O Globo
Bolsonarismo se valeu da ideia de perseguição
política e cresceu na condição de vítima
Aconteceu. Independentemente do resultado do
segundo turno, o grande fato político é a vitória da direita no Senado, que,
desde já, anuncia um ano de crises institucionais com o STF.
Aconteceu, e não creio que se possam culpar
apenas os erros de campanha. A performance do governo teve peso. A frente que
venceu em 2022 não foi capaz de crescer após as eleições, não soube se expandir
para setores ainda não conquistados.
Escrevi alguns artigos mencionando minhas dúvidas aqui e ali. Mas às vezes as críticas são muito mal recebidas, e o velho argumento de que criticar é favorecer o adversário continua sendo dominante.
Para começar, acho que o tratamento judicial
dado aos presos do 8 de Janeiro foi rigoroso demais. As sentenças foram muito
longas, não houve avaliação individual de culpa.
O bolsonarismo se valeu da ideia de
perseguição política e cresceu na condição de vítima. Creio que, em Santa
Catarina, num desses discursos de campanha, Lula
afirmou ser candidato para manter Bolsonaro na cadeia.
Esses discursos inflamados animam a
militância, mas não trazem crescimento na sociedade. Identificar-se tão
completamente com as decisões do Supremo não era um bom caminho, mesmo porque,
adiante, o STF cairia em desgraça com o caso Master e se transformaria em vilão
nacional.
Não pretendo me fixar nesse ponto, mas
política de frente é algo distinto do que foi desenvolvido no Brasil. Frente
significa trabalho comum e formulação comum. O PT
tem uma indiscutível propensão hegemônica. Agrega, distribui cargos, mas quer o
monopólio nas questões essenciais, como política externa.
Houve erros de interpretação dos ventos de
direita que sopram no mundo. É difícil entendê-los, porque em cada país sopram
de um jeito especial. No meu entender, a corrupção tem papel no Brasil. Mas é
desconcertante para essa interpretação ver a vitória parcial de Flávio
Bolsonaro. Ele tem os mesmos problemas de um político convencional,
enriquecendo silenciosamente ao longo de seus mandatos.
O vento que soprou no Senado, de certa forma,
atinge a Câmara. No caso específico do Rio de Janeiro, houve muitas baixas
entre deputados de esquerda, uma estranha lista dos mais votados e a derrota
parcial de quem parecia favorito, Eduardo Paes.
É difícil interpretar esse tsunami depois de
um longo fim de semana de trabalho. Precisaremos de mais tempo, flexibilidade e
abertura para entender melhor o que se passa no Brasil. Precisamos também de
mais tolerância no debate. Não dá para avançar quando se pune o exercício do
pensamento com agressões morais.
Detesto enfoques do tipo “bem que avisei”. No
meu caso, avisei muito timidamente. Poderia ter feito mais, porque minha vida
também estava em jogo. Dediquei anos à legislação ambiental, e ela será a
primeira vítima.
Diziam no passado que a esquerda só se une na
prisão. Ela tem uma excelente oportunidade de se unir nessa derrota parcial. Os
anos que virão, com um Congresso dominado, serão difíceis. Deveríamos superar a
arrogância, a lacração e nos tratarmos com a fraternidade dos outros tempos.
Sabemos menos que pensamos, podemos menos que imaginamos, não sei mais o que
falta para nos aplicarmos uma boa dose de humildade.

Um comentário:
A humildade é a última coisa que os esquerdistas e o PT podem ser chamados
Como todo partido esquerdista são autoritários e arrogantes o povo cansou , implantaram uma ditadura perseguiram , prenderam calaram a oposição , temos mais de 400 pessoas exiladas em outros países, instauraram uma ditadura da toga com apoio do Lula e principalmente da mídia conservadora , sem elas
seria impossível o ST F e o Lula implantar esse sistema de exceção que estamos vivendo
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