quinta-feira, 12 de junho de 2014

César Felício: Brasil na Copa: 'Welcome to the jungle'

• Para o comando da reeleição, o que importa é o relato

- Valor Econômico

Com o retrato do país feito pela mídia estrangeira que predominou às vésperas da Copa, o viajante que chegar ao Brasil nos próximos dias poderá ter a sensação de penetrar no coração das trevas, como o protagonista do romance do inglês Joseph Conrad, que se dedicava à navegação fluvial na África do século passado.

A sensação de perda de tempo começa antes mesmo de sair dos aeroportos, segundo a revista "The Economist", em função da caótica estrutura de transportes. Para o mexicano "El Universal", o Brasil não se destaca em nada fora do gramado. "Nem a prosperidade é tanta, nem a infraestrutura é moderna, nem as comunicações avançadas, nem a beleza colonial impressiona", garantiu um articulista do jornal. "Motins, greves e engarrafamentos encobrem a abertura em São Paulo", registrou o inglês "The Independent".

O clima está pesado, de acordo com o "Wall Street Journal" e o "New York Times", que citam a falta de enfeites na rua e de empolgação popular em São Paulo. "O país está blindado como se tratasse de uma guerra", observou o chileno "El Mercurio". Organizadores de manifestações contra a Copa ganharam lugar de destaque no noticiário do inglês "Financial Times" e do francês "Liberation", que classificou a greve dos metroviários em São Paulo como um "movimento de cólera geral".

O francês "Le Monde" e a revista alemã "Der Spiegel" se preocuparam com questões de fundo e recorreram às estatísticas. Uma em cada dez pessoas assassinadas no mundo é brasileira e o trabalho infantil persiste no país. O tom negativo em relação à Copa consegue até coisas impossíveis, como unir a imprensa oposicionista e a governista na Argentina. O "Pagina 12", alinhado à Casa Rosada, destacou que a Copa de 2014 custará mais que as duas últimas somadas e que torneios como esse "começam a deixar de ser percebidos como encontros de prestígio para serem vistos como o que são, fenomenais oportunidades para o desperdício". No polo oposto, o oposicionista "Clarín" criticou "a enorme massa de cimento no meio da selva", uma referência à Arena de Manaus.

A presidente Dilma Rousseff jantou com os correspondentes estrangeiros no último dia 3, em um encontro marcado pela amenidade. "Sua informalidade com pessoas que acaba de conhecer é cativante, sua compreensão dos detalhes de questões de política pública é convincente", escreveu sobre ela por exemplo o correspondente da britânica BBC. Mas dos 21 meios de comunicação que escreveram sobre o país nos últimos dias, mesmo depois do exercício de sedução de Dilma, 19 publicaram análises negativas.

Em apenas um caso, o do "USA Today", o ponto de vista do governo foi registrado. Segundo o jornal, o ministro da Comunicação Social Thomas Traumann avaliou que tudo indica que não haverá protestos massivos durante a Copa. De acordo com a declaração do ministro transcrita no jornal, depois de junho de 2013 nenhum ato no Brasil reuniu mais de 10 mil manifestantes. Receberam credenciamento da Fifa para acompanhar o torneio cerca de 18,8 mil jornalistas de 163 países. Somente 20% do Brasil.

O desenho de um país atormentado com a realização do evento esportivo contrasta com a percepção sobre o Brasil registrada pela maioria dos pesquisados do instituto norte-americano Pew Research, feita em 37 países, que constatou que 66% dos franceses, 51% dos britânicos e 49% dos alemães têm opinião favorável sobre o país. O mesmo relatório do instituto de pesquisas, entretanto, indica que a imagem brasileira no exterior está em declínio, nos quatro países em que sondagens anteriores foram feitas. Na Argentina, a percepção favorável em relação ao Brasil caiu de 69% em 2010 para 56% na pesquisa concluída em maio. Nos Estados Unidos, a queda foi de 57% em 2009 para 51% agora. No México, a percepção favorável se manteve em 41% entre 2010 e 2014, mas a desfavorável cresceu de 20% para 32%. Apenas no Chile houve estabilidade nos últimos anos e 74% dos pesquisados naquele país avaliam o Brasil de forma positiva.

No alto comando da campanha de reeleição da presidente Dilma Rousseff, o bombardeio exterior é visto como um clássico caso de contágio da visão estrangeira pela local. Por esta visão, a necessidade de se apresentar a toque de caixa o Brasil a seus leitores fez com que a mídia internacional se pautasse pelo noticiário dos grandes grupos de imprensa brasileiros, que estariam, com diferentes gradações, tacitamente comprometidos com as oposições na eleição presidencial de outubro. É uma análise que parte do pressuposto de que não existe um olhar estrangeiro, mas somente uma caixa de ressonância dos tambores que por aqui batem.

As exceções, de acordo com este integrante da cúpula governista, estariam no jornalismo inglês, que estaria empenhado, por interesse próprio, em enfraquecer o governo Dilma. É uma referência velada ao jornal "Financial Times", ácido crítico da política econômica dos últimos anos.

O problema central desta visão que atribui à partidarização da imprensa a gênese do mau humor social e das dificuldades de imagem do governo é a aposta que se faz no relato. Por esta perspectiva, os fatos em si nada significam. Tudo depende de como são narrados e de quais são os interesses de quem faz esta narrativa.

A partir de hoje, o protagonismo do Brasil na mídia internacional tende a esmaecer, com a atenção voltada para o que acontecer dentro dos gramados. Uma nova conquista brasileira será um episódio rotineiro na história do futebol, já que o país ganhou cinco das 14 últimas Copas, sem qualquer conexão visível com a conjuntura política de cada vitória. Segundo o argentino "La Nacion" e o "Financial Times", que replicaram análises já publicadas na mídia brasileira, uma derrota do Brasil pode tornar o ambiente social ainda mais rarefeito e afetar Dilma. De acordo com este integrante da cúpula governista, este é mais um erro de avaliação da imprensa: somente uma catástrofe ligada à infraestrutura, como um desabamento de uma obra ou um colapso nos aeroportos, poderá atingir a reeleição.

Eliane Cantanhêde: Tristes espetáculos

- Folha de S. Paulo

Bem que nós, brasileiros, poderíamos passar sem os tristes espetáculos do Senado da República e do Supremo Tribunal Federal bem na semana da Copa.

Na terça (10), o cinismo do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa ao depor na CPI de mentirinha, com o beneplácito de um punhado de senadores governistas.

Entre outras barbaridades, ele disse: 1) os R$ 762 mil em dinheiro vivo encontrados pela polícia na sua casa eram para "pagamento de consultorias"; 2) os US$ 180 mil (R$ 400 mil) eram só "por garantia"; 3) sua filha e seu genro não foram à sua casa para sumir com papéis comprometedores, mas para reunir documentos de suas próprias empresas.

Acredite quem quiser, e não é que os senadores governistas acreditaram?! Não dá para entender. Por que a base aliada ao Planalto tem de proteger um réu que foi preso sob suspeita de desviar recursos da minha, sua, nossa Petrobras? O que Paulo Roberto tem a ver com o governo?

Segundo o líder do PT, Humberto Costa, o depoimento dele foi "satisfatório". Para quem, cara pálida? Menos de 24 horas depois veio a notícia de que a Suíça bloqueou a bagatela de US$ 23 milhões (R$ 51,3 milhões) que seriam do mesmo Paulo Roberto.

Seriam para "pagamento de consultorias"? Ou só "por garantia"? Ele reuniu tudo isso com o suor do próprio rosto, ou com o petróleo da Petrobras e com o suor da nação?

O fato é que Paulo Roberto Costa, preso em 17 de março, foi solto pelo ministro do STF Teori Zavascki dois meses depois e voltou para a cadeia nesta quarta (11), um dia depois de fazer os senadores parecerem bobos e o Senado, uma Casa pouco séria.

O Judiciário não ficou atrás. Enquanto o ex-diretor da Petrobras voltava para a cadeia, o já quase ex-presidente do Supremo Joaquim Barbosa, aos gritos, expulsava o advogado de Genoino da corte. Inacreditável.

Por favor, Felipão, Neymar, Hulk, Fred e Júlio César, mostrem ao mundo um espetáculo bem melhor.

Diário do Poder – Cláudio Humberto

- Jornal do Commercio (PE)

• Diplomatas driblam ‘lei seca’ no mercado negro
O Itamaraty poderá ser obrigado a discutir a relação com diversos países do Oriente Médio, em razão de atitude até inevitável dos funcionários de embaixadas, inclusive diplomatas, que naqueles países vira caso de polícia. É que, para enfrentar a “lei seca” muçulmana, os brasileiros – como muitos outros diplomatas ocidentais – recorrem ao comércio ilegal de bebidas alcoólicas, em países do mundo árabe.

• Garrafa de ouro
Uma garrafa de uísque Black Label vale mais que ouro e petróleo, em países muçulmanos: chega a ser vendida a US$ 400.

