Brazil, o Filme
Por CartaCapital
A continuação da distopia prestes a entrar em
cartaz
Sam Lowry é o herói acidental de um país inoperante, regido por ordens desconexas de uma burocracia obtusa emitidas por computadores obsoletos. Enquanto uma elite cafona se esbalda em festas nababescas na cobertura, tal qual os irmãozãos de Daniel Vorcaro, o couro come nas ruas. Funcionário do quarto escalão de uma repartição pública, oprimido pela mãe dominadora, Lowry acaba confundido com um terrorista ao se apaixonar por uma mulher “suspeita”. Para a sua sorte, ou azar, o Estado que o persegue é incompetente e indolente. Por isso, mais perverso.
Brazil, o Filme, dos ingleses do Monty
Phyton, chegou aos cinemas em 1985 e foi entendido como uma crítica à ditadura
do maior país sul-americano, em agonia àquela altura, embora o grupo tenha dito
que qualquer semelhança não passava de mera coincidência. Como outras criações
da trupe de comediantes de sucesso retumbante nos anos 70 e 80 do século
passado, a película parecia, até o domingo 4, uma obra datada. Mas sempre é uma
imprudência subestimar o looping do Brasil com s ou com z. Há uma boa razão
para o realismo mágico nunca ter fincado raízes nestas latitudes. Ou melhor,
ter se instalado, mas sobre outra roupagem, o realismo e ponto. Aqui a arte não
se atreve a imitar a vida.
Diante da distopia que brotou das urnas, o
roteiro de Brazil, o Filme, de tão ingênuo, a esta altura lembra, no entanto,
uma comédia da Sessão da Tarde. A fauna eleita no domingo 4, em todos os
recantos, é tão perigosa quanto excêntrica. Deputado federal mais votado em São
Paulo, o arruaceiro Lucas Pavanato construiu uma carreira meteórica na Câmara
de Vereadores da capital alicerçado em três pilares: arrumar confusão na USP,
fiscalizar banheiros e bradar contra as cotas raciais. A vaga de Maria Eduarda
Campopiano, de 23 anos, à Assembleia Legislativa do mesmo estado, apoiada por
1,9 milhão de eleitores, é um alento para as mulheres dedicadas a proteger o
incompreendido patriarcado da fúria feminista. Em Brasília, aos oportunistas do
Centrão se unirá uma leva de celerados, energúmenos e influenciadores que
reduzem o Legislativo a cenários para selfies e lives. É impossível extrair
uma única ideia ou propósito que leve em conta o futuro do País. Em um momento
como este, ganha renovado sentido o surrado vaticínio de Ulysses Guimarães:
“Está achando ruim este Congresso? Então espere o próximo: será pior. E pior, e
pior”. Talvez o Senhor Diretas vislumbrasse o ano de 2026.
Nas eleições de governadores, a tragédia
também se consumou. O Paraná elegeu em primeiro turno o ex-juiz Sergio Moro,
que não conseguiu manter o presidente Lula preso, mas condenou a língua
portuguesa a uma lenta agonia por constrangimento. Minas Gerais ungiu um
feirante tiktoker. O Distrito Federal concedeu salvo-conduto a Celina Leão, no
mínimo informada das falcatruas do BRB com o Banco Master. O Rio de Janeiro
decidiu insistir no erro. Após escolher Wilson Witzel e Cláudio Castro,
expulsos da vida pública com desonra, os cariocas entregaram o estado a Douglas
Ruas a partir de um paradoxo: o eleitorado confia em um político ligado às
milícias para combater a criminalidade.
Caso a maioria dos brasileiros decida, no
último domingo de outubro, levar Flávio Bolsonaro, ao lado do pai, como
ameaçado pelo candidato, a subir a rampa do Palácio do Planalto, terá
escolhido, por livre e espontânea vontade, o combo completo no cardápio. A
terra arrasada se fará com anistia a golpistas, submissão ao império, regressão
social e queima na fogueira dos capítulos restantes da Constituição de 1988. O
trililim da urna eletrônica abrirá o portal do mundo paralelo.
A bem da verdade, o filho 01 tem o fenótipo
do autocrata do Brazil… O Filme.
Publicado na edição n° 1434 de CartaCapital, em 14 de outubro de 2026.
O Brasil numa encruzilhada
Por Revista Será?
O Brasil saiu do primeiro turno das eleições
politicamente rachado, dividido em tendências políticas radicalmente distintas.
O Brasil está numa encruzilhada e chega ao segundo turno tendo que escolher
entre caminhos diferentes para lidar com os problemas internos e com os
desafios globais. O ponto central desta encruzilhada é a democracia. Diante
da crise das instituições, com a politização do Judiciário, a
promiscuidade e a corrupção nos poderes da República, os dois candidatos a
Presidente têm históricos e posturas políticas muito diferentes em relação à
democracia
O presidente Lula da Silva pode ser criticado
por muita coisa, menos por ter, em algum momento da sua longa história na vida
pública, atacado ou desrespeitado as regras democráticas. Embora tenha
demonstrado simpatias por governos autoritários de esquerda de países
considerados amigos – Cuba, Venezuela, Irã e Rússia – Lula nunca desrespeitou a
Constituição e a democracia brasileira.
