sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Opinião do dia – Claudio Napoleoni

“A filosofia moral de Smith acha-se vinculada a uma linha de pensamento que, na Inglaterra do sec. XVIII, nasce como reação ao selfish system de Hobbes, ou seja, a afirmação de um estado natural no qual cada comportamento humano somente possui como objetivo a mera autoconservação, ou egoísmo de cada indivíduo e do qual se alguma vez se tornar possível su realização integral, decorreria uma guerra geral e desagregadora entre os seres humanos. Para os fins que temos em mira, será interessante assinalar a consequência que deriva dessa filosofia moral no terreno da política – consequência que, como já se observou, é traçada com extremo rigor pelo próprio Hobbes. Se os atos humanos não possuem outro objetivo natural que não o egoísmo, torna-se impossível a constituição da sociedade sem a intervenção coercitiva do Estado; dito de outra forma a política não é considerada simplesmente como a atividade ordenadora de uma sociedade que extrai seu próprio fundamento e seu próprio princípio de uma tendência natural e espontânea dos homens no sentido da construção de um tecido de relações recíprocas estáveis; a política, então, converte-se no meio ao qual todos os homens são encaminhados ,pelo temor, como contrapartida a uma tendência natural à desagregação. Ou seja, a política seja a ser a própria fonte da vida social. Portanto, inexiste uma sociedade civil que, em sua ordem natural, preceda logicamente ao Estado; ao contrário, é exatamente em virtude da constituição desse Estado que a sociedade se forma. Consequentemente, a sociedade subsiste apenas enquanto os homens renunciem à própria liberdade; ou seja, segundo Hobbes, enquanto o homem renuncie às suas próprias tendências centrífugas e destrutivas em favor da autoridade estatal, qualquer que seja a forma pela qual esta venha a se configurar constitucionalmente. “
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Claudio Napoleoni (1924-1988) foi economista e político italiano, ex-senador na lista do antigo PCI.. ‘Smith, Ricardo, Marx’, 6º Edição, pp. 40-1. Edições Graal Ltda, Rio de Janeiro, 1988.

Temer prometeu ao PSDB reformas após impeachment, diz Aécio

• Temer promoveu jantar com tucanos com o objetivo de aparar arestas com os aliados; segundo Aécio, o presidente em exercício fará pronunciamento após julgamento do impeachment

Ricardo Brito e Carla Araújo - O Estado de S. Paulo

BRASÍLIA – O presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), afirmou na noite desta quarta-feira, 17, que o presidente em exercício, Michel Temer, tranquilizou a legenda ao prometer que levará uma agenda de reformas assim que for efetivado como chefe da Nação. Temer promoveu um jantar no Palácio do Jaburu com tucanos com o objetivo de aparar arestas com os aliados, descontentes com os rumos da gestão do interino, em especial na área fiscal, e receosos de que essa ação tinha motivação eleitoral.

Aécio, um dos tucanos que participaram do jantar, disse que o presidente em exercício fará um pronunciamento com a defesa de reformas estruturais após o julgamento do impeachment da presidente afastada, Dilma Rousseff. “Nós estimulamos (ele) que o faça e esse pronunciamento, a meu ver, sinalizará de forma definitiva o que será o governo Michel Temer, nós esperamos que seja um governo com o compromisso com a história e não com as eleições”, disse ele, na saída do encontro.

PSDB quer conter projeto político de Meirelles

PSDB quer limitar Meirelles

• Partido exige ministro da Fazenda fora da política para evitar concorrência em 2018

Maria Lima - O Globo

-BRASÍLIA- Em uma longa conversa, de quase quatro horas, com o presidente interino, Michel Temer, e o núcleo do governo, dirigentes tucanos pressionaram para evitar que o projeto do PSDB para 2018 não seja atropelado por uma agenda eleitoral comandada pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. Os dirigentes do PSDB manifestaram apoio a Meirelles, mas avisaram: que ele cuide da economia e deixe a política para o núcleo político, para não misturar a disputa presidencial de 2018 com a aprovação do pacote de ajuste fiscal. O nome de Meirelles já foi cogitado como potencial candidato à Presidência daqui a dois anos, pelo PSD, partido ao qual é filiado, o que poderia reduzir o apoio do mercado aos tucanos.

Ao fim do encontro, que começou com um jantar e foi até o início da madrugada de ontem, no Palácio do Jaburu, Temer teria atendido todos os pleitos dos tucanos, que deixaram a reunião satisfeitos.

Tucanos buscam garantir discurso para 2018

• Tucanos focam no ajuste fiscal para se manterem como os grandes representantes da ala economicamente mais liberal da sociedade brasileira

Paulo Celso Pereira - O Globo

Desde o momento em que a possibilidade de um impeachment da presidente Dilma Rousseff começou a crescer no ano passado, uma preocupação passou a rondar a cúpula do PSDB: a partir da ascensão do PMDB ao poder, que papel restaria ao partido que desde 1994 polarizou a disputa pela presidência com o PT?

Michel Temer chegou ao Planalto, montou um governo de amplo espectro partidário e os tucanos tornaram-se, na prática, apenas mais uma legenda da ampla base parlamentar peemedebista. É para tentar se manter como protagonista do processo político nacional que os tucanos decidiram assumir a linha de frente das críticas à suposta fragilidade do ajuste fiscal de Temer.

No 7 de setembro, Temer pedirá apoio para ‘medidas amargas’

• Presidente interino elabora primeiro pronunciamento pós-impeachment

Maria Lima e Simone Iglesias - O Globo

-BRASÍLIA- Michel Temer definiu o 7 de setembro como o dia do seu primeiro pronunciamento oficial, em cadeia de rádio e TV, como presidente efetivo. O conteúdo ainda está sendo elaborado pelo presidente interino e sua equipe, mas o tom do discurso será o de pedir confiança e crença no futuro. O peemedebista falará em união nacional, como vem pregando desde as turbulências políticas de 2013. Dirá também que, para o país voltar a crescer, serão necessárias “medidas amargas”, entre elas a perda de benefícios e direitos, especialmente, previdenciários.

Inicialmente, o Palácio do Planalto pretendia gravar o pronunciamento de Temer no dia seguinte ao julgamento final da presidente afastada, Dilma Rousseff, no Senado. No entanto, o calendário incerto do impeachment e a necessidade da viagem à China, para encontro do G-20, fizeram com que o governo repensasse a data. Não seria adequado o pronunciamento ir ao ar com o presidente em viagem, avaliaram seus auxiliares.

Temer defenderá pacificação do país no 7 de Setembro

Valdo Cruz, Gustavo Uribe – Folha de S. Paulo

BRASÍLIA - O presidente interino, Michel Temer, informou na noite de quarta-feira (17) a senadores tucanos que pretende fazer no 7 de Setembro seu primeiro pronunciamento em cadeia nacional de rádio e televisão caso a presidente Dilma Rousseff seja definitivamente afastada do cargo.

O peemedebista definiu a data no início desta semana e já começou a discutir com a equipe ministerial o tom do discurso, que deverá ser gravado antes de sua viagem para a reunião do G-20, encontro que será realizado nos dias 4 e 5 de setembro na China.

O objetivo do pronunciamento é definir a linha de seu governo a partir do momento em que ele assume definitivamente o cargo. Para isso, a ideia é que o peemedebista defenda a necessidade de uma unidade nacional para superar as crises política e econômica e reforce sua agenda econômica focada no ajuste fiscal e retomada dos investimentos.

