sábado, 3 de outubro de 2026

Faria Lima sabe que as contas de Flávio não fecham, por Adriana Fernandes

Folha de S. Paulo

Mercado e alguns setores do empresariado acreditam que senador fará um ajuste rigoroso e duradouro nas contas públicas

Mas nada do que ele disse ou fez até aqui legitima esta expectativa

Flávio Bolsonaro agrada à Faria Lima porque o mercado e alguns setores do empresariado acreditam que o senador fará um ajuste rigoroso e duradouro nas contas públicas caso eleito.

Mas nada do que Flávio disse ou fez até aqui legitima essa expectativa.

No Senado, foi um parlamentar ausente nos grandes debates econômicos —sempre blindado pela base cativa do seu pai, Jair Bolsonaro, alinhada com as pautas conservadoras de costumes e de segurança pública.

Como presidenciável, vem nadando de braçada na onda geral da discussão rasteira das propostas econômicas, marca indelével desta eleição.

As propostas citadas pela sua equipe contam com clichês ultrapassados apresentados como solução, como o Orçamento de base zero, ou medidas que, na prática, não produzem um ajuste capaz de atender à promessa de corte de gastos de R$ 300 bilhões.

No pouco que falou, Flávio desdisse o que seus auxiliares haviam afirmado. Negou que mudaria a política de ganho real do salário mínimo ou que pretendesse desvinculá-lo da Previdência. Rejeitou fazer economia "em cima" de aposentados e da população de baixa renda.

Prometeu um "tesouraço" em cargos comissionados, redução da burocracia, corte de desperdícios, mantendo os gastos sociais. Adicionalmente, falou em reduzir carga de impostos. Argumentos que pegam bem na campanha para os desavisados.

A Faria Lima sabe que essa conta não fecha, mas prefere apostar no que disseram integrantes da equipe de campanha nas conversas reservadas.

Se Flávio seguir o pai, o prognóstico também não é dos melhores. Jair boicotou medidas fiscais, não se envolveu na reforma da Previdência, brigou por privilégios dos militares, deu calote nos precatórios, cedeu ao Congresso novos privilégios e mais subsídios e aceitou o Orçamento secreto. Afugentou investidores estrangeiros com a agenda antiambientalista.

O debate a que o candidato desistiu de comparecer seria importante para testar se ele está preparado para comandar a política econômica.

O mercado diz querer mudança porque já sabe o que esperar de Lula. Mas Flávio não explicou o que vai fazer de diferente. É um mistério.

 

Um comentário:

Anônimo disse...

Quanta torcida para ex-presidente mentiroso senil e corrupto é triste vergonhoso ver jornalistas inteligente apoiando esse cidadão desqualificado ladrão