O mesmo não se pode dizer do bolsonarismo
representado nestas eleições por Flávio Bolsonaro. O seu pai, Jair Bolsonaro, a
quem ele pretende conceder indulto, tentou dar um golpe de Estado, rasgando a
Constituição e as regras democráticas para se perpetuar no poder, impedindo a
posse do presidente legitimamente eleito em 2022, precisamente o Presidente
Lula da Silva. Flávio Bolsonaro não está preparando um golpe de Estado porque
ele espera ganhar as eleições e tomar posse como presidente legitimamente
eleito.
No entanto, ele vem dando sinais de que,
sendo eleito, procuraria ampliar o poder do Presidente da República que levaria
à montagem de um autoritarismo por dentro das instituições, como tem sido a
regra de implantação dos governos autoritários mundo afora: Venezuela, com o
esquerdista Chaves e Maduro, Hungria, como Orban, Turquia, com Erdogan, Rússia,
com Putin. Flávio tem ressaltado que terá posição confortável na nova
Legislatura, principalmente no Senado Federal, e que alcançará maioria no STF
com a indicação de, pelo menos, mais quatro novos ministros. Flávio está
defendendo uma “mudança na Constituição” sem explicitar quais aspectos da Carta
Magna pretende alterar, o que permite temer propostas de revisão das regras
democráticas que asseguram o sistema de contrapesos das instituições. Com
maioria no Senado (o seu partido, o PL terá mais de um terço da bancada) e no
STF, ele pode reeditar no Brasil o roteiro de construção de regimes
autoritários que ameaçam o pluralismo político, a liberdade de imprensa e de
manifestação, o equilíbrio do sistema eleitoral.
Os dois candidatos têm visões e propostas muito diferentes para lidar com os grandes problemas nacionais – violência e crime organizado, corrupção, pobreza desigualdades sociais, déficits habitacionais e de esgotamento sanitário – e para promover o desenvolvimento futuro do Brasil – destravar os investimentos e reduzir o Custo Brasil. Divergem na política econômica, principalmente no que se refere à gestão das finanças públicas (como analisado em editorial anterior desta Revista), em política externa frente à disputa das grandes potências (também já abordado), na questão ambiental e diante das mudanças climáticas, nas propostas para a segurança pública e nas políticas sociais. Mas, a consolidação da democracia, incluindo a recuperação da credibilidade das instituições, é uma condição fundamental para que as divergências se expressem nas manifestações públicas, na imprensa livre e nos debates políticos no Congresso Nacional. Por isso, a democracia é o ponto central da encruzilhada, a escolha decisiva dos brasileiros no dia 25 próximo.
Assédio eleitoral deve ser combatido com o
maior rigor
Por O Globo
Denúncias explodiram nos últimos dias, e
espera-se que cresçam até o segundo turno, segundo MPT
O Ministério Público do Trabalho (MPT) tem
mantido um trabalho intenso em resposta às denúncias de assédio eleitoral,
situação em que empregadores ou chefes pressionam o subordinado a votar em
determinado candidato. Em 2022, o pico ocorreu em outubro, mês da eleição —
2.641 denúncias naquele mês, do recorde de 3.373 registrado ao longo de todo o
ano. Neste ano, as 785 denúncias de janeiro a setembro já representavam alta de
823% em relação ao mesmo período de 2022 — 551 apenas em setembro. Até o
primeiro turno, no último domingo, o total chegou a 991 e, apenas na última
semana, alcançou 1.197. Houve crescimento de 52% em poucos dias, e é esperado
que o assédio se intensifique no período que antecede o segundo turno. Isso
exige ação determinada não apenas do MPT, mas de todas as autoridades.
Os casos se espalham por quase todo o país e,
embora a distribuição tenha relação com a população, esse não é o único fator a
influir nas denúncias. O Sudeste reúne 37% do total, o Nordeste 24%, o
Centro-Oeste 15%, o Sul 14% e o Norte 10%. É fato que o Sudeste também
concentra a maior parte do PIB e dos empregos formais. “Mas isso não significa,
necessariamente, que a incidência proporcional de assédio eleitoral seja maior
na região”, diz o procurador do trabalho Igor Souza Gonçalves. Por grupo de 100
mil eleitores, a maior incidência do crime eleitoral ocorre, em ordem
decrescente, no Centro-Oeste, no Norte, no Sul, no Sudeste e no Nordeste. O
líder é Brasília, que abriga grande concentração de funcionários públicos,
também sujeitos ao assédio. Em seguida vêm Amapá, Mato Grosso e Roraima. São
Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, com as três maiores populações, ficam
respectivamente em 25º, 14º e 11º lugar na lista do assédio eleitoral.
