sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Panorama Político - Ilimar Franco

No banco dos réus
A Secretaria Nacional do Consumidor do Ministério da Justiça decidiu autuar o Banco do Brasil, o Bradesco e o Itaú. A deliberação deve ser publicada hoje no Diário Oficial. Duas destas instituições serão multadas pelo envio de cartões para clientes ou futuros clientes sem autorização prévia destes. Uma delas por prática de propaganda enganosa. Os bancos podem recorrer da medida.

Andando em círculos
Os petistas relatam que a presidente Dilma está furiosa com o ministro Aloizio Mercadante (Educação). A razão, o prematuro recuo do estágio obrigatório de dois anos, no SUS, pelos médicos formados, que consta do Mais Médicos. A desistência foi antecipada pela coluna em 25 de julho. Parlamentares do PT estão atônitos com os recuos sistemáticos do governo em projetos e medidas. Além do que chamam de "barbeiragem" de Mercadante, citam os recuos nos temas Aids e transexuais, na Saúde, comandada pelo ministro Alexandre Padilha. A essas mancadas, soma-se a proposta da própria presidente Dilma de promover um plebiscito sobre reforma política.

"O PDT tem que sair do Ministério. Quando o partido vota a favor, dizem que é porque tem cargo. Quando vota contra, é porque quer mais" - Mito Teixeira - Deputado federal (PDT-RJ)

Um tiro no pé
Os petistas não poupam o ministro Alexandre Padilha (Saúde) na trapalhada de permitir aos jovens de 16 anos fazer tratamento de mudança de sexo. Eles temem que isso dê combustível para reabrir o debate da redução da maioridade penal.

Ciumeira
Os petistas da tendência majoritária, a CNB, estão incomodados com o peso, no governo, da Mensagem. Eles não se conformam com a presença do ministro Pepe Vargas na pasta do Desenvolvimento Agrário. Afirmam que o ministério tem muita capilaridade e citam o programa de distribuição de tratores para as prefeituras de todo o país.

Polêmica para conter a inflação
A redução de alíquotas de importação divide opiniões. O secretário Márcio Holland (Política Econômica) venceu. Mas há quem tema pelos setores (aço, químicos e bens de capital) que enfrentam concorrência dos importados.

Marina lidera em Brasília
A exemplo de 2010, quando fez 41,9% dos votos, Marina Silva lidera em Brasília, com 38,3%. A novidade da pesquisa do instituto O&P, com mil entrevistas, entre 25 e 28 de julho, é o terceiro lugar da presidente Dilma, com 17,1%. Ela fez 31,7% em 2010. O senador Aécio Neves está em segundo, com 18,3%. Em 2010, Serra fez 24,3% dos votos. Eduardo Campos tem o apoio de 4,1%.

Me deixem fora disso
Sobre rumores de que o ministro Aloizio Mercadante (Educação) estaria tramando para derrubar o ministro Guido Mantega (Fazenda), o vice Michel Temer liga para dizer: "O Mercadante jamais conversou comigo sobre a queda do Mantega."

Preservando as relações
Sobre a atual impopularidade do governador Sérgio Cabral, o presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), pede para registrar: "Tenho relações pessoais e antigas com o Cabral que independem de circunstâncias políticas."

"Realismo socialista".
Em informação publicada ontem, erramos na conjugação do verbo intervir. O certo é "interveio" e não "interviu".

Fonte: O Globo

Brasília-DF - Luiz Carlos Azedo

Firme, mas nem tanto
O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), reafirmou ontem que o vice-governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) será lançado candidato ao Palácio Guanabara. O governador ainda não sabe, porém, se será seu companheiro de chapa, concorrendo ao Senado, ou se permanecerá no posto.

Essa indecisão de Cabral não tem nada a ver com desânimo, por causa do desgaste que sofreu com as sucessivas manifestações de protesto que ainda ocorrem no Rio, inclusive, na rua onde mora, no Leblon. Em seus últimos pronunciamentos, marcados por autocríticas sobre o próprio comportamento, o governador fluminense tem demonstrado que pretende reagir à queda brutal que sofreu nas pesquisas — tem apenas 12% de aprovação (Ibope/CNI). E, para isso, está disposto ao debate político aberto e franco com os adversários.

Permanecer no cargo ou disputar a eleição para o Senado tem a ver com a estratégia que pretende adotar no próximo ano. A desincompatibilização significa entregar o comando do processo sucessório para Pezão, que assumiria o governo e concorreria à reeleição. Restaria a Cabral cuidar de sua eleição ao Senado, que já não será um passeio pela Avenida Rio Branco. Permanecer no cargo, trocando um possível mandato de oito anos pelo sereno da planície, seria administrar a própria sucessão, em pleno exercício do poder. Ou seja, a candidatura de Pezão subiu no telhado. Dependendo da situação, Cabral poderia até apoiar o senador Lindbergh Farias (PT-RJ) para manter a aliança do PMDB com a presidente Dilma Rousseff e com o PT.

Herdeiro
Quem farejou o perigo foi o presidente do PMDB fluminense, Jorge Picciani, que na quarta-feira havia anunciado a saída de Cabral do governo para abril do próximo ano. O principal argumento de Picciani é que a permanência no cargo, até a eleição, impede a candidatura do filho de Cabral, Marco Antônio, atual presidente nacional da Juventude do PMDB, à Câmara Federal. Picciani é aliado incondicional de Pezão e vive às turras com o senador Lindbergh Farias (PT).

O exemplo
Situação mais ou menos parecida com essa de Pezão, embora em um cenário eleitoral muito mais favorável, foi a sucessão do governador capixaba Paulo Hartung (PMDB). O vice Ricardo Ferraço (PMDB), hoje senador, era o candidato à sucessão escolhido desde a reeleição de PH. Na hora da onça beber água, para manter a aliança com o PT, Hartung resolveu apoiar o então senador Renato Casagrande (PSB), que foi eleito governador. Ferraço concorreu ao Senado, com o apoio de Hartung, e se elegeu.

Enxugamento
A propósito de Ricardo Ferraço (PMDB-ES), ele propôs, ontem, da tribuna, que seu partido coloque à disposição de Dilma Rousseff os cargos que ocupa no governo federal, deixando a presidente livre para empreender a redução do número de ministérios. O parlamentar observou que a medida foi defendida pelo presidente da Câmara de Política, Gestão, Desempenho e Competitividade da Presidência da República, empresário Jorge Gerdau.

Água fria
O presidente do PT, Rui Falcão, atuou como bombeiro, ontem, para evitar uma nova crise entre a legenda e o PMDB. Rebateu as afirmações do governador gaúcho, Tarso Genro (PT), de que a aliança com o PMDB “é mais problema do que solução”. A nota de Falcão reafirma a parceria governamental e a aliança eleitoral prioritária com o PMDB, bem como a disposição do partido em reeditar a chapa Dilma-Temer. Os peemedebistas gostaram muito.

Amazônia
A ministra da Cultura, Marta Suplicy, lança hoje os editais para a Região Norte. O programa Amazônia Cultural tem investimento no valor de R$ 5 milhões.

Agora vai
A ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, e o da Secretaria de Aviação Civil, Moreira Franco, entregaram ontem ao ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Aroldo Cedraz, os estudos de concessão dos aeroportos internacionais Tom Jobim/Galeão, no Rio de Janeiro, e o de Confins, em Belo Horizonte. O leilão está marcado para 30 de outubro.

Estupros// A presidente Dilma Rousseff sancionou, sem vetos, a lei que obriga os hospitais do Sistema Único de Saúde (SUS) a prestarem atendimento emergencial e multidisciplinar às vítimas de violência sexual.

Turismo/ Levantamento da Embratur mostrou que, durante a Jornada Mundial da Juventude, 30,6%, de 500 turistas estrangeiros pesquisados, consideraram os serviços de telefonia e acesso à internet ruins ou péssimos. Foi a pior avaliação. Surpreenderam as aprovações da sinalização no Rio de Janeiro (79,4% responderam ótimo e bom), dos aeroportos (76,5%) e da segurança pública (73,2%).

Desvios/ Durante a solenidade de entrega de 106 ônibus escolares ao governo do Distrito Federal, ontem, o líder do PT na Assembleia Distrital, deputado Chico Vigilante, propôs ao ministro da Educação, Aloizio Mercadante, que crie uma comissão para fiscalizar a aplicação dos recursos do Fundeb nos pequenos municípios. “É só chamar o juiz, o delegado, o padre e o pastor”, sugeriu.

Fonte: Correio Braziliense

Em busca de culpados - Rogério Furquim Werneck

O PT anda alvoroçado com as dificuldades da economia e a queda de popularidade da presidente Dilma Rousseff. Teme que o projeto de poder do partido esteja prestes a descarrilar e que os acontecimentos dos últimos dois meses sejam só o início, em câmara lenta, de um acidente ferroviário de grandes proporções. E está em busca de culpados. A quem culpar pelo possível malogro de um projeto de poder que, até há pouco tempo, parecia tão promissor?

Em desastres ferroviários de verdade, a atribuição de culpa tende a ser mais simples. No terrível acidente ocorrido na Espanha, na semana passada, não foi nem preciso investigação mais profunda. Numa curva em que o trem não deveria ter entrado a mais 80 km por hora, o maquinista se permitiu conduzir a composição a 190 km por hora. Mas, na análise que aqui se faz, o descarrilamento é só uma metáfora. Apontar culpados já não é tão simples.

