domingo, 20 de julho de 2014

Diário do Poder – Cláudio Humberto

- Jornal do Commercio (PE)

• ‘Lava Jato’ pode ganhar um novo personagem
Nedson Micheleti (PT) tem mais poder do que sugere seu cargo de assessor do presidente da Caixa, Jorge Hereda. Fonte do Planalto diz ter sido dele a escolha de Hermínio Basso para o cargo de diretor Corporativo da Caixa. Amigo de André Vargas (ex-PT-PR), com quem morou em Brasília, Micheleti pode virar personagem da Operação Lava Jato, por supostas reuniões, na Caixa, com o doleiro Alberto Youssef.

• Lavanderia Youssef
Preso pela PF, o doleiro Alberto Youssef pagou até jatinhos para André Vargas. É suspeito de “lavar” cerca de R$ 10 bilhões em dinheiro sujo.

• Poder paranaense
O assessor Nedson Micheleti, quando prefeito de Londrina, teve como assessores o ministro Paulo Bernardo e a mulher, Gleisi Hoffmann.

• Projeto político
A ex-ministra da Casa Civil Gleisi Hoffmann disputa este ano o governo do Paraná, partido daqueles que, de fato, têm poder da Caixa.

• Não confirma
A assessoria da Caixa Econômica declarou que “não confirma a informação” de que Hermínio Basso teria sido indicado por Micheleti.

• Na rabeira, Campos prioriza eleição em Pernambuco
Com medo de perder tanto a disputa à Presidência quanto o comando do governo de Pernambuco, o presidenciável Eduardo Campos (PSB) tem deixado de lado sua campanha nacional para tentar fazer o socialista Paulo Câmara seu sucessor. O ex-governador participou da inauguração de comitês e de eventos em municípios do sertão que sequer são considerados de médio porte, como Araripina e Afogados da Ingazeira.

• Prioridade oficial
No sábado (19), Campos confirmou participação na agenda de Paulo Câmara (PSB) nos municípios de Palmares e Escala, na Mara Sul.

• Não saiu do lugar
Eduardo Campos aparece com apenas 8% das intenções de voto contra Dilma com 36% e o tucano Aécio Neves, com 20%, segundo Datafolha.

• Sob holofote
A equipe de Eduardo aposta que o presidenciável deverá crescer nas pesquisas a partir de agosto, quando ganhará espaço nos jornais de TV.

• Tô nem aí
É mesmo de indiferença a relação de Dilma com o presidente das duas CPIs da Petrobras, Vital do Rêgo (PMDB-PB), candidato ao governo. Preterido para ministro, o senador agora foi jogado pra escanteio pelo PT, que apoiará a reeleição do governador Ricardo Coutinho (PSB).

• Agente Fifa
O deputado Romário (PSB-RJ) desceu a lenha em sua página nas redes sociais nos “ratos do Marin e Del Nero” pela escolha de Gilmar Rinaldi para coordenar seleções: “Ele vai fazer da CBF um banco de negócios”.

• Tamo junto
O senador Magno Malta (PR-ES) afirmou que será responsável, junto ao pastor Silas Malafaia, pela coordenação-geral da campanha do pastor Everaldo Pereira (PSC-RJ) à Presidência da República.

• Vacas magras
A oposição tem se queixado (e muito!) da dificuldade para obter grana para campanha. Além da insegurança gerada pelo STF, que não julgou se a doação é legal, pesa nas empresas medo de acabar no noticiário.

• Proteção divina
Os presidenciáveis Aécio Neves (PSDB-MG) e Eduardo Campos (PSB-PE) invadem o Cariri cearense neste final de semana para pedir as bênçãos do Padim Ciço, nas comemorações de 80 anos de sua morte.

• O troco
O PMDB discute a melhor reação para o desprezo que vem recebendo do Planalto. Do jeito que está, não pode continuar. Essa é a opinião unânime dos caciques, que só se dirigem a Dilma por duros apelidos.

• Sem pressa
Antônio Reguffe (PDT-DF) declarou ao TSE previsão de gastos de até R$3,5 milhões, mas alega não ter recursos nem estrutura para organizar sua campanha. “Eu não comecei. Mas quando começar, vou só sair panfletando nos comércios, nos colégios, como sempre fiz”, afirmou.

• Mensagem
Liliane Roriz foi a única candidata que conseguiu do ex-governador e pai, Joaquim Roriz (PRTB), gravação pedindo votos para distrital. Na peça, feita de forma amadora em sua mesa de jantar, o político pede para seus eleitores desconfiarem se alguém pedir votos em nome dele.

• Pensando bem…
… em tempos de eleição disputada cabeça à cabeça, o eleitor deve ter cuidado para não eleger Pinóquio por um nariz de vantagem.

Panorama político – Ilimar Franco

- O Globo

Lula na TV
O ex-presidente Lula vai ser o âncora do programa de TV da presidente Dilma. Caberá a ele apresentar as realizações do governo. A ideia é renovar a imagem de que Dilma é a herdeira de Lula. Ao contrário da reta final da campanha de 2010, quando a presença de Lula e o protagonismo de Dilma dividiram os marqueteiros petistas, agora estão todos convencidos que Lula é o ator principal.

Ataque e contra-ataque
Essa campanha promete ser muito criativa. Os primeiros movimentos revelam que os times da presidente Dilma e do senador Aécio Neves estão afiados. O Instituto Teotônio Vilela ganhou as redes sociais por esses dias com um bordão econômico que faz alusão à derrota do Brasil à Alemanha na Copa: “7 x 1: 7% de inflação x 1% de crescimento”. Os petistas rangeram os dentes. Na próxima semana, o comitê eleitoral da presidente Dilma vai lançar na rede o seu placar: “20 x 5: 20 milhões de empregos criados na gestão petista x contra 5 milhões na gestão tucana”. A campanha na TV e nas redes sociais reduziu o peso do corpo a corpo nas eleições para o Executivo.

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“Eu quero falar da perda do futuro. Nós estamos jogando fora o futuro. Estamos perdendo. O futuro está se esvaindo. O Brasil era um país de futuro”
Cristovam Buarque
Senador (PDT-DF), que fez 2,6% dos votos para a Presidência em 2006, sobre as propostas dos atuais candidatos
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Pagando o pato
As declarações dadas pelo deputado Romário (PSB) sobre a presidente Dilma sobraram para Lindbergh Farias (PT). No Planalto, a avaliação é que o petista deveria ter controlado o aliado e acertado um pacto de não agressão antes.

A costura
Na base, aliados do candidato ao governo Roberto Requião (PMDB) e ao Senado Álvaro Dias, do PSDB, (foto), fazem dobradinha. Requião é contra a cobrança de pedágio (remuneração das concessionárias) nas estradas do Paraná. Seu candidato ao Senado, Marcelo Almeida, é dono de uma das concessionárias, a C. R. Almeida.

Inventário
O Ministério da Saúde aproveitou a Copa para realizar testes de HIV nas cidades-sede e em Porto Seguro (BA), onde ficou hospedada a delegação suíça. Foram 3.995 testes, 77 positivos. Foram distribuídas 4 milhões de camisinhas.

Deixa decantar
O comando da campanha da presidente Dilma decidiu que ela começará a percorrer o país pelos estados com palanque único, como Armando Monteiro (PE) e Fernando Pimentel (MG). Nos estados com vários candidatos da base, ela vai esperar a definição do quadro eleitoral. O Rio é um dos estados que deve ficar para depois.

Para onde ir
O candidato tucano Aécio Neves pretende ir a todos os estados. Ela vai dar a largada percorrendo os menores, como Acre, Amapá e Roraima. Pois, se deixar para a reta final, a necessidade política poderá excluí-los da agenda.

Também quero
Depois do sucesso dos aeroportos na Copa, governadores batem às portas da Secretaria de Aviação Civil. Moreira Franco já conversou, sobre reformas e novos terminais, com o baiano Jaques Wagner e o gaúcho Tarso Genro.

DEPOIS DA COPA DAS COPAS, o governo da presidente Dilma quer emplacar a expressão “Olimpíada das Olimpíadas” para 2016.

Raposa felpuda: O Estado de S. Paulo - Editorial

Como velho político, Lula parece ter entendido o recado de que a população quer outra política. Mudou, então, a sua prática política? Não. Simplesmente mudou o discurso, mantendo a sua velha estratégia. Falar mal da política, mas continuar atuando como uma felpuda raposa política.

Em recente vídeo para jovens, divulgado pelo seu instituto - que é um dos polos coordenadores da campanha da reeleição de Dilma -, o ex-presidente propôs uma reforma política feita por iniciativa popular que acabe com "partidos laranja" e "partidos de aluguel". Ele deseja "um projeto de lei que possa mudar substancialmente a política brasileira, ter partidos mais sérios, acabar com os partidos laranjas, os partidos de aluguel, acabar com partidos que utilizam seu tempo para fazer negócio".

