sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Sensação de disputa resolvida não se confirma na pesquisa, por César Felício

Valor Econômico

Diferença de 4pp mostra descompasso com o clima de já ganhou entre bolsonaristas

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) já não faz mais campanha presidencial, embora ainda faltem mais de duas semanas para o segundo turno. Negocia as adesões do Centrão em troca não de votos, mas de espaços de poder nas mesas diretoras do Congresso e do ministério. Organiza como se dará o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e até sinaliza para uma costura que, em nome de acabar com a reeleição, prorrogará o próprio mandato que disputa e adiará as eleições de 2030. Já há até especulação sobre a divisão de cargos de segundo escalão.

Não se trata de salto alto, vai além disso. Flávio se comporta como se o segundo turno fosse mera formalidade, e assim também se comportam a cúpula dos partidos políticos e do próprio Judiciário: como se a eleição presidencial de 2026 estivesse resolvida. A sensação de que não há mais competição se fortalece por uma característica única desta eleição, que é a virtual ausência de segundos turnos, disputados em apenas cinco Estados (Tocantins, Acre, Amazonas, Espírito Santo e Rio Grande do Norte) e no Distrito Federal.

A pesquisa divulgada pelo Datafolha na quinta-feira (8), contudo, não é tão assertiva assim. Ele lidera com 49% de intenção de voto, ante 45% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), uma diferença relativamente apertada. Na pesquisa espontânea, sem que os nomes sejam apresentados, Flávio obtém 46% e Lula 44%, os mesmos dois pontos percentuais de diferença registrados nas urnas do primeiro turno. Segundo o levantamento, 46% dizem que votarão com certeza no senador e 46% dizem que com certeza não votarão.

A chave da pesquisa que de fato confere favoritismo ao senador está na rejeição de Lula: 49% afirmam que não votarão no presidente em hipótese alguma e só 43% afirmam que votarão com certeza. Entre os eleitores que se declaram não alinhados aos dois polos que dividem o país, 53% descartam votar em Lula, 26% dizem que votariam com certeza e 20% admitem que talvez votem.

Não há registro de viradas nas eleições presidenciais brasileiras em segundo turno, mas há um descompasso entre a divisão do eleitorado brasileiro e a unanimidade do mundo político de que já vivemos a era Flávio.

Diferença de 4pp mostra descompasso com o clima de já ganhou entre bolsonaristas

O senador tende a ganhar a eleição, mas por uma diferença de votos pequena, provavelmente muito inferior à registrada pelo pai em 2018, quando Jair Bolsonaro venceu Fernando Haddad por 55% a 45%. Será um segundo turno mais parecido com os de 2014 e 2022 em que, ao contrário de agora, Brasília não vivia a sensação de que não há nada mais em jogo.

Uma diferença como a registrada pelo Datafolha não é imune a debates, propaganda ou algum fato novo, por mais calcificadas que estejam as opiniões (94% dos entrevistados dizem que não mudarão o voto). Se metade dos 6% que não são tão categóricos assim mudar a sua decisão a favor do segundo colocado no primeiro turno, já estaria configurado um empate.

Obviamente o senador Flávio Bolsonaro não desconhece esse fato. O gesto de sentar-se na cadeira antes da hora, mais que soberba, também é estratégia. Apresentar-se como inexorável, inevitável, é um modo de baixar o moral da tropa adversária. O eleitor lulista, diante do que parece se tratar de um fato consumado, pode ficar mais tentado a ficar em casa no dia 25 e não votar. O eleitor desmotivado e pendular também pode se mobilizar menos diante de uma fatura que parece liquidada.

O mundo político, por outro lado, precisa fazer apostas. O nível de acesso a um presidente muda se a aliança se der antes do segundo turno ou depois, e os partidos do Centrão foram os que mais perderam no Congresso. O União Brasil encolheu seis cadeiras. O PP, cinco. O Republicanos, uma. Todos declararam apoio a Flávio nos últimos dias. A exceção foi o PSD de Gilberto Kassab, que se posicionou pela neutralidade no primeiro instante.

 

2 comentários:

Anônimo disse...

o Lula tá que nem final de feira Ninguém quer mais todo mundo saindo fora dele a turma aceita o cheiro do Poder e abandonou o velho Corrupto
a par de carro veio agora com a revelação da Veja em equivocar diz que deu também milhões de reais pro filme do Lula só que foi por fora em dinheiro vivo em esquema secreto e ele afirma que pro Flavio foi legal ele pediu patrocínio
Chupa que é de uva !
bye bye Lula ladrão

Anônimo disse...

Revelação do banqueiro Vorcaro para Veja