quinta-feira, 26 de abril de 2012

Lá vem o Patto!::Urbano Patto


O assunto do momento é a Comissão Parlamentar de Inquérito sobre as informações que vazaram da Polícia Federal sobre o relacionamento do contraventor Carlinhos Cachoeira com políticos – dos legislativos, dos executivos e dos judiciários, nos níveis federal, estadual e municipal – e com empresas - empreiteiras de obras públicas e da área farmacêutica. Tudo isso revelando relações promíscuas e de corrupção com os órgãos públicos. Não há nessas relações qualquer preferência político-ideológica, tem parlamentares e mandatários dos mais diversos partidos, DEM, PT, PMDB, PSDB, PPS e das mais variadas regiões, Distrito Federal, Goiás, Rio de Janeiro, Paraná, etc.

A Polícia Federal rastreou o dinheiro do Cachoeira mundo afora. Não há limite, as águas do Cachoeira correram fluidas, molhando mãos por todo o caminho que percorreram. O que parecia originalmente tratar-se de contravenção penal para operar caça-níqueis e jogo do bicho revela-se uma intrincada e ampla organização criminosa que não conhece restrições para suas atividades.

A Copa do Mundo e as Olimpíadas com o tal Regime Diferenciado de Compras (RDC) e as condições especiais de execução orçamentária das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), todos suavizando o controle dos processos licitatórios e da fiscalização estão se revelando um espaço privilegiado para todo o tipo de maracutaia, conforme se vê hoje nas ações e métodos da empreiteira Delta, simbioticamente ligada ao contraventor Cachoeira.

Fica cada vez mais difícil separar o joio do trigo e chega a ser risível e infantil a tentativa de alguns partidos, governos e/ou políticos de vincular os crimes e desvios a determinada corrente ou somente aos seus adversários. Se há algo que fica claro como água de cachoeira é que a atividade criminosa é que cava seus espaços nas frestas éticas e nas ambições individuais e coletivas das pessoas e instituições.

O que causa maior perplexidade é como os criminosos, corruptos e corruptores, conseguem criar frestas novas com tanta desenvoltura a cada vez que uma delas é descoberta e, se não fechada, pelo menos atrapalhada.

A sequência mais recente, sem falar dos “feitos e esquemas” da ditadura (Itaipu, usinas nucleares, transamazônica, Jari, etc), mostram os escândalos: PC Farias, anões do orçamento, privatizações, sanguessugas da Saúde, mensalão, e agora Cachoeira, cuja característica comum é “trabalhar” a corrupção no atacado, “expandir” suas operações até onde puderem, “arrecadar” o máximo que for possível, “aplicar” e dar segurança “ao lucro” obtido e, ao desandar a operação, deixar os menos precavidos, laranjas e aprendizes de feiticeiros mortos, feridos e sangrando pelo caminho.

É tarefa da recém conquistada Democracia brasileira buscar instrumentos institucionais fortes para diminuir essas oportunidades de renovação constante da marginalidade e isso passa pela punição dos marginais e, principalmente, pela recuperação do dinheiro desviado, pois alguns dos criminosos até se permitem, ou escalam seus reservas, para correr o risco da punição, desde que não seja comprometido o patrimônio amealhado, descontados os custos de defesa já devidamente contabilizados no seu “negócio”.

Urbano Patto é Arquiteto-Urbanista, Mestre em Gestão e Desenvolvimento Regional, Secretário do Partido Popular Socialista - PPS - de Taubaté e membro Conselho Fiscal do PPS do Estado de São Paulo. Comentários, sugestões e críticas para urbanopatto@hotmail.com

Le Pen, fantasma também na Grécia:: Clóvis Rossi


Extrema direita usa a crise econômica na Europa para crescer além da pregação contra os imigrantes

ATENAS - Foi só puxar o tema "eleições" para que o taxista que me levava do aeroporto ao hotel, no centro de Atenas, mencionasse um fantasma, o de Marine Le Pen, a líder de extrema direita e estrela da votação francesa no domingo, cujo espólio é disputado pelos dois candidatos que passaram ao segundo turno.

"O Le Pen daqui também está indo para cima, para cima, para cima", diz o taxista.

Refere-se a "Chrysi Avgi" (Aurora Dourada), o partido neofascista, criado pelos simpatizantes da ditadura dos coronéis que governou a Grécia entre 1967 e 1974.

Não que o partido possa roçar os 20% dos eleitores, como fez Le Pen. Mas pode, pela primeira vez, superar a barreira dos 3%, o que lhe abriria as portas do Parlamento na eleição do dia 6. Pesquisa publicada pelo jornal "Ethnos" dá à "Aurora Dourada" 5,2%, o que é espantosas 18 vezes mais do que o obtido na anterior eleição geral (2009).

Por isso, o partido neofascista já mexeu na agenda eleitoral.

Comenta Fragkiska Megaloudi, no "Neos Kosmos", o jornal da comunidade grega da Austrália:

"A agenda mudou dos sérios problemas sociais para a "ameaça" dos imigrantes ilegais e para a criação de centros de detenção".

A propósito, o ministro para a Proteção dos Cidadãos, o socialista Michalis Chrysochoidis, anunciou para a próxima semana a abertura do primeiro dos 30 centros de detenção para imigrantes sem documentos a serem abertos na Grécia.

Na verdade, há um certo exagero em dizer que a questão dos imigrantes roubou a agenda. Na Grécia como na França, a extrema direita enganchou no seu tradicional discurso xenófobo a agenda social que é a inquietação majoritária em ambos os países e no resto da Europa.