Nem parece ser ele quem manda no Partido dos Trabalhadores (PT), partido que, nos últimos meses, promoveu uma das mais profícuas trocas entre cargos de confiança no governo federal por tempo de propaganda política na TV. A população está cansada é dessa hipocrisia: o maior promotor - e maior beneficiário - do sistema político atual pregando virtuosamente a sua reforma.

Com o mesmo descaramento, como se o PT não tivesse sido o partido que mais recebeu doações de empresas privadas nos últimos anos, Lula afirmou que é "radicalmente" contra o financiamento privado de campanha. E ainda expôs os seus motivos. Segundo o político Lula, o financiamento público "é a forma mais honesta na face da terra de financiar uma campanha para não permitir que os empresários tenham influência na eleição da pessoa". No site do Instituto Lula, ao lado do vídeo, está ainda a notícia de que empresários organizaram um jantar em homenagem "às realizações de seu governo" em 2011. Vê-se que o homenageado muito se orgulha desse tributo, mantendo-o em destaque durante anos.

Como se o seu governo não tivesse produzido o maior escândalo de corrupção do Brasil contemporâneo, defendeu a fiscalização para garantir a transparência no uso dos recursos pelo partido. Quer também um projeto de lei de iniciativa popular "que possa mudar substancialmente a política brasileira". Se houvesse de fato essa disposição, bastaria pedir ao seu partido, que conta com ampla maioria no Congresso, para que a realize. Mas isso nem de longe é a sua intenção. No vídeo, ele simplesmente atua como o mais político dos políticos, e ainda trata o espectador como um ignorante da realidade política nacional.

Num esforço por se mostrar próximo da população, o ex-presidente Lula reconheceu que não são apenas os jovens que estão desencantados com a política, mas toda a sociedade. E afirmou: "A política está apodrecida, aqui no Brasil e em várias partes do mundo, porque há uma negação, uma rejeição a político". A política está apodrecida não pela rejeição da população. Isso é um dos efeitos do problema. A política está apodrecida porque políticos, como o ex-presidente, que se dizem "modernos", continuam fazendo o que faziam os coronéis que condenam.

Para completar coerentemente a miríade de incoerências, Lula disse ainda que, numa eventual reforma política, apoiará o voto em lista. Cada eleitor votaria no partido, e não em candidatos específicos. Segundo o ex-presidente, seria um avanço, já que "o deputado não pode ser um deputado avulso, tem que ser um deputado do partido". Ora, o mais personalista dos políticos diz que prefere voto no partido? E diz isso na mesma semana em que Andrés Sanchez, ex-presidente do Corinthians, afirmou que é candidato a deputado federal pelo PT simplesmente por causa da insistência de Lula, que conta com Sanchez para alavancar outros candidatos petistas, já que os tradicionalmente "bons de voto" do PT em São Paulo estão na cadeia.

A incoerência de Lula não é nova, mas há um ponto que preocupa especialmente. Dilma falou em assembleia constituinte para uma reforma política quando começou a perder o jogo na opinião pública, após as manifestações de junho de 2013. Lula volta agora ao mesmo tema, numa época em que a cada semana a popularidade da candidata é abalada. Seria isso um sinal de que o lulo-dilmismo quer mudar as regras do jogo justamente no momento em que o seu time começa a ficar atrás no placar?

Casuarina - O dia se zangou

Carlos Drummond de Andrade: Canto Esponjoso

Bela
esta manhã sem carência de mito,
e mel sorvido sem blasfémia.

Bela
esta manhã ou outra possível,
esta vida ou outra invenção,
sem, na sombra, fantasmas.

Umidade de areia adere ao pé.
engulo o mar, que me engole.
Valvas, curvos pensamentos, matizes da luz
azul
completa
sobre formas constituídas.

Bela,
a passagem do corpo, sua fusão
no corpo geral do mundo.
Vontade de cantar. Mas tão absoluta
que me calo, repleto.

sábado, 19 de julho de 2014

Opinião do dia: Frei Caneca

“Uma constituição não é outra coisa, que a ata do pacto social, que fazem entre si os homens, quando se ajuntam e associam para viverem em reunião, ou sociedade. Esta ata, portanto, deve conter a matéria sobre que se pactuou, apresentando as relações em que ficam os que governam e os governados, pois que sem governo não pode existir sociedade. Estas relações, a que se dão os nomes de direitos e deveres, devem ser tais, que defendam e sustentem a vida dos cidadãos, a sua liberdade, a sua propriedade, e dirijam todos os negócios sociais à conservação, bem-estar e vida cômoda dos sócios, segundo as circunstâncias do seu caráter, seus costumes, usos e qualidades do seu território etc.”

Frei Caneca (Recife, 20/8/1779-13/01/1825), líder da Revolução Pernambucana (1817) e da Confederação do Equador (1824). Ensaios Político - Crítica da Constituição outorgada. P. 97, PUC – Rio, 1976.

Cenário piora para Dilma nas grandes cidades

A presidente Dilma enfrenta cenário difícil nas cidades com mais de 500 mil habitantes, onde, segundo o Datafolha, em 15 dias a rejeição à petista subiu e ela perdeu votos. Em SP, está empatada com Aécio. Já no Rio, ela vence.

Terreno minado

• Avaliação do governo piora, rejeição a Dilma sobe, e petista perde votos nas grandes cidades

Renato Onofre e Fernanda Krakovics – O Globo

SÃO PAULO e BRASÍLIA- Apesar de ainda liderar a disputa pelo Palácio do Planalto, a presidente Dilma Rousseff perdeu parte do capital político que tinha nos grandes centros urbanos — cidades que têm mais de 500 mil habitantes e que costumam funcionar como polos propagadores de votos para o resto do país. Segundo pesquisa do Instituto Datafolha divulgada anteontem, nos últimos 15 dias, houve queda na intenção de votos na petista e aumento de seus índices de rejeição.

Além disso, piorou a avaliação de desempenho do atual governo. Os dados foram recebidos com preocupação pelo comitê que trabalha na reeleição da presidente.

De acordo com a sondagem, o percentual de eleitores que consideram a gestão de Dilma “ótima ou boa” recuou de 30%, no início de julho, para 25% nos municípios com mais de 500 mil habitantes. No mesmo período, a classificação de “ruim ou péssimo” foi de 31% para 37%, e a “regular”, de 38% para 37%, na mesma região.

Essa piora na avaliação se refletiu nos demais indicadores da pesquisa. Dilma viu as intenções de voto nessas cidades caírem de 32% para 29%. O percentual de eleitores que dizem votar no tucano Aécio Neves — que até aqui aparece como principal adversário à reeleição de Dilma — diminuiu de 24% para 22%, enquanto o de Eduardo Campos (PSB) foi de 8% para 9%. Cresceu, neste item, o número de votos em branco e nulos (de 17% para 19%) e dos eleitores que afirmaram que não sabem quem escolher (de 9% para 12%).

Já a rejeição de Dilma nos maiores municípios do país, que era de 37% no início de julho, chega agora a 42%. A de Aécio avançou um ponto percentual (para 21%), e a de Campos foi de 16% para 19%.

A importância da propaganda de TV
Para analistas ouvidos pelo GLOBO, as atenções do eleitor sobre o processo político foram ofuscadas durante a Copa do Mundo, o que gerou uma sensação de melhora do governo e se refletiu nos números divulgados pelo Datafolha no início de julho.

Contudo, terminada a competição, a falta de um legado concreto que melhore a rotina da população das grandes cidades reativou as tensões sociais expostas desde junho do ano passado.

Num cenário como este, ressaltam analistas, a propaganda no rádio e na TV será ainda mais importante na definição da eleição. A presidente Dilma terá o dobro do tempo de exposição de seus adversários e precisaria aproveitar isso em seu favor.

Divulgada na noite de quinta-feira, a pesquisa mostrou que Dilma tem 36% das intenções de voto no país — dois pontos a menos do que na pesquisa realizada nos dias 1 e 2 de julho. Ela ainda está à frente de Aécio, que manteve os 20% registrados na sondagem anterior, e de Campos, que foi de 8% para 9%. Mas, pela primeira vez, a presidente aparece em empate técnico com o tucano numa simulação de segundo turno.

Nesse cenário, Dilma teria 44% dos votos, e Aécio, 40%. O empate viria da margem de erro da sondagem, que é de dois pontos para mais ou para menos.

— O que vemos é a classe média dos grandes centros urbanos voltando à realidade, enfrentando caos no trânsito, assalto na porta de casa e aumento nos preços nas prateleiras. Apesar de essa culpa não ser exclusiva do governo federal, o crescimento dessa insatisfação hoje nada mais é do que o preço das inúmeras promessas que foram feitas e, até agora, não foram cumpridas — afirma o analista político e professor do Insper-SP Carlos Melo.