A dedução fácil, com livre trânsito no PT, é a que a culpa é do governo Dilma. A narrativa um tanto superficial é que tudo vinha excepcionalmente bem até 2010, quando o PIB chegou a crescer nada menos que 7,5%. A partir daí, as coisas começaram a desandar. O novo governo acabou metendo os pés pelas mãos e não conseguiu manter o dinamismo da economia. O PIB cresceu apenas 2,7% em 2011 e míseros 0,9% em 2012. E, em 2013, talvez não cresça o suficiente para que a taxa média anual de crescimento do triênio 2011-2013 chegue a 2%.

Essa narrativa omite parte importante da história. Para começar, ao se permitir entrar na curva do ano eleitoral de 2010 com o PIB crescendo à irresponsável taxa de 7,5% ao ano, Lula legou um problema de estabilização espinhoso à sucessora. Problema que seria agravado, é verdade, pela fantasia do novo governo sobre a desaceleração do crescimento que se fazia necessária. O que se anunciava no início de 2011 é que a economia passaria a manter uma expansão "mais moderada" da ordem de 5 ou 6% ao ano.

Levaria algum tempo para que o novo governo percebesse que a economia estava restrita pela expansão da oferta. Mas é importante ter em conta que boa parte das dificuldades enfrentadas pelo governo Dilma, para deslanchar investimentos e tentar remover restrições ao crescimento pelo lado da oferta, decorreram de heranças do governo anterior.

A corrupção em órgãos como o Dnit, para a qual o governo vinha fazendo vista grossa em nome da coesão da base aliada, acabou fugindo ao controle e exigindo desmantelamento de boa parte da cadeia de comando que acionava os programas de investimento público. E a verdade é que, até hoje, apesar de todos os PACs, o governo não conseguiu fazer o investimento público deslanchar.

A exploração do pré-sal - a melhor oportunidade de investimento com que o País contava - ficou entravada por regulamentação impensada, que alijou investidores privados, acirrou inoportuna disputa federativa pela receita de royalties e sobrecarregou a Petrobras com exigências de investimento absurdas, num momento que a empresa já vinha sendo mal gerida e fragilizada pelo controle de preços.

Veio também do governo anterior a resistência a investimentos privados em infraestrutura, que pudessem sugerir contemporização com a ideia de privatização. Muito tempo foi perdido até que o novo governo se rendesse às evidências e, afinal, aceitasse licitar concessões para tentar dinamizar investimentos na área de transporte.

Não é verdade, portanto, que tudo vinha muito bem até 2010. Muitas das dificuldades que redundaram na crise atual provêm do governo anterior. E isso deveria atenuar a culpa que o PT tenta atribuir ao governo Dilma. Mas, é importante notar, em nada atenua a culpa que pode ser atribuída a Dilma Rousseff. Como esclareceu a presidente, na entrevista de 28/7 à "Folha de S.Paulo", ela e Lula são "indissociáveis". "Eu estou misturada com o governo dele total. Nós ficamos juntos todos os santos dias, do dia 21 de junho de 2005 [quando ela assumiu a Casa Civil] até ele sair do governo."

Não poderia ter sido mais clara.

Rogério Furquim Werneck é economista e professor da PUC-Rio

Fonte: O Globo

A seca, a desertificaçao e as palavras do papa - Washington Novaes

Parece surreal. No dia 27 último, a seção de Esportes deste jornal informava que a nadadora brasileira Poliana Okimoto - que ganhara no Mundial de Barcelona medalha de ouro na maratona aquática de dez quilômetros, além de medalha de prata nos cinco quilômetros e de bronze por equipes - substituiu em sua dieta vários alimentos (glúten, açúcar, feijão, abacate, fermento e chocolate) por tapioca, que lhe dá "energia redobrada". Dois dias antes o IBGE informara que a produção brasileira de mandioca (de onde vem a tapioca) este ano, 214 milhões de toneladas, está 84% menor que a do ano passado, quando já havia sido 24,5% menor que a de 2011. Nas lonjuras, o falecido pesquisador Paulo de Tarso Alvim deve estar balançando a cabeça, ele que afirmava, ironicamente, que "se mandioca fosse norte-americana o mundo estaria comendo tapioca flakes e mandioca puffs". Mas esse alimento, o mais adequado para solos brasileiros - não precisa de fertilizantes nem de agrotóxicos - vem perdendo progressivamente espaço para as culturas de grãos exportáveis, além de ter sido muito atingido no Nordeste por problemas climáticos.

E não é só na área da mandioca que estamos penando, no terreno dos alimentos, no Nordeste e fora dele. Estamos coma menor saíra de feijão em mais de uma década; importamos (feijão) mais de 3% do consumo interno; o consumo por pessoa baixou de 18,5 para 16 quilos anuais - e aí também pesam a substituição dos alimentos por culturas de exportação e a perda de espaços pela agricultura familiar, já que 10% das propriedades têm 85% do valor bruto da produção agrícola (Ipea, 7/6) e quase dez vezes mais participação que as pequenas nos R$ 122 bilhões do crédito, segundo os órgãos federais (23/7). Mas as pequenas é que respondem por 70% dos alimentos no consumo interno.

São muitas as aflições nessa área dos alimentos. O Ministério do Meio Ambiente (MMA), por exemplo, e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) estão concebendo (MMA, 26/7) um projeto-piloto de uso da terra no Semiárido, que em 2014 começará a ser executado em Sergipe, para ser replicado em outras áreas. O foco estará nos problemas de erosão e esgotamento de nutrientes no solo, que têm forte influência no avanço da desertificação e na produção de alimentos. Segundo o Instituto Nacional do Semiárido, do Ministério da Ciência e Tecnologia, só em 55,2 mil quilômetros quadrados problemáticos vivem 750 mil pessoas, apenas no Sertão do São Francisco (BA) e na região dos Cariris Velhos (PB). No Estado da Paraíba, nada menos de 54% do território sofre com o problema, agravado pela menor infiltração de água em solos compactados por métodos inadequados de cultivo.

Em Gilbués, no Piauí, outra área crítica, a desertificação é acentuada pela infiltração natural a grandes profundidades da água de chuva (pois ali chove 700 milímetros anuais, em média), favorecida pela estrutura geológica. O Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA) trabalha e m projetos nessa e em outras regiões. Além de Gilbués, mais três áreas são consideradas críticas: Irauçuba (CE), Seridó (RN e PB) e Cabrobó (PE). Ao todo, estão ali quase 400 mil pessoas. O Laboratório de Ana lise e Processamento de Ima gens de Satélites da Universidade Federal de Alagoas informa (O Globo, 9/7) que 230 mil quilômetros quadrados de terras foram atingidas "de forma grave" ou "muito grave".

Mas continuamos aferrados a velhas e falsas tentativas de solução - como a transposição de águas do Rio São Francisco - para esse tipo de problema e o de seca, como a que aflige hoje o Nordeste. E que, dizem os meteorologistas, se pode estender até 2015. Segundo o Comitê da Bacia desse rio, "falta planejamento ao governo federal sobre a expansão desordenada da agricultura".

O próprio secretário-geral da ONU, Ban Kimoon, lembrou no Dia Mundial da Desertificação (Rádio ONU, 18/6) que "os custos políticos sociais e econômicos dos problemas gerados pela seca são evidentes, do Usbequistão ao Brasn, da região do Sahel, na África, à Austrália (...). O mundo não pode deixar o futuro secar". E enfatizou ainda que 14% da população global sofre, por essa causa, de insegurança alimentar. Mas não apenas nessas regiões. No ano passado os Estados Unidos tiveram a pior seca em 50 anos; o Chifre da África também, afetando 13 milhões de pessoas. E por aí se entra no terreno das mudanças climáticas, que aceleram a degradação de terras e a desertificação, assim como os conflitos pelo uso da água.

Por aqui continuamos a fazer de conta que o problema da seca, que atingiu mais de 1.400 municípios do Semiárido, está superado, quando ainda prospera em boa parte deles o negócio de vender água levada por caminhões em tonéis, a R$ 5 por 250 litros. Enquanto isso, sobe o orçamento do projeto de transposição do São Francisco, essa "obra absurda", segundo João Suassuna, da Fundação Joaquim Nabuco; "um escândalo", nas palavras do professor João Abner, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. O primeiro complementa dizendo que a obra "beneficia o grande capital rural e industrial". O segundo acrescenta que "todas as grandes empreiteiras se beneficiam".

E continua longe do ideal o projeto de instalação de cisternas de placa em comunidades isoladas, que tem como objetivo 1,3 milhão de poços. Há poucos dias a Petrobrás anunciou um programa para 20 mil, em 210 municípios. Com os recursos da transposição já poderia haver cisternas construídas em todos os lugares necessitados.

Questões como essa precisam sempre trazer à mente palavras recentes como as do papa Francisco: nada se deve sobrepor aos problemas sociais; a prioridade absoluta é deles. Inclusive no Brasil, onde, pelos critérios da ONU, ainda temos dezenas de milhões de pessoas (boa parte delas no Semiárido) vivendo com renda abaixo da "linha da pobreza", cerca de R$ 100 mensais. Mesmo as que recebem Bolsa Família.