Sobre Marine Le Pen, comenta para "El País" Nonna Mayer, diretora de pesquisa do Centro de Estudos Europeu de Ciências Políticas e especializada no voto da extrema direita: "Le Pen também tem um forte discurso social. Quer um Estado forte, o regresso dos serviços públicos [afetados pelos ajuste orçamentário] e da aposentadoria aos 60 anos [Sarkozy elevou-a para 62 anos]. Tem um discurso de esquerda em questões sociais".

Vale para a França, vale para a Grécia, como escreve Emmanouela Seradakis para "The Greek Reporter": "Aurora Dourada está mais à esquerda do que a social-democracia no respaldo a generosos Estados de bem-estar, altos salários, aposentadorias. E, na medida em que a crise na eurozona se arrasta e as coisas ficam piores e piores para as pessoas comuns, a extrema direita obterá maiores e maiores porcentagens".

Vale também para boa parte da Europa, completa Emmanouela, para nada simpatizante do neofascismo: "Uma coisa é clara: a situação, com diversos extremistas, racistas, neonazis ou simplesmente profundos conservadores na Hungria, Suécia, Finlândia, Grécia, França etc., deveria fazer Bruxelas [a capital da Europa unificada] pensar".

É bom mesmo, antes que o ovo da serpente rompa a casca, até porque o "etc." da frase acima deveria abarcar também Holanda, Dinamarca e Itália, pelo menos.

FONTE: FOLHA DE S. PAULO

Bancos ainda na retranca:: Vinicius Torres Freire


Instituições privadas perderam em março ainda mais mercado para Banco do Brasil e Caixa Econômica

Os povos dos mercados venderam ontem ações dos bancos brasileiros. Derrubaram assim seus preços e, por tabela, a Bovespa.

O mercado faz muxoxo porque o lucro dos bancos caiu no primeiro trimestre e não deve ser muito melhor até ao menos a metade do ano.

Aumentou o risco de calote, e o governo Dilma Rousseff faz campanha para diminuir o ganho das instituições. O "efeito Dilma" nem apareceu ainda nas estatísticas -deve pesar mais a partir de abril.

A inadimplência já pesou, e os banqueiros tiveram de colocar mais dinheiro de lado a fim de cobrir possíveis perdas. O mercado estima que a inadimplência não vai baixar bastante tão cedo. Em março, os números de atrasos de pagamentos apenas pararam de piorar, segundo os dados consolidados e divulgados ontem pelo Banco Central.

Mas os "spreads" foram menores já em março. Isto é, diminuiu a diferença entre as taxas que os bancos cobram para emprestar e aquelas que pagam para tomar emprestado. Mais muxoxo do mercado, dos donos do dinheiro, que negociam o grosso das ações na Bolsa.

Apesar da quedinha de março, os "spreads" continuam tão altos quanto em setembro de 2011. Foi em agosto que a Selic, a taxa "básica" de juros da economia, começou a cair. Mas foi então que se notou que a inadimplência era persistente.

O pessoal do Itaú, que divulgou anteontem balanço trimestral, disse que o banco terá de ser mais seletivo na concessão de crédito e que vai ter de fazer mais provisões ("reservar") para cobrir eventuais calotes. O Bradesco atribui a pequena expansão do seu lucro também à necessidade de se proteger de calotes.

Os bancos privados brasileiros estão mesmo seletivos, faz tempo. No balanço geral do crédito divulgado ontem pelo BC, vê-se que o aumento do estoque de crédito (dinheiro emprestado) das instituições privadas de capital nacional foi de 13,9% em 12 meses. No caso dos bancos públicos, o avanço foi de 24,6%.

É uma diferença brutal. Mas, no conjunto do setor financeiro, o avanço do crédito não acelera quase nada, embora ainda corra a boa velocidade, aumentando 19,3% nos últimos 12 meses.

Não é por causa do BNDES, que está emprestando menos porque a demanda do setor privado vinha sendo fraca. Banco do Brasil e Caixa estão segurando a peteca do crédito. Aliás, estão chutando a peteca para muito alto. Desde julho do ano passado vêm roubando mercado dos bancos privados.

E daí?

Bem, o governo está feliz porque, na sua opinião, "dobrou" os bancos privados, obrigou-os a baixar taxas de juros. Ainda é preciso ver quanto dinheiro foi emprestado a taxas menores na estatística de abril. Porém, a julgar pelas entrevistas de diretores e banqueiros na divulgação de balanços, os grandes bancos privados brasileiros dificilmente vão "correr para a galera".

Desde que começou a grande querela dos juros, os bancos privados dizem que estão meio na retranca devido à inadimplência. O Banco Central acha que a retranca foi excessiva, mas não exagera na crítica. O resto do governo pega muito mais pesado com os bancões. Mas tal campanha vai fazer a banca privada jogar mais no ataque? Ou os bancos estatais vão apenas compensar a retranca privada?

FONTE: FOLHA DE S. PAULO

Emenda permite que Executivo questione atos do Judiciário


Texto foi aprovado pela CCJ do Senado

BRASÍLIA. A irritação e o incômodo dos deputados com decisões polêmicas tomadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) nos últimos anos levaram ontem à aprovação da admissibilidade, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, de uma emenda constitucional que poderá dar ao Parlamento condições de questionar e sustar atos normativos do Judiciário que invadam sua competência. De autoria do deputado Nazareno Fonteles (PT-PI), a PEC estabelece que é competência do Legislativo sustar atos que extrapolem o que a lei permite.

A aprovação na CCJ é o primeiro passo. O mérito da proposta será discutido em comissão especial e, se aprovado, será submetido aos plenários da Câmara e do Senado.