Empate em São Paulo
E não é de hoje que o aumento nas tensões urbanas preocupam o governo. Antes do início da Copa do Mundo, Dilma escalou ministros e aliados para defender publicamente o legado da competição.

— É como se fosse uma ressaca pós-Copa.

O cidadão comum acordou de uma festa e teve que encarar a realidade. E a realidade não mudou muito se comparado a junho do ano passado, quando ele foi às ruas cobrar mais mobilidade, saúde e educação — explica o cientista político e pesquisados da UFRJ Sandro Corrêa.

Em São Paulo, maior colégio eleitoral do país (com cerca de 32 milhões de eleitores), Dilma e Aécio aparecem empatados na pesquisa de intenção de voto, com 25% das intenções de voto. O tucano ganha da presidente na capital (com 28% contra 23%) e na região metropolitana, que compreende parte do reduto petista, com 26% contra os 24% de Dilma. A disputa no interior do estado continua apertada, com 25% das intenções de voto para Dilma, um ponto a mais do que para Aécio (24%).

Ainda pelo Datafolha, nas simulações de segundo turno, Dilma perderia para seus dois adversários em São Paulo. Aécio venceria no estado por 50% a 31%. Campos, por 48% a 32%. Já no Rio, a presidente ainda mantém larga distância em relação ao tucano. Ela ganha tanto na capital (com 31% contra 19% de Aécio) quanto na região metropolitana (com 36% contra 17%) e no interior do estado (com 31% contra 17%).

O Datafolha mediu também o impacto da Copa do Mundo nas eleições. Dilma é, na opinião do eleitor, quem mais se beneficiou e também quem mais foi prejudicada pelo evento. De forma geral, 42% dos eleitores apontam que a petista foi quem mais se beneficiou com o Mundial, seguida por Aécio (7%) e Campos (2%). Um em cada quatro eleitores vê Dilma Rousseff como a mais prejudicada pela Copa. Outros 5% apontam Aécio, e 3%, Campos.

Para o professor do Iuperj Marcelo Simas, a saída da presidente Dilma é a TV. A petista deve ter 11 minutos e 48 segundos, contra 4m31s de Aécio e 1m49s de Campos.

A propaganda de rádio e TV acontecerá entre os dias 19 de agosto e 2 de outubro. Na hipótese de um segundo turno, o tempo será distribuído igualmente entre os dois candidatos.

— É cedo ainda para afirmar que a campanha de Dilma está ladeira abaixo. Há uma tendência negativa, mas é só o início da campanha. Dilma terá muito tempo de TV para expor sucessos de seu governo e explicar o legado de sua gestão — analisa Simas.

“Bom, não é”
Em Brasília, o empate técnico com Aécio no segundo turno e os demais dados da pesquisa Datafolha foram recebidos com preocupação pelo comitê de reeleição.

Mesmo assim, coordenadores da campanha afirmaram ontem que não haverá mudança na estratégia eleitoral.

Dilma vai continuar priorizando a agenda de presidente, e não as puramente eleitorais. A partir da semana que vem, ela deve visitar obras e participar de atividades relacionadas a projetos do governo federal, o que tem forte apelo eleitoral. Devido a restrições legais, ela não pode mais inaugurar obras nem lançar programas.

— Bom (o Datafolha), não é, mas não tem sangria desatada, desespero nem urgência.

Ela vai manter a agenda institucional de presidente — explicou um dos coordenadores da campanha petista.

Rejeição a Dilma cresce em quatro das cinco regiões do país

• No Sudeste, que reúne 60 milhões de eleitores, presidente tem pior índice

Renato Onofre – O Globo

-SÃO PAULO- A rejeição dos eleitores à presidente Dilma Rousseff (PT) aumentou em quatro das cinco regiões do país, de acordo com a pesquisa Datafolha divulgada anteontem. O pior desempenho da candidata petista continua sendo no Sudeste, onde 43% dos eleitores declaram que não votariam nela de jeito nenhum no primeiro turno da eleição presidencial de outubro. É também nessa região, que concentra a maioria do eleitorado brasileiro, com cerca de 60 milhões de pessoas aptas a votar, que Dilma tem seu pior índice de intenção de voto, de 28%.

No Nordeste, reduto de votos do PT desde a primeira eleição do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o desempenho da presidente também piorou.

A rejeição a Dilma cresceu de 19%, nos dias 1 e 2 de julho, para 23% entre os eleitores consultados pelo Datafolha nos dias 15 e 16 deste mês. O número de eleitores que declararam voto à candidata do PT caiu de 55% para 49% no mesmo período.

Segundo o cientista político Sandro Corrêa, ainda é cedo para avaliar o cenário:

— Não era esperado ver o PT perder votos no Nordeste e ganhar novos no Sul. Há algumas hipóteses que devem ser analisadas nas próximas pesquisas como o crescimento do Eduardo Campos (PSB) na região onde tem seu reduto político. A oscilação foi grande, mas só deve assustar se Campos conseguir reverter
seu nível de conhecimento na região em voto — explicou.

Nos nove estados nordestinos, Campos cresceu apenas um ponto percentual, chegando a 12% das intenções de voto, contra 10% do candidato do PSDB, Aécio Neves. A rejeição do pernambucano também subiu um ponto, de 19% para 20%. Já o percentual de leitores que declaram não votar em Aécio caiu de 25% para 24%.

Se a rejeição a Dilma no Sudeste continua alto, a do senador tucano também cresceu, de 14% para 16%. Entre os três primeiros, o único que melhorou seu índice de rejeição foi Campos, que passou de 10% para 9%.

O voto das mulheres
O recuo de Dilma na pesquisa pode ser explicado, em parte, pela queda no desempenho da petistas em dois segmentos onde o PT conseguiu bons desempenhos nas urnas nas últimas três eleições: entre os eleitores com renda até dois salários mínimos e entre aqueles que declaram ter apenas o ensino fundamental.

Segundo a pesquisa Datafolha, a intenção de voto da presidente também caiu entre o eleitorado feminino, recuando quatro pontos percentuais, de 38% para 34%.

Entre os eleitores com renda até dois salários mínimos, Dilma caiu dos 45% de intenção de voto para 42%, e Aécio subiu um ponto, chegando a 14% das intenções de voto. Campos também caiu de 9% para 7%.

Em 1º ato de campanha, Dilma ataca Aécio e mira SP

• Presidente comanda bate-papo com internautas em página administrada pelo PT para dizer que adversário pretende acabar com programa federal que é bandeira de Padilha; tucano responde que pesquisas eleitorais afetam ‘equilíbrio da candidata’

Rafael Moraes Moura e Tânia Monteiro - Agência Estado

BRASÍLIA - A presidente Dilma Rousseff realizou seu primeiro ato oficial de campanha nesta sexta-feira, 18, em bate-papo com internautas em página de uma rede social dedicada ao seu projeto reeleitoral. Ela escolheu como tema o programa Mais Médicos, criticado dois dias atrás por seu principal adversário na corrida ao Planalto, o tucano Aécio Neves, e bandeira de campanha do nome do PT ao governo paulista, o ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha. Dilma aproveitou para dar estocadas no governador Geraldo Alckmin, adversário de Padilha e aliado de Aécio.

A primeira investida de cunho estritamente eleitoral de Dilma desde o início oficial da disputa ocorre um dia após a divulgação de pesquisa Datafolha que aponta empate técnico entre ela e Aécio na simulação de 2.º turno.

A campanha começou oficialmente em 6 de julho. Naquela data, Dilma divulgou vídeo previamente gravado no qual previa uma eleição “politizada”. E desde então vinha se dedicando à agenda institucional do cargo, como entregar a taça na final da Copa do Mundo e participar de reuniões dos Brics em Fortaleza.

“As críticas ao programa feitas pelo senador (Aécio) não significam uma sugestão para a melhoria do programa. Na verdade, essas críticas demonstram simplesmente que o senador é contra o Mais Médicos, aliás como foi a posição do seu partido ao longo de todo o processo de aprovação”, disse Dilma via Facebook.

Na quarta-feira, Aécio disse que, se for eleito, não se submeterá às regras impostas por Cuba para a participação do país no programa. Dos 14 mil profissionais que atuam sobretudo em cidades do interior do País, 11 mil são cubanos. Eles não recebem diretamente do governo federal.

O Brasil paga R$ 10,4 mil por profissional à Organização Pan-americana de Saúde (Opas), que transfere o dinheiro ao governo de Cuba – e este, por sua vez, paga os médicos. Os cubanos recebem por mês US$ 1.245, o equivalente a R$ 3 mil.

A disparidade foi usada como argumento para que alguns médicos cubanos deixassem o programa de Dilma.

