sábado, 21 de maio de 2016

Opinião do dia – Fernando Henrique Cardoso

• O que achou da repercussão internacional negativa sobre o impeachment em veículos de imprensa como o New York Times?

”O PT criou uma narrativa do golpe que pega mais lá fora do que aqui dentro. Para os objetivos deles, esse discurso foi bom, mas não se sustenta com o tempo. Essa é uma narrativa que confunde, pois ela é fácil e não precisa explicar muito. Você viu o que houve no Festival de Cannes? Aquilo repercutiu momentaneamente, mas a presidente está na casa dela (no Palácio da Alvorada). Dilma ainda será Presidente da República até que o Senado vote a decisão final. São precisos 3/5 dos votos para sair em definitivo. É muito difícil. Por que o NYT fez isso? Porque a Constituição dos EUA é diferente da brasileira. Nos EUA o perjúrio dá impeachment e ela não cometeu perjúrio, mas cometeu crime de responsabilidade”
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Fernando Henrique Cardos, sociólogo, ex-presidente da República, em entrevista. O Estado de S. Paulo, 21/5/2016

Temer intervém e Centrão adia formação de bloco

• Presidente em exercício atuou contra criação de grupo hoje em choque com antiga oposição para evitar racha de base aliada

Igor Gadelha - O Estado de S. Paulo

BRASÍLIA - Com a necessidade de apoio no Congresso e após pressão do DEM, PSDB, PPS e PSB, o presidente em exercício Michel Temer convenceu o Centrão a desistir de se formalizar enquanto bloco parlamentar na Câmara. O grupo é formado por 225 deputados de 13 partidos e liderados pelo PP, PR, PTB e PSD. A intervenção do peemedebista evita, assim, um racha na base aliada do governo na Casa.

Lideranças da antiga oposição procuraram o novo líder do governo, André Moura (PSC-SE), para dizer que a oficialização do novo bloco que apoiou a indicação do sergipano levaria à formação de um bloco antagonista com integrantes da antiga oposição, com 117 deputados.

CUT aceita conversa sobre reforma da Previdência

• Após se negar a dialogar com governo, que considera ilegítimo, entidade decidiu participar de negociações com outras centrais

Ricardo Galhardo - O Estado de S. Paulo

Depois de se negar a dialogar com o governo do presidente em exercício Michel Temer, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) aceitou participar da mesa de negociações com outras quatro centrais sindicais sobre a reforma da Previdência e outras questões trabalhistas. O resultado das conversas será levado ao novo governo. Ligada ao PT, a CUT não reconhece a legitimidade do governo Temer e defende a volta da presidente Dilma Rousseff. Segundo dirigentes da CUT, o fato de aceitar participar das conversas com as demais entidades não significa reconhecer o governo Temer.

Temer planeja reduzir benefícios dados à presidente afastada

• Dilma já nomeou 35 assessores e suas viagens incomodam governo

Paulo Celso Pereira, Catarina Alencastro e Eduardo Barretto - O Globo

BRASÍLIA - O Palácio do Planalto estuda se manterá todos os direitos que a presidente afastada Dilma Rousseff usufrui hoje. A área jurídica da Casa Civil pretende regulamentar as prerrogativas que o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), concedeu à petista e que constam da intimação que ela assinou quando foi afastada. Como as prerrogativas não estão detalhadas, agora o novo governo se debruça sobre eles para delimitá-los melhor. Segundo uma fonte da Casa Civil, Dilma já nomeou 35 assessores que formam a equipe que segue trabalhando com ela no Palácio da Alvorada, residência oficial.

FH: líder de Temer é insustentável

Em entrevista pelo lançamento do segundo volume de “Diários da Presidência”, o ex-presidente FH disse que o Legislativo não pode “montar no cangote” de Temer e que o novo líder do governo, imposto por Eduardo Cunha, é “insustentável”

‘Não pode deixar o Legislativo montar no cangote do Executivo’

• Ex-presidente classifica de ‘insustentável’ escolha do novo líder do governo; e diz que PSDB não pode ser confundido com o partido do poder

Silvia Amorim - O Globo

SÃO PAULO- Na semana em que o presidente interino Michel Temer cedeu à pressão de pequenos partidos da Câmara para nomear um deputado réu em ações penais como líder do governo, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse em entrevista para falar de seu novo livro “Diários da Presidência - 1997 a 1998" que um presidente “não pode deixar o Legislativo montar no cangote do Executivo”.