Jornalista

Fonte: O Estado de S. Paulo

História - O desafio continua

Por Murillo Camarotto

RECIFE - "Consideramos a ordem social nordestina subversiva, não porque, interessadamente, desejemos subvertê-la, mas porque ela mesma é um convite permanente à violência e à revolução." Completou 50 anos nesta semana o discurso ouvido por João Goulart em sua primeira reunião com os governadores do Nordeste, realizada no Recife em 29 de julho de 1963. A fala é parte de um documento batizado de Resposta ao Desafio do Nordeste, pelo qual os governadores reivindicavam ações dirigidas à redução das desigualdades regionais e alertavam o então presidente para o clima de instabilidade "em uma das regiões mais atrasadas do planeta".

A capital de Pernambuco era considerada o epicentro das crescentes manifestações de trabalhadores rurais nordestinos, que pediam reforma agrária e denunciavam a mazela social da região. O avanço das chamadas Ligas Camponesas, aliado à inclinação esquerdista de líderes como os governadores de Pernambuco, Miguel Arraes, e de Sergipe, Seixas Dória, alimentava especulações de uma iminente revolução socialista no Nordeste. Dois dias após o encontro de Jango com os governadores, um editorial de "O Estado de S. Paulo" cravava: "Abriu-se, de uma vez por todas, o ciclo revolucionário".

"Assentou-se, como lema de governo, que as desigualdades entre as regiões, entre as classes e entre os homens sejam definitivamente apagadas do solo brasileiro. Quer dizer: não se levarão mais em conta as desigualdades decorrentes das dessemelhanças do clima, das diversidades de solo e do grau de evolução social", dizia o texto, que tinha Arraes como alvo principal. Chamado de "chefe comunista do Nordeste", o pernambucano aproveitou a presença de Jango para organizar um grande ato no centro do Recife em defesa das reformas de base, em especial a reforma agrária.

Tema central do documento, a redução das desigualdades regionais está no DNA da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), cuja corpulenta sede, na zona norte da capital pernambucana, certamente consagra o termo "elefante branco". Idealizado pelo economista paraibano Celso Furtado, o órgão foi oficialmente criado em dezembro de 1959, em um momento em que Juscelino Kubitschek começava a perder apoio político na região. Seus "50 anos em 5" concentraram a indústria nacional no Sudeste, ampliando significativamente o abismo em relação a um Nordeste que ainda vivia os desdobramentos da devastadora seca de 1958.

Jango, por sua vez, viu na Sudene uma ferramenta útil para pôr em prática algumas reformas que pretendia, lembra Marcos Costa Lima, doutor em ciências sociais pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Pressionados pelas ruas, os políticos locais não tinham opção senão apoiar a superintendência, onde dispunham de uma fonte de investimentos que não dependia de suas duvidosas relações políticas com o Palácio do Planalto.

Em maio de 1962, a edição da revista "Dirigente Industrial", do grupo americano Visão, trazia um artigo em que empresários do Centro-Sul alegavam que investir no Nordeste era "um autêntico desafio". Isso explica a "resposta" dos governadores nordestinos, que foi elaborada pelo então governador do Rio Grande do Norte, Aluízio Alves, pai do atual presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB).

O longo documento foi subscrito, com algumas ressalvas, por todos os governadores presentes ao encontro com Jango, realizado na sede do Executivo pernambucano. Curiosamente, as principais demandas são muito próximas às dos atuais líderes políticos da região, como a revisão do pacto federativo, a renegociação das dívidas estaduais e investimentos estruturantes, entre outras. "O objetivo era alertar o presidente que o Nordeste existia", afirma Antonio Lomanto Neto, filho do ex-governador da Bahia Lomanto Júnior, único participante do encontro que está vivo.

Dizia o documento: "Nenhum governante estadual se sente bem em bater às portas das antessalas do Ministério da Fazenda. A União só pode cobrar disciplina fiscal a partir do momento em que ela fizer o mesmo. A tendência antifederativa que observamos, de a União incumbir-se diretamente das grandes ou pequenas obras que realiza nos Estados, está desfigurando o sentido do federalismo político que desejamos praticar".

Professora da UFPE, a economista Tânia Bacelar ingressou na Sudene em 1966, já sob os militares, e lá permaneceu durante toda a ditadura, só deixando o órgão em 1987. Ela não tem dúvidas em afirmar que a atual agenda do Nordeste é a mesma de meio século atrás. "Infraestrutura, mão de obra qualificada, pesquisa e desenvolvimento. Continuamos precisando das mesmas coisas", comentou a economista, ao ressaltar o perseverante hiato entre o Nordeste e as regiões mais ricas do país.

O dado mais recente do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), divulgado nesta semana, mostra que, apesar dos avanços, todos os Estados nordestinos seguem na faixa de IDH considerado baixo. Dos dez Estados com menor índice no país, sete estão no Nordeste. "O Brasil mudou muito. Aqui [Nordeste] melhorou, mas ainda está muito aquém do Sudeste. Não perdemos espaço, mas avançamos pouco. Continua quase tão aquém quanto meio século atrás, apesar de estarmos todos em outro patamar", observa Tânia.

O Nordeste abriga hoje cerca de 28% da população do país, mas seu Produto Interno Bruto (PIB) oscila há mais de uma década na faixa dos 13% de participação no bolo nacional. A renda do nordestino representa hoje 55% do que se tem no Sudeste.

O professor Lima, da UFPE, também vê a mesma agenda de meio século atrás: "O efeito mais grave é que, depois de 50 anos, com todos os projetos que a Sudene apoiou, não foi suficiente para reduzir efetivamente a pobreza. Houve alguns momentos em que o Nordeste cresceu mais que o Brasil, mas o atraso era tamanho que não permitiu que tivesse padrão de vida semelhante a de outras regiões".

A seu ver, a educação avançou pouco na região, apesar da importante expansão do ensino superior. "As universidades avançaram, mas são para a elite", afirma o professor. "Quando você anda pelo interior do Nordeste, você anda contra o tempo. A população vive com precariedade, as escolas são distantes. Até pouco tempo atrás, vivia-se em algumas regiões de forma quase amonetária. O desafio do Nordeste continua."

O fortalecimento do mercado interno também estava entre os pleitos dos governadores em 1963. Isso só ocorreu, segundo Tânia, nos últimos dez anos, com a expansão do programa Bolsa Família, os reajustes do salário mínimo e a aposentadoria rural. Ainda assim, a "injeção de recursos na veia", como ela gosta de definir, não foi suficiente para tornar mais competitiva a economia nordestina, como alertava, 50 anos atrás, a Resposta ao Desafio do Nordeste. No documento, os governadores pediam "investimentos econômicos e não puramente sociais; investimentos de caráter permanente e não assistencial".

A atração dos projetos estruturantes continua sendo o principal obstáculo. Uma vez esgotada a capacidade de o país crescer baseado no consumo interno, o investimento surge como principal mola propulsora. No modelo de concessões escolhido pelo governo federal, a situação do Nordeste é preocupante, segundo a economista da UFPE. "Na concessão, o critério é a taxa de retorno. Quando você calcula, não dá para fazer no Nordeste. Ou tem um tratamento diferenciado para concessões e PPP na região ou o empresário vai fazer onde tem maior retorno. Ele faz a conta e vai lá para baixo [Sudeste]", explica Tânia.

No afã de atrair capitais produtivos, os governadores nordestinos demonstravam receio com a percepção que se tinha da região no início da década de 1960. "Repudiamos as imagens falsas que se projetam em outras partes do Brasil sobre Nordeste estagnado e conformado; do Nordeste pré-revolucionário, prestes a converter-se em nova experiência cubana, assolado por guerrilhas de formação comunista" dizia o documento entregue a Jango.

Túlio Velho Barreto, cientista político da Fundação Joaquim Nabuco, afirma que a imagem de "Nordeste vermelho" tinha fundamento. "Os Estados Unidos tinham receio grande de o Nordeste se tornar algo parecido com Cuba. Percebiam que, na grande extensão territorial do Brasil, o Nordeste era o que mais se aproximava de Cuba, por conta da pobreza, do acirramento das lutas camponesas e até da economia baseada no açúcar", registra o estudioso.

Filho do semiárido, Celso Furtado acreditava que a estrutura fundiária era uma das principais causadoras da mazela nordestina. Apesar de não tratar especificamente do tema, o caráter da Sudene comandada por ele cedia espaço para a reforma agrária, ao incentivar, por exemplo, a produção de alimentos em áreas dominadas pela cana-de-açúcar. Em uma entrevista concedida em 1998, Furtado disse que a reforma agrária foi uma de suas grandes frustrações.

Em meio às tensões no campo, o economista chegou a dizer que, fosse o Nordeste um país autônomo, já teria explodido a revolução. "O Nordeste sofre de ter a vantagem e a desvantagem de ser parte do Brasil. Tem a vantagem porque o Brasil, afinal, tem meios de ajuda; mas isso é uma desvantagem, pois dificulta a sua evolução social. Se fosse um país, já tinha estourado, como estourou a Bolívia", disse ele, em entrevista à economista Maria da Conceição Tavares, ao historiador Manuel Correia de Andrade e ao jornalista Raimundo Rodrigues Pereira.

Tânia Bacelar lembra que, na época da criação da Sudene, houve quem dissesse que o órgão fora pensado como uma espécie de agente tranquilizador de movimentos revolucionários na região. Com o "risco comunista" no passado, a imagem distorcida continua sendo um problema para o Nordeste. Segundo ela, a região ainda padece de uma percepção externa de miséria e atraso.