A admissibilidade foi aprovada por unanimidade, em debate do qual participaram 30 deputados. O mérito promete provocar polêmica. Entre os deputados, há diferentes interpretações sobre o alcance da medida: há os que entendem que a PEC se restringe a atos normativos, ou seja, não se aplicaria a decisões tomadas pela Justiça; mas há quem entenda que é possível questionar decisões judiciais. A emenda ganhou força e foi pautada por uma ação forte de deputados da bancada evangélica que veem nela a possibilidade de questionar decisões do STF, como a possibilidade de aborto em caso de anencefalia. Capitaneados pelo presidente da Frente Evangélica, João Campos (PSDB-GO), deputados da CCJ pediram ao presidente da comissão, Ricardo Berzoini (PT-SP), que pautasse a PEC.

- Hoje temos um ativismo do Supremo, que está legislando em alguns casos, o que gera insegurança jurídica para o conjunto da sociedade - disse João Campos.

O ministro Ricardo Lewandowski, do STF, afirmou que é preciso ver os termos da proposta, e se não ofende uma cláusula pétrea que trata da separação dos poderes.

FONTE: O GLOBO

Cine PE começa com seleção de filmes mais forte de sua história


Festival começa em meio a um turbilhão que reconfigura o circuito de mostras competitivas


RIO - Com a seleção de filmes mais forte de sua história, indo de produções com DNA de blockbuster a experiências de linguagem aplaudidas pela crítica, o Cine PE abre sua 16 edição nesta quinta, às 20h, no Teatro Guararapes, em Olinda, com "À beira do caminho", de Breno Silveira, em meio a um turbilhão que reconfigura o circuito de mostras competitivas no Brasil. De base política, o estopim da mudança foi a suspensão do Festival de Paulínia, há duas semanas.

Criado em 2008 e cancelado por decisão do prefeito José Pavan Júnior (PSB), o Festival de Paulínia integrava um projeto cultural iniciado há cinco anos pelo município de 85 mil habitantes, a 117 quilômetros de São Paulo. Para virar o maior polo produtor de cinema do país, usando receita do petróleo, a cidade injetou verbas em filmes por meio de edital e construiu estúdios e escolas de audiovisual. Com prêmios de até R$ 250 mil, seu festival estabelecia-se como a mais visada competição nacional. De lá saíram sucessos como "O palhaço" (2011) e até um candidato ao Oscar, o documentário "Lixo extraordinário" (2010).

No dia 13 de abril, Pavan declarou que a suspensão seria temporária, motivada pela necessidade de "apoiar projetos sociais". A interrupção garantiria uma economia de R$ 10 milhões à cidade, cujo orçamento do ano ronda R$ 840 milhões. Organizadores de edições anteriores contestaram o valor anunciado pelo prefeito. Disseram que os custos ficam entre R$ 2 milhões e R$ 3,5 milhões. Hoje, em São Paulo, um grupo de produtores e agentes culturais luta para ressuscitar o evento. Mas nenhuma ação foi anunciada até o momento.

O cancelamento de Paulínia coincide com uma dança das cadeiras nas mostras competitivas, em busca de visibilidade. No ano passado, o Festival de Brasília, o mais antigo do país, pulou de novembro para setembro (de 17 a 24) e aumentou para R$ 250 mil o valor do prêmio em dinheiro pago ao melhor filme. Já o Festival de Gramado, de 10 a 18 de agosto, quase foi interrompido por dívidas financeiras, e volta agora com o ator José Wilker e o crítico Rubens Ewald Filho entre seus curadores.

— O circuito tem um poder de regeneração grande, mas não se repõe a perda de um grande evento como Paulínia — diz Antonio Leal, vice-presidente do Fórum dos Festivais, associação que trabalha para fortalecer os eventos de exibição no país. — Estamos diante de uma reacomodação em que festivais do primeiro semestre, como o Cine PE, podem atrair essa produção que se organizou para Paulínia.

‘Sou contra prêmio em dinheiro’

Mesmo sem oferecer aportes monetários com valores iguais aos de Paulínia, os festivais remanescentes começam a se reposicionar, buscando alternativas para seduzir produtores e realizadores. Mas o Cine PE, orçado em R$ 1,6 milhão e sob a organização do casal de economistas Sandra e Alfredo Bertini, resolveu não aderir à linha dos que oferecem compensação financeira.

— Sou contra prêmio em dinheiro porque meu papel, como organizador de festival, é garantir exibição, não aporte à produção. Prêmio em dinheiro desvaloriza o troféu — diz Alfredo Bertini, que preferiu renovar seus quadros apostando em títulos mais competitivos.

De cara, para a abertura, trouxe o novo longa de Breno Silveira, diretor de "2 filhos de Francisco" (2005), que foi visto por 5,3 milhões de espectadores. Estrelado por João Miguel, "À beira do caminho", embalado por canções de Roberto Carlos, narra a luta de um caminhoneiro para lidar com perdas afetivas.

— Rodado em 2010, esse filme ficou preso comigo por muito tempo. Nunca o vi com mais de duas pessoas. Optei pelo Cine PE porque lá posso ter uma troca com um público enorme (o Teatro Guararapes comporta até 2,4 mil pessoas ) — diz Silveira.

"À beira do caminho" disputa o Troféu Calunga com mais seis filmes, incluindo outra aposta dos exibidores: amanhã, será mostrado, em concurso, "Paraísos artificiais", dirigido por Marcos Prado e produzido por José Padilha, parceiros nos dois "Tropa de elite". No sábado, Olinda vai dar uma espiadinha no documentário que Pedro Bial dirigiu a quatro mãos com Heitor D’Alincourt: "Jorge Mautner — O filho do Holocausto". Já o domingo terá clima de policial noir dos anos 1940, com "Boca", do paulista Flávio Frederico, elogiado na Inglaterra por seu clima de filme de gângster.