Entrevista. Fernando Henrique Cardoso

‘Se o governo for para o lado errado, PSDB sai’, diz FHC

• Ex-presidente, que lança segundo volume de ‘Diários’, diz que Serra se fortalece para uma nova candidatura ao Planalto

Pedro Venceslau e Tonia Machado - O Estado de S. Paulo

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso avalia que o tucano José Serra, atual ministro das Relações Exteriores, se fortaleceu rumo a uma candidatura à Presidência em 2018. “Serra foi lá, tomou posição e se projetou. Ele ganhou mais força. Mas 2018 ainda está longe.”

No segundo volume de seu Diários da Presidência, que será lançado na próxima semana, FHC comenta a relação com o PMDB em seu governo. Em entrevista ao Estado, ele chama de “mito” o caso da compra de votos pela PEC da reeleição, que também é abordado no livro. Com o PSDB na base da gestão peemedebista de Michel Temer, FHC vê o sinais se inverterem e diz que o tucanos podem deixar o governo se ele “for para o lado errado”.

PMDB precisa mostrar que tem como liderar o país, diz FHC

Ricardo Balthazar – Folha de S. Paulo

SÃO PAULO - O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso acha que o desempenho do presidente interino, Michel Temer, nos próximos meses será crucial para determinar se o PMDB terá condições de liderar o país à frente de um novo bloco de poder, como petistas e tucanos fizeram antes dele.

Para o líder do PSDB, a recessão na economia e a fragmentação política do Congresso limitam as possibilidades do novo governo, e o futuro do PMDB dependerá da maneira como Temer lidar com essas dificuldades.

"Ele pode dar sinais para a economia, mas vai demorar para colher o fruto", diz FHC, que lança na próxima semana o segundo volume do seu "Diários da Presidência" (ed. Companhia das Letras), com memórias do biênio 1997-98.

Na opinião do ex-presidente, o PMDB "tem capacidade para fazer o Estado funcionar", mas ainda não demonstrou "capacidade de apontar o rumo" para o país, como ele explica na entrevista a seguir.

Fernando Henrique comentou ainda as denúncias de compra de votos para aprovar a emenda constitucional que permitiu sua reeleição em 1998.

Lula prevê prejuízos em sua agenda internacional com Serra ministro

Catia Seabra – Folha de S. Paulo

SÃO PAULO - A nomeação do senador José Serra (PSDB-SP) para o Ministério das Relações Exteriores deve provocar prejuízo à pauta de viagens internacionais do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Dirigentes do Instituto Lula admitiram, nesta sexta-feira (20), que a política defendida por Serra esvazia a capacidade de articulação do ex-presidente no exterior.

Antes do afastamento da presidente Dilma Rousseff, Lula atuava como um emissário informal do governo brasileiro, sendo recebido com deferência nas embaixadas no exterior.

José Serra será recebido por Mauricio Macri em visita à Argentina

Luciana Dyniewicz – Folha de S. Paulo

BUENOS AIRES - O recém-empossado ministro das Relações Exteriores, José Serra, será recebido pelo presidente da Argentina, Mauricio Macri, na tarde da próxima segunda-feira (23) em Buenos Aires.

No início deste ano, quando o então chanceler Mauro Vieira esteve no país, Macri também o recebeu.

Essa será a primeira viagem de Serra como ministro de governo do presidente interino Michel Temer. Ele chegará à capital argentina na noite de domingo e ficará hospedado na casa do embaixador Everton Vieira Vargas.

Vou só falar sobre a presidente Dilma nos autos, diz Gilmar Mendes

• Ministro do Supremo Tribunal Federal e presidente do Tribunal Superior Eleitoral ironizou críticas da petista sobre suspensão das diligências no inquérito que investiga o senador Aécio Neves (PSDB-MG)

Por Julia Affonso e André Italo Rocha – o Estado de S. Paulo

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal e presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ironizou a crítica da presidente Dilma Russeff (PT) sobre a suspensão das diligências no inquérito que investiga o senador Aécio Neves (PSDB-MG). O inquérito foi autorizado por Gilmar Mendes e teve as diligências suspensas 24 horas depois.

“Posso fazer uma ironia sobre a presidente Dilma? Vou só falar sobre a presidente Dilma nos autos”, afirmou Gilmar Mendes nesta sexta-feira, 20, em visita ao Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo.


