre dez países. O Brasil sai-se excepcionalmente bem no quesito adaptabilidade a um grande risco econômico: ganha de Índia, Itália, Japão, Rússia e Reino Unido. Empata com os Estados Unidos e só perde para Alemanha, China e Suíça (esta a mais preparada).

Já na hipótese de risco ambiental, o resultado é menos positivo: o Brasil só está mais apto a resistir a ele do que a Índia e a Itália, entre os dez países para os quais há dados comparáveis.

O copo meio vazio aparece nas respostas a outra pergunta: "Como você avalia a eficácia e o monitoramento do seu governo na preparação para responder ou mitigar grandes riscos globais?" [crises financeiras, desastres naturais, mudança climática, pandemias etc.] O Brasil fica em 45º lugar entre 139 países.

Não é uma posição confortável para um país que foi alçado à condição de potência já para o ano 2020, que está virando a esquina, conforme os búzios jogados pela Goldman Sachs, para criar a sigla BRICs.

Essa colocação intermediária combina com a perda de brilho mais recente do Brasil emergente.

O país fica atrás de três dos outros quatro BRICS (China, 30º; África do Sul, 34º; e Índia, 38º), mas ganha da Rússia (73º).

Na América Latina, superam o Brasil o Chile, eterno queridinho dos mercados, que fica em luminoso 10º lugar, e o México, o novo "darling", que é o 12º.

Mas a posição não é tão ruim assim. Sua nota (4,16, quando o máximo é 7) não fica muito longe do melhor colocado entre os países grandes, o Canadá (5º colocado, com 5,41). Os quatro primeiros são países pequenos demais para serem comparáveis (Cingapura, Qatar, Omã e Emirados Árabes Unidos).

Horrível mesmo é a posição de Argentina e Venezuela, penúltima e última colocadas, atrás até da falida Grécia.

Ranking à parte, o relatório 2013 sobre riscos globais abre com a afirmação de que "persistente mal estar econômico acoplado a frequentes eventos climáticos extremos compõem uma mescla crescentemente perigosa".

É um bom sinal saber que a comunidade empresarial, clientela principal do Fórum, começa a pôr a mudança climática na agenda.

Fonte: Folha de S. Paulo

O tempo dirá. Ou não – Pedro Malan

Coincidência ou não, vale o simbolismo: o governo federal escolheu dois 7 de Setembro (2009 e 2012), dias de nossa Independência, para anunciar mudanças importantes nos regimes de concessão nas áreas de petróleo e energia elétrica.

No caso do petróleo, como notei em artigo anterior, "deixemos de lado uma pergunta fundamental: era mesmo preciso mudar totalmente a Lei do Petróleo de 1997 apenas para aumentar a fatia do governo no pré-sal?". (Algo que o regime de concessões, adaptado, já permitiria, dizem especialistas, por meio de aumento da "participação especial" para os novos campos.) Mas a questão relevante, após a controvertida decisão da mudança de regime, passou a ser a viabilização dos investimentos para a empreitada, principalmente com a Petrobrás tendo de assumir a posição de operadora, com pelo menos 30% de todos os campos do pré-sal a serem explorados.

Opiniões à parte, são fatos que a mudança de regime atrasou o processo, que há quatro anos não há licitações de nenhuma área e que a Petrobrás, como notou Adriano Pires, é a única grande empresa do mundo que, apesar do petróleo a mais de US$ 100 o barril, perde dinheiro quando vende gasolina (cujo consumo aumentou 60% de 2008 a 2012), porque paga mais caro pela gasolina que importa do que recebe pela gasolina que vende, já que seus preços estão controlados por decisão do acionista majoritário. E isso certamente afetou a sua capacidade de investimento. Investimentos que passariam de US$ 174 bilhões (2009-2013) para US$ 225 bilhões (2010-2014 e 2011-2015) para U$ 236 bilhões (2012-2016). Haja Tesouro.

No dia 7 de setembro de 2012, a presidente Dilma Rousseff anunciou mudanças na legislação sobre o setor elétrico. O governo federal tem o direito, estabelecido em lei, de renovar ou não as concessões de geradoras de energia quando os seus contratos terminarem. Era sabido que vários contratos de concessão importantes expiravam em 2015-2017. O governo, buscando o objetivo meritório de reduzir o custo de energia, decidiu propor a renovação antecipada (para 2013) das concessões às empresas de geração e de transmissão que aceitassem reduzir desde logo (2013) as tarifas aos níveis desejados pelo próprio governo.

De novo a questão fundamental, como no caso do petróleo, é: as novas regras contribuirão ou não para aumentar o grau de confiança dos investidores no setor de geração de energia? Em particular, e para usar outras palavras, as novas tarifas (20% mais baixas), tal como estabelecido, permitem às empresas cobrir os seus custos de operação e manutenção - além de efetivar os investimentos necessários à expansão de seus negócios? Há quem diga que sim. Há quem diga que o governo federal terá, cedo ou tarde, de capitalizar as geradoras da Eletrobrás, que seguiu a orientação de seus acionistas controladores de reduzir em mais de 20% a sua receita. E há novos riscos. Haja Tesouro...

Os casos do petróleo e da energia elétrica não são isolados. Problemas assemelhados existem em outras áreas, como portos, aeroportos, rodovias, ferrovias, trens-bala, saneamento, abastecimento de água. O papel do Estado e o do setor privado continuam sendo tema de infindável controvérsia na própria sociedade e, certamente, no âmbito do próprio governo, no qual convivem diferentes posições sobre o tema. Que contribuem, talvez, para confirmar o chiste de Luís da Câmara Cascudo: "O Brasil não tem problemas, apenas soluções adiadas".

Em momentos como este, é fundamental um esforço para melhorar a qualidade do debate público. Apenas quatro observações a esse respeito.

Primeiro, não deveria existir uma política macroeconômica de esquerda, progressista e desenvolvimentista, à qual se contraporia uma política macroeconômica de direita, monetarista, conservadora e "neoliberal". Na verdade, em cada contexto há um espectro de políticas macro mais ou menos adequadas do ponto de vista de sua consistência intertemporal. E um legítimo debate profissional sobre o grau de responsabilidade, de coerência e de credibilidade de uma dada política.

Segundo, não deveria existir, a meu juízo, quando se está discutindo, de boa-fé, na prática, a eficácia de uma política pública específica numa área definida, seja educação, saúde ou segurança, uma posição de esquerda, ou progressista, ou desenvolvimentista em oposição maniqueísta a uma outra posição de direita, ou fiscalista, ou "neoliberal".

Terceiro, há claros limites para a expansão acelerada dos gastos governamentais, ainda quando justificáveis como fundamentais para reduzir injustiças sociais e mitigar efeitos cíclicos de crises econômicas. Como escreveu Luiz Felipe de Alencastro, "a ideia de que se pode alcançar a justiça social às custas das ações do Estado chegou ao limite. É preciso buscar novos caminhos e mobilizar a sociedade em um ambiente onde também atuem mecanismos de mercado".

Quarto, é desonestidade intelectual, além de falta de ética no debate público, imputar a indivíduos, e a supostas escolas de pensamento a que pertenceriam, o descaso com o desenvolvimento econômico e a inclusão social, porque essa "preocupação" teria sido já apropriada e transformada em monopólio de autointitulados "social-desenvolvimentistas". Vimos, recentemente, a tentativa de um partido de se apropriar do monopólio da ética na política. Deu no que deu. O enfrentamento dos difíceis desafios à frente seria mais efetivo se pudéssemos perder menos tempo, talento e energia com falsos dilemas, dicotomias simplórias, diálogos de surdos, pregações dirigidas aos já convertidos e rotulagens destituídas de sentido, exceto para militantes ansiosos por palavras de ordem.

O Brasil merece algo melhor em termos de qualidade de debate público. E acho que, apesar das tentativas em contrário, estamos avançando.