Na segunda-feira, a literatura infanto-juvenil best-seller de Lygia Bojunga ganha as telas em "Corda bamba — História de uma menina equilibrista", de Eduardo Goldenstein. Para o feriado de 1 de maio, foram selecionados dois pernambucanos: "Na quadrada das águas perdidas", um monólogo de Wagner Miranda e Marcos Carvalho, com Matheus Nachtergaele em cena; e o documentário "Estradeiros", de Renata Pinheiro e Sérgio Oliveira. No dia 2, serão anunciados os ganhadores.

— Paulínia começou forte e fez uma história bonita, mas, com sua força econômica, amarrava parte da produção nacional — diz Bertini. — Para os festivais do primeiro semestre, era difícil conseguir certos filmes que, por terem sido produzidos com o aporte da cidade, tinham compromisso de estrear lá. Desde 2011 eu tinha que negociar filmes com eles.

Neste ano, ele tentava negociar a exibição de "Totalmente inocentes" e "A cadeira do pai", entre outros:

— Nem tive resposta. Sinal dos problemas que causaram essa lamentável suspensão.

Bertini lembra que festivais organizados por órgãos públicos são sempre suscetíveis a questões políticas.

— Eventos como o Cine PE, o Cine Ceará e o Festival do Rio têm uma constituição que parte de empresas privadas, o que nos garante maior independência e, por consequência, estabilidade — diz. — Até dia 2, o que a gente quer é celebrar a pluralidade do cinema, como grandes festivais, incluindo o de Paulínia, sempre lutaram para fazer.



FONTE: O GLOBO

Aula de português:: Carlos Drummond de Andrade


A linguagem
na ponta da língua,
tão fácil de falar
e de entender.
A linguagem
na superfície estrelada de letras,
sabe lá o que ela quer dizer?
Professor Carlos Góis, ele é quem sabe,
e vai desmatando
o amazonas de minha ignorância.
Figuras de gramática, esquipáticas,
atropelam-me, aturdem-me, seqüestram-me.
Já esqueci a língua em que comia,
em que pedia para ir lá fora,
em que levava e dava pontapé,
a língua, breve língua entrecortada
do namoro com a prima.
O português são dois; o outro, mistério.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

OPINIÃO DO DIA – José Serra: Código Florestal


 “Agride o bom senso e humilha os ambientalistas. Bem ou mal, o substitutivo do Senado sobre o Código Florestal expressava um acordo político. Voltar atrás é jogar no quanto pior melhor"

José Serra, ex-governador (PSDB-SP), sobre o relatório Paulo Piau. O Globo, 24/4/2912

Manchetes de alguns dos principais jornais do Brasil


O GLOBO

FOLHA DE S. PAULO

O ESTADO DE S. PAULO

VALOR ECONÔMICO

CORREIO BRAZILIENSE

ESTADO DE MINAS

ZERO HORA (RS)

JORNAL DO COMMERCIO (PE)

O que pensa a mídia - editoriais de alguns dos principais jornais do Brasil

http://www2.pps.org.br/2005/index.asp?opcao=editoriais

CPI começa com 65% de governistas e relator 'fiel'


Petista diz que foco não é o Planalto, mas fala em apurar "doa a quem doer"

A CPI Mista que investigará o bicheiro Carlinhos Cachoeira e suas conexões com o mundo político e a construtora Delta terá o ritmo ditado pelo deputado Odair Cunha, de Minas. Escolhido relator, ele afirmou ser um petista "fiel" e disse que o foco é o contraventor: "Não se trata de uma investigação que vá para cima do Planalto ou qualquer membro do governo". Admitiu, porém, mudança de rumo, "doa a quem doer", dependendo do avanço das investigações. Com 41 dos 63 parlamentares, os governistas terão o controle da CPI. O PMDB escalou políticos suplentes e inexperientes, deixando ao PT a tarefa de blindar o Planalto. O presidente do Senado, José Sarney, disse que o Congresso viverá "algum tempo de muitas revelações e turbulências".

Fiel petista à frente de CPI

PMDB escala segundo time e deixa para PT a tarefa de blindar o Planalto nas investigações
Maria Lima

TENTÁCULOS DA CONTRAVENÇÃO

Caberá ao PT ir para a linha de frente na defesa do governo na CPI mista de Carlinhos Cachoeira, que terá a primeira reunião hoje para eleger e oficializar a escolha do presidente, o senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), e do relator, o deputado Odair Cunha (PT-MG). Principal partido da base governista no Congresso, o PMDB lavou as mãos ao indicar nomes considerados fracos e inexperientes em CPIs, deixando para o PT a tarefa espinhosa de blindar o governo dos ataques da oposição. Com a escolha de Odair, um jovem petista disciplinado e afinado com o Planalto, o ex-presidente Lula foi derrotado, por não conseguir emplacar Cândido Vaccarezza (PT-SP), considerado mais agressivo.

Segundo líderes governistas, Lula brigou por Vaccarezza até o fim, mas o Planalto o vetou e tentou impor Paulo Teixeira (PT-SP). Diante do impasse, o líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), e o presidente da Casa, Marco Maia (PT-RS), agiram para escolher Odair. Com a preocupação crescente no PT e partidos aliados sobre os rumos da CPI, Lula desembarca hoje em Brasília para encontros com a presidente Dilma Rousseff e líderes de PT e PMDB.

