quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Deus no palanque, por Bernardo Mello Franco

O Globo

Presidenciáveis usaram e abusaram do nome dEle ao lançar camapanhas

Deus não vota, mas foi arrastado para o centro da corrida presidencial. No domingo que abriu a disputa, os principais candidatos ao Planalto usaram e abusaram do nome dEle. Buscavam atrair o eleitorado religioso, cada vez mais visado pelas campanhas.

Em comício na Vila Euclides, o presidente invocou Deus nada menos do que 11 vezes. “Sou muito agradecido porque Deus sempre foi muito generoso comigo. Deus fez vocês, e vocês fizeram o Lula ser o que ele é”, disse, falando de si mesmo na terceira pessoa.

Em ato na Praia de Copacabana, Flávio Bolsonaro tentou atribuir sua candidatura a um desígnio divino. “Estou aqui com toda a humildade, aceitando essa missão que o presidente Bolsonaro me passou, porque eu tenho a convicção de que há um propósito de Deus para o nosso país”, discursou.

De acordo com levantamento recente da Quaest, 86% dos brasileiros consideram “importante que o candidato acredite em Deus”. O dado parece explicar por que os candidatos fazem questão de declarar a fé no palanque.

Lula costuma dizer que a religiosidade do povo não deve ser explorada como arma eleitoral. Mesmo assim, seu lançamento teve a presença do pastor Kleber Lucas, que cantou um jingle em dueto com a primeira-dama. O autor do hino gospel “Deus cuida de mim” é candidato a suplente de senador na chapa da petista Benedita da Silva.

Ontem um dos coordenadores da campanha à reeleição almoçou em Brasília com pastores da Assembleia de Deus. Buscava alianças para furar o domínio bolsonarista entre os evangélicos, atestado pelas pesquisas desde a eleição de 2018.

Na campanha do PL, há menos pudor em misturar fé e política. Há dez dias, Flávio desembarcou em São Paulo para um culto da Igreja Mundial do Poder de Deus. Rezou e chorou ao lado do apóstolo Valdemiro Santiago, processado na pandemia por vender grãos de feijão com a falsa promessa de cura para a Covid-19. O ex-deputado Eduardo Cunha fazia companhia à dupla.

O pastor bolsonarista Silas Malafaia, antigo cabo eleitoral da família, evitou aparecer no comício esvaziado de Copacabana. Escapou da foto, mas enviou áudio em que jurou “apoio irrestrito” ao Zero Um.

 

Um comentário:

Mais um amador disse...

Não sei se isso pode dar processo, mas ok :

Muitas vezes o eleitor brasileiro parece uma mulher de malandro, ( ... ) de apanhar e de ser enganado. Talvez nem Freud ou Marx expliquem.