• Hipocrisia na seca
Curiosamente, a “lei seca” não passa de hipocrisia em países muçulmanos: às escondidas, cidadãos locais costumam beber até cair.

• Por que não te calas?
“Nunca antes neste país”, presidente foi à TV antecipar discurso para fugir da Copa. Resultado: #calabocaDilma” em 1º no Twitter, ontem.

• Doentes do pé
O Ministério da Saúde meteu a mão no nosso bolso para comprar 2 mil TVs LCD de 40 polegadas. Para ver a Copa?

• Aécio aguardará PTB e PR para definir seu vice
O racha na convenção nacional do PMDB reforçou o entendimento na cúpula do PSDB de que o melhor caminho agora é adiar a escolha do vice do presidenciável Aécio Neves (MG) para o fim de junho. O partido avalia que ainda é possível compor com partidos da base aliada da presidenta Dilma, como o PTB e o PR, que ficaram órfãos após a prisão dos mensaleiros Roberto Jefferson e Valdemar da Costa Neto.

• Por partes
O PSDB acertou de oficializar apenas a candidatura de Aécio Neves na convenção, no sábado (14), e delegar à executiva a decisão do vice.

• Dobradinha
O tucanato acha difícil, mas não impossível, cooptar o PSD de Gilberto Kassab devido à provável aliança com Geraldo Alckmin, em São Paulo.

• Linha de frente
Em caso de chapa pura, são cotados o ex-governador José Serra (SP), além de Tasso Jereissati (CE), Ellen Gracie (RJ) e Aloysio Nunes (SP).

• Tarefa ingrata
Nem o presidente da Fifa, Joseph Blatter, nem Dilma discursarão na abertura da Copa, nesta quinta-feira. Coube ao ministro Aldo Rebelo (Esporte) a ingrata tarefa de ser vaiado, na cerimônia de abertura.

• Amigo é pra essas coisas
O sindicato dos servidores do Legislativo (Sindilegis) dá uma força na recuperação da imagem de Renan Calheiros: criou campanha de rádio atacando o presidente do Senado por cortar os salários de marajá.

• Privilégio
O ex-presidente da Câmara Marco Maia (PT-RS) mantém dois funcionários lotados na Presidência da Casa em cargo de natureza especial, para cuidar de emendas e receber prefeitos.

• Puro sangue
A vice-prefeita de Salvador, Célia Sacramento, aceitou o convite do presidente do PV, José Penna, para disputar a vice de Eduardo Jorge à Presidência. A chapa será formalizada em convenção sábado, no DF.

• Infidelidade
Aliado da ex-senadora Marina Silva, o deputado Alfredo Sirkis (RJ) está na iminência de perder o mandato na Câmara. Fundador do PV, Sirkis deixou partido no ano passado após divergências, e se filiou ao PSB.

• Põe na conta
Apesar de terem aparecido e votado na convenção nacional do PMDB, os senadores Luiz Henrique e Vital do Rêgo foram responsabilizados na sigla pela ausência de dez convencionais da Paraíba, e oito de SC.

• Só agora?
Alguns cronistas apostavam que os protestos impediriam ou fariam da Copa um fracasso. Agora que começa com pinta de que será um sucesso, alegam que o povo “sabe distinguir” evento da manifestação.

• Tem pai que é cego
O coronel Manoelito tem dito a quem encontra que o filho deputado Luiz Argôlo (SDD-BA), envolvido com doleiro Alberto Youssef, só está em evidência por ser um “político graúdo, que ainda vai dominar Brasil”.

• Pensando bem…
…se pesquisa é “retrato do momento”, como diz candidato que aparece mal nos números, Dilma está precisando urgente de Photoshop.

Painel - Bernardo Mello Franco (interino)

- Folha de S. Paulo

Melhor sem eles
A campanha do petista Alexandre Padilha ao governo de São Paulo pretende manter em segundo plano os apoios de Dilma Rousseff e Fernando Haddad. O motivo são as pesquisas que mostram a irritação de boa parte do eleitorado paulista com a presidente e com o prefeito da capital. Até o momento, a ordem é apostar todas as fichas no prestígio do ex-presidente Lula, que bancou a candidatura do ex-ministro. A Dilma e Haddad, sobrariam papéis de discretos coadjuvantes.

Sem pânico Aos petistas mais alarmados com seus 3% no Datafolha, Padilha continua a repetir o mantra de que o partido nunca fica abaixo dos 30% no Estado. Ele diz que só estará fora do segundo turno se "errar demais".

Em campo O ex-governador José Serra (PSDB) fez uma rodada de consultas a prefeitos do interior do Estado. O objetivo: medir os riscos de derrota caso decida se candidatar ao Senado.

Na arquibancada O governador Geraldo Alckmin (PSDB) decidiu na última hora assistir à estreia do Brasil na Copa, no Itaquerão. Sua equipe ficou dividida sobre a decisão de ir ao estádio.

Balança Para alguns aliados, o governador deveria manter distância de uma possível vaia a Dilma. Para outros, seria pior ser acusado de se esconder. O Palácio dos Bandeirantes só confirmou sua presença às 23h.

No sofá Paulo Skaf (PMDB), o segundo colocado nas pesquisas, assistirá ao jogo em casa. Prometeu à mulher que vai preparar o almoço do Dia dos Namorados.

Torcida discreta Com o pronunciamento na TV e a carta aos jogadores, a equipe de Dilma quis compensar a linha discreta que ela deve adotar hoje no Itaquerão.

A propósito A presidente também evitou visitar a Granja Comary, ideia que foi discutida no Planalto.

No aquecimento De um parlamentar do PT que jantou com Lula há poucos dias: "Ele é o nosso melhor jogador e está no banco de reservas. Se o time continuar perdendo, vai pedir para entrar".

Na vontade E o ex-presidente quer voltar? "Ele está mordendo os calcanhares", diz o mesmo petista.

Tudo acabado Aécio Neves (PSDB) disse a amigos estar surpreso com Eduardo Campos (PSB), que não o parabenizou pelo nascimento dos gêmeos Julia e Bernardo, no sábado passado.

Baile encerrado Em janeiro, Aécio telefonou para o rival no dia em que nasceu seu caçula, Miguel. Na semana seguinte, foi ao Recife visitar a família Campos.

Atordoado fiquei Os dois presidenciáveis, que conversavam quase todo dia por telefone, já não se falam há cerca de um mês.

Plim-plim Em empate técnico com Campos, o nanico Pastor Everaldo (PSC) tem dito a aliados que vai cobrar das emissoras de TV aberta espaço igual ao do ex-governador de Pernambuco em debates e telejornais.

Também quero Claudia Lyra, a poderosa secretária-geral do Senado, vai se candidatar a deputada distrital em Brasília pelo PMDB.

Cofre fechado O governo indicou a líderes no Congresso que não permitirá a aprovação de mais uma bomba orçamentária: o projeto que cria bônus salarial para juízes por tempo de serviço.

Plano B O Planalto admite discutir com os magistrados uma outra proposta que altere as carreiras e crie uma diferença de 35% entre o piso e o teto da magistratura.

Tiroteio
"Ao expulsar um advogado, o ministro Joaquim Barbosa resumiu a forma ditatorial com que comandou o STF nos últimos anos."
DO VICE-PRESIDENTE DO PT ALBERTO CANTALICE, sobre a ordem para seguranças retirarem o advogado do petista José Genoino do plenário do STF.

Contraponto
Noventa milhões em ação
Na estreia na Copa de 1970, os presos do Dops (Departamento de Ordem Política e Social) carioca se dividiram entre torcer contra ou a favor do Brasil. Muitos achavam que o tricampeonato fortaleceria a ditadura. Outros diziam que a seleção era do povo, não dos militares.
--A divisão foi mais ou menos ao meio --lembra o ex-preso político Cid Benjamin, no livro "Gracias a la Vida".
No fim, o Brasil bateu a antiga Tchecoslováquia: 4 a 1.
--Alguns dos que não queriam torcer para a seleção viraram casaca e também festejaram a vitória --entrega Benjamin, que vibrou desde o início com o time de Pelé.

Brasília-DF - Denise Rothenburg

- Correio Braziliense

Copa & ética
Para não atrasar tanto os processos envolvendo os deputados André Vargas (PR), o Conselho de Ética da Câmara ouvirá na semana que vem o presidente do PT, Rui Falcão, o líder do partido na Câmara, Vicentinho, e o deputado Cândido Vaccarezza. Os três deveriam depor esta semana, mas, a pedido de Sibá Machado (PT-AM), ficou combinado para a semana que vem, com o compromisso da presença de todos.

Copa e ética II
Explica-se tanto empenho dos deputados em comparecer ao Congresso em semana de recesso branco: em meio à Copa, são poucos os brasileiros que vão perceber a presença deles ali, prestando depoimento sobre o antigo colega petista enroscado nas tramas do doleiro Alberto Youssef.

