domingo, 25 de maio de 2014

Auxiliares de Palocci dialogam com Campos

• Economistas Marcos Lisboa e Bernard Appy foram a oficina promovida pelo pré-candidato do PSB ao Planalto

• Ex-governador de PE se recusa a ter um "guru", mas tem mostrado apreço por figuras da corrente liberal

Natuza Nery e Érica Fraga – Folha de S. Paulo

BRASÍLIA e SÃO PAULO - Dois dos principais expoentes do grupo de economistas do ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci se aproximaram recentemente de Eduardo Campos (PSB), concorrente da petista Dilma Rousseff na corrida pelo Palácio do Planalto.

Ex-governador de Pernambuco, Campos se recusa a ter "um economista-guru para chamar de seu", mas tem dialogado com diversas matizes do pensamento econômico e mostrado apreço por algumas figuras da corrente liberal.

Entre os economistas com quem manteve contato recentemente, Marcos Lisboa e Bernard Appy conquistaram a simpatia do presidenciável.

Ambos trabalharam para a administração Lula ao lado de Palocci, ministro de um governo de esquerda, mas que replicou, no primeiro mandato, a agenda do antecessor tucano Fernando Henrique Cardoso.

Além de manter a autonomia do Banco Central e a política fiscal mais rigorosa do segundo mandato FHC, o primeiro governo Lula avançou em reformas importantes, como a nova Lei de Falências, idealizada por Lisboa.

O economista chamou a atenção de Palocci durante as eleições de 2002 e acabou se transformando em um dos ideólogos da conversão petista à ortodoxia econômica. Já Appy fora consultor do PT anos antes e integrou a equipe de transição como economista da linha moderada.

Em 30 de abril, os dois "paloccistas" e outros economistas participaram de uma oficina de trabalho promovida por Campos e sua vice, Marina Silva, que foi o pontapé inicial para a elaboração do programa de governo.

Após o encontro, o pré-candidato à Presidência da República afirmou a interlocutores que gostaria de ver uma "colaboração cada vez maior" por parte dos dois.

Campos teria ficado particularmente interessado na proposta que Lisboa e a economista Zeina Latif --que também participou do encontro-- têm defendido de criação de uma agência independente para avaliar a eficácia das políticas adotadas no país.

O pessebista Maurício Rands, um dos organizadores do evento de abril, tomou o cuidado de dizer que, apesar da presença e do interesse pelas ideias de ambos, Lisboa e Appy não integram o time da campanha.

Segundo a Folha apurou, os economistas dizem o mesmo a interlocutores que têm perguntado sobre o encontro.

Rands disse ainda que Campos busca referências na área econômica, mas nunca "um Armínio Fraga", em alusão ao ex-titular do BC, braço direito do presidenciável Aécio Neves (PSDB).

"Eduardo tem dito que não vai se etiquetar". Responsabilidade fiscal é um princípio que defendemos, não é um monopólio liberal", disse.

Assédio
Outros interlocutores de Campos dizem que essa decisão ganhou força depois que Aécio foi obrigado a recuar em posições defendidas por Fraga, como a defesa da mudança da atual regra de reajuste do salário mínimo.

Em outubro passado, quando fechou a aliança com Marina Silva e tornou viável sua candidatura, Campos passou a sofrer assédio de banqueiros, industriais e empresários. Àquela altura, o setor privado ainda pagava para ver se Aécio Neves se tornaria um candidato competitivo.

Neste ano, porém, o tucano passou a subir alguns degraus nas pesquisas. Isso, somado ao fato de parte do setor privado enxergar Marina como adversária de seus interesses, arrefeceu o entusiasmo com a figura de Campos.

A resistência ocorre sobretudo no agronegócio e em setores produtivos que temem o efeito da bandeira sustentável em seus negócios.

Brasília-DF - Denise Rothenburg

- Correio Braziliense

E a revolta cresce
Os parlamentares invariavelmente têm um mau humor daqueles quando o assunto é Dilma Rousseff. Mas, agora, a situação vai piorar. O governo, no início do ano, acertara com os congressistas a liberação de R$ 10,8 milhões em emendas individuais para cada um, sendo 50% desse valor para obras e serviços de saúde. Semana passada, a Secretaria de Relações Institucionais, do ministro Ricardo Berzoini, avisou que esse total foi reduzido. A ordem é liberar apenas 60%, sendo metade para as sugestões de obras, serviços e equipamentos de saúde e o restante de livre indicação dos políticos para as prefeituras.

Moral da história: os prefeitos que forem preteridos vão brigar com os deputados que, por sua vez, engrossam o coro contra o Planalto. E Dilma, que promove um canal direto com as prefeituras com a entrega de máquinas e equipamentos, fará cara de paisagem. Para completar, como o ano de trabalho termina logo ali e só retorna depois da eleição, as liberações vão ficar mesmo para o último bimestre de 2014.

Ou tudo ou nada
Os irmãos Ferreira Gomes — Cid, o governador, e Ciro, o ex-deputado — se cansaram desta história de Lula dizer ao PMDB que apoiará a candidatura do senador Eunício Oliveira ao governo do Ceará, enquanto Dilma ficará com o candidato deles, seja quem for. Ciro Gomes, inclusive, avisou ao ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante: ou Lula segue no mesmo barco ou eles vão apoiar Aécio Neves. Pelo visto, acaba aí a história de Dilma e Lula se dividirem nos palanques.

Obra do PAC à beira da destruição
Pelo visto, está sobrando dinheiro para obras de infraestrutura. O avanço do píer de Santos para abrigar navios de passageiros que supostamente estariam no Brasil no período da Copa terminará com um pedaço desfeito, por causa da passagem do túnel que ligará Santos ao Guarujá.

Guerra fria no Senado I
A carta de despedida que o ex-diretor-geral do Senado Helder Rebouças enviou por e-mail a todos os funcionários dá o tom do clima ruim que se instalou na Casa. No documento, Rebouças contradiz o presidente Renan Calheiros (PMDB-AL). Diz que pediu demissão na última quarta-feira por motivos particulares. Para quem não se lembra, Renan anunciou no plenário que havia demitido o diretor por descumprir a determinação de corte nos salários pagos em maio que ultrapassassem o teto constitucional.

Guerra fria no Senado II
A carta de Helder agradece ao corpo técnico da Casa e ao "corpo político". Em nenhum momento agradece ao presidente do Senado individualmente, quebrando a praxe das cartas de despedidas de cargos como esse no Legislativo. Apesar da sutileza, o recado foi dado.

Convers@ de domingo
Em rápida conversa com a coluna, o secretário-geral do PT, Geraldo Magela, conta que amanhã uma comissão do partido se reunirá em Brasília para definir diretrizes ao programa de governo de Dilma Rousseff à reeleição. Confira nos vídeos do site
www.correiobraziliense.com.br

CURTIDAS
1964 na dança I/ O XXIV Seminário Internacional de Dança de Brasília este ano terá um caráter político. Por ocasião dos 50 anos do golpe militar, a gala de abertura trará o espetáculo 1964, da Faces Ocultas Companhia de Dança, oriunda de Salto (SP). A coreografia traz reflexões sobre lutas, conflitos e passeatas de artistas em busca da liberdade de expressão em meio à ditadura.

1964 na dança II/ Na ocasião, muitos brasileiros que participaram da luta contra a ditadura serão homenageados. Na lista, o secretário de Estado de Cultura do DF, Hamilton Pereira, o cineasta Vladimir Carvalho, o editor Victor Alegria, o estudante Honestino Guimarães (in memoriam), o artista plástico Glênio Bianchetti (in memoriam), o arquiteto João da Gama Filgueiras Lima, o Lelé (in memoriam), entre outros.

Dilma no embalo da Copa/ Para quem nunca foi muito afeita a futebol, a presidente Dilma está correndo atrás do prejuízo. Ela já fez dois jantares com jornalistas esportivos e, na segunda-feira, receberá um grupo de jogadores no Planalto. Tudo depois que Ronaldo Fenômeno anunciou apoio a Aécio Neves nas redes sociais.

Secou/ Correu dia desses uma notícia pela Câmara que o líder do PMDB, Eduardo Cunha (RJ), estaria oferecendo ajuda para captação de recursos destinados a financiamento de campanhas. Quem procurava aliados do peemedebista para confirmar a história ouvia logo um "a Bolsa Cunha fechou".

Painel - Vera Magalhães

- Folha de S. Paulo

Boca no trombone
A oposição detectou um flanco para tentar minar a campanha de Dilma Rousseff (PT): a insatisfação de prefeitos com o governo federal. Descontentes com os critérios de distribuição do FPM (Fundo de Participação dos Municípios) e endividados, os alcaides são considerados por Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB) potenciais aliados para desgastar a imagem da presidente sobretudo em pequenas e médias cidades, onde o poder de persuasão da máquina municipal é maior.

Grades 1 Dentro do discurso de segurança pública encampado por Aécio, o ponto que setores do governo consideram mais controverso é a redução da maioridade penal em alguns casos.

