sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Centrão terá de compor para sobreviver, por Vera Magalhães

O Globo

Legendas correm a aderir a Flávio, na esperança de ficar com os camarotes da distribuição do poder em caso de vitória do candidato do PL, que saiu fortalecido

A eleição de 2026 produziu um rearranjo importante no Centrão. O grupo de seis partidos composto por União e PP, agora integrantes de uma federação, mais MDB, PSD, Republicanos e Podemos continua reunindo parcela expressiva da representação parlamentar e ampliou sua presença nos governos estaduais já definidos. Mas o crescimento do PL, sobretudo no Senado, alterou a correlação de forças e puxou a hegemonia do centro para a direita. Agora, essas siglas terão de recalcular a rota.

O peso das emendas na disputa pelo Parlamento prometia uma colheita gloriosa aos partidos do grupo, que sairiam com bancadas ainda maiores e manteriam o controle do Congresso tanto em caso de vitória de Lula quanto de Flávio Bolsonaro.

Parecia uma equação tão fechada que as legendas ignoraram apelos por alianças dos dois favoritos a vencer a Presidência. Com exceção do PSD de Gilberto Kassab, também não cogitaram lançar candidatos no primeiro turno. Todo o foco foi colocado na eleição para a Câmara, que determina o valor dos fundões para o mandato seguinte, e, em menor escala, ao Senado, dada a importância da discussão sobre o impeachment de ministros do STF.

Mas, assim como a esquerda tradicional, também essas legendas, que funcionam como um pêndulo na direção de qualquer governo, se assustaram com a força demonstrada nas urnas pelo PL e agora correm a aderir a Flávio, na esperança de ficar com os camarotes da distribuição do poder em caso de vitória do filho de Jair.

A única chance que terão de brigar pela divisão do poder nas Casas do Legislativo será agirem, de fato, como bloco único, algo que nunca funciona exatamente assim devido aos interesses de caciques, diferenças regionais e outras idiossincrasias da política.

Apenas no governo José Sarney um partido ocupou ao mesmo tempo as presidências da República, da Câmara e do Senado. Em 2007, no governo Lula 2, houve um breve período de 45 dias de coincidência nas mãos do PT, quando Renan Calheiros (MDB) renunciou à presidência do Senado para evitar uma cassação. Mas nunca uma sigla deteve uma bancada tão poderosa quanto os 121 deputados e 28 senadores com que o PL chegará à próxima legislatura.

Tamanho poderio assusta os políticos que hoje integram a cúpula do Congresso e veem a chance de ser engolfados pela onda que varreu as urnas no domingo passado. O espírito de sobrevivência pode levar tanto à construção de uma resistência quanto à adesão apressada, caminho que parece mais provável pela corrida desta primeira semana de segundo turno.

Lula assiste inerte à fuga do navio daqueles que usufruíram de ministérios e outros cargos em seu governo. Suas únicas tentativas foram conseguir repetir a neutralidade do Republicanos e do MDB. Falhou na primeira e deverá fracassar também com a sigla do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, que trabalha com obstinação para declarar apoio a Flávio.

Diante das declarações propositalmente vagas, para as quais em seguida oferece justificativas insuficientes, de Flávio de mudar a Constituição e “reformar” o Judiciário, a existência de um bloco de centro independente seria, caso ele vença no dia 25, crucial para assegurar um mínimo de freio a um grupo político que saiu anabolizado das urnas. O problema é que muitas lideranças dessas siglas colheram derrotas em seus estados, caso dos presidentes das duas Casas, Hugo Motta e Davi Alcolumbre, e vêm sua sobrevivência ameaçada.

Flávio conta com isso para obter adesão sem condições e pôr em marcha sua agenda, com a pauta anti-STF, pró-indulto e anistia aos condenados pelas tentativas de golpe como abre-alas já no raiar de 2027 — talvez até antecipada, como Lula conseguiu com a PEC da Transição. Essa lógica torna ainda mais difícil a inédita tarefa do petista de virar o jogo no segundo turno. O cheiro de poder continua sendo, para essa massa amorfa de partidos, o maior fator de conversão ideológica.

 

2 comentários:

Anônimo disse...

E se já tava ruim pro Lula ladrão piorou ainda mais
O banqueiro Vorcaro, através da revista Veja , revelou que entregou dinheiro para o filme do Lula em espécie no Instituto Lula de forma secreta no famoso caixa dois
E disse também que diferente do Flavio que pediu patrocínio de forma legal o dinheiro do Lula foi ilegal
É a pa de cal nessa campanha falsadesse velho decrépito, mentiroso e corrupto
Fora Lula , fora Moraes!!

Anônimo disse...

Fora Moraes! Fora Lula!