Pedro S. Malan, economista, foi Ministro, da Fazenda no governo, Fernando Henrique Cardoso

Fonte: O Estado de S. Paulo

Cabral impõe sigilo a relatórios de gastos

Documentos sobre mudanças no Orçamento estadual foram classificados como reservados por governador do Rio

Secretaria alega que papéis ficarão sob segredo só na fase de elaboração ou execução de leis orçamentárias

Italo Nogueira

RIO - O governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), impôs sigilo a 26 documentos que tratam da gestão financeira do Estado. Relatórios sobre mudanças no Orçamento e sobre execução dos gastos foram classificados como reservados, o que permite mantê-los fora do domínio público por até cinco anos.

A lista dos documentos sigilosos pode revelar também informações sobre as prioridades nos gastos ou eventuais dificuldades financeiras do Estado. Uma série deles trata de retenção de verbas, como a "planilha de controle de programas de trabalho contingenciados".

A determinação consta do Plano de Classificação de Documentos, divulgado em 17 de dezembro no "Diário Oficial". A publicação, assinada por Cabral, permite que muitos documentos sejam eliminados antes mesmo que se tornem públicos.

O plano foi publicado com a justificativa de organizar o arquivo do Estado. Ele define a classificação de sigilo, o tempo de guarda e a destinação posterior -eventual eliminação ou preservação por valor histórico.

A maioria foi considerada ostensiva, o que torna a documentação pública. Mas 26 documentos foram considerados reservados.

A Secretaria de Planejamento do governo do Rio argumenta que os documentos serão classificados como sigilosos apenas na fase de elaboração ou execução de leis orçamentárias. Depois serão desclassificados, ou seja, se tornarão públicos. O decreto não explicita isso.

Oito dos documentos apontados como sigilosos se referem à execução orçamentária. Eles tratam de emendas propostas por parlamentares, solicitação de secretários por mais verbas, pareceres sobre os pedidos e sobre projetos que terão contingenciamento de verba. Estudos elaborados pela equipe técnica do governo também foram considerados sigilosos.

Parte dos dados considerados reservados podem ser obtidos atualmente no Portal Transparência da Secretaria de Fazenda do Estado.

Controle social

Para Gil Castello Branco, da ONG (Organização Não Governamental) Contas Abertas, não há motivo para impor sigilo a esses documentos. Ele afirmou que o objetivo do governo pode ser ocultar eventual autocrítica de gestores na execução do Orçamento estadual. "Um dos receios que tínhamos [no debate sobre a Lei de Acesso à Informação] é que o gestor preservasse o sigilo de documentos absolutamente banais", disse.

Para Fabiano Angélico, pesquisador da FGV (Fundação Getúlio Vargas), o sigilo em estudos é justificável.

"Se fossem divulgados amplamente, o debate poderia ficar empobrecido pelo receio de alguns técnicos."

Ele criticou, porém, o sigilo nos documentos referentes à execução orçamentária e outros que contenham informações objetivas sobre a administração pública.

"Tudo o que envolve gasto público, envolve discussão política, de prioridades. Quando são só cinco representantes com quem negociar a liberação de verbas é uma coisa. Se tem os olhos da imprensa, sociedade civil organizada fazendo pressão, fica mais difícil. [O sigilo] é uma forma de diminuir o controle social para dar mais margem de manobra para o gestor", afirmou o pesquisador.

Angélico criticou o fato de o decreto não citar, entre suas justificativas, a Lei de Acesso à Informação.

Fonte: Folha de S. Paulo

Um confuso bate-boca - Ferreira Gullar

O fato mesmo é o seguinte: não há produção e venda de mercadoria alguma se não houver consumidor

Um novo projeto de lei, que deve ser votado pelo Congresso em fevereiro, trouxe de novo à discussão o problema das drogas: reprimir ou descriminalizar?

Esse projeto pretende tornar mais severa a repressão ao tráfico e ao uso de drogas, alegando ser esse o desejo da sociedade. Quem a ele se opõe argumenta com o fato de que a repressão, tanto ao tráfico quanto ao uso de drogas, não impediu que ambos aumentassem.

Quem se opõe à repressão considera, com razão, não ter cabimento meter na prisão pessoas que, na verdade, são doentes, dependentes, consumidores patológicos. Devem ser tratados, e não encarcerados. No entanto, quem defende o tratamento em vez da prisão se opõe à internação compulsória do usuário porque, a seu ver, isso atenta contra a liberdade do indivíduo.

Esse é um debate que não chega a nada nem pode chegar. Se você for esperar que uma pessoa surtada aceite ser internada para tratamento, perderá seu tempo.

Pergunto: um pai, que interna compulsoriamente um filho em estado delirante, atenta contra sua liberdade individual? Deve, então, deixar que se jogue pela janela ou agrida alguém? Está evidente que, ao interná-lo, faz aquilo que ele, surtado, não tem capacidade de fazer.

Mas a discussão não acaba aí. Todas as pessoas que consomem bebidas alcoólicas são alcoólatras? Claro que não. A vasta maioria, que consome os milhões de litros dessas bebidas, bebe socialmente. Pois bem, com as drogas é a mesma coisa: a maioria que as consome não é doente, consome-as socialmente, e muitos desses consumidores são gente fina, executivos de empresas, universitários etc..

Só que a polícia quase nunca chega a eles, pois estes não vão às bocas de fumo comprar drogas. Sem correrem quaisquer riscos, as recebem e as usam. Ninguém vai me convencer de que os milhões de reais que circulam no comércio das drogas são apenas dinheiro de pé-rapado que a polícia prende nas favelas ou debaixo dos viadutos.

Outro argumento falacioso dos que defendem a descriminalização das drogas é o de que a repressão ao tráfico e ao consumo não deu qualquer resultado positivo. Pelo contrário -argumentam eles-, o tráfico e o consumo só aumentaram.

É verdade, mas, se por isso devemos acabar com o combate ao comércio de drogas, deve-se também parar de combater o crime em geral, já que, embora o sistema judicial e o prisional existam há séculos, a criminalidade só tem aumentado em todo o planeta. Seria, evidentemente, um disparate. Não obstante, esse é o argumento utilizado para justificar a descriminalização das drogas.

A maneira certa de encarar tal questão é compreender que nem todos os problemas têm solução definitiva e, por isso mesmo, exigem combate permanente e incessante.

A verdade é que, no caso do tráfico, como no da criminalidade em geral, se é certo que a repressão não os extingue, limita-lhes a expansão. Pior seria se agissem à solta.

Quantas toneladas de cocaína, crack e maconha são apreendidas mensalmente só no Brasil? Apesar disso, a verdade é que cresce o número de usuários de drogas e, consequentemente, a produção delas. Os traficantes têm plena consciência disso, tanto que, para garantir a manutenção e o crescimento de seu mercado, implantam gente sua nas escolas a fim de aliciar meninos de oito, dez anos de idade.

Por tudo isso, deve-se reconhecer que o combate ao tráfico é particularmente difícil, já que, nesse caso, a vítima -isto é, o consumidor- alia-se ao criminoso contra a polícia. Ou seja, ela inventa meios e modos para conseguir que a droga chegue às suas mãos, anulando, assim, a ação policial.

O certo é que este bate-boca não leva a nada. O fato mesmo é o seguinte: não há produção e venda de mercadoria alguma se não houver consumidor.

Só se fabricam automóvel e geladeira porque há quem os compre. O mesmo ocorre com as drogas: só há produção e tráfico de drogas porque há quem as consuma. Logo, a maneira eficaz de combater o tráfico de drogas é reduzindo-lhe o consumo.

E a maneira de conseguir isso é por meio de uma campanha de âmbito nacional e internacional, maciça, mostrando às novas gerações -principalmente aos adolescentes- que a droga destrói sua vida.