Após cobranças, Temer acerta maior participação do PSDB no governo

Valdo Cruz, Daniela Lima, Mariana Haubert – Folha de S. Paulo

BRASÍLIA - Em jantar nesta quarta-feira (17), o presidente interino, Michel Temer, acertou com a cúpula do PSDB uma maior participação dos tucanos nas decisões do governo, principalmente as relacionadas ao controle dos gastos públicos.

Ficou combinado que o líder do governo no Senado, Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), passará a integrar as reuniões no Palácio do Planalto do núcleo econômico do governo.

"Eles pediram, com toda razão, uma maior participação no processo de formulação do governo", disse à Folha o ministro Eliseu Padilha (Casa Civil), que participou do jantar no Palácio do Jaburu do presidente interino com líderes do PSDB.

Segundo Padilha, foi um encontro de "aproximação", no qual os tucanos manifestaram o desejo de "construir coletivamente" as principais medidas do governo Temer. "O pedido deles é procedente. Eles vão participar mais. Os outros aliados, também", afirmou o ministro da Casa Civil.

PSDB vai a Temer em busca de protagonismo

Bruno Peres – Valor Econômico

BRASÍLIA - Em jantar do presidente interino Michel Temer com a cúpula tucana, o PSDB recebeu a promessa de que irá integrar mais ativamente a formulação de políticas do governo depois da votação do impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff.

Essa maior participação do PSDB no núcleo do Palácio do Planalto será reforçada pelo senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), líder do governo no Senado, segundo o acerto feito no Palácio do Jaburu.

Diante da perspectiva de confirmação pelo Senado do afastamento de Dilma, Temer afirmou durante o encontro com senadores do PSDB ter "absoluta disposição" de inaugurar um "novo tempo em seu governo".

Ficha Limpa pode barrar 4,8 mil candidatos no País

• Promotores eleitorais vão avaliar impugnação das candidaturas com base em irregularidades identificadas por sistema do Ministério Público Federal

Beatriz Bulla,- O Estado de S. Paulo

BRASÍLIA - Ao menos 4.849 políticos que tentam concorrer nas eleições municipais deste ano no País podem ter os registros de candidatura impugnados por serem considerados ficha-suja perante a Justiça Eleitoral, segundo levantamento obtido pelo Estado. A análise foi feita sobre as 467.074 candidaturas já validadas pelo Tribunal Superior Eleitoral até esta quinta-feira, 18.

Entre as irregularidades que enquadram um candidato como ficha-suja está desde a rejeição de contas relativas ao cargo ou função pública quanto uma condenação em segunda instância por crimes como lavagem de dinheiro, corrupção, peculato ou abuso de poder econômico.

Barroso diz que lei da ficha limpa é "importante e sóbria"

Carolina Oms – Valor Econômico

BRASÍLIA - - O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou ontem que a Lei da Ficha Limpa "é boa, importante e sóbria". Ao ser questionado por jornalistas sobre declaração do colega Gilmar Mendes, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que disse na véspera que a lei parecia ter sido feita por "bêbados", Barroso defendeu o instrumento legal "Acho que é uma lei que atende algumas demandas importantes da sociedade brasileira por valores como decência política e moralidade administrativa. Acho que a lei é boa e que nós devemos continuar a aplicá-la", afirmou.

Ontem, Gilmar reiterou suas críticas. Disse que a Lei da Ficha Limpa foi "mal feita e sobrecarrega o Judiciário". "Essa lei, só para os senhores terem uma ideia, chegou ao ponto de dizer que se alguém for excluído de uma entidade profissional como OAB, Conselho de Contabilidade, se alguém for excluído dessas entidades, por algum fundamento, fica inelegível", afirmou.

Partidos pouparam R$ 259 milhões

Por Raphael Di Cunto – Valor Econômico

BRASÍLIA - As campanhas municipais começam com a reclamação geral dos candidatos sobre a falta de dinheiro. Mas, antevendo os problemas de financiamento dos gastos com doações de empresas, partidos políticos fizeram no ano passado uma reserva de R$ 259 milhões para investir na eleição de seus principais candidatos, mostra levantamento feito pelo Valor no Tribunal Superior Eleitoral. Além desses recursos, o Fundo Partidário distribuirá R$ 819 milhões a 34 partidos neste ano.

Embora insuficiente para pagar todas as campanhas no país - a eleição de 2014 custou R$ 5 bilhões -, a reserva terá papel preponderante nas disputas municipais, avaliam especialistas. "Quem poupou parte do fundo terá isso como diferencial em relação aos concorrentes", diz Antônio Queiroz, diretor do DIAP.

O levantamento mostra que os percentuais da poupança variaram de 2,6% no PCO, que só guardou R$ 177 mil, até 65% no PRB, partido dos líderes nas pesquisas às prefeituras do Rio, o senador Marcelo Crivella, e de São Paulo, o deputado Celso Russomanno. Serão R$ 26 milhões para apoiar seus candidatos, fora o dinheiro do fundo que entrou em 2016.

Em SP e RJ, falta de estrutura marca campanha eleitoral

Por Cristian Klein, Fernando Taquari e Estevão Taiar – Valor Econômico

RIO E SÃO PAULO - Na periferia, uma caixa de som sobre rodinhas é empurrada pelas calçadas ou, na falta de espaço, vai pela própria rua, grudada ao meio-fio, enquanto os veículos passam raspando. O tempo já não é mais para grandes comboios com carros e caminhões a romperem bairros anunciando o candidato a prefeito com soberba e estardalhaço. Na eleição em que os gastos estão limitados a tetos e as doações de empresas foram proibidas, as campanhas deste ano já mostram nos primeiros dias os efeitos das novas regras.

A claque de militantes contratados que cercava o candidato e aumentava a sensação de apoio pelas ruas diminuiu. O material de campanha é escasso. A passagem não deixa o rastro do desperdício de santinhos espalhados pelo chão. Na praça, a candidata a vereadora pede à filha que preencha à mão, com uma caneta Bic, um bolo de cartões com seu nome e o número eleitoral.

Senadores do PT acertam fazer 'treinamento' com Dilma antes de julgamento

• A intenção dos aliados de Dilma é preparar na próxima semana um roteiro de perguntas para que a presidente afastada responda, simulando situações do julgamento

Agência Estado / Correio Braziliense

Senadores do PT que visitaram na manhã desta quinta-feira (18/8) a presidente afastada, Dilma Rousseff, acertaram com a petista fazer uma espécie de "treinamento" com ela antes do início do julgamento do impeachment. Dilma já anunciou que vai participar no dia 29 da sessão em que fará sua defesa pessoal do processo.

A intenção dos aliados de Dilma é preparar na próxima semana um roteiro de perguntas para que a presidente afastada responda, simulando situações do julgamento. Reuniram-se com ela no Palácio do Alvorada o líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), e os senadores petistas Paulo Rocha (PA) e José Pimentel (CE).

Dilma pretende constranger seus ex-ministros

• Petista quer instigar senadores que participaram do seu governo e hoje defendem o impeachment

Vera Rosa, Ricardo Brito e Isabela Bonfim - O Estado de S. Paulo

BRASÍLIA - Ao fazer sua defesa pessoalmente no processo de impeachment, a presidente afastada Dilma Rousseff citará ex-ministros que hoje são seus julgadores para mostrar que todos eles acompanharam sua gestão no governo. A ideia é constranger ao menos seis senadores, que integravam o primeiro escalão e, na madrugada do dia 10, viraram seus algozes.

