quarta-feira, 24 de julho de 2013

Repressão na democracia - Merval Pereira

Com a escalada de violência que acontece nos últimos dias, especialmente no Rio de Janeiro, com saques e depredações de patrimônio público e privado, ficou claro que as grandes manifestações de massas não somente representaram um terremoto na política nacional, mas estão a colocar novos desafios para o Estado democrático de Direito.

O cientista político Geraldo Tadeu Monteiro, diretor do Iuperj, está convencido de que "precisamos discutir uma saída para o impasse em que o Brasil e o Rio de Janeiro se meteram, com o ciclo destrutivo de manifestações e repressão".

Diferentemente do que afirmou o secretário de Segurança Pública do Rio, José Mariano Beltrame, em recente entrevista, ele ressalta que existem "pelo menos duas dúzias de bons manuais" sobre a atuação da polícia em demonstrações de massas e controle de multidões, todos disponíveis na internet.

Um trabalho do diretor do Police Executive Research Forum (PERF), Tony Narr, e de diversos especialistas aborda as questões mais importantes do controle de manifestações de massas e aponta maneiras de trabalhar o assunto de maneira exitosa.

O Police Executive Research Forum, com sede em Washington, é uma organização sem fins lucrativos, fundada em 1976, que trabalha com pesquisas e provê assistência técnica e educação executiva para apoiar as polícias e outros organismos de aplicação da lei.

As manifestações de milhares de militantes antiglobalização e anarquistas na reunião do G-7 ocorridas em 1999, em Seattle, promoveram, no dizer dos próprios policiais, "um programa determinado de destruição da propriedade e violência contra os agentes da lei" com ampla cobertura midiática e "forte crítica da imprensa, dos cidadãos de Seattle e dos grupos de defesa das liberdades".

Os policiais do Police Executive Research Forum enumeraram alguns pontos fundamentais para lidar com manifestações de massas em contextos democráticos e de comunicação globalizada e instantânea, fruto da experiência adquirida pela polícia dos países desenvolvidos pós-Seattle99.

Planejamento: (compreende contato prévio com os manifestantes e com outros grupos relevantes (no nosso caso, OAB, MP, partidos etc.), coordenação com outras agências de segurança (Guarda Municipal, Polícia Federal, PM etc.), e logística das forças policiais ou do evento.

Treinamento: compõe-se da consideração dos meios legais utilizáveis, revisão de protocolos para regras de intervenção, uso da força, instrução acerca da necessidade do autocontrole e do respeito ao comando, treinamento em técnicas de "desescalada", instrução específica sobre disciplina, táticas, formações, códigos de comando, movimentos de esquadrão e técnicas de prisão.

Inteligência: procedimentos para coletar e utilizar informação relevante, estabelecendo contato prévio com lideranças do movimento, entidades representativas (OAB, MP etc.), monitoramento das redes sociais, técnicas de monitoramento durante a manifestação, registro completo das ações realizadas, especialmente a coleta de evidências para fundamentar eventuais prisões.

Atribuição de papéis e responsabilidades: em contextos de cooperação entre diferentes agências, definição de uma clara cadeia de comando e controle da operação nos níveis estratégico, operacional e tático, políticas de protocolos de comando - com definições de responsabilidades, objetivos, recursos e planos de contingência, uso de unidades especiais, redes de comunicação e protocolos para lidar com as queixas dos cidadãos. (Amanhã, o uso da força)

Fonte: O Globo

Painel - Vera Magalhães

Nova órbita

Eduardo Campos destituiu o lulista Walfrido dos Mares Guia do comando do PSB de Minas. Em seu lugar, foi designado o deputado Júlio Delgado, defensor da candidatura de Campos à Presidência e também ligado a Aécio Neves (PSDB). O senador foi informado previamente por Campos sobre a mudança. O prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda, ligado aos dois presidenciáveis, será pressionado a se candidatar ao governo. Se aceitar, seu palanque pode ser dividido entre a dupla.

Porta de saída Mares Guia, ex-ministro de Lula que trocou o PTB pelo PSB justamente para se aproximar do PT, deve buscar nova casa depois de ter sido afastado da presidência do PSB mineiro por Eduardo Campos.

Contramão A mudança operada pelo pernambucano em Minas pode se repetir em seções em que o partido não esteja afinado com a tese da candidatura própria. O movimento contradiz a expectativa de dirigentes petistas.

Persona... Campos não vai rebater as recentes estocadas de Rui Falcão, presidente do PT, que duvidou de sua candidatura em entrevista ao programa "Roda Viva".

...non grata Aliados do pernambucano dizem que o interlocutor de Falcão no PSB é o vice-presidente, Roberto Amaral, e só se referem ao dirigente petista como "aquele deputado estadual que atualmente preside o PT".

De casa Amigo de José Serra, o ex-prefeito de Vitória e ex-deputado Luiz Paulo Vellozo Lucas vai chefiar a assessoria técnica de Aécio no Senado. Ele fará estudos sobre o governo para municiar a atuação do tucano na Casa.

Nova... O PMDB paulista avisou ao Palácio dos Bandeirantes que vai reabrir negociações com Geraldo Alckmin (PSDB) para formar uma aliança em 2014. O partido quer o posto de vice na campanha de reeleição do tucano e uma coligação com o PSDB na chapa de deputados.

...frente Dirigentes afirmam que a queda na avaliação de Dilma Rousseff impede que a presidente pressione o partido a se aliar ao PT em São Paulo. O vice-presidente Michel Temer teria alertado que esse não é o momento de discutir o assunto no Estado.

Fogueira Ao apontar falhas em processo sobre desvios da Bancoop para campanhas do PT, o ex-diretor da cooperativa João Vaccari jogou luz sobre um colega de partido. Sua defesa diz que a promotoria errou "ao escolher quem denunciar, excluindo Ricardo Berzoini", então diretor da cooperativa.

No foco Entre as testemunhas convocadas para prestar depoimento sobre o caso em setembro está Freud Godoy, ex-secretário particular de Lula. Ele também é acusado por Marcos Valério de custear despesas pessoais do ex-presidente com recursos do esquema do mensalão.

Batata... Em meio à visita do papa Francisco, membros do governo discutem o projeto que dá assistência a vítimas de estupro, aprovado pelo Congresso. Por prever a "profilaxia da gravidez", o projeto é criticado por religiosos, que acham que o texto abre brecha para o aborto.

...quente Entre as alternativas em estudo, estão sancionar o projeto ou vetar o trecho e sugerir aos congressistas uma nova redação, optando pela expressão "contraceptivo de emergência".

Timing Integrantes do Planalto afirmam que a presidente só discutirá os vetos quando o papa deixar o país, na semana que vem. Ela tem até 1º de julho para a sanção.

Baqueou Após dias deixando o Planalto após 21h, Dilma antecipou o fim do expediente ontem e voltou ao Palácio do Alvorada durante a tarde, com gripe e febre.

Visita à Folha Luiz Sales, Alex Periscinoto, Walter Fontoura e Daniel Bruin, sócios da SPGA Consultoria de Comunicação, visitaram ontem a Folha, onde foram recebidos em almoço.

Com Andréia Sadi e Bruno Boghossian
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Tiroteio

"O presidente do STF, Joaquim Barbosa, é daqueles: faça o que eu falo, mas não faça o que eu faço. Cinismo jurídico é sua doutrina."
DO VICE-PRESIDENTE DA CÂMARA, ANDRÉ VARGAS (PT-PR), comentando a compra de um apartamento em Miami pelo ministro, no ano passado.
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Contraponto

Consultoria especializada
"Em uma palestra, Marina Silva contou a história de um cacique que consultou um meteorologista para saber se choveria nos próximos dias, o que obrigaria sua tribo a armazenar lenha. Ao receber a notícia de chuva, o líder perguntou ao especialista se ele tinha certeza.
--Certeza eu não tenho. Quando a gente quer ter certeza, a gente olha os índios: se eles estiverem juntando lenha, é porque vai chover! -- respondeu o técnico.

Fonte: Folha de S. Paulo

Panorama Político - Ilimar Franco

SOS Lula

O ex-presidente Lula está sendo estimulado por petistas graúdos a intervir no PT . Estes consideram que o partido perdeu o rumo diante dos protestos recentes. Avaliam que os petistas estão com medo de enfrentar as próximas eleições e procuram um salvador da pátria. Lula tem feito reuniões, mas reclama que muitas versões dessas conversas distorcem suas posições.

PT sofre crise de confiança

Os segmentos esquerdistas do PT , e até mesmo alguns moderados, estão fazendo uma dura crítica ao ex-presidente Lula. Aturdidos pelas recentes mobilizações, eles não o acusam diretamente , mas atacam sua política de alianças e a responsabilizam pelas mazelas dos governos petistas. Esses petistas querem romper o que chamam de “institucionalidade conservadora” . A confusão é tanta que, mesmo criticando a política de alianças que sustentou o governo Lula, principalmente na crise do mensalão, pregam o “Volta, Lula ”. Esses petistas acreditam que, mesmo sem maioria no Congresso e na sociedade, o PT deveria mandar os aliados às favas e governar só .