Fonte: Ilustrada / Folha de S. Paulo

Antonio Carlos Jobim - Chega de saudade

Vida e poesia – Vinicius de Moraes

A lua projetava o seu perfil azul
Sobre os velhos arabescos das flores calmas
A pequena varanda era como o ninho futuro
E as ramadas escorriam gotas que não havia.
Na rua ignorada anjos brincavam de roda...
– Ninguém sabia, mas nós estávamos ali.
Só os perfumes teciam a renda da tristeza
Porque as corolas eram alegres como frutos
E uma inocente pintura brotava do desenho das cores
Eu me pus a sonhar o poema da hora.
E, talvez ao olhar meu rosto exasperado
Pela ânsia de te ter tão vagamente amiga
Talvez ao pressentir na carne misteriosa
A germinação estranha do meu indizível apelo
Ouvi bruscamente a claridade do teu riso
Num gorjeio de gorgulhos de água enluarada.
E ele era tão belo, tão mais belo do que a noite
Tão mais doce que o mel dourado dos teus olhos
Que ao vê-lo trilar sobre os teus dentes como um címbalo
E se escorrer sobre os teus lábios como um suco
E marulhar entre os teus seios como uma onda
Eu chorei docemente na concha de minhas mãos vazias
De que me tivesses possuído antes do amor.

sábado, 12 de janeiro de 2013

OPINIÃO DO DIA – Roberto Freire: esquerda democrática

Há muito tempo temos a ideia de criar uma nova formação política mais ampla e representativa do pensamento democrático de esquerda no Brasil.

Roberto Freire, deputado federal (SP) e presidente do PPS – esquerda democrática. Portal R7, 10 de janeiro de 2013.

Manchetes de alguns dos principais jornais do País

O GLOBO
Mais problemas no BRT de Paes - Túnel de meio bilhão já terá reforço estrutural
Contas do governo - Dívida sobe R$ 600 bi em dois anos
Protestos separados - Oposição a Chávez sem articulação
Arquivos da ditadura - ‘Rubens Paiva foi morto no DOI-Codi’
Rubens Braga: os 100 anos do cronista
Contador de Cachoeira deve se entregar

FOLHA DE S. PAULO
Sem manobra, governo economiza 35% menos
Três anos após tremor, 357 mil ainda vivem em abrigos no Haiti
Clima extremo marca 2012 e deve se manter durante o ano
Boato provoca pânico e correria no metrô de SP
Piso de domésticas será de R$ 755 a partir de fevereiro

O ESTADO DE S. PAULO
Câmara gasta R$ 280 milhões para reformar apartamentos
Um dia após a posse, vice da Venezuela vai visitar Chávez
Reconstrução difícil
Cade quer punir entidades médicas

CORREIO BRAZILIENSE
PT procura um emprego para o italiano Cesare Battisti
Governo paga mais para reter servidores
MP vai investigar caso de funcionários que recebem sem trabalhar
Geap tem rombo de R$ 151 milhões e está sem diretor efetivo

ESTADO DE MINAS
E vem mais chuva

O TEMPO (MG)
Bulevar Arrudas fica 350 m menor e R$ 13 mi mais caro
Crise na prefeitura coloca em risco Carnaval de Diamantina
150 mil podem voltar às urnas
Empresas de energia perdem R$ 37 bi em valor de mercado
José Serra enfrenta resistência à candidatura no PPS

GAZETA DO POVO (PR)
Fruet revê projetos de mobilidade na capital
Consumo interno garante emprego na indústria
Sistema federal de cotas preencheu apenas metade das vagas na UFPR
O centenário de Rubem Braga, maior cronista brasileiro
Curitiba terá feriado da consciência negra

ZERO HORA (RS)
Piso vira bomba-relógio para futuros governos
Rubens Paiva teria ficado até 15 dias no DOI-Codi

JORNAL DO COMMERCIO (PE)
Pacote de ações abre espaço para o trânsito
Falta apoio da ANS para o consumidor
ONU acionada sobre o caso Samambaia
Celpe anuncia investimento em Pernambuco

O que pensa a mídia - editoriais de alguns dos principais jornais do País

http://www2.pps.org.br/2005/index.asp?opcao=editoriais

Contas do governo - Dívida sobe R$ 600 bi em dois anos

Em meio à crise, a injeção de recursos no BNDES para turbinar a economia ajudou a dívida bruta do governo a saltar de 53,4% do PIB, em 2010, para quase 60% no fim de 2012. Com a alta de R$600 bi, a dívida atingiu R$ 2,6 tri. Para analistas, o governo deve ter cautela.

Dívida inchada

Injeção de recursos no BNDES ajudou a crescer o endividamento em R$ 600 bi em 2 anos

Martha Beck

BRASÍLIA - A estratégia da equipe econômica de injetar recursos no BNDES para turbinar a economia nos últimos anos foi uma das principais responsáveis por fazer com que a dívida bruta do governo saltasse de 53,4% do Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos) em 2010 para quase 60% do PIB no fim de 2012. Isso representa um aumento de R$ 600 bilhões no período. Em novembro de 2012, o total da dívida atingiu R$ 2,6 trilhões, número recorde. A partir do momento em que o Tesouro Nacional emite títulos para dar ao banco de fomento mais fôlego para emprestar ao setor privado - foram mais de R$ 300 bilhões desde 2008 - ele aumenta seu endividamento.

Segundo analistas ouvidos pelo GLOBO, a trajetória de alta ainda não traz preocupação, pois o Brasil tem hoje condições de arcar com seus compromissos. No entanto, é preciso ter cautela a longo prazo, uma vez que os recursos que o Tesouro repassa ao BNDES têm um custo de captação maior (variando com a Taxa Selic de 7,5% ao ano) do que a remuneração paga pela instituição, que varia com a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), que está em 5% ao ano.

- O Tesouro emitiu títulos para que o BNDES pudesse ampliar o volume de recursos destinados a investimentos. Mas, na prática, não foi o que se viu. Os investimentos vêm caindo - disse o economista da consultoria Tendências Felipe Salto, afirmando que, mesmo assim, o custo das operações do BNDES atinge R$ 15 bilhões por ano.

- Hoje, não há risco de insolvência. Mas a economia precisa voltar a crescer - alertou o ex-diretor do Banco Central Carlos Thadeu de Freitas.

De acordo com ele, o governo está usando o BNDES para ajudar o setor produtivo, mas, se a atividade não mostrar uma recuperação, não haverá retorno para o governo por outros meios, como o aumento da arrecadação de impostos. Mesmo assim, Freitas destacou que não há qualquer sinal no mercado internacional de que o Brasil esteja acendendo a luz amarela:

- O prêmio de risco brasileiro está baixo. Isso mostra confiança dos investidores no país.

Dívida líquida fica em 35% do PIB

Freitas lembrou que o mais grave seria se o governo estivesse se endividando para arcar com custeio.

- Aí sim, seria um movimento autofágico - afirmou.

Segundo Salto, o aumento da dívida bruta é reflexo de uma política fiscal expansionista, que mostra uma tentativa de crescer a qualquer custo. Para ele, a dívida bruta é o indicador que mostra melhor que as metas fiscais foram abandonadas.

Salto lembrou que a dívida líquida do setor público - indicador que a equipe econômica prefere frisar para mostrar seu compromisso com o equilíbrio fiscal - não mostra todo o impacto da política expansionista do governo, porque inclui não apenas as operações do Tesouro para capitalizar o BNDES, mas também o retorno dado pelo banco ao Tesouro. A dívida líquida fechou 2012 em torno de 35% do PIB. Em 2010, era de 39,1%, caindo para 36,4% em 2011.

Além das capitalizações do BNDES, a dívida bruta foi afetada pela compra de dólares para aumentar as reservas internacionais e por operações do Banco Central para reduzir o volume de moeda no mercado.

- A opção do governo pelo expansionismo se transformou na principal regra das finanças públicas - disse Salto.

Os técnicos do governo afirmam que as capitalizações do BNDES e de outras estatais foram feitas para incentivar investimentos que vão voltar a crescer. Salto afirma que, embora elevado, o percentual da dívida não está distante do de outros países emergentes.