A lista dos que foram ministros de Dilma e votaram para transformá-la em ré no processo é composta por Eduardo Braga (PMDB-AM) – que também ocupou o cargo de líder do governo no Senado –, Edison Lobão (PMDB-MA), Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE), Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), Marta Suplicy (PMDB-SP) e Marcelo Crivella (PRB-RJ).

Um novo Brasil irá às urnas - Roberto Freire

- Diário do Poder

Com o início oficial da campanha para as eleições municipais de 2016, os brasileiros se preparam para participar de um processo que apresenta características muito peculiares, algumas delas jamais experimentadas em pleitos anteriores. As disputas que elegerão prefeitos, vice-prefeitos e vereadores em todo o país serão norteadas pelas novas regras impostas pela legislação eleitoral, entre as quais a proibição do financiamento empresarial e a redução do período de campanha de 90 para apenas 45 dias.

Ao contrário do que muitos imaginam, o novo modelo de financiamento não deve causar nenhum grande temor em relação ao aumento do caixa 2 nas campanhas. Haverá, na realidade, uma fiscalização muito mais eficiente e rigorosa sobre todos os candidatos – até mesmo por parte dos adversários –, e isso se deve à sociedade brasileira, hoje muito mais atenta e atuante, e a instituições como o Ministério Público e a Polícia Federal, que vêm funcionando plenamente no combate à corrupção. A Operação Lava Jato, que desnudou o esquema criminoso montado pelos governos lulopetistas na Petrobras e segue a todo vapor, é a maior prova disso.

As nuvens políticas - Merval Pereira

- O Globo

Uma das frases mais conhecidas sobre política é a do ex-senador e ex-governador mineiro Magalhães Pinto, que comparava sua volatilidade à das nuvens, que mudam de configuração a cada momento. Nada melhor para definir as posições mutantes do presidente interino, Michel Temer, e da presidente afastada, Dilma Rousseff, neste momento.

Temer, que se dizia preparado para as vaias que de fato recebeu na abertura dos Jogos Olímpicos no Rio, desistiu de ir ao encerramento, já prevendo que será vaiado novamente. Dilma, que já anunciara que não compareceria à sessão no Senado de seu julgamento, temendo enfrentar as perguntas da situação, decidiu que irá.

Novo nome na praça - Eliane Cantanhêde

- O Estado de S. Paulo

A dias do impeachment definitivo de Dilma Rousseff e a dois anos da eleição de 2018, num cenário de enorme confusão partidária e muitas interrogações envolvendo políticos, o PMDB de Michel Temer joga ao vento um nome novinho em folha e fora do circuito político para a sucessão presidencial: o do empresário Josué Gomes da Silva.

O objetivo imediato é dissipar as nuvens cinzentas que pairam sobre o Planalto desde que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, admitiu a candidatura de Temer em 2018. A turma do presidente fez fila para desmentir, mas aliados passaram a falar no ministro Henrique Meirelles como alternativa.

Patrocínio de farda – Bernardo Mello Franco

- Folha de S. Paulo

"É ouro, é recorde, é militar!" Parece aquele locutor famoso pelo ufanismo, mas é o site do Ministério da Defesa comemorando uma medalha na Rio-2016. Nos últimos dias, o portal trocou as imagens de tanques e aviões por fotos de atletas premiados na Olimpíada.

As notícias exaltam as vitórias brasileiras como se fossem feitos militares. "Forças Armadas conquistam quarta medalha para o Brasil", diz a manchete sobre o judoca Rafael Silva. "Sargento da Marinha vence final de boxe", informa o título sobre Robson Conceição.

Antipolítica não é a solução - Fernando Luiz Abrucio

- Valor Econômico

Em tempos de crise dos políticos, com denúncias mil e descrédito geral, a tentação de reduzir o espaço da política torna-se sedutora. O Brasil vive isso hoje de forma mais acentuada, por conta da Lava-Jato e da deterioração econômica do país. A opção antipolítica aparece claramente nas regras definidas para as eleições municipais, bem como na estratégia de determinados grupos políticos, dentro e fora dos partidos, de defender que o melhor é escolher prefeitos que não sejam parecidos com os políticos.

Trata-se de uma concepção pouco democrática de como as sociedades devem resolver seus problemas de ação política. Pior: em vez de ser um remédio para nossos males, essa visão de mundo mais encobre do que soluciona as questões mais profundas do sistema político.

O começo do fim – Miriam Leitão

- O Globo

O fundo do poço da economia foi em abril, diz o empresário Flávio Rocha, presidente das Lojas Riachuelo. A longa temporada de números negativos nas vendas de varejo começou no fim de 2014 e será deixada para trás depois de setembro. “O Natal já vai ser melhor”, aposta ele. O setor perdeu 500 mil vagas na crise e, segundo o empresário, poderia estar gerando muito mais empregos.

OIndicador Antecedente de Vendas (IAV) mostra exatamente essa trajetória, como se pode conferir no gráfico abaixo. O índice é resultado de consulta a 600 gerentes de compras das grandes empresas de varejo e antecipa tendências. Pelo gráfico, se vê que o que foi previsto pelo índice acompanha bastante o que realmente aconteceu nas verificações do IBGE, na Pesquisa Mensal do Comércio (PMC). As piores expectativas foram em abril, quando os executivos consultados esperavam uma queda de 10,9% nas vendas. A PMC mostrou que a redução acabou sendo de 9%. Para os meses cujos dados não saíram, a previsão é de quedas menores. Em setembro, a expectativa é de quase estabilidade (-0,6%).

O parto da montanha – Editorial / O Estado de S. Paulo

Na fábula de Esopo, depois de muito estrondo a montanha pariu um rato. Dilma Rousseff repetiu a proeza com a divulgação da “mensagem” com a qual pretende convencer de sua inocência o mundo e especialmente os senadores que vão decidir sobre o impeachment no fim do mês. Mas, depois de tanta hesitação, Dilma acabou escolhendo um mau momento para falar de inocência e se apresentar, mais uma vez, como uma mulher honesta, pois, simultaneamente, o Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou o Ministério Público a abrir inquérito contra ela, o ex-presidente Lula, os ex-ministros Aloizio Mercadante e José Eduardo Cardozo e dois ministros do STJ, destinado a investigar a tentativa de obstrução da Justiça no âmbito da Operação Lava Jato.

Na mensagem lida no Palácio da Alvorada, a presidente afastada reitera, candidamente, seu “compromisso com a democracia e com a necessidade da “superação do impasse político que tantos prejuízos já causou ao País”. Parecia estar falando de um outro país e de outra pessoa que não ela, cuja biografia revela total falta de compromisso com a democracia e a proeza de ter arruinado o Brasil.

Regras demais – Editorial / Folha de S. Paulo

Em terceiro lugar na última pesquisa Datafolha, com 10% das intenções de voto, a deputada federal Luiza Erundina (PSOL) se vê impedida de participar do debate entre candidatos à Prefeitura de São Paulo que será promovido pela Folha, pelo UOL e pelo SBT no dia 23 de setembro.

Pela legislação em vigor, apenas candidatos de partidos com um mínimo de nove deputados federais têm assegurada sua presença em encontros desse tipo. É paradoxal: a regra garante a participação a postulantes de menor representatividade, como Major Olimpio, com 2% das preferências, pois seu partido, Solidariedade, conta com 14 deputados em Brasília.