Dos males...
Um peemedebista ligado ao governo foi direto ontem quando se referiu àqueles que não gostaram do resultado da convenção: "Michel tem que estar é muito feliz. Se demorasse um pouco mais, não aprovava!"
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"A cúpula do partido precisa parar com essa história de nos medir pela régua deles. Em vez de,dizer que o resultado foi uma traição, deveria, sim, divulgar por que houve esse resultado pífio."
Do deputado Lúcio Vieira Lima/referindo-se ao fato de o PT tratar o PMDB como aliado de segunda classe.
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Sabendo usar, nas vai faltar
É assim que os petistas têm se referido à mistura de política e Copa do Mundo. Ou seja, toda a presença do governo na Copa, depois do pronunciamento da terça-feira, deve ocorrer de forma discreta, sem qualquer estardalhaço. A avaliação é a de que o recado já está dado.

Uma resolução sob encomenda
Discretamente, a convenção do PDT em Brasília aprovou tuna resolução feita sob medida para mais à frente tirar a legenda de quem descumprir. Por ordem de Carlos Lupi, apenas três estados estão livres para fazer campanha a outros candidatos a presidente que não Dilma Rousseff: Rio Grande do Sul, Amapá e Mato Grosso. Os demais vão depender de autorização do comando partidário nacional. A decisão pode representar uma armadilha para José Antonio Reguffe, que fechou uma coligação no Distrito Federal com o senador Rodrigo Rollemberg, do PSB, pré-candidato a governador. A ordem é deixar Reguffe numa corda bamba, uma vez que, de acordo com os pedetistas, se eleito senador, o deputado vai compor a Rede Sustentabilidade de Marina Silva.

Em tempo: Lupi já havia deixado tanto o deputado quanto o senador Cristovam Buarque livres para seguir outros caminhos em Brasília. Afinal, é de conhecimento geral que tanto Reguffe quanto Cristovam eram contra à reedição da aliança nacional com Dilma Rousseff.

CURTIDAS
Copa & degustação:
A discussão ontem nas rodas gastronômicas de Brasília era qual o vinho que a presidente Dilma Rousseff servirá às autoridades convidadas para o almoço hoje em São Paulo. Há dois tipos produzidos especialmente para a Copa do Mundo pela vinícola gaúcha Iidio Carraro: o Faces, que reúne 11 variedades de uva (mesmo número de jogadores em campo numa Seleção), custa em tomo de R$ 35.O ícones, um tinto mais elaborado, em tomo de R$ 300. Ambos serão oferecidos nos camarotes. O champanhe é Taittinger.

E no território da oposição.../O PTB, do ex-deputado Benito Gama, definiu Salvador como palco da convenção nacional que selará o apoio à reeleição da presidente Dilma Rousseff. A cidade é administrada por ACM Neto, do DEM. Dilma Rousseff prometeu comparecer à festa petebista "Nós estamos tranquilos, sem muitas dissidências" diz Benito (foto), como que comparando seu partido ao PMDB, que, na Bahia, é Aécio.

Última chamada II
O deputado Júlio Delgado, por exemplo, que tinha comprado há meses uma passagem barata para Belo Horizonte, gastaria R$1,8 mil pela mesma viagem num voo de última hora no dia da abertura do Mundial. E, ainda assim, teria dificuldades em conseguir uma vaga.

Amor na Copa/ Feliz Dia dos Namorados! BrasiiiilllUlllli

Última chamada II
Durante todo o depoimento de Graça Foster na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Petrobras era um tal de deputado olhando preocupado para o relógio. A maioria estava irada porque gastaria uma fortuna para viajar ao estado natal hoje. Era isso e não outro o motivo da ira com o relator Marco Maia, que fez 139 perguntas à presidente da empresa, algumas com jeitão de quem estava em campo fazendo cera para gastar o tempo.

Panorama político – Ilimar Franco

- O Globo

Alguém tem que ceder
A força que o PMDB do Rio demonstrou na convenção do partido, anteontem, pode comprometer a candidatura da presidente Dilma à reeleição mais do que o previsto pelo PT. O ministro Moreira Franco (Aviação Civil) afirma que é "inconcebível" o ponto a que chegou a relação entre os dois partidos. "A falta de convivência adequada pode se tornar um impeditivo e afetar Dilma", disse.

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“A presidente Dilma levou o tempo de TV, mas não levou o PMDB como um todo. A convenção mostrou que 40% do partido não está à venda”
Leonardo Picciani
Deputado federal PMDB-RJ
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A questão é matemática
O PSB do Rio tenta escapar da aliança com o PROS ao governo estadual por um problema objetivo: a manutenção de sua bancada na Câmara. O deputado Glauber Braga (PSB) avançou o sinal anunciando a desintegração da candidatura de Miro Teixeira (PROS), por saber que seu partido pode sair perdendo. Com PSB e PROS coligados, e sem Romário (PSB) à reeleição, as vagas afunilam. Hugo Leal (PROS) e Alfredo Sirkis (PSB) são considerados os mais fortes pelas votações de 2010, e será difícil para a aliança fazer mais cadeiras. Deputados pressionam Romário a desistir do Senado, sem sucesso.

Osso duro
Não é simples acabar com a candidatura de Miro Teixeira (PROS) ao governo. Sua manutenção é parte do acerto de Eduardo Campos e Marina Silva para ela engolir o apoio do PSB à reeleição de Geraldo Alckmin em São Paulo.

#cansei
Farto de esperar a decisão do governador Cid Gomes (PROS-CE) sobre quem apoiará à sucessão, o senador Eunício Oliveira (PMDB) negocia com o PR a indicação de Roberto Pessoa para candidato a vice e de Inácio Arruda (PCdoB) à reeleição ao Senado. SDD e PSD, que estavam com Cid, conversam agora com Eunício para o governo.

Menor ainda
A cúpula do PMDB calcula que a presidente Dilma tem menos de 40% do apoio do partido. Pelos números da convenção, a reedição da chapa foi aprovada por 59%. Desses, 20% votaram em consideração ao vice, Michel Temer.

A conferir
A procura por aviões da FAB por autoridades para a Copa do Mundo diminuiu em relação à Copa das Confederações. Pegou mal fotos de deputados, senadores e ministros em redes sociais no ano passado fazendo tour pelo país com amigos e familiares para acompanhar os jogos. Tiveram que ressarcir os cofres públicos.

Dando uma forcinha
A obstrução feita pela oposição às votações na Câmara até que seja cancelado o decreto da presidente Dilma que regulamenta os conselhos populares impulsionou o recesso branco imposto pelos deputados durante a Copa do Mundo.

Ganhando tempo
O governo respira aliviado com o cancelamento das sessões do Senado e da aproximação do recesso branco. Temia que os parlamentares não conseguissem suportar a pressão que vem do STF para aprovar a PEC da Magistratura.

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O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) acabou sendo convidado pela presidente Dilma para a abertura da Copa, hoje, no Itaquerão.

Fernanda Torres: O Bode

• Agora, o fantasma de 1950 pode trazer consequências bem maiores do que o silêncio sepulcral

- Folha de S. Paulo

A ditadura militar fez muita gente se esforçar para torcer contra o Brasil na Copa-70. Mas o talento do escrete foi mais forte que a causa, e até o mais aguerrido dos guerrilheiros sucumbiu aos dribles dos canarinhos.

Quarenta e quatro anos depois, a política volta a se imiscuir no amor pela camisa. O cenário é menos radical, mais democrático, mas a conjunção astral que alinhou Copa e eleição acabou por acirrar as tensões comuns aos dois eventos.

No Rio, os meses que antecedem as urnas são propícios a assaltos, chacinas e trocas de tiro no asfalto. Já começou, e não se vê uma faixa verde e amarela pintada na rua.

O clima anda tenso. Ronaldo tem razão quando diz que o futebol não tem culpa de terem creditado ao Mundial o fim das nossas mazelas. Mesmo assim, os custos exorbitantes dos estádios muniu a insatisfação popular.

Se cairmos nas quartas ou nas oitavas, corremos o risco da ira do Não Vai Ter Copa se juntar à dos black blocks, às greves, aos interesses das facções criminosas e ao uso político das manifestações de massa, culminando num quebra-quebra difícil de ser controlado.

Os que defendem a permanência do PT no poder acendem velas para Felipão. A oposição reza por uma colocação xoxa. Mas todos anseiam por, pelo menos, um honroso terceiro lugar que apazigue os maus humores.

A proximidade da eleição atiça a consciência extremada e censura a alegria mundana do torcedor. Ciente de nossa corrupção endêmica, quem se orgulharia de ter o álbum da Copa-14 completo? Mas a política, muitas vezes, gera uma impotência que leva à paralisia. Não defendo a alienação, mas alguma redenção é necessária.

Na minha área, já vi colegas trocarem o palco pelo palanque. De uma maneira geral, eles se tornaram artistas menos interessantes em cena do que fora dela.