Fonte: O Globo

As capitais da regalia

Vereadores do Rio e de BH são os únicos, entre as 26 cidades, que recebem 14º e 15º salários

Ezequiel Fagundes

BELO HORIZONTE - Empossados no último 1º de janeiro, os vereadores do Rio e de Belo Horizonte são os únicos de capitais do país que ainda embolsam a título de "ajuda de custo" o auxílio-paletó - ou 14º e 15º salários, como também são conhecidos o benefício. O GLOBO levantou na última semana se há o pagamento do auxílio nas Câmaras das 26 capitais. Só neste ano, os Legislativos de Rio e Belo Horizonte destinarão cerca de R$ 2,5 milhões para custear a verba extra dos parlamentares, sendo R$ 1,5 milhão para os políticos cariocas e R$ 984 mil para os belo-horizontinos.

O benefício é pago em duas parcelas, uma em janeiro e outra em dezembro, sendo que cada uma delas equivale a um salário integral. Os vereadores do Rio ganham R$ 15 mil, e os mineiros embolsam R$ 12 mil por mês. E com os reajustes aprovados no ano passado, a conta do auxílio-paletó ficou mais salgada.

Parlamentares reeleitos receberam nos contracheques de dezembro e janeiro o equivalente a cinco salários, considerando-se o 13º (benefício natalino), acrescido do 14º e do 15º. No Rio, os 30 parlamentares reeleitos, de um total de 51, ganharam R$ 63 mil da Câmara. Em Belo Horizonte, 19 de 41 vereadores embolsaram R$ 51 mil em dois meses.

Teoricamente, a verba serviria para a compra de terno e gravata. Mas diferentemente de outras remunerações, como a verba indenizatória, não é necessário prestar contas dos gastos com o auxílio-paletó. E, neste caso, o vereador gasta o dinheiro público como bem entender.

- Se eu quiser comprar tudo em cueca, eu compro em cueca - esbravejou o médico e vereador Alexandre Gomes (PSB-BH), eleito para o quinto mandato consecutivo.

- Isso é salário. Ou você extingue ou recebe e gasta com bem entender. Eu, por exemplo, ajudo muitas pessoas com meu salário - argumentou a campeã de votos Rosa Fernandes (PMDB-RJ), eleita a primeira vez em 1992.

Essa parcela adicional de janeiro entra no mês em que os parlamentares sequer estão trabalhando. Pelo cronograma das duas Casas, os trabalhos em plenário e nas comissões temáticas só vão começar a partir do dia 1º de fevereiro. Além dos vencimentos, as duas câmaras oferecem aos parlamentares um pacotão de bondades. Os cariocas ganham mil litros por mês de combustível, o auxílio-gasolina; recurso para custear o salário de 20 funcionários comissionados; e 4 mil selos de correspondências por mês.

Já os vereadores da capital mineira ganham R$ 15 mil de verba indenizatória; R$ 800 de franquia de telefone; e outros R$ 42 mil para contratar até 15 assessores comissionados. Em meados de 2012, ano eleitoral, o presidente reeleito da Câmara de Belo Horizonte, Léo Burguês (PSDB), assumiu a paternidade de um projeto da Mesa Diretora que previa o fim dos salários extras. O tucano, no entanto, arquivou a proposta logo após a eleição.

Manaus: sem Imposto de Renda sobre benefício

O jurista Fábio Medina Osório, doutor em Direito Administrativo pela Universidad Complutense de Madrid, avalia que os benefícios extras são uma forma para ocultar a realidade dos vencimentos da classe política.

- O sistema de subsídio, de pagamento único, baniu esse tipo de verba. Na minha avaliação, verba paletó é inconstitucional. Vejo como um auxílio redundante e abusivo. Comprar roupas ou não faz parte do planejamento pessoal de cada um - avaliou Osório.

Para o cientista político Fábio Wanderley Reis, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), trata-se de um abuso da atividade parlamentar.

- É uma distorção histórica político receber 13º, 14º, 15º e outras benesses, enquanto o trabalhador comum sua a camisa para ganhar seu salário - ressaltou Wanderley.

Em Manaus, os 41 vereadores da cidade ganham uma parcela de auxílio-paletó de R$ 15 mil, além de salário e décimo terceiro. Lá, porém, nem o Imposto de Renda é descontado.

- Constituiu um privilégio imoral. O 13º salário está na lei trabalhista. Como não sou malandro, sou trabalhador, tenho direito de receber 13º no fim do ano. Agora o 14º não está previsto na Constituição - admitiu o vereador Mário Frota (PSDB).

Fonte: O Globo

Sem manobra, economia pública é 65% da anunciada, avalia mercado

Bancos e consultorias consideram dados oficiais imprecisos para estimativas e fazem cálculo próprio

Descrédito preocupa setores do governo; operações para fechar contas no fim de 2012 agravam discrepâncias

Sheila D’Amorim, Mariana Schreiber

BRASÍLIA - A criatividade do Tesouro Nacional para fechar suas contas, com o uso de sucessivas manobras contábeis e brechas legais, criou no Brasil uma contabilidade paralela à oficial que coloca em risco a credibilidade fiscal da gestão Dilma Rousseff.

Bancos e consultorias passaram a expurgar receitas e depurar gastos para calcular um superavit "puro" e poder estimar o impacto na economia e fazer suas projeções.

Nesses cálculos, a economia do setor público para pagar juros da dívida foi no mínimo 35% menor que a oficial em 2012 (veja quadro). O descrédito em relação aos números do Tesouro já assusta integrantes da equipe do ministro Guido Mantega (Fazenda).

A crise teve seu auge nas últimas semanas, quando se tornou pública a triangulação com bancos públicos e o Fundo Soberano para fechar os números de 2012.

O dado do ano, que só será divulgado no fim deste mês, foi apelidado de "superavit elfo", numa referência ao conto de Natal publicado em um dos blogs do jornal britânico "Financial Times".

No texto, a presidente Dilma é uma das renas do trenó do Papai Noel e perde o posto para o presidente do México. O ministro Guido é um elfo que defende Dilma e cujas previsões são consideradas muito otimistas.

Argentina

Dentro do governo, receia-se que surjam comparações com a Argentina, onde as estatísticas oficiais perderam a credibilidade. Para um interlocutor do governo, essa não é uma avaliação justa, pois no Brasil é possível refazer os cálculos, justamente porque todos os números estão disponíveis para o público.

"As pessoas podem não concordar com a medida do governo, mas as outras informações são divulgadas também", argumenta.

A Folha ouviu cinco instituições financeiras, entre bancos, corretoras e consultorias, que fazem o expurgo. Para alguns, a prática era limitada a 2010 em razão de uma manobra feita com a Petrobras. Agora, foi ampliada.

Gabriel de Barros, economista da FGV (Fundação Getulio Vargas), desconta as receitas extraordinárias e contábeis há dois anos e diz que, desde 2008, o resultado primário está superestimado em cerca de R$ 145,6 bilhões.

"O superavit era uma boa medida do impacto da política fiscal na demanda. Isso deixou de ser verdade, quando o governo passou a usar a contabilidade criativa."

O Itaú divulgou nesta semana relatório retirando dos resultados oficiais receitas extraordinárias e operações contábeis. No caso dos dividendos, o banco estima um repasse atípico de R$ 47,3 bilhões desde 2009.

"A ideia [de fazer o ajuste] é tentar capturar o esforço fiscal propriamente dito para extrair seu impacto na demanda", observa o economista do banco Marcelo Oreng.

A consultoria LCA faz um ajuste mais simples, abatendo as receitas com capitalização da Petrobras em 2010 e o dinheiro do Fundo Soberano. O objetivo dos cálculos próprios "é deixar a medida de superavit primário mais 'pura'" para avaliar o impacto na inflação, diz o economista-chefe Bráulio Borges.

A Quest Investimentos está concluindo os cálculos da sua estimativa "pura". A corretora Convenção Tullett Prebon divulgou ontem relatório com o resultado ajustado de 2012, sem o impacto das operações feitas no final do ano.