Grades 2 Aliados de Dilma creem que o tema pode se tornar popular e defendem que a petista reforce o discurso de que colocar menores de idade na cadeia ajuda a formar novos criminosos.

Limite 1 O potencial de votos dos presidenciáveis apontado pelo Ibope preocupou o QG de Dilma. O instituto aponta que 47% dos eleitores votariam "com certeza" ou "poderiam votar" na presidente, contra 36% de Aécio e 34% de Campos.

Limite 2 Em março de 2013, esse índice era de 76% para Dilma. A rejeição da presidente também disparou: 43% dos eleitores dizem que não votariam na petista "de jeito nenhum", contra 37% de Aécio e 34% de Campos.

Cantareira O presidente do PDT, Carlos Lupi, ironiza a a indefinição do ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD) na sucessão paulista: "Kassab parece um sedento no deserto. Está correndo atrás de um monte de miragem, mas até agora não encontrou água".

Como faz? Apesar das juras de fidelidade de Kassab a Dilma, integrantes do governo disseram ao ex-prefeito que, se for vice do tucano, ele não terá como fazer campanha pela petista no Estado.

Fila A Polícia Federal solicitou a quebra de sigilos de diretores da Petrobras que participaram da negociação para compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos. Os pedidos, que ainda tramitam em fase inicial, serão analisados pela Justiça do Rio de Janeiro.

Climão 1 Em meio à crise institucional entre PF e o Ministério Público, surpreendeu os comandantes da Operação Ararath, em Mato Grosso, a presença de um procurador da República no briefing feito aos agentes que atuaram no caso antes de irem a campo cumprir mandados de busca e de prisão.

Climão 2 Os delegados da PF, que acusaram Rodrigo Janot de censura por proibir divulgar informações sobre a operação, dizem que partiu do procurador-geral da República a ordem para que um representante acompanhasse a ação, que normalmente acontece de madrugada e só com agentes federais.

Pega ladrão O PT registrou um boletim de ocorrência na Polícia Civil da Assembleia de São Paulo pelo sumiço de uma faixa que havia sido pendurada em um auditório para uma audiência pública sobre a falência do sistema prisional no Estado.

Mediador 1 O governo começou a testar um portal para acompanhar a solução de conflitos entre consumidores e empresas, em conjunto com os Procons. O objetivo é acelerar a análise de reclamações, principalmente de serviços como telefonia, comércio e viagens aéreas.

Mediador 2 Por enquanto, a página Consumidor.gov.br só está disponível para residentes de Rio, Maranhão, Distrito Federal e Acre. No segundo semestre, deve funcionar em todo o país.

Tiroteio
"Em Minas, palavra dada é sagrada. Aécio e Eduardo tinham um pacto. Como diz o poeta, cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é."

DO DEPUTADO MARCUS PESTANA, presidente do PSDB mineiro, sobre a intenção do PSB de romper acordo e lançar candidato ao governo do Estado.

Contraponto
Guerra dos sexos

No início do mês, Geraldo Alckmin (PSDB) participou da cerimônia de formatura de 919 novos policiais civis no Estado. Os alunos com os melhores desempenhos foram chamados ao palco. Apesar de as mulheres representarem apenas 16% do total de formandos, elas eram maioria entre os destaques.

Ao discursar para dar os parabéns aos alunos premiados, o governador não escondeu surpresa com a quantidade de mulheres.

--As mulheres estão dominando tudo. Logo, logo, vamos precisar criar cota para os homens!

Diário do Poder – Cláudio Humberto

- Jornal do Commercio (PE)

• COI ameaça levar Olimpíadas 2016 para os EUA
O Comitê Olímpico Internacional (COI) não tem a paciência da Fifa em relação aos atrasos nas obras estruturais brasileiras para receber eventos. Deu o ultimato para gestores do Comitê Olímpico Brasileiro (COB): ou o comitê entrega tudo dentro do prazo, sem trapalhadas, ou o Rio de Janeiro pode dar adeus aos Jogos Olímpicos de 2016. Vão de mala e cuia para Chicago (EUA). Cidade preterida pelo COI, em 2009.

• Tudo pronto
A cidade americana tem experiência e estrutura para realizar grandes eventos com maestria. Foi cidade-sede da Copa do Mundo de 1994.

• Tá feia a coisa
O clima entre os comitês não é amigável. O vice-presidente do COI, John Coates, disse: preparativos da Rio2016 são os “piores” que já viu.

• Quem, eu?
A assessoria do COB negou que tenha levado uma “prensa” dos estrangeiros. O COI não respondeu até o fechamento desta coluna.

• Pineapple
Autoridades norte-americanas assistem de camarote a confusão entre os dois comitês. Se divertem com o abacaxi que virou a história.

• Padilha assinou com Labogen sem livro-caixa
O ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha cada vez se enrola mais com as versões do acordo com o laboratório fajuto Labogen, do doleiro Alberto Youssef. O acordo foi assinado em 11 de dezembro de 2013, cinco dias após a Labogen publicar no Diário Oficial de São Paulo o “extravio” dos livros-caixa. Sem tais documentos, o então ministro não poderia ter acertado a “parceria” que diz não ter se concretizado.

• No trono
A Secretaria de Direitos Humanos pagou R$ 19,8 mil por 27 poltronas giratórias, que num rápido giro pela internet se acha por R$ 400, cada.

• A luta continua
Quem diria, Cuba ainda tem luta de classes: os únicos cubanos que assistirão à Copa no Brasil são os médicos que ganharam ingressos.

• Somos nós
O governo supera hoje os R$ 666 bilhões em impostos coletados. Cristãos dizem que o número é marca da besta. Besta do contribuinte?

• Meio bilhão
De acordo com as investigações da Polícia Federal, os acusados na Operação Ararath, no Mato Grosso, movimentaram mais de R$ 500 milhões. Tudo, em princípio, retirado dos cofres públicos.

• Cuidado nessa hora
Levantamento do Secure List mostra: centenas de sites com ofertas de ingressos e produtos da Copa são, na verdade, esquema de hackers para fazer “phishing” (coleta de dados pessoais) sem que usuários percebam. Mais de 60 sites do tipo são encontrados por dia no Brasil.

• Recaída
O passado às vezes condena: ex-assaltante de bancos e ex-viciado, o deputado Luiz Moura (PT-SP) foi flagrado pela polícia paulista numa reunião com bandidos do PCC. Talvez quisesse regenerá-los…

• O mundo todo sabe
Já chegaram à China os alertas para que torcedores tenham cuidado com a venda não oficial de ingressos para a Copa do Mundo. Em nota, a Fifa diz que cada vez mais pessoas são enganadas por cambistas.

• Desmoralizado
Ladrões invadiram o gabinete do prefeito de Parnaíba (PI), Florentino Neto. Além de uma festa, fizeram discurso contra a falta de segurança: disseram que só entraram lá porque não há polícia para impedi-los.

• Caminho livre
O líder do PSDB no Senado, Aloysio Nunes (SP), desistiu da sua pré-candidatura a vice de Aécio Neves. Agora apoia o ex-senador cearense Tasso Jereissati para a vaga de uma possível “chapa pura” tucana.

• Quem diria
Ciro Gomes (PSD) telefonou ao ministro Aloizio Mercadante (Casa Civil) com um aviso: se o PT e Lula não apoiarem o candidato de seu irmão Cid no Ceará, os dois vão apoiar o tucano Aécio Neves (MG).

• Entre os gringos
Há pouco mais de duas semanas da abertura da Copa, apenas o ex-goleiro holandês Van der Sar e o artilheiro sueco Ibrahimovic põem a mão no fogo e cravam o Brasil como o time a ser batido nessa Copa.

• Novilíngua
Foi inevitável no Twitter: “Na prática, o Teori é outro.”

Panorama político – Ilimar Franco

- O Globo

Canteiro de obras esportivas
Depois da Copa e das Olimpíadas , o Brasil continuará um canteiro de obras esportivas. Em 2019, Brasília vai ser sede dos Jogos Universitários Mundiais, a Universíada. Estão previstos R$ 2,2 bi em investimentos. Serão oferecidos milhares de empregos para construir uma vila para receber 10 mil atletas, reformar o Centro Olímpico da UnB e o Complexo Aquático Cláudio Coutinho.

Empregos e turismo
Durante 15 dias, em 2019, Brasília vai receber pelo menos 10 mil atletas universitários. A última Universíada foi disputada em Casan (2013), no Tartaristão, na Rússia. Para o evento, foram construídas uma Vila Universitária (alojamento), um Centro de Treinamento e 36 arenas para competições, das 64 necessárias. Foram vendidos cerca de um milhão de ingressos e, paralelo às competições, foi montada uma agenda cultural, com sessões de teatro, cinema, exposições e oficinas de artes, além de shows musicais. Está no horizonte a geração de milhares de empregos temporários e o fomento de turismo para um público jovem e que não conhece o Brasil.