O crescimento dos casos registrados resulta
de diversos fatores. Em parte, diz Gonçalves, pode ser explicado pela redução
da subnotificação. Desde 2022, têm sido ampliadas as campanhas de
conscientização, a divulgação dos canais de denúncia e a articulação com
sindicatos e outras instituições. Está no ar uma campanha nacional promovida
pelo Tribunal Superior Eleitoral em conjunto com Tribunal Superior do Trabalho
e MPT. “Em 2026, intensificamos as ações de forma conjunta com a Justiça do
Trabalho, a Justiça Eleitoral e o Ministério Público Eleitoral”, afirma
Gonçalves. “É preciso considerar a maior conscientização sobre os direitos dos
trabalhadores, a ampliação do acesso aos canais de denúncia e o fortalecimento
da atuação institucional.”
Mas não é desprezível o agravamento das
pressões num cenário político polarizado. Os números já sugerem que as
ocorrências aumentarão até o segundo turno, com o embate entre Flávio Bolsonaro
(PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). As queixas contra pressão
de empregadores e chefes em favor de candidatos e grupos políticos também se
estendem depois das eleições, e os números poderão aumentar mesmo depois de
proclamados os vencedores. O eleitor deve saber que o voto depende
exclusivamente de sua consciência e que pode encaminhar ao MPT reclamações
sobre o assédio de chefes ou empregadores. Denunciar é a melhor forma de coibir
potenciais assediadores.
Cade tem de refutar defesa do Google já
rejeitada no Reino Unido
Por O Globo
Plataforma traz ao Brasil argumentos frágeis
para justificar uso de conteúdos jornalísticos no treinamento de IA
Desde abril, o Conselho Administrativo de
Defesa Econômica (Cade)
investiga o Google
pela acusação de abusar da posição de líder no mercado de buscas para se
beneficiar de conteúdo jornalístico no treinamento de seus modelos de
inteligência artificial (IA), sem remunerar de modo justo os veículos de
imprensa. Na ação, a empresa tem usado argumentos já refutados no exterior. A
questão é cercada de aspectos técnicos, mas o histórico de desprezo pelos
direitos autorais por parte da plataforma digital recomenda que seus argumentos
também sejam rejeitados no Brasil.
Num caso que tramita na Autoridade de
Concorrência e Mercados (CMA), equivalente britânico do Cade, a Alphabet, dona
do Google, alegou que os editores dispõem de ferramentas para remover textos,
imagens e vídeos ou reduzi-los a apenas um registro, acessado por quem faz
buscas. O mesmo argumento foi usado na defesa de 108 páginas apresentada pelo
Google ao Cade em julho. A CMA o rejeitou, por considerar insuficientes as
ferramentas oferecidas pelo Google, e exigiu que a empresa conceda maior
controle aos editores. “Pela primeira vez, eles passarão a dispor de
ferramentas eficazes para impedir que seu conteúdo seja usado para alimentar
recursos de IA em mecanismos de busca”, afirma comunicado da CMA. No mesmo dia,
o Google informou que desenvolveria um novo mecanismo para editores controlarem
o uso de conteúdo.
O Cade precisa também rejeitar a argumentação
do Google. E não apenas pelos aspectos técnicos. Há justificativas econômicas
ainda mais persuasivas para a remuneração obrigatória dos produtores de
conteúdo. Apesar de o Google alegar que os resumos de IA oferecidos por suas
ferramentas têm pouco impacto na audiência dos veículos de onde as informações
são extraídas, há diversas provas do contrário.
O Google é acusado de abuso econômico na
Austrália, nos Estados Unidos e na União Europeia. Estão em jogo o uso sem
autorização de conteúdo para gerar resumos jornalísticos e o poder no mercado
de publicidade digital. Na França, um grupo de jornais venceu na primeira
instância uma ação em que pede € 107 milhões por perdas com anúncios. Em Nova
York, a Gannett moveu um processo contra o Google exigindo maior competição na
veiculação de anúncios digitais, para que “encorajem o investimento nas
redações e em conteúdos noticiosos”. Segundo a Gannett, a Alphabet controla de
“má-fé” os pregões on-line, “manipulando em todos os aspectos as transações”. A
Gannett estima perdas de US$ 900 milhões devido à interferência nos pregões. Há
ainda um processo de cerca de 5 mil editoras americanas contra o Google,
buscando compensação por perdas estimadas em US$ 1,7 bilhão.
Nos últimos anos, as grandes plataformas digitais já foram condenadas pela Justiça a desembolsar centenas de bilhões de dólares em vários países. O litígio deve ser a última alternativa. O ideal é que haja regulação sólida, sempre atualizada, para que a tecnologia seja usada dentro dos limites razoáveis.