Fonte: Folha de S. Paulo

Geap tem rombo de R$ 151 milhões e está sem diretor efetivo

Geap tem rombo de R$ 151 mi

Órgão responsável pela gestão dos convênios médicos do funcionalismo federal acumula problemas e está acéfala desde o ano passado

Antonio Temóteo

Acéfala desde novembro, quando Paulo Eduardo de Paiva Gomes da Silva foi demitido do cargo de diretor executivo apenas quatro meses após tomar posse, a Fundação de Seguridade Social (Geap) está mergulhada em uma crise sem precedentes. Os problemas na gestão do plano de saúde dos servidores públicos federais, que possui 625 mil beneficiários, vão desde um rombo de R$ 151 milhões nas contas, identificado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), em auditoria preliminar feta em junho passado, até a falta de transparência e de critérios técnicos para a escolha dos dirigentes.

A queda de Paiva ocorreu depois que o Correio publicou, em 12 de agosto passado, reportagem que mostrava o suposto envolvimento dele na elevação injustificada de gastos com órteses, próteses e materiais especiais quando ainda ocupava a gerência da regional da Paraíba. A denúncia teve como base processo que descreve as infrações cometidas por Paiva entre 2010 e setembro de 2011 e que foi apresentado à então diretoria executoria do órgão em Brasília, em 27 de setembro do mesmo ano. Seis dias depois, a demissão dele foi publicada.

O relatório traz 110 casos de compras feitas pela gerência regional com indícios de irregularidade. Mesmo assim, menos de um ano após sua demissão, Paiva foi nomeado para o mais alto posto da Geap, em julho de 2012.

Com a diretoria executiva vaga, o cargo é ocupado provisoriamente desde 22 de novembro pelo diretor de Administração, Jocelino Francisco de Menezes, que acumula as duas funções.
O retrato do descaso na gestão do plano de saúde é ainda mais grave devido ao fato de a diretoria de Serviços também ser ocupada interinamente.

Procurada para esclarecer os motivos sobre a demissão de Paiva e se o escolhido para a vaga será um técnico, a Geap limitou-se a afirmar, por meio de nota, que a contratação do diretor executivo “acontece entre técnicos indicados e selecionados e sua demissão segue os critérios que norteiam a avaliação de desempenho e a apresentação de resultados”. O texto não informa se o Conselho Deliberativo da empresa analisa nomes para o posto.

Fonte: Correio Braziliense

Crise energética reforça o discurso da oposição

PSDB e DEM aproveitam as falhas no fornecimento de energia para criticar a gestão Dilma. Planalto vê ação orquestrada para atrapalhar a reeleição da presidente em 2014

Paulo de Tarso Lyra e Denise Rothenburg

O Planalto acusa a oposição de potencializar os problemas no fornecimento de energia no país para desconstruir a imagem de gestora da presidente Dilma Rousseff. Apesar dos reservatórios vazios, dos constantes apagões em diversas cidades e até no aeroporto Galeão (RJ), os governistas acham que tucanos e demistas atacam a área na qual Dilma é especialista em uma tentativa de desestabilizar a reeleição da presidente. “Eles não querem ganhar novos eleitores. Eles estão, sim, tentando recuperar os que estão perdendo”, declarou o deputado federal e secretário de Comunicação do PT, André Vargas (PR).

A batalha foi iniciada em setembro do ano passado, quando a presidente Dilma aproveitou o pronunciamento em comemoração à Independência do Brasil para anunciar que encaminharia uma proposta ao Congresso com o intuito de reduzir a conta de energia em 20% a partir deste ano. Mas na medida provisória encaminhada ao Legislativo, ela também incluiu novas regras para a manutenção ou a suspensão das concessões de energia elétrica. “Quem provocou esse debate acirrado foi o governo, ao ser intransigente nas negociações em torno da Medida Provisória 579”, rebateu o secretário de Energia de São Paulo, José Aníbal.

O PT e o Planalto veem uma sequência política lógica no debate atual em torno da possibilidade de racionamento de energia. Os ataques da oposição começaram desde que o julgamento do mensalão foi marcado para o período eleitoral no ano passado, intensificaram-se com a condenação dos petistas e prosseguiram com os depoimentos de Marcos Valério à Procuradoria Geral da República, no qual o operador do esquema tentou envolver o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no escândalo. Agora, o alvo dos opositores seria a capacidade administrativa de Dilma. “Eles estão calculando as perdas com a redução na conta de energia que será feito pela presidente. E não é uma perda apenas de receita”, disse ao Correio um ministro próximo de Dilma. “Eles precisam construir um discurso palatável. Caso contrário, não têm condições sequer de viabilizar uma candidatura alternativa”, provoca André Vargas.

O governo também acha que a pressão de setores do empresariado e da oposição em torno do fantasma de racionamento também têm relação com perdas de receitas impostas às concessionárias com as recentes negociações da MP 579. Levantamento feito pela Economática (ferramenta de análise de ações e fundos de investimento) mostra que, em pouco mais de quatro meses, as empresas do setor perderam R$ 37,23 bilhões em valor de mercado (leia mais na página 13). “Tem gente especulando e ganhando muito dinheiro com uma crise que não existe. Em qualquer outro país, isso seria suficiente para a abertura de um processo na Comissão de Valores Mobiliários (CVM)”, disse o ministro próximo da presidente.

O secretário petista André Vargas admite que existem alguns problemas pontuais de transmissão, mas afirma que é um exagero falar em desabastecimento de energia. “Não estamos nem perto do apagão que prejudicou o Brasil em 2000 e 2001. Estão querendo usar termos iguais para momentos completamente diferentes”, afirmou o petista.

Chuvas

José Aníbal, entretanto, acredita que a oposição está sendo injustiçada. “Nós estamos falando até pouco. Estamos apenas alertando o governo que é preciso investir em prevenção”, disse o secretário de Energia paulista. Ele admite que falar em desabastecimento agora, quando as chuvas acabaram de começar, pode ser algo prematuro. Além disso, o governo acabou agindo bem ao despachar boa parte das térmicas para suprir eventuais faltas de energia. “Mas também não podemos garantir que as chuvas que cairão até fevereiro ou março serão suficientes para garantir a geração de energia no segundo semestre, quando o período chuvoso acabar”, completou o tucano.

No Planalto, além da questão energética, outros assuntos de caráter federativo preocupam e abrem ensejo para embates acalorados com a oposição: royalties do petróleo, Fundo de Participação dos Estados (FPE) e derrubada dos vetos presidenciais. “São assuntos sempre complexos. E, em um ano pré-eleitoral, todos os problemas acabam potencializados”, disse um articulador governista.

Fonte: Correio Braziliense

Elétricas perdem em 4 meses R$ 37 bilhões

Mudança nas concessões e temor de apagão abalam ações do setor

Daniel Haidar

O valor de mercado de 34 empresas brasileiras de capital aberto do setor elétrico recuou em R$ 37,23 bilhões desde o dia 6 de setembro, quando a presidente Dilma Rousseff anunciou que o governo federal lançaria medidas para reduzir em 20% os preços da energia. No pacote, o governo mexeu na receita das empresas em concessões que venceriam de 2015 a 2017. Os cálculos são da consultoria Economática. Também pesaram na queda das ações do setor elétrico os recentes temores de racionamento de energia.

A redução nos preços da energia deve entrar em vigor em fevereiro, mas, segundo a consultoria, o impacto no faturamento das empresas foi antecipado pelo mercado. Em 6 de setembro, o valor de mercado das empresas era de R$ 206,40 bilhões. Na quinta-feira, era de R$ 169,17 bilhões.

- Basicamente, o gatilho de toda essa queda foi o anúncio (de redução de tarifas) e a sucessão de eventos no setor. Se tem redução de tarifa, ocorre queda no lucro. Então vai dar menos retorno ao acionista e o mercado pune - disse Einar Rivero, gerente de relações institucionais da Economática.