“O presidente Lula está preocupado. Temos conversado sobre isso . Nossa expectativa é de uma intervenção que coloque ordem na casa ”
Gilberto Carvalho, Secretário-geral da Presidência da República

A expectativa

Ministros do governo Dilma e dirigentes do Congresso, que tiveram contato com o Papa Francisco, ficaram impressionados com sua simplicidade. Eles saíram convencidos que o Papa fará profundas mudanças na Igreja Católica.

Guerrilha rural

Os produtores de café declararam guerra ao ministro Antônio Andrade (Agricultura). Ele disse que o baixo preço do café é um drama mais psicológico do que real. A presidente da CNA, Katia Abreu, reagiu dizendo que o ministro é que tem um problema psicológico. O preço mínimo não cobre o custo de produção, e o preço da saca caiu 24%

Volta para casa

O ministro José Eduardo Cardozo (Justiça) informou ao Planalto ontem, no início da noite, que, até o final de semana, espera concluir as negociações com o governo da Bolívia e libertar os torcedores do Corinthians presos naquele país

Novo contencioso

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), não gostou do veto a artigo da MP 160, que permitia passar de pai para filho as concessões de táxi. Renan pediu pela sanção desse artigo e havia entendido que a presidente Dilma teria concordado em reconsiderar e, até, assumido compromisso de sancioná-lo. No começo do ano, ela vetou projeto sobre o tema.

Cordialidade

Internado no Hospital Sírio-Libanês, onde está em tratamento, o governador de Sergipe, Marcelo Déda (PT), recebeu a visita do ex-senador tucano José Serra. Eles conversaram por bom tempo, e o governador apreciou muito a visita.

Afasta de mim este cálice

Apesar das gestões de última hora, o comando da principal tendência do PT , a CNB, decidiu manter a exclusão da chapa para o Diretório Nacional dos condenados no processo do mensalão: José Dirceu, José Genoino e João Paulo Cunha.

SAMBA DO TRABALHADOR. José Evangelista de Oliveira foi reeleito presidente do Renascença Clube, fortaleza do samba de raiz no Rio de Janeiro.

Fonte: O Globo

Brasília-DF - Luiz Carlos Azedo

São 50 milhões

Do ponto de vista demográfico, o que está por detrás da onda de manifestações que ocorre em todo o país é a consolidação de um contingente de 50 milhões de jovens (de 15 a 29 anos), no Brasil, estabilizado nesse patamar desde 2005, quando a população registrou 51 milhões de jovens e 52 milhões de crianças. No eixo de suas motivações, a incerteza em relação ao próprio futuro e ao das gerações seguintes.

As projeções são da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, cujo titular, ministro Marcelo Nery, encomendou o estudo ao Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA). Constatou-se que esse contingente de jovens deve permanecer mais ou menos estável nos próximos 20 anos.

Quando tiverem entre 30 e 45 anos, assim como quando atingirem a faixa de 45 a 60, os jovens de hoje representarão, simultaneamente, o maior contingente absoluto e relativo de trabalhadores brasileiros de todos os tempos. Que futuro as elites dirigentes do país lhes reserva?

Altruísmo
Um neodarwinista como Richard Dawkins (O gene egoísta; Deus, um delírio) diria que o altruísmo dos jovens que vão às ruas nada mais é do que o instinto de sobrevivência do gene replicador da espécie, diante das ameaças da crise econômica mundial e das nossas desigualdades. E que os bons rapazes sempre vencerão, salvarão os ingênuos e derrotarão os vândalos.

O jovem peregrino que participa da Jornada Mundial da Juventude, na qual o papa Francisco mobiliza milhões de brasileiros em comunhão, diria que a esperança é a última que morre, mas é a fé que remove as montanhas que os separam de uma vida melhor, com direito à educação, à saúde, ao trabalho, ao transporte e à moradia dignos.

Vão descer
A visita que o papa Francisco fará hoje ao Hospital da Venerável Ordem Terceira da Penitência promete uma comoção no tradicional bairro da Tijuca, Zona Norte do Rio. As principais vias da vizinhança serão bloqueadas para a passagem do papa, que estará no local a partir das 18h, após visita ao Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, em Aparecida (SP). No caminho estão os morros do Salgueiro, Casa Branca, Formiga e Borel.

Sem crise/ Houve um show de incompetência das autoridades encarregadas da segurança do papa Francisco no Rio de Janeiro, que agora tiram o corpo fora e fogem de suas responsabilidades. Mas quem está menos preocupado com o que aconteceu é o próprio pontífice.

Sem risco/ O porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi, negou que o papa Francisco tenha sofrido ameaça ou sido exposto a riscos por ter circulado pelas ruas do Centro do Rio. “O papa quis deixar sua marca”, ressaltou.

Anarquia
Comentário do líder do PMDB, Eduardo Cunha, do Rio de Janeiro, sobre os recorrentes atos de vandalismo, após os protestos contra o governador fluminense Sérgio Cabral (PMDB): “Estamos vivendo um estado de anarquia, que se sobrepõe ao Estado real”.

Seguro
O Ministério do Trabalho anunciou ontem que o reajuste do seguro-desemprego para quem recebe acima do salário mínimo: passará de 6,2% para 9%

Médicos
Os deputados federais e presidentes das comissões de Cultura, Jandira Feghali (PCdoB-RJ), e da Educação, Gabriel Chalita (PMDB-SP), visitaram ontem os estudantes acampados no prédio da reitoria da Universidade Gama Filho, em Piedade, Zona Norte do Rio. A venda da universidade para o grupo Galileu, autorizada pelo ministro da Educação, Aloizio Mercadante, provocou o colapso da instituição, inclusive, de sua tradicional Faculdade de Medicina, cujos acadêmicos correm o risco de não conseguirem se formar. Não existe transferência para estudantes dos cursos de medicina.

Sinuca// Cresce no PMDB fluminense a opinião de que o governador Sérgio Cabral deve permanecer no cargo até o fim do mandato, em vez de concorrer ao Senado. A estratégia do PMDB era o vice Luiz Ferrnando Pezão assumir o governo e concorrer à reeleição.

Fonte: Correio Braziliense

Opinião: O papa e o palanque de Dilma – O Estado de S. Paulo / Editorial

Fiel à ideia, por ela mesma proclamada, de que em campanha eleitoral é permitido fazer "o diabo" a presidente Dilma Rousseff transformou seu encontro protocolar com o papa Francisco num ato de palanque. Esse comportamento condiz perfeitamente com um governo fundado em artimanhas marqueteiras e disposto a fazer de tudo para recuperar a popularidade perdida.

Em lugar de dirigir algumas palavras de boas-vindas ao papa e desejar-lhe sucesso na Jornada Mundial da Juventude. Dilma fez um discurso mais longo que o do próprio pontífice, o que já foi, em si, um despropósito. Em seu pronunciamento, a presidente Dilma Rousseff empenhou-se não em recepcionar o papa, mas em explorar a figura do pontífice para fazer o elogio dos governos lulopetistas e reafirmar sua missão quase mística de salvar os miseráveis de todo o mundo.

"O Brasil muito se orgulha de ter alcançado extraordinários resultados nos últimos dez anos na redução da pobreza, na superação da miséria e na garantia da segurança alimentar à nossa população", discursou Dilma, reafirmando o evangelho petista. segundo o qual só houve avanços sociais "nos últimos dez anos" e que, antes disso, só havia trevas.

Investida da condição de missionária, Dilma destacou também que seu governo "tem buscado apoiar a disseminação das experiências brasileiras em outros países", como o Bolsa Família, o programa assistencialista que deveria ser apenas temporário, mas que vai se perpetuando graças à incapacidade do governo de criar condições para que seus beneficiários possam dele abrir mão.

Em seguida, a presidente achou adequado convidar Francisco a integrar uma "ampla aliança global de combate à fome e à pobreza, uma aliança de solidariedade, uma aliança de cooperação e humanitarismo", naturalmente liderada pelo messianismo lulista.

A título de dar razão à voz dos jovens que saíram às ruas em protestos, Dilma tornou a dizer que as manifestações foram o efeito da melhoria de vida dos brasileiros, pois "inclusão social provoca cobrança de mais inclusão social, qualidade de vida desperta anseios por mais qualidade de vida", E então a presidente e candidata à reeleição fez escancaradas promessas de campanha: "Para nós, todos os avanços que conquistamos são só um começo. Nossa estratégia de desenvolvimento sempre vai exigir mais, tal como querem todos os brasileiros e todas as brasileiras. Exigem de nós aceleração e aprofundamento das mudanças que iniciamos há dez anos". Só faltou entregar um santinho a Francisco e pedir-lhe voto.