Flávio sai na frente no Datafolha e nas
alianças
Por Folha de S. Paulo
Senador, que coleciona apoios no 2º turno,
mantém vantagem sobre Lula, com 52% a 48% das intenções de voto
Do ponto de vista do eleitor, o que importa é
aproveitar a nova disputa para finalmente ver um confronto entre as propostas
de Flávio e Lula
Talvez com a exceção de um ou outro petista
mais iludido, a ninguém surpreendeu a primeira pesquisa do instituto Datafolha
divulgada após a definição do segundo turno da eleição presidencial no Brasil.
De acordo com o levantamento, o senador Flávio
Bolsonaro (PL)
mantém a vantagem conquistada nas urnas no dia 4 e acumula 52%
das intenções de votos válidos, contra 48% do presidente Luiz Inácio
Lula
da Silva (PT).
Quando se computam as preferências totais,
Flávio tem 49%, e Lula, 45%, com 1% de eleitores indecisos e outros 5% que
declaram voto em branco ou nulo. Do ponto de vista do petista, que está atrás
na disputa, há pouco espaço para crescer sem converter apoiadores de seu
adversário.
A possível vitória de Flávio, assim, já vem
sendo precificada em diversos setores, para usar um jargão do mercado. Desde
segunda-feira (5), a Bolsa sobe e o dólar cai, na medida em que investidores se
animam com a hipótese de o senador conduzir um governo mais preocupado com o
controle da dívida pública brasileira.
Na arena política, a perspectiva de poder
exerce sua natural força de atração. Menos de 24 horas depois de confirmado o
segundo turno, Romeu Zema
(Novo), ex-governador de Minas Gerais, anunciou uma nada surpreendente adesão
ao candidato do PL.
Com mero 0,27% dos votos, Zema tem pouco
capital eleitoral para emprestar, mas ele puxou uma fila na qual entraram
outros presidenciáveis frustrados, como Ronaldo
Caiado (PSD),
ex-governador de Goiás que registrou 2,18% dos votos, e o escritor Augusto Cury
(Avante),
com 2,89%.
As alianças de Flávio não pararam por aí.
Entre outras movimentações em torno da órbita bolsonarista, o Republicanos
oficializou um apoio escorado nas vitórias para o governo dos dois maiores
colégios eleitorais do país: Tarcísio de
Freitas (São Paulo)
e Cleitinho
(Minas Gerais).
Lula, agora sem o apelo gravitacional, fez
pouco mais do que reclamar de uma campanha que, na sua visão, ficou aquém de
suas possibilidades e se revelou a mais desorganizada desde 1989.
Ainda que ele possa estar certo nesse ponto,
teria mais razão se reclamasse do próprio governo, considerado
ruim ou péssimo por 40% dos eleitores e avaliado como ótimo ou bom
por 35%.
Diante desse quadro, não surpreende que sua rejeição seja numericamente maior que a de Flávio (46% a 43%), nem que 1 a cada 4 eleitores do senador diga que escolhe o bolsonarista apenas para derrotar Lula.
A campanha petista ainda torce por uma virada como a que se deu em 2014, quando
Dilma
Rousseff (PT) saiu atrás de Aécio Neves
(PSDB)
no primeiro Datafolha do segundo turno e venceu.
Pode-se imaginar que o PT tentará variadas
estratégias para reverter a situação desfavorável, mas, do ponto de vista do
eleitor, o que importa é aproveitar o segundo turno para finalmente ver um
confronto franco entre as propostas de Flávio e Lula.
Pena de morte nos EUA é atraso civilizatório
Por Folha de S. Paulo
Trump expande protocolos e métodos de
execução em prisões federais, incluindo fuzilamento
A pena de morte possibilita falhas
inaceitáveis no Estado de Direito, até porque são irreversíveis, como a
execução de inocentes
É histórico o estranhamento causado pela
manutenção de uma forma bárbara de punição como a pena de morte no país em que
foi forjada a democracia moderna. Sob o governo Donald Trump,
tal prática tem sido promovida por meio de medidas que expandem protocolos e
métodos de execução.
Em 2019, o presidente americano substituiu,
nas prisões federais, a aplicação de três substâncias que levam à morte por
injeção letal pelo pentobarbital —procedimento criticado por especialistas,
dada a possibilidade de causar sofrimento intenso.
No ano seguinte, ainda no sistema federal,
permitiu outros métodos de execução, como fuzilamento e eletrocussão, desde que
autorizados pela lei estadual. Antes, só havia a injeção letal.
O governo Joe Biden
suspendeu as execuções federais e revogou o protocolo do pentobarbital. Mas, em
abril de 2026, ele foi restabelecido por Trump, que determinou ainda que as
outras formas de execução além da injeção fossem incorporadas aos protocolos
operacionais, inclusive com ampliação ou construção de instalações apropriadas
para elas.
Na última semana, ele aprovou a
primeira execução por fuzilamento nas Forças
Armadas em 81 anos, a de um ex-major que em 2009 matou 13 pessoas e
feriu 32 num ataque a uma base militar. Não bastasse, a execução
será transmitida pela internet.