Tânia argumenta: "A imagem do nosso potencial é muito difícil de passar no Sudeste. Isso prejudica o desenvolvimento de nossas potencialidades. A ordem social, sim, é mais tranquila, pois as políticas públicas servem como um colchão de amortecimento. Uma coisa é sair de casa sem saber o que seus filhos vão comer. A outra é saber que a feira da semana está garantida".

Há 50 anos, pai de Alves pedia reforma

"Pressionados por manifestações populares, líderes políticos recorrem à reforma política como forma de acalmar os ânimos." "Congresso Nacional sofre de ineficiência e falta de credibilidade." "Proliferação de partidos, coligações heterodoxas e muito dinheiro nas eleições." O enredo soa atualíssimo, mas foi descrito em julho de 1963 pelo então governador do Rio Grande do Norte, Aluízio Alves, ao presidente João Goulart. Meio século depois, o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB), filho de Aluízio, está (ou deveria estar) debruçado sobre a mesma questão.

Há 50 anos, o governador potiguar, responsável pela elaboração da Resposta ao Desafio do Nordeste, disse a Jango que as reivindicações populares deveriam ser atendidas para que a classe política comprovasse a existência da democracia. "O povo não poderá ser ensinado a amar a democracia representativa, a estimá-la como instrumento desejável de governo, se ao mesmo tempo em que é alfabetizado, aprende o quanto de falso existe sobre [sic] o rótulo", disse ele, chancelado pelos colegas nordestinos.

Reivindicações populares deveriam ser atendidas para que se comprovasse a existência da democracia, disse o então governador

Atualmente, as questões são praticamente as mesmas. Ao Valor o presidente da Câmara informou que a comissão montada na Casa deve apresentar até outubro os temas a ser votados no plenário. Primeiro, serão apreciadas a coincidência de eleições e o fim das coligações proporcionais. Ao fim, os assuntos mais polêmicos, como o sistema de votação e o financiamento das campanhas. As decisões dos parlamentares serão submetidas a um referendo em 2014 e os resultados valerão para as eleições de 2016 ou 2018. "A repetição dos pleitos, cada vez mais frequentes por conta da incidência de mandatos, e a proliferação dos partidos, cada vez mais enfraquecidos pela falta de disciplina e pela babel de coligações, tornam difícil, senão impossível, todo governo estável, coerente e construtivo." A declaração serviria perfeitamente para o filho, mas foi feita pelo pai, em 1963.

Apresentado à ironia da situação, Henrique Alves diz que a reforma defendida por seu pai visava acabar com o voto de cabresto e a atual pretende reduzir a influência do poder econômico sobre as eleições: "Hoje não existe mais o medo, mas sim o encarecimento das campanhas, que é outro tipo de escravidão".

O cientista político Túlio Velho Barreto pontua algumas diferenças temporais. "Com reforma política, seja naquela época ou agora, se aposta no aperfeiçoamento do arranjo institucional. O contexto que se vivia era de intensas lutas sociais, com forças políticas de esquerda atuando não apenas para aperfeiçoar a democracia, mas para acumular forças para uma revolução social", explica.

Barreto lembra que a questão sempre vem à tona, pois os atores são incapazes de aperfeiçoar as instituições. "Aí sempre se coloca essa necessidade de reformar, como se fosse a panaceia para todos os problemas do país", diz. "Os arranjos institucionais são importantes, pois criam constrangimentos que podem mudar comportamentos. Mas, se a cultura política não muda, fica difícil."

Fonte: EU & FIM DE SEMANA / Valor Econômico

O que pensa a mídia - editoriais de alguns dos principais jornais

http://www2.pps.org.br/2005/index.asp?opcao=editoriais

Cinema Paradiso - Yo-Yo Ma e Chris Botti

Imagens do Nordeste - Joaquim Cardozo

Sobre o capim orvalhado
Por baixo das mangabeiras
Há rastros de luz macia:
Por aqui passaram luas,
Pousaram aves bravias.

Idílio de amor perdido,
Encanto de moça nua
Na água triste da camboa;
Em junhos do meu Nordeste
Fantasma que me povoa.

Asa e flor do azul profundo,
Primazia do mar alto,
Vela branca predileta;
Na transparência do dia
És a flâmula discreta.

És a lâmina ligeira
Cortando a lã dos cordeiros,
Ferindo os ramos dourados;
– Chama intrépida e minguante
nos ares maravilhados.

E enquanto o sol vai descendo
O vento recolhe as nuvens
E o vento desfaz a lã;
Vela branca desvairada,
Mariposa da manhã.

Velho calor de Dezembro,
Chuva das águas primeiras
Feliz batendo nas telhas;
Verão de frutas maduras,
Verão de mangas vermelhas.

A minha casa amarela
Tinha seis janelas verdes
Do lado do sol nascente;
Janelas sobre a esperança
Paisagem, profundamente.

Abri as leves comportas
E as águas duras fundiram;
Num sopro de maresia
Viveiros se derramaram
Em noites de pescaria.

Camarupim, Mamanguape,
Persinunga, Pirapama,
Serinhaém, Jaboatão;
Cruzando barras de rios
Me perdi na solidão.

Me afastei sobre a planície
Das várzeas crepusculares;
Vi nuvens em torvelinho,
Estrelas de encruzilhadas
Nos rumos do meu caminho.

............................................................

Salinas de Santo Amaro,
Ondas de terra salgada,
Revoltas, na escuridão,
De silêncio e de naufrágio
Cobrindo a tantos no chão.

Terra crescida, plantada
De muita recordação.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

OPINIÃO DO DIA – Alberto Goldman: a voz das ruas

“Se tivermos mais de um pré-candidato à Presidência, existirão dois caminhos: esperar a convenção de junho de 2014 ou fazer prévias e antecipar, o que seria mais conveniente. Isso mostraria que o PSDB está sintonizado com a voz das ruas e sabe escutar a base”

Alberto Goldman, ex-governador, vice-presidente nacional do PSDB. In “Prévias no PSDB voltam a assombrar Aécio Neves”, O Tempo (MG), 1/8/2013

Mensalão: julgamento será retomado dia 14

Supremo começará a analisar recursos dos condenados; não há previsão para término

BRASÍLIA - O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e relator do processo do mensalão, ministro Joaquim Barbosa, anunciou que o julgamento dos recursos dos 25 réus condenados vai começar no próximo dia 14. O aviso foi publicado ontem na página do STF na internet. Barbosa enviou ofício aos chefes de gabinete dos outros dez ministros com a informação. Não há previsão de quando essa nova fase do julgamento termina. No entanto, Barbosa já demonstrou a intenção de impor rapidez à análise do recurso, para não adiar mais o cumprimento das penas.

A intenção de Barbosa era marcar a data na sessão de hoje, a primeira do semestre após o recesso forense. Mas ele está de repouso, devido a tratamento médico ao qual se submete para o problema crônico nos quadris. Até ontem à noite, o STF não havia confirmado se Barbosa irá hoje ao plenário.

Barbosa vai propor aos colegas que seja realizada uma sessão extra por semana, até a conclusão do caso. As sessões seriam nas segundas, quartas e quintas-feiras, a exemplo do ano passado, quando o processo foi julgado. Dos 37 réus no processo, 25 foram condenados. Desses, todos recorreram ao STF. As penas só podem ser executadas quando houver trânsito em julgado, sem possibilidade de mais recursos.

O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, só poderá participar dos dois primeiros dias de julgamento, porque seu mandato termina dia 15. A presidente Dilma Rousseff ainda não anunciou quem lhe sucederá.

Fonte: O Globo

Para PT, governo Dilma precisa de correção de rumo na política

Diretório nacional do partido afirma que país permanece "injusto e desigual"

SÃO PAULO - A direção nacional do PT defende que tanto o partido quanto o governo Dilma Rousseff façam "retificações na linha política" para atender aos apelos das manifestações que tomaram conta das ruas do país em junho. O documento oficial com as resoluções do diretório nacional da legenda, divulgado ontem, admite ainda que o Brasil "permanece injusto e desigual".

O texto pontua que os partidos aliados ao governo federal são conservadores, mas deixou de fora os trechos mais críticos, propostos por alas do PT que querem a revisão da política de alianças e da política econômica. Na mira de um segmento de dirigentes está o PMDB, cuja relação com o governo e os petistas tem ficado cada vez mais tensa e delicada.

Segundo o presidente nacional do PT, Rui Falcão, as críticas dirigidas ao PMDB não foram incorporadas porque não apontavam a direção para eventuais mudanças. Dirigentes ouvidos pelo GLOBO afirmaram que o documento foi "suavizado".

Insistência no plebiscito para 2014

De acordo com o documento de 12 páginas, que foi objeto de discussão em duas reuniões do diretório nacional, "a condução de uma nova etapa do projeto popular exige retificações na linha política do PT e do governo, que se reflitam na atualização do programa e na consolidação de estratégia que expresse a radicalização da democracia".

Para os dirigentes do PT, "as manifestações (de junho) são consequência combinada dos êxitos e dos limites das mudanças realizadas no Brasil ao longo dos últimos 10 anos". No entanto, o partido admite que o Brasil "permanece um país injusto e desigual, e que vários direitos constitucionais inexistem na prática, na qualidade e na universalidade".

Os petistas reafirmam apoio à proposta da presidente Dilma Rousseff de fazer um plebiscito para a reforma política, determinando que o partido deve se empenhar em uma campanha para que o plebiscito ocorra e tenha validade ainda nas eleições de 2014, apesar de o próprio Congresso Nacional já ter descartado essa possibilidade. Para acelerar a realização do plebiscito, o PT propõe mobilizações pelas redes sociais, consultas e petições on-line.