Eletrobras perdeu R$ 9,3 bi

Analistas destacam que o temor de um racionamento de energia, devido ao baixo nível dos reservatórios das hidrelétricas, também prejudicou o valor dos papéis, ainda que seja difícil dimensionar seu impacto e que o governo tenha descartado o risco de uma escassez de energia.

- Fica muito difícil prever perdas em caso de racionamento, mas gera uma incerteza enorme, então é natural que tenha muita volatilidade - disse Marcello Ganem, sócio da Oceana Investimentos.

A Eletrobras sofreu a maior perda em seu valor de mercado, de 48,46%. O valor da empresa recuou R$ 9,32 bilhões. Já a Cemig viu seu valor de mercado encolher 34,67%, ou R$ 9,85 bilhões.

Fonte: O Globo

Dilma busca empresários para reativar economia

Estratégia do governo é lembrar os fortes benefícios fiscais concedidos ao setor privado no ano passado

Cristiane Bonfanti

BRASÍLIA - Depois do baixo crescimento da economia em 2012, a presidente Dilma Rousseff decidiu buscar apoio da elite empresarial para a recuperação da atividade econômica em 2013. Nos últimos dois dias, Dilma se reuniu a portas fechadas com cinco megaempresários dos setores produtivo e financeiro, além de representantes da indústria pesada, para pedir investimentos no país - justamente quando o governo está sob fogo cruzado, em meio a especulações sobre um racionamento de energia e sobre o não cumprimento da promessa de redução da conta de luz em 20%. Segundo uma fonte do Planalto, uma das estratégias é mostrar que, em 2012, o governo foi generoso nos benefícios ao setor privado, com desonerações tributárias que tiveram impacto de R$ 45 bilhões nos cofres públicos.

Ontem ela se reuniu com o presidente da fábrica de cimento francesa Lafarge, Bruno Lafont, que prometeu investir R$ 1 bilhão no Brasil nos próximos cinco anos e construir, ainda em 2013, um laboratório de pesquisas no país, o quinto do mundo. A cifra representa a metade do destinado ao Brasil nos últimos cinco anos, mas ele negou redução de valores:

- É apenas investimento vegetativo, orgânico, para acompanhar o crescimento do mercado - disse Lafont, explicando que os recursos se destinam à construção de fábricas e ao aumento da atual capacidade de produção.

Mais cedo, Dilma se reuniu com o presidente do Bradesco, Luiz Trabuco, e com o presidente do Sindicato Nacional da Indústria Pesada (Sinicon), Rodolpho Tourinho, que foi ministro de Minas e Energia entre 1999 e 2001.

- O papel da iniciativa privada, hoje, talvez seja mais importante do que foi até aqui - afirmou Tourinho.

Fonte: O Globo

Críticas fazem Lula ir a Dilma discutir gestão do governo

Avaliação do ex-presidente, segundo interlocutores, é a de que sucessora precisa 'destravar' sua administração

Empresários, políticos e líderes de movimentos sociais procuraram Lula para reclamar do 'estilo Dilma'

Natuza Nery 

BRASÍLIA - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem demonstrado preocupação com o desempenho do governo Dilma Rousseff e seus reflexos sobre o projeto de poder do PT.

Para discutir a situação, marcou uma reunião com a presidente para a segunda quinzena de janeiro.

Na avaliação do petista, segundo interlocutores, Dilma precisa "destravar" sua administração, entre outras razões para segurar sua alta popularidade em um ano desafiador como 2013.

No fim do ano passado, o ex-presidente foi procurado por empresários, banqueiros, políticos e líderes de movimentos sociais.

Além das queixas já tradicionais sobre o "estilo Dilma", desta vez Lula ouviu e concordou ao menos em parte com reclamações diversas: falta de interlocução, excesso de centralização e, para alguns, o intervencionismo da União na economia, este reforçado no ano passado com medidas no setor elétrico.

O estilo "centralizador" e "pouco acessível" da presidente é sempre lembrado nos encontros, e até mesmo servidores da Esplanada já fizeram chegar a Lula apreensão com a falta de autonomia.

Aos conhecidos, o petista tem repetido seu mantra segundo o qual o terceiro ano do mandatário é o mais crucial. No caso de um candidato à reeleição, ainda mais.

Em novembro, durante encontro no Palácio da Alvorada, Lula já havia falado sobre "soltar o governo", mas de forma muito cuidadosa.

Com efeito, nesta semana Dilma recebeu vários empresários no Planalto.

A nova reunião está prevista para a segunda quinzena de janeiro, provavelmente entre os dias 18 e 20.

Na pauta, um planejamento setorial dos gargalos da economia, incluindo a análise de obras e projetos estratégicos que precisam sair do papel ou ganhar mais ritmo.

Haverá, ainda, a pré-definição de uma agenda de viagens presidenciais para dar visibilidade às ações do governo.

A proposta embute a avaliação, também crítica no PT, de que Dilma saiu pouco do Planalto nos dois primeiros anos e de que este é um governo que não se comunica ou define uma marca.

Enquanto isso, os problemas se avolumam na área econômica e energética, como a dificuldade de cumprir a promessa feita na TV de reduzir a conta de luz com os reservatórios das hidrelétricas em níveis baixos.

Na política, a avaliação de petistas é a de que é preciso se aproximar mais da base de sustentação no Congresso para tentar evitar uma diáspora de partidos rumo a eventuais adversários do PT em 2014. O governador Eduardo Campos (PSB-PE) tem sido um ímã entre aqueles decepcionados com o estilo Dilma.

Fonte: Folha de S. Paulo

Petistas não são imbatíveis, afirma Marina

Erich Decat

BRASÍLIA - Em meio ao processo de criação de um partido para viabilizar sua candidatura em 2014, a ex-ministra Marina Silva afirma que nem o ex-presidente Lula nem a presidente Dilma Rousseff são "imbatíveis", apesar de seus altos índices de aprovação.

"Não existem fortes que não se enfraqueçam nem fracos que não se fortaleçam", disse em entrevista à Folha.

Segundo o último Datafolha, se as eleições presidenciais fossem hoje, Lula ou Dilma seriam eleitos no primeiro turno. As intenções de voto de Marina variam entre 13% e 18%, índice próximo ao alcançado nas eleições presidenciais de 2010, quando ela atingiu 19,3%, ou 19,6 milhões de votos.

Questionada sobre o lançamento de uma candidatura para disputar a Presidência em 2014, ela diz que a decisão não é dela.

"Quem tem 18% das intenções de votos com certeza tem uma responsabilidade grande com esse legado. Não fui candidata 'a priori' nesses dois anos e não estou na condição de candidata 'a priori'."

Sobre o novo partido, que ainda precisa da assinatura de cerca de 500 mil eleitores de nove Estados, ela diz que o processo está "amadurecido", sem dar detalhes.

Entre as pessoas com quem ela conversa para levar à nova sigla estão o deputado José Antonio Reguffe (PDT-DF), o deputado Walter Feldman (PSDB-SP) e a ex-senadora Heloisa Helena (PSOL-AL).

Legado verde

De olho no capital eleitoral deixado por Marina, integrantes da cúpula do PV pressionam o ex-deputado federal Fernando Gabeira para se lançar como candidato à Presidência em 2014.

No dia 17, Gabeira será uma das estrelas do programa do PV que vai ao ar em cadeia nacional de rádio e TV.

Ele nega que seja uma sinalização de que será candidato. "Há entre eles [do PV] essa expectativa, mas é improvável", disse.

Fonte: Folha de S. Paulo

Eduardo Campos: advertência no impasse sobre FPE

Governador afirma que Estados e municípios não podem ser penalizados diante da situação e cobra liberação dos repasses, até que novo marco seja definido pelo Congresso

Bruna Serra

Ferrenho defensor de uma remodelagem do pacto federativo, o governador Eduardo Campos (PSB) disse ontem que seria um "contra-senso" paralisar os repasses do Fundo de Participação dos Estados (FPE) e do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) em virtude do vencimento do prazo para o estabelecimento de uma nova fórmula de rateio. Ainda no ano passado, o Supremo Tribunal Federal (STF) julgou que a forma de repasse é inconstitucional e determinou que um novo modelo fosse aprovado pelo Congresso Nacional até 31 de dezembro, o que não ocorreu e os parlamentares entraram em recesso.