Estados passaram a realizar execuções após
longas interrupções e a recuperar métodos antigos. Isso acontece sobretudo
diante de dificuldades para obter as substâncias utilizadas nas injeções
letais, porque alguns fabricantes simplesmente se recusam a fornecê-las para
esse fim.
Os riscos desse protocolo foram ressaltados
no caso de Christa Pike. Condenada à morte por assassinato em 1996, ela
sobreviveu após a aplicação de duas doses da droga no final de setembro, foi
levada em estado crítico ao hospital e só recobrou a
consciência seis dias depois.
Em 2022, mais de um terço das execuções nos
EUA foram malsucedidas ou altamente problemáticas, e a injeção letal tem a
maior taxa de fracasso, segundo o Death Penalty Information Center.
Além do caráter desumano, a pena de morte
possibilita falhas inaceitáveis no Estado de Direito, até porque são
irreversíveis, como a execução de inocentes que foram julgados erroneamente.
Sistemas penais são plenamente capazes de punir mesmo os crimes mais graves baseando-se no respeito a garantias fundamentais, sem torturar condenados com décadas no corredor da morte e execuções cruéis.
O poder que o Brasil nem sabe que tem
Por O Estado de S. Paulo
Um país com vastos recursos naturais e humanos se acostumou a administrar uma projeção internacional medíocre. O Brasil precisa ser ambicioso sem ser quimérico, e prudente sem ser tímido
Há décadas, a envergadura do Brasil promete
mais do que seu protagonismo internacional entrega. Um país continental, de
mercado vasto e recursos abundantes, com tradição diplomática e algumas
competências de classe mundial, ainda converte parte modesta desse patrimônio
em influência, poder de barganha e liberdade de ação. O potencial existe. Há
muito o que fazer para transformá-lo em poder.
Essa distância pesa mais num mundo em que a
interdependência ganhou uma face coercitiva. Comércio, tecnologia e insumos
estratégicos continuam a gerar prosperidade, mas também podem limitar escolhas
alheias. Estados Unidos, China e União Europeia já demonstram, por meios
distintos, o quanto acesso a mercados ou tecnologia pode servir como
instrumento de poder. Para o Brasil, já não basta medir independência pela mera
equidistância entre potências; autonomia exige alternativas reais.
A abertura é parte dessa construção. A
exposição ao exterior força empresas a aprender, facilita o acesso a tecnologia
e abre mercados que a economia doméstica não consegue reproduzir. O isolamento
pode até preservar setores por algum tempo. Também preserva hábitos,
tecnologias e empresas que a competição obrigaria a melhorar. Internacionalizar
a economia amplia referências, atrai tecnologia e capital, multiplica mercados
e parceiros. Isso também é poder.
Abertura, porém, não dispensa estratégia.
Algumas dependências pesam mais que outras; certos ativos só ganham valor
estratégico quando o País domina os elos que lhes dão utilidade. As cobiçadas
terras raras rendem pouco se o País não integrar parte do conhecimento e da
tecnologia que transformam minério em posição numa cadeia valiosa. Até a
potência agropecuária expõe uma vulnerabilidade desse tipo na dependência de
fertilizantes importados. A Embraer prova o movimento inverso: engenharia de
ponta transformada em empresa competitiva e presença global. É preciso agir
onde um gargalo realmente reduz liberdade ou onde uma vantagem nacional permite
ocupar um elo valioso, em vez de usar soberania como senha protecionista.
A diplomacia amplia essas capacidades quando
transforma relações políticas em acesso econômico e tecnológico. Também preserva
canais entre polos rivais, condição importante para que o País diversifique
parceiros sem converter autonomia em isolamento. O Brasil é continental e
atlântico, pacífico e culturalmente plural. Sua própria formação lhe dá uma
facilidade incomum de conversar com sociedades muito diferentes. Essa
singularidade só pesa quando o País consegue transformá-la em algo que outros
valorizem e tenham interesse em preservar. Sem isso, identidade vira decoração
e potencial continua promessa.
Daí uma pergunta que se faz pouco: o que o
Brasil pode oferecer ao mundo além de commodities? A influência do País cresce
quando parceiros nos consideram úteis, confiáveis e capazes de entregar. A
América do Sul é o teste mais próximo. O tamanho do mapa não assegura liderança;
ela precisa ser conquistada por iniciativas que também tornem os vizinhos mais
prósperos, conectados e seguros. Em escala maior, a lógica permanece: relações
ficam mais favoráveis quando o Brasil oferece algo cuja ausência também teria
custo para os outros.
Essa estratégia exige continuidade.