O contraste com o sereno discurso do papa acentuou ainda mais o deslocamento da fala eleitoreira de Dilma. Em seu rápido pronunciamento, Francisco não fez menção aos protestos nas mas nem a questões políticas, preferindo dirigir-se aos jovens e deixando claro que sua visita tem caráter eminentemente religioso. Ele disse que a juventude é "a janela pela qual o futuro entra no mundo" e cobrou de sua geração que dê aos jovens condições para seu pleno desenvolvimento intelectual, material e moral.

"Não trago nem ouro nem prata", disse Francisco, repetindo fala de São Pedro, o primeiro papa, para enfatizar o despojamento de seu papado e a necessidade de retomar a essência dos valores espirituais. Segundo o Vaticano, essa mensagem norteará os discursos de Francisco sobre temas políticos, nos quais refutará "a opressão de interesses egoístas".

Em outras oportunidades, quando ainda era o cardeal Jorge Mario Bergoglio, o papa já criticou a substituição da política pela mera propaganda. "Endeusamos a estatística e o marketing", disse Bergoglio, no que poderia ser uma descrição dos governos lulopetistas. Para ele, "seria necessário distinguir entre a Política com P maiúsculo e a política com P minúsculo".

Como Francisco deve ter percebido logo em seu primeiro dia no Brasil, é longo o caminho para o resgate da política como atividade nobre, para, em suas palavras, acentuar valores "sem se imiscuir na pequenez da política partidária".

O que pensa a mídia - editoriais de alguns dos principais jornais

http://www2.pps.org.br/2005/index.asp?opcao=editoriais

Obituário: Dominguinhos: Herdeiro de Gonzagão

Sanfoneiro autor de músicas como "Eu só quero um xodó", aos 72 anos

Dominguinhos, 72 anos
A sanfona que iluminou a MPB

Instrumentista que se formou com Luiz Gonzaga deixa enorme legado de gravações e composições

Talento errante. Nascido em Garanhuns e formado músico no Rio de Janeiro, Dominguinhos botou o forró de volta à ordem do dia música brasileira

Nascido em 1941, na cidade de Garanhuns, em Pernambuco, José Domingos de Moraes seguiu desde cedo o exemplo do pai, Chicão, um mestre em afinar foles de oito baixos. Aos 6 anos de idade, ele já tocava - e muito bem - a sua sanfona. Com dois de seus irmãos formava o Trio Três Pinguins, que se apresentava em feiras livres e portas de hotéis da cidade. Numa dessas, aos 8 anos, o menino acabou conhecendo Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, que mudaria de vez a sua vida.

"Fomos até a pousada onde ele se hospedara e tocamos, meu pai na sanfona, eu no pandeiro, meu irmão na zabumba. Ele gostou do que ouviu, escreveu num papel o endereço de sua casa em Nilópolis e disse para o procurarmos. Chegamos em julho de 1954, um mês antes do suicídio de Getúlio, e, mesmo tendo passado tanto tempo, Gonzagão nos recebeu e ajudou", contou certa vez o músico, em entrevista. Foi o Rei do Baião, inclusive, que sugeriu a mudança do apelido de infância de José, Neném, para um nome bem mais artístico: Dominguinhos.

Aos 16 anos, o rapaz fez sua primeira gravação, tocando sanfona num disco do padrinho artístico, na música "Moça de feira". No Rio de Janeiro, depois de se familiarizar com o samba e com o bolero, ele formou um grupo que se apresentava em dancings, boates e inferninhos nas zonas da malandragem. Acompanhou artistas de rádio com o Regional de Canhoto, e só voltou ao forró aos 21 anos, quando foi convidado a gravar um LP destinado ao vasto público de nordestinos emigrados. Em 1967, Dominguinhos seguiu com Gonzaga em uma excursão ao Nordeste, como sanfoneiro e motorista, e acabou fazendo parte do grupo da cantora pernambucana Anastácia, com quem acabaria se casando e com quem compôs várias músicas - entre elas, "Tenho sede" e "Eu só quero um xodó".

Em 1972, quando caminhava com Anastácia pela Avenida São João, em São Paulo, o sanfoneiro foi interpelado por Guilherme Araújo, na época o empresário de, entre outros, Gal Costa, Gilberto Gil e Caetano Veloso, que perguntou se ele podia dar uma passada no Teatro Tuca. "Guilherme me disse que estava montando um grupo para as apresentações que Gal e Gil iriam fazer na feira Midem, em Cannes ( na França ), e, para minha surpresa, eles queriam uma sanfona para completar um grupo", contou certa vez o músico, que aí fez a sua entrada no seleto clube da MPB. "Nos anos 1950 e início dos 1960, o Rio tinha um caminhão de sanfoneiros, mas levamos um chega pra lá da bossa nova, muitos desistiram ou tiveram que mudar para o piano ou teclados em geral", observou ele.

Em 1980, Dominguinhos participou do II Festival Internacional de Jazz de São Paulo. Anos mais tarde, ele chegaria às paradas de sucesso com as músicas "De volta pro aconchego" (em parceria com Nando Cordel, gravada por Elba Ramalho), e "Isso aqui tá bom demais" (gravada por ele com o parceiro Chico Buarque), que foram incluídas na trilha da novela "Roque Santeiro".

Prêmios e homenagens

Em 2002, Dominguinhos receberia o Grammy Latino de melhor disco regional, com o álbum "Chegando de mansinho". Seis anos depois, foi o grande homenageado do Prêmio TIM de Música, e, em 2010, do Prêmio Shell. No mesmo ano, foi lançado o DVD comemorativo dos seus 60 anos de carreira, "Iluminado Dominguinhos", gravado ao vivo, com as participações de Elba Ramalho, Wagner Tiso, Gilberto Gil, Yamandu Costa, Waldonys e Gilson Peranzzetta.

- É muito triste. Perdi um amigo e um parceiro querido - lamentou Chico Buarque, um dos muitos nomes da MPB que se manifestaram ontem ao saber da morte de Dominguinhos.

Em nota, a ministra da Cultura, Marta Suplicy, também se pronunciou:

- Dominguinhos soube manter o legado de Luiz Gonzaga, do qual foi o principal herdeiro, e também construir um caminho próprio, dos mais belos, tornando a sua contribuição inestimável.

Elba Ramalho deixou no Twitter a sua despedida:

- Lá se vai o meu amor, deixando uma grande saudade... Dominguinhos, eterno amor, amizade sincera.

Pianista e arranjador, Wagner Tiso guarda boas lembranças do sanfoneiro:

- Embora parecesse um artista regionalista, ele era um compositor altamente sofisticado, que elevou a qualidade da música nordestina. Quando o Astor Piazzolla veio conhecer o meu grupo, convidamos o Dominguinhos, e o Piazzola ficou encantado com o talento dele.

Parceiro de Dominguinhos, o cantor Moraes Moreira destaca seu legado:

- São inúmeros os acordeonistas que aprenderam com Dominguinhos. Não só como tocar, mas como harmonizar de um jeito muito particular as canções.

Violonista que gravou um CD com o sanfoneiro em 2009, "Lado B", Yamandu Costa estava inconsolável:

- Dominguinhos me ensinou muita coisa, mudou a minha vida musicalmente. Ele levou adiante e elevou o legado do Rei do Baião. É como se Gonzaga estivesse morrendo hoje.

Dominguinhos, de 72 anos, morreu ontem, às 18h, de complicações infecciosas e cardíacas. Ele estava internado desde 13 de janeiro deste ano no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, vindo de Recife, onde apresentou quadro de complicações decorrentes de um câncer no pulmão e diabetes.

Os últimos dias de vida do músico foram passados em meio a disputas pela administração de seus bens. O filho de Dominguinhos, Mauro Silva Moraes - ele também teve duas filhas, Madalena, já falecida, e Liv -, era contra o fato de o pai ter passado uma procuração à mulher, Guadalupe Mendonça, para cuidar das suas finanças. "A mulher não mora mais com ele, está separada há muitos anos", justificou ele em entrevista ao "Fantástico". "Sou casada com Dominguinhos, mas decidimos morar separados", rebateu Guadalupe.

- O que importa é que ele foi em paz. Os últimos três dias foram muito difíceis. A infecção não estava cedendo. Mas ele lutou bravamente - disse ontem a viúva.

Mauro ressaltou a nobreza do pai:

- Sempre fui apaixonado por ele. Queria ter a terça parte da humildade e do respeito que ele tinha pelas pessoas.

Fonte: O Globo

Música : Dominguinhos - Brasileirinho.

Poesia: Soneto ao inverno – Vinicius de Moraes

Inverno, doce inverno das manhãs
Translúcidas, tardias e distantes
Propício ao sentimento das irmãs
E ao mistério da carne das amantes:

Quem és, que transfiguras as maçãs
Em iluminações dessemelhantes
E enlouqueces as rosas temporãs
Rosa-dos-ventos, rosa dos instantes?

