sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Elogio ao ócio, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Garantir mais tempo livre para as pessoas é uma ideia inatacável

Teria feito mais sentido avançar por setor em vez de PEC de tamanho único

Foi aprovada a PEC que põe fim à escala 6x1. A ideia de dar mais tempo livre para as pessoas me parece inatacável.

É uma ideia com "pedigree". O termo grego "scholé" significa primariamente "ócio", "tempo livre", mas também "estudo", "aula" e, finalmente, "escola". Para os gregos, o ócio era o valor positivo. Não deve ser entendido como mera inatividade, mas sim como o tempo que alguém gasta em seu próprio interesse. Na "Política" (1337b), Aristóteles, rejeitando a noção de uma educação voltada só a coisas práticas, escreveu: "O primeiro princípio de toda ação é o ócio. Ambos (ação e ócio) são necessários, mas o ócio é melhor que a ocupação e é o fim em razão do qual ela existe". O ócio fundamenta o autoaprimoramento e a própria reflexão. Foi só depois que vieram os chatos dos estoicos e dos cristãos que ganhou tração a ideia de que "a ociosidade é a mãe de todos os vícios".

Datafolha: Flávio Bolsonaro tem 51% e Lula, 49% dos votos válidos, um empate técnico, por Igor Gielow

Folha de S. Paulo

Distância neste quesito, que exclui brancos, nulos e indecisos, era de quatro pontos na semana passada

A dez dias dias da decisão da disputa presidencial, senador marca 47% nos totais, ante 45% do petista

A dez dias do segundo turno da eleição presidencial, Flávio Bolsonaro (PL) tem 51% das intenções de votos válidos, ante 49% de Lula (PT), configurando assim um empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos percentuais do levantamento.

Há uma semana, a diferença entre eles era de quatro pontos no quesito, com o senador marcando 52% e o incumbente, 48%. A Justiça Eleitoral usa o voto válido, que exclui brancos e nulos, para a contagem final no dia da eleição. No caso de levantamentos de intenção, são retirados da conta também os indecisos.

PL é antiliberal, e dianteira de Flávio reflete insatisfação, diz autor de 'Como as Democracias Morrem', por Bárbara Blum

Folha de S. Paulo

Steven Levitsky diz que senador, se eleito, também precisará negociar com partidos para governar

Professor de Harvard vê ironia em apoio de países da América Latina a Trump, que passa por onda de impopularidade

O sucesso de Flávio Bolsonaro (PL) nas urnas do primeiro turno das eleições presidenciais não surpreendeu o cientista político americano Steven Levitsky. Um dos autores do best-seller "Como as Democracias Morrem", publicado em 2018, ele já esperava que o candidato que desafia o atual status fosse bem-sucedido.

Um levantamento feito por ele havia mostrado que, desde a pandemia, 74% dos governos incumbentes perderam as eleições nas democracias ocidentais analisadas. Foram 40 de 54. Foi o caso do Brasil, que não reelegeu Jair Bolsonaro (PL) em 2022.

Para o cientista político e professor de Harvard, essa insatisfação é a chave para ler os resultados das urnas do primeiro turno. O resultado positivo nas urnas para Flávio indica, segundo Levitsky, que o país continua insatisfeito com o status quo que o PT de Lula representa. "Não é que essa maioria dos brasileiros seja autoritária. Parte desse eleitorado está votando contra o status quo", afirma.

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