Presidentes têm mandato para mudar prioridades, mas afinidades ideológicas e
disputas partidárias não deveriam consumir canais, conhecimento e projetos que
levam anos para amadurecer. O Itamaraty e as demais instituições que acumulam
capacidade internacional precisam atravessar mandatos sem que o País seja
obrigado a recomeçar do zero. Política de Estado, aqui, não significa
imobilizar escolhas democráticas, mas acumular força através dos governos.
Rivalizar em todos os terrenos com Estados
Unidos ou China seria fantasia. Uma ambição plausível é construir força
suficiente para negociar com os grandes polos sem posição estruturalmente
subalterna nos domínios em que o Brasil pode ser relevante. Uma potência, nesse
sentido, tem opções, algo valioso a oferecer e margem para defender seus
interesses. O Brasil já dispõe de boa parte da matéria-prima. A tarefa é
convertê-la em força suficiente para que sua presença no mundo pese mais nas
escolhas alheias e dependa menos delas.
É preciso reorganizar o Judiciário
Por O Estado de S. Paulo
Reformar a Justiça exige distribuir autoridade com clareza: dar força às instâncias próprias, reservar às cortes superiores questões sistêmicas e impedir expansões casuísticas de competência
O Supremo Tribunal Federal (STF) atravessa
uma crise que se projeta sobre o Judiciário e não se explica por um episódio
isolado. Decisões individuais de impacto, exceções que se prolongam,
controvérsias sobre juiz natural, conflitos de interesse e barreiras à
responsabilização corroeram a legitimidade da Justiça. Parte disso nasce de
condutas e cultura institucional. Parte está na arquitetura: o STF reúne
funções muito diferentes e concentra poder demais.
Uma reforma deveria começar pela pergunta
sobre que função justifica a autoridade de cada instância. Em tese, caberia ao
STF guardar a Constituição, e ao Superior Tribunal de Justiça (STJ),
uniformizar o direito federal, enquanto juízes e tribunais ordinários decidem
os casos que lhes pertencem. Na prática, contudo, essas funções se sobrepõem.
Isso amplia o território de poder do Supremo e torna decisivos mecanismos
processuais – relatoria, prevenção, conexão, reclamação – que definem quem
julga e com que possibilidade de revisão.
Em 2025, o STJ recebeu mais de meio milhão de
processos, e a maior parte de seu estoque estava concentrada em recursos
especiais e agravos. Boa parte da energia de um tribunal criado para
uniformizar a lei federal foi consumida decidindo se casos individuais podem
chegar ao mérito. No STF, a repercussão geral aponta outro caminho: 51 temas
julgados em 2025 destravaram mais de 220 mil processos. Uma corte superior pode
orientar o sistema sem refazer, um a um, os litígios que chegam de baixo.
Uma agenda coerente daria maior definitividade
aos casos nas instâncias próprias e reservaria aos vértices as questões que
exigem resposta nacional. A relevância da questão federal, que começou a valer
no STJ em setembro, segue essa direção: reservar a corte às questões que
ultrapassem o interesse das partes, reforçando sua função de formar
precedentes.
O mesmo critério deve alcançar o Supremo. Sua
combinação de jurisdição constitucional com competências penais, habeas corpus,
reclamações e outras atribuições exige revisão. O foro criminal é a frente mais
madura. Se uma função puder ser exercida com segurança por outra instância, com
juiz natural, capacidade suficiente e via adequada de revisão, cabe perguntar
por que deve permanecer no STF. Uma especialização constitucional mais forte
concentraria a Corte em sua missão e reduziria o espaço em que relatorias,
cautelares e prevenção ampliam a margem para arbitrariedades.
Redistribuir competências, porém, só funciona
se as fronteiras forem impessoais e exigíveis. Sorteio, normas claras de
prevenção e conexão, disciplina da reclamação e revisão colegiada ágil de
decisões individuais ajudam a impedir que uma nova divisão formal seja desfeita
por atalhos processuais. Exceções reais precisam sobreviver sem transformá-las
em rotas habituais de acesso ao topo.
A Justiça do Trabalho ou a Eleitoral mostram
que especialização traz conhecimento, mas exige fronteiras claras com a Justiça
comum. A relação entre Judiciário e política pede disciplina semelhante.
Tribunais devem fazer cumprir direitos, deveres e limites constitucionais. Se a
Constituição preserva várias soluções legítimas, a escolha dos meios permanece
com os Poderes eleitos. O controle judicial conserva força; a resposta judicial
deve respeitar o espaço que a Carta manteve aberto.
Há custos em qualquer redesenho. Instâncias
inferiores erram, filtros podem barrar questões importantes e, em certos casos,
reunir processos ligados evita decisões contraditórias. Por isso, maior
definitividade precisa conviver com correção excepcional; toda transferência
exige um tribunal de destino capaz de absorvê-la e regras de transição
cuidadosas. Reformar bem significa organizar responsabilidades sem empobrecer
garantias.
