terça-feira, 13 de outubro de 2026

Itamaraty: instituição ameaçada, por Rubens Barbosa

O Estado de S. Paulo

O Itamaraty, como instituição de Estado, está ameaçado, qualquer que seja o resultado do segundo turno. Levando em conta as políticas implementadas nos três mandatos do PT e no governo de Jair Bolsonaro, as declarações durante a campanha eleitoral e de acordo com os programas dos candidatos, são preocupantes as perspectivas para a política externa e para a diplomacia nacional nos próximos quatro anos.

Do lado do lulismo, tudo indica que se repetirá a influência e o predomínio da ideologia e do partidarismo, deixando muitas vezes o interesse nacional em segundo plano. Com isso, continuará o esvaziamento do Itamaraty pela perda de espaço no âmbito da administração federal e pela deficiente formulação de políticas que respondam aos desafios do novo mundo e às prioridades nacionais.

O que a mídia pensa | Editoriais \ Opiniões

Nunes Marques insiste em censura pró-Flávio

Por Folha de S. Paulo

Após vetar divulgação de pesquisa, agora presidente do TSE resolve derrubar canal de WhatsApp

Trata-se de extrapolação do poder de uma Justiça Eleitoral já paternalista, o que só faz aumentar a percepção de parcialidade das instituições

O ministro Kassio Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, investe novamente em censura, prejudicando ainda mais a credibilidade do Judiciário.

No domingo (11), ele determinou a suspensão do canal de WhatsApp "Exército de Lula", administrado pelo deputado André Janones (Rede-MG); em junho, acatara pedido do PL para vetar a divulgação de pesquisa que apontava queda nas intenções de voto de Flávio Bolsonaro (PL).

Lula valorizou o salário mínimo, Flávio Bolsonaro vai congelá-lo? Por Michael França

Folha de S. Paulo

Petista gerou um aumento do poder de compra cerca de dez vezes maior que o registrado por Jair Bolsonaro

Candidato do PL promete repor a inflação, mas não assegura ganho real

Em 2026, o salário mínimo chegou a R$ 1.621, acumulando uma alta de 11,8% acima da elevação dos preços durante o governo Lula. Isso significa que os trabalhadores que o recebem tiveram um aumento em seu poder de compra.

A trajetória contrasta com a do governo de Jair Bolsonaro, cujos reajustes praticamente acompanharam a elevação dos preços, com ganho no poder de compra de apenas 1,2%.

O reajuste de 2019 ainda seguiu a regra antiga de valorização. Boa parte do 1,2% vem dessa alta herdada. Nos aumentos de 2020 a 2022, decididos pelo próprio governo Bolsonaro, o ganho real foi praticamente zero.

Se Jair Bolsonaro tivesse permanecido no poder e mantido a política de reajustes de seu governo, sem nenhum ganho do poder de compra, o salário mínimo chegaria a cerca de R$ 1.450 em 2026.

Seriam R$ 171 a menos por mês em comparação com o valor atual, uma diferença de cerca de R$ 2.200 ao ano, considerando o 13º salário.

É corrupto, mas é o meu corrupto, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Pleito mostra que o eleitorado não é muito consistente na aplicação de critérios éticos

Bolsonaristas cobram higidez de Lula, mas ignoram suspeitas fortes contra Flávio

Faz todo o sentido que o eleitorado rejeite a corrupção. Até algumas décadas atrás, ainda havia uma corrente de economistas que descrevia o fenômeno em termos mais benignos, como uma "graxa" que lubrificaria engrenagens travadas por instituições disfuncionais ou por excesso de regulação. Mas essas ideias, que já caíram em descrédito na academia, nunca fizeram muito sentido quando consideradas do ponto de vista do cidadão, que é a parte prejudicada pelos desvios, seja pela subtração direta de recursos públicos, seja pela perda de eficiência em sua alocação.

STF avançou e revelou-se mau jogador na política, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Supremo participa da guerra eleitoral, mesmo quando quer dar a impressão de que se afasta da disputa

Isso acontece porque aos magistrados falta o tino necessário para atuar em terrenos alheios à alçada da Justiça

O Supremo Tribunal Federal participa da guerra política mesmo quando quer dar a impressão de que se afasta dela. Toma decisões referidas no placar da primeira etapa da disputa eleitoral, evidenciando falta de tino para atuar em terrenos alheios à sua alçada.

A série de acenos favoráveis aos bolsonaristas parece antes uma tentativa de não atrapalhar o presidente Luiz Inácio da Silva (PT) mais do que já atrapalhou.

Vorcaro aposta em Flávio para salvar a própria pele, por Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

Empresário ressurge no calor da campanha presidencial com suspeita de mais falcatruas

Quem gravou o áudio dentro da prisão com acusações a Lula? Quem mandou gravar?

O escândalo do Banco Master funcionou como um radar da campanha presidencial. O míssil, contudo, atingiu em cheio a imagem do STF. A divisão interna entre ministros acabou favorecendo Flávio Bolsonaro, que conseguiu plantar a ideia de que Lula e Alexandre de Moraes são a mesma coisa.

A nova composição do Senado, predominantemente bolsonarista, sela o impeachment de Moraes. Ainda pode sobrar para Dias Toffoli, o mais enrolado de todos, e Flávio Dino, que não se lambuzou com o Master, mas investiga o desvio de emendas. Apesar de ligados ao esquema Vorcaro, Kassio Nunes Marques e Luiz Fux dormem tranquilos.

Uma escolha simples, por Angela Alonso*

Folha de S. Paulo

Segundo turno não põe dilema para democratas, já que a clivagem é entre a garantia de direitos e o primado da força

O que pode significar reforma da Constituição para 'redemocratizá-la' no dicionário de um fã do torturador Ustra?

A festa da democracia virou balada da extrema direita. O seu batalhão tomou a Câmara dos Deputados, o Senado e muitos governos estaduais. Faltam a Presidência e o sistema de Justiça. Dominadas estas últimas trincheiras, veremos, como querem os bolsonaristas, um arremedo do governo Donald Trump no Brasil.

O segundo turno não põe dilema para democratas, já que os candidatos diferem no fundamental: os meios democráticos ou os violentos para dirigir o país.

A política nacional teve outros momentos de decisões assim cruciais. Foi o caso dos dois 88.

Na batalha da escravidão, um lado lutou por direitos para indivíduos reduzidos a mercadorias e o outro, para manter a crueldade do escravismo e a compra e a venda de pessoas. Pulando um século, o embate opôs partidários de um Estado de exceção e de censura, governado por militares, e outro democrático, que garante o próprio direito de divergir.

O conhecimento saiu na frente, por Ivan Alves Filho*

Ele participou de dezenas de teses de doutorado e era considerado um dos grandes intelectuais franceses do seu tempo. No total, integrou mais de 150 bancas e defesas de tese na verdade. Não era para qualquer um. 

E, ainda por cima, foi o redator do projeto que daria origem à Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais (EHESS), uma das mais prestigiosas da França e da própria Europa, onde eu estudei por alguns anos, participando de sua primeira turma, em 1975. A EHESS era então dirigida por Claude Lévi-Strauss e Fernand Braudel, outros dois extraordinários intelectuais. 

Poesia | As sem-razões do amor, de Carlos Drummond de Andrade

 

Música | Carta ao Tom 74 - Vinícius de Moraes