Estatais criadas desde Lula sobrecarregam Tesouro – Editorial / O Globo

• Marca da ideologia dirigista, as 41 empresas criadas de 2003 até o ano passado gastaram muito com salários e geraram um majestoso prejuízo. Era esperado

Nos 13 anos de lulopetismo no poder, o Tesouro (leia-se, o contribuinte, a sociedade) recebeu pesada conta: os prejuízos bilionários causados por esquemas de corrupção que dilapidaram estatais e o resultado da execução de políticas equivocadas como a da criação subsidiada de “campeões nacionais” via BNDES, além de outras aventuras estatistas.

Por exemplo, a construção da “supertele” a partir da Telemar, o provável embrião do retorno da Telebras como empresa de economia mista, mas que resultou na Oi, uma das maiores falências do mercado. Como entre os caloteados estão os de sempre — bancos estatais e fundos de pensão de empresas públicas, área cativa de influência do braço sindical petista, a CUT —, cedo ou tarde este e outros rombos deixados de herança pelo lulopetismo baterão às portas do Tesouro.

Aprovar PEC dos gastos será o batismo de fogo para Temer – Editorial / Valor Econômico

As dificuldades para a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional que limita os gastos da União à variação da inflação do ano anterior começaram a entrar no horizonte, à medida que o impeachment da presidente Dilma Rousseff tornou-se praticamente certo. A fórmula engenhosa, e já politicamente flexível em sua concepção, da PEC traz uma importante e forte trava nas despesas públicas futuras. Será o primeiro grande teste para o governo já efetivo de Michel Temer, que exigirá uma clara demonstração de unidade política dos partidos que o apoiam, algo que ainda está para ser visto.

A PEC não pode admitir exceções e precisa ser complementada por pelo menos outra reforma vital, a da Previdência, para que possa ser viável sem grandes confrontos políticos. Os primeiros passos da tramitação foram recebidos com ensaios de resistência e cogitações de emendas que visam pontos vitais da proposta, os gastos com educação e saúde, que hoje têm vinculações constitucionais. Ao corrigí-los apenas pelo IPCA, o governo mantém a fatia proporcional destes gastos no orçamento atual, mas a contém em relação à evolução positiva das receitas futuras, que autorizariam o seu aumento, pelo sistema vigente.

Cinema: A sombra de ‘Macbeth’ projeta-se em ‘Francofonia’, o Louvre ocupado de Sokurov

Luiz Carlos Merten - O Estado de S. Paulo

Há uma floresta que anda em Francofonia, o novo Alexander Sokurov, que está estreando nesta quinta, 18, nos cinemas brasileiros. E há um Napoleão que circula pelo Louvre procurando os quadros com os quais se identificar. Diante da Mona Lisa, de Leonardo Da Vinci, ele exclama – “C’est moi!”, sou eu. A frase é famosa e atribuída a Gustave Flaubert, falando de sua heroína, Emma Bovary. Não é uma simples ‘boutade’ (piada) de Sokurov. Aqui mesmo em São Paulo, quando veio convidado pela Mostra – era um dos autores que Leon Cakoff colocava em seu panteão particular –, o diretor russo já dissera não ter muito apreço pelo cinema, mas que era seu destino – sua maldição – trabalhar nessa mídia. Como outra ‘boutade’, ou provocação, Sokurov disse que preferia a literatura. E foi direto ao ponto – “Todo cinema cabe em Madame Bovary.”

Já se passaram 14 anos desde que Sokurov fez Arca Russa. Dois anos antes, Cannes celebrara as novas tecnologias, premiando, com a Palma de Ouro, Dançando no Escuro. A Arca de Sokurov provavelmente não teria visto o dia sem o digital, que permitiu ao cineasta visitar o Hermitage, museu de São Petersburgo, ex-Leningrado, num único plano de 99 minutos.

A arte como barragem contra a barbárie

• Novo Filme de Sokurov desafia fronteiras

Luiz Zanin Oricchio - O Estado de S. Paulo

Francofonia desafia fronteiras. Não é ficção ou documentário. É outra coisa. O novo filme do russo Aleksandr Sokurov usa imagens próprias e de arquivo. Reporta-se a um fato histórico real, a ocupação da França pelos nazistas durante a 2.ª Guerra Mundial.

Em Paris, mostra o relacionamento entre duas figuras públicas da época, o diretor do Museu do Louvre, Jacques Jaujard, e o oficial alemão Franz von Wolff-Metternich. Introduz uma figura histórica de outra época, Napoleão Bonaparte, e um símbolo da Revolução Francesa, Marianne, com seu barrete frígio e o lema revolucionário na boca: Liberdade, Igualdade, Fraternidade.

Na parte histórica, Metternich e Jaujard discutem o que deve ser feito para preservar o patrimônio artístico do Louvre. Metternich era encarregado do “Kunstschutz”, a política de preservação das obras de arte do país ocupado. De certa forma, era um olhar para o futuro, para além da guerra. Esta, um dia passaria e o patrimônio deveria ser conservado para as futuras gerações.

Podemos quase ouvir o coração de Sokurov pulsando com esta demonstração de apreço à cultura em meio à barbárie. Lembremos que ele é o mesmo cineasta de Arca Russa, notável filme sobre o Hermitage feito num único plano sem cortes. Mas, em Francofonia, Sokurov não deixa de lembrar a diferença de tratamento recebida pela França e pelo seu país durante a 2.ª Guerra. Se em Paris, a Cidade Luz, buscava-se preservar a integridade das obras, em Leningrado, hoje São Petersburgo, a história era outra. Cercada pelos alemães durante três anos, a cidade perdeu um milhão de seus habitantes pelo frio e pela fome.

Sokurov não esquece as tragédias da História nem omite suas referências culturais, como Tolstoi e Chekhov, evocados como figuras tutelares. Na linha fina do filme, trata-se sempre de evocar a cultura, a arte, como possíveis antídotos à desumanização, barragens erguidas pela espécie contra as forças da morte e do obscurantismo.

Hoje, muito menos – Ruy Castro

- Folha de S. Paulo

Alguns jornalistas americanos na Rio-2016 ficaram chocados com os biquínis e sungas dos brasileiros nas praias e piscinas — para eles, reduzidos demais. É mesmo? Bem, este é um assunto sobre o qual os EUA não podem legislar fora do seu feudo. Enquanto o Brasil mantiver a soberania sobre as virilhas nacionais, nossos rapazes e moças continuarão a se exibir como quiserem.

Os EUA parecem ter um problema com o corpo humano. No filme "Aconteceu Naquela Noite" (1934), de Frank Capra, Clark Gable ia passar uma noite (perfeitamente inofensiva) com Claudette Colbert. Quando se despiu para se deitar e surgiu na tela de peito nu, milhões de pascácios americanos descobriram estarrecidos que Clark Gable não usava camiseta sob a camisa social. E só então aderiram à prática, com o que a indústria de camisetas como roupa de baixo quase faliu.

O cão sem plumas – João Cabral de Melo Neto

A cidade é passada pelo rio
como uma rua
é passada por um cachorro;
uma fruta
por uma espada.
O rio ora lembrava
a língua mansa de um cão
ora o ventre triste de um cão,
ora o outro rio
de aquoso pano sujo
dos olhos de um cão.

Aquele rio
era como um cão sem plumas.
Nada sabia da chuva azul,
da fonte cor-de-rosa,
da água do copo de água,
da água de cântaro,
dos peixes de água,
da brisa na água.

Sabia dos caranguejos
de lodo e ferrugem.

Sabia da lama
como de uma mucosa.
Devia saber dos povos.
Sabia seguramente
da mulher febril que habita as ostras.