O horizonte é um STF mais concentrado nas
questões constitucionais; um STJ mais dedicado ao direito federal relevante; e
tribunais ordinários capazes de encerrar com maior frequência os casos que lhes
pertencem. Mecanismos excepcionais continuariam disponíveis para violações
graves, sem reconstruir uma revisão interminável.
A crise do Supremo revelou o custo de
concentrar funções demais no vértice. Reduzir esse custo exige distribuir
melhor a autoridade e fazer essa divisão valer.
A desmoralização do Nobel da Paz
Por O Estado de S. Paulo
Premiação a quem se dedica a demonizar Israel
na ONU é desserviço à causa da paz
O Comitê do Nobel premiou com o Nobel da Paz
Navi Pillay, que presidiu a comissão da ONU que acusou Israel de cometer
genocídio em Gaza. Os jurados podem alegar, como alegaram, que não julgaram a
guerra. Mas concederam a mais cobiçada chancela moral do planeta a quem ajudou
a transformar uma conclusão para lá de controversa em veredicto político.
A devastação de Gaza e o sofrimento dos
palestinos são inegáveis. Mas a guerra travada após o massacre do Hamas tinha
dificuldades que a palavra “genocídio” não resolve. Os terroristas construíram
uma rede de túneis sob bairros populosos e instalaram posições militares em
meio à infraestrutura civil, utilizando a população como escudo humano.
Conquistar a superfície não bastava para desalojar combatentes entrincheirados
no subsolo. Desarmar essa rede podia destruir edifícios inteiros. Nada disso absolve
Israel por ataques indiscriminados ou por privações impostas à população. Mas
torna temerário, para não dizer desonesto, deduzir da devastação, por si, um
plano de extermínio.
A Convenção de 1948 exige intenção específica
de destruir um grupo protegido enquanto tal. A comissão presidida por Pillay
reconheceu que Israel pretendia derrotar o Hamas e libertar reféns, mas
atribuiu às mortes, à destruição, ao cerco e a declarações de dirigentes –
algumas execráveis – o significado de uma campanha para eliminar o povo
palestino. São elementos que exigem apuração séria, inclusive de possíveis
crimes de guerra e contra a humanidade. O salto para a intenção “genocida”,
contudo, não está demonstrado. Israel não cometeu genocídio em Gaza; a dimensão
de uma tragédia não altera, por decreto, os elementos de um crime.
Pillay presidiu desde 2021 uma comissão de
inquérito sem prazo para encerrar seu trabalho. Em 2025, apresentou
pessoalmente a conclusão de genocídio e atribuiu a responsabilidade às mais
altas autoridades israelenses. Seus méritos na luta contra o apartheid e na
justiça internacional são reais. Mas já apoiara o boicote a Israel e assinara,
em 2020, um manifesto pedindo sanções. Convicções prévias podem não provar
fraude, mas exigem ainda maior rigor das provas.
Pillay encontrou terreno fértil no Conselho
de Direitos Humanos da ONU. Israel ocupa sozinho um item permanente de sua
agenda, tratamento que nenhum outro país recebe. Em 2022, o mesmo conselho
recusou até abrir um debate sobre os abusos chineses em Xinjiang. Israel merece
escrutínio, naturalmente. Já a China conseguiu barrar até a conversa. Uma bela
demonstração da “universalidade” dos direitos humanos.
O Nobel tem experiência em apostas políticas. Já premiou ex-líderes terroristas, como Menachem Begin e Yasser Arafat, e até meras intenções: Barack Obama ganhou a medalha nos primeiros meses de mandato, para constrangimento do próprio premiado. Agora Oslo cobre de glória uma jurista cuja acusação mais explosiva depende de uma intenção que sua investigação nunca demonstrou. O comitê invoca a autoridade do Direito, mas prefere o conforto de uma convicção política, usando suas medalhas como manifestos.
Um Nobel para a justiça e a esperança
Por Correio Braziliense
O Nobel da Paz para Navi Pillay premia o
mundo, de certa maneira, pela persistência, pela perseverança em seguir vivendo
e buscando a harmonia possível
Teve alguns endereços a escolha da jurista
sul-africana Navi Pillay para o Nobel da Paz. O Comitê Norueguês decidiu
premiar um nome que personifica, de certa maneira, o sistema multilateral. Em
particular, o Tribunal Penal Internacional (TPI), que julga governantes e
outras autoridades de Estado acusadas de crimes de guerra e crimes contra a
humanidade. Além de ter sido a Alta Comissárias das Nações Unidas para Direitos
Humanos, a laureada presidiu o tribunal especial para a chacina étnica em
Ruanda e, mais recentemente, esteve à frente do comitê da ONU que acusou Israel
de cometer genocídio contra os palestinos na Faixa de Gaza.
A premiação, de saída, manda recado para
Donald Trump, que vem de renovar sanções unilaterais contra o TPI, ao qual os
Estados Unidos se recusam a aderir. Outro destinatário é o primeiro-ministro
israelense, Benjamin Netanyahu, objeto de mandado internacional de prisão por
parte do tribunal.