O relator terá o poder de ditar o ritmo das investigações. Após ser anunciado, ontem, já adotou um tom moderado, afirmando que as investigações serão sérias, "doa a quem doer", mas teve o cuidado de ressaltar que isso não significa envolver governo:

- Todos temos relação com o governo da presidenta Dilma, mas temos clareza de que estamos investigando o Carlinhos Cachoeira e suas relações. Não se trata de uma investigação que, necessariamente, vá para cima do Planalto ou qualquer membro do governo. Queremos investigar o fato determinado, que originou a CPMI. Se no curso das investigações (surgirem alguns governistas), a partir dos indícios e das provas, vamos produzir a investigação, doa a quem doer. Vamos produzir uma investigação séria, serena e que realmente identifique esse poder paralelo que se instalou, a partir das relações do Carlos Cachoeira - disse Odair, negando que fará mais pelo governo do que outros petistas cotados para relator: - Sou tão fiel quanto qualquer outro petista.

PMDB indica suplentes

Pela manhã, o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), reuniu-se com a ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti. Além de expor a preocupação com a CPI, pôs os senadores que indicaria: o novato Sérgio Souza (PMDB-SC), suplente da ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann; Ricardo Ferraço (PMDB-ES), dos chamados independentes; Ciro Nogueira (PP-PI); Paulo Davin (PV-RN), suplente do ministro Garibaldi Alves (PMDB-RN); e Vital do Rêgo.

Com esses suplentes e estreantes em CPIs, Renan mandou um recado ao governo: a bola está com o PT. Renan tentou indicar o líder do governo, Eduardo Braga (PMDB-AM), para constrangê-lo a assumir diariamente a defesa do governo. Braga não aceitou. Já um dos deputados indicados pelo PMDB é João Magalhães (MG), processado e absolvido no STF por ter sido denunciado como um da máfia dos sanguessugas.

Sem o primeiro time do PMDB, a liderança do PT reforçou as indicações do bloco PT/PSB/PCdoB/PDT com Humberto Costa (PT-PE), Lídice da Mata (PSB-BA), José Pimentel (PT-CE) e Vanessa Graziottin (PCdoB-MA). O senador Pedro Taques (MT), considerado independente, também entrou na cota governista.

A oposição vibrou com a dificuldade da base de ter os mais experientes.

- Desse jeito, a oposição vai acabar tomando conta dessa CPI - comentou o líder e presidente do DEM, senador José Agripino Maia (RN).

FONTE: O GLOBO

No Congresso, apreensão une base à oposição


Nos bastidores, CPI já é apelidada por parlamentares de "Jim Jones" porque "todos morrerão abraçados"

Maria Lima

BRASÍLIA. O clima de apreensão, principalmente no PT e no Planalto, aumentou muito ontem com os rumos que vem tomando a CPI Mista do Cachoeira. Antes manifestadas reservadamente, as preocupações foram explicitadas depois que o líder do PR, senador Blairo Maggi (MT), comunicou ontem, em reunião dos líderes da base com a ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, que o ex-diretor do Dnit Luiz Antônio Pagot está incontrolável, depois de ter se desligado do PR.

Em meio ao susto, alguns parlamentares davam ontem novo apelido à investigação: CPI Jim Jones, porque "vai morrer todo mundo abraçado", numa referência ao suicídio coletivo em 1978, na Guiana, que tinha à frente um líder de uma seita americana.

- O Pagot é um fio desencapado. Está descontrolado. Já avisou que quer ser o primeiro a depor na CPI e vai falar de tudo quanto é obra de rodovia e quem ordenou os contratos bichados em cada estado - disse Blairo a Ideli, segundo relato de um dos participantes.

Na reunião da bancada do PT mais tarde, para a escolha dos nomes, também se temia a imprevisibilidade com os rumos da CPI.

Alguns opositores da CPI no PT admitem que os líderes se precipitaram em sua criação, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) se negou a enviar os autos dos inquéritos da Operação Monte Carlo. O senador Wellington Dias (PT-PI) disse que há alguns dias ponderou que a CPI não vai avançar na área de investigação:

- Eu ponderei: se já está tudo apurado e em fase de julgamento para que CPI? Vai ser uma CPI meramente política. Mas com o carro a 200 quilômetros por hora não tinha como parar, qualquer um que recuasse pareceria medo de ser investigado - disse Wellington Dias, ontem.

Nos bastidores, não se descarta nem a apresentação de requerimentos para convocação do procurador-geral da República, Roberto Gurgel. E até ministros do STF poderiam ser convocados.

- Essa CPI é imprevisível. Ninguém sabe onde vai dar, não - dizia Blairo, no final da tarde..

O senador Pedro Taques (PDT-MT), da ala independente, não descarta retomar casos de antigos personagens como o ex-assessor de José Dirceu na Casa Civil Waldomiro Diniz e o escândalo da Gtech.

FONTE: O GLOBO

Para ter controle de CPI, Dilma impõe aliado como relator


O governo Dilma Rousseff indicou o deputado Odair Cunha (PT-MG) como relator da CPI que investigará a relação do empresário Carlinhos Cachoeira com políticos, sinalizando a intenção de mantê-la sob controle. O Planalto quer evitar que a investigação constranja o governo. Também tenta impedir o fortalecimento de setores do PT ligados a Lula e José Dirceu, que pregam o confronto com a oposição e queriam outro relator

CACHOEIRAGATE/INVESTIGAÇÃO

Planalto emplaca relator e tenta obter controle sobre CPI

Odair Cunha (PT-MG) foi escolhido com o apoio da ministra Ideli Salvatti e do líder do governo na Câmara

Petista diz que não fará "caça às bruxas" e rejeita ideia de investigar jornalistas, juízes e procuradores

BRASÍLIA - O governo Dilma Rousseff indicou ontem um aliado como relator da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) que vai investigar os negócios do empresário Carlos Cachoeira, sinalizando a intenção de manter as atividades da comissão sob seu controle.