Aquele rio
jamais se abre aos peixes,
ao brilho,
à inquietação de faca
que há nos peixes.
Jamais se abre em peixes.

Edu Lobo - Pra dizer adeus

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Opinião do dia – Arnaldo Jordy

“Estes dados apresentados pelo PT não têm procedência nenhuma. É apenas parte da retórica marqueteira para tentar encobrir a verdade. É um ato de desespero. O ex-presidente da República está sendo acusado pelo Ministério Público, pelo procurador Geral da República que não foi nomeado pela oposição. Ele e a presidente afastada são alvos de uma delação que não foi feita pelos oposicionistas a seu partido. É fruto da colaboração premiada do ex-líder do governo do PT, Delcídio do Amaral. ”

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Arnaldo Jordy é deputado federal (PA) e vice-líder do PPS na Câmara, sobre o lançamento da Cartilha do PT

Julgamento vai durar sete dias

• Dilma irá ao Senado para se defender e, segundo Cardozo, responderá a perguntas

Calendário desagradou ao Planalto, que planejava viagem de Temer para o dia 31, já como presidente efetivo

Afastada da Presidência desde maio, Dilma Rousseff decidiu ir ao Senado para fazer sua defesa no julgamento final do processo do impeachment. O ex-ministro José Eduardo Cardozo, defensor da petista, disse que ela responderá a perguntas, apesar de ter o direito de não fazê-lo. Pelo rito definido ontem pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski, com líderes do Senado, o julgamento vai durar até sete dias. O cronograma prevê o início para a próxima quinta-feira e a votação final para a madrugada do dia 31. Dilma falará no dia 29 e poderá ser interrogada pelos senadores, pelos juristas da acusação e por sua defesa. O calendário não agradou ao Palácio do Planalto, porque dificulta a primeira viagem internacional de Michel Temer, a partir do dia 31, como presidente efetivo para encontro com investidores na China.

A última trincheira de Dilma

• Presidente afastada fará sua defesa no Senado; julgamento começa dia 25 e pode durar 7 dias

Cristiane Jungblut - O Globo

-BRASÍLIA- O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, e os líderes no Senado sacramentaram ontem as regras para o julgamento final da presidente afastada, Dilma Rousseff, que poderá durar até sete dias. Presidente do processo de impeachment, o ministro foi convencido pelos senadores a realizar sessões no fim de semana, caso seja necessário. Dilma decidiu que irá se defender pessoalmente no plenário do Senado e, inclusive, responder a perguntas, embora tenha o direito de ficar calada.

O cronograma prevê o início do julgamento na próxima quinta-feira, mas a votação final só deverá ocorrer na madrugada do dia 31. Pelo calendário definido, Dilma irá ao Senado no dia 29, para se defender pessoalmente. O acordo é só interromper o julgamento depois de ouvidas todas as testemunhas, duas de acusação e seis de defesa. Dilma falará por 30 minutos, mas poderá ter seu tempo prorrogado a critério de Lewandowski.

Dilma poderá ser interrogada pelos senadores, pela acusação e pela defesa. Cada um terá cinco minutos para fazer suas perguntas. Mas a petista não é obrigada a respondê-las. O advogado da presidente afastada, o ex-ministro José Eduardo Cardozo, disse ao GLOBO, no entanto, que o objetivo da presidente é responder aos questionamentos. Por isso, a expectativa é que todo o dia 29 seja ocupado pela presença de Dilma. Os aliados petistas comemoraram sua decisão de comparecer.

— A presidente Dilma comparecerá e vai responder às perguntas, e, portanto, podem ter absolutamente clareza de que ela atenderá àquilo que for solicitado. A presidente nunca teve receio, não tem e não terá receio dos efeitos de qualquer situação porque ela tem sua consciência absolutamente tranquila — disse Cardozo, que conversou com Dilma ontem.

Presidente enfrentará senadores
A decisão do comparecimento de Dilma foi comunicada aos líderes partidários durante o encontro de Lewandowski com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). A petista vinha sendo aconselhada pelo próprio Cardozo e por Renan a comparecer e deixar sua marca histórica. Inicialmente, Dilma queria apenas fazer um pronunciamento e sair. Mas, depois, incomodada com a versão de que teme o confronto, avisou que responderá a todas as perguntas.

O líder do DEM, Ronaldo Caiado (GO), disse que ninguém será “inábil” ao fazer perguntas a Dilma. Nos bastidores, a preocupação é não torná-la vítima no processo, embora não acreditem em reversão do placar favorável ao impeachment.

— Espero que ela tenha humildade de se curvar e que reconheça seus erros — disse Caiado, acrescentando: — Tivemos algumas oposições ao trabalho no final de semana, mas não poderíamos interromper os trabalhos antes de esgotar o depoimento das testemunhas.

O líder do PSDB no Senado, Cássio Cunha Lima (PB), afirmou que Dilma vai legitimar o processo:

— A vinda dela é um erro. Ela vai legitimar o processo que chama de golpe.

Já o líder da oposição no Senado, Lindbergh Farias (PT-RJ), que sempre foi defensor da presença de Dilma, elogiou a decisão.

— Ela vem e vai se sair muito bem. É o momento em que o país vai parar — disse Lindbergh.

José Eduardo Cardozo reclamou da decisão de ouvir testemunhas no fim de semana e reforçou que os aliados de Dilma farão perguntas a todos, alongando o processo. A presidente falará após a oitiva das testemunhas.

— Vamos trabalhar até esgotarmos a oitiva das testemunhas. E ingressaremos, se for necessário, na madrugada de sexta para sábado porque as testemunhas serão isoladas umas das outras e estarão num quarto de hotel à disposição — explicou Lewandowski.

Segundo participantes do encontro, essa questão foi a que mais debate gerou. Inicialmente, o presidente do Supremo queria interromper o julgamento na sexta-feira, mas foi convencido por líderes a estender a sessão se necessário.

Renan sempre defendeu os trabalhos no fim de semana e articulou com os líderes a proposta apresentada e acatada por Lewandowski.

— Tenho estimativa muito otimista. Acho que, se houver dedicação, como esperamos que haja, poderemos ter essa decisão na madrugada de segundafeira ou, no mais tardar, na manhã de terça-feira — disse Renan, que errou todas as previsões anteriores sobre tempo de duração das sessões.

Antes de ouvir as testemunhas, Lewandowski resolverá as questões de ordem dos senadores, logo no início do julgamento, marcado para as 9h do dia 25 de agosto. Como na fase de pronúncia, no último dia 9, no dia 25 será feita uma pausa das 13h às 14h e depois, das 18h às 19h.

— E continuaremos até o momento em que for necessário para iniciarmos a oitiva das testemunhas — disse o presidente do Supremo.

Encerrada a fase com a presidente Dilma, falarão os juristas autores do pedido de impeachment e a defesa. Só então começarão os debates, com os 81 senadores podendo falar por até dez minutos cada. A expectativa é que os senadores passem toda a terça-feira, dia 30, nos discursos, levando a votação para o dia 31.

Para aprovar o impeachment em definitivo, são necessários 54 votos dos 81 senadores. A votação será por painel eletrônico. O processo de impeachment passa por três grandes votações no Senado: a admissibilidade (abertura), que aconteceu dia 12 de maio; o chamado juízo de pronúncia, que ocorreu nos dias 9 e 10 deste mês; e o julgamento final, que começará dia 25.

Dilma está afastada do cargo desde 12 de maio. O prazo máximo de afastamento é de 180 dias.