PF investiga empresário ligado a Lula

• Sobrinho da primeira mulher do petista recebeu US$ 7,4 milhões da Odebrecht em obra financiada pelo BNDES

A Polícia Federal fez ontem operação para investigar um empresário ligado ao ex-presidente Lula. Taiguara Rodrigues dos Santos, sobrinho da primeira mulher de Lula, foi conduzido coercitivamente para depor. Uma empresa dele foi subcontratada pela Odebrecht, em Angola, para as obras de uma usina hidrelétrica financiada com recursos do BNDES. Segundo a PF, a Exergia, de Taiguara, recebeu R$ 3,5 milhões mesmo sem ter capacidade de prestar serviços. Documentos obtidos pelo GLOBO mostram outros pagamentos da Odebrecht para a Exergia, no valor de US$ 7,4 milhões, revela Thiago Herdy. Lula não foi alvo da operação, mas procuradores do Distrito Federal, que comandam as investigações, apuram se o expresidente atuou para favorecer a Odebrecht em obras no exterior. O Instituto Lula disse que o petista sempre agiu dentro da lei e em defesa dos interesses do país.

PF perto de Lula

• Operação investiga pagamentos da Odebrecht a empresário ligado ao ex-presidente

Thiago Herdy, Jailton Carvalho e André de Ssouza - O Globo

Governo prevê rombo de R$ 170,5 bi este ano

• Déficit é corrigido para incluir queda de receitas

Equipe econômica desbloqueia R$ 36,7 bi para pagar atrasados do PAC e despesas de Saúde, Defesa e diplomacia. Meirelles diz que nova meta, que não inclui CPMF, é realista e não será mais alterada em 2016

O governo Michel Temer anunciou ontem a nova meta fiscal de 2016, que agora prevê um rombo inédito de R$ 170,5 bilhões nas contas federais. O número, segundo o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, é “transparente e realista” e não será revisto. O governo Dilma previra inicialmente um superávit de R$ 24 bilhões para o ano. A equipe econômica surpreendeu ao liberar gastos para Saúde, Defesa, diplomacia e Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), mas argumentou que são despesas essenciais ao funcionamento da máquina pública. Na segunda-feira, o presidente interino, Michel Temer, irá pessoalmente ao Congresso explicar aos parlamentares a nova meta, que o presidente do Senado, Renan Calheiros, promete votar em sessão conjunta no dia seguinte.

Rombo nas contas será de R$ 170,5 bi

• Queda da arrecadação, alívio a estados e pagamento de atrasados provocarão déficit federal histórico em 2016

Martha Beck, Bárbara Nascimento, Gabriela Valente – O Globo

Temer anunciará medidas para reduzir rombo fiscal em discurso

Gustavo Uribe, Valdo Cruz – Folha de S. Paulo

BRASÍLIA - Pressionado pelo mercado financeiro a apresentar rapidamente saídas para equilibrar o deficit fiscal, o presidente interino Michel Temer aproveitará discurso na próxima segunda-feira (23) para anunciar medidas econômicas para aumento da arrecadação e redução das despesas e corte de gastos.

Em entrevista à imprensa, no Palácio do Planalto, o peemedebista explicará como tentará reduzir orombo de R$ 170,5 bilhões das contas públicas, anunciado nesta sexta-feira (20). Segundo assessores e auxiliares, ele detalhará iniciativas como o estabelecimento de um teto de gastos, o corte de cargos comissionados e o descontingenciamento de recursos orçamentários.

Meu palavrão predileto - Bolívar Lamounier*

-  O Estado de S. Paulo

Como grande parte dos cientistas sociais brasileiros e latino-americanos, às vezes sinto uma vontade irresistível de empregar o adjetivo “liberal” como xingamento. Nesta parte do mundo, como bem sabemos, liberal é um feio palavrão.

Meus eventuais leitores por certo já repararam nisso. Por mais que procurem, os intelectuais, o clero, os dirigentes partidários e os chamados formadores de opinião não conseguem atinar com um termo mais adequado quando querem se referir depreciativamente a um economista, empresário, partido político ou ao próprio governo.

Expectativas positivas - Merval Pereira

- O Globo

O sucesso ou fracasso do governo Temer dependerá rigorosamente dos ajustes econômicos que permitam ao país retomar minimamente o crescimento em 2018. Esta é a ideia central para a qual convergem as opiniões dos entrevistados de uma pesquisa feita pela consultoria Macroplan, especializada em estratégia e cenários futuros, sobre expectativas do desempenho do governo provisório.