Como relator, o deputado Odair Cunha (PT-MG) terá amplos poderes para conduzir as investigações e será responsável pelo relatório em que serão expostas as conclusões da CPI, que foi instalada formalmente ontem à noite.

O Palácio do Planalto quer evitar que a comissão crie constrangimentos para o governo federal e trabalha para conter os setores do PT que desejam transformá-la em instrumento para um confronto com os partidos que fazem oposição à presidente.

Investigações feitas pela Polícia Federal nos últimos três anos levaram Cachoeira à prisão em fevereiro e expuseram seu relacionamento com vários negócios no setor público e políticos de seis partidos diferentes, incluindo o PT de Dilma e o PSDB, o maior partido da oposição.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi um dos principais incentivadores da criação da comissão há duas semanas, quando ela começou a ser negociada por líderes partidários no Congresso.

Lula viu na CPI um instrumento para enfraquecer a oposição e assim reduzir os danos que o julgamento do mensalão poderá criar para ele e os petistas neste ano.

Mas Dilma teme que as investigações também provoquem prejuízos para a sua imagem, por causa das ligações de Cachoeira com políticos do PT e a construtora Delta, que tem vários contratos com o governo federal.

Aval

A indicação de Odair Cunha como relator da CPI recebeu o aval da ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, e do líder do governo na Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP).

Outro aliado do Planalto, o senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), será o presidente da CPI. Dos 32 membros da comissão, 25 foram indicados pelo PT, pelo PMDB e por outros partidos governistas.

Uma das ideias em discussão no governo é deixar para o fim das investigações a convocação de Cachoeira para depor, o que poderia atenuar o efeito explosivo que seu depoimento provavelmente teria se fosse tomado agora.

Antes, a CPI vai pedir os documentos da investigação da PF e ouvir o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, e os delegados que investigaram Cachoeira.

Cunha pregou moderação em suas primeiras declarações. "Não vou fazer caça às bruxas", disse à Folha, ao ser perguntado sobre a possibilidade de incluir entre os focos das investigações as relações de Cachoeira com jornalistas, juízes e procuradores.

O primeiro indicado pelo PT para a relatoria da CPI foi o deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), que tinha o apoio de Lula mas foi vetado por Dilma, que em março afastou-o da liderança do governo na Câmara e substituiu-o por Arlindo Chinaglia.

A escolha de Cunha foi a maneira encontrada por Dilma para se contrapor à ala paulista do PT, que tem forte influência de Lula e do ex-ministro José Dirceu, um dos 38 réus do processo do mensalão, que o Supremo Tribunal Federal se prepara para julgar nos próximos meses.

FONTE: FOLHA DE S. PAULO

Almoço reúne Lula, Dilma e ministros


Vera Rosa

BRASÍLIA - Incentivador da CPI do Cachoeira, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarca hoje em Brasília disposto a estimular o PT e a base aliada a bombardearem o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), e o senador Demóstenes Torres (ex-DEM) para atingir a oposição às vésperas das eleições.

Lula vai almoçar com a presidente Dilma Rousseff e ministros, no Palácio da Alvorada, algumas horas depois da instalação da CPI. Nos últimos dias, o ex-presidente e sua sucessora divergiram sobre a conveniência da instalação da CPI. Lula, porém, está convencido de que as investigações vão desvendar como operava o que ele chama de “quadrilha política e empresarial” comandada por Carlinhos Cachoeira. Na avaliação de Lula, o esquema de Cachoeira se aliou à oposição e agiu para fabricar provas contra o seu governo. Em conversas reservadas, o ex-presidente tem dito que a CPI vai desvendar as ligações de Cachoeira com a “farsa do mensalão”.

Perillo garantiu, em 2005, que alertou Lula sobre o pagamento de propina a parlamentares, em troca de apoio no Congresso. O ex-presidente nega e nunca perdoou o tucano por isso. Embora não tenha feito nada para evitar a CPI, Dilma teme que ela contamine as votações no Congresso. O governo também se deu conta de que a CPI pode trazer problemas ao Planalto porque a construtora Delta, no epicentro da investigação, é a que tem mais contratos para obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

FONTE: O ESTADO DE S. PAULO

CPI começa com plano para blindar Planalto


Após ser escolhido, o relator Odair Cunha (PT-MG) já declarou que investigações devem se voltar apenas a Cachoeira

João Domingos, Eugênia Lopes

BRASÍLIA - Com ampla maioria governista, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Cachoeira começa a funcionar hoje pronta para blindar o governo. Mal foi indicado como relator da CPI, o deputado Odair Cunha (PT-MG) deixou claro, ontem, o limite das investigações: elas não podem atingir o Planalto ou integrantes do governo. Dos 32 titulares da CPI, só 7 serão de partidos de oposição. “Temos que ter clareza de que estamos investigando Carlinhos Cachoeira e suas relações.

Não é uma investigação que necessariamente vá para cima do Planalto ou qualquer membro do governo. Queremos investigar o fato determinado que originou a CPI”, disse Cunha, ao negar “conflito de interesse” com o fato de ser vice-líder do governo e relator da comissão. “Não sou nem mais nem menos governista do que qualquer deputado do PT.”


Num primeiro momento, a base aliada na CPI deverá poupar dois assessores do Planalto que tiveram seus nomes ligados a Cachoeira. O ex-diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) Luiz Antonio Pagot acusou assessores do Planalto de atuarem para derrubá-lo, deixando vazar informações de interesse da organização de Cachoeira.


