O Estado de S. Paulo
“Menos Janja e mais Alckmin.” Esse mote –
produto da semana de lavação explícita de roupa suja – resume, reúne a campanha
de Lula inteira. O “menos Janja” é uma impossibilidade. Janja é o governo que
se pretende reeleger. Diagnosticou-se, por exemplo, que a campanha falhara na
gestão das redes sociais, envelhecida. Solução: mais janjismo cultural, de
imediato inundadas as postagens de Lula com as selfies-consultorias da
juventude psolista. Para falar com o eleitor que Lula já tem.
Antes o problema principal fosse de forma. Quer-se atrair o eleitor de Renan Santos com discurso identitário. Quer-se conquistar o eleitor de Augusto Cury com texto woke. Quer-se baixar o índice de abstenção assim.
A propósito, outro diagnóstico da semana de
bateção explícita de cabeças: o de que Lula deveria se aproximar do centro.
Diagnóstico correto. Não virará o jogo sem esse voto. Esse voto já não existe.
Lula o esculachou. No seu governo, descaracterizou-o. Chegamos “ao mais
Alckmin”. Outra impossibilidade. Geraldo Alckmin seria o agente capaz de
liderar o movimento. A própria exposição da falta petista de recursos. Antes
fosse esse o maior problema. O PT quer alcançar o centro usando por instrumento
aquele que simboliza a asfixia do centro. Lula precisa do centro – que
devastou.
Campanha eleitoral de presidente candidato à
reeleição espelha, sintetiza mesmo, o que lhe foi o governo. Campanha
desorganizada, segundo o próprio Lula, como expressão – diz o cronista – de
governo desorganizado. Antes fosse somente a desorganização. Governo ruim.
Cansado. Sem marcas. Que se fechou à esquerda, na esquerda. Que só olhou para
trás. Que falou para um trabalhador inexistente. Que não compreendeu as razões
por que existia.
Diga-se que o eleitor brasileiro, impaciente,
incorporou o valor democrático – prático – da alternância de poder e decretou,
sem precisar de PEC, o fim da reeleição.
Lula colhe – não o que plantou na corrida
concentrada até o primeiro turno – a semeadura de quase quatro anos. Governo, o
seu terceiro, que acredita – parece convicto – ter sido o seu melhor. (O seu
melhor, ainda que tenha passado a campanha inteira pedindo votos para o Lula de
20 anos atrás.) Governo – o seu melhor – ao final do qual, concorrendo à
reeleição, operador dedicado da máquina, teria cerca de 3.5 milhões de votos a
menos que em 2022, quando desafiante.
Produto do governo Janja. Período ao final do
qual Lula imaginou poder pedir votos para a sua biografia. História não dá
voto. Período em que, tendo sido eleito sob a fachada da “frente ampla”,
dedicou-se a canibalizar o centro, alckminizar o parco centro, sem o qual não
teria vencido em 2022. Sem o qual não vencerá em 2026. Entendeu mal as
premissas daquela vitória, eleito para que não fosse o outro. E hoje vai – tem de
ir – para o tudo ou nada, isolado. •

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