Na sondagem realizada entre os dias 13 e 19 de maio junto a uma amostra de 82 empresários, executivos, economistas, cientistas políticos, gestores públicos e jornalistas de todas as regiões do país, foi solicitada a avaliação de quatro cenários plausíveis, alicerçadas na evolução das votações da admissibilidade do impeachment nas duas casas do Congresso e nos primeiros movimentos do novo governo. São eles:

Tarde demais - Hélio Schwartsman

- Folha de S. Paulo

Michel Temer não recebeu da população um mandato para cortar benefícios sociais. Não obstante, se o Estado brasileiro quer manter-se solvente, é o que tem de ser feito. Assim, a melhor chance de o governo Temer chegar a 2018 é abrir rapidamente o saco de maldades, garantir que sejam aprovadas no Congresso e torcer para que produzam logo efeitos positivos sobre a economia, legitimando "a posteriori" o que não o fora "a priori".

A lista de medidas impopulares é longa e há tribulações para todos. A primeira vítima são os sindicalistas. Já foram avisados de que terão de engolir a reforma da Previdência. Sua grita é grande, mas o assunto já foi exaustivamente debatido e não há dúvida de que será preciso fazer as pessoas trabalharem por mais anos.

Déficit como ele é - Míriam Leitão

- O Globo

A diferença entre o rombo anunciado pelo governo Dilma e o que foi anunciado agora pelo governo Temer é a eliminação de certos artifícios. Agora não há descontos e os números querem dizer o que os números dizem. Não entra na conta o que não está certo, o que é apenas intenção enviada ao Congresso. O número ficou mais feio sem a maquiagem, mas é melhor que seja real.

O lobo e o cordeiro – Igor Gielow

- Folha de S. Paulo

Cenário 1- Michel Temer chega a uma semana de governo com o peso de anos. Entregou à sociedade que busca estabilidade conjugada com mudança uma Esplanada que mais parece saída de um cenário infernal pintado por Bruegel.

Fez escolhas estranhas e viu a ministrada deitar falação só para recuar após a repercussão. Errou na simbologia, ignorando gênero e raça.

Comprou briga que poderia ser posterior na cultura, ainda mais com aquela categoria específica de cineastas pernambucanos subsidiados, a quem nunca repugna a faca dos cineastas pernambucanos subsidiados.

O tamanho do rombo - Celso Ming

• Na medida em que embute muitas incertezas, o propalado “realismo” do déficit de R$170,5 bilhões para 2016, anunciado nesta sexta-feira, deve ser visto com certo cuidado

- O Estado de S. Paulo

Depois de tudo, o País ficou sabendo agora que o rombo “realista” das contas do governo central em 2016 foi parar nos R$ 170,5 bilhões, ou 2,75% do PIB. Foi o que apresentaram nesta sexta-feira os ministros Henrique Meirelles, da Fazenda, e Romero Jucá, do Planejamento.

O número ficou mais ou menos a meia altura de uma cascata de projeções (ou balões de ensaio) que apareceram nos jornais nesta última semana, em princípio para demonstrar que as magnitudes com que vinham trabalhando as autoridades do governo Dilma estavam, mais uma vez, subdimensionadas.

Duas Marias vão à guerra – Demétrio Magnoli

- Folha de S. Paulo

Sinto, editores e leitores "modernos", mas não as elogiarei por serem mulheres. Nesse tempo e país, símbolos valem mais que substância – mas, anacrônico, prefiro a segunda. Maria Helena de Castro na secretaria-executiva do MEC e Maria Inês Fini na presidência do Inep são uma ousadia do ministro Mendonça Filho: a decisão de proteger os direitos dos estudantes contra a aliança entre a politicagem triunfante e o corporativismo sindical, grudados por uma gosma ideológica. Infelizmente, as duas Marias serão expostas a uma guerra suja, como sabem por experiência própria.

A contaminação do PT – Editorial / O Estado de S. Paulo

É uma história bem triste: lá estavam eles, os épicos petistas, empenhados em salvar o povo brasileiro da opressão quando, não mais que de repente, “eles” chegaram e “contaminaram” o PT com o “financiamento empresarial de campanhas” por meio do qual “as classes dominantes se articulam com o Estado”. Embora tenham, supõe-se, resistido bravamente, os petistas acabaram “envolvidos em práticas de partidos tradicionais”.

Parece piada, mas é exatamente esse o estapafúrdio argumento central da “autocrítica” feita pelos dirigentes nacionais do PT, na qual admitiram erros na condução da economia, todos eles atribuídos a Dilma Rousseff.