Nesta sexta, a presidente foi questionada por um internauta sobre por que o Brasil “paga apenas 3.000,00” para cada médico cubano. “Eles (médicos cubanos) são funcionários do governo cubano, mantêm seus salários e benefícios em Cuba e recebem este valor pago pelo governo brasileiro como uma ajuda de custo adicional”, respondeu. Os gastos com moradia, alimentação e transporte para o posto de saúde, observou Dilma, são de responsabilidade das prefeituras.

“Não há evasão significativa de médicos do programa. Apenas 1,2% dos médicos desistiram por razões diversas. Dos 174 que saíram, 144 eram brasileiros. Ou seja, a grande maioria, 82%. Portanto, há uma grande desinformação”, escreveu.

Dilma cutucou os tucanos em outro momento, ao ressaltar que São Paulo, “o Estado mais rico do País, foi também aquele que mais demandou médicos”. “Na periferia das regiões metropolitanas, como a de São Paulo, a de Campinas, a das grandes cidades do interior, por exemplo Ribeirão Preto, Bauru, havia uma profunda carência de médicos. Por isso, ao resolver um problema dessa gravidade num tempo tão curto, consideramos que o programa deu certo”, disse.

A presidente até postou mapas que ilustravam a distribuição de médicos – que não são do programa – pelo território brasileiro, considerada “distorcida e injusta” por Dilma. “Veja você que todos os médicos preferiam o litoral e as regiões ricas das cidades”, disse Dilma.

À noite, Aécio também foi ao Facebook. “É uma pena que o resultado das pesquisas eleitorais afete tanto o equilíbrio da candidata que hoje tem a responsabilidade de dirigir o País”, escreveu. A conversa de Dilma com internautas ocorreu na página da petista administrada pelo partido. Até então, ela tinha realizado bate-papos (chamados de “Face to Face”) na página institucional do Planalto no Facebook.

A presidente decidiu montar o fórum virtual no site da campanha porque o governo considerou “arriscado” usar o site oficial do Palácio do Planalto.

Escolha. No dia 7 deste mês, já havia ocorrido um curto-circuito sobre que site usar para fazer o “Face to Face” sobre a Copa do Mundo. Naquela ocasião, decidiu-se usar a página do Planalto por se considerar que o assunto era específico de governo. De acordo com assessores da presidente, o fato de ser um site de campanha também ampliou a repercussão das discussões sobre o Mais Médicos.

No site do PT, as postagens foram mais agressivas e sem a mediação por palavra que há na página do Planalto. O bate-papo desta sexta registrou cerca de 6 mil perguntas, mais que os “Face to Face” anteriores, que tiveram menos de mil. Colaboraram Álvaro Campos e Débora Álvares

Resultado de pesquisas 'afeta equilíbrio' de Dilma, diz Aécio

Ayr Aliski - Agência Estado

O candidato do PSDB ao Planalto, Aécio Neves, recorreu à internet para criticar a presidente Dilma Rousseff, que é a candidata do PT à reeleição. "É uma pena que o resultado das pesquisas eleitorais afete tanto o equilíbrio da candidata que hoje tem a responsabilidade de dirigir o País", postou Aécio no Facebook. No centro da discussão, está o programa Mais Médicos, um dos pilares de Dilma na tentativa de conquistar mais um mandato à frente do Palácio do Planalto. O candidato tucano prometeu esta semana "renegociar" os termos do acerto entre Brasil e Cuba.

Mais cedo, também no Facebook, Dilma rebateu as declarações de Aécio em relação ao Mais Médicos. Dilma disse, em conversa com internautas, que as opiniões do tucano "não significam uma sugestão para a melhoria do programa". A presidente declarou ainda que "as criticas ao programa feitas pelo senador não significam uma sugestão para a melhoria do programa. Na verdade, essas críticas demonstram simplesmente que o senador é contra o Mais Médicos, aliás como foi a posição do seu partido, ao longo de todo o processo de aprovação".

Aécio tratou de rebater Dilma ainda nesta sexta-feira, e também foi para a internet. "Não há nada que desqualifique tanto o debate político e desonre tanto a democracia quanto o uso da mentira e de artifícios como o de colocar na boca do adversário palavras que ele não disse. Práticas que se tornam ainda mais graves quando partem da presidente da República", postou nesta noite Aécio. Ele foi além e afirmou que "hoje, a candidata mentiu ao dizer que eu sou contra o Mais Médicos". "Para que não haja duvidas: não vou acabar com o Mais Médicos, vou aprimorá-lo. Não vou acabar com o Bolsa Família vou aprimorá-lo".

Segundo a postagem do candidato tucano, "o povo brasileiro merece um debate eleitoral que respeite a verdade". Ele disse, ainda, que "melhorar programas sociais, promover avanços, é dever de todo governante responsável". "Apenas os autoritários, os que se julgam donos da verdade, espalham o medo por temerem mudanças e os avanços que elas podem trazer."

Aécio prometeu também no Facebook que "em diálogo com a sociedade, vamos avançar para melhorar o País e para termos mais saúde, mais educação, mais segurança e menos corrupção, compadrio e mentiras".

Na primeira pesquisa eleitoral feita após a derrota do Brasil na etapa final da Copa do Mundo, a taxa de intenção de votos na presidente Dilma Rousseff oscilou dois pontos porcentuais para baixo. Segundo o instituto Datafolha, ela tem 36% das intenções de voto, contra 20% para Aécio Neves (PSDB) e 8% para Eduardo Campos (PSB). Esses dados foram divulgados nesta quinta-feira, 17.

Para tucano, presidente não pode sair à rua para ‘olhar no olho do eleitor’

• Declaração foi dada na Baixada Fluminense, em evento de campanha com militância paga; cada cabo eleitoral levou R$ 30

Luciana Nunes Leal - O Estado de S. Paulo

RIO DE JANEIRO - O candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves, disse nesta sexta-feira, 18, que a presidente Dilma Rousseff não tem condições de andar na rua e ter contato direto com o eleitor.

“Está se iniciando uma nova etapa da campanha eleitoral, que é esse contato físico, olho no olho. O candidato tem de transmitir confiança para o eleitor. Vamos andar o Brasil inteiro, e minha companheira de viagem é a verdade. Não sei se a presidente da República tem hoje condição de andar o Brasil e olhar nos olhos daqueles que nela confiaram e se decepcionaram”, afirmou o tucano, que fez uma caminhada no centro de Queimados, na Baixada Fluminense.

Pelo menos 150 cabos eleitorais, contratados por R$ 30 para um dia de trabalho, seguravam bandeiras com o nome de Aécio e do movimento “Aezão”, que prega voto no tucano para o Planalto e em Luiz Fernando Pezão (PMDB) para o governo do Rio. Os contratados, porém, diziam ter dúvidas em relação à aliança informal – o PSDB foi oposição por mais de sete anos ao governo de Sérgio Cabral e de Pezão, que era vice. “Quando começar a propaganda na TV é que a gente vai conhecer melhor os candidatos”, afirmou a dona de casa Regina Pereira, mãe de quatro filhos. Contratada como cabo eleitoral, ela chegou às 15 horas à Praça dos Eucaliptos, ponto de encontro da caminhada.

Ao ver Regina com a bandeira, uma amiga dela, Iara Barros, quis saber quanto recebe um cabo eleitoral e como ser contratada para esse trabalho. “Ganhar algum dinheirinho para a eleição seria bom. Já vi o Aécio na TV”, disse Iara ao Estado.

Ao som do jingle cujo refrão diz “o povo nas ruas aprova a união, o Rio de Janeiro vai de Aécio e Pezão”, Aécio não estava acompanhado de Pezão, que já declarou que dará palanque eleitoral para três candidatos ao Planalto: além de Aécio, para a presidente Dilma (PT) e para o Pastor Everaldo (PSC).

A heterodoxia das alianças foi classificada pelo prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), como “bacanal eleitoral”. / Colaborou Wilson Tosta

‘Fizemos uma aliança em favor do Rio’, diz Aécio sobre aliança com peemedebistas

• Tucano classifica aliança com integrantes da sigla como ‘extraordinária’; Pezão não compareceu ao evento

Juliana Castro e Rafaela Marinho – O Globo

RIO — Em seu primeiro evento de campanha no Rio, o presidenciável Aécio Neves (PSDB) caminhou pelas ruas de Queimados, na Baixada Fluminense, numa agenda organizada pelos articuladores do “Aezão”, movimento de apoio a sua candidatura e a do governador Luiz Fernando Pezão (PMDB). No discurso feito após a caminhada, o tucano disse que, num primeiro momento, a aliança que uniu peemedebistas, tucanos e democratas causou perplexidade.