Por que ruflaste as tremulantes asas
Alma do céu? o amor das coisas várias
Fez-te migrar - inverno sobre casas!

Anjo tutelar das luminárias
Preservador de santas e de estrelas...
Que importa a noite lúgubre escondê-las?

Londres, 1939.

terça-feira, 23 de julho de 2013

OPINIÃO DO DIA – Roberto Freire: candidatura Serra

"Serra, neste processo [de viabilização da candidatura presidencial pelo PPS/MD], está liderando e, portanto, não pode ser o último a decidir. Acho que essa decisão será tomada em breve, mas o Serra é o Serra e tem o seu próprio tempo de avaliação. O tempo dele não é apenas o legal, mas o tempo político, até porque é preciso que consiga arregimentar aliados".

Roberto Freire, O Estado de S. Paulo, 20 de julho de 2013.

Papa arrasta multidão nas ruas e evita tom político no palácio

Apesar do susto com engarrafamento da comitiva no caminho da catedral, desfile no papamóvel foi tranquilo.

No Palácio Guanabara, Pontífice se limitou a falar de temas religiosos e da importância da fé católica, enquanto a presidente Dilma Rousseff vinculou a Jornada Mundial da Juventude aos desejos de mudança expressos pelos jovens nas ruas do país nas últimas semanas.

Recebido com festa por uma multidão de fiéis apaixonados, o Papa Francisco frustrou, em seu primeiro discurso em terras brasileiras, a expectativa de quem aguardava palavras de preocupações sociais com menções ao momento turbulento por que passa o país. No Palácio Guanabara, em cerimônia oficial de boas-vindas com a presidente Dilma Rousseff, o Pontífice se limitou a falar de temas religiosos e dos objetivos evangelizadores da visita. A presidente, por sua vez, fez questão de vincular a Jornada Mundial da Juventude aos desejos de mudança expressos pelos jovens nas ruas do país nas últimas semanas.

Curiosamente, ainda durante o voo para o Brasil, o Papa se queixou da crise econômica e alertou para o risco de se criar uma geração de jovens que nunca trabalhou. Ele fez um apelo para que os jovens e idosos não sejam "isolados do tecido social" o que seria uma injustiça. Logo após desembarcar, a comitiva ficou presa num engarrafamento, deixando a segurança estressada. Mais tarde, já no papamóvel, o passeio pelo Centro do Rio foi tranquilo e levou os fiéis ao delírio.

Discurso morno

Em seu primeiro pronunciamento no Brasil, Papa evita falar sobre onda de protestos

Luiz Ernesto Magalhães, Rodrigo Rötzsch

Recebido ontem com festa por uma multidão de fiéis apaixonados - antes mesmo do desfile em carro aberto que o protocolo oficial de sua visita previa -, o Papa Francisco frustrou, em seu primeiro discurso em terras brasileiras, a expectativa de quem aguardava algum tipo de menção ao turbulento momento pelo qual passa o país. No Palácio Guanabara, alvo de alguns dos mais violentos protestos da onda que tomou o Brasil nas últimas semanas, o líder da Igreja Católica se limitou a falar dos objetivos evangelizadores de sua visita, com algumas pitadas de preocupações sobre o futuro dos jovens em um mundo que não consegue se erguer de uma profunda crise econômica. Sobre a efervescência nas ruas do Brasil, porém, ele se calou.

- Aprendi que para ter acesso ao povo brasileiro é preciso ingressar pelo portal de seu imenso coração. Por isso, permitam-me que nesta hora eu possa bater delicadamente a essa porta. Peço licença para entrar e transcorrer essa semana com vocês. Não tenho ouro nem prata, mas trago o que de mais precioso me foi dado: Jesus Cristo. Venho em seu nome para alimentar a chama de amor fraterno que arde em cada coração. A paz de Cristo esteja com vocês - disse ele, no início de seu discurso de cerca de dez minutos, o último evento oficial de um dia que começou com uma longa viagem ao Brasil, seguida de um tumultuado deslocamento do aeroporto ao Centro, onde desfilou em carro aberto antes de seguir para o Palácio Guanabara.

O Papa falou depois da presidente Dilma Rousseff, única autoridade brasileira, das dezenas presentes na recepção, a discursar. Ela sim, por sua vez, fez questão de vincular a Jornada Mundial da Juventude aos desejos de mudança expressos pelos jovens nas ruas do país nas últimas semanas, que solaparam a popularidade de seu governo.

- Nós brasileiros, somos homens e mulheres de fé. A fé é parte indelével do espírito brasileiro. Falo da fé religiosa e falo também da crença que cada um de nós tem quanto à nossa capacidade de melhorar nossa vida. A crença de que o amanhã pode ser melhor que hoje. Esse foi o sentimento que moveu, por exemplo, nas últimas semanas, centenas de milhares de jovens a irem às ruas. Os jovens exigem respeito, ética e transparência. Querem que a política atenda aos seus interesses, aos interesses da população, e não seja território dos privilégios e das regalias. Desejam participar da construção de soluções para os problemas que os afetam. A juventude brasileira está engajada na luta legítima por uma nova sociedade, e este é um momento muito especial para a realização desta Jornada Mundial da Juventude - afirmou.

"Cristo bota fé nos jovens"

Dilma, porém, tentou passar a ideia de que a pressão das ruas era um desdobramento das conquistas sociais obtidas pelos dez anos de governos do PT.

- Democracia, como sabe Vossa Santidade, gera desejo de mais democracia. Inclusão social provoca cobrança de mais inclusão social. Qualidade de vida desperta anseio por mais qualidade de vida. Para nós, todos os avanços que nós conquistamos são só um começo. Nossa estratégia de desenvolvimento sempre vai exigir mais, tal como querem todos os brasileiros e todas as brasileiras. Exigem de nós a aceleração e o aprofundamento das mudanças que iniciamos há dez anos

O Papa, que leu em português claro um discurso escrito previamente, porém, concentrou-se na sua mensagem religiosa.

- Vim para encontrar os jovens que vieram de todo o mundo, atraídos pelos braços abertos do Cristo Redentor. Esses jovens provêm de diversos continentes, falam línguas diferentes, são portadores de variadas culturas, e, contanto, em Cristo encontram as respostas para as suas mais altas e comuns aspirações. Cristo abre espaço para eles, pois sabe que energia alguma pode ser mais potente que aquela que se desprende do coração dos jovens quando conquistados pela experiência de sua amizade. Cristo bota fé nos jovens, e lhes confia o futuro de sua própria causa. Também os jovens botam fé em Cristo.

Embora o forte esquema de segurança - que interditou o entorno do Palácio Guanabara horas antes de o Papa chegar ao Brasil - tenha garantido que elas não acontecessem na presença de Francisco, novas cenas de confronto entre polícia e manifestantes começaram em Laranjeiras antes mesmo de Francisco chegar ao Sumaré, onde ficará hospedado durante a semana. Isso mostra que os protestos continuarão na ordem do dia durante a Jornada, ainda que longe do discurso do Papa.

Aliança de combate à pobreza

Como já fizera em conversa com jornalistas no avião que o trouxe ao Brasil, o Papa usou parte de seu discurso para expressar preocupação com o futuro da juventude.

- A juventude é a janela pela qual o futuro entra no mundo, e por isso nos impõe grandes desafios. A nossa geração se mostrará à altura da promessa contida em cada jovem quando souber abrir-lhes espaço?

Dilma também falou da crise em seu discurso, dizendo compartilhar das posições do primeiro Papa latino-americano de resistência à "globalização da indiferença". Ela pediu que o Brasil e a Igreja unam seus esforços numa "ampla aliança global de combate à fome e à pobreza".

- Sabemos que a fome e a sede de justiça têm pressa. A crise econômica nos obriga a um novo senso de urgência para combater a desigualdade - afirmou a presidente.

Entre os dois discursos, uma quebra de protocolo para selar a aliança: Dilma deu dois beijinhos nas bochechas do Papa.

Antes de dar início à jornada, Francisco passará ainda por Aparecida (SP). Em seu discurso, porém, ele fez questão de falar a todo o povo brasileiro "da Amazônia aos Pampas, dos vilarejos às metrópoles"

- Ninguém se sinta excluído do abraço do Papa.

Fonte: O Globo

Papa diz que falta de trabalho pode criar ‘geração perdida’

Em discurso no Palácio Guanabara, Francisco cobrou educação e estrutura para jovens; Dilma pediu apoio para iniciativas globais; Quebrando o protocolo, papa andou sem blindagem, ficou preso em congestionamento e beijou crianças

Em seu primeiro discurso no Brasil, diante da presidente Dilma Rousseff e de autoridades no Palácio Guanabara, no Rio, papa Francisco cobrou educação e meios materiais para que os jovens possam se desenvolver, e deixou claro que sua viagem terá forte caráter político. No avião que o trouxe ao Brasil, ele alertou para o risco de se criar uma geração perdida diante da incapacidade de os jovens encontrarem trabalho em todo o mundo. Dilma criticou em seu discurso os protestos que têm tomado o País e pediu a participação do pontífice para "transformar iniciativas pontuais em globais". Ao chegar, Francisco embarcou em um carro sem blindagem. No trajeto até o centro, com os vidros abaixados, ficou preso em congestionamento e saudou fiéis. Também andou de papamóvel aberto e beijou crianças. Hoje, ele não tem agenda pública. Amanhã, vai a Aparecida (SP), onde anteontem uma bomba de fabricação caseira foi encontrada no banheiro do Santuário.