PT confirma aparelhar em nome do ‘projeto’ – Editorial / O Globo

• Documento do diretório nacional do partido lamenta não ter controlado as cúpulas da PF, do Ministério Público e mudado os currículos das academias militares

O documento “Resolução sobre conjuntura”, aprovado pelo diretório do PT no início da semana, é prova cabal da validade do provérbio “o papel aceita tudo”. Escrito numa linguagem de militância revolucionária das décadas de 60 e 70, o texto trata de um país imaginário chamado Brasil, em que houve um “golpe”, desfechado pelo imperialismo internacional com apoio da burguesia doméstica, “as classes dominantes”, e pelos “monopólios da informação”, diante do qual é preciso resistir.

Reorientação – Editorial / Folha de S. Paulo

Entre tropeços de seus ministros e elevada tolerância a personagens envolvidos em corrupção, o governo de Michel Temer (PMDB) dá ao menos um sinal positivo ao formar um dique de proteção técnica em cargos dedireção da economia, de estatais e de órgãos públicos.

A chegada de Pedro Parente ao comando da Petrobras talvez seja o melhor símbolo dessa mudança de orientação. Gestor de reconhecida competência, o ex-ministro de Fernando Henrique Cardoso (PSDB) aceitou a tarefa sob condição até outro dia impensável: "Não haverá indicação política".

Profissionalizar a gestão da petrolífera é fundamental para recuperar uma empresa marcada pelo maior escândalo de nossa história.

sexta-feira, 20 de maio de 2016

Opinião do dia – Roberto Freire

“É hora de um novo tempo. Temos de arregaçar as mangas e trabalhar duro para tirar o Brasil do atoleiro em que se encontra. O caminho não será fácil, mas com o esforço de todos é possível superar as dificuldades e retomar o trilho do desenvolvimento. As primeiras impressões sobre o novo governo são positivas. Que Michel Temer e sua equipe sejam bem sucedidos na árdua tarefa de recuperar um país enfermo.”

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Roberto Freire é deputado federal por São Paulo e presidente nacional do PPS. ‘Um novo tempo’, Diário do Poder, 19/05/2016

Temer vai mostrar balanço com rombo deixado por Dilma

• Presidente interino quer justificar sacrifícios a serem tomados por causa de déficit fiscal que pode superar os R$ 150 bilhões

Vera Rosa, Tânia Monteiro - O Estado de S. Paulo

BRASÍLIA - Aconselhado a mostrar resultados o mais rápido possível, o presidente em exercício Michel Temer vai apresentar na segunda-feira um balanço de como encontrou as finanças do País, com os principais problemas da administração de Dilma Rousseff, e anunciará seu plano para sair do vermelho. A ideia é transmitir a mensagem de que o governo funciona e não está paralisado como na gestão da presidente afastada.

Além da proposta de revisão da meta fiscal que será enviada ao Congresso naquele dia, Temer e os ministros Henrique Meirelles (Fazenda), Eliseu Padilha (Casa Civil), Romero Jucá (Planejamento) e Geddel Vieira Lima (Secretaria de Governo) farão uma prestação de contas sobre a situação herdada e o atual rombo, que pode ultrapassar R$ 150 bilhões.

A ofensiva de comunicação também tem o objetivo de deixar claro os motivos da mudança na meta e por que sacrifícios precisam ser feitos para ajustar as contas públicas. Embora aliados do governo tenham batizado esse inventário de “herança maldita”, Temer prefere não usar esta expressão.

Desemprego de jovens aumenta

• Taxa passou de 19,4% no 4º trimestre de 2015 para 24,1% no início deste ano

Daiane Costa - O Globo

Quase um quarto dos jovens no país está sem emprego. A taxa de desocupação na faixa etária de 18 a 24 anos saltou de 19,4% no fim do ano passado para 24,1% no primeiro trimestre. Na média do Brasil, o desemprego está em 10,9%. A taxa de desemprego entre jovens avançou com força no primeiro trimestre deste ano. Entre os trabalhadores que estão na faixa etária de 18 a 24 anos, 24,1% estão desempregados. No fim do ano passado, essa parcela era de 19,4%. Na média, o desemprego subiu de 9% para 10,9%. Para Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, instituto que divulgou o índice da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua ontem, o aumento expressivo do desemprego entre os jovens e também entre as mulheres — a taxa passou de 10,6% para 12,7% — reflete a perda do emprego com carteira assinada, principalmente, pelo chefe de família. Com a perda da renda, outros membros da família acabam sendo empurrados a buscar uma ocupação para compor o orçamento doméstico.