O esporte é mais pragmático. O perde e ganha não deixa espaço a subjetividades. O atleta tende a fazer a sua parte, independente das convicções partidárias.

O espírito cívico é importante, mas ele não pode tirar a beleza de tudo. Se a seleção de 70 fosse medíocre, a derrota não nos livraria da linha dura.

Em meio a tanta indignação, resta esperar dos jogadores a lição simples de dominar com mestria o que se faz.
E nem sempre isso é suficiente, vide 1982. Agora, o fantasma de 1950, no Maracanã, pode trazer consequências bem maiores do que o silêncio sepulcral no estádio.

Que a força esteja conosco.

À partir de hoje, e por um mês, pretendo me dedicar ao carisma de Neymar, à lordose do Hulk, ao pomo de Adão do Cristiano Ronaldo e àqueles quadríceps maravilhosos, de rapazes vindos dos mais diversos cantos do planeta.

Sou moça, a testosterona me distrai à beça. Cada dia a sua agonia. Em outubro, decido meu voto.

Edu Lobo: O trenzinho caipira (Villa Lobos / Ferreira Gullar

Ascenso Ferreira – Carnaval do Recife

Meteram uma peixeira no bucho de Colombina
que a pobre, coitada, a canela esticou!
Deram um rabo-de-arraia em Arlequim,
um clister de sebo quente em Pierrô!

E somente ficaram os máscaras da terra:
Parafusos, Mateus e Papangus...
e as Bestas-Feras impertinentes,
os Cabeções e as Burras-Calus...
realizando, contentes, o carnaval do Recife,
o carnaval mulato do Recife,
o carnaval melhor do mundo!

- Mulata danada, lá vem Quitandeira,
lá vem Quitandeira que tá de matá!

- Olha o passso do siricongado!
- Olha o passo da siriema!
- Olha o passo do jaburu!
E a Nação-de-Cambinda-Velha!
E a Nação-de-Cambinda Nova!
E a Nação-de-Leão-Coroado!

- Danou-se, mulata, que o queima é danado!
- Eu quero virá arcanfô!
Que imensa poesia nos blocos cantando:
"Todo mundo emprega
grande catatau,
pra ver se me pega
o teu olho mal!"
- Viva o Bloco das Flores! Os Batutas!
Apois-fum!
(Como é brasileira a verve desse nome: Apois-fum!)
E o Clube do Pão Duro!
(É mesmo duro de roer o pão do pobre!)

- Lá vem o homem dos três cabaços na vara!
"Quem tirar a polícia prende!"

- Eh, garajuba!
Carnavá, meu carnavá,
tua alegria me consome...
Chegô o tempo das muié largá os home!
Chegô o tempo das muié largá os home!
Chegou lá nada...

Chegou foi o tempo delas pegarem os homens,
porque chegou o carnaval do Recife,
o carnaval mulato do Recife,
o carnaval melhor do mundo!

- Pega o pirão, esmorecido!

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Opinião do dia: Aécio Neves

“Os peemedebistas estão vendo o que acontece com o Brasil, ninguém quer isso que está aí. O governo do PT é o governo da desesperança. O PMDB em vários estados estará próximo a nós. O resultado da convenção do PMDB é uma derrota de um governo que não teve limites para distribuir cargos. O governo há um ano só faz uma coisa: cooptar forças políticas para ela vença as eleições.”

Aécio Neves, senador (MG) e presidente nacional do PSDB, em ‘Para Aécio, resultado significa derrota do governo’, O Globo, 11 de junho de 2014.

Ibope mostra piora da avaliação do governo Dilma Rousseff

• Índice de eleitores que consideram gestão boa ou ótima cai de 35%, em maio, para 31%

Letícia Sorg - Agência Estado

Pesquisa Ibope divulgada nesta terça-feira, 10, mostra que a avaliação dos eleitores sobre o governo Dilma Rousseff piorou de maio para cá. Segundo o levantamento, 31% dos eleitores avaliam o governo atual como ótimo ou bom. Na mostra anterior, esse índice era de 35%. A avaliação regular oscilou de 30% em maio para 32% agora. Já a avaliação ruim ou péssima oscilou de 33% para 35%.

A pesquisa também perguntou aos eleitores se eles aprovam ou desaprovam a maneira como Dilma vem administrando o País. De acordo com o levantamento, 44% aprovam a atual gestão, ante 47% em maio. Já 51% desaprovam a maneira de Dilma governar, uma alta de 3 pontos porcentuais em relação à pesquisa anterior.

A pesquisa foi contratada pela União dos Vereadores do Estado de São Paulo (Uvesp) e entrevistou 2.002 pessoas em 142 municípios do País entre 4 e 7 de junho. O nível de confiança estimado é de 95% e a margem de erro máxima é de 2 pontos porcentuais. O levantamento foi registrado sob o protocolo BR-00154/2014 no Tribunal Superior Eleitoral.

Ibope: Dilma cai dois pontos e adversários sobem

• Dilma (38%), Aécio (22%) e Campos (13%)

Letícia Sorg - Agência Estado

Pesquisa Ibope divulgada nesta terça-feira mostra que a presidente Dilma Rousseff oscilou negativamente em relação ao último levantamento. No cenário mais provável, que inclui candidaturas de partidos nanicos, a presidente saiu de 37% das intenções de voto em abril para 40% em maio e voltou a 38% em junho. O pré-candidato do PSDB, Aécio Neves, saiu de 14% em abril para 20% em maio e agora alcança 22%. Já o pré-candidato do PSB, Eduardo Campos, soma 13% das intenções de voto ante 11% em maio e 6% em abril.

No mesmo cenário, o pastor Everaldo (PSC) manteve 3% das intenções de voto. José Maria (PSTU), Magno Malta (PR) e Eduardo Jorge (PV) têm 1% cada. Outros nanicos somam 1%. Brancos e nulos são 13% e indecisos, 7%. No levantamento de maio, brancos e nulos somavam 14% e indecisos, 10%.

A pesquisa foi contratada pela União dos Vereadores do Estado de São Paulo e entrevistou 2002 pessoas em 142 municípios do País entre 4 e 7 de junho. O nível de confiança estimado é de 95% e a margem de erro máxima é de 2 pontos porcentuais. O levantamento foi registrado sob o protocolo BR-00154/2014 no Tribunal Superior Eleitoral.


Com Marina na vice, Campos encosta em Aécio, diz Ibope

• Pesquisa encomendada por entidade de vereadores indica que ex-ministra aumenta competitividade do pré-candidato do PSB

Daniel Bramatti - O Estado de S. Paulo

Pesquisa Ibope divulgada nesta terça-feira, 10, mostra a presidente Dilma Rousseff (PT) com 38% das intenções de voto, dois pontos porcentuais a menos do que em maio. Seus adversários Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB) oscilaram dois pontos para cima (de 20% para 22% e de 11% para 13%, respectivamente). Com a inclusão dos nomes dos vices nas cartela apresentada aos eleitores, porém, Campos se aproxima de Aécio - sua desvantagem varia entre quatro e cinco pontos.

A pedido da União dos Vereadores de São Paulo (Uvesp), entidade que pagou a pesquisa, o Ibope testou cenários com diferentes vices para Aécio (José Serra, Tasso Jereissati e Aloysio Nunes), além de colocar Marina Silva na chapa de Campos e Michel Temer na de Dilma.

Marina é a única vice que provoca alterações significativas no panorama. Com seu nome associado ao dela, o pré-candidato do PSB fica com 17% a 18% das intenções de voto, a depender do cenário. A inclusão de Serra na chapa de Aécio faz com que o tucano fique com 23%.

Segundo turno. No cenário comparável com as pesquisas anteriores - aquele no qual os nomes dos vices não são apresentados -, os concorrentes de Dilma somam 42%, quatro pontos a mais do que a petista. Isso indica que aumentou a chance de segundo turno. Na pesquisa anterior, Dilma tinha 40%, e os adversários, 36%.

Os cenários de segundo turno também mudaram significativamente, graças ao crescimento dos candidatos de oposição. Em um eventual embate com Aécio, a vantagem de Dilma caiu de 19 para 9 pontos porcentuais - em menos de um mês, o placar passou de 43% a 24% para 42% a 33%.

No cenário de confronto direto contra Campos, a petista também viu sua vantagem diminuir, de 20 pontos (42% a 22%) para 11 (41% a 30%).

Rejeição. Outra má notícia para a presidente foi o aumento da rejeição a seu nome: a parcela do eleitorado que afirma que não votaria nela de jeito nenhum subiu de 33% para 38%.

A pesquisa entrevistou 2002 pessoas em 142 municípios do País entre 4 e 7 de junho. O nível de confiança estimado é de 95% e a margem de erro máxima é de 2 pontos porcentuais. O levantamento foi registrado sob o protocolo BR-00154/2014 no Tribunal Superior Eleitoral.

