sábado, 10 de outubro de 2026

Esquema bolsonarista define eleição no Rio, por Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

Douglas Ruas nem precisava de canetada do TSE e confusão armada por Garotinho

Impactado por votos na Baixada Fluminense, pleito virou um negócio de família

No Rio de Janeiro, a política é um negócio de família. O método genealógico –uma tradição na história brasileira, basta lembrar dos Andradas de Minas Gerais, que atuam desde antes da declaração de independência do país –domina as relações de poder na atual sociedade fluminense, aí incluídas as igrejas evangélicas e as milícias.

A partir de 2018 o clã Bolsonaro –em torno do qual gravitam os clãs menores– instalou no estado uma espécie de novo chaguismo, sistema baseado no uso da máquina e no desvio de dinheiro dos cofres públicos para a compra de votos e a obtenção de imbatível vantagem eleitoral.

Depois de Wilson Witzel e de Cláudio Castro, ambos marcados por denúncias de corrupção, a bola da vez para assumir o governo é Douglas Ruas, filho do PM reformado Capitão Nelson, que desde 2021 é prefeito de São Gonçalo, segundo maior colégio eleitoral do estado. Nelson é suspeito de ter comandado um "carro da linguiça", expressão usada no Rio para se referir a veículos clandestinos a serviço de grupos de extermínio que agem em áreas periféricas.

Quatro vezes prefeito da capital, Eduardo Paes, em seu sonho de se tornar governador, tentou neutralizar o esquema bolsonarista nos municípios da Baixada Fluminense –um retrato sem filtro do Rio de Janeiro, com imóveis de alto padrão, onde vivem empresários e caciques eleitorais, a poucos metros de barracos ocupados por famílias sem a sorte e a esperteza de ter entrado para a política ou arranjado os contatos certos.

Paes fez um acordo com o dono de Duque de Caxias. Para vice na chapa, indicou Jane Reis, irmã de Washington Reis, ex-secretário de Castro e o homem que conseguiu o certificado de vacina falso para Bolsonaro. Reis elegeu os dois irmãos, Rosenverg e Gutemberg —o primeiro para a Alerj (Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro) e o segundo para a Câmara dos Deputados—, mas deu um perdido no aliado. Douglas Ruas teve 50% dos votos válidos em Caxias. Na vizinha Nova Iguaçu, domínio da família Canella, quase 60%.

Para vencer, Ruas não precisava da canetada do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) nem da confusão armada de propósito pelo velho Garotinho.

 

2 comentários:

Anônimo disse...

A FAMILÍCIA Bolsonaro se fortalece nos seus domínios. Mesmo exportando os filhos zeros que valem menos que isto.

Anônimo disse...

E o Lula que interviu no pt do RJ para apoiar o garotinho, e o Lula que fez a intervenção na saúde do tio do para acabar com o Cesar mais, e o Lula que apoiou o Cabral incondivionalmente, a Dilma que nomeou o filho do picianeinistro, e o Lula ao invés de apoiar o Gabeira para a prefeitura apoiou o pães, e a demora do TSE e caçar o castro e a intervenção indevida do STF nomeando um governador interino esse ano. Luiz roberto