Aécio falou sobre a aliança ao se dirigir ao prefeito de Queimados, Max Lemos (PMDB), um dos entusiastas do “Aezão”, e ao explicar ao público presente o motivo pelo qual começou a campanha no Rio pela cidade da Baixada Fluminense:

— Não foi por acaso que escolhi Queimados. Max, você participou desde o primeiro instante dessa extraordinária articulação política que o Brasil inteiro, num primeiro momento, viu com alguma perplexidade, mas, num segundo momento, passaram a aplaudir — afirmou Aécio. — Fizemos uma aliança em favor de Rio de Janeiro.

Aécio participou pessoalmente da costura da aliança fluminense, que trouxe o PSDB, DEM e PPS para o palanque de Pezão. Foi oferecida a vaga de candidato ao Senado a Cesar Maia (DEM), que desistiu de disputar a sucessão estadual. O pacto entre os partidos chegou a ser classificado como “bacanal eleitoral” pelo prefeito Eduardo Paes.

No discurso, o tucano falou rapidamente sobre economia, dizendo que, “infelizmente, a inflação está nos atormentando mais uma vez”. Ele criticou também o governo da presidente Dilma Rousseff (PT), sua adversária nesta eleição, em outras duas áreas, como a Saúde e a Segurança Pública. Aécio disse que diminuiu a participação do governo federal no montante de recursos destinados à Saúde e que os prefeitos estão arcando com isso.

Aécio pediu aos presentes que ajudassem a eleger os candidatos a deputados presentes porque não poderia fazer nada se não tivesse o apoio no Congresso. O tucano, que recebeu o título de cidadão de Queimados no palco, lembrou que, certa vez em um debate, disseram que ele tinha o defeito de ficar mais no Rio que em Minas, apesar de ser mineiro.

— Eu disse que se gostar do Rio é um defeito, é um defeito que aumenta na minha alma — afirmou aos presentes.

Pezão não participa de evento
Candidato ao Senado na chapa do PMDB, o vereador Cesar Maia (DEM) esteve presente e discursou brevemente. O democrata afirmou que Pezão ligou para ele antes do evento dizendo que não poderia comparecer porque estava em horário de expediente, mas que mandava um caloroso abraço a todos.

Durante a caminhada, Aécio disse ao GLOBO que deve ter agenda no Rio ao menos uma vez por semana e que, na próxima sexta-feira, vai a Vigário Geral conversar com jovens, numa agenda organizada pelo coordenador do Afroregae, José Junior, coordenador de seu programa de governo na área de juventude.

Antes da caminhada, Aécio declarou em entrevista que começa agora um novo momento na corrida presidencial e aproveitou para alfinetar Dilma:

— Começa uma nova etapa da campanha, com o contato físico, olho no olho. O candidato tem que transmitir confiança ao eleitor. Como aqui e Queimados, vou andar o Brasil inteiro. Meu companheiro de viagem é a verdade. Não sei se a presidente da República tem condições de olhar nos olhos daqueles que nela confiaram e que foram decepcionados por ela, como mostram todas as pesquisas que querem a mudança.

O presidenciável começou a caminhada na Praça dos Eucaliptos e seguiu pela passarela da linha férrea, onde houve reclamações dos passageiros do trem por conta da confusão. Aécio estava cercado de correligionários e tinha dificuldade de cumprimentar outros eleitores.

Aécio e o presidente do PMDB do Rio, Jorge Picciani, conversaram nesta sexta e o tucano ficou de entregar neste fim de semana pelo menos cinco datas para que o peemedebista marque as agendas no estado. Aécio escolheu Picciani para coordenar sua campanha no Rio.

Estiveram na caminhada o vice na chapa de Pezão, senador Francisco Dornelles, e os presidentes do PSD do Rio, Indio da Costa, e do PSDB no estado, Luiz Paulo. O prefeito de Nova Iguaçu, Nelson Burnier (PMDB), que dias atrás ameaçou abandonar o barco de Dilma, foi ao ato.

Alta rejeição de Dilma em SP preocupa campanha petista

• Datafolha diz que 47% dos paulistas não votam na presidente de jeito nenhum

• Petistas temem que o fenômeno possa 'desequilibrar o jogo' e prometem ajuda financeira a Padilha

Andreia Sadi, Márcio Falcão e Ricardo Mendonça – Folha de S. Paulo

SÃO PAULO e BRASÍLIA - A alta taxa de rejeição da presidente Dilma Rousseff em São Paulo, o maior colégio eleitoral do país, virou uma das preocupações centrais da campanha petista.

A ponto de um assessor palaciano falar em "cristalização" do fenômeno. Ou de outro já admitir que isso poderá até desequilibrar o jogo" a favor de seus rivais.

A pesquisa Datafolha finalizada na quarta mostrou que Dilma tem 35% de rejeição no país. Está acima das taxas de seus concorrentes e dos 19% da própria petista no mesmo período de 2010, ano em que ela foi eleita presidente.

Mas o número chega a parecer pequeno se comparado com o que ocorre em São Paulo hoje. No Estado que reúne 22,4% do eleitorado, 47% dizem que não votariam em Dilma de jeito nenhum. Na capital, 49% respondem assim.

Esse comportamento repercute nas intenções de voto. Em todo o país, Dilma tem 16 pontos de vantagem sobre o tucano Aécio Neves, seu principal rival. Em São Paulo, porém, a situação é de empate absoluto, com 25% para cada um. Na capital, Aécio vence Dilma por 28% a 23%.

A dificuldade dela junto aos eleitores paulistas fica ainda mais explícita nas simulações de segundo turno.

Aécio a derrotaria por 50% a 31% se a eleição fosse só no Estado. E mesmo Eduardo Campos (PSB), hoje em terceiro na disputa nacional, ganharia da presidente com folga numa disputa direta nas urnas paulistas, 48% a 32%.

A avaliação petista é que o voto no segundo turno no Estado seria para "impor uma derrota" à presidente, seja qual for o candidato.

Por isso, defendem que haja uma operação específica para o Estado, combinada a uma imersão maior de Dilma em São Paulo. Uma espécie de "campanha paralela'', na expressão de um assessor.

A ideia é retomar o diálogo com setores antes cativos do PT, mas que perderam a interlocução. Como exemplo, citam os movimentos sociais e um grupo de empresários.

Outro recurso mencionado é dar uma turbinada política e financeira na campanha de Alexandre Padilha, o candidato a governador do PT que está com 4% na pesquisa.

Cruzamentos do Datafolha mostram Dilma numa situação de dependência dos eleitores do governador Geraldo Alckmin (PSDB), apoiador de Aécio na eleição presidencial.

Hoje, um quarto dos eleitores do tucano dizem que votariam em Dilma na presidencial. Alckmin tem 54% para governador, mais que o triplo do segundo colocado, Paulo Skaf (PMDB).

Teme-se que, com tamanha vantagem, ele possa se sentir mais à vontade para se dedicar com mais afinco na campanha de Aécio.

É uma situação bem diferente da do Rio, onde Dilma mantém uma liderança mais confortável e dispõe de espaço nos palanques dos principais concorrentes locais.

Dilma pediu que a cúpula do PT invista em Padilha com intuito de vitaminar sua própria candidatura em São Paulo até o início da propaganda gratuita na TV, em agosto.
Integrantes da campanha nacional preveem ajuda financeira para a do ex-ministro da Saúde. Fala-se também num reforço da presença de lideranças importantes do partido nos eventos paulistas com o objetivo de passar credibilidade ao candidato.

O desejo da campanha de Dilma é que Padilha cresça para, pelo menos, 10% até 19 de agosto, quando começa o horário eleitoral.

Esse investimento é também uma forma de tentar diminuir a dependência de Skaf, que chegou a ser apontado como "plano B" de Dilma no Estado. Skaf resiste em oferecer palanque para Dilma, embora já tenha sido discretamente "enquadrado" pelo vice, Michel Temer.

As contas do PT também levam em consideração as dificuldades do petista Fernando Haddad, prefeito aprovado por apenas 15% dos paulistanos.

Sensus: Dilma e Aécio empatam em eventual 2ºturno

• Nas simulações de segundo turno, a diferença entre a presidente Dilma Rousseff e seus potenciais adversários caiu

Equipe AE - Agência Estado

Pesquisa feita pelo Instituto Sensus mostra que a presidente Dilma Rousseff (PT) sofreu uma oscilação dentro da margem de erro, mas manteve o mesmo patamar nas intenções de voto. A pesquisa mostrou ainda que Dilma e o candidato do PSDB, Aécio Neves, estão empatados tecnicamente em um eventual segundo turno.

A presidente oscilou de 32,2% das intenções em junho para 31,6% no levantamento divulgado neste sábado pela revista IstoÉ. O candidato do PSDB à Presidência, senador Aécio Neves, oscilou de 21,5% para 21,1%. Já Eduardo Campos, do PSB, oscilou de 7,5% para 7,2%%.