Com críticas ao PT e ao governo, PMDB aprova apoio a Dilma

Ranier Bragon, Andréia Sadi – Folha de S. Paulo

BRASÍLIA - Com críticas ao PT e ao governo, o PMDB aprovou nesta terça-feira (10) em convenção nacional o apoio à reeleição de Dilma Rousseff. Foram 398 votos pela manutenção da aliança (59%) contra 275 (41%) da ala que defendia o rompimento.

Mesmo com a vitória, o resultado representa constrangimento ao Planalto. Em 2010, o apoio peemedebista à chapa de Dilma havia sido aprovado por 85% dos convencionais.

Se considerados todos os votos possíveis (737) na convenção, o índice favorável a na convenção deste ano, Dilma cai para 54%, já que foram registrados 64 votos brancos e nulos ou abstenções.

Com a decisão de hoje, a petista obtém cerca de 2 minutos e 20 segundos (em cada bloco de 25 minutos) na propaganda eleitoral na TV, que é o principal instrumento das campanhas políticas. O espaço no chamado "palanque eletrônico" é definido, principalmente, pelo tamanho dos partidos coligados.

O evento peemedebista, realizado no Senado, em Brasília, foi pontuado por reclamações de falta de apoio do partido da presidente da República aos candidatos do PMDB, principalmente no Rio de Janeiro, onde a legenda terá o PT como adversário na tentativa de reeleger Luiz Fernando Pezão.

A ala contrária a Dilma chegou a discursar contra a aliança e a distribuir panfletos em que acusa o governo de ineficiência e corrupção.

Maior aliado do PT na coalizão dilmista, o PMDB possui cinco ministérios, mas reclama constantemente que seu espaço é pequeno e que não tem autonomia total nas pastas sob sua responsabilidade.

Na abertura da convenção, o vice-presidente da República, Michel Temer,minimizou a dissidência e afirmou que a manutenção da aliança com o PT visa "abrir as portas" para que no futuro "o PMDB ocupe todos os espaços políticos, para o bem dos brasileiros".

Dizendo que o partido é o responsável pela "grande revolução social neste país", Temer afirmou que não acreditava nas "intrigas" que, segundo ele, apontavam para traições. Com a vitória de sua ala, Temer será novamente o vice na chapa de Dilma.

Antes de discursar, Temer repetiu que estaria satisfeito mesmo que a aliança fosse aprovada até mesmo por margem mínima. E negou constrangimento: "Isso é comum no PMDB, se a gente não se acostumar com isso depois de 40 anos, não dá para fazer política."

Em sua fala, o presidente nacional do PMDB, senador Valdir Raupp (RO), disse que o partido apresentará propostas de governo a Dilma, entre elas o ensino em tempo integral e a "defesa permanente da liberdade de expressão e pensamento". "Disso o PMDB não abre mão", afirmou Raupp.

Setores do PT defendem propostas de regulação da mídia. O ex-governador Roberto Requião (PMDB-PR) tem proposta similar, mas ela não encontra respaldo na cúpula peemedebista.

Rebelião
Vice de Dilma, alas do PMDB ameaçaram nos últimos meses romper a aliança e, inclusive, lideraram na Câmara dos Deputados uma rebelião contra o Palácio do Planalto. Na lista de insatisfações, falta de interlocução com Dilma, reivindicação de maior espaço no governo e de apoio do PT às suas candidaturas nos Estados.

Nos discursos da convenção, coube à seção do Rio os maiores ataques. O prefeito da capital fluminense, Eduardo Paes, afirmou que o partido devolverá "na mesma moeda" eventuais acusações que Pezão sofrer do PT. O partido de Dilma deve lançar na disputa o senador Lindberg Farias.

Segundo Paes, o PT não tem sido patriótico em vários Estados. No Estado a maioria do PMDB deve apoiar a candidatura de Aécio Neves (PSDB) à Presidência. Segundo a cúpula da legenda no Estado, o principal culpado disso é o PT.

O presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, candidato ao governo do Rio Grande do Norte, também reclamou em discurso não receber o apoio do PT em seu Estado.

Um dos peemedebistas mais críticos à aliança da legenda com Dilma, o ex-ministro Geddel Vieira Lima diz que o apoio seria aprovado por causa de Michel Temer. "Dilma deve ir à nossa senhora aparecida porque Temer a está levando nas costas".

Outro opositor à aliança, o deputado federal Danilo Forte (CE) pediu que o apoio ao PT não fosse aprovado. "Meu coração é Eduardo Campos, pena que ele está patinando. Marina [Silva] acabou com ele".

Segundo o deputado, ele e o senador Eunício Oliveira (CE) "carregaram Michel no ombro em 2010". "Agora não dá mais: ou salva o Brasil ou o PT", disse ele à Folha.

PMDB aprova aliança com Dilma com 59% de votos favoráveis

• Dilma diz que juntos os partidos terão mais quatro anos e culpou a crise internacional por dificuldades

Maria Lima – O Globo

BRASÍLIA – A maioria dos peemedebistas que participaram da convenção nacional do partido nesta terça-feira aprovou a aliança com a presidente Dilma Rousseff para a disputa à reeleição. O resultado da votação foi de 398 votos a favor da aliança contra 275. Os votos contra a aliança foram de 41% do total dos votos válidos e 59% a favor. O PMDB havia anunciado, anteriormente, o percentual de 69% de votos favoráveis.

O deputado Darcisio Perondi (PMDB-RS), um dos que se opôs à aliança, afirmou que a fatia de votos contrários mostra uma renovação no partido.

- Fizemos quase 50%. Isso significa que é o novo PMDB nascendo no Brasil – disse.

Em seu discurso durante o evento, a presidente destacou a aliança com o PMDB, e afirmou que juntos eles terão mais quatro anos de governo.

- Teremos mais quatro anos, para realizar mais programas, como acelerar o crescimento econômico – disse. - Acabar com a miséria foi só o começo. Vamos deixar um legado promissor, nós não tememos o futuro.

Também sobraram críticas aos oponentes e aos dissidentes dentro do PMDB. A presidente afirmou que esses blocos representam o passado, ao passo que a aliança atual é o futuro

- Querem dizer que estamos aliados ao atraso. Pelo contrário, estamos aliados ao que tem de mais avançado e mais moderno. Nós somos o avanço, o atraso são eles – disse.

A oposição é que tem a marca do retrocesso, disse Dilma, que afirmou que dificuldades econômicas em seu governo se devem à turbulências internacionais.

- Eu não fui eleita para desempregar ninguém. Eu não fui eleita para arrochar salários. Eu não fui eleita para colocar o país de joelhos – disse. - O mar agitado da crise econômica internacional trouxe dificuldades para o Brasil. Mas Ulysses Guimarães já dizia, navegar é preciso. E no mar agitado nós somos capazes de navegar. Nós temos a experiência para remar até contra a maré, para impedir que aconteça aqui o que aconteceu em outros países avançados, de tirar direitos, levar ao desemprego, levar o desalento a milhões e milhares de famílias de trabalhadores da classe média. Vamos ter uma luta pela frente, conto com vocês.

Dilma também reforçou o que disse mais cedo em convenção do PDT, de que a oposição quer se apropriar de programas de governo de sucesso. Para a presidente, ninguém pode ter o “monopólio” do que foi feito, mas disse que querem “surrupiar” os programas.

Fatia de dissidentes foi maior que o esperado
A dissidência dentro do partido preocupava. Os peemedebistas contrários à reeleição da presidente Dilma chegaram cedo à convenção nacional do PMDB, e foram vaiados ao discursar contra a aliança com o PT.

O vice-presidente Michel Temer havia afirmado que se tivesse 51% dos votos favoráveis já estaria bom. O presidente do partido, Valdir Raupp havia feito uma previsão mais otimista do que o apurado. Ele acreditava em aprovação da aliança com 80% a 90% dos votos.

Os dissidentes distribuíram dois documentos críticos ao governo federal na convenção. “A Petrobras foi totalmente aparelhada. Deixou de ser um orgulho nacional para se transformar em um balcão de negócios destinado a tenebrosas transações. Seu valor de mercado caiu pela metade e sua dívida duplicou nos últimos três anos”, diz um dos documentos, apesar de o PMDB ter indicado diretores da Petrobras nos governos Lula e Dilma.

Em outro manifesto, os dissidentes reclamam de os ministros do PMDB não terem poder de decisão. “Por que sermos corresponsáveis pela volta da inflação, da carestia, pela falência da saúde, da segurança e da saúde?”.

Com 59% dos votos válidos, PMDB confirma aliança com PT

• Decisão confirma o nome de Michel Temer como pré-candidato do partido à vice-presidência na chapa encabeçada por Dilma Rousseff

Rafael Moraes Moura, Daiene Cardoso e Ricardo Della Coletta - O Estado de S. Paulo

BRASÍLIA - Por maioria, o PMDB decidiu , na tarde desta terça-feira, 10, pela manutenção da aliança com o PT e confirmou o nome de Michel Temer como pré-candidato à vice-presidência na chapa pela reeleição da presidente Dilma Rousseff. Na convenção do partido, 398 votaram pela reedição da aliança contra 275 dissidentes.