Para o papa, "juventude está em crise" e corre o risco de "nunca trabalhar"

Jamil Chade

RIO - Em seu primeiro discurso no Brasil, diante da presidente Dilma Rousseff de políticos e autoridades no Palácio Guaitábara, no Mo, o papa Francisco cobrou educação e meios materiais para que os jovens possam se desenvolver, e deixou claro que sua viagem ganhará forte caráter político. Antes mesmo de desembarcar, ainda no avião que o levou ao Brasil, o papa fez um ataque direto às receitas dos governos para lidar com a crise internacional. E alertou para o risco de se criar uma geração perdida diante da incapacidade de os jovens encontrarem trabalho.

Francisco ainda cobrou os políticos. "A nossa geração se demonstrará à altura da promessa contida em cada jovem quando souber abrir-lhes espaço: tutelar as condições materiais e imateriais para o seu pleno desenvolvimento, oferecer a ele fundamentos sólidos, sobre os quais construir a vida, garantir-lhe segurança e educação, para que se torne aquilo que pode ser", disse o pontífice.

Oficialmente, Francisco viajou ao Brasil para participar da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), mas aproveitará a semana que passará no Brasil para dar indicações do que pretende como papa, fará alertas aos políticos e se reunirá com cardeais para debater a situação latino-americana.

O alerta sobre o impacto da crise mundial foi primeiro dado ainda no avião. Aos jornalistas, revelou sua preocupação com a exclusão social, principalmente no caso dos jovens. "Essa primeira viagem é para encontrar os jovens. Não em isolamento, mas no contexto de suas sociedades", disse. "Quando nós isolamos os jovens, fazemos uma injustiça. Eles pertencem a uma família, a uma cultura, á um país e a uma fé, Não podemos isolá-los da sociedade. Por isso é que quero encontrar os jovens em seu tecido social."

O pontífice continuou: "É verdade que a crise global não tem sido suave com os jovens. Li, na semana passada, quantos deles estão sem trabalho e acho que estamos correndo o risco de criar uma geração que nunca trabalhou", alertou o papa.

Dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT) apontam que, em alguns países, mais de 50% dos jovens estão sem emprego e, pior, sem perspectiva de trabalho (mais informações abaixo) . "A juventude está em crise", alertou o pontífice. "Estamos acostumados com uma cultura descartável. Fazemos isso com frequência com os idosos e, com a crise, estamos fazendo o mesmo com o j ovem. Precisamos de uma cultura de inclusão"-, continuou Francisco.

Para o papa, o problema da exclusão também afeta os mais idosos - e não só os jovens. "É verdade que os jovens são o futuro do povo, porque têm energia. Mas eles não são os únicos que representam o futuro. Os idosos também, porque têm a sabedoria da vida."

"Momento oportuno". Francisco afirmou que chega ao País em um "momento oportuno", por causa dos protestos, e dá o primeiro sinal concreto de sua simpatia pelos movimentos sociais que ganharam as ruas - ontem, manifestantes tomaram a região central do Rio e houve novamente confrontos (mais informações na página A14).

O argentino, porém, deixou claro que não chegou para desafiar e quer um "diálogo de amigos". Não por acaso, teceu longos elogios ao Brasil e à sua população. "Nesta hora, os braços do papa se alargam para abraçar a nação inteira brasileira, na sua complexa riqueza humana, cultural e religiosa", declarou. "Desde a Amazônia até os Pampas, dos Sertões até o Pantanal, dos vilarejos até as metrópoles, ninguém se sinta excluído do afeto do papa."

, Em português e com leve sotaque, o papa brincou durante discurso no Palácio Guanabara, quando se dirigiu aos jovens e usou linguagem pouco habitual para um pontífice. "Cristo bota fé nos jovens", disse, destacando uma das motivações da Jornada. Mas alertou: "Também os jovens botam fé em Cristo". Abusando de expressões, o pontífice chegou a dizer que "os filhos no Brasil são a menina dos nossos olhos".

"Aprendi que, para ter acesso ao povo brasileiro, é preciso ingressar pelo portal do seu imenso coração. Por isso, permitam me que nesta hora eu possa bater delicadamente a esta porta", discursou. "Não tenho ouro nem prata, mas trago o que de mais precioso me foi dado Jesus Cristo."

Fonte: O Estado de S. Paulo

Pesquisa: educação e saúde são as principais reivindicações dos jovens

Governo honesto aparece em 4º lugar, segundo estudo feito antes dos atos

Juliana Castro

Algumas das bandeiras levantadas nas manifestações que tomaram conta do país em junho aparecem como as principais prioridades de jovens brasileiros, de acordo com levantamento divulgado ontem pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O estudo foi feito em maio, antes da série de atos. O item mais citado pelos jovens foi educação de qualidade (85,2%), seguido pela melhoria dos serviços de saúde (82,7%). Essas são também as demandas mais citadas mundialmente.

O instituto considerou jovens aqueles com idade de 15 a 29 anos, assim como estabelece a Constituição. O Ipea, órgão vinculado à Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, pediu para cada entrevistado escolher, entre 16 temas, seis que seriam prioritários. O método é o mesmo utilizado pela Organização das Nações Unidas (ONU) na pesquisa My World, feita pela internet, cujo objetivo é subsidiar a definição das novas Metas do Milênio, a partir de 2015.

A terceira opção mais citada pelos jovens brasileiros foi o acesso a alimentos de qualidade (70,1%). Em quarto apareceu ter um governo honesto e atuante (63,5%), demanda que, em nível mundial, fica na quinta colocação. A melhoria nos transportes e estradas, citada por 40,9% dos jovens como uma prioridade, foi a demanda que deu início à série de protestos. No mundo, esse tópico é apenas a 15ª prioridade entre as 16 possibilidades.

Mudança climática em último

Na última colocação entre as principais demandas da juventude brasileira está o combate às mudanças climáticas, opção citada por apenas 7,3% dos entrevistados. Na lista internacional, essa demanda aparece na 12ª colocação. A pesquisa comparou as prioridades dos jovens com as dos não jovens. Para os que estão fora da faixa etária de 15 a 29 anos, a principal demanda é a melhoria dos serviços de saúde (86,6%). Em segundo, a educação de qualidade (80,5%). Ou seja, há uma inversão de prioridades em relação aos jovens.

- É normal essa inversão. Os jovens querem mais educação de qualidade, enquanto a pessoa que vai ficando mais velha pensa mais na questão da saúde - afirmou Marcelo Neri, ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República e presidente do Ipea.

A pesquisa mostra ainda que o número de jovens nunca foi e nem nunca será tão grande no país como agora: atualmente, o grupo é formado por 51 milhões de pessoas, o que corresponde a 26% da população brasileira. É um percentual próximo da média mundial.

- Fazer parte deste grupo tem vantagens e desvantagens. Esse grande número de jovens pode ajudar a diversificar e especializar a mão de obra do país, ajuda na interiorização da educação técnica e superior, mas, por outro lado, se não for expandido o número de vagas, esses jovens vão enfrentar o vestibular mais difícil de todos os tempos. Têm a vantagem de ser um grupo que vai ter poder de barganha, mas têm como desvantagem a concorrência no mercado de trabalho - disse Ricardo Paes de Barros, coordenador do estudo "Juventude levada em conta".

Segundo o Ipea, esse ápice no número de jovens no Brasil vai até 2022, quando o processo refluirá, e a população dessa faixa etária cairá a uma velocidade maior que a dos demais países. A expectativa é que o número de pessoas entre 15 e 29 anos decline em 15 milhões até 2050.

- O Brasil não está isolado neste fenômeno. Ele se destaca junto com a China - disse Neri.

Uma curiosidade é que, apesar de serem em números absolutos a maior população jovem já existente no Brasil, os pais dessas pessoas que hoje têm de 15 a 29 anos foram, proporcionalmente, a maior população jovem. Por conta da queda da mortalidade, o maior número de idosos, seja em números absolutos ou relativos, será alcançado pelos filhos de quem hoje está na faixa etária jovem.

O Ipea fez as entrevistas em domicílio com pouco mais de dez mil pessoas. A pesquisa faz parte de um amplo estudo que está sendo desenvolvido pelo governo, com análises sobre as áreas de demografia, Educação e mercado de trabalho em relação ao jovem.