"O princípio desse fundo é poder apoiar os que mais precisam, fazer um equilíbrio regional. Quem mais precisa são os municípios mais frágeis e os Estados mais fragilizados do ponto de vista econômico. Então, há de se convir que há um princípio constitucional que já deixa muito claro que esses não podem ficar esperando um novo marco para receber os recursos. Temos que receber em janeiro como recebemos a cada dez dias", disse ontem o governador, que acredita que o imbróglio não será desfeito antes de fevereiro, quando se encerra o recesso parlamentar.

A lei que rege o FPE, datada de 1989, não estabelece critérios claros de distribuição dos recursos, o que deveria ter sido feito dois anos depois que entrou em vigor. O governador reconheceu que o assunto não é simples, mas sinalizou que concorda com o relatório produzido pelo senador Walter Pinheiro (PT-BA), que quase foi votado, mas acabou ficando para a volta do recesso.

"Há um relatório, que é o que está mais próximo do entendimento, do senador Walter Pinheiro (PT), que quase foi votado, mas não chegou a ser votado, mas que poderá ser votado nos próximos dias, tão logo o Congresso volte. Qual a situação de fato nesse instante? Os municípios e Estados não podem ficar janeiro e fevereiro sem receber repasse porque não podem abrir mão dessa receita. Todos nós tivemos um ano de 2012 muito duro do ponto de vista tributário e fiscal e precisamos desse repasse", reforçou Eduardo.

O governador, que preside nacionalmente o PSB, acredita que o STF e Tesouro Nacional possam chegar a um acordo para evitar o congelamento dos repasses. "Achamos que os Poderes constituídos do País vão encontrar um caminho para uma transição de 60 a 90 dias, até que o Congresso cumpra exatamente o que determina a Suprema Corte, que é a votação de um novo marco legal, que possa fazer justiça com esse fundo", sugeriu.

Após a análise no Senado, a matéria ainda precisará ser apreciada na Câmara dos Deputados. O governador tratou do assunto ontem com o líder do PSB na Casa, deputado federal Beto Albuquerque (RS), que veio ao Recife acompanhar o vice-governador do Rio Grande do Sul, Beto Grill. os políticos gaúchos aproveitaram a visita a Pernambuco para conhecer a estrutura do Porto de Suape e programas desenvolvidos na gestão Eduardo.

O governador e o flerte com os Estados

As experiências bem sucedidas das gestões socialistas no País. Esse foi o tema do encontro, ontem, entre o governador Eduardo Campos (PSB), o vice-governador do Rio Grande do Sul, Beto Grill (PSB), e os deputados socialistas Beto Albuquerque e Miki Breier. Presidenciável para 2014, Campos tem intensificado esse tipo de agenda que proporciona viagens para outros Estados e elogios aos seus produtos de gestão, como o modelo de monitoramento e o Pacto pela Vida.

A visita dos correligionários gaúchos lhe rendeu ainda a honraria da Medalha do Mérito Farroupilha, homenagem máxima da Assembleia Legislativa gaúcha. Campos também foi convidado a dar uma palestra no dia 27 de março em Porto Alegre sobre o modelo de gestão implementado no Estado.

Fonte: Jornal do Commercio (PE)

José Serra enfrenta resistência à candidatura no PPS

SÃO PAULO - Apesar de o presidente nacional do PPS, deputado federal Roberto Freire (SP), dizer que receberia o ex-governador José Serra (PSDB) "de braços abertos" caso ele queira se filiar ao partido, há uma ala que rejeita a hipótese de o tucano se tornar o candidato da legenda à Presidência em 2014. A avaliação de alguns membros do PPS é a de que Serra, que já perdeu duas disputas ao Planalto, é um nome já desgastado.

"(José) Serra é um retrocesso do ponto de vista de uma política inovadora que o PPS está buscando", disse o vereador de São Paulo Ricardo Young, para quem o tucano representa a "velha política".

Ex-integrante do PV e ligado ao Movimento da Nova Política, da ex-senadora Marina Silva (sem partido), Young defende que o PPS coligue com um eventual novo partido de Marina ou participe da criação de uma nova legenda que agregue o grupo dela.

"O Serra acabou de sair de uma disputa presidencial. Não teria sentido ele ser preterido no PSDB e virar candidato do PPS", disse o deputado federal Arnaldo Jordy (PA).

"Não há um projeto presidencial para o Serra dentro do partido", afirma o vereador de Recife e ex-deputado federal Raul Jungmann.

Serra avalia trocar de partido para viabilizar sua candidatura à Presidência, já que a tendência é que o candidato do PSDB seja o senador Aécio Neves (MG).

Amigos. Uma avaliação dentro do partido é que a transferência de José Serra seja uma bandeira pessoal de Roberto Freire, amigo do tucano. Freire nega, entretanto, que haja resistência ao nome do ex-governador. O deputado também afirma que a ida de Serra não deve ser condicionada à candidatura dele à Presidência, mas não descarta a hipótese.

Outras opções consideradas pelo PPS para 2014 são apoiar o próprio adversário interno de Serra, o senador Aécio Neves (PSDB-MG), ou o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), numa tentativa de rachar a base do governo Dilma Rousseff.

Fonte: O Tempo (MG)

Penas adiadas - Merval Pereira

O presidente do STF, Joaquim Barbosa, que assumiu o cargo tendo como uma das suas prioridades à frente do CNJ o combate à morosidade da Justiça, está tendo que se render ao sistema protelatório da Justiça brasileira, que ele mesmo criticou. Assim como negara a prisão antecipada dos mensaleiros, ele negou o pedido de prisão imediata do deputado federal Natan Donadon (PMDB-RO), condenado há mais de dois anos por formação de quadrilha e peculato, e que continua até hoje exercendo seu mandato. Agiu certo nos dois casos.

Mesmo tendo sido recusado o último dos recursos cabíveis em dezembro do ano passado, Barbosa concordou com o argumento da defesa de que o processo ainda não transitou em julgado, o que ocorrerá apenas quando for publicado o acórdão. Como o Judiciário está em recesso, o prazo de dois meses para que isso aconteça terminará em março, mas mesmo assim não é certo que, até lá, o documento que torna oficialmente o processo encerrado esteja publicado.

Depois de publicado o acórdão, o advogado de defesa pedirá a revisão criminal do processo, tentando levar para a primeira instância o julgamento, sob a alegação de que outros condenados pelos mesmos crimes - formação de quadrilha para desviar dinheiro público - foram julgados por tribunais da primeira instância e receberam penas menores. Donadon, como era deputado federal, foi julgado pelo STF.

Barbosa afirmou em seu discurso de posse na presidência que Justiça que não é igual para todos, e que tarda, não estimula a cidadania e torna-se injusta. É uma visão que leva também ao combate à corrupção, pois quanto mais a Justiça é vagarosa e dominada pela burocracia, mais estará sujeita à exploração de vantagens indevidas daqueles que criam dificuldades para vender facilidades.

Para superar esse problema, o ex-ministro Cezar Peluso, quando presidia o STF, propôs que as decisões dos tribunais locais, estaduais ou federais se tornassem execuções definitivas. Ele alegava que 90% dos processos que chegam ao Supremo já tiveram, pelo menos, duas decisões em instâncias inferiores, e estimava em mais de 30% o ganho de tempo dos processos.