Dos 673 votos, 59% foram pela manutenção da aliança. O resultado, anunciado na tarde desta terça pelo presidente do partido, senador Valdir Raupp (RO), é beminferior ao estimado pela cúpula do partido, que esperava apoio de cerca de 70% dos votantes.

“Nós ganhamos. Mostramos ao Brasil que quase metade do PMDB quer o fim da aliança”, comemorou o deputado dissidente Darcísio Perondi (PMDB-RS).

Em seu discurso, Temer pediu a reunificação do PMDB para fazer da sigla a maior do Brasil e disse que a partir de agora não serão apenas aliados, serão governo. “Essa convenção não tem vencedores e vencidos. Tem um grande vencedor, que é o PMDB. Vocês sabem que, ao longo do tempo, sempre tivemos democraticamente as mais variadas divergências dentro do partido e sempre obtivemos a unidade”, disse.

“Vamos nos unir a partir deste momento porque um instante é o instante político-eleitoral em que as divergências surgem. Outra coisa é o instante político-administrativo do partido, que passamos a viver a partir deste momento”, emendou.

Pezão, Cabral e Paes culpam PT por apoio a Aécio Neves no Rio

• Eduardo Paes manifestou apoio a Dilma e acusou o partido de não compreender a importância da aliança com o PMDB

Fernanda Krakovics – O Globo

BRASÍLIA - O governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, o ex-governador Sérgio Cabral e o prefeito Eduardo Paes manifestaram, na convenção nacional do PMDB, apoio à reeleição da presidente Dilma Rousseff e culparam o PT pela rebelião dos peemedebistas no estado, que apoiarão, em sua maioria, o candidato do PSDB à Presidência da República, senador Aécio Neves (MG). A maioria dos peemidebistas que participaram da convenção nesta terça-feira aprovou a aliança com Dilma para a disputa presidencial.

O discurso mais duro foi feito por Eduardo Paes, que acusou o PT de não compreender a importância da aliança com o PMDB, mesmo depois de ter ocupado cargos no governo Cabral:

- Viemos manifestar o apoio a essa aliança. O Partido dos Trabalhadores, no nível regional, não tem essa compreensão, não são patriotas e não percebem a importância da reedição dessa aliança. Precisamos exigir essa compreensão do PT. Ainda há tempo para conduzir essa campanha pacificada, sem qualquer tipo de conflito e desentendimento. Se qualquer acusação for feita ao governo Cabral e Pezão, será devolvida na mesma moeda.

Questionado sobre se ainda via espaço para a retirada da candidatura do senador Lindbergh Farias (PT-RJ) ao governo do Rio, o prefeito respondeu que isso é um problema do PT.

Em entrevista, o governador Pezão atribuiu aos petistas a culpa pelo movimento "Aezão", liderado pelo PMDB do Rio para apoiar sua reeleição e a candidatura do tucano Aécio Neves:

- Desde o momento que o PT rompeu com a gente, permitiu esses movimentos.

Ao discursar na convenção, Pezão disse que o PMDB garantirá apoio a Dilma:

- Podemos ter nossas divergências, mas na hora que vocês nos chamam vamos ajudar na governabilidade. Estamos com você, Michel, e com a presidente Dilma.

Já Cabral disse que não serão "percalços regionais" que vão atrapalhar uma jornada que tem feito tão bem ao nosso país.

Campos minimiza dificuldade na transferência de votos de Marina

• Presidenciável do PSB disse ainda que campanha nacional está acima de dificuldade de união com a Rede nos estados

- O Globo

SÃO PAULO - O pré-candidato do PSB à Presidência da República, Eduardo Campos, minimizou nesta terça-feira a dificuldade que está enfrentando para se beneficiar da popularidade da vice de sua chapa, Marina Silva. O presidenciável disse que os votos não estão guardados em uma caixa.

- Muitas vezes falam de transferência de voto como se as pessoas tivessem em casa uma caixa cheia de voto em casa. Isso é uma coisa que diziam que existia na República Velha - afirmou Campos, após participar de palestra na Câmara Americana do Comércio (Ancham), pela manhã.

Para o pré-candidato do PSB, que caiu quatro pontos na pesquisa Datafolha divulgada na semana passada e tem apenas 7% das preferências, a preocupação da sua aliança com Marina não é a transferência de voto. A ex-senadora teve 20% dos votos válidos no primeiro turno da eleição presidencial de 2010.

- Não se trata de transferência de voto, se trata de sabermos, eu e a Marina, como vamos representar um pensamento renovador da vida brasileira. Isso precisa de comunicação das ideias - argumentou o presidenciável.

A mudança do quadro atual só vai acontecer, na avaliação de Campos, quando as emissoras de TV aberta começarem a cobrir os candidatos e tiver início o horário eleitoral.

- Há tempo do plantio e tempo da colheita. A colheita vai vir nas urnas - declarou ele.

O presidenciável negou que o PSB tenha encomendado uma pesquisa para reavaliar o peso que Marina tem para a aliança.

- Não contratamos nenhuma pesquisa. Não é fato isso. Se tivesse contratado falaria e mostraria a pesquisa - disse.

Campos ainda considera que o posicionamento da sua vice contra o apoio do PSB à reeleição do governador Geraldo Alckmin (PSDB) em São Paulo não foge do script:

- Ela não disse nada de novo. Sempre pensou assim.

De acordo com o presidenciável, as dificuldades de união entre o PSB e a Rede nas eleições estaduais não são uma ameaça à candidatura presidencial:

- Se em algum estado (não houve entendimento), essa é uma questão meramente estadual. Não tem nada haver com aliança nacional, que é muito maior do que qualquer episódio em qualquer estado por mais importante que o estado seja.

Campos diz que os dois partidos estarão unidos em 15 das 27 unidades da federação.

Aliança reafirmada
Na tarde desta terça-feira, Marina Silva e Eduardo Campos usaram as suas contas no Instagram para reafirmar a aliança entre eles na disputa presidencial. A primeira a postar foi Marina. Ela publicou uma foto em que parece junto com Campos e a frase: "A aliança nacional com o PSB está mantida. A chapa e o programa de governo estão compatíveis com o que eu e Eduardo Campos temos discutido desde outubro. Trabalhamos agora para manejar as alianças nos estados em fortalecimento da aliança nacional, para que esta possa quebrar a polarização entre o PT e o PSDB."

Cerca de uma hora depois, Campos postou a mesma foto com a mesma frase sob o título: "mantida a aliança com @_marinasilva_ (nome de Marina no Instagram)."

O presidenciável e sua vice participam na tarde desta terça-feira de uma reunião fechada com o Movimento Todos pela Educação, em São Paulo.

Aécio diz que Dilma sofreu derrota com revolta da base aliada

• Em lançamento de chapa com tucana para o governo de MG, Aécio afirmou que presidente ‘deve dormir com enxaqueca’

Ezequiel Fagundes – O Globo

BELO HORIZONTE - O senador e presidenciável Aécio Neves (PSDB) ironizou o governo da presidente Dilma Rousseff em relação ao resultado da convenção do PMDB que decidiu apoiar o PT, apesar da fatia de 41% de peemedebistas terem sido contrários a renovação da aliança. Segundo Aécio, Dilma deve ter sentido dor de cabeça por causa do posicionamento do PMDB, principal aliado da coalizão petista. Para Aécio, Dilma ganhou mais tempo de TV, mesmo não tendo o que mostrar.

- A presidente deve dormir com enxaqueca. Ela sofreu uma fragorosa derrota na convenção do PMDB. Depois de tudo que foi feito, da distribuição dos espaços ao PMDB no governo, no qual pelo menos um setor do PMDB manda mais que o próprio PT, a oposição à aliança tem mais de 40% dos votos. Para que tanto esforço para ganhar minutos na televisão se esse governo não tem absolutamente nada para mostrar aos brasileiros a não ser falsas projeções, maquiagens fiscais, indicadores sociais e econômicos extremamente ruins? - ironizou.

Aécio participou nesta terça, em Belo Horizonte, da convenção do PSDB em Minas. O ato reuniu 19 partidos e serviu para oficializar a candidatura do ex-ministro Pimenta da Veiga ao governo de Minas. Pimenta terá como vice o presidente da Assembleia Legislativa mineira, Dinis Pinheiro (PP), e o ex-governador Antonio Anastasia (PSDB), que concorrerá ao senado. Dezenas de prefeitos, deputados e vereadores do interior participaram da convenção tucana.

Divisão no governo
Para Aécio, o PMDB vai entrar dividido na disputa eleitoral, apesar de o PT ter passado os últimos anos distribuindo cargos e cooptando aliados.

- Os peemedebistas estão vendo o que acontece com o Brasil, ninguém quer isso que está aí. O governo do PT é o governo da desesperança. O PMDB em vários estados estará próximo a nós. O resultado da convenção do PMDB é uma derrota de um governo que não teve limites para distribuir cargos. O governo há um ano só faz uma coisa: cooptar forças políticas para ela vença as eleições.