A convocação de Pagot é vista como inevitável, até por governistas. Em entrevista ao Estado, o ex- diretor do Dnit disse que o subchefe de Assuntos Federativos da Secretaria de Relações Institu-cionais, Olavo Noleto, e o porta-voz da Presidência da República, Thomas Traumann, repassaram dados de reunião sigilosa da pre-sidente Dilma Rousseff com a cú-pula dos Transportes, em 5 de junho de 2011. Pagot alegou que, como diretor do Dnit, afetou intresses da Delta Construções, o que teria motivado retaliação do grupo de Cachoeira.

Antes de aprovar qualquer requerimento, incluindo a convocação de Cachoeira, Odair Cunha afirmou que pretende analisar os documentos das operações Vegas e Monte Carlo, da Polícia Federal. “Queremos produzir uma investigação séria e serena que identifique o poder paralelo que se instalou a partir de Cachoeira.

Vazamento. O presidente da CPI, senador Vital do Rego (PMDB-PB), mostrou-se mais preocupado com os vazamentos de documentos das operações do que com as investigações da CPI. E antecipou que não vai atender ao pedido da oposição para criar sub-relatorias . “As sub- relatorias podem facilitar o vazamento”, argumentou.

A divulgação ontem dos nomes que integrarão a comissão parlamentar mista evidenciou a estratégia do PMDB de tentar mostrar que a CPI é do PT. En- quanto os petistas lançaram mão de suas estrelas e ex-líderes partidários, o PMDB indicou parlamentares pouco expressivos.

FONTE: O ESTADO DE S. PAULO

Novo impasse atrasa votação do Código Florestal


Presidente da Câmara aponta falha regimental no texto do relator Paulo Piau e irrita líder do PMDB e bancada ruralista

André de Souza, Isabel Braga e Cristiane Jungblut

BRASÍLIA. Após forte pressão do governo, e até mesmo do presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), que apontou uma falha regimental em seu texto, o relator do Código Florestal, deputado Paulo Piau (PMDB-MG), admitiu ontem que poderá recuar, se houver acordo. A votação do código, conforme compromisso firmado por Marco Maia há duas semanas, estava prevista para ontem, mas, como não havia clima para a votação, o texto deve ser apreciado hoje.

Questionado se havia possibilidade de negociar mudanças em seu texto, Piau respondeu:

- Mas é lógico! Até o momento em que começar o processo de votação, há espaço para esse instrumento (a negociação). Eu recuo dentro de um acordo que beneficie a proteção ambiental e proteja, sobretudo, os pequenos agricultores, porque eles estão sendo atingidos. Com os grandes não há problema nenhum. Estou disposto a recuar sem problema.

"Espero não ter de tomar uma decisão sobre a matéria"

O novo código foi aprovado pela Câmara e alterado pelo Senado no ano passado. Por causa das modificações, o texto voltou para a Câmara, que pode aceitá-las ou rejeitá-las. No relatório, Piau retirou do texto vindo do Senado os parágrafos que obrigam os produtores a recompor com vegetação nativa a margem dos rios.

Mas um desses parágrafos é muito parecido com outro já aprovado pela Câmara, no ano passado. Para Marco Maia, esse trecho, portanto, não poderia ter sido suprimido no relatório de Piau. Maia chegou a dizer que, se Piau não tomasse uma atitude em relação ao problema, ele teria que tomar uma decisão.

- O relator, ao retirar parágrafos do artigo 62, deixa de recompor o que havia sido votado pela Câmara. E isso, regimentalmente, não pode. Como já foi votado na Câmara e já foi votado no Senado, não há como o relator retirar - disse Marco Maia, acrescentando:

- Espero não ter que tomar uma decisão sobre essa matéria. Que o relator faça o ajuste necessário, para que não vire questão de ordem no plenário.

O governo é contra o relatório de Piau e defende o texto do Senado. Já sinalizou, inclusive, que vetará o artigo que trata das Áreas de Preservação Permanente (APP) e editará uma medida provisória para suprir a lacuna jurídica.

Clima na Câmara ficou ruim e plenário se esvaziou

O líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), no entanto, disse que a questão de ordem levantada é assunto do presidente da Câmara, não do Palácio do Planalto.

- É o Marco Maia que vai responder, não o governo.

O comportamento de Marco Maia (PT-RS) irritou a bancada ruralista e também o líder do PMDB, deputado Henrique Alves (RN). Contrariado, Henrique Alves foi fazer perguntas a Maia e, imediatamente, trancou-se na liderança do PMDB para se reunir com Piau e os peemedebistas. O clima ficou ruim e o plenário se esvaziou.

O líder do PSDB na Câmara, deputado Bruno Araújo (PE), afirmou que é favorável ao relatório de Piau, mas precisa aguardar a decisão da Mesa Diretora a respeito da questão regimental levantada por Maia.

- Majoritariamente, ao longo das discussões de hoje, o PSDB caminha na direção do texto do deputado Piau. O PSDB está pronto para decidir. Precisa conhecer qual o relatório definitivo que vai ter o acolhimento da Mesa Diretora da Casa - disse o tucano.

Piau discorda que o parágrafo eliminado em seu relatório seja igual ao aprovado pela Câmara ano passado. O texto da Câmara dizia que era necessário recompor, no mínimo, 15 metros na margem de rios com até dez metros de largura. Já o texto da Câmara fala em reflorestar 15 metros. E, como já havia feito anteontem, Piau voltou a reclamar da imprensa.

- Nós não podemos dizer que ruralista é coisa ruim e que os ambientalistas são coisas boas, como a imprensa brasileira tem dito ultimamente.

PSOL diz que agropecuária financiou eleição de relator

Piau sofreu ataques do PSOL, que fez um levantamento dos doadores de sua última campanha eleitoral. O partido diz que Piau teve 41,7% de sua campanha financiada por segmentos da produção agropecuária, ferindo o regimento da Câmara. Piau respondeu:

- Acho que o choro é normal. Cada deputado tem sua liberdade de expressão.