---------------------
“A gente fica perplexo. A Copa e as Olimpíadas são janelas de oportunidades. Não sei de onde vem esse clima de ódio e ira”
Vinícius Lages
Ministro do Turismo, sobre os críticos e os que são contrários à Copa no Brasil
===============

Defasagem da legislação local
O governo atribui parte dos problemas de banda larga às legislações municipais. Há muitas restrições para a instalação de equipamentos e torres. Elas não consideram a evolução tecnológica. A mais amarrada é Porto Alegre.

Cadê a Petrobras?
Quando esteve com a presidente Dilma, o presidente do COI, Thomas Bach, demonstrou preocupação com a garantia do fornecimento de energia no Rio nas Olimpíadas. O dirigente esportivo também disse que não entendia o fato da Petrobras não patrocinar o evento. Ele disse que é hábito o apoio da principal empresa do país.

O poder e a bola
Estão confirmados para a Copa Angela Merkel (primeira-ministra alemã), John Biden (vice dos EUA), Michele Bachelet (presidente do Chile), Pedro Coelho (primeiro-ministro de Portugal) e Goodluck Jonathan (presidente da Nigéria).

O peso dos nanicos
As candidaturas nanicas estão fazendo diferença nesta fase da eleição. No Datafolha, os nanicos têm juntos 7%. Numa simulação de votos válidos, isso corresponde a 9,21%. No Ibope, eles tiveram 5%. O que em votos válidos dá 6,57%. Esse desempenho está inflado, pois no pleito de 2010, os nanicos obtiveram 1,15% dos votos válidos.

Os puxadores
Em São Paulo, estão praticamente definidos os puxadores de votos à Câmara este ano: No PT, será o ex-presidente do Corinthians André Sanchez; no PRB, Celso Russomano e Doctor Ray; no PSC, Marcos Feliciano; e no PR, Tiririca.

Em construção
Os demais partidos estão em fase de definições. O PMDB quer convencer a atriz e apresentadora Luíza Mell a concorrer a deputada federal. Os tucanos incentivam José Serra e no PSD não se descarta a candidatura de Gilberto Kassab.

------------------
O governador Cid Gomes (CE) reuniu 20 partidos na sexta para debater a sucessão e avaliar seu governo. Convidado, o PMDB não foi.

Teresa Cristina - Poesia

Carlos Drummond de Andrade: Salário

Ó que lance extraordinário:
aumentou o meu salário
e o custo de vida, vário,
muito acima do ordinário,
por milagre monetário
deu um salto planetário.
Não entendo o noticiário.
Sou um simples operário,
escravo de ponto e horário,
sou caxias voluntário
de rendimento precário,
nível de vida sumário,
para não dizer primário,
e cerzido vestuário.
Não sou nada perdulário,
muito menos salafrário,
é limpo meu prontuário,
jamais avancei no Erário,
não festejo aniversário
e em meu sufoco diário
de emudecido canário,
navegante solitário,
sob o peso tributário,
me falta vocabulário
para um triste comentário.
Mas que lance extraordinário:
com o aumento de salário,
aumentou o meu calvário!

sábado, 24 de maio de 2014

Opinião do dia: Antonio Gramsci

É no mínimo estranha a atitude do economicismo em relação às expressões de vontade, de ação e de iniciativa política e intelectual, como se estas não fossem uma emanação orgânica de necessidades econômicas, ou melhor, a única expressão eficiente da economia; assim, é incongruente que a formulação concreta da formulação hegemônica seja interpretada como um fato que subordina o grupo hegemônico. O fato da hegemonia pressupõe indubitavelmente que sejam levados em conta os interesses e as tendências dos grupos sobre os quais a hegemonia será exercida, que se forme um certo equilíbrio de compromisso, isto é, que o grupo dirigente faça sacrifícios de ordem econômico-corporativa; mas também é indubitável que tais sacrifícios e tal compromisso não podem envolver o essencial, dado que, se a hegemonia é ético-política, não pode deixar de ser também econômica, não pode deixar de ter seu fundamento na função decisiva que o grupo dirigente exerce no núcleo decisivo da atividade econômica.

Antonio Gramsci. Cadernos do cárcere, v. 3 p.48. “Alguns aspectos teóricos e práticos do “economicismo”. Civilização Brasileira, 2007.

Aliados que complicam

• Planalto considera ‘imprevisível’ posição do PR

• Candidatura de Dilma também enfrenta resistências de PMDB e PP nos estados

Fernanda Krakovics e Flávio Ilha – O Globo

BRASÍLIA E PORTO ALEGRE - A duas semanas do início das convenções partidárias ficam a cada dia mais nítidos quais são os reais problemas na aliança para a reeleição da presidente Dilma Rousseff. Mesmo reunindo um enorme arco de partidos em sua coligação, que lhe garantirá sozinha praticamente o mesmo tempo no horário eleitoral gratuito que todos seus adversários juntos, o cenário é pontuado por várias turbulências. O principal problema hoje está no PR, que está rachado. O Palácio do Planalto considera, neste momento, “imprevisível” o resultado da convenção nacional do partido que definirá a posição da sigla nas eleições.

O ex-presidente do PR Valdemar Costa Neto, que está preso em decorrência do processo do mensalão, trabalha pelo rompimento com o governo e o apoio ao pré-candidato do PSDB à Presidência da República, senador Aécio Neves (MG). Já o atual presidente, senador Alfredo Nascimento (AM), defende o apoio à reeleição de Dilma. No início do ano, o Planalto dava como certo o apoio da legenda, que terá 1min56 em cada bloco do horário eleitoral gratuito.

— A situação do PMDB está mais tranquila. Eles vão aprovar o apoio à reeleição (na convenção nacional) e vão liberar os estados. Aí tudo bem, porque nem o PT a gente controla completamente nos estados. Mas no PR a situação está mais imprevisível — disse um ministro do PT.

O PMDB realiza sua convenção nacional no dia 10 de junho. Mesmo com rebelião nos estados, o grupo do vice-presidente da República, Michel Temer, aposta que terá de 65% a 70% dos votos pela reedição da aliança com o PT. Há problemas nos diretórios do Rio, Rio Grande do Sul, Bahia, Acre, Piauí, Pernambuco e Ceará.

Enquanto a principal insatisfação do PMDB é com a falta de apoio do PT a seus candidatos a governador, no PR o descontentamento é com a indicação de César Borges para o Ministério dos Transportes, um feudo do partido. Borges é filiado ao PR, mas foi uma escolha pessoal da presidente Dilma, e não do partido.

Valdemar articula rumos do PR
O PR perdeu espaço no ministério desde que o então titular da pasta Alfredo Nascimento foi defenestrado em meio a um escândalo de corrupção, assim como o então diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) Luiz Antonio Pagot.

Integrantes do PR afirmam que recebem telefonemas de Valdemar Costa Neto, para tratar de articulação política, durante sua jornada de trabalho em um restaurante industrial, no Distrito Federal. Ele cumpre pena em regime semiaberto e teve o direito a trabalho externo revogado anteontem. Em São Paulo, estado de Valdemar, a executiva estadual do partido se reúne hoje com o governador Geraldo Alckmin (PSDB) e deve anunciar apoio à sua reeleição.

— O partido está muito dividido. Quem vai definir (o apoio nacional) são os deputados federais. São 32 e cada um tem um voto — disse o senador Antônio Carlos Rodrigues (PR-SP), que defende o apoio a Dilma.

No Rio, o pré-candidato do PR ao governo do estado, deputado Anthony Garotinho, diz que ou vai ficar neutro na disputa presidencial ou vai apoiar o candidato do PSB, Eduardo Campos. Ele ficou irritado porque Dilma tem cumprido agenda com o governador Luiz Fernando Pezão (PMDB), candidato à reeleição.

— O Aécio eu não apoio porque está com o PMDB (no Rio) — disse Garotinho.

PP fecha apoio a Aécio no Sul
Em encontro com o presidente do PT, Rui Falcão, em fevereiro, Garotinho pediu reciprocidade, ou seja, apoiaria a reeleição de Dilma desde que ela fosse também a seu palanque e não privilegiasse nenhum candidato. Falcão concordou na época. No Rio, há quatro candidatos da base aliada: além de Garotinho e Pezão, o pré-candidato do PT, senador Lindbergh Farias, e o ex-ministro Marcelo Crivella (PRB).

Outro partido dividido é o PP. A direção da sigla deve anunciar apoio à reeleição de Dilma na próxima semana, mas essa não é a posição dos diretórios do Rio Grande do Sul, Minas e Rio. Pouco mais de um mês depois de costurar o apoio do PP gaúcho à candidatura presidencial do PSDB, Aécio volta hoje a Porto Alegre para sacramentar a chapa que inclui também o Solidariedade.

O encontro na Assembleia Legislativa marcará o lançamento oficial da candidatura da senadora Ana Amélia (PP) ao governo do estado. Pelas última pesquisa Ibope, de 5 de abril, Ana Amélia tem 38% das intenções de voto contra 31% do governador Tarso Genro (PT).

O palanque do PP para Aécio é importante porque o PSDB tem estrutura precária no Rio Grande do Sul: apenas um deputado federal e 21 prefeitos — o estado tem 497 municípios — e 247 vereadores. Já o PP tem 136 prefeituras e 1.179 vereadores.