No palanque, o presidenciável tucano mandou um recado para a presidente:

- A boa educação mineira só me permite desejar a presidência uma boa aposentadoria nos últimos quatro anos, afirmou.

Elogios a FH
Aécio acusou o governo petista de enganar a população com informações absurdas sobre a gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso:

- O Brasil não merece uma presidente que faz uma comparação tão absurda quanto essa. O presidente Fernando Henrique quando ele deixou o governo a inflação era em torno de 12%. Sim. Mas quando ele assumiu o governo ela era de 916% ao ano e parte desses 12% foi em razão do efeito Lula. Em razão da eleição do presidente Lula que gerou descontrole econômico nos primeiros meses - defendeu Aécio.

"Estamos no caminho certo", diz Campos

• Pré-candidato do PSB ao Planalto mostrou-se otimista ao comentar pesquisa Ibope que aponta Marina Silva como a única candidata a vice que provoca alterações significativas no panorama eleitoral

Isadora Peron - O Estado de S. Paulo

SÃO PAULO - O pré-candidato do PSB à Presidência, Eduardo Campos, disse que o resultado da pesquisa Ibope divulgada nesta terça-feira, 10, mostra que ele e a sua vice, Marina Silva, "estão no caminho certo". "Nós estamos muito confiantes que estamos no caminho certo. Esse caminho é discutir o programa, apresentar essa união aos brasileiros, mostrar que há uma opção nova, diferente", disse Campos, após participar de um encontro com membros da maçonaria paulista.

O levantamento mostrou que Marina é a única vice que provoca alterações significativas no panorama eleitoral. Com seu nome associado ao dela, o pré-candidato do PSB fica com 17% a 18% das intenções de voto, a depender do cenário.

A pedido da União dos Vereadores de São Paulo (Uvesp), entidade que pagou a pesquisa, o Ibope testou cenários com diferentes vices para o pré-candidato do PSDB, Aécio Neves (José Serra, Tasso Jereissati e Aloysio Nunes), além de colocar Marina na chapa de Campos e Michel Temer na da presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição pelo PT.

Sem os nomes dos vices, Campos fica com 13%, Aécio com 22% e Dilma com 38% das intenções de voto.

Pela manhã, antes de a pesquisa ser divulgada, Campos estava menos otimista. Questionado sobre o seu desempenho no último levantamento do Datafolha, que apontou uma queda nas intenções de voto, disse apenas que as pesquisas mostravam um "desejo de mudança".

Ele também minimizou a influência da sua vice nos resultados, ao dizer que votos não vêm em caixas e que, por isso, não poderiam ser transferidos. Nas eleições presidenciais de 2010, Marina obteve cerca de 19 milhões de votos.

Maçonaria. Se nas pesquisas oficiais Campos aparece em terceiro lugar, no levantamento informal feito durante o encontro com membros da maçonaria, o pré-candidato do PSB ficou na primeira posição, com 38% dos votos dos presentes. Aécio foi o preferido por 27% dos presentes e Dilma por 18%. O encontro reuniu cerca de 300 pessoas, no bairro da Liberdade.

Aécio deseja ‘boa aposentadoria’ a petista

• Em discurso na convenção do PSDB de Minas, pré-candidato tucano à Presidência afirma que ‘não há marqueteiro que leve o PT à vitória’

Marcelo Portela e Suzana Inhesta - O Estado de S. Paulo

BELO HORIZONTE - Em discurso inflamado durante a convenção do PSDB mineiro, o senador Aécio Neves (MG), pré-candidato do PSDB ao Palácio do Planalto, desejou ontem uma “boa aposentadoria” à presidente Dilma Rousseff. Para ele, diante da atual situação econômica e social do País, “não há marqueteiro que leve o PT à vitória”.

Aécio discursou para uma plateia que lotou o ginásio do Minas Tênis Clube, um dos mais tradicionais de Belo Horizonte, durante o evento que confirmou o chapa que vai disputar o governo de Minas, encabeçada pelo ex-ministro Pimenta da Veiga (PSDB). “A boa educação mineira só me (faz) desejar à presidente uma boa aposentadoria nos próximos quatro anos”, declarou o senador, ovacionado no evento que contou também com as convenções do DEM, PSD e PP mineiros.

Pouco antes, em entrevista, o tucano fez outras críticas à presidente. Ao comentar resultado da mais recente pesquisa Ibope, que mostrou oscilação negativa de dois pontos porcentuais de Dilma e oscilação positiva no mesmo porcentual dele e do ex-governador Eduardo Campos (PE), presidenciável do PSB, Aécio avaliou que o levantamento reflete um sentimento “de enfado” da população com a gestão petista. “Podemos nos preparar para um novo e grande governo a partir de 2015 e vamos trabalhar para isso.”

Enxaqueca. O senador também ironizou o resultado da convenção nacional do PMDB, que confirmou a reedição da aliança com o PT com 59% dos votos dos participantes, resultado considerado por Aécio uma “fragorosa derrota” do governo. “A presidente hoje infelizmente deve dormir com uma enxaqueca. Depois de tudo que foi feito, da distribuição dos espaços para o PMDB no governo, que já manda quase mais, pelo menos um setor do PMDB, que o próprio PT, a oposição à aliança ter mais de 40% dos votos é uma derrota fragorosa”, avaliou.

Para o tucano, Dilma levará “alguns minutos a mais” na propaganda eleitoral gratuita, mas não “a base, o trabalho e o sentimento de seus aliados”.

Aécio também acusou Dilma de estar “desconectada da realidade” ao declarar, após receber apoio do PDT à sua reeleição, que, “juntos”, são “invencíveis”.

“O mais surpreendente que eu vi hoje da presidente, uma presidente desconectada da realidade, aflita com os resultados que vem tendo na economia, na área social, é ela dizer que é invencível”, provocou o tucano. “Invencíveis seremos nós brasileiros que vamos encerrar esse ciclo de governo do PT que está infelicitando o País.”

Questionado sobre a possibilidade de acentuar as diferenças em relação a Campos, o senador afirmou que suas diferenças “são claras em relação ao PT, a tudo isso que está aí”. “Sempre fui oposição a esse modelo.”

PMDB se cacifa para novamente ser fiador da governabilidade, de quem quer que seja eleito

• Placar da convenção também serve como demonstração da força dos rebeldes da sigla

Paulo Celso Pereira – O Globo

BRASÍLIA — O resultado da convenção nacional do PMDB, que reeditou a aliança com o PT para tentar reeleger a presidente Dilma Rousseff, será apresentado como uma vitória tanto pelo grupo favorável à aliança quando pelo contrário. O vice-presidente Michel Temer e os principais caciques nacionais da legenda enfim entregaram a mercadoria tão prometida à presidente: o tempo de televisão do partido, que ajudará o PT a tentar o quarto mandato consecutivo na Presidência.

Só que o placar da convenção, com 41% dos votos contrários à aliança, também serve como demonstração da força dos rebeldes da legenda, que finalmente provaram numericamente que não é apenas bravata o risco de Dilma ser cristianizada pelos peemedebistas país afora. O quadro é ainda mais grave se for levada em consideração a articulação promovida por Temer nos últimos dias, pedindo que caciques que apoiarão outros presidenciáveis em outubro dessem seu voto a favor da aliança na convenção. Se estes tiverem honrado a palavra empenhada a Temer, é possível que nem a metade dos dirigentes estejam dispostos a gramar nas ruas por votos para Dilma.

O único fato inconteste a ser colhido da convenção é que, mais uma vez, o PMDB chegará à eleição de outubro com seus pés devidamente distribuídos entre várias canoas. Assim, seja qual for o escolhido no pleito — Dilma, Aécio Neves (PSDB) ou Eduardo Campos (PSB) — não faltarão interlocutores do partido para se apresentarem como aliados fieis do futuro presidente. E assim, no alvorecer de 2015, o PMDB continuará sendo o fiador da governabilidade, seja qual for o governo.

Sem discurso na Copa, presidente usa TV para defender obras

• A dois dias da competição, presidente exalta obras de infraestrutura e responde a críticas de que deveria investir em educação e saúde

Rafael Moraes Moura e Tânia Monteiro – O Estado de S. Paulo

BRASÍLIA - A dois dias do início da Copa do Mundo, a presidente Dilma Rousseff convocou nesta terça-feira, 10, a rede nacional de rádio e televisão para atacar a oposição, exaltar obras do seu governo na área de infraestrutura e prometer punição em caso de irregularidades constatadas por órgãos de fiscalização. Temendo vaias, a presidente não vai discursar na abertura do torneio, nesta quinta-feira, 12, em São Paulo, limitando-se a declarar a abertura da competição.