O pastor Everaldo Pereira (PSC) teve 2,6% das intenções de voto, ante 2,3% em junho. Luciana Genro (PSOL) tem 1,1%. Rui Costa Pimenta (PCO), 0,7%. José Maria (PSTU), 0,5%. Eduardo Jorge (PV), 0,3%. Eymael (PDC), 0,3%. Levy Fidelix (PRTB) 0,3%. Mauro Iasi (PCB) tem 0,1%. Brancos, nulos, não respondeu são 34,4%, ante 28,8% na pesquisa anterior.

Segundo turno
Nas simulações de segundo turno, a diferença entre a presidente Dilma Rousseff e seus potenciais adversários caiu. No cenário com Aécio Neves, o placar fica em 36,3% contra 36,2% do tucano, tecnicamente empatados. Em junho, Dilma tinha 37,8% das intenções contra 32,7% de Aécio, uma diferença de 5,1 pontos porcentuais.

Quando o oponente de Dilma é Eduardo Campos, a presidente teria 38,7% das intenções de voto contra 30,9% do pessebista, uma diferença de 7,8 pontos porcentuais. Em junho, a petista tinha 37,5% contra 26,9% de Campos, 10,6 pontos de diferença.

Avaliação do governo
Os eleitores também foram questionados sobre a avaliação do governo Dilma Rousseff. A avaliação positiva oscilou de 34,2% em junho para 32,4% agora. A avaliação negativa caiu de 34,6% no levantamento anterior para 28,5% na pesquisa atual. Já a avaliação regular subiu de 29,1%% para 36,4%. A porcentagem dos que não responderam ou não souberam responder ficou em 2,8%, ante 2,2% da última mostra.

A pesquisa Sensus, contratada pelo próprio Instituto, foi a campo entre 12 e 15 de julho e ouviu 2 mil eleitores em 136 municípios de 24 Estados do País. O levantamento tem nível de confiança estimado de 95% e margem de erro máxima de 2,2 pontos porcentuais. A pesquisa foi registrada na Justiça Eleitoral sob o protocolo BR-00214/2014.

Campos volta a se comprometer com passe livre estudantil

José Roberto Castro e Isadora Peron - Agência Estado

O candidato ao Palácio do Planalto Eduardo Campos (PSB) voltou a se comprometer, nesta sexta-feira, com a implantação de escolas em tempo integral e com o passe livre estudantil no transporte público em um eventual governo. "Temos que encontrar - municípios, Estados e a União - uma forma de financiar o passe livre. Vou fazer do passe livre uma realidade no Brasil, como vou fazer da escola em tempo integral, como fiz em Pernambuco", disse, em entrevista em Itapecerica da Serra, região metropolitana de São Paulo.

O candidato do PSB tratou o financiamento do passe livre para os estudantes como uma questão de prioridade e citou outros gastos da União, como o pagamento de juros e o dinheiro destinado às elétricas. "Tem dinheiro. Se você for ver, as distribuidoras de energia levaram R$ 22 bilhões, o passe livre custa, no máximo, R$ 12 bilhões. Por que tem dinheiro para as distribuidoras de energia?

Quando se sobe a Selic em 1 ponto porcentual por erros na macroeconomia, gastam-se R$ 27 bilhões a mais. Quase duas vezes o passe livre", defendeu, ao fim de uma caminhada pela região central de Itapecerica da Serra.

De São Paulo, Campos segue para Crato, no Ceará, onde participa de uma feira agropecuária.

Campos acumula promessas e lança programa de carreira para médicos

• Plano federal atenderia entidades de classe e rivaliza com Mais Médicos, vitrine do governo Dilma

• Candidato do PSB, que tenta alavancar nas pesquisas, já havia prometido passe livre no início da semana

Ranier Bragon e Marina Dias – Folha de S. Paulo

BRASÍLIA e SÃO PAULO - Na tentativa de se firmar como uma opção viável à polarização entre o PT e o PSDB e decolar nas pesquisas de intenção de voto, o candidato do PSB à Presidência da República, Eduardo Campos, vai lançar nos próximos dias novas promessas de governo.

Está pronta para sair do forno uma proposta na área de saúde que atende a uma antiga reivindicação das entidades de classe e rivaliza com o Mais Médicos, uma das vitrines da campanha à reeleição de Dilma Rousseff (PT).

Trata-se da criação de um plano de carreira federal para médicos, com evolução salarial ao longo dos anos, entre outros benefícios.

A campanha do ex-governador de Pernambuco estuda lançar a ideia na inauguração do comitê central de Campos, nesta segunda (21), na zona sul de São Paulo.

Com a proposta, o candidato agrada as entidades médicas que rejeitaram o Mais Médicos, cujo objetivo é suprir a carência de profissionais nas periferias e também no interior do Brasil.

A principal crítica é quanto à vinda de médicos estrangeiros --os cubanos somam cerca de 80%-- sem diplomas revalidados. A solução defendida é a melhora da infraestrutura dos serviços de saúde e a promoção de carreira de Estado para os médicos.

Não existe hoje uma carreira federal no país. Há somente concursos federais para determinados hospitais e instituições, e carreiras nos âmbitos estadual e municipal.
Terceiro colocado nas pesquisas de intenção de voto --8% no Datafolha--, Campos tem como meta superar o também oposicionista Aécio Neves (PSDB), que tem 20%, e seguir para um segundo turno contra Dilma.

A série de promessas feitas por Campos nas últimas semanas tem ainda como objetivo diferenciá-lo do tucano, classificado pelo pernambucano como integrante da "oposição conservadora".

Campos já prometeu passe livre para estudantes durante encontro com universitários de escolas públicas e privadas de São Paulo, como mostrou a Folha.

Disse a empresários que irá apresentar em agosto proposta de emenda constitucional para a reforma tributária, e sua campanha confirma que defenderá o fim do fator previdenciário --que reduz o valor da aposentadoria de quem deixa o trabalho mais cedo.

Na relação da União com os municípios, Campos diz que pretende desburocratizar o sistema de repasse de verbas federais às prefeituras, além de aumentar o valor.

A ideia é replicar nacionalmente um programa que ele instituiu em Pernambuco: o de dar às prefeituras, para investimento em infraestrutura, uma parcela extra anual equivalente a um mês de repasse do FPM (Fundo de Participação dos Municípios).

Ainda não há, entretanto, detalhamento de onde viria o dinheiro para cumprir todas essas promessas. Campos diz que sua equipe trabalhará nisso até o fim do mês, quando fica pronta a nova versão de seu programa.

"O objetivo de uma candidatura é anunciar políticas públicas e de governo diferentes das já aplicadas. Essa é a natureza de uma candidatura de oposição que se preze", explica Carlos Siqueira, coordenador-geral da campanha do ex-governador.

Colaborou Johanna Nublat, de Brasília

Conjuntura conspira contra Dilma: O Globo - Editorial

• Desaquecimento da economia, consequente queda na geração de empregos e inflação elevada não animam investidores e funcionam como os piores cabos eleitorais

Antes da Copa, discutiu-se se o evento ajudaria ou não a candidatura à reeleição de Dilma Rousseff. Logo no início da competição, constatou-se que tudo corria bem nos estádios e havia festa nas ruas, clima ajudado pelas medidas de emergência tomadas por estados e municípios, com a decretação de feriados. Não houve sequer maiores espaços para o radicalismo black bloc.

Uma pesquisa feita no final de junho e divulgada no início de julho deu algum alento à candidata. Agora, de volta à vida do cotidiano, e perdida a Copa, a mais recente sondagem do Datafolha aponta para um quadro perigoso à frente das aspirações do PT. O dado mais sugestivo é o empate técnico, em simulação de segundo turno, entre Dilma e o seu mais forte concorrente até agora, o tucano Aécio Neves, na faixa dos 40% dos votos. Também a tendência da avaliação da gestão da presidente não ajuda.

Se o Brasil houvesse ganhado o hexa, o quadro seria outro? Inútil especular. Assim como debater se a maneira vexaminosa como a seleção foi desclassificada pela Alemanha teria alguma influência no humor do eleitorado. Terreno mais firme para análises é o cenário da economia que se desenha já há algum tempo. Hoje já não se discute se o ciclo de crescimento pela via do consumo se esgotou de fato.

A comprovação está no noticiário econômico das últimas semanas. As dificuldades enfrentadas pela indústria se refletem no mercado de trabalho, um ponto forte no palanque dilmista. Em junho, pelo quarto mês consecutivo, caiu a quantidade de novos empregos com carteira assinada: 25.363, o pior número mensal em 16 anos, uma queda de 79,5% em relação a junho do ano passado, quando foram gerados 123.846 empregos formais.

Há um problema específico na indústria automobilística, bastante incentivada pelo governo. Mas o endividamento das famílias e a dependência em relação ao mercado da Argentina, no limiar de nova moratória externa, são barreiras difíceis de transpor.

