O Estado de S. Paulo
Na piscina, a confraria dos independentes, proprietários de bilhões de reais em emendas
A turma representativa – a democracia representativa dos oligarcas do Congresso – aboletada na piscina. O retrato da confraria dos independentes, os autossuficientes. Independentes da República, no sentido de que à margem dos rigores para com a coisa pública, deputados e senadores, sovacos ao alto, unidos e festivos pela perversão autoritária – a propriedade sobre dezenas de bilhões de reais do Orçamento da União, um fundo eleitoral paralelo – que os desobrigou de fazer política e que consagrou o mandato parlamentar como um fim em si mesmo.
O retrato da confraria dos independentes.
Vê-se Arthur Lira, em destaque, então presidente da Câmara, soberano do
Legislativo e um dos donos do orçamento secreto. Avista-se Juscelino Filho,
deputado federal pelo Maranhão, àquela altura ministro das Comunicações de
Lula, vip do orçamento secreto cujas emendas pavimentaram estrada que leva até
a fazenda da família. Mira-se também o codevásfico Elmar Nascimento, que – para
suceder a Lira – fundeava a sua campanha no discurso do orçamento secreto como
espécie de direito adquirido do parlamentar.
O retrato da confraria dos independentes,
quentinhos no mijão do advogado. Eles se acertam, inconstitucionalmente, entre
si, partidos e ideias à parte – para você que briga por ramagens e outros
coronéis: eles mergulham juntos, cervejinha à mão, enquanto você rompe com
afetos em função de paixões populistas. Willer os une. O advogado, prestador de
serviços, dono da piscina. Willer Tomaz.
Onipresente.
Eles: os filhos – produtos – do orçamento
secreto na piscina do advogado-empresário. É o que documenta a fotografia que a
Polícia Federal encontrou no celular de Weverton Rocha, do PDT maranhense,
vicelíder do governo Lula no Senado. Registro de abril de 2023. Está lá,
eternizado, o bolsonarista antissistema Alexandre Ramagem. Antissistema de
fachada, relaxado no banheirão ecumênico do advogado irmão de Flávio Bolsonaro.
Business.
Por suposta fachada, a PF investiga a
operação de empresas de Tomaz, o Willer, que transferiram cerca de R$ 11
milhões para a esposa de Weverton, o inquérito ademais apontando indícios de
que a casa em que mora o senador, em Brasília, fora comprada pelo advogado. Da
revista piauí, que divulgou a foto: “a Polícia Federal, diante desses
elementos, suspeita que Weverton e Willer tentavam ‘ocultar ou dissimular a
origem’ de dinheiro obtido ilegalmente”.
O advogado-anfitrião, dono da casa em que posaram os independentes das emendas parlamentares, e a intimidade prestativa com esses portentos da República nominal. Padrão.

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