Peemedebistas lançam movimento ‘Aezão’ no dia 5

• Evento, que terá participação de PP, PPS e PSD, foi chamado de ‘grande largada’ por Aécio

Carolina Benevides – O Globo

RIO E SÃO PAULO - Já tem data o lançamento do movimento “Aezão” — como está sendo chamado o apoio de setores do PMDB do governador Luiz Fernando Pezão à candidatura do senador tucano Aécio Neves à Presidência. No próximo dia 5, Aécio vai participar de um ato no Rio organizado pelo PMDB do estado e com presença de boa parte de partidos da base aliada de Pezão.

O evento foi anunciado ontem pelo próprio senador tucano, que esteve em Niterói para uma reunião com empresários do município.

— No dia 5, teremos no Rio um ato de apoio à nossa candidatura, com presença do PP, do PPS, do Solidariedade e do PSD. O PMBD é o grande organizador. Vamos reunir centenas de lideranças políticas, prefeitos, deputados; esses partidos vão reunir suas bases — disse Aécio, classificando o ato de “grande largada”: — Eu diria que é realmente ostart da nossa campanha no Rio. É a nossa grande largada.

Perguntado se convidaria Pezão — que tem manifestado apoio à candidatura da presidente Dilma Rousseff (PT) —, o tucano respondeu que não tem “essa audácia”:

— Pezão é o anfitrião não desse ato, mas do Rio. Esse conjunto de partidos (que participarão do evento de apoio a Aécio), pelo menos uma parte importante deles, apoia o Pezão. É um movimento de apoio à nossa candidatura e à do Pezão.

Aécio foi ontem a Niterói, de catamarã, encontrar empresários da região. Sobre a declaração do presidenciável do PSB, Eduardo Campos, de que haveria rompimento da aliança com o PSDB em Minas, Aécio lembrou que o PSB participa do governo tucano no estado há 12 anos:

— Se houver mudança de caminho... Não fui comunicado. Será decisão exclusiva deles. O encaminhamento natural é que continuemos juntos. Vou sempre honrar os entendimentos feitos até agora.

Ontem, Campos recebeu o apoio de PRP e PHS, que se juntam a PPS e PPL na adesão ao ex-governador. PRP e PHS estão no grupo das siglas consideradas nanicas e devem acrescentar poucos segundos ao programa na TV. O PRP possui dois deputados e faz parte da base de Dilma no Congresso. Já o PHS não tem representantes.

Campos recebe apoio do PRP e do PHS

• Siglas nanicas devem acrescentar poucos segundos ao tempo de TV do pré-candidato do PSB

- O Globo

SÃO PAULO - O pré-candidato do PSB à Presidência da República, Eduardo campos , recebeu nesta sexta-feira feira o apoio de dois partidos políticos para a eleição: o Partido Republicano Progressista (PRP) e o Partido Humanista da Solidariedade (PHS).

As duas siglas vão se juntar ao PPS e ao PPL, que já haviam anunciado a adesão ao ex-governador de Pernambuco. PRP e PHS estão no grupo dos partidos considerados nanicos e devem acrescentar poucos segundos ao programa eleitoral de Campos na disputa presidencial. O PRP possui dois deputados e faz parte da base de apoio da presidente Dilma Rousseff no Congresso. Já o PHS não tem representantes no Congresso.

Questionado sobre o que a sua candidatura ganhará com os apoios, Campos respondeu:

- Vão trazer brasileiros de diversas realidades, pessoas simples, do povo, que vão ajudar a levar nossas sugestões a lugares que muitas vezes o debate não chega quando fica circunscrito à academia, às grandes cidade.

Dissidente, PP gaúcho referenda hoje apoio a Aécio Neves

• Pré-candidato à Presidência vai ao RS para firmar chapa, que inclui também o Solidariedade

Flávio Ilha – O Globo

PORTO ALEGRE – Pouco mais de um mês depois de costurar o apoio do PP gaúcho à candidatura presidencial do PSDB, o senador Aécio Neves volta neste sábado ao Rio Grande do Sul para sacramentar a chapa que inclui também o Solidariedade (SDD).

O encontro na Assembleia Legislativa marcará o lançamento oficial da candidatura da senadora Ana Amélia Lemos (PP) ao governo do Estado. O cargo de vice deverá ser ocupado pelo deputado estadual Cassiá Carpes (SDD), ficando o PSDB com a vaga ao Senado com a candidatura do deputado federal Nélson Marchezan.

As candidaturas secundárias, entretanto, não serão lançadas no encontro deste sábado. Dissidente do diretório nacional, que deve garantir apoio à reeleição da presidente Dilma Rousseff, o PP optou pela candidatura própria ao governo do Estado porque o partido é um tradicional adversário do PT no Rio Grande do Sul.

Pelos últimos levantamentos eleitorais, a disputa no Estado está polarizada entre Ana Amélia e o governador Tarso Genro – com vantagem para a senadora. Segundo o Ibope, em levantamento divulgado no dia 5 de abril, Ana Amélia tem 38% das intenções de voto contra 31% do atual governador.

O palanque do PP para Aécio é importante porque os tucanos têm uma estrutura precária no Rio Grande do Sul. A sigla tem apenas um deputado federal, além de 21 prefeitos – o Estado tem 497 municípios – e 247 vereadores. Já o PP ostenta 136 prefeituras e 1.179 vereadores.

- A capilaridade do PP no Estado será fundamental para alavancar a candidatura de Aécio –admitiu o presidente do PSDB no Rio Grande do Sul, Adilson Troca.

Apoio ao PSDB já ocorreu em 2010
Nas eleições de 2010 o PP do Rio Grande do Sul já havia apoiado o candidato tucano José Serra à presidência, contrariando orientação do diretório nacional para apoiar a então candidata Dilma Rousseff.

O presidente regional do partido, Celso Bernardi, disse que a coligação reflete a “coerência doutrinária e programática” que caracteriza os dois partidos.

- Vamos fazer uma campanha propositiva, mostrando que é possível o Estado ter um outro caminho que não o do aparelhamento partidário – disse.

Bernardi reconheceu, entretanto, que os “três ou quatro minutos” que serão acrescidos à propaganda eleitoral gratuita do PP gaúcho com a coligação com PSDB e SDD pesaram na decisão. A sigla, sozinha, teria pouco mais de um minuto no horário de propaganda no rádio e na TV.

Servidores federais atrapalham discurso de Dilma em Brasília

• Depois de prometer negociação, presidente diz que ela e Lula ‘sempre somam’

Catarina Alencastro - O Globo

Dilma durante solenidade sobre participação social, em Brasília. Palácio do Planalto / Divulgação
BRASÍLIA - Muito aplaudida e mandando beijos ao entrar no evento de lançamento da Política Nacional de Participação Popular, a presidente Dilma Rousseff teve dificuldades de iniciar seu discurso devido à manifestação de um pequeno grupo do Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica (Sinasefe), que, de dentro do plenário do Centro de Convenções Internacional de Brasília, exigia negociação. O Sinasefe está em greve há um mês em busca de aumento salarial.

- Negocia já! - pediam os protestantes, abafando uma tímida tentativa de parte da plateia de levantar o canto:

- Um, dois, três, Dilma outra vez.

Dilma tentou prosseguir com as palavras iniciais de seu discurso, ainda na fase de cumprimentos aos presentes, mas foi interrompida mais de uma vez pelos insistentes gritos dos sindicalistas. Até que ela desistiu e respondeu aos apelos:

- Aqui nós todos somos democráticos. Vocês têm todo o direito de se manifestar. Vamos negociar da melhor forma.

Em seguida, o grupo foi retirado pela segurança do evento e Dilma pode finalmente dar prosseguimento à fala que tinha programado. Além do política de participação popular, o evento também premiou iniciativas que contribuíram para o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM).

Presidente fala sob ambiente tumultuado
- Eu vou cumprimentar a todos que ganharam o prêmio porque a gente sabe muito bem que o Brasil não é feito por aquilo que aparece na mídia. O Brasil é feito por milhares e milhões de movimentos, de organizações, de pessoas anônimas que lutam por um processo de participação de defesa de seus interesses - persistiu, ainda sob um ambiente tumultuado.

No evento, a presidente discorreu sobre os objetivos do milênio que conseguiu cumprir. Entre eles o combate à fome e à pobreza; universalização do ensino fundamental; a redução da mortalidade infantil e materna; a redução das mortes por tuberculose e a redução do desmatamento.

Elogios a Lula
No evento, a presidente aproveitou para afagar o ex-presidente Lula, dizendo que ela e ele estão sempre somando. Ela explicava em seu discurso que a parceria entre ONGs e governo é fundamental para que o Executivo possa cumprir seus compromissos. Ela citou o caso do programa de cisternas, que, segundo ela, não teria executado a meta de entregar 1,1 milhão de equipamentos se não fosse feita parceria com a ONG Articulação no Semiárido Brasileiros (ASA). O número é uma soma do que foi feito nos governos de Lula e Dilma.