Na TV, líderes do PSDB afirmam estar juntos da gestão do PMDB

• No programa partidário, Fernando Henrique Cardoso disse que ‘a política precisa consertar o que ela própria estragou’

- O Estado de S. Paulo

SÃO PAULO - O programa partidário semestral do PSDB, que foi ao ar na noite de quinta-feira, 20, focou na questão do desemprego e no apoio ao governo Michel Temer. Os três tucanos mais “presidenciáveis” até o momento (Aécio Neves, José Serra e Geraldo Alckmin) foram os destaques da exibição – além do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

O programa mostrou um apresentador visitando os principais personagens do partido. FHC foi o primeiro a aparecer. Com ele, reforçou-se a ideia de que o País já passou por uma crise semelhante à atual (no período pós-Fernando Collor) e conseguiu superá-la graças à ação de FHC no Ministério da Fazenda e, posteriomente como Presidente da República. FHC destacou a Lei de Responsabilidade Fiscal e disse que foi, justamente, essa lei que a “presidente Dilma transgrediu”. No fim de sua participação, FHC sentenciou: “A política precisa consertar o que a própria política estragou”.

Depois do ex-presidente foi a vez do senador Aécio Neves (MG), presidente nacional do PSDB, aparecer no programa tucano. Com ele, o partido passou o recado de que “está junto com o governo Temer e que irá ajudá-lo”. “Estamos prontos para ajudar o governo e prontos também para alertar o governo para que ele não cometa os mesmos erros do passado”, diz Aécio. O senador repete a ideia de que o País precisa virar a página do “radicalismo e do ódio”. O candidato derrotado nas últimas eleições presidenciais afirmou que agora não é o momento de “pensar em projetos partidários ou pessoais, mas de pensar no Brasil”. Aécio chama o governo Temer de “governo de emergência nacional e diz trabalhar para que ele dê certo”.

Reforma da Previdência não é 'tudo ou nada', afirma FHC

Por César Felício – Valor Econômico

SÃO PAULO - A aprovação da reforma da Previdência não é "tudo ou nada" para o governo Michel Temer, avalia o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. "O mercado trabalha com um sarrafo mais alto que o real, eles têm margem, sabem que as coisas doem e que Temer precisa manter maioria parlamentar, preservar a Operação Lava-Jato e, ao mesmo tempo, gerar respostas para a economia".

Segundo FHC, que só conseguiu aprovar uma reforma incompleta em 1998 - a proposta de idade mínima caiu na Câmara dos Deputados por apenas um voto, em uma das raras derrotas legislativas sofridas por seu governo -, "em uma reforma você consegue 60% do que está propondo". "Temer precisa, com atos, dar sinais concretos em uma direção. No mais, é um processo negocial. Algo vai ser feito", afirma o ex-presidente.

Maior no Nordeste, desemprego cresce e já supera 15% na Bahia

Por Robson Sales e Estevão Taiar - Valor Econômico

RIO E DE SÃO PAULO - A situação fiscal do governo, que obrigou a cortes de investimentos, repasses e transferências, que contribuíam para impulsionar o crescimento econômico do Nordeste, pode ter sido a principal causa para a alta recorde de 33,7% no número de desocupados na região no primeiro trimestre, na comparação com o início do ano passado, segundo dados da Pnad Contínua, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A região tem 3,2 milhões de pessoas na fila em busca de trabalho, cerca de 800 mil a mais que em igual período do ano passado. A taxa de desocupação na região chegou a 12,8% no primeiro trimestre, a maior entre todas as cinco regiões pesquisadas.

PSDB defende legado de ex-presidente como modelo para superar crise

Por Fernando Taquari - Valor Econômico

SÃO PAULO - O PSDB aproveitou o programa de rádio e TV que foi ao ar ontem em cadeia nacional para defender o apoio da sigla ao governo de Michel Temer e apresentar o legado do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) como modelo para o país superar o atual cenário de crise econômica.

Durante os dez minutos do programa, os tucanos exploram o quadro de recessão e aumento do desemprego. Escondido das campanhas do PSDB até a eleição de 2014, quando foi reabilitado pelo então candidato Aécio Neves, FHC desponta como a principal estrela da peça publicitária.

TCU investiga liberação de verbas e nomeações feitas por Dilma até abril

Por Murillo Camarotto – Valor Econômico

SÃO PAULO - O Tribunal de Contas da União (TCU) está investigando algumas medidas tomadas pela presidente afastada Dilma Rousseff nos meses que antecederam a abertura de processo de impeachment. O órgão suspeita que as nomeações e liberações de verbas realizadas nos quatro primeiros meses deste ano ocorreram com o único objetivo de conquistar mais apoio parlamentar.
Em uma representação encaminhada no mês passado ao presidente do TCU, Aroldo Cedraz, o procurador-geral do órgão, Paulo Soares Bugarin, pede providências imediatas "para evitar a dilapidação do erário com oferta de cargos, emendas e pecúnia".