O documento também traz críticas à mídia e pede a regulação do setor. Para os petistas, a imprensa mudou sua posição durante os protestos de junho, que tinham como foco a crítica ao transporte público. "A mídia conservadora, que no primeiro momento atacou a luta do MPL (Movimento Passe Livre), passou a divulgar e incentivar a participação, visualizando uma oportunidade de dirigir as insatisfações contra o PT e o governo Dilma. Depois, quando setores pautaram a democratização dos meios de comunicação, retraiu o entusiasmo, mas prosseguiu na disputa sobre a versão do ocorrido".

O PT afirma também que as manifestações causaram "perplexidade no mundo político e institucional" e transformaram o cenário político, com um "novo tipo de mobilização, convocada fora das formas e de atores políticos e sindicais dos últimos 30 anos". Com isso, o partido sentiu-se "desafiado a reformular sua análise e propor novos desafios à nação".

"Cabe ao PT propor um novo pacto político, programático, democrático e popular, capaz de unificar os partidos da base que dialoguem com essa nova conjuntura e movimentos sociais, inclusive os novos modos de organização, debate e mobilização", sublinha o documento.

Fonte: O Globo

Portas do gabinete presidencial se abrem após protestos

Após as manifestações que tomaram as ruas do País em junho, a presidente Dilma Rousseff mudou seu estilo de governar, abriu as portas do Palácio do Planalto e recebeu, em um mês, de integrantes do Movimento Nacional de Gatadores de Materiais Recicláveis até o presidente da Confederação Nacional de Municípios (CNM). Foram sucessivas agendas, incluindo visitas rotineiras dr políticos, um hábito que a presidente não cultivava.

Com a mudança de comportamento, Dilma recebeu no Planalto, pela primeira vez, grupos indígenas e o presidente da entidade que representa os prefeitos, Paulo Ziulkoski.

Responsável pela convocação dos protestos contra o aumento da tarifas dos transportes, o Movimento Passe Livre (MPL) foi o primeiro a se reunir com a presidente, em 24 de junho. O encontro com o MPL ocorreu pouco antes da reunião emergencial que Dilma convoção com os 27 governadores e prefeitos de capitais, como forma de dar uma resposta às manifestações e de construir uma agenda positiva.

Na manhã de 25 de junho, um dia após propor uma Assembleia Constituinte específica para votar a reforma política, a presidente recebeu o presidente.da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Marcus Vinícius Furtado Coelho, que disse ter apresentado a ela um projeto de reforma que mexia em "pontos cruciais", sem necessidade de reformar a Constituição.

Dilma abriu o gabinete,a movimentos jovens para debater o plebiscito e a reforma política. A presidente também aproveitou o momento para se aproximar das centrais sindicais e de empresários. Também tiveram espaço na agenda da presidente representantes do movimento LGBT, evangélicos, sem-terra e lideres do movimento negro.

Fonte: O Estado de S. Paulo

Rede de Marina se queixa ao TRE contra cartórios

Isadora Perón

Preocupados com o risco de ficar fora da corrida eleitoral de 2914, coordenadores da Rede Sustentabilidade se encontraram ontem com o presidente do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo, Alceu Penteado Navarro, para relatar dificuldades que têm enfrentado nos cartórios eleitorais para validar as assinaturas necessárias para a criação do novo partido.

A Rede, que tem entre as suas principais lideranças a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva, provável candidata ao Palácio do Planalto, tem até início de outubro para conseguir o registro no Tribunal Superior Eleitoral e, assim, se cacifar juridicamente para a disputa do ano que vem.

Para criar um novo partido, a Justiça Eleitoral exige que cerca de 500 mil assinaturas de apoio sejam reconhecidas pelos cartórios, mas até agora a Rede conseguiu apenas 150 mil.

Durante a reunião na sede do TRE paulista, o grupo pediu para ter acesso ao motivo pelo qual as fichas enviadas não estão sendo aceitas pelos cartórios, para que possam recorrer da decisão. Hoje, segundo a coordenadora de coleta de assinaturas da Rede, a advogada Marcela Moraes, eles só são notificados do número de assinaturas que não passou pelo crivo dos cartórios.

Marcela contou ainda que as maiores dificuldades ocorrem em São Paulo e no Distrito Federal, onde cerca de 30% das ficham têm sido rejeitadas. Na semana passada, a Rede já havia emitido uma nota em que cobrava agilidade da Justiça Eleitoral no processo.

Normalidade. Segundo a assessoria do órgão, a invalidação de assinaturas é uma situação normal no processo de criação de um novo partido. O presidente do TRE, no entanto, se comprometeu a analisar o caso e, se for necessário, enviará um ofício circular para reforçar os procedimentos que os cartórios devem adotar nesses casos.

Quando uma ficha de apoio chega a um cartório, cabe ao órgão verificar a autenticidade da assinatura. Se a rubrica não coincidir com a do canhoto da última eleição ou com a de outros documentos disponíveis, elas são automaticamente rejeitadas, para evitar fraudes.

Também participaram da reunião da Rede com o tribunal o deputado Walter Feldman (PSDB) e o vereador de São Paulo Ricardo Young (PPS), que vão deixar seus atuais partidos para entrar na nova sigla.

Fonte: O Estado de S. Paulo

Serra se une a médicos contra governo Dilma

Pedro Venceslau

No momento em que articula seu futuro político dentro ou fora do PSDB, o ex-governador José Serra se aliou à classe médica para reforçar a artilharia contra a presidente Dilma Rousseff.

Depois de uma reunião ontem em São Paulo com dirigentes da Associação Médica Brasileira (AMB), ele assinou um projeto de lei complementar de iniciativa popular da entidade que estabelece a destinação de 10% da receita corrente bruta da União para a saúde federal. Hoje, a vinculação corresponde ao valor do exercício anterior mais 1 correção nominal do PIB.

Convidado pelos médicos, Serra, que é ex-ministro da Saúde, prometeu ir na semana que vem ao Congresso participar da solenidade de entrega das assinaturas. A entidade diz que já recolheu dois milhões de rubricas, 500 mil a mais que o exigido para que projeto tramite na Câmara. Enquanto Serra e os dirigentes médicos criticavam Dilma, uma manifestação de médicos bloqueava uma das pistas da avenida Paulista. "Não é possível que o setor da saúde seja objeto de troca-troca político para a obtenção de benefícios", disse o ex-governador. Ele classificou como "abominável" a tentativa do governo de "satanizar" a classe médica e disparou contra o ministro da Educação, Aloizio Mercadante. aO ministro da Educação devia cuidar da educação, coisa que não está fazendo."

O discurso pró-médicos vem sendo repetido nas últimas semanas pelo tucano. Ontem, Serra também disse que a Funasa (Fundação Nacional de Saúde) e a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) foram degradadas na última década.

Quando questionado se deixará o PSDB, ele apenas sorriu. Sobre realização de prévias para definir o candidato do partido à Presidência, disse que é muito cedo para tratar do assunto. Na próxima segunda-feira, o tucano se reunirá com o deputado Duarte Nogueira, presidente do PSDB de São Paulo, para discutir seu futuro político. No dia seguinte, todos os presidentes estaduais do PSDB se reunião com Aécio Neves.

Fonte: O Estado de S. Paulo

PSDB paulista divulga agenda de Serra em ato médico

Por Fernando Taquari

SÃO PAULO - O ex-governador José Serra (PSDB) aos poucos deixa para trás o período de submersão a que se submeteu depois da derrota na eleição para Prefeitura de São Paulo em 2012. A maior exposição do tucano coincide com o aumento das especulações em torno do seu nome para a disputa pela Presidência em 2014. Ontem, o PSDB-SP chamou a imprensa para acompanhar sua visita à Associação Médica Brasileira (AMB), onde aderiu à campanha "Saúde Mais 10", que coleta assinaturas para proposta de iniciativa popular que obriga a União a vincular 10% da receita federal bruta com a saúde. O montante representará um acréscimo de até R$ 30 bilhões para o setor, conforme a entidade.

De acordo com a AMB, duas mil assinaturas já foram coletadas. A proposta será encaminhada ao Congresso na semana que vem e o tucano se colocou à disposição para defender o documento junto a parlamentares. A iniciativa mostra o interesse de Serra em manter-se em evidencia no momento em que crescem os rumores sobre suas movimentações para concorrer em 2014, pelo PSDB ou outro partido. Na AMB, no entanto, o ex-governador evitou responder perguntas sobre política partidária e eleitoral.

Ex-ministro da Saúde, Serra não poupou o governo federal de críticas. De acordo com o tucano, o governo Dilma Rousseff reagiu de forma midiática ao apresentar o programa Mais Médicos. "Criaram uma cortina de fumaça. Querem satanizar os médicos e responsabilizá-los pelo caos na saúde", disse, ressaltando que o problema da falta de profissionais está relacionado com a má distribuição regional.

O tucano também acusou o governo de terceirizar a Estados e municípios atribuições da União. Como exemplo, lembrou que, em 2002, na administração de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), o governo federal arcava com 53% das despesas totais da saúde. Hoje, segundo Serra, o montante recuou para 44%. "A saúde precisa de mais recursos federais". Além disso, acusou Dilma de lotear órgãos como a Anvisa e a Funasa. "Instituições públicas não podem ser objeto de troca-troca".