- Um milhão eu estou contando as do Lula, que dá 1,1 milhão somando ele e eu. E nós sempre somamos eu e o Lula porque estamos somando governo- afirmou

Na solenidade, Dilma assinou três decretos. Um que cria a Política Nacional de Participação Social, outro para aperfeiçoar a prestação de contas das organizações da sociedade civil e outro que regulamenta a lei de certificação de entidades beneficentes de assistência social.

Estiveram presentes na solenidade os ministros Ricardo Berzoini (Relações Institucionais), Gilberto Carvalho (Secretaria Geral), Tereza Campelo (Desenvolvimento Social e Combate à Fome), Luiz Figueiredo (Relações Exteriores), Aloizio Mercadante (Casa Civil), Izabella Teixeira (Meio Ambiente) e Marcelo Neri (Secretaria de Assuntos Estratégicos). O jogador Hulk e o cantor Fagner também estavam presentes.

Dilma oferece jantar no Alvorada a representantes do agronegócio

• Cerca de 40 empresários confirmaram presença; Há 15 dias, a presidente foi vaiada na abertura da Expozebu, em Uberaba

Luiza Damé – O Globo

BRASÍLIA - A presidente Dilma Rousseff ofereceu, nesta sexta-feira, um jantar para representantes do agronegócio, setor que tem restrições à ação do governo federal. Cerca de 40 empresários rurais, liderados pela presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), senadora Kátia Abre (PMDB-TO), confirmaram presença no encontro, que acontece no Palácio da Alvorada.

Os ministros da Agricultura, Neri Geller, do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto, e da Casa Civil, Aloizio Mercadante, participam do encontro. O presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendine, e o vice-presidente de Agronegócios do Banco do Brasil, Osmar Dias, também estão no jantar.

Na última segunda-feira, a presidente anunciou R$ 156,1 bilhões para o Plano Agrícola e Pecuário 2014/2015. Há 15 dias, ela foi vaiada na abertura da Expozebu, em Uberaba (MG). A Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ) estava representada por Luiz Cláudio de Souza Paranhos Ferreira.

Teto de votos em Dilma está em queda

• Potencial de apoio à petista nas urnas caiu para 47%, mesmo nível da época dos protestos em 2013; índices de Aécio e Campos estão crescendo

Daniel Bramatti - O Estado de S. Paulo

São Paulo - A última pesquisa Ibope revela que o potencial de votos da petista Dilma Rousseff - a parcela máxima de eleitores que admitem votar nela em um determinado momento - caiu aos níveis de julho do ano passado, época dos protestos de rua que corroeram a popularidade da presidente.

Além de medir a intenção de voto - ao apresentar a lista de pré-candidatos e pedir ao entrevistado que aponte seu preferido -, o Ibope cita o nome de cada concorrente e pergunta se o eleitor votaria nele com certeza, se poderia votar, se não votaria de jeito nenhum ou se não o conhece o suficiente para responder. A soma das duas primeiras respostas - "votaria com certeza" e "poderia votar" - é o potencial de votos de cada presidenciável, isto é, o teto de votação em um determinado momento.

No caso de Dilma, esse potencial está hoje em 47%, metade do que ela apresentava há pouco mais de um ano, em março de 2013, quando nenhuma crise parecia estar no horizonte.

Em julho de 2013, porém, o potencial de votos havia desabado para 49%, como consequência da onda de protestos que atingiu as principais cidades do País. A aprovação ao governo Dilma, na época, também sofreu forte queda, de 63% em março para 31% em julho.

Profecia. Foi o fundo do poço. João Santana, marqueteiro da campanha presidencial petista, disse então que Dilma e o governo recuperariam a popularidade em quatro meses - o que não aconteceu.

Mas houve uma leve melhora: entre setembro de 2013 e março deste ano, o potencial de votos de Dilma oscilou em torno de 55%. Em abril, porém, caiu para 51%. E agora voltou a se reduzir, para 47%.

Paralelamente, está em alta o porcentual dos eleitores que rejeita a hipótese de votar em Dilma. Eram 38% em março, 40% em abril e já são 43% em maio.

No campo adversário, nem Aécio Neves (PSDB) nem Eduardo Campos (PSB) têm potencial de voto próximo do de Dilma. Mas ambos têm melhorado: o do primeiro subiu três pontos porcentuais nos últimos três meses (de 33% para 36%), e o do segundo, oito pontos (de 26% para 34%).

Uma parcela elevada de eleitores ainda afirma não conhecer os opositores de Dilma suficientemente para se manifestar (32% no caso de Campos e 27% no caso de Aécio). Eles ainda podem conquistar esse eleitorado e elevar seu teto de votação. No caso de Dilma, esse contingente é bem menor: apenas 10% do eleitorado.

A pesquisa ouviu 2.002 eleitores em 140 municípios. A margem de erro do levantamento é de dois pontos porcentuais, com nível de confiança de 95% - ou seja, há 95% de probabilidade de os números retratarem o atual momento eleitoral, considerando a margem de erro. O levantamento foi custeado pelo próprio Ibope e registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-00120/2014.

Aécio: PSB terá que ter bom argumento para justificar rompimento em Minas

• Se houver mudança será decisão exclusivamente deles, afirmou o pré candidato tucano ao Planalto

Luciana Nunes Leal - O Estado de S. Paulo

RIO - O pré-candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, afirmou nesta sexta-feira, 23, que o PSB, do presidenciável Eduardo Campos, "terá que ter um argumento muito bom" para justificar um possível rompimento da aliança com os tucanos em Minas Gerais e o lançamento de uma candidatura própria socialista ao governo do Estado mineiro.

Aécio disse ter recebido nesta semana um telefonema do ex-governador Antonio Anastasia (PSDB), candidato ao Senado, dizendo-se surpreso com notícias de que o PSB vai deixar a aliança com o PSDB.

"Não fizemos uma aliança para esta eleição. Temos uma aliança em favor de um projeto que vem sendo desenvolvido há muitos anos em Minas Gerais. Se houver uma mudança, a decisão será exclusivamente deles. Vão ter que encontrar um discurso para justificar o rompimento neste momento pré-eleitoral. Eu vou sempre honrar os compromissos que assumo. O presidente do PSB, Eduardo Campos, ainda não me procurou", afirmou Aécio, que participou de reunião com empresários em Niterói, na Região Metropolitana do Rio.

Aécio disse que, se a aliança PSB-PSDB em Minas terminar, os tucanos de Pernambuco tomarão uma decisão sobre a manutenção ou não do apoio ao PSB naquele Estado. Segundo Aécio, o quadro eleitoral em Minas não terá necessariamente como resposta o lançamento de uma candidatura tucana em Pernambuco.

Aécio disse que o primeiro grande ato político reunindo todos os partidos que o apoiam no Rio acontecerá no dia 5 de junho e vai reunir parte do PMDB, PP, PPS, Solidariedade e PSD.

Questionado sobre como pretende reduzir o favoritismo da presidente Dilma Rousseff no Estado do Rio, Aécio disse que as diferenças entre seu projeto e o do PT ficarão mais claras ao longo da campanha. "Existe uma desconexão das promessas da presidente com a realidade do Brasil. Hoje assistimos a um Brasil virtual, quase uma lavagem cerebral na cabeça do eleitor", afirmou Aécio.

"Nossos palanques são mais sólidos que os do PT. Nós conquistamos 90% dos `planos A'' que tínhamos nos Estados", afirmou o tucano, referindo-se aos acordos firmados com outros partidos para a próxima eleição.

Parcerias federais entram na disputa 'Pós-Campos'

• Ex-governador do PSB lança outro ex-secretário, e senador do PTB aposta em apoio de Dilma e Lula

Isadora Peron - O Estado de S. Paulo

RECIFE - Ao votarem em outubro, os pernambucanos vão escolher um novo governador e, ao mesmo tempo, chancelar ou não a decisão de Eduardo Campos de deixar o Palácio do Campo das Princesas após 7 anos e 3 meses para disputar a Presidência da República pelo PSB. Para tanto, o neto de Miguel Arraes rompeu uma histórica aliança com o PT e tirou seu partido do governo Dilma Rousseff em setembro. Para a legenda do também pernambucano Luiz Inácio Lula da Silva, vencer o antigo aliado na disputa estadual tornou-se uma questão prioritária.

Os petistas de Pernambuco, no entanto, estão enfraquecidos desde o tenso processo de escolha do candidato a prefeito do Recife. O senador Humberto Costa (PT) foi para o sacrifício e acabou derrotado no primeiro turno para Geraldo Julio, um ex-secretário estadual de Campos estreante nas urnas.

A tática deu tão certo que o PSB vai repetir a fórmula, dessa vez com o ex-secretário da Fazenda Paulo Câmara, um quadro técnico também novato em disputas eleitorais. Como em 2012, Campos aposta na sua popularidade - ele deixou o governo com 76% de aprovação - para cacifar o afilhado e manter seu grupo político no poder local.