A previsão é que o julgamento acabe na madrugada do dia 31, devido ao número de senadores dispostos a falar e à quantidade de testemunhas arroladas. Os aliados de Dilma calculam que cerca de 40 senadores farão perguntas às oito testemunhas, o que daria 2,6 dias no total.

— Não há prazo para término — disse o presidente do STF.

Para agilizar o julgamento, a acusação desistiu de uma das três testemunhas arroladas na semana passada: Leonardo Rodrigues Albernaz, auditor federal de Controle Externo da Secretaria de Macroavaliação Governamental do Tribunal de Contas da União (TCU).

Já a defesa arrolou seis testemunhas, com destaque para o ex-ministro Nelson Barbosa e o economista e professor Luiz Gonzaga Belluzzo.

Réquiem

- O Globo

QUANDO COMEÇARAM a circular notícias sobre uma mensagem da presidente afastada ao povo brasileiro, antes do julgamento final do impeachment, houve quem a comparasse à “carta” apresenta por Lula à sociedade, na campanha de 2002, em que se comprometia a respeitar contratos e as bases da política econômica de FH.

MAS A tal carta de Dilma, lida anteontem por ela para repórteres, sem permitir perguntas — medo de quê? —, não pode ser comparada àquela, de fato um marco na primeira eleição de Lula.

ESTA FOI mais do mesmo: a denúncia do “golpe”, inverossímil, e a bandeira, de que nem o PT acredita, das eleições antecipadas, inexequíveis segundo a Constituição, a partir de um plebiscito sonhático.

MAS O pior foi a coincidência da leitura com o anúncio da abertura de inquérito no Supremo para investigá-la e Lula, sobre tentativa de obstrução da Justiça. Restou um clima de despedida.

Calendário do julgamento desagrada ao Palácio do Planalto

• Temer receia que prazo acertado possa ameaçar sua viagem à China

Simone Iglesias, Eduardo Barretto - O Globo

-BRASÍLIA- O Palácio do Planalto não gostou do calendário de votação do julgamento da presidente afastada, Dilma Rousseff. O cronograma prevê que a votação final do impeachment ocorra no dia 30 ou 31. O problema, na avaliação do governo, é a possibilidade de a sessão do dia 31 se estender até tarde da noite, dificultando o calendário da primeira viagem internacional de Michel Temer como presidente efetivo.

O governo prevê que Temer viajará no dia 31 para Xangai, na China, onde participará de um seminário com investidores e empresários, marcado para 2 de setembro. Os aliados de Temer acham que pode não haver tempo suficiente, entre a provável condenação de Dilma e o embarque, para que ele faça um pronunciamento ou uma declaração à população, já como presidente efetivo.

Outra preocupação que aflige aliados de Temer é que também não haja tempo para a foto oficial, que deverá substituir as de Dilma ainda nas paredes do Palácio do Planalto e demais órgãos públicos federais.

Pare evitar contratempos e acelerar o calendário, o Planalto está atuando para ganhar ao menos um dia. Tenta garantir que a votação no plenário do Senado ocorra até o dia 30.

Mesmo com a flexibilização do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, que passou a aceitar a ideia de continuar o julgamento no fim de semana, Temer está apreensivo: ele não pretende ir para a China enquanto não houver sua oficialização no cargo.

Convite do embaixador chinês
No último dia 11, o embaixador da China no Brasil, Li Jinzhang, foi ao Planalto e convidou Temer para um encontro bilateral. Temer também participará na China da Cúpula do G-20, em 4 e 5 de setembro, na cidade de Hangzhou.

Líderes aliados de Temer se surpreenderam com a reação do Palácio do Planalto ao calendário acertado com o presidente do STF. Argumentaram que conseguiram adiantar o que era possível; inclusive convenceram Lewandowski a trabalhar no final de semana.

O líder do DEM no Senado, Ronaldo Caiado (GO), disse que o calendário ficou como havia sido acertado.

— No nosso entendimento, ficou exatamente dentro do acordado com o presidente do Supremo — disse Caiado.

O líder do PSDB no Senado, Cássio Cunha Lima (PB), também não foi informado de reclamações do Planalto. Nos bastidores, alguns líderes avaliam que não há problema em Temer viajar como interino.

Para agilizar os trabalhos, a acusação poderá desistir de mais uma testemunha antes de começar a fase de oitivas. O número de testemunhas já baixou de três para duas. Agora, os tucanos sugerem manter apenas uma: o procurador junto ao Tribunal de Contas da União (TCU), Julio Marcelo.

Perguntas e respostas

Mesmo sofrendo o impeachment, Dilma terá direitos de ex-presidente?

– Sim. A análise preliminar da Casa Civil é que ela terá direitos de ex-presidente pois terminou seu primeiro mandato. Logo, a partir de 2015, mesmo que não tivesse sido reeleita, já teria todas as condições de um ex-presidente.

Mesmo sofrendo o impeachment, Dilma terá direitos de ex-presidente?

– Sim. A análise preliminar da Casa Civil é que ela terá direitos de ex-presidente pois terminou seu primeiro mandato. Logo, a partir de 2015, mesmo que não tivesse sido reeleita, já teria todas as condições de um ex-presidente.

– Por que um ex-presidente tem esses direitos?

– Segundo entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF), os direitos se justificam porque o ex-presidente é uma figura permanentemente associada ao governo e ao Estado. E também há interesse público na proteção de alguém que ocupou o maior cargo da administração pública nacional. Além disso, alega-se que essa proteção é uma garantia ao presidente de que ele poderá tomar decisões livremente, sem pressões.

Conheça o rito do julgamento final do impeachment

• Sessão começará na quinta-feira, 25; Dilma deve ser ouvida na segunda-feira,

Isadora Peron Isabela Bonfim - O Estado de S. Paulo

BRASÍLIA - O julgamento final do impeachment está marcado para começar na quinta-feira, dia 25. A previsão é que a presidente afastada Dilma Rousseff vá ao Senado apresentar a sua defesa na segunda-feira, dia 29. A oitiva das testemunhas pode se estender durante o fim de semana. Todo o processo será conduzido pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski.
Veja o rito completo (as datas podem ser alteradas a depender do ritmo das sessões):

25/08 - quinta-feira
A sessão está marcada para começar às 9h. Após a verificação do quórum mínimo, o presidente do STF declara o julgamento aberto. Nesta primeira fase, serão apresentadas as questões de ordem. Senadores, acusação e defesa terão 5 minutos para falar. Cabe a Lewandowski decidir sobre os pontos levantados.

Em seguida, haverá a inquirição de testemunhas.

26/08 – sexta-feira
Continua a inquirição de testemunhas. Primeiro, serão ouvidas as duas de acusação. Em seguida, serão ouvidas as seis apresentadas pela defesa. Os 81 senadores poderão se inscrever para questionar as testemunhas. Entre perguntas, respostas, réplicas e tréplicas, cada inquirição poderá levar até 12 minutos.

27 e 28/08 – sábado e domingo
Se a oitiva das testemunhas não terminar na sexta, haverá sessões no fim de semana para concluir essa etapa.

29/08 - segunda-feira
Dilma está notificada para comparecer ao Senado e apresentar a sua defesa às 9h. Ela terá 30 minutos para falar, mas esse tempo poderá ser prorrogado.

Lewandowski, os 81 senadores, acusação e defesa podem fazer perguntas à petista, que têm o direito de ficar calada. O tempo das perguntas é de cinco minutos.
Encerrada essa etapa, acusação e defesa terão 1h30 cada uma para se manifestar.