Nesta semana, o tucano viu reduzir suas possibilidades de concorrer à Presidência com o fim das negociações entre PMN e PPS para criar o MD. A fusão abriria uma brecha para parlamentares migrarem para a nova sigla. Com uma bancada mais robusta, teria melhores condições de disputar, já que o tempo de televisão entre os candidatos e distribuído com base na bancada da Câmara.

Fonte: Valor Econômico

PSDB quer Serra na disputa pelo Senado

Partido questionará o ex-presidenciável tucano sobre o plano pessoal para 2014. Se decidir continuar na legenda, ideia é convencê-lo a disputar algum cargo no Congresso

Baptista Chagas de Almeida, Paulo de Tarso Lyra

Tentar decifrar o enigma da esfinge José Serra. É essa a missão que terá, amanhã ou na segunda-feira, o vice-presidente nacional do PSDB, Duarte Nogueira (SP), em encontro com o ex-governador de São Paulo. A reunião deveria ter ocorrido na semana passada, mas, com a internação de Serra para fazer um cateterismo, foi adiada. Oficialmente, será apenas uma sondagem, não se falará em candidatura no ano que vem, até porque Serra continua tentando erguer o próprio palanque para a briga pelo Palácio do Planalto, com partidos como o PPS, o PSD e o PTB.

Oficialmente, o encontro entre os dois caciques tucanos não é confirmado, mas a reunião tem o aval até do deputado estadual paulista Andrea Matarazzo (PSDB), talvez o político mais próximo de Serra. O partido não falará em cargos para o ex-governador e ex-ministro da Saúde disputar, mas deixará a porta aberta para a vaga no Senado — no ano que vem, a disputa em São Paulo terá apenas uma cadeira.

Ter o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) como adversário, no entanto, é tarefa complicada, devido à popularidade que o parlamentar petista tem perante os eleitores. Por isso, a torcida no PSDB é que Serra opte — o que ele próprio vem descartando — por se candidatar a um assento na Câmara dos Deputados. A provável boa votação que teria serviria para aumentar a bancada paulista na Casa, razão de muitos torcerem para que ele aceite a missão.

Permanência
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) aposta todas as fichas na permanência de Serra no PSDB. Taxativo, FHC alega que o colega não conseguiria levar um único vereador para o partido que optasse para disputar a Presidência da República, e que não teria mais o apoio de nem a metade da bancada de São Paulo no Congresso. Rigoroso, Fernando Henrique prevê que Serra teria um fim melancólico para a carreira disputando o Palácio do Planalto pelo PPS. Não é à toa que o presidente da legenda socialista, deputado Roberto Freire (PE), tem-se mostrado, em conversas com aliados nos últimos dias, desanimado com essa possibilidade.

Na semana passada, quem teve uma longa conversa com Serra foi o atual presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), virtual candidato do partido para enfrentar a tentativa de reeleição de Dilma Rousseff em 2014. O telefonema foi dado logo que Serra deixou o hospital, no último sábado, depois da colocação de stent no coração. Toda essa movimentação no ninho tucano em torno de José Serra é tratada como extra-oficial. Até porque, dizem os integrantes do PSDB que conhecem bem Serra: o desfecho dessa novela só será conhecido em outubro, quando acabar o prazo para a troca de partidos para quem pretende disputar as eleições do ano que vem.

O PSDB reúne, na próxima terça-feira, em Brasília, o diretório nacional do partido, para discutir o cenário político com as manifestações de rua e, principalmente, o quadro sucessório com a queda da avaliação da presidente Dilma Rousseff apontada por todas as pesquisas de opinião. Será uma reunião ampliada, pois terá a presença também de todos os presidentes estaduais da legenda.

Governador
A preferência do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), seria uma candidatura de José Serra a uma cadeira na Câmara dos Deputados, para puxar a legenda e aumentar a bancada tucana na Casa. A decisão também abriria a vaga no Senado para uma negociação com o presidente nacional do PSD, Gilberto Ksssab, ex-prefeito paulistano, ou quem sabe até com o PMDB. Se Serra insistir no Senado, no entanto, Alckmin aceitará sem reclamar, dizem aliados.

Fonte: Correio Braziliense

Jefferson volta à cena para combater onda 'volta, Lula'

Ex-deputado diz que sua urgência agora é afastar fantasma de ex-presidente

Júnia Gama

BRASÍLIA - Após quase um ano cuidando de sua saúde, o ex-deputado Roberto Jefferson (PTB), cassado, voltou aos bastidores da política para comandar uma articulação no PTB contra o movimento "volta, Lula". Os dois se tornaram desafetos desde que Jefferson, condenado no julgamento do mensalão, delatou o esquema de compra de votos por parte do governo Lula. O PTB é, até o momento, o único partido governista pacificado em torno da reeleição da presidente Dilma Rousseff, segundo garantem seus dirigentes.

Jefferson, que virtualmente ainda controla a legenda, esteve ontem em Brasília participando de evento da juventude do partido e de reuniões com a cúpula do PTB. Recuperados os 13kg que havia perdido durante o tratamento contra um câncer e liberado por seu médico para viajar, Jefferson disse a interlocutores que, se Lula voltar, "zera o jogo" da parceria com o PT.

Afirmou que a briga com Lula foi total e questiona quem seriam os interlocutores no caso da volta do ex-presidente. Cita o ex-ministro e também condenado no julgamento do mensalão José Dirceu e o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, como figuras com as quais não haveria diálogo possível com o PTB.

O presidente do PTB, Benito Gama, que ganhou recentemente a vice-presidência de governo do Banco do Brasil, nega que o partido esteja mantendo conversas com outros potenciais candidatos. Afirma que as conversas que manteve com o governador petista Jaques Wagner (BA) e com o ministro Aloizio Mercadante (Educação) serviram para consolidar o apoio à reeleição da presidente Dilma:

- Conversamos uma vez com o Eduardo Campos, que fica no meio do caminho, e com o Aécio (Neves), mas não houve compromisso de manter essas conversas. O mais distante para o PTB hoje seria José Serra. Ele significa a ruptura total, e o PTB quer ficar no governo. Mas, se acontecer mesmo de o Lula voltar, as conversas teriam de começar novamente. Com ele, não há nada fechado.

Nas conversas com colegas, Jefferson disse que os únicos sinais de dissidência no PTB são localizados, justamente em Pernambuco e em Minas. A sua urgência, no momento, é afastar o fantasma de Lula, repetiu ontem várias vezes.

Fonte: O Globo

Prévias no PSDB voltam a assombrar Aécio Neves

Debate interno sobre candidato à Presidência está reaquecido

Descartada a fusão do PPS com o PMN, José Serra voltar a brigar pela indicação do PSDB nacional

SÃO PAULO. A implosão do projeto de fusão entre o PPS e o PMN, que abriria uma janela de migração partidária e era a principal alternativa de José Serra para disputar a Presidência em 2014, reacendeu em setores do PSDB o debate sobre a realização de prévias para definir o nome da legenda que estará na urna eletrônica.

A candidatura do senador mineiro Aécio Neves, tratada como fato consumado até as manifestações de junho, deixou de ser unanimidade. O cenário de prévias tem sido cogitado reservadamente por tucanos de São Paulo, Estado que registra o principal foco de resistência ao projeto de Aécio. Atento a esse movimento, o mineiro vai concentrar sua agenda em São Paulo a partir de agosto.

“Se tivermos mais de um pré-candidato à Presidência, existirão dois caminhos: esperar a convenção de junho de 2014 ou fazer prévias e antecipar, o que seria mais conveniente”, afirma o ex-governador Alberto Goldman, vice-presidente nacional do PSDB.

“Sou a favor de qualquer consulta de base. Sou contra decisões tomadas pela cúpula. Prévia é saudável porque o partido está morrendo”, diz o deputado estadual Pedro Tobias, ex-presidente do PSDB paulista.

Goldman pondera, porém, que a disputa interna para definição do candidato não significaria um racha dentro do partido. “Isso mostraria que o PSDB está sintonizado com a voz das ruas e sabe escutar a base”, disse.

Giro paulista. Além de manter contato regular com parlamentares e caciques tucanos do interior paulista, Aécio fará um giro por dez cidades do interior do Estado.

A promessa é fazer uma escala em São Paulo antes ou depois de cada agenda em outras regiões. A primeira aparição pública de peso será no próximo dia 24, em Barretos, na tradicional Festa do Peão. O senador espera circular pelo evento ao lado do governador Geraldo Alckmin, que ainda não confirmou presença.

Executiva. O tema das prévias ganha força e será tratado pela primeira vez oficialmente na próxima terça-feira, em Brasília, quando ocorrerá uma reunião da Executiva Nacional para definir a agenda do partido em 2013 e 2014. O presidente estadual do PSDB, Duarte Nogueira, se reunirá nos próximos dias com José Serra para tratar do assunto.


“Se houver mais de dois candidatos do PSDB à Presidência, haverá prévias, mas acho essa hipótese remota”, disse o deputado federal Sérgio Guerra. Ex-presidente nacional do partido, ele faz parte da direção nacional da legenda.

Fonte: O Tempo (MG)

Anastasia anuncia corte de seis secretarias em reforma administrativa

BELO HORIZONTE - O governador de Minas Gerais, Antonio Anastasia (PSDB), anunciou ontem a decisão de reduzir o número de secretarias estaduais de 23 para 17. Além disso, duas autarquias serão extintas e uma série de medidas para enxugar gastos também entram em vigor. Ao todo, segundo o governo, a reestruturação vai proporcionar uma economia ao Estado de pouco mais de R$ 1 bilhão.