Temer manda suspender patrocínio em evento com petista

Por Andrea Jubé e Marcos de Moura e Souza – Valor Econômico

BELO HORIZONTE - O presidente interino Michel Temer determinou ontem que a Caixa Econômica Federal suspendesse o patrocínio que o banco daria ao 5º Encontro Nacional de Blogueiros e Ativistas Digitais, que ocorre nesta sexta-feira em Belo Horizonte.

O Valor PRO apurou com fontes do governo que Temer avalia que o patrocínio de R$ 100 mil destoa da conjuntura econômica de contenção de gastos. Na segunda-feira, Temer deve anunciar, ao lado do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, uma revisão da meta fiscal. O encontro que teria o patrocínio da Caixa tem como tema a "luta contra o golpismo midiático" e conta com a participação de blogs e veículos de comunicação que defendem a presidente afastada Dilma Rousseff.

Déficit fiscal pode chegar a R$ 200 bilhões

A nova meta fiscal que o governo enviará ao Congresso semana que vem deve prever um déficit de R$ 160 bilhões a R$ 200 bilhões nas contas públicas este ano. Os números serão apresentados pelo próprio presidente interino, Michel Temer, que quer expor as dificuldades herdadas do governo Dilma.

• Número será anunciado pelo próprio presidente interino Temer, que quer expor herança de problemas

Martha Beck, Catarina Alencastro, Cristiane Jungblut e Gabriela Valente - O Globo

-BRASÍLIA- A dificuldade em mapear os esqueletos existentes nas contas públicas dividiu os técnicos da equipe econômica sobre quais passivos devem ser incluídos na nova meta fiscal de 2016. Até a noite de ontem, o rombo que será assumido pelo governo no início da semana que vem poderia variar entre R$ 160 bilhões e R$ 200 bilhões. O número é muito superior ao que havia sido projetado pela equipe de Dilma Rousseff, que encaminhou ao Congresso, em março, proposta de alteração da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2016, mudando a meta do governo central de superávit primário de R$ 24 bilhões para um déficit de R$ 96,6 bilhões. Diante do novo rombo, o presidente interino Michel Temer decidiu vir pessoalmente a público tratar do assunto.

Renan Calheiros dá início a articulação para recriar o Ministério da Cultura

Daniela Lima, Marina Dias – Folha de S. Paulo

BRASÍLIA - O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), deu início a uma articulação para recriar o Ministério da Cultura. A estratégia prevê que o Congresso apresente uma emenda à medida provisória assinada pelo presidente interino, Michel Temer, que resultou na fusão da pasta com a Educação.

O peemedebista falou com Temer sobre o assunto nesta quarta (18), como antecipou a coluna Painel, da Folha. Em seguida, comunicou a estratégia a aliados, pediu apoio e defendeu publicamente arecriação do órgão.

Um novo tempo - Roberto Freire

- Diário do Poder

O impeachment de Dilma Rousseff, em vias de ser concretizado no julgamento definitivo pelo Senado Federal, não serviu apenas para interromper um governo desmoralizado pela corrupção e incompetência que conduziram o país a uma das mais graves crises de sua história republicana. Além do iminente encerramento do ciclo lulopetista marcado pelo desmantelo e pelo esgarçamento das instituições ao longo dos últimos 13 anos, a simples mudança no comando do Poder Executivo com a gestão interina do presidente Michel Temer devolveu um pouco de esperança à maioria expressiva da população e gerou um misto de alívio e otimismo em relação ao futuro.

José Serra: discurso na transmissão do cargo ministro Relações Exteriores

  • Discurso do ministro José Serra por ocasião da cerimônia de transmissão do cargo de ministro de estado das Relações Exteriores


Brasília, 18 de maio de 2016


Queria saudar inicialmente o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal;

O presidente do STJ, ministro Francisco Falcão;

Ministro Herman Benjamin, ministro Rogério Schietti e ministro Paulo Moura;

Queria cumprimentar, e através dele todos os deputados aqui presentes, o presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara, Pedro Vilela;

E o presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, meu colega do Senado, Aloysio Nunes, através de quem cumprimento todos os nossos queridos amigos senadores;

Queria saudar excelentíssimo ex-presidente da República, José Sarney, que, considero, teve um papel fundamental no processo de redemocratização do nosso país e merece ser reconhecido em todos os tempos por este papel.