30/08 – terça-feira
Cada senador terá 10 minutos para se manifestar na tribuna. Em seguida, o presidente do STF fará um relatório resumido dos argumentos da acusação e da defesa.

Começará, então, o encaminhamento para a votação. Nesta fase, dois senadores favoráveis ao impeachment e dois contrários terão 5 minutos cada um para se manifestar.

Não haverá orientação dos líderes das bancadas para a votação.

Ao votar, os senadores irão responder à seguinte pergunta: “Cometeu a acusada, a senhora presidente da República, Dilma Vana Rousseff, os crimes da responsabilidade correspondentes à tomada de empréstimos junto a instituição financeira controlada pela União e à abertura de créditos sem autorização do Congresso Nacional, que lhe são imputados e deve ser condenado à perda do seu cargo, ficando, em consequência, inabilitada para o exercício de qualquer função pública pelo prazo de oito anos?”.

A votação será aberta, nominal e realizada através do painel eletrônico.

Para o afastamento definitivo da presidente, são necessários 54 votos.

A tucano, presidente em exercío reitera que não é candidato

• Após atritos com principal partido aliado, Temer diz ao senador José Aníbal que objetivo é fazer um bom governo e unir forças para melhorar as contas

Ricardo Brito - O Estado de S. Paulo

BRASÍLIA - O presidente em exercício Michel Temer afirmou em encontro com o senador José Aníbal (PSDB-SP) que o objetivo do governo é consertar as contas públicas. Na reunião realizada no Palácio do Planalto na noite de terça-feira, 16, Temer afirmou mais uma vez que não é candidato à reeleição em 2018 e disse que só deseja fazer um bom governo. O encontro foi uma espécie de “prévia” do jantar que o peemedebista ofereceu a tucanos na noite desta quarta-feira, 17, no Palácio do Jaburu.

Aníbal tem vocalizado críticas dos tucanos às concessões feitas pelo governo interino no ajuste fiscal. Recentemente, em discurso da tribuna do Senado, o senador – suplente do chanceler José Serra – defendeu que o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, seja inflexível e evite novas “bondades”, como os reajustes aprovados no Congresso – com o aval do Planalto – para o Judiciário, o Tribunal de Contas e os Ministérios Públicos nos Estados, além das concessões feitas na renegociação das dívidas com os Estados.

Ao Estado, Moreira Franco, secretário do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), um dos mais próximos conselheiros de Temer, rebateu críticas dos tucanos a Meirelles. Segundo ele, não é “recomendável transformar o ministro da economia em vítima de manipulação eleitoral”.

As declarações de Aníbal causaram desconforto no governo, levando o Planalto e o próprio Temer a agir.

Reservadamente, integrantes do PSDB desconfiam que a falta de austeridade fiscal, com as concessões, seja um indicativo de que Temer ou mesmo o ministro da Fazenda podem ser candidatos a presidente da República daqui a dois anos. Apesar das cobranças por um maior rigor fiscal, as bancadas tucanas na Câmara e no Senado respaldaram as “bondades” do governo.

Na conversa, conforme relatos, Aníbal disse a Temer que há uma pressão de corporações por concessões em propostas que integram o ajuste fiscal, num momento em que o País conta com um grande contingente de desempregados. Temer reconheceu que o importante é somar forças para melhorar as contas e que tem todo o interesse em fazer uma boa gestão. A conversa não chegou a abordar a atuação de Meirelles na Fazenda. O encontro, segundo apurou o Estado, se deu em clima de cordialidade.

Em reunião com tucanos, Temer promete agenda 'ousada e corajosa'

Mariana Haubert – Folha de S. Paulo

BRASÍLIA - Após a demonstração de uma certa desconfiança com os rumos que o presidente interino, Michel Temer, poderia dar ao seu governo passado o impeachment de Dilma Rousseff, a cúpula do PSDB foi tranquilizada pelo peemedebista nesta quarta (17).

De acordo com o presidente da legenda, senador Aécio Neves (MG), Temer assegurou que apresentará uma agenda "ousada e corajosa" assim que for efetivado no cargo. Em um jantar realizado nesta noite no Palácio do Jaburu, Temer conversou também com o líder do PSDB no Senado, Cássio Cunha Lima (PB), o líder da sigla na Câmara, Antônio Imbassahy (BA), e o líder do governo no Senado, Aloysio Nunes Ferreira (SP).

"O presidente não tem a possibilidade de errar de agora em diante. Nós apresentamos a ele os mesmos temas que já tínhamos apresentado, de reformas estruturais no País. O que nós ouvimos do presidente Michel e de alguns dos seus principais assessores, é que ele tem absoluta disposição de inaugurar na semana que vem um tempo novo em seu governo, onde a agenda de reformas seja clara e o governo como um todo, não apenas o PSDB ou alguns dos aliados, lute por ela. Uma agenda que vai recuperar o País", afirmou Aécio após o encontro.

Além dos parlamentares, participaram também do encontro o ministro Eliseu Padilha (Casa Civil) e o secretário do Programa de Parcerias e Investimentos (PPI), Moreira Franco.

Uma das principais reclamações dos tucanos até agora era a visão de que, principalmente a área econômica do governo, estaria sucumbindo a uma pauta "eleitoral", com o maior sintoma disso demonstrado nas concessões que Temer tem feito a determinadas categorias em detrimento do ajuste fiscal.

Sobre o assunto, Aécio afirmou que a sigla "compreende que a interinidade traz certos limites ao governo" mas repetiu que os sinais não podem ser ambíguos. "Os sinais não podem ser ambíguos, tem que ser claros no sentido das reformas e para isso ele contará com o apoio, a lealdade e o entusiasmo do PSDB", disse.

Uma das reformas que deverá ser apresentada por Temer é a da Previdência. Segundo Aécio, Temer pretende apresentá-la ao Congresso nas próximas semanas. "Ele está tendo oportunidade única e eu acredito que tudo o que ele nos disse hoje, ele tem condições, com nosso apoio e da sociedade, de colocar em prática. O governo deve ter compromisso com a História, não com novas eleições", reiterou.

Questionado sobre se Temer falou sobre a reforma ministerial que pretende fazer ainda em setembro, Aécio afirmou que ele "não tocou nesse assunto". "É natural que, após o impeachment, ele se sinta muito confortável para trabalhar numa agenda que iniba os gastos públicos, que reorganize o estado, que qualifique os gastos públicos e que o Brasil precisa de reformas e que não serão feitas com facilidades, mas terão o apoio daqueles que querem que o Brasil saia do abismo no qual o governo do PT nos mergulhou", disse.

Impeachment
Ainda de acordo com Aécio, Temer fará um pronunciamento à nação assim que o Senado confirmar a saída definitiva da presidente afastada, Dilma Rousseff. Isso deve acontecer entre os dias 30 e 31 de agosto. Apesar de ter ficado insatisfeito com o calendário, Temer não pediu a antecipação do final do julgamento aos tucanos, segundo informou Aécio.

"Ele está absolutamente tranquilo sobre isso e nós também. Nós estamos começando o jogo no segundo tempo, não temos tempo a perder. Ele nos tranquilizou hoje e nos deu garantia que, aqueles temas que foram colocados pelo PSDB e são demandas da sociedade, as reformas estruturais, estarão, inclusive, num pronunciamento que ele fará à Nação logo após ser confirmado definitivamente como presidente", disse.