"O propósito dessas medidas é uma redução das nossas despesas." Como o Brasil e o mundo, disse ele, Minas atravessa um momento de dificuldades financeiras. "Temos uma crise econômica que não permite ao Estado crescer na velocidade que nós gostaríamos e isso significa que a receita acaba tendo uma frustração naquilo que nós esperávamos", disse o governador.

A redução das secretarias e das autarquias começará a valer somente a partir de janeiro de 2014. Anastasia disse que envia na semana que vem à Assembleia Legislativa um projeto de lei com as mudanças, que levarão a uma redução de 20% - de um total 10,2 mil - dos cargos em comissão e a extinção de 52 cargos da alta direção. A extinção de secretarias e de autarquias em si terá um impacto pequeno na economia que Anastasia quer fazer. Representarão R$ 33 milhões a menos ao ano.

A Secretaria do Trabalho será fundida com a de Desenvolvimento Social. A de Esportes com a de Turismo e a da Copa do Mundo. A de Regularização Fundiária será fundida com a de Agricultura. E a de Gestão Metropolitana com a de Desenvolvimento Regional e Política Urbana. Por fim, a de Coordenação de Investimentos Estratégicos será transformada em assessoria especial.

A medida remete à defesa feita pelo senador Aécio Neves (PSDB-MG) de que o governo da presidente Dilma Rousseff reduzisse o número de ministérios. Uma das razões alegadas por Dilma e para rejeitar uma medida desse tipo é que os ganhos em economia com uma redução de ministérios seria menos significativa do que as ações que eles comandam.

Além da redução das secretarias, o governo diz que adota imediatamente uma série de medidas para cortar gastos, que incluem restrições a viagens, proibição de contratação de consultorias, limitações ao uso de veículos de representação do Estado, suspensão da participação de servidores em cursos, congressos e seminários (medida que não atinge pessoal da educação e da saúde) e até redução do uso de celular corporativo. Ao todo, até o fim do ano e em 2014, a economia com esse conjunto de ações será de R$ 365 milhões. Além disso, no Orçamento de 2014, o plano é reduzir despesas com custeio em mais R$ 700 milhões. Somando esses valores, o governo mineiro chega ao valor anunciado de uma economia de aproximadamente R$ 1,1 bilhão. O Orçamento de Minas neste ano é de R$ 65 bilhões.

Ao falar a jornalistas da situação econômica de Minas que, de acordo com ele, pedem essas medidas, Anastasia citou alguns exemplos. "A perda prevista neste ano do ICMS sobre energia elétrica é de quase R$ 700 milhões. Também teremos uma perda do Fundo de Participação dos Estados de quase R$ 300 milhões. Também uma não realização da receita da Cide de quase R$ 300 milhões." (MMS)

Fonte: Valor Econômico

Governo faz cirurgia para salvar a MP dos Médicos

Planalto desiste de ampliar o curso de medicina de seis para oito anos, mas quer tornar obrigatória a residência no SUS após aluno concluir a graduação

Elaborada por uma comissão de especialistas do MEC e da Associação Brasileira de Educação Médica, a proposta deve seguir agora para votação no Congresso Nacional

Governo recua, mas críticas permanecem

Ministérios da Saúde e da Educação desistem de ampliar o curso de medicina de seis para oito anos. Entidades de classe, no entanto, são contra a decisão de tornar a residência obrigatória no SUS

Julia Chaib, Adriana Caitano

O governo federal desistiu da proposta original de aumentar a formação em medicina de seis para oito anos, como previsto na medida provisória que instituiu o Programa Mais Médicos, publicada no último dia 9. A posição dos ministérios da Saúde e da Educação, apresentada ontem, é de que a etapa chamada de “segundo ciclo” faça parte da residência médica. Após concluírem a graduação em medicina, os estudantes devem ser obrigados a fazer a especialização no Sistema Único de Saúde (SUS). A proposta será encaminhada ao Congresso e a regulamentação ficará por conta do Conselho Nacional de Educação (CNE). Anunciada no último dia 8, a proposta de criar o segundo ciclo foi alvo de ferrenhas críticas de entidades médicas e de representantes de faculdades de medicina. Ainda ontem, a Justiça Federal negou as ações civis públicas ajuizadas por duas entidades para suspender o Mais Médicos.

Atualmente, o médico não é obrigado a fazer a residência, tendo a opção de atuar como generalista. Instituições particulares também oferecem a especialização e a maioria tem convênio com o SUS. Pela proposta, o primeiro ano da modalidade de ensino deve ser feito, necessariamente, na atenção primária em serviços de urgência e emergência. Já no segundo ano, o médico dá continuidade à pós-graduação em qualquer outra área do SUS. Até 2017, o governo terá de garantir vagas para todos os alunos, já que a medida passa a valer em 2018. Segundo o Ministério da Saúde, hoje, só há 0,73 vaga para cada formando em medicina — são 11.468 postos de residência para 15 mil formandos. Se a medida for aprovada, alunos que ingressaram no curso de medicina a partir de 2012 já devem cumprir as normas. O que ocorrerá com o médico que não quiser fazer a residência estará na regulamentação.

A proposta, elaborada por uma comissão de especialistas do MEC e pela Associação Brasileira de Educação Médica, foi debatida ontem em reunião com os ministros Alexandre Padilha e Aloizio Mercadante com representantes de 30 universidades federais. Segundo Mercadante, houve unanimidade de que a medida é positiva. “Mas vamos continuar aprimorando o programa. Vamos levar essa proposta ao relator da MP, porque quem vai decidir no fim do processo é o Congresso”, ressaltou o ministro da Educação. A comissão que analisará a MP será instalada em 7 de agosto, quando será designado o relator.

Mercadante disse que a obrigatoriedade da residência médica não significa que haverá um ano a mais nas especializações. A proposta dos especialistas prevê também alterações na grade curricular da formação médica, para aumentar a vivência do aluno do SUS já na graduação. Segundo o ministro, na próxima terça, o CNE inicia o debate. A intenção é aproximar o estudante da atenção básica. O Mais Médicos também levará esses profissionais formados no Brasil e no exterior para trabalhar em postos de municípios do interior do país e em periferias de grandes cidades.

Problemas
A proposta de tornar a residência médica obrigatória não foi bem recebida pelas entidades de classe. “É uma medida improvisada, um programa temerário que antevê a formação de vínculo empregatício de trabalho em pseudoforma de residência”, argumentou o vice-presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), Carlos Vital. O temor é de que, com o aumento da demanda e sem a melhora no próprio SUS, os residentes não sejam acompanhados por tutores presencialmente.

O vice-presidente do CFM também colocou em xeque a capacidade do governo de melhorar os hospitais. “Se em 70 anos só se conseguiu desenvolver 12 mil vagas, e 40% não são preenchidas por falta de estrutura para receber os alunos, somente por mágica se conseguirá corrigir esse problema e ainda dobrar o número de residentes em cinco anos”, comentou. A Federação Nacional dos Médicos (Fenam) considerou tênue o recuo do governo. “A obrigatoriedade que está sendo imposta é trabalho forçado e uma política eleitoreira. Essa desistência só demonstra como está confusa a formatação do programa”, disse o presidente da Fenam, Geraldo Ferreira.

As mudanças
Compare como o que o governo pretende mudar nos cursos de medicina

Como é
Graduação
» Tem duração de seis anos.

Residência médica
» O médico não é obrigado a fazer a especialização. Quando não opta pela pós-graduação, ele pode atuar como generalista. Atualmente, somente o médico especialista em saúde da família e comunidade necessariamente atua na atenção primária durante a residência. Profissionais de áreas como clínica médica; cirurgia geral; pediatria; ginecologia e obstetrícia; e psiquiatria podem ter um período de atuação na atenção básica durante a residência a depender do currículo da instituição em que ingressarem.

Onde?
» A maior parte das residências médicas são feitas no Sistema Único de Saúde (SUS), mas há a possibilidade de se fazer a especialização em um hospital privado. O período da pós-graduação varia de dois a cinco anos.

Como entrar?
» O médico ingressa na residência após fazer prova

A proposta do governo
Graduação
» Continua com duração de seis anos.

Residência médica
» O governo garantirá vagas para todos os médicos formados. Eles devem, necessariamente, fazer a especialização. A nova proposta prevê que 40% das vagas de residência oferecidas até 2017 sejam em medicina de família e comunidade.

Onde?
» A residência será feita integralmente no SUS. O primeiro ano da especialização deve ser, obrigatoriamente, na atenção primária em saúde ou serviços de urgência e emergência para as áreas de clínica médica; cirurgia geral; pediatria; ginecologia e obstetrícia; medicina da família e comunidade; e psiquiatria. Segundo a proposta elaborada pelos especialistas, será analisada a viabilidade de outras especialidades terem início na atenção básica.

Como entrar?
» O médico terá de fazer prova para ingressar na residência. Esse ponto, no entanto, está sujeito a alterações, de acordo com a regulamentação que será feita pelo Conselho Nacional
de Educação (CNE).