Acima de tudo, porém, o Comitê do Nobel fez
uma escolha clara pelo sistema multilateral, consubstanciado na ONU e seus
braços em distintas áreas. Ao premiar a jurista sul-africana, reconhece o
trabalho de instituições que colocam em vigência o direito internacional, em um
mundo onde potências militares seguem impondo — ou tentando impor — pela força
agendas próprias, à revelia da comunidade das nações.
Navi Pillay recebe o Nobel da Paz, também, em
alguma medida, em nome das mulheres. Foi a primeira a presidir a Corte Suprema
da África do Sul, com papel decisivo na transição do regime segregacionsita do
apartheid para a democracia racial.
Em todas as dimensões pelas quais se analise,
a premiação anunciada ontem estabelece marcos. Principalmente na reafirmação de
apoio e reconhecimento ao sistema de relações e organismos que a comunidade
internacional se esforça por estabelecer desde a Segunda Guerra Mundial. Sobre
as ruínas da Europa devastada, de Hiroshima e Nagasaki arrasadas pelo
bombardeio atômico dos Estados Unidos — os primeiros e, até hoje, os únicos da
história —, uma obra de oito décadas segue em andamento. Como foi dito e
repetido, nas últimas semanas, durante a Assembleia-Geral, a ONU vive talvez
seu momento mais difícil.
O Nobel da Paz para Navi Pillay premia o
mundo, de certa maneira, pela persistência, pela perseverança em seguir vivendo
e buscando a harmonia possível. Não funciona, por si, como algum tipo de passe
de mágica ou varinha de condão, como nos contos de fada, por mais que a
realidade atirada diariamente aos nossos olhos, pelos noticiários, nos convide
a imaginar soluções instantâneas. Mas reanima, realimenta a coragem.
Há de ser no reconhecimento de personalidades como a jurista sul-africana que encontraremos inspiração e coragem para não desistir. Para persistir, em nome das gerações que amadurecem em um mundo imerso em desafios de toda ordem. Aos 85 anos, Navi Pillay há de luzir como esperança para milhões de jovens. Ao menos por um dia.
TSE tem de resolver pendências com mais
rapidez
Por O Povo (CE)
A eleição deste ano ainda vai decidir qual
candidato será o próximo presidente da República e governadores em alguns
estados, nos quais haverá segundo turno. No entanto, a verdadeira guerra de
liminares entre candidatos e partidos ficará como uma das marcas da disputa
eleitoral deste ano.
Não seria surpresa se um levantamento
chegasse à conclusão de que, neste século, a disputa deste ano foi aquela em
que mais houve intervenção da Justiça eleitoral no processo. Entre os
principais motivos estão pedidos de retirada de propaganda do adversário, mas
houve decisões que afetaram ou ainda podem afetar diretamente o resultado das
urnas.
Um desses casos envolve Anthony Garotinho,
candidato a governador do Rio de Janeiro, que teve seu registro negado pelo
Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ) por estar inelegível. No entanto, ele
concorreu protegido por uma liminar, obtendo 3,17% do total de votos, o que
levaria a eleição para o segundo turno, a ser disputada entre Douglas Ruas (PL)
e Eduardo Paes (PSD). Mas, na sequência, o TSE confirmou o indeferimento da
candidatura de Garotinho, determinando a anulação de seus votos. Nesse cenário,
Ruas vence a eleição no primeiro turno.
Frente a isso, é de se perguntar: a vontade
do eleitor foi respeitada, ao ser levado a votar uma candidatura subjudice, que
provocou a reconfiguração do resultado das urnas?
Outra situação parecida é a do candidato
Deltan Dallagnol (Novo-PR), eleito senador, mas esperando decisão definitiva da
Justiça Eleitoral para confirmar se poderá assumir o cargo. A história começa
em 2023, quando o TSE cassou seu mandato de deputado federal, tornando-o
inelegível.
Depois de decisões divergentes entre
ministros, o presidente do TSE, Nunes Marques, autorizou que Dallagnol
disputasse a eleição. O TSE ainda não tem data para decidir sobre o assunto,
mas, se for confirmada sua inelegibilidade, será necessária outra votação para
a vaga.
É justo com o eleitor?
Sem entrar no mérito da decisão, seja no caso
de Garotinho ou de Deltan Dallagnol, o problema central é a demora da Justiça
Eleitoral em decidir sobre pendências que teriam de ser resolvidas antes que o
nome do candidato fosse inscrito na urna eletrônica.
Do jeito que está, uma decisão que deveria ser exclusivamente do eleitor, termina por ser decidida pelos tribunais, responsáveis julgar as demandas tempestivamente para evitar prejuízos ao eleitorado, firmando a credibilidade da Justiça Eleitoral. Se falta estrutura, é preciso corrigir o problema, pois o que é inaceitável é esse tipo de insegurança jurídica em um dos períodos mais importantes da vida política brasileira.

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