A proposta de Peluso não foi adiante, pois muitos alertaram para o risco da execução de uma decisão de um tribunal estadual enquanto os recursos continuam. Se o réu ganha o recurso da última instância, como fazer? O problema maior seria nas questões penais, com o réu condenado sendo absolvido em outra instância enquanto estiver cumprindo pena, ou até mesmo já a tendo cumprido integralmente. Mas o caso do deputado Donadon chama a atenção mais uma vez para as muitas possibilidades de postergação das decisões da Justiça, no momento em que os réus do mensalão preparam-se para acionar os diversos embargos previstos na lei. A começar pela burocracia do próprio STF, que às vezes leva meses para conseguir publicar o acórdão, abre-se a possibilidade de passaram-se mais de dois anos até que as sentenças sejam cumpridas.

A propósito da coluna "Governo-fantasma", recebi do presidente do Senado, José Sarney, o seguinte comentário: "Leitor constante de sua coluna, tenho uma pequena achega a fazer ao seu comentário de hoje. Trata-se da afirmação de que "No caso de Tancredo Neves & quem deveria ter assumido era o presidente da Câmara, Ulysses Guimarães". E você acrescenta uma resposta que Ulysses teria dado a Pedro Simon, citando ironicamente o general Leônidas como o "maior jurisconsulto do país".

Peço que você veja as declarações de Ulysses registradas por Luiz Gutemberg em seu "Moisés, codinome Ulysses": "É verdade que não aceitei o poder que Figueiredo me oferecia numa bandeja. Nem precisei me recusar. As sugestões do nosso lado para que assumisse como presidente da Câmara eram minoritárias, isoladas. Não fui porque não podia, não era constitucional. Também não me aproveitaria. Respeitam-me, nunca fui golpista. Sempre desafiei meus adversários para que apontassem um único gesto em que me revelei carreirista. (...) Criaram uma lenda e repetem essa besteira de que, mais uma vez, perdi uma chance de ser presidente. Só perde quem tem direito. Portanto, não perdi" ".

Fonte: O Globo

Regulamentação da mídia :: Roberto Romano

Agarrando uma oportunidade, a condenação de alguns políticos que o lideram, o Partido dos Trabalhadores postula novamente o controle da imprensa. Existem graves distorções no jornalismo atual, devendo ele ser tratado com rigor pelos interessados - leitores, ouvintes, telespectadores - na forma e no conteúdo das notícias. Muitas críticas, no entanto, têm origem em personalidades e grupos que desejam impor programas para perpetuar seu poder.

De onde vem a tese de que é preciso regular a imprensa? Lembremos o jurista Carl Schmitt, lido por Francisco Campos, ministro de Vargas que no Estado Novo normatizou os jornais. O alemão afirma que, na busca de formar a mente pública, o audiovisual ameaça o Estado. O poder político deve ter o monopólio dessa técnica. "Nenhum Estado liberal deixa de reivindicar em seu proveito a censura intensiva e o controle sobre filmes e imagens, e sobre o rádio. Nenhum Estado deixa a um adversário os novos meios de dominação das massas e formação da opinião pública". O Estado, diz Schmitt, deve controlar os meios de comunicação: "Os novos meios técnicos pertencem exclusivamente ao Estado e servem para aumentar sua potência". O ente estatal "não deixa surgir em seu interior forças inimigas. Ele não permite que elas disponham de técnicas para sapar sua potência com slogans como 'Estado de direito', 'liberalismo' ou um outro nome" (Schmitt em 1932, cf. O. Beaud: Os Últimos Dias de Weimar). A raiz histórica da tese é venenosa.

Na Alemanha preconizada por Schmitt o nome para a regulamentação da mídia foi a Gleichschaltung (impor à imprensa, de modo uniforme, a ideologia do partido). Em 1933 existiam no país 4 mil diários e 7 mil revistas. O Reich estatizara a maioria das estações de rádio (1925). A Reichs Rundfunk Gesellschaft (Sociedade de Comunicação Radiofônica do Reich) foi posta em 1932 sob os comissários de Franz von Papen, o que facilitou a Gleichschaltung. Tal política foi denunciada em 1938 por Stephen H. Roberts (The House that Hitler Built), mas os olhos estavam cegos para o arbítrio. E vieram a regulamentação do rádio e do serviço postal, a centralização do controle no Ministério da Propaganda, a imposição da conformidade aos funcionários. Foram demitidos os indesejáveis (judeus especialmente). Todos deveriam aceitar os ditames do governo e do partido. Goebbels demitiu os antigos comissários do rádio. Em março de 1940 foram unificados os programas radiofônicos do Reich.

Poucas leis foram necessárias para regular a mídia. Ouvir rádios estrangeiras levaria à pena de morte, segundo o Decreto Sobre Medidas Extraordinárias (1.º/9/1939). Em 1937 existiam 8 milhões de receptores de rádio na Alemanha, ante 200 aparelhos domésticos de televisão dois anos depois. Nos Jogos Olímpicos de 1936, 162.228 pessoas foram às salas que exibiam programas televisionados. O partido e o governo usavam, sobretudo, o rádio e o filme. Ao se impor à mídia, Goebbels jogou a violência física sobre ombros alheios: "Não usamos nenhuma forma de coerção. Se necessária a deixamos para outros departamentos". Segundo ele, a propaganda ("jornalística"...) sem elos com a cultura é cansativa e ineficaz. Seria preciso uni-la ao entretenimento, batizado com sarcasmo, contra as Luzes do século 18, de Aufklärung. Você não pode sempre bater o tambor, dizia, "porque o povo gradualmente se acostuma ao som e não mais o registra (...) desejamos ser os condutores de uma orquestra polifônica de propaganda". Os instintos primitivos da massa despertam e são movidos por truques simples e claros.

A mídia regulamentada teve seu papel no extermínio dos judeus, embora o regime mantivesse o segredo como arma. Himmler, discursando em Poznan (4/10/1943), disse que o Holocausto era "um capítulo glorioso da SS que nunca chegou a ser escrito". A leitura dos jornais sob controle mostram algo diferente. A popularidade de Hitler, é certo, não se deveu à mídia ventríloqua, mas é falso dizer que jornais "independentes" (Frankfurter Zeitung, Berliner Tageblatt, etc.) se opuseram ao regime. Paul Scheffer, editorialista do Berliner Tageblatt, narra que sua posição era de marionete sob Goebbels. Os jornais deveriam "parecer" diversificados, mas agir na linha única, imposta pelo partido.

Muitos leitores cancelaram assinaturas dos jornais. Os periódicos estrangeiros eram lidos com sofreguidão. Nos textos censurados as pessoas aprenderam a ler entre as linhas para compensar a falta de informações. O encanto por Hitler seguia ao lado da impopularidade do seu partido. Segundo I. Kershaw (O Mito de Hitler: o culto do Führer e a opinião popular), os alemães atribuíam ao Führer os sucessos anteriores à guerra. A "corrupção, a imperícia administrativa e problemas de suprimento não se deviam a ele, mas ao partido". A mídia fantoche fazia do líder um inimputável. Os jornais regulamentados apresentavam-no como a pessoa que acabara com o desemprego, vencera a corrupção, levara a Alemanha ao poder europeu. Os fracassos eram atribuídos aos inimigos, como os judeus. (Informações preciosas encontram-se em Bruce A. Murray, Framing the Past: The Historiography of German Cinema and Television.)

Virada a página, no mundo soviético, idênticas loas ao Pai dos Povos, igual servilismo imposto à imprensa.

E hoje, no mundo e no Brasil? Em greve inédita contra a censura, um jornal do próprio governo chinês (Global Times), em texto dos editores afirma: "A realidade é que antigas políticas de regulação da imprensa não podem continuar como estão. A sociedade está progredindo e a administração deve evoluir" (BBC, 7/1/2013). Depois do nazismo, do Pravda (o jornal mais mentiroso da História), das ditaduras Vargas e de 1964, a sociedade evoluiu, salvo para os que comparam sua ideologia aos oráculos. Os deuses exigem espinhas e almas quebradas.

Filósofo, professor de Ética e Filosofia da Unicamp

Fonte: O Estado de S. Paulo