Os sinais de desaquecimento da economia ficam mais fortes: o IBC-BR, índice do Banco Central de estimativa de tendência do PIB, retrocedeu 0,18% em maio. Um indicador semelhante, da Fundação Getúlio Vargas, caiu 4% de janeiro a junho. Parece haver uma recessão a caminho.

E como a inflação persiste, até acaba de furar mais uma vez o teto da meta de 6,5%, configura-se uma conjuntura ruim de estagflação.

Não precisaria ter sido assim. Bastava o governo não ter cometido tantos erros: na leniência com a própria inflação, com o desregramento nos gastos públicos e no solapamento da confiança no futuro. Se a inflação está elevada com preços públicos artificialmente contidos, quanto ela será em 2015? Diante da pergunta, projetos de investimentos são adiados.

Mesmo porque o represamento se dá em insumos essenciais: energia e combustíveis.

Preços em elevação e risco de desemprego são os piores cabos eleitorais.

Luiz Werneck Vianna: O futebol e a política

• O anacronismo e a resistência à inovação são marcas comuns a esses dois mundos

- O Estado de S. Paulo

Não se pode mais não sentir, os ventos de mudança sopram de todas as direções. As jornadas de junho de 2013 no Brasil, que se alongaram nestes primeiros meses de 2014, com novos temas e outros personagens, especialmente em torno da questão da habitação popular, ameaçam pegar um forte vento de cauda com o surpreendente desastre da seleção nacional na Copa do Mundo.

Do mundo do futebol, que só os ingênuos e as análises mal-intencionadas podem afetar indiferença quanto a seus efeitos sobre o humor dos brasileiros, já toma corpo o diagnóstico de que ele requer uma radical mudança na sua cultura e nas suas estruturas. A linguagem do futebol, notoriamente, é um instrumento relevante da nossa cognição e presença forte na construção das metáforas com que estabelecemos a nossa comunicação de uso cotidiano, na política inclusive, popularizadas nas falas públicas do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

De fato - e nisso há consenso geral - não é verificável empiricamente a relação entre êxitos e fracassos da nossa seleção de futebol com resultados eleitorais nas sucessões presidenciais. Mas, de outra parte, é inegável que a massiva exposição pública dos critérios adotados na convocação dos jogadores, na sua escalação para os jogos, nos métodos de treinamento e na avaliação do desempenho de cada qual, escrutinados com interesse apaixonado pela população, não só favorece um amplo processo dialógico, como também se faz presente na formação do senso comum com que os brasileiros se percebem nas suas circunstâncias.

O resultado acachapante da disputa das semifinais com a Alemanha (7 a 1), parcialmente confirmado, dias depois, na derrota para a Holanda (3 a 0), não pode ser atribuído tão somente ao fortuito e aos azares sempre presentes nas disputas esportivas. Ele depõe contra a concepção estratégica da nossa preparação para os jogos e denuncia o anacronismo do nosso repertório e do nosso sistema de jogo, de resto visível nas competições em que se envolveram, em tempos recentes, os nossos principais clubes nos torneios internacionais. Exemplar, no caso, a derrota por 4 a 0 imposta pelo Barcelona ao Santos do sempre brilhante Neymar, em 2011, na final do campeonato mundial interclubes. E, sobretudo, põe a nu as estruturas do nosso futebol - arcaicas, autocráticas -, que, com esse resultados apavorantes na Copa do Mundo, abriu uma janela para a oportunidade da sua remoção. A qual, todavia, não virá sem o clamor público e a ação de uma crítica contundente que a tornem imperativa.

Mais do que exercer um papel pedagógico para a vida moderna, com sua intrínseca valorização da cooperação - a coordenação de movimentos dos jogadores para defender e atacar - e do mérito individual, o futebol, entre nós, conforma um laboratório silencioso onde se processam experiências que transcendem o seu território. A questão racial foi uma delas, tão bem percebida por Mario Filho no clássico da nossa literatura social O Negro no Futebol Brasileiro, quando argumentou que a valorização do negro - seu modelo foi Leônidas da Silva, notável atacante dos anos 1930 - nos estádios de futebol teria contribuído para a sua valorização na sociedade. Não há Muralha da China a interditar o aprendizado que daí deriva para outras dimensões da vida social, como, entre outros estudiosos, tem destacado o antropólogo Roberto DaMatta.

O sentimento em favor de mudanças que varre o País certamente não nasceu nesse "laboratório", mas há algumas coincidências com o que já agita o mundo do futebol. Entre tantas, a política do presidencialismo de coalizão na forma bastarda como o adotamos, cujas afinidades eletivas com as práticas vigentes entre nossos próceres esportivos chamam a atenção ao submeterem o futebol, tal como os da política, aos interesses de autorreprodução de suas elites dirigentes. O anacronismo e a resistência à inovação são outras marcas comuns.

Fechada em panos de luto a Copa do Mundo de 2014, vamos, agora, para a sucessão presidencial e as eleições para governador e das Casas parlamentares, que já se iniciam sob maus auspícios com a movimentação dos nossos paredros da política em torno de alianças erráticas, sopas de letrinhas a combinarem alhos com bugalhos, sem programa e sem alma diante de uma população que reclama por mudanças, tanto nas ruas como fora delas.

O script apresentado, até então, por candidatos e partidos políticos para a disputa eleitoral não está à altura da excepcionalidade do momento que vivemos, com as nossas ruas varridas por movimentos de protestos contra a natureza da política imperante entre nós. Se antes, com todos os seus males conhecidos, tal política tinha assegurado condições razoáveis de governabilidade, agora jaz exaurida diante de uma sociedade que recusa ser representada por ela.

Inverteu-se, faz tempo, uma relação tradicional na nossa vida política: a sociedade é, hoje, mais moderna do que o seu Estado, como se pode verificar com a emergência dos movimentos sociais que brotam de toda parte e se mantêm estrangeiros à política institucionalizada.

Pode-se sustentar que, na Copa do Mundo, nos faltaram sinais que advertissem sobre a catástrofe a vir - a vitória na Copa das Confederações, em 2013, teria mascarado nossos erros -, mas, no campo da política, já soaram todos os alarmes, embora não faltem os que alardeiam que em time que está ganhando não se deve mexer. O mais grave, contudo, é que a esta altura do campeonato não se saiba ao certo que times são esses.

Sociólogo político, é professor pesquisador da Pontifícia Universidade Católica do Rio de janeiro (PUC-Rio)

Merval Pereira: Disputa acirrada

• A campanha será disputada em condições bem diferentes das de 2010, quando Dilma foi eleita no 2º turno com diferença de mais de 12 milhões de votos sobre Serra.

• A atuação no 1º turno de 2010 teve votações formidáveis em estados hoje não tão favoráveis a Dilma.

• A taxa de rejeição de Dilma em SP é maior do que a sua média nacional, que já é alta

- O Globo

As pesquisas eleitorais que vão sendo divulgadas indicam que a campanha presidencial será disputada em condições bastante diferentes das de 2010, quando a então candidata Dilma Rousseff foi eleita no segundo turno com uma diferença de mais de 12 milhões de votos sobre o candidato tucano José Serra.

Omaior problema para os estrategistas do governo é que, tanto no primeiro quanto no segundo turnos daquele ano, a candidata governista teve a base de sua vitória no Nordeste. No segundo turno, Dilma abriu 11.777.817 votos de diferença no Norte e no Nordeste do país. Nas demais regiões, teve vitória apertada, com apenas 275.124 votos de diferença.

A atuação no primeiro turno, equivalente ao que está sendo apurado agora pelas pesquisas eleitorais, teve votações formidáveis em diversos estados que hoje não parecem tão favoráveis à reeleição de Dilma. A começar pelo Nordeste, que, embora continue sendo o ponto forte da petista, mostrou uma redução do apoio nesta última pesquisa Datafolha, de 55% para 49%.

Além disso, a oposição está mais bem representada em estados importantes naquela região, seja pela candidatura do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos, do PSB, seja pelos palanques que o PSDB conseguiu montar. Em Pernambuco, a candidatura petista, apoiada pelo PSB, teve 1,9 milhão de votos de diferença a seu favor, e hoje, embora as pesquisas continuem mostrando a presidente muito forte, provavelmente será Eduardo Campos quem vai fazer essa diferença, se não maior, sobre Dilma e Aécio.

A vitória de Dilma na Bahia foi de 2,7 milhões de votos, mas hoje o prefeito de Salvador, ACM Neto, do DEM, é a força política em ascensão no estado, e ele está apoiando o candidato tucano juntamente com a dissidência do PMDB local. Dificilmente, Dilma ganhará a eleição lá, muito menos por essa diferença.