Quero cumprimentar o senhor Núncio Apostólico, dom Giovanni d´Aniello, em nome de quem cumprimento os demais embaixadores estrangeiros acreditados junto ao governo brasileiro;

E dar aqui o meu abraço ao embaixador Mauro Vieira, ex-ministro de estado das Relações Exteriores, a quem agradeço a prestatividade, diria assim, e toda a colaboração nesse processo de transição do comando do Ministério. Quero dizer a ele que considero um homem que teve uma trajetória pública exemplar.

Quero agradecer também, muito enfaticamente, ao presidente Michel Temer pela confiança ao convidar-me para assumir este ministério, bem como pela paciência de revisar e pela aprovação deste Delineamento da Nova Política Externa Brasileira, que apresentarei hoje. O presidente leu ao meu lado, linha por linha, fazendo seus comentários, que naturalmente levei em conta. Quero dizer que trinta e três anos de convivência com Michel Temer, seja no mesmo lado ou em lados diferentes da vida política, foram sempre acompanhados de uma relação constante de amizade, respeito mútuo e permanente diálogo.

Diálogo com a tesoura - Fernando Gabeira*

- O Estado de S. Paulo

Quando ouço a palavra cultura, saco minha tesoura. É razoável que se pense assim num momento de crise aguda. Não entendo, porém, o fim do Ministério da Cultura.

O governo Temer nasceu de uma emergência, teve pouco tempo para se estruturar. Sua prioridade é correta: reconstrução econômica. Sua tática, também: conquistar a maioria no Congresso para aprovar as medidas saneadoras. Paga-se um preço, mas, enfim, é a única saída real. Compreendo, portanto, que o governo Temer ainda não tenha uma política cultural. Esta é a primeira crítica: é preciso ter política para, depois, definir o instrumento.

Desejos recônditos - Merval Pereira

- O Globo

Nota do Diretório do PT revela planos de controle do Estado. Nada como uma derrota para revelar as verdades escondidas do poder que predominou nos últimos 13 anos. Além dos imensos buracos na contabilidade pública que serão denunciados pelo próprio presidente Temer, temos agora revelados em nota oficial alguns objetivos prioritários do partido.

Aproveitando-se da democracia, o partido sempre tentou avançar em decisões autoritárias para controlar setores fundamentais do Estado. Quando denunciado, recuava e negava segundas intenções, como nas inúmeras vezes em que tentou aprovar projetos de controle dos meios de comunicação, com diversos nomes e variadas desculpas.

Agora, afinal, o próprio Diretório Nacional do PT solta uma nota oficial, à guisa de autocrítica, que revela os planos mais recônditos. Esses comentários irritaram setores das Forças Armadas, por exemplo, e confirmam que o partido sempre pensou em controlar o Ministério Público e a Polícia Federal, além de reafirmar o objetivo de controlar os meios de comunicação através da manipulação das verbas publicitárias.

O mundo pop do golpe - Eliane Cantanhêde

- O Estado de S. Paulo

O “exército do Stédile” estava perdendo a guerra da opinião pública e os que ainda insistem em falar em “golpe” trocaram os carimbados MST, CUT, UNE e MTST por uma tropa de elite: os artistas, que se misturam às mocinhas bonitas da classe média alta de Rio e São Paulo que ilustram as manifestações da Avenida Paulista e as capas dos jornais.

Como a turma do vermelho é a minoria da minoria, a estratégia petista é usar a transformação do Ministério da Cultura em Secretaria como pretexto para mobilizar os aliados do ambiente artístico, que acham chiquérrimo ser “de esquerda” e, a partir disso, defendem qualquer coisa. Os “movimentos sociais” dividem, mas o PT acha que esse “mundo pop” soma. É assim que artistas e assemelhados invadem prédios da área de Cultura, para ganhar espaço nas TVs e atrair simpatias entre os que não entenderam nada das pedaladas fiscais e caem na história do “golpe”.

O bom professor - Hélio Schwartsman

- Folha de S. Paulo

Um bom professor, daqueles dignos de ser chamados de mestre, é o que leva o aluno a questionar tudo, até a ideia de que tudo deve ser questionado —na maioria das vezes, é perda de tempo questionar um axioma matemático, por exemplo. Assim a atividade didática, em sua expressão mais elevada, combina pouco com a doutrinação, compreendida como o proselitismo em favor de uma causa.

O bom professor, mesmo que não se recuse a revelar o que pensa sobre temas sensíveis como política, religião e a existência do MinC, já evita, "ex officio", recrutar seguidores.