Interessado na derrota do PSB, o PT abriu mão de lançar um nome próprio e passou a apoiar a candidatura do senador do PTB Armando Monteiro. Na quarta-feira, em Brasília, a legenda defendeu a reeleição de Dilma, que retribuiu ao afirmar que considera "fundamental a eleição do Armando Monteiro em Pernambuco". "Ele pode contar, e ele sabe disso, com todos nós", afirmou a presidente.

"Todos nós" não foi modo de dizer. Lula vai ajudar pessoalmente o pré-candidato do PTB e já marcou uma primeira ida a Pernambuco para meados de junho. Dilma também deve participar do ato político em apoio a Monteiro.

Em estratégia semelhante, o PSB pernambucano vai colar a imagem de Câmara à de Campos, já que hoje ele aparece atrás de Monteiro nas pesquisas de intenção de voto. "Eu ainda sou muito desconhecido. Tem muita gente que não sabe que eu sou o candidato do Eduardo", reconhece o ex-secretário.

Para contornar a ausência física de Campos, que estará viajando o Brasil para divulgar a sua candidatura ao Planalto, o apoio do ex-governador será intensivamente divulgado nos materiais de campanha e no horário eleitoral de rádio e TV. A partir de julho, Campos deve começar participar de agendas ao lado do afilhado no Estado.

Parceria. A campanha de Monteiro vai apostar na continuidade da parceria com o governo federal para conquistar o voto do eleitor. "Os pernambucanos sabem que o crescimento que o Estado experimentou nos últimos anos se deu em grande medida pela parceria com o governo federal. Vários projetos importantes foram viabilizados dessa maneira", observa o pré-candidato do PTB.

A estratégia já foi colocada em prática nas inserções da sigla veiculadas no rádio e na TV este mês. Algumas peças terminavam com o slogan: "PTB, firme na parceria com Lula e Dilma".

Câmara, por sua vez, já sabe como responder a esse raciocínio. Apesar de reconhecer a importância dos investimentos do governo federal, ele afirma que os avanços só aconteceram porque Campos era um gestor eficiente. "Outros Estados também receberam tantos recursos quanto Pernambuco, mas não avançaram tanto."

Monteiro não pretende fazer críticas diretas a Campos - o PTB fez parte do governo até outubro. Integrantes da equipe do senador dizem que a candidatura do petebista não será "anti-Campos", mas "pós-Campos". "Há um sentimento de que nós aceleramos o passo, mas que em algumas áreas ainda temos muitas carências", pondera.

O discurso de Câmara adota tom parecido. "Pernambuco ainda é um Estado pobre. Nos últimos sete anos nós tivemos um desenvolvimento gigantesco em todas as áreas, mas ainda tem muita coisa a ser feita. A educação, a saúde e a segurança precisam melhorar."

Outros candidatos. Como contraponto aos dois principais concorrentes, o pré-candidato do PSOL Zé Gomes Neto tem dito que ele será o único candidato de oposição ao governo Campos. Há ainda a possibilidade de o PSDB sair da aliança com o PSB em retaliação ao fato de a sigla ter decidido lançar candidato próprio em Minas, Estado do presidenciável tucano, Aécio Neves. Caso isso aconteça, o deputado estadual Daniel Coelho será o nome indicado para a disputa pernambucana.

Presidenciável afirma que nanicos dão 'capilaridade' à sua campanha

Marina Dias – Folha de S. Paulo

SÃO PAULO - Pré-candidato do PSB à Presidência da República, Eduardo Campos disse na noite desta sexta-feira (23) que os partidos nanicos darão "capilaridade" à sua campanha e levarão sugestões "a lugares onde muitas vezes o debate não chega".

O ex-governador de Pernambuco participou em São Paulo de evento para receber o apoio oficial dos nanicos PRP e PHS na corrida para a disputa de outubro pelo Palácio do Planalto.

"Eles [PHS e PRP] vão trazer brasileiros de diversas realidades, pessoas simples, do povo, e vão ajudar a levar nossas sugestões ao debate em lugares onde muitas vezes ele não chega", afirmou o presidenciável.

"Dessa forma, a gente vai criando uma capilaridade, trazendo as sugestões do Brasil real para apresentar um programa de governo que dialoga com a realidade das pessoas", disse.

Campos destacou a opção de siglas menores por sua candidatura, em vez de apoiar a campanha à reeleição da presidente Dilma Rousseff, e afirmou que essas legendas escolheram "a labuta difícil e dura", em vez "do caminho do poder e da divisão de cargos".

O presidente estadual do PSB em São Paulo, deputado federal Márcio França, também fez deferência aos partidos nanicos e disse que a chapa de Campos e da ex-senadora Marina Silva será capaz de dar voz a eles.

"É mais fácil estar junto da cabeça da manjuba do que do rabo da baleia", afirmou o dirigente pessebista.

2º Turno
Campos afirmou, no mesmo evento, que tem certeza de que estará no segundo turno da corrida presidencial e vai "ganhar as eleições" deste ano.

"A gente vai mostrando, eu e a Marina, ideias para tirar o Brasil do caminho errado. Tenho certeza de que vamos estar no segundo turno e vamos ganhar a eleição", disse o ex-governador.

Em seu discurso, Campos apostou mais uma vez nas críticas ao governo da presidente Dilma Rousseff e afirmou que "o povo está inquieto", porque percebe que "a inflação está de volta".

De acordo com o pessebista, a onda de manifestações de junho do ano passado foram uma forma de o povo "dar uma segunda chance ao governo", que, no entanto, não foi aproveitada.

Além de PHS e PRP, anunciados oficialmente nesta sexta (23), a aliança entre PSB e Rede tem o apoio de PPS e PPL, também nanicos.

Uma crise a jato: Muitas explicações até chegar às urnas

• Políticos alvejados por recentes operações da Polícia Federal terão de adaptar a estratégia eleitoral à tormenta das denúncias

- Correio Braziliense

Na mira das operações da Polícia Federal, políticos citados em casos de corrupção começam a fazer as contas do prejuízo eleitoral, antes mesmo do início da corrida às urnas. Nos últimos meses, pelo menos cinco viram seus nomes estampados nas manchetes em situações suspeitas com doleiros e empresários investigados em esquemas de lavagem de dinheiro. O envolvimento com essas figuras, além de colocar em risco o atual mandato, ameaça criar ainda mais embaraço devido ao ano ser de disputa eleitoral.

A Operação Lava-Jato, por exemplo, colocou uma interrogação no futuro político dos deputados Luiz Argôlo (SDD-BA) e Cândido Vaccarezza (PT-SP), e do senador Fernando Collor (PTB-AL). Situação pior, no entanto, é a do deputado federal André Vargas. O parlamentar, ex-PT e hoje sem partido, deu adeus à tentativa de reeleição, depois de ser flagrado em grampos com o doleiro Alberto Youssef. Já na Operação Ararath, o governador de Mato Grosso, Silval Barbosa (PMDB), deve sentir o peso dos relatórios na hora de fazer o sucessor.

No caso de Vargas, as denúncias de que teria ajudado Youssef, preso na Lava-Jato, a conseguir fechar contrato milionário com o Ministério da Saúde complicaram a vida do deputado. Pior, o parlamentar ainda foi flagrado de carona em um jatinho do doleiro. Ao se enrolar nas explicações, renunciou ao cargo de vice-presidente da Câmara dos Deputados e saiu do PT. Sem partido, enterrou todas as chances que teria de concorrer a um novo mandato na disputa deste ano. A denúncia ainda prejudicou a campanha do ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha. O pré-candidato ao governo de São Paulo participou das negociações do contrato em questão e teve de se explicar, dando munição aos adversários antes mesmo da largada eleitoral.

Para não ser bombardeado, como o ex-petista foi, Argôlo, agora, estuda se disputará um novo mandato. Ele é acusado de manter relações pessoais com o doleiro e suspeito de o ter ajudado a tramar contra a participação de empresas em licitações. Para o presidente do Solidariedade, Paulo Pereira da Silva (SDD-SP), uma candidatura como essa pode ser facilmente minada. "É difícil fazer campanha com denúncias de corrupção. Mesmo que não tenha prova, as pessoas vão mencionar o caso, e o impacto é muito grande", avaliou.

De acordo com Paulo Pereira da Silva, o futuro de Argôlo ainda está indefinido. "Ele está discutindo com a família. É preciso esperar a decisão", afirmou. Sem o temor de rescaldo da operação da PF, o deputado Cândido Vaccarezza confirma que será candidato. Segundo ele, ter sido citado nos relatórios por suposta ligação com o doleiro não o atrapalhará. "O juiz deixou claro que eu não tenho nada a ver com isso. Nunca fiz qualquer contato sobre Labogen (empresa de Youssef que fechou contrato com o Ministério da Saúde) e fui envolvido ou por maledicência ou por má-fé", justifica. Já o senador Fernando Collor, que teria recebido de Youssef R$ 50 mil por meio de depósitos bancários, verá a história ser contada pela oposição na disputa pela reeleição ao Senado. O senador não quis comentar, mas deve ter de se explicar aos parlamentares.