Fonte: O Globo

PT já fala em 2º turno na eleição de 2014

O PT admite que Dilma Rousseff pode não vencer a eleição no primeiro turno. Proposta de resolução levada ao Diretório Nacional diz que o partido enfrentará "intensa luta política e ideológica" e os protestos criaram "nova situação".

PT já prevê dois turnos em 2014 e pede que autoridade de Dilma seja preservada

Vera Rosa

BRASÍLIA - O PT já admite que a presidente Dilma Rousseff pode não vencer a eleição de 2014 no primeiro turno, ao contrário do que previa o marqueteiro João Santana. Proposta de resolução levada ao Diretório Nacional, no sábado, diz que o partido enfrentará "intensa luta política e ideológica, incluindo aí dois turnos de eleições presidenciais". Para os petistas, é preciso que a autoridade de Dilma seja "preservada e defendida" com mais ênfase porque os protestos de rua geraram uma "nova situação política".

Em debates internos, os petistas, ao avaliar o significado dos protestos de junho, reconheceram "graves equívocos políticos 11aprática do PT" e a necessidade de "reorientação" e "reconstrução das bases sociais e dos vínculos populares" do partido diante dos "sinais de fadiga da velha ordem institucional".

"Sabemos (...) que, para estar à altura destes desafios, nos caberá analisar o novo quadro, reconhecer com humildade os erros cometidos e reciclar nosso programa, estratégia e condutas destaca o documento.

O texto ainda não foi aprovado. A corrente majoritária do PT, a Construindo uni Novo Brasil (CNB), está rachada e não houve acordo para a votação da resolução, que ainda pode ser alterada e só passará pelo crivada Executiva Nacional em agosto, As divergências foram acentuadas com pressões de alas à esquerda do PT para que o tom de críticas ao governo Dilma - que enfrenta dificuldades na economia e queda de popularidade - fosse acentuado.

A versão preliminar da resolução afirma que o principal porta-voz da "trava ao desenvolvimento" está nos monopólios de comunicação. Além disso, os petístas veem uma "barricada de interesses" – formada pela "hegemonia conservadora sobre as principais instituições do Estado, como Congresso e Justiça" ~ erguendo obstáculos para a ação da presidente Dilma.

Eduardo Campos - Em outro documento, intitulado "O Brasil quer mais e melhor", a chapa ; que apoia a reeleição do deputa" do Rui Falcão à presidência do PT pede cuidado com os "porta: vozes dos capitais" na disputa de.2014. Mesmo sem citar o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), o texto faz referência indireta a ele ao argumentar que "os neoliberais e neoconservadores" querem outro bloco social no poder e podem, buscar novas opções. Seus porta-vozes, hoje, são o consórcio DEM, PSDB, PPS, o que não quer dizer que : não busquem alternativas futuras para candidaturas avulsas : ou de partidos que abriguem seus interesses", ressalva a tese do grupo de Falcão. Provável candidato à sucessão de Dilma, Campos adotou o slogan "é preciso fazer mais e bem feito",

Os dois textos do PT combatem a chamada ditadura do marketing político e eleitoral A chapa de Falcão faz uma autocrítica das ações do PT e diz que o governo Dilma ainda não cumpriu todas as tarefas. f "(».) Tudo o que foi feito não é suficiente para colocar o universo das políticas públicas em diálogo permanentemente fértil com as grandes causas de nos -so tempo", destaca o documento, que contém 48 tópicos.

A tese foi apresentada pela CNB, tendencia do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em conjunto com as correntes Novo Rumo e PT de Lutas e de Massas. As eleições que vão renovar a cúpula do PT estão marcadas para 10 de novembro. Falcão é o favorito para continuar no comando do partido,

Correção de rumo - Embora a tese do grupo trate Dilma como "uma estadista, uma líder que tem ouvido o País" e destaque que o Brasil viveu, nos últimos dez anos, ao melhor momento de suas políticas públicas", há várias linhas com apelos para correção de rumo. "Para atualizar o projeto para o País é preciso discutir os rumos do desenvolvimento sustentável que defendemos. As orientações da política econômica que, guiada pela perspectiva da distribuição de renda, combine equilíbrio fiscal, controle do câmbio e crescimento com condições de ampliação do financiamento do Estado", afirma o texto.

Se Falcão ganhar a eleição, o documento norteará a ação do PT para os próximos quatro anos e servirá de parâmetro para a construção do programa de reeleição de Dilma. "A distribuição de renda e o acesso ao consumo não bastam para impulsionar a emancipação das pessoas, construir um desenvolvimento em bases sustentáveis e formar maiorias que sustentem as reformas sociais e políticas defendidas pelo PT" diz o texto.

Fonte: O Estado de S. Paulo

PT vai tirar menção ao 2º turno de texto oficial

Rui Falcão quer evitar 'interpretação malévola'

BRASÍLIA - Para evitar o que chamou de "interpretação malévola", o presidente do PT, Rui Falcão, determinou que se exclua de documento do partido a previsão de segundo turno na eleição presidencial.

No fim de semana, o PT discutiu o conteúdo de uma resolução sobre o cenário político. Apresentado pela Fundação Perseu Abramo, vinculada ao PT, e submetido ao comando do partido, o documento previa até ontem, em sua versão original, uma eleição em dois turnos para a Presidência no ano que vem.

O texto precisará ser aprovado pela Executiva do partido e pode sofrer alterações.

"Sabemos ter pela frente um período de intensa luta política e ideológica, incluindo aí dois turnos de eleições presidenciais, para governo, Senado, deputados federais e estaduais", dizia o texto.

Por orientação de Falcão, a expressão será retirada. Segundo ele, a redação não era "prenúncio de que haverá dois turnos", mas a constatação de que "toda eleição majoritária tem dois turnos".

"O texto final não conterá isso. Para ninguém achar que estamos prognosticando eleição em dois turnos, o texto ficará assim: vamos enfrentar o processo eleitoral de 2014', o que é uma obviedade."

Obtido pela Folha, o documento defendia ainda uma reforma ministerial e mudanças na política econômica, além de conter críticas às alianças firmadas pelo governo. O próprio Falcão propôs a inclusão de trechos duros para o governo Dilma, como a previsão de novas manifestações no ano que vem.

Ele rechaça, porém, a ideia de que o texto revele descontentamento dos petistas com a presidente Dilma Rousseff, especialmente depois que ela faltou à reunião de seu partido sob o argumento de que se dedicaria à segurança da visita do papa Francisco ao Rio.visita do papa Francisco ao Rio.

Fonte: Folha de S. Paulo

Serra sonda partidos para disputa em 2014

Tucano conversa com PV, PSD e PTB sobre candidatura à Presidência

Gustavo Uribe

Costura política. Serra negocia apoios e pode mudar de partido este ano

SÃO PAULO - Sem espaço para disputar a sucessão ao Palácio do Planalto em 2014 pelo PSDB, o ex-governador de São Paulo José Serra tem sondado dirigentes de siglas como PV, PSD e PTB sobre a possibilidade de alianças para uma eventual candidatura presidencial. Segundo líderes partidários com os quais o tucano conversou nos últimos dias, ele tem demonstrado animação e interesse pelo cenário eleitoral do ano que vem e não descarta a chance de deixar o PSDB para a disputa nacional.

O fracasso da fusão entre PPS e PMN, para a formação do MD, frustrou as perspectivas de se criar uma janela, na Lei de Fidelidade Partidária, para políticos da base aliada insatisfeitos com o governo da presidente Dilma Rousseff. Isso, porém, não acabou com a possibilidade de uma eventual filiação de Serra ao PPS. Ele tem conversado regularmente com os presidentes do PPS, Roberto Freire, e do PSD, Gilberto Kassab; na última semana, almoçou com o presidente nacional do PV, José Luiz Penna. Um encontro com líderes do PTB em São Paulo é esperado para a próxima semana.

- Ele (Serra) disse que ainda não tem horizonte definido, mas observou com interesse o quadro nacional. Estava animado com possibilidades para 2014 - disse Penna.

PSD não decidiu quem apoiará

No PSDB, a avaliação é a de que Serra só se filiará ao PPS se tiver a certeza do apoio do PSD para uma eventual candidatura à Presidência. O partido do ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab, ainda que esteja à frente da indicação na Secretaria da Micro e Pequena Empresa, não declarou oficialmente apoio à candidatura de Dilma à reeleição. A chance de o PSD apoiar Serra, na avaliação de líderes nacionais do próprio partido, não é descartada. No entanto, é considerada pequena, mesmo com a perspectiva de queda do desempenho do atual governo nas recentes pesquisas de intenções de voto.

- Até o momento, o nosso apoio à presidente Dilma está fechado, está sacramentado. Não há no partido nenhuma discussão em torno de um outro apoio - disse o secretário-geral do PSD, Saulo Queiroz.

