Folha de S. Paulo
Novas regras eleitorais e financiamento
público desestimulam coligações na disputa à Presidência
Na base do cada um por si no plano nacional,
partidos investem nos estados para crescer no Congresso
Nesta eleição, está combinado, a maioria dos
partidos vai jogar
separado. Só o PT entra na disputa presidencial
do jeito tradicional, coligado a seis legendas: PSB, PSOL-Rede,
PDT, PV e PC do B.
Não deixa de ser uma ironia o partido com vocação a protagonista, cuja política de alianças só foi aceita por imposição da realidade, ser o único que concorre acompanhado. No campo limitado à esquerda, é verdade, mas ali com um Geraldo Alckmin (PSB) na figuração do centro.
Sabemos, contudo, que a força da candidatura
não está nos aliados; está onde sempre esteve nas últimas décadas: em Lula.
Fosse outro o candidato e não ocupasse a Presidência, provavelmente nem essa
aliança existiria.
Alterações nas regras eleitorais e no
equilíbrio de forças entre Executivo e Legislativo mudaram a cena. Acabaram as
coligações proporcionais, os partidos têm autonomia financeira, há uma barreira
de desempenho a ser ultrapassada e pouco a disputar no plano nacional onde
imperam os eleitorados cativos dos favoritos.
Manifestam-se preocupações entre os
espectadores da política com o fato de ser esta a primeira eleição desde a
volta das diretas a praticamente não ter alianças na corrida ao Palácio do
Planalto. Mas ninguém explicita qual o risco presumidamente embutido; por acaso
a fartura anterior de coligações influiu para melhor ou pior na performance dos
dois Poderes em questão?
A suspeita é que o critério de análise esteja
superado. Considerando que fidelidade partidária e identificação doutrinária
foram critérios de ferro e fogo, o que vemos de novo é a remoção do verniz da
teoria para dar lugar à corriqueira prática, agora sem as máscaras.
Não é real a alegada neutralidade, pois há
engajamento frenético nos estados. onde grassam as alianças. Nas diferentes
bases, os partidos preferem apostar na eleição de grande quantidade de
congressistas.
Cabe ao eleitorado acionar o modo olho vivo e
faro fino para investir na melhoria da qualidade dos respectivos
representantes.

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