Em sua fala de dez minutos, a presidente prometeu garantir a liberdade de manifestação e "coibir excessos e radicalismos de qualquer espécie". Dilma também fez questão de responder às críticas de que o governo federal deveria investir mais em educação e saúde, em vez de direcionar recursos para a realização do evento esportivo, classificando essa discussão como um "falso dilema".

"Como se diz na linguagem do futebol: treino é treino, jogo é jogo. No jogo, que começa agora, os pessimistas já entram perdendo. Foram derrotados pela capacidade de trabalho e a determinação do povo brasileiro, que não desiste nunca. Os pessimistas diziam que não teríamos Copa porque não teríamos estádios. Os estádios estão aí, prontos", afirmou a presidente.

"Diziam que não teríamos Copa porque não teríamos aeroportos. Praticamente, dobramos a capacidade dos nossos aeroportos. Chegaram a dizer que iria haver racionamento de energia. Quero garantir a vocês: não haverá falta de luz na Copa, nem depois dela. Chegaram também ao ridículo de prever uma epidemia de dengue na Copa em pleno inverno, no Brasil!", disse Dilma.

A presidente também anunciou que, com o evento, está sendo entregue um "moderno sistema de comunicação e transmissão" em todas as 12 cidades-sede, mas evitou garantir que não haverá problema de funcionamento de aparelho celular e transmissão de dados nos estádios, como havia dito dias atrás.

Ao falar da demanda nos aeroportos brasileiros, Dilma destacou que, "com o aumento do emprego e da renda", o número de passageiros transportados saltou de 33 milhões em 2003 para 113 milhões no ano passado.

Em outro momento, a presidente comentou as mudanças ocorridas no Brasil entre 1950, quando houve a primeira Copa do Mundo sediada no País, e 2014.

"Hoje, somos a sétima economia do planeta e lideres, no mundo, em diversos setores da produção industrial e do agronegócio. Nos últimos anos, nosso país promoveu um dos mais exitosos processos de distribuição de renda, de aumento do nível de emprego e de inclusão social", disse Dilma, repetindo um discurso ufanista reforçado com a aproximação da campanha eleitoral.

"Reduzimos a desigualdade em níveis impressionantes, levando, em uma década, 42 milhões de pessoas à classe média e retirando 36 milhões de brasileiros da miséria."

Dilema. Em resposta às críticas sobre as despesas com a realização do Mundial, Dilma disse que "é preciso olhar os dois lados da moeda" e pediu que os brasileiros tenham uma noção "correta" de tudo que aconteceu, "sem falso triunfalismo", mas também sem "derrotismo ou distorções".

"A Copa não representa apenas gastos, ela traz também receitas para o país. É fator de desenvolvimento econômico e social, gera negócios, injeta bilhões de reais na economia, cria empregos", disse. "Uma Copa dura apenas um mês, os benefícios ficam para toda vida."

De 2010 a 2013, observou Dilma, governo federal, Estados e municípios investiram R$ 1,7 trilhão em educação e saúde, um valor "212 vezes maior" que o destinado às novas arenas.

"Vale lembrar, ainda, que os orçamentos da saúde e da educação estão entre os que mais cresceram no meu governo", ressaltou.

Sobre as denúncias de corrupção envolvendo a organização do torneio, a presidente afirmou que as contas da Copa estão sendo "analisadas, minuciosamente, pelos órgãos de fiscalização". "Se ficar provada qualquer irregularidade, os responsáveis serão punidos com o máximo rigor", prometeu Dilma.

PT muda ‘estratégia do medo’ nas propagandas, e Lula ocupa o dobro de tempo de Dilma na campanha de TV

• Ex-presidente compara o Brasil de antes e depois da gestão petista

Tatiana Farah – O Globo

SÃO PAULO — O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai ocupar o dobro do tempo da presidente Dilma Rousseff nas novas propagandas do PT. Lula pede nos comerciais que os eleitores comparem o Brasil de antes e depois dos 12 anos da gestão petista. Os três comerciais que serão divulgados a partir da noite desta terça-feira deixam para trás a “estratégia do medo”, adotada pelo marqueteiro João Santana em programas anteriores, quando se insinuava que um eventual fim do governo petista colocaria em risco avanços econômicos e conquistas sociais.

Com um discurso em “off”, Lula estrela o maior comercial, com duração de um minuto. Já a presidente Dilma aparece de relance na peça e fica com outra propaganda, de apenas 30 segundos. Os outros 30 segundos da inserção serão ocupados por um comercial sem “estrelas”, falando sobre crescimento e distribuição de renda. “Não basta crescer no mundo dos economistas. É preciso crescer na vida das pessoas”, diz a propaganda petista.

O comercial de Lula traz trecho do encontro nacional do PT, realizado em janeiro em Brasília. "Qual o país que cresceu mais a renda do que nós, qual o país que gerou mais emprego com carteira assinada do que nós?", diz Lula, elencando dados de desenvolvimento do Brasil. "É este país que nós temos de fazer a comparação para a gente mostrar o que era o país e o que o país virou hoje".

Em seus 30 segundos, Dilma diz: "Já vencemos a luta mais importante, a do emprego e a do salário". E afirma que o momento é de "ampliar as oportunidades para todos" e investir em infraestrutura, educação, saúde e segurança pública.

Em meio à crise com PROS, PSB já estuda aliança Alternativa no Rio

• Glauber Braga diz que partidos romperam, mas é desmentido por Miro e Hugo Leal

Isabel Braga, Cássio Bruno e Marcelo Remígio – O Globo

BRASÍLIA e RIO - Em entrevista coletiva na tarde desta terça-feira, o deputado Glauber Braga (PSB-RJ), afirmou que o PSB do Rio irá buscar alternativas de coligação para a candidatura ao governo do estado. Glauber justificou a atitude: foi procurado pelo presidente do PROS-RJ, deputado Hugo Leal, que o informou que a candidatura do deputado Miro Teixeira (PROS) ao governo do Rio não se viabilizou internamente. Procurado pelo GLOBO, Hugo Leal, que estava ao lado de Miro no plenário da Câmara, não confirmou o sepultamento da candidatura de Miro.

- Eu fui falar com o Glauber sobre a matéria (reportagem) do GLOBO de hoje. Se ele concluiu isso (de que a candidatura se inviabilizou internamente) é conclusão dele, é por conta e risco dele. Não foi o que falei. Continuamos conversando - disse Hugo Leal.

Glauber está conversando com Hugo Leal sobre a coligação PROS-PSB no Rio. A candidatura de Miro garantiria um palanque importante para Eduardo Campos no Rio, mas enfrenta problemas na formação da chapa dos candidatos proporcionais - deputados estaduais e federais. Os PROS pressiona para que Romário saia candidato a federal e possa, como puxador de votos, garantir cadeiras de federal tanto para o PROS, quanto para o PSB. Romário, no entanto, quer concorrer ao Senado.

Glauber afirmou que o PSB já tinha dado indicativo de apoio à candidatura Miro e feito o gesto de concordar com a chapa de proporcionais, mas que o PROS colocou obstáculos à coligação. Ele e o vice-presidente do PSB, Roberto Amaral, teriam sido procurados por Hugo Leal e informados da inviabilidade interna da candidatura de Miro.

- Fizemos o indicativo de apoio à candidatura do Miro e depois, porque eles afirmaram que o problema era a coligação proporcional, também fizemos declaração pública de que estávamos dispostos a fazer também a coligação proporcional. Mas hoje, o deputado Hugo Leal me procurou, e também ao Amaral, dizendo que a candidatura do Miro não se consolidou internamente - disse Glauber, acrescentando:

- Vamos discutir no PSB qual o melhor caminho a seguir que atenda tanto à candidatura presidencial, quanto a necessidade de apoiar, no estado, uma candidatura que seja alternativa ao atual governo. E que represente o novo no Rio. Vamos avaliar do ponto de vista tático.

Pela manhã, em entrevista ao GLOBO, Glauber afirmou que o PROS tinha retirado a candidatura de Miro Teixeira:

- Fizemos de tudo para apoiar a candidatura do Miro, mas não decolou. O Hugo Leal me ligou e disse que não tinha mais como sustentar a pré-candidatura dele.

A crise na aliança PROS-PSB no Rio repercutiu. Integrantes da campanha de Campos e a própria candidata a vice-presidente na chapa, Marina Silva, ligaram para Miro Teixeira, querendo saber o que estava se passando. Miro, por sua vez, ironizou:

- Foi um erro de comunicação dentro do PSB. De repente, isso foi uma tentativa de manifetsar uma opinião de algo que não se confirmou.

O deputado completou:

- Continuo pré-candidato.

Na última quinta-feira, o PROS divulgou nota reafirmando a candidatura própria no Rio. O rompimento com o PSB, tanto na chapa majoritária quanto na proporcional, dividiria o partido no Rio, com grupos migrando para as candidaturas ao Palácio Guanabara de Lindbergh Farias (PT), Marcelo Crivella (PRB) e Luiz Fernando Pezão (PMDB).