Presença maior em público

Caso continue no PSDB, o ex-governador de São Paulo tem duas opções eleitorais para o ano que vem: a Câmara dos Deputados ou o Senado. Em conversas reservadas, Serra tem recusado essas duas alternativas. Com o naufrágio do MD, o comando tucano considera pouco provável que o ex-governador se arrisque em um voo solo no PPS. Sem uma janela na Lei de Fidelidade Partidária, o diagnóstico é o de que poucos parlamentares colocariam em risco o seu mandato para acompanhar o tucano, o que enfraqueceria uma eventual candidatura ao Palácio do Planalto em 2014.

A avaliação de aliados de Serra é a de que, no atual cenário eleitoral, com a queda da popularidade de Dilma, o ex-governador pode se tornar a principal voz de oposição ao governo federal e, assim, colher dividendos eleitorais. Nesse sentido, além de manter conversas com dirigentes de eventuais siglas aliadas, o tucano tem intensificado aparições públicas.

Semana passada, participou de evento na sede do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), em Bauru. Amanhã, participa de debate sobre política econômica na AGO Associados

Fonte: O Globo

Campos vê 'conotação política' em denúncia

Angela Lacerda

RECIFE - O governador de Pernambuco, Eduardo Campos, provável candidato do PSB à Presidência, acredita que há conotação política na denúncia sobre suspeita de superfaturamento de contratos do seu governo com a empresa ideia Digital, que levou a Polícia Federal a pedir abertura de investigação ao Ministério Público do Estado.

"A primeira preocupação é de esclarecer e não desqualificar, ter a atenção de responder à sociedade com tranqüilidade e com presteza", disse ele, depois de explicar que nada foi provado em relação a Pernambuco. Agora, ninguém aqui é inocente para achar que não tem interesse político", acrescentou. E repetiu: "Ninguém é inocente".

De acordo com a denúncia, publicada pela Folha de S. Paulo, a suspeita é de financiamento ilegal para campanhas do PSB. A Ideia Digital assinou contratos no valor de R$ 77,5 milhões, em 2011 e 2012, para informatizar escolas no Estado.

"A Polícia Federal não fala, não prova, não comprova absolutamente nada em relação a Pernambuco", afirmou Campos em entrevista depois da 6.s.a Reunião da Sociedade Brasileira da Ciência e Tecnologia (SBPC), no campus da Universidade Federal de Pernambuco.

Os recursos saíram do Ministério da Ciência e Tecnologia. Presente ao encontro da SBPC, o então ministro Sérgio Rezende disse que tudo o que assinou "teve parecer técnico e jurídico" e se houve algum problema, "foi com o executor", O atual ministro, Marco Antonio Raupp, não quis falar à imprensa.

Em sua entrevista, o governador disse ainda que o Inquérito "foi lido por advogados do Esta; do e por controladores de carreira. Tudo o que cabia fazer foi feito". Assim que surgiu a suspeita, prosseguiu ele, o governo acionou a Controladoria-Geral do Estado e reteve os cerca de RS 18 milhões ainda não pagos à Ideia Digital. O Tribunal de Contas do Estado também entrou no caso.

Dessa equipe participa o conselheiro João Campos, primo do governador. Este defendeu também o governador da Paraíba, Ricardo Coutinho, também do PSB e suspeito de envolvimento. Para Campos, Coutinho é "homem sério, honrado e de vi: da pública combativa".

Fonte: O Estado de S. Paulo

Rede, partido de Marina, já tem 100 mil assinaturas válidas

Flávia Pierry

BRASÍLIA - A ex-senadora Marina Silva trava uma corrida contra o tempo para conseguir registrar seu partido, a Rede Sustentabilidade, dentro do prazo que lhe permitirá concorrer nas eleições do ano que vem. O grupo divulgou ontem que já conta com cem mil assinaturas conferidas pelos cartórios eleitorais, mas precisa de pelo menos 500 mil apoios confirmados para dar entrada no pedido de registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A Rede terá de se apressar: o processo deve ser concluído até 4 de outubro para que Marina possa se candidatar à Presidência em 2014.

Para o advogado eleitoral Torquato Jardim, ex-ministro do TSE, a Rede tem de cinco a seis semanas para entregar as assinaturas conferidas ao TSE, que precisa de mais algumas semanas para concluir o processo. Segundo a Rede, foram coletadas cerca de 800 mil assinaturas, mas nem todas foram distribuídas aos cartórios do país para conferência.

Pela lei 9.096/95, a Rede tem até a terceira semana de agosto para levar a documentação completa ao TSE. Quando recebe as certidões de validade das assinaturas, com a ata de criação do partido e o estatuto, o TSE tem 48 horas para enviar o processo a um relator, que consulta o Ministério Público. Outro prazo começa a correr: o de dez dias para o MP pedir dados para sanar possíveis falhas. Depois que o MP devolver o processo, o TSE ainda tem 30 dias para conclui-lo.

Até 30% dos apoios devem ser recusados, estima sigla

Mesmo tendo confirmado apenas um quinto dos apoiadores que a lei determina para poder constituir um novo partido, a Rede acredita que conseguirá reconhecimento, pelos cartórios, dos 500 mil eleitores necessários, pelo menos, para a legenda ser criada ainda este ano. Foram coletadas cerca de 300 mil assinaturas a mais do que define a lei, para garantir que, mesmo que entre 25% a 30% de apoiadores da Rede sejam recusados pelos cartórios, como estimam os próprios organizadores da legenda, o partido possa ser instituído.

Marina Silva tem dito que a prioridade é criar o partido, e não garantir que ela seja candidata em 2014. Se a Rede não for criada a tempo, a especulação é que ela poderá concorrer por outra legenda.

O advogado José Gerardo Grossi, ex-ministro do TSE, também avalia que o prazo que a Rede dispõe para ter todas as assinaturas verificadas é curto, mas ressalta que a maioria dos cartórios eleitorais já está com o processo digitalizado, o que facilita a checagem.

- Tem sido rápido examinar isso, quando não há diligências, que geralmente são pedidas para reconhecer firmas, cobrar documentos. Vai depender da agilidade da Rede. Se montar esquema de trabalho ágil, certamente dará tempo, os cartórios são bem rápidos hoje - afirma o advogado. - Não é fácil chegar a registrar um partido. Depende muito de pessoas trabalhando nos cartórios e no partido em formação.

Fonte: O Globo

Eles estão de brincadeira - Marco Antonio Villa

No já histórico junho de 2013, as ruas foram ocupadas pelos cidadãos. Foi um grito contra tudo que está aí. Contra os corruptos, contra os gastos abusivos da Copa do Mundo, contra a impunidade, contra a péssima gestão dos serviços públicos, contra a violência, contra os partidos políticos.

Dois poderes acabaram concentrando a indignação popular: o Executivo e o Legislativo. Contudo, o Judiciário deve ser acrescido às vinhas da ira.

Neste mesmo espaço, em 13 de dezembro de 2011, escrevi um artigo ("Triste Judiciário") tratando do Superior Tribunal de Justiça, o autointitulado tribunal da cidadania.

Um ano e meio depois resolvi consultar o site do tribunal (www.stj.jus.br) para ver se tinha ocorrido alguma modificação nas mazelas que apontei. Para minha surpresa, tudo continua absolutamente igual ou, em alguns casos, pior.

Busquei inicialmente o número de cargos. Vi uma boa notícia. Eram 2.741 em 2012 e em 2013 tinha diminuído para&. 2.740. Um funcionário a menos pode não ser nada, mas já é um avanço para os padrões brasileiros. Porém, ao consultar as funções de confiança, observei que nos mesmos anos tinham saltado de 1.448 para 1.517.

Fui pesquisar a folha dos funcionários terceirizados. São 98 páginas. Mais de 1.550 funcionários! E tem de tudo um pouco. São 33 garçons e 56 copeiras. Afinal, suas excelências têm um trabalho desgastante e precisam repor as energias. No STJ ninguém gosta de escadas. É a mais pura verdade. São 34 ascensoristas: haja elevadores! Só de vigilantes - terceirizados, registre-se - são 264. Por ironia, a empresa contratada chama-se Esparta. E se somarmos os terceirizados mais os efetivos, teremos muito mais dos que os 300 espartanos que acompanharam Leônidas até as Termópilas, longe, evidentemente, de comparar suas excelências com o heroísmo dos lacedemônios.

Resolvi consultar a folha de pagamentos de junho. Fiquei só na letra A. Não por preguiça. É que preciso trabalhar para pagar os impostos que sustentam os salários das suas excelências.

Será que o tribunal foi isento da aplicação do teto constitucional? Dos cinco ministros que abrem a lista, todos recebem salários acima do que é permitido legalmente.