Dilma decide ir ao Senado para fazer sua defesa contra impeachment

Natuza Nery – Folha de S. Paulo

A presidente afastada, Dilma Rousseff, fará pessoalmente sua defesa no julgamento do Senado no dia 29 de agosto.

Na manhã desta quarta-feira (17), Dilma procurou aFolha para comunicar sua decisão.

"Será a manifestação de uma presidente que irá ao Senado e que está sendo julgada por um processo de impeachment sem crime de responsabilidade", disse a presidente por telefone.

Questionada se não temia atitudes agressivas por parte de alguns senadores, respondeu: "Nunca tive medo disso. Aguentei tensões bem maiores na minha vida. É um exercício de democracia".

Dilma ficou particularmente incomodada com avaliações veiculadas na imprensa de que ela poderia não ir ao Senado por temer perguntas de seus oponentes e possíveis ataques no plenário do Senado. Essas avaliações levavam em conta o fato de sua ida prever, além de discurso, perguntas por parte de seus julgadores.

"Se eles quiserem que o Brasil veja um show do tipo de 17 de abril (data da votação do processo de impeachment na Câmara)...", disse, deixando implícita a conclusão da frase.

A coluna Painel, da Folha, publicou nesta quarta que Dilma Rousseff dava sinais de que estaria disposta a fazer pessoalmente sua defesa no julgamento final do impeachment.

No PT, os incentivadores de seu comparecimento ao Senado diziam que a petista "cresce na adversidade", lembrando que ela, quando ministra, "destruiu" o oposicionista José Agripino ao ser por ele confrontada em uma sessão.

Será a primeira vez que Dilma irá ao Congresso para se defender no processo que pede o seu afastamento.

Temer retoma diálogo com PSDB

Por Bruno Peres, Thiago Resende e Vandson Lima - Valor Econômico

BRASÍLIA - O Palácio do Planalto busca desfazer ruídos na relação com o PSDB e espera afinar o entendimento entre governo e tucanos quanto à condução das propostas de ajuste fiscal sob a figura do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles.
A estratégia ocorre em meio à desconfiança do PSDB quanto às pretensões eleitorais não só de Meirelles mas do próprio presidente interino, Michel Temer, que nega publicamente a intenção de concorrer à reeleição.

O esforço de Michel Temer para manter firme a aliança com o PSDB inclui um jantar oferecido ontem a convidados do partido no Palácio do Jaburu, residência oficial da Vice-Presidência. O encontro foi precedido de uma reunião em separado do presidente interino com o senador Aécio Neves (MG), presidente nacional do PSDB.

Ontem o senador tucano classificou o encontro como "natural" e disse que não se nega um convite de presidente para conversar e "afinar as coisas".

Aécio afirmou que as críticas do partido à condução do ajuste fiscal são "alertas" que devem ser entendidos como "extraordinária contribuição" às medidas propostas pelo governo para que sejam cumpridas, segundo disse, "expectativas" criadas a partir do afastamento de Dilma Rousseff do poder.

O senador disse ainda que a partir da confirmação do impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff, Temer terá "melhores condições" de liderar reformas de que o país necessita.

O tucano disse que cabe ao presidente da República "comandar o seu time", inclusive o ministro da Fazenda. Meirelles é apontado como um nome a concorrer à sucessão presidencial, inclusive pelos quadros do PMDB - atualmente o ministro está filiado ao PSD, do ministro das Comunicações, Gilberto Kassab.

O Palácio do Planalto se preocupou quando, logo após duro discurso do senador José Aníbal (PSDB-SP) contra a condução do ajuste fiscal em curso, Aécio disse que havia uma "perda de tempo precioso" no combate à crise. Aécio fez referência a recuos do governo em propostas do ajuste fiscal para evitar se indispor com categorias do funcionalismo público.

Já a reação mais dura do Palácio do Planalto às críticas originadas no PSDB coube ao secretário do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), Moreira Franco, próximo a Temer, ao afirmar que Meirelles é vítima de "manipulação eleitoral" que visa enfraquecê-lo, inviabilizando eventual candidatura futura nas eleições de 2018.

Bumlai depõe à PF e confirma ligação de Marisa com sítio

• Amigo de Lula diz que ela queria ‘construtora de verdade’ na obra

Cleide Carvalho - O Globo

-SÃO PAULO- O pecuarista José Carlos Bumlai afirmou ontem em depoimento à Polícia Federal, em São Paulo, que sua ajuda nas obras do sítio de Atibaia foi pedida por Marisa Letícia, mulher do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e encerrada com um telefonema de Aurélio Pimentel, segurança da então primeira-dama. Segundo Bumlai, Pimentel lhe disse que dona Marisa estava irritada com a lentidão da obra e queria que os serviços fossem feitos por uma “construtora de verdade”.

Bumlai disse que o pedido para que ajudasse na obra do sítio partiu da própria Marisa, em 2010, conforme antecipou O GLOBO em sua edição de ontem. De acordo com Bumlai, dona Marisa queria que as obras ficassem prontas rapidamente para que o sítio pudesse abrigar parte da mudança do casal de Brasília para São Paulo, ao fim do mandato presidencial. Ele disse aos delegados que não foi informado sobre quem passaria a comandar a reforma.

O depoimento durou menos de uma hora. Ao sair da Polícia Federal, Bumlai se mostrou cansado e abatido. Por determinação do juiz Sérgio Moro, ele deve retornar à prisão dia 23, após cinco meses em prisão domiciliar devido ao tratamento de um câncer na bexiga. A defesa impetrou habeas corpus no Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar mudar a decisão.

Segundo as investigações, a obra de ampliação da casa e reforma da piscina foi feita por funcionários da Odebrecht, que chegaram a trabalhar uniformizados. A OAS se encarregou de parte dos serviços, como a contenção da represa e a reforma da cozinha, que tinha infiltrações, instalando móveis planejados. Em depoimento de delação premiada, o ex-presidente da OAS Léo Pinheiro também deve confirmar que fez os serviços pela amizade que tinha com Lula. Os serviços da OAS foram feitos após o petista ter deixado a Presidência.

Depoimento de segurança
Em março, o segurança Aurélio Pimentel disse em depoimento à Polícia Federal que dona Marisa lhe pediu para acompanhar as obras do sítio, onde seriam guardados presentes que Lula recebeu nos dois mandatos. Assim como Bumlai, o segurança também afirmou que soube apenas que o sítio pertencia a Fernando Bittar, amigo da família.

Recibos relativos a gastos na obra do sítio foram apreendidos pela Polícia Federal no apartamento de Lula, em São Bernardo do Campo. Também foi apreendida a nota fiscal da compra de uma porta de madeira de correr, que foi entregue em Atibaia. Para a Polícia Federal, Bumlai disse que pagou do próprio bolso cerca de R$ 38 mil na reforma do sítio.

Dona Marisa não compareceu para depor na Polícia Federal sobre o sítio, na última terça-feira. Os advogados reuniram a imprensa para explicar que ela nada mais fez do que exercer um direito garantido Os advogados afirmam que a investigação já deveria ter sido encerrada, pois Jonas Suassuna e Fernando Bittar já comprovaram ser donos da propriedade.

Em nota enviada ontem à imprensa, os advogados da família Lula afirmaram que a Lava-Jato não pode ter dúvidas sobre a propriedade do sítio, pois os seus donos comprovaram pagamentos pela manutenção e reformas feitas no local. Reafirmou que Lula é amigo da família Bittar há 40 anos e que, a convite, frequentou o local a partir de 2011.