Fonte: Correio Braziliense

Cenário à frente. Vetos, mensalão, infraestrutura, novas pesquisas – Jarbas de Holanda

Após o predomínio de um clima de trégua, durante a visita do papa Francisco na Jornada Mundial da Juventude, teremos a retomada da ebulição política em agosto. Com a volta das sessões do Congresso dominada pela apreciação de vetos presidenciais, que indicará estancamento ou persistência da erosão da base governista. O retorno, também, das atividades do plenário do STF, que propiciará ao presidente Joaquim Barbosa – conforme antecipação que fez – promover logo o julgamento dos recursos (embargos) dos condenados no processo do mensalão, com possível prisão dos principais até o final do ano, se tais recursos forem rejeitados. Os passos finais do Palácio do Planalto na aposta pela reanimação de investimentos e da economia por meio de concessões à iniciativa privada na área de infraestrutura (rodoviária, de ferrovias, de novos aeroportos, de terminais de carga marítima), começando a haver dúvidas sobre a manutenção do caríssimo mega projeto do trem-bala. E a expectativa de novas pesquisas avaliativas dos governos (federal, dos estados e das capitais) e de candidatos, a serem realizadas com ou sem manifestações de protesto.

Quanto ao estancamento ou sequência da crise da base parlamentar governista, a novidade mais significativa é o protagonismo assumido pelo ex-presidente Lula no controle do relacionamento entre o Executivo e o Congresso. Com a clara subordinação da sucessora (“Ele não vai voltar porque ele não saiu”) e do PT, com o abandono ou isolamento das propostas de “volta Lula” e de ruptura da aliança com o PMDB. Ou a sucessora (que “não é mais do que a extensão da gente lá”) e o partido, blindando-a, passam a cantar a mesma música, ou ambos, e ele também, terão mínima ou nenhuma condição de manter o poder, na avaliação que Lula deve ter imposto aos parceiros. Sem que isso dispense a contenção ou uma reversão da queda de popularidade do governo e da candidata à reeleição. Na ausência das quais, e com uma continuidade dos indicadores econômicos negativos, os partidos não esquerdistas da referida base, à frente o PMDB, seguirão rechaçando plebiscitos dilmistas e provavelmente rejeitando vetos do Executivo, bem como deixando incerto se haverá ou não alinhamento reeleitoral. No caso da federação peemedebista, com o objetivo maior de preservar e reforçar o papel de principal força do Congresso (contra o projeto petista de chegar lá), ao que convém não acertar tal alinhamento.

No caso dos campos oposicionista e independente, os dados novos no recomeço da ebulição política são, primeiro – o estreitamento das relações entre o tucano Aécio Neves, do PSDB, e Eduardo Campos, do PSB, incluindo o preparo de alianças entre os dois partidos em palanques estaduais e a perspectiva, explícita, de composição num 2º turno presidencial; segundo – quanto a Marina Silva, o retardamento, ao máximo, da votação no Senado do projeto da Rede de Sustentabilidade (por acordo do Planalto e do PT com o presidente da Casa, Renan Calheiros), agrava as dificuldades para construção de uma base partidária de apoio que lhe garanta um tempo mínimo, indispensável, de competitiva propaganda eleitoral “gratuita”; e, terceiro – quanto a José Serra, o fracasso da fusão entre o PPS e o PMN, que poderia dar lugar a um partido com 20 ou 30 parlamentares serristas, deixa-o apenas com a alternativa de uma candidatura dependente do PSD de Gilberto Kassab, certamente inviável, apontando para provável permanência dele no PSDB de Aécio Neves e de Geraldo Alckmin.

Jarbas de Holanda é jornalista

Não sobrou nada - Merval Pereira

Com a desistência do governo de levar adiante a proposta de aumentar em dois anos o curso de Medicina para que os alunos fizessem um estágio obrigatório como médicos do Sistema Único de Saúde (SUS), vai por terra a última das grandes ideias palacianas lançadas a toque de caixa para supostamente dar resposta aos anseios das ruas.

Daquele dia em que a presidente Dilma apresentou em cadeia nacional de rádio e TV suas propostas de "pactos" com a sociedade até hoje, nenhuma delas teve condições de sobreviver ao intenso tiroteio crítico a que foram submetidas. Por insuficiência de conteúdo.

A convocação de estudantes para ajudar nos trabalhos do SUS era claramente inconstitucional, como parece ser a proposta apresentada ontem em substituição. Obrigar a que todos os estudantes façam dois anos de residência em unidades do SUS parece uma interferência do poder público nas decisões individuais dos futuros médicos. Como da primeira tentativa, talvez fosse o caso de colocar essa exigência só para aqueles que estudem com algum tipo de bolsa do Estado ou para os que se formem em faculdades públicas. Seria um modo de pagamento.

A proposta de trazer médicos estrangeiros também causou grande revolta na área médica, especialmente pela tentativa de fazer isso sem que os importados precisassem revalidar seus diplomas. O governo conseguiu com essa proposta pôr toda a classe médica contra ele, e agora detecta que os médicos estão usando as consultas para conseguir o apoio de seus clientes, especialmente na classe média das grandes cidades.

A ideia do programa Mais Médicos dá uma sensação de preocupação com a situação atual e por isso tem o apoio da maioria dos cidadãos. Mas a execução do programa é criticável, pois as associações médicas queriam mesmo é que fosse desenhada uma carreira de Estado para a Medicina, o que levaria os médicos ao interior dentro de um planejamento de carreira de longo prazo.

A mais dramática e popularesca das propostas foi a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte exclusiva para tratar da reforma política, que seria convocada através de "plebiscito popular". A impossibilidade de convocação de uma Constituinte exclusiva foi demonstrada por diversos juristas, e a proposta foi devidamente desidratada depois que o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, tentou afirmar que a presidente não havia dito o que realmente dissera.

Como o pronunciamento foi gravado, foi fácil demonstrar que ela realmente queria convocar uma Constituinte exclusiva, que, além de ser inconstitucional em si, não poderia ser convocada pelo Executivo, pois cabe apenas ao Legislativo essa iniciativa. Ficou de pé apenas o "plebiscito popular", proposta com que a presidente pretendeu emparedar o Congresso, forçando a barra para que o povo definisse que pontos deveriam constar de uma reforma política.

Foi a vez de o Tribunal Superior Eleitoral entrar em ação para demonstrar que não seria possível a convocação de um plebiscito que determinasse as novas regras para a eleição de 2014. Não havia tempo hábil para que as decisões fossem sugeridas e aprovadas para valer no prazo de um ano antes da eleição, como manda a Constituição.

Medidas concretas mesmo, o governo não anunciou nenhuma. Os cortes orçamentário de R$ 15 bilhões na maior parte referem-se a despesas que seriam feitas. Dilma indignou-se com a sugestão de reduzir sua enorme máquina ministerial de 39 ministros, afirmando que não haveria redução de despesas.

O presidente do PSDB, senador Aécio Neves, mostrou agilidade de candidato: além de criticar as declarações de Dilma, combinou com o correligionário Antonio Anastasia, governador de Minas, a adoção de medidas de austeridade anunciadas ontem. Até o fim de 2013, diz o governo mineiro, o custeio terá redução de 13% devido à extinção ou fusão de secretarias, e corte de cargos de confiança.

Como consequência da antecipação da corrida sucessória, cada ato de governantes se transforma em uma ação política com objetivo certo. O choque de gestão, que sempre foi uma bandeira do PSDB ridicularizada por Lula, passou a ser um ativo valioso à medida que a população faça a ligação entre um governo eficiente e as respostas que ele dá em serviços públicos.

Fonte: O Globo

Quem não chora não mama - Eliane Cantanhêde

Os deputados e senadores tiraram uns dias de recesso branco, foram às suas bases e captaram "in loco" o mau humor do cidadão, que acaba de abater mais da metade da popularidade de Dilma.

Na volta ao Congresso, estarão mais preocupados em falar a língua dos seus eleitores do que em ouvir os apelos do Planalto. Ou seja: mais empenhados em votar projetos que tenham ressonância popular, mesmo que agridam os ouvidos da presidente e as contas do governo.

Por isso, Dilma abriu as burras para as emendas parlamentares, que fazem a festa e mudam votos no Congresso como varinhas de condão. É dando que se recebe, apesar de o Gilberto Carvalho usar o seu tom franciscano para jurar que não.

Enquanto Dilma libera R$ 2 bilhões em emendas para Suas Excelências em agosto, corta R$ 919 milhões das Forças Armadas e ninguém mais fala na compra dos caças da FAB. As autoridades cruzam os céus em jatinhos de ponta, mas os velhos Mirage da defesa nacional viram ferro-velho em dezembro.

A diferença é clara: as Forças Armadas não têm poder de fogo, mas o Congresso tem um canhão. Se o governo não atende os pleitos militares, eles ameaçam cortar um dia útil de trabalho por semana, levam um chega pra lá, batem continência e recuam. Já se o governo não se sujeita à manha dos políticos, eles negam voto aos projetos governistas e despejam nos antigovernistas. A economia não está uma maravilha, mas o Planalto abre os cofres e paga o preço.

Para corroborar que quem não chora não mama, Dilma foi ontem a São Paulo com um mimo de R$ 8 bilhões para o estratégico petista Fernando Haddad, que andava muito chorão, pedindo colo para o tucano Geraldo Alckmin.

Com popularidade alta e governo forte, ninguém chora e a conta fecha. Com popularidade ladeira abaixo e governo fraco, vem o chororô e abre-se um buraco sem fundo.

Ah! E quem paga a conta é você.

Fonte: Folha de S. Paulo