Vamos aos números: Antonio Carlos Ferreira recebeu R$ 59.006,92; Antonio Herman de Vasconcelos e Benjamin, R$ 36.251,77; Ari Pargendler, R$ 39.251,77; Arnaldo Esteves Lima, R$ 39.183,96; e Assusete Dumont Reis Magalhães, R$ 39.183,96. Da lista completa dos ministros, a bem da verdade, o recordista em junho é José de Castro Meira com o módico salário de R$ 63.520,10. Os ministros aposentados também recebem acima do teto. Paulo Medina, que foi aposentado em meio a acusações gravíssimas, recebeu R$ 29.472,49.

O STJ revogou o artigo 5º da Constituição? Ou alterou a redação para: "Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, exceto os ministros do STJ"?

O tribunal é pródigo, com o nosso dinheiro, claro. Através do que chama de aviso de desfazimento, faz doações. Só em 2013 foram doados dezenas de veículos supostamente em estado "antieconômico." Assim como refrigeradores, mobiliário, televisores e material de informática. É o STJ da felicidade. Também, numerário não falta. Para 2013 o orçamento é de 1 bilhão de reais. E estamos falando apenas de um tribunal. Só para pagamento de pessoal e de encargos sociais estão alocados 700 milhões. Sempre pródiga, a direção do STJ reservou para a contribuição patronal da seguridade social dos seus servidores a módica quantia de 100 milhões (mais que necessário, pois há servidores inativos recebendo R$ 28.000,00, e pensionistas com R$ 35.000,00).

O tribunal tem 166 veículos (dos quais 20 são ônibus). Por que tantos veículos? São necessários para o trabalho dos ministros? Os gastos nababescos são uma triste característica do STJ. Só de auxílio-alimentação serão destinados R$ 24.360.000,00; para assistência médica aos ministros e servidores foram previstos R$ 75.797.360,00; e à assistência pré-escolar foram alocados R$ 4.604.688,00. À simples implantação de um sistema de informação jurisdicional foi destinada a fabulosa quantia de R$ 22.054.920,00. E, suprema ironia, para comunicação e divulgação institucional, o STJ vai destinar este ano R$ 14.540.000,00.

A máquina do tribunal tem de funcionar. E comprar. Em um edital (e só consultei os meses de junho e julho) foram adquiridos 1.224 copos. Noutro, por R$ 11.489,00, foi contratada uma empresa de eventos musicais. Estranhamente foram adquiridos 180 blocos para receituário médico, 50 blocos para ficha odontológica e 60 pacotes - cada um com 100 unidades - de papel grau cirúrgico (é um tribunal ou um hospital?).

É difícil entender a aquisição de 115 luminárias de uma só vez, a menos que o prédio do tribunal estivesse às escuras. Pensando na limpeza dos veículos foram adquiridas em julho 70 latas de cera para polimento. Tapetes personalizados (o que é um tapete personalizado?) custaram R$ 10.715,00 e de uma vez compraram 31 estiletes.

Não entendi, sinceramente, a razão de adquirir 3.360 frascos de 1.000 ml cada de álcool. E o cronômetro digital a R$ 1.690,00? Mas, como ninguém é de ferro, foi contratada para prestar serviço ao STJ a International Stress Manegement Association.

Mas, leitor, fique tranquilo. O STJ tem "gestão estratégica". De acordo com o site, o tribunal "concentra esforços na otimização dos processos de trabalho e na gestão da qualidade, como práticas voltadas à melhoria da performance institucional e consequentemente satisfação da sociedade". Satisfação da sociedade? Estão de brincadeira.

Marco Antonio Villa é historiador e professor da Universidade federal de São Carlos (SP).

Fonte: O Globo

Brasília-DF - Luiz Carlos Azedo

O Papa e o poder
Foram momentos em que a agenda positiva se impôs aos fatos negativos das últimas semanas no Rio de Janeiro, os três encontros entre a presidente Dilma Rousseff e o papa Francisco. Primeiro, ao recepcioná-lo na Base Aérea do Galeão; depois, na cerimônia de boas vindas no Palácio Guanabara, a sede do governo fluminense; finalmente, a conversa a sós, de 15 minutos, cujo verdadeiro teor vale por uma confissão. Apesar do sucesso da agenda oficial, transmitida em tempo real, foi gritante a distância entre o poder e o povo carioca, que foi às ruas para receber Francisco.

O chefe da Igreja Católica primou pela austeridade, pela simplicidade e pela simpatia. No trajeto entre o aeroporto e a Catedral Metropolitana, deixou aberto o vidro do carro e acenou para a multidão. Seus seguranças quase foram à loucura quando a comitiva papal foi cercada pela muldidão na avenida Presidente Vargas, situação imprevista. O desfile de papamóvel pelas ruas do centro foi consagrador, como já era esperado. Não houve qualquer cena de violência.

A recepção no Palácio Guanabara, porém, só não foi gelada por causa da emoção que o papa Francisco despertou entre os familiares das autoridades presentes. Estavam lá os principais ministros de Dilma Rousseff, alguns governadores e representantes do clero; os presidentes do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e o da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN); o governador fluminense Sérgio Cabral (PMDB) e o prefeito carioca Eduardo Paes (PMDB). Nunca estiveram tão próximos do papa e tão longe de seu rebanho.

Protestos
O mesmo grupo que azucrinou o governador Sérgio Cabral nas últimas semanas, inclusive acampando em frente ao seu apartamento no Leblon, patrocinou um protesto nas imediações do Palácio Guanabara, cuja segurança foi muito reforçada. O grupo queimou um boneco do governador após a cerimônia oficial de boas vindas; depois, o pau comeu. Um “beijaço” também foi patrocinado pelos grupos LGBT, reivindicando os direitos dos homossexuais, nas escadarias da igreja de Nossa Senhora da Glória, no Largo do Machado.

Reforma// A bronca da presidente Dilma Rousseff com o PMDB na Câmara deve aumentar. O líder do PSDB, Carlos Sampaio (SP), resolveu encampar a proposta de emenda constitucional (PEC) da bancada do PMDB que limita em 25 o número de ministérios. Do jeito que a coisa vai, o governo corre o risco de ver a PEC aprovada.

Irmã Dulce
O governador Jaques Wagner (foto) aproveitou a visita do papa Francisco para levar uma mensagem de paz e fraternidade dos baianos ao novo pontífice e solicitar um encontro com ele, no Vaticano. Wagner deseja reforçar os apelos dos baianos para que a irmã Dulce seja santificada.

Pensando bem
Caiu a ficha da cúpula do PT em relação à resolução do diretório nacional aprovada sábado, que responsabiliza os aliados pela “putrefação” da política brasileira e apoia a redução do número de ministérios. Obviamente, mirou os ministros dos partidos aliados que julga apodrecidos: PMDB, PP, PR, etc. O deputado Ricardo Berzoini (PT-SP) e os capa-pretas Valter Pomar e Carlos Árabe estão reescrevendo o documento para publicação oficial.

Diálogo
O presidente da Câmara, Henrique Alves (PMDB-RN), e o líder do PMDB, Eduardo Cunha (RJ), saíram em defesa da permanência do deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP) como coordenador do grupo de trabalho encarregado de elaborar uma proposta de reforma política. Argumentam que o ex-líder do governo dialoga com todas forças políticas, pré-condição para o sucesso na empreitada. Vaccarezza foi desautorizado a falar em nome do PT pelo líder da bancada, José Guimarães (PT-CE).

Em queda
O clero brasileiro vê a visita do papa Francisco como uma oportunidade de aumentar o número de fiéis, em queda no Brasil. Segundo pesquisa DataFolha, eram 75%, em 1994; e 64%, em 2007. Agora, o número de católicos caiu para 57%

Contraponto
A divulgação do balanço do Bradesco, ontem, serviu de contraponto aos humores do mercado. O lucro cresceu, a inadimplência caiu, o crédito subiu e a ação do banco teve alta de mais de 4%. Presidente do banco, Luiz Carlos Trabuco Cappi (foto) comemorou: “O cenário é benigno para o segundo semestre”. Segundo ele, as pessoas continuam com seu principal ativo: o emprego. E o governo conseguiu absorver a turbulência externa.

Acordo final/ O governo da Colômbia e a guerrilha das Farc adiaram para 28 de julho a retomada de negociações de paz em Havana, que inicialmente começaria no dia 22. O xis da questão é a participação dos guerrilheiros, após a deposição das armas, nas eleições colombianas.

Saúde/ A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) limitou em 9,04% o índice máximo de reajuste para os planos de saúde médico-hospitalares, individuais e familiares, contratados a partir de janeiro de 1999 ou adaptados à Lei 9.656/98. O teto vale, retroativamente, para o período entre maio de 2013 e abril de 2014. A medida atinge diretamente 8,4 milhões de pessoas.

Azebudsman/ Na coluna de domingo, paulistano da gema, errei de gaúcho: o Palácio Guanabara fica na avenida Pinheiro Machado, em Laranjeiras, e não Borges de Medeiros, que fica na Lagoa. Ambos foram políticos notáveis da República Velha.

Fonte: Correio Braziliense