Sucessão em risco
Apesar de não ser candidato nas próximas eleições, o governador de Mato Grosso, Silval Barbosa (PMDB), também vê ameaçado o capital político. Um dos protagonistas da Operação Ararath, deflagrada esta semana, que prendeu o empresário Éder Moraes, acusado de operar um esquema de lavagem de dinheiro que financiou campanhas e pagou propinas, Silval vinha trabalhando para fazer o sucessor no estado. Para o presidente em exercício do partido, Valdir Raupp (PMDB-RO), o trabalho continua. "Não foi achado nada contra o Silval. Entraram na casa dele atrás de algum tipo de irregularidade, mas só encontraram uma arma não registrada. Estamos tranquilos", emendou.

Na análise do cientista político Lúcio Rennó, o impacto político em cada caso vai depender do quanto as histórias continuarem a render. "A chance de ser eleito com uma operação nas costas varia muito. Está ligada à cobertura da imprensa sobre o assunto e à visibilidade que ganha nas proximidades da eleição. Está mais relacionado com a exposição do que com a acusação que o político carrega", explica.

De acordo com ele, mesmo que não tenha um impacto imediato, como no caso do André Vargas, ser mencionado nos relatórios da PF enfraquece imediatamente o capital político. "A propaganda negativa é muito forte e respinga nos aliados. No caso em que o político não é candidato, ele passa a ser um cabo eleitoral duvidoso e as pessoas tendem a evitar esse tipo de aliança. Pelas eleições anteriores, vimos que esse tipo de envolvimento é capaz de minar campanhas", destaca. Ainda assim, Rennó ressalta que a disputa não está definida e que o debate eleitoral ainda será aquecido.

Merval Pereira: No limbo

- O Globo

As pesquisas de opinião que estão sendo divulgadas contêm, todas elas, um paradoxo que até o momento não foi resolvido: como é possível que cerca de 70% dos eleitores queiram mudanças no governo — e a maioria, inclusive, as quer substituindo a presidente Dilma Rousseff —, e ao mesmo tempo ela continue sendo a favorita da eleição, com o dobro de intenção de votos que o candidato mais bem colocado da oposição, o senador Aécio Neves, do PSDB?

Os números internos da pesquisa mostram mais coerência com esse sentimento de mudança do que seu resultado final, e há estudos que indicam que é real a chance de a presidente repetir a atuação do candidato José Serra, derrotado por ela em 2010. Durante muitos meses o candidato tucano ficou à frente das pesquisas, nessa mesma faixa de 40%, mas os indicadores internos das pesquisas já apontavam para sua derrota.

O índice que obtinha era mais produto do recall de suas campanhas anteriores, assim como o da presidente Dilma hoje se deveria à sua permanente presença em atos públicos e ao recall da última eleição. Que indicadores são esses?

A taxa de rejeição da presidente Dilma hoje é estável e bem acima das dos seus adversários mais fortes: ela tem 33% de eleitores que a rejeitam, enquanto Aécio Neves e Eduardo Campos reduzem suas taxas de rejeição à medida que se tornam mais conhecidos — o tucano para 20%, e o socialista para 13%.

A taxa de aprovação de seu governo está “no limbo”, na definição do cientista político Alberto Carlos Almeida, do Instituto Análise. Ele tem um estudo que mostra que, em 46 de 104 eleições para governador realizadas entre 1994 a 2010 em que havia um candidato à reeleição, todos os que chegaram à eleição com o índice de ótimo e bom igual ou maior do que 46% foram reeleitos.

Ao contrário, os que disputaram a reeleição com a soma de ótimo e bom igual ou menor do que 34% foram derrotados. Como a presidente Dilma tem atualmente 35% de ótimo e bom, segundo a mais recente pesquisa do Ibope, estaria em situação delicada, à beira da reeleição ou da derrota, segundo a forma como os números se comportarem durante a campanha.

Nesse mesmo estudo, o cientista político Alberto Carlos Almeida mostra que 40% a 43% dos candidatos à reeleição nos governos dos estados que chegaram às urnas com índices de ótimo e bom entre 35% e 45% se reelegeram, o que demonstra que a derrota é mais provável nessa faixa de avaliação, embora não uma certeza.

Uma ressalva importante que Alberto Carlos Almeida faz é que é possível melhorar a avaliação no decorrer da campanha. Dilma terá três vezes mais tempo de propaganda eleitoral que o tucano Aécio Neves e sete vezes mais que Eduardo Campos, do PSB.

Há dois exemplos clássicos na nossa curta história da reeleição para presidente da República: Fernando Henrique foi reeleito em 1998 com 43% de ótimo e bom, tendo saído de 38% em julho. E Lula foi reeleito em 2006 com 47% de ótimo e bom, tendo os mesmos 38% nesses quesitos em julho daquele ano.

O que esses indicadores mostram é que a situação da presidente Dilma na atual eleição é mais desfavorável do que a da eleição de 2010, quando tinha no então presidente Lula um fiador a toda prova, com mais de 80% de aprovação popular e uma economia crescendo a 7,5% ao ano, bem ao contrário do que acontece hoje.

Dilma hoje é a candidata da continuidade, quando a maioria quer mudanças, mas caberá aos candidatos da oposição a tarefa de convencer os eleitores de que eles são capazes de realizar as transformações que a sociedade quer, enquanto a campanha governista trabalha com a ameaça que representaria uma mudança de governo na direção errada.

Além de todos os instrumentos de que um presidente da República dispõe em um presidencialismo forte como o brasileiro, a presidente Dilma tem a seu favor uma tendência que marca as disputas eleitorais na América Latina, justamente pelo poder que o Executivo acumula. A revista britânica “The Economist” ressalta que, desde 1985, somente dois presidentes no exercício do cargo perderam a reeleição na região.

Fernando Rodrigues: Ideias regressivas

- Folha de S. Paulo

Os pré-candidatos ao Planalto pelo PSDB, Aécio Neves, e pelo PSB, Eduardo Campos, defendem o fim da reeleição, mandatos de cinco anos e coincidências de todas as disputas eletivas, de vereador a presidente da República.

Para ir direto ao ponto, essas ideias de Aécio Neves e de Eduardo Campos são regressivas, induzem a menos participação popular e desidratam a democracia.

Hoje, brasileiros votamos a cada dois anos. Aécio e Campos querem ouvir os eleitores só a cada cinco anos: votem e fiquem quietos até a próxima eleição. Parecem desconhecer que as pessoas estão indo às ruas reclamar da baixa conexão com os políticos. Querem influir mais. Os candidatos de oposição vão na direção oposta. Sugerem aprofundar a distância entre os cidadãos e o poder.

O argumento a favor de eleições só a cada cinco anos é frágil. Eis a síntese: "O Brasil para a cada dois anos por causa das eleições". Não é verdade. Nada para. Todos continuam a trabalhar. Nem feriado há, pois a disputa é sempre no primeiro domingo de outubro. Democracias consolidadas têm eleições anuais. Funcionam muito bem. Por aqui, aliás, a Copa do Mundo paralisa muito mais os brasileiros do que uma eleição.

E a reeleição? O prefeito, o governador ou o presidente que deseja mais um mandato faz o diabo para ficar no cargo. Verdade? Às vezes sim, às vezes não. Mas não é esse o ponto. Mesmo sem reeleição os governantes já praticavam estripulias. Um exemplo clássico se deu em São Paulo, em 1990: Orestes Quércia estropiou o Banespa (antigo banco estatal paulista) para eleger Luiz Antônio Fleury no seu lugar.

As propostas de Aécio e Campos sinalizam uma reforma política analógica. Eles estão longe de entender o que seria necessário para aperfeiçoar o sistema eleitoral do país.

Por sorte, reforma política é algo muito falado e nunca executado. O Brasil não merece essas ideias.

*Rolf Kuntz: A economia da marmota

- O Estado de S. Paulo

No filme Feitiço do Tempo, de 1993, um repórter especializado em meteorologia vai a uma pequena cidade para cobrir a celebração do Dia da Marmota. Nessa data, 2 de fevereiro, a reação do bicho ao sair da toca para a luz do dia indica se o inverno logo terminará ou vai durar pelo menos mais seis semanas. Essa é a crença tradicional. Terminado o trabalho, o repórter quer partir, mas fica preso na cidade, numa armadilha de cenas repetidas. O noticiário econômico no Brasil é cada vez mais parecido com a história de Groundhog Day, título original do filme. O governo vai mais uma vez maquiar suas contas com receitas excepcionais, segundo confirmou o Ministério do Planejamento na revisão bimestral do Orçamento. A inflação anual continua rodando em torno de 6%. O déficit em conta corrente permanece na vizinhança de 3,6% do produto interno bruto (PIB) em 12 meses. O País mais uma vez apareceu numa das últimas posições - 54.ª em 60 - numa classificação de competitividade. O crescimento econômico projetado pelo governo, 2,5%, na revisão orçamentária, é mais uma vez um pouquinho melhor que o do ano anterior e, de novo, maior que o estimado pelos economistas fora do setor público.