Segundo o presidente da Frente Parlamentar da Agricultura, Moreira Mendes (PSD-RO), na votação do texto na Câmara a maioria foi contrária ao artigo que previa a recomposição da margem de rios de até dez metros de largura. Mas, na redação do texto enviado ao Senado, o trecho foi mantido.

- A Frente defenderá e apoiará o texto do relator Piau. A redação tinha que ter suprimido o trecho e não suprimiu. Querem agora usar isso para dizer que o teor foi aprovado nas duas Casas - disse Mendes.

No salão verde da Câmara, um grupo de 20 manifestantes contrários usava camisetas com a frase "Veta, Dilma".

FONTE: O GLOBO

Líder do governo entrega 'bolsa enchente' no AM


Governo do Estado organizou comitiva para distribuir benefícios a desabrigados

Kátia Brasil


MANAUS - Em meio à turbulência no Congresso pela CPI do Cachoeira, o líder do governo no Senado, Eduardo Braga (PMDB-AM), e o governador do Amazonas, Omar Aziz (PSB), passaram o último fim de semana em comitiva de entrega de benefícios a vítimas de enchentes no Estado.


Em quatro aviões fretados pelo governo do Amazonas, Braga, Aziz e outros parlamentares visitaram oito cidades remotas do Estado.

Durante a viagem, Braga, que governou o Amazonas de 2003 a 2010, entregou cartões de pagamento a desabrigados e notebooks a professores. Também discursou em praças e ginásios e divulgou a ação no Facebook.

Em Carauari (702 km de Manaus), Braga discursou para 2.000 pessoas e chegou a discutir com uma delas após ouvir vaias.

Ao todo, 27 dos 62 municípios do Amazonas decretaram emergência em razão de enchentes, que já afetam 184 mil pessoas no Estado.

Segundo o Ministério da Integração Nacional, R$ 10,5 milhões foram transferidos ao governo do Amazonas para ações de Defesa Civil.

A comitiva entregou na viagem cerca de 10 mil cartões para pagamento a famílias afetada por cheias.

Questionado sobre o custo da viagem, o governo não respondeu à reportagem. Braga também não respondeu.

A senadora Vanessa Grazziotin (PC do B-AM), que também participou da entrega dos cartões, negou interesse eleitoral na viagem. "Não somos candidatos a nada, foi ação de governo."

FONTE: FOLHA DE S. PAULO

Dilma não descarta mudanças na poupança


Diferentemente de integrantes da equipe econômica, a presidente Dilma Rousseff deixou em aberto ontem a possibilidade de alterar o rendimento da poupança - e abrir espaço para reduzir a taxa básica de juros, sem provocar fuga de recursos dos fundos de investimentos para a caderneta. "Todas as questões vão ser avaliadas pelo governo com muita calma", disse

Dilma diz que governo vai avaliar mudança na poupança com "calma"

Tânia Monteiro

BRASÍLIA - A mudança na regra de remuneração da poupança ganhou ontem o primeiro sinal oficial do Palácio do Planalto. Ao contrário das negativas dos integrantes da equipe econômica, a presidente Dilma Rousseff deixou em aberto a possibilidade de alterar o rendimento da poupança - e abrir espaço para reduzir a taxa básica de juros (Selic) sem causar fuga de recursos dos fundos de investimentos para a caderneta.

A reação no mercado financeiro foi imediata. Os investidores aumentarem suas apostas no mercado futuro, elevando a quase 90% a probabilidade de um novo corte de juros na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central. A expectativa predominante é que o BC corte os juros em 0,50 ponto para 8,5% ao ano.

Dilma foi questionada pela imprensa sobre as mudanças na poupança depois de receber o governador-geral do Canadá, David Johnston. No lugar do categórico não, Dilma optou por um sinal mais aberto: "Veremos, veremos. Cada dia com sua agonia".

Diante da insistência dos jornalistas, ela completou: "Sem dúvida nenhuma, todas as questões vão ser avaliadas pelo governo com muita calma, muita tranquilidade". Dilma ainda brincou: "Vocês não vão tirar a manchete de mim. De jeito nenhum".

Os bancos têm pressionado o governo a anunciar novas regras para a caderneta. O movimento é reflexo da queda contínua da Selic. Alguns fundos de investimento já perdem em rentabilidade na comparação com a poupança por causa das taxas de administração cobradas e a incidência do imposto de renda, o que não acontece na caderneta.

Os técnicos do governo dizem que não há necessidade de o governo tratar de um assunto tão delicado em ano eleitoral. Mas admitem que a rentabilidade da poupança terá de ser discutida "em algum momento".

Crítica. Dilma voltou a criticar os altos juros cobrados pelos bancos. "Não existe explicação técnica para sermos o País que somos, que tenhamos estabilidade macroeconômica como temos, e nossas taxas de juros não sejam compatíveis com as taxas internacionais", disse.

Ao ser questionada se os bancos não deveriam reduzir suas taxas de administração, a presidente esquivou-se de responder. "Não vou me imiscuir (intrometer) na forma como se administra nada. Não acredito que seja uma questão que vamos realizar de supetão. Vamos realizar isso progressivamente."

Dilma repetiu que não há razão para termos taxas de juros tão elevadas. "Vejo países com alto grau de endividamento, com déficits fiscais estarrecedores, com níveis de inadimplência absurdos, praticando taxa de 1%, 2%, 5%. Então, o que eu estou dizendo é que o Brasil progressivamente pode, como pode fazer outra coisas, vai poder também fazer isso (reduzir as taxas)."

FONTE: O ESTADO DE S. PAULO