sábado, 17 de outubro de 2026

A mídia sufoca a liberdade, por Luiz Gonzaga Belluzzo

CartaCapital

O vírus da intolerância midiática se desenvolve rapidamente na estufa da autocomplacência

Os poderosos da Grande Mídia nativa não cobriram, mas encobriram, por todos os meios e modos, a manifestação pró-Lula na Avenida Paulista. Nas tevês, durante a programação noticiosa, o telespectador ficou à mercê do excesso de gesticulação de âncoras e quetais, contorcionismos que denunciavam o mal-estar com a negação dos fatos que ocupavam as ruas. Não raro, os diálogos entre apresentadores e repórteres se encerravam com ataques ao vernáculo: “brigado”.

TSE usurpador, por Aldo Fornazieri

CartaCapital

Kassio Nunes Marques, mergulhado até a cabeça no escândalo Vorcaro, se esforça para transformar o tribunal eleitoral num subcomitê da campanha de Flávio Bolsonaro

O Judiciário brasileiro vive a noite mais trevosa da sua existência. Eivado de denúncias de corrupção, mergulhado em práticas parciais, tomado por vieses político-partidários, enlameado por privilégios e penduricalhos, extraviado em seus procedimentos, incompetente e lerdo nas efetivações processuais, tendencioso contra pobres e negros, tem perdido credibilidade e confiança da sociedade. O envolvimento de ministros do STF com o Master foi a pedra de toque do desprestígio.

Congresso promulga PEC que dá fim à escala 6×1, por Vinícius Nunes

CartaCapital

O presidente Lula, que busca a reeleição, participou da cerimônia

O Congresso Nacional promulgou nesta sexta-feira 16 a emenda constitucional que acaba com a escala 6×1. O texto, que já tinha passado pela Câmara dos Deputados, foi aprovado pelo Senado na quarta-feira 14.

Durante a cerimônia de promulgação, o presidente Lula (PT) defendeu a mudança como forma de melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores. “Ninguém quer que uma empresa quebre, mas ninguém quer que o trabalhador morra de tanto trabalhar”, afirmou.

Lula argumentou que o descanso é parte fundamental da dignidade dos trabalhadores e questionou as resistências históricas à ampliação de direitos trabalhistas. “Quanto vale mais tempo para descanso? Quanto vale mais tempo com a família? Quanto vale mais tempo para cuidar de si e de quem se ama?”, perguntou.

Kassio veste a camisa, por André Barrocal

CartaCapital

Por razões pessoais e ideológicas, o ministro faz do TSE um puxadinho da campanha de Flávio Bolsonaro

Kassio Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, tem sido parcial a favor de Flávio Bolsonaro, e o caso do canal de WhatsApp “Exército do Lula” é o capítulo mais gritante dos últimos dias. Por que age assim? Um colega de Supremo Tribunal Federal apontava, há meses, a boa e velha ânsia de poder. A vitória do senador dará a Nunes Marques uma influência na nomea­ção para cargos no Judiciário que ele não tem com Lula. Pode até assumir as rédeas do STF antes do previsto, em setembro do próximo ano. Alexandre de Moraes está com a cabeça a prêmio, graças à bancada bolsonarista eleita para o Senado, a casa legislativa autorizada a cassar juízes. O comandante do Supremo é escolhido por rodízio entre seus integrantes, em ordem de antiguidade. Indicado à Corte em 2017 por Michel Temer, Moraes é o próximo da fila, após Edson Fachin, atual timoneiro. Depois vem Nunes Marques, alçado ao tribunal em 2020 pelo pai de Flávio. “Ele está sendo leal a quem o nomeou. Sua atuação é partidarizada e desequilibra a eleição”, diz o senador petista Randolfe Rodrigues, líder de Lula no Congresso.

Levante estudantil, por João Victor Sampaio e Kamille Soumaili

CartaCapital

Universitários de todo o País se unem contra a ameaça bolsonarista e comandam a onda vermelha

Depois de um primeiro turno apático e do susto causado pela vitória de Flávio Bolsonaro no domingo 4, a esquerda brasileira iniciou uma mobilização urgente e intensa em busca da virada de Lula puxada principalmente pela juventude e pelo movimento estudantil. Enquanto a campanha do presidente apostava nas redes sociais se aproximando de figuras jovens recém-eleitas, como Guilherme Cortez, do PSOL, e as petistas Ana Elisa e Luna ­Zarattini, os estudantes já tomavam as ruas. Na segunda-feira à noite, alunos da Universidade Federal Fluminense saíram do campus de Gragoatá e atravessaram Niterói com faixas, cartazes e palavras de ordem a favor do presidente. Na terça, foi a vez de a União Nacional dos Estudantes lançar a campanha “Estudantes com Lula”, em que convocava as entidades estudantis a se organizar e construir focos de mobilização pela reeleição dentro e fora das universidades. No mesmo dia, já circulava a confirmação de 40 atos em 14 estados e no Distrito Federal. Em nota, a instituição relembrou os esforços dos universitários no enfrentamento à ditadura empresarial-militar e ressaltou ainda que Flávio Bolsonaro “representa um campo político que, quando no poder, exterminou as perspectivas de futuro e mudança do povo brasileiro”. Em entrevista a CartaCapital, a presidenta da UNE, Bianca Borges, reforça a importância histórica da mobilização: “Quando lembramos que a nossa sede foi incendiada depois do golpe de 1964, que a entidade foi colocada na ilegalidade, que estudantes foram presos, torturados e assassinados, e que, mesmo assim, o movimento estudantil continuou se organizando, estamos falando sobre escolhas feitas por jovens que tinham praticamente a mesma idade dos estudantes que hoje estão dentro das universidades”.

O que a mídia pensa | Editoriais \ Opiniões

O futuro nas ruas

Por CartaCapital

Um movimento alentador, independentemente do resultado 

Dominadas por zumbis verde-amarelos desde 2013, as ruas brasileiras estão novamente em disputa. O susto das urnas no primeiro turno teve o efeito positivo de tirar da letargia milhões de cidadãos, atraídos pela disposição dos mais jovens. “Os ideais estão se organizando de maneira espontânea”, resume Gabriel de Oliveira, coordenador do DCE na Universidade Federal de Pernambuco, em entrevista à página 20 a João Victor Sampaio e Kamille Soumaili, ambos universitários como o entrevistado e movidos pela crença no jornalismo, fragilizado e imprescindível. Se o miasma de 1964 exala dos esgotos do bolsonarismo, excitado com a possibilidade de vitória, e se transforma em múltiplas agressões, como se depreende da reportagem de Maurício Thuswohl à página 14, o neutralizador tem sido irradiado por um movimento que, à revelia do apparatchik petista e dos doutos marqueteiros, deu outro vigor e sentido à campanha à reeleição do presidente Lula. Protagonistas da resistência ao golpe do século passado, à custa de vidas e expurgos, os estudantes assumem, de novo, a tarefa de servir de anteparo aos beleguins que se arvoram no direito de sufocar os direitos civis em nome da “liberdade”, caso Flávio Bolsonaro venha a ser eleito em 25 de outubro.

Poesia | Orquídea Negra, de Paulo Campos por Paula Campos

 

Lígia - Tom Jobim