Também como de costume, o Ministério do Planejamento elevou a inflação projetada para o ano, desta vez de 5,3% para 5,6%. A projeção, como sempre, é mais otimista que a do pessoal do mercado financeiro e das consultorias. Como sempre, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, festeja as poucas novidades positivas e anuncia inflação em queda nos meses seguintes. Mas tudo indica uma repetição mais ampla da história bem conhecida.

Os números mais recentes, o IPCA-15, oficial, e o IPC-S, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), apontaram algum recuo nas últimas semanas. O IPCA-15, divulgado no dia 21, caiu de 0,78% em abril para 0,58% em maio. A queda parece um excelente sinal. Mas o índice de difusão ainda mostrou aumentos em 67,4% dos preços cobertos pela pesquisa. Mesmo com menor pressão dos alimentos, a contaminação permanece muito ampla. O IPC-S, anunciado no dia 23, recuou de 0,78% na segunda para 0,69% na terceira quadrissemana de maio. As médias mensais de aumento dos principais índices de preços ao consumidor continuam acima de 0,5% ao mês - acima, portando, de 6% ao ano. O comentário é o mesmo: falta muito para se alcançar um ritmo civilizado de remarcação de preços.

Além disso, os analistas foram unânimes ao negar qualquer surpresa. Essa evolução era esperada e, além disso, muito parecida com a observada em outras ocasiões. As projeções coletadas pelo Banco Central (BC) indicam recuo das taxas mensais até agosto e em seguida uma reaceleração. Na hipótese mais otimista, os aumentos de juros acumulados a partir de abril do ano passado começam a fazer efeito, impondo freio ao consumo privado. Mas isso, por enquanto, é só uma hipótese.

Além do mais, as contas públicas, um dos principais fatores inflacionários, continuam em mau estado. O governo planeja fechar as contas, mais uma vez, com receitas de concessões, dividendos de estatais e mais uma rodada de pagamentos do Refis, o programa de refinanciamento de dívidas tributárias.

Nada de novo nessa frente. Concessões e dividendos devem render juntos, neste ano, pelo menos R$ 37,4 bilhões. Só isso representa 46,3% do superávit primário de R$ 80,8 bilhões programado para o governo central. Somado o dinheiro do Refis, o total vai além de 70%. Austeridade fiscal? Nem pensar. Também nisso a história se repete, como se o tempo estivesse enfeitiçado.

A repetição é a regra também no conjunto das contas externas. Desde agosto do ano passado o déficit em conta corrente acumulado em 12 meses permanece na vizinhança de 3,6% do PIB. A conta corrente é a soma algébrica da balança comercial, da balança de serviços e rendas e das transferências unilaterais. O déficit final de 2013 chegou a US$ 81,07 bilhões, 3,62% do PIB. O acumulado nos 12 meses até abril bateu em US$ 81,61 bilhões, 3,65% . Para o ano o BC projeta um buraco de US$ 80 bilhões, 3,59% do PIB.

O problema principal, como nos últimos seis anos, é a deterioração do comércio de mercadorias. De janeiro a abril o resultado foi um déficit de US$ 5,57 bilhões, com recuo tanto das exportações quanto das importações. Nas três primeiras semanas de maio houve alguma melhora, mas o acumulado no ano ainda foi um déficit de US$ 4,78 bilhões. Como ocorre há muitos anos, só as exportações de minérios e do agronegócio evitaram um rombo maior. De janeiro a abril o agronegócio contabilizou um superávit de US$ 24,14 bilhões, 0,2% menor que o de um ano antes por causa do recuo de alguns preços. Mas o déficit do conjunto dos manufaturados e semimanufaturados foi mais que suficiente para anular esse resultado e ainda produzir um déficit geral na conta de mercadorias.

Aí aparece, de novo, o problema da competitividade. O agronegócio tem sido capaz de enfrentar os muitos obstáculos da logística, da tributação e outros obstáculos característicos da economia brasileira, mas a maior parte da indústria continua travada pelas ineficiências do ambiente econômico e pelos próprios problemas de produtividade. Feito o balanço geral, a posição do Brasil na pesquisa anual do International Institute for Management Development (IMD), da Suíça, parece muito natural. Numa lista de 60, o País só fica acima de Eslovênia, Bulgária, Grécia, Argentina, Croácia e Venezuela. Em melhores posições aparecem o Chile (31.ª), o México (41.ª), o Peru (50.ª) e a Colômbia (51.ª). Os demais Brics - China, Rússia, Índia e África do Sul - também superam o Brasil.

Se depender da política econômica, ninguém deve esperar grande mudança da história neste ano. Mas se faltar coragem ou competência para a busca de um novo rumo, a repetição será substituída por uma piora do enredo. A marmota, podem acreditar, será inocente.

*Jornalista

Brasília-DF - Denise Rothenburg

- Correio Braziliense

O recado do PV
Discretamente, o pré-candidato do PV à Presidência da República, Eduardo Jorge, se prepara para colocar à mesa de debates temas polêmicos que a maioria das campanhas menciona com muito cuidado para não perder votos. Em entrevistas recentes, ele tem iniciado a discussão do aborto e da legalização da maconha, sob uma nova abordagem. "Não somos a favor do aborto, mas há uma realidade de mulheres que se submetem a riscos", diz. "O PV não quer estimular o uso da maconha. A gente quer ter uma política mais inteligente de regulação do seu uso como a gente procura e tenta fazer com o cigarro e com o álcool, duas drogas lícitas, com sucesso às vezes maior e menor", diz ele. Para quem achava que, desta vez, o aborto estaria fora das campanhas, aí vem uma rodada bem mais profunda a respeito desses temas.

De volta à ribalta
Depois de dias de glória por causa das audiências que a transformaram em pré-CPI da Petrobras, a Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara volta ao centro nervoso da política em outros temas. Vai cutucar, por exemplo, os milionários financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ao grupo JBS (Fri-boi) e também ao porto Mariel, em Cuba.

E por falar em Petrobras...
Agora que o ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa está solto, a ideia é chamá-lo a depor na Comissão de Fiscalização e Controle. Isso porque, embora a CPI Mista esteja a um ponto de ser instalada, tem muita gente achando que até a fila de depoimentos andar, a Casa já estará esvaziada em função dos jogos da Copa.

Magela e o Mané
O deputado Geraldo Magela (PT-DF) decidiu usar o estádio Mané Garrincha para apimentar a briga judicial entre o Ministério Publico, que deseja eleição direta para escolha dos integrantes do Conselho de Planejamento (Conplan) e o GDF, que nomeia esses conselheiros. Dia desses ele foi à tribuna dizer que o Mané não poderia funcionar, tampouco o Cine Brasília, porque uma liminar da Justiça invalidou as decisões do Conplan, por causa da forma como os conselheiros são escolhidos. No mesmo discurso, Magela alertou que nenhum dos conselhos do DF é preenchido por eleição direta, exceto o tutelar. O Mané entrou de gaiato no navio, uma vez que pode funcionar com o alvará provisório concedido desde a inauguração.

A força de cada um
O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, já tem o apoio fechado de seis partidos, além do seu PSDB: DEM, PPS, PSC, SDD, PRB e PR. Está a um passo de levar o PSB. Paulo Skaf, do PMDB, tem o PROS e o marqueteiro Duda Mendonça. Padilha, do PT, tem o PCdoB e o PP de Paulo Maluf.

O pulo de Kassab
Em São Paulo, outros partidos, como PDT e PV, terão candidatos próprios. É por essas e outras que muitos acreditam na hipótese de Gilberto Kassab ser mesmo candidato a governador. Assim, terá como escolher um caminho seguro no segundo turno, ficando independente e consolidando o PSD.

Dúvida cruel/ Na terça-feira, a presidente Dilma Rousseff janta com os candidatos do PMDB aos governos estaduais. O problema em Goiás tirava ontem o sono dos responsáveis pelos convites. Primeiro, o ex-prefeito e ex-governador Íris Rezende desistiu da candidatura. Depois, foi a vez de Júnior da FriBoi seguir pelo mesmo caminho. O Planalto está zonzo. Não sabe se chama os dois ou espera até a noite de segunda-feira para fazer o convite.

Seca promissora/ Os parlamentares reclamavam esta semana da dificuldade de obter recursos para a campanha. Ninguém diz abertamente, mas até no caixa dois está difícil. As últimas operações da Polícia Federal, como a Lava Jato, deu uma limpada geral na trilha do abastecimento das campanhas. O contribuinte agradece.

Sozinha não!/ O PT se prepara para influir na formatação do programa de governo que Dilma Rousseff apresentará ao país durante a campanha pela reeleição. Segunda-feira, tem reunião em Brasília para cuidar desse assunto.

Vale tudo/ Alguns parlamentares têm se superado em termos de exposição de candidatos nas redes sociais. O deputado Lúcio Vieria Lima, do PMDB da Bahia, por exemplo, não fica um fim de semana sem postagens. Dia desses, apresentou um vídeo correndo sem camisa, num parque. “Sou popular!”, brincava ele dia desses numa roda com colegas de partido.