No Ceará, a diferença a favor do governo foi de 2 milhões de votos, mas hoje a candidatura dissidente do PMDB, do senador Eunício de Oliveira, é a favorita, em coligação com o PSDB, que terá o ex-governador Tasso Jereissati como candidato a senador.

No Amazonas, Dilma teve 64,7% dos votos, tirando uma diferença a seu favor de mais de 850 mil votos. Hoje, a capital está sendo governada pelo PSDB, que tem em Arthur Virgílio um forte cabo eleitoral.

No Maranhão, onde Dilma teve 1,6 milhão de votos a mais, o clã Sarney, em crise, não terá a mesma força, sem falar que a governadora Roseana pode apoiar Aécio, que está em uma coligação com Flavio Dino, do PCdoB, o favorito da eleição.

No chamado Triângulo das Bermudas, que reúne os três maiores colégios eleitorais do país, a situação política não pressupõe as facilidades tidas em 2010 pelo governo.

No Rio de Janeiro, a dissidência do governo Cabral/Pezão a cada dia fica mais explícita pelos atos, não pelas palavras.

Ontem, o candidato Aécio Neves visitou o cardeal do Rio, D. Orani Tempesta, acompanhado do senador Francisco Dornelles, que acumula o cargo de candidato a vice de Pezão com o fato de ser tio de Aécio.

A diferença de 1,8 milhão de votos dificilmente será alcançada pela candidatura petista, que tem a apoiá-la o senador Lindbergh Farias — que continua em último lugar nas pesquisas e sem a máquina eleitoral que Pezão comanda. Os dois líderes da pesquisa, Garotinho, do PR, e Crivella, do PRB, podem apoiar Dilma, mas o governo não sabe ainda se ajudaria ou atrapalharia.

Em Minas, Dilma, à frente de uma chapa virtual Dilmasia (com o então candidato ao governo Antonio Anastasia, do PSDB), teve uma diferença a seu favor de 1,8 milhão de votos. Desta vez, os aecistas fazem o cálculo de que o candidato tucano terá cerca de 3 milhões de votos, no mínimo, a mais que Dilma.

Em SP, terreno em que os tucanos têm derrotado o PT em todas as eleições para presidente, o PSDB acha que aumentará a vantagem que Serra teve no 2º turno, de cerca de 1,8 milhão de votos. Ainda mais depois que a pesquisa Datafolha mostrou o governador Geraldo Alckmin deslanchando na eleição para governador e começando a transferir votos para Aécio.

A taxa de rejeição de Dilma em SP é maior do que sua média nacional, que já é alta: ela tem 35% de rejeição no país e 47% no estado. Nada mais exemplar das dificuldades que Dilma encontra em SP do que o resultado da pesquisa sobre o 2º turno no estado: Aécio vence por 50% a 31%, e Campos, por 48% a 32%.

Como, no momento, Aécio está empatado com Dilma em 25% das preferências, e Campos tem apenas 8% no estado, é de se supor que no decorrer da campanha os números se ajustarão em favor da oposição.

Fernando Rodrigues: A rejeitada

- Folha de S. Paulo

Dilma Rousseff tem uma taxa de rejeição resiliente, tanto a pessoal quanto a de seu governo.

Ainda assim, ela lidera a pesquisa Datafolha sobre a corrida presidencial. Se vencer, terá ostentado um recorde neste momento da campanha. Desde 1994, nenhum candidato a presidente vitorioso era rejeitado por 35% em meados de julho.

No caso da rejeição ao governo Dilma, agora em 29%, trata-se também de recorde na comparação com outros presidentes que tentaram a reeleição. Em julho de 1998, a administração do tucano Fernando Henrique Cardoso era considerada ruim ou péssima por apenas 19%. Em 2006, nesta mesma época, 21% rejeitavam a forma como o petista Luiz Inácio Lula da Silva conduzia o país.

A reprovação a Dilma parece ser mais do que uma birra passageira de um setor do eleitorado. A presidente trabalha há um ano para reverter esse quadro. Desde as manifestações de rua de junho de 2013, o Palácio do Planalto adotou várias medidas. Importou médicos do exterior. Inundou as TVs com comerciais. A petista voltou a falar mais com a mídia e com políticos. Nada adiantou.

A Copa foi um sucesso no entender da maioria dos brasileiros. O clima no país ficou mais ameno, apesar da derrota em campo. Nesta semana, quando o Datafolha coletava dados, Dilma estava recebendo mais de uma dezena de chefes de Estado. Fazia o "papel de rainha", como gosta de descrever o marqueteiro João Santana. Ganhou "mídia espontânea" a favor em todos os telejornais.

Ainda assim, a rejeição da presidente manteve-se recorde. O horário eleitoral em agosto pode, em tese, ajudá-la. Mas se propaganda estatal maciça na TV não fez efeito no último semestre, porque haveria o impacto positivo mais adiante?

Em suma, a sucessão está aberta. Só que a situação prospectiva de Dilma é incômoda quando se compara o desempenho da petista ao de seus antecessores que foram reeleitos.

Cláudio Couto: Uma gramática perigosa

- O Estado de S. Paulo

Desde 2013, dois tipos de evento não diretamente vinculados à eleição ganharam peso no cenário, pois afetam o humor dos cidadãos. Um é a Copa, com todas as implicações que poderia ter para a disputa política mais ampla. Outro são as manifestações de rua. Deflagradas em junho e desde então incorporadas ao cotidiano, são consequência, no plano político-social, do acúmulo de transformações do País desde a redemocratização, nos anos 1980. Mas são principalmente decorrência dos progressos experimentados nos últimos 20 anos - desde que foi debelada a hiperinflação pelo Plano Real.

Na segunda metade dos anos 80, caíram os últimos escombros do autoritarismo do regime militar, franqueando o acesso à cena pública de uma miríade cada vez mais ampla de atores. A nova Constituição lançou as bases jurídicas de uma cidadania social de nível inaudito, reforçou o papel de atores institucionais capazes de exercer controles mais efetivos sobre os agentes governamentais (notadamente, o Ministério Público), criou um federalismo trino e redistribuiu recursos e competências, consolidou um papel de protagonista para o Executivo federal, estabeleceu novas regras eleitorais etc.

O Plano Real e as reformas que lhe seguiram modificaram as relações entre Estado e mercado, conferiram maior estabilidade à moeda e deram um impulso inicial à redução da pobreza. Tal impulso intensificou-se durante os governos petistas, com a substancial redução não só da pobreza, mas da desigualdade, cujo maior desdobramento foi a ascensão econômica de um amplo contingente de brasileiros, a chamada "nova classe C".

Por um lado, se tais transformações incrementaram as condições de vida da população em geral e nosso patamar civilizatório, por outro elevaram as expectativas populares a um patamar superior às capacidades estatais instaladas. Tal descolamento entre expectativas e seu atendimento não decorre, porém, de uma piora das capacidades do Estado. Na maior parte dos casos houve até melhora, mas tal avanço foi em grau menor que o das mudanças sociais (paradoxalmente, induzidas pelo próprio Estado) e, sobretudo, os anseios delas decorrentes.

Portanto, o que começou em junho de 2013 é mais a consequência de um longo acúmulo do que o espocar isolado de insatisfações. Contudo, tal processo gestou produtos novos, de novas consequências. Um é a forma de convocação dos participantes, baseada em novas tecnologias e atingindo partícipes em maior número, mais heterogêneos e desprovidos da organicidade típica dos movimentos tradicionais que protagonizaram a redemocratização.

Outro produto novo é a introdução nas manifestações de uma gramática cuja essência são as formas violentas de manifestação política. Tal gramática teve uma série de consequências deletérias à democracia: afugentou cidadãos recentemente mobilizados; reduziu o apoio popular às manifestações e tirou do centro da agenda a discussão sobre os excessos policiais, pois gerou pretextos para justificá-los.

Porém, a pior consequência das manifestações violentas consubstanciou-se recentemente: a criminalização direta do próprio ato de protestar. Ocorreu em São Paulo, na ameaça de responsabilizar o Movimento Passe Livre pelas ações de black blocs, alegando-se que estes agiram num protesto convocado por aqueles. No Rio, foram as prisões preventivas de manifestantes às vésperas da final da Copa, sem que as acusações de que eram alvo fossem suficientemente explicadas pela polícia e pela Justiça, como alertou inclusive a OAB.

O risco para a democracia é a criação de pretextos para reprimir preventivamente opositores que ameacem ir à rua, ou para criminalizá-los por atos de terceiros sobre os quais eles não têm qualquer controle. O sacrifício da liberdade de manifestação é um preço caro demais para se coibir a violência política.

Rosiska Darcy de Oliveira: Pena de nós, não precisava

• Brasileiros reagiram à eliminação da nossa equipe com maturidade que não esperávamos de nós mesmos

- O Globo

No sétimo dia de um luto discreto, cai o pano da Copa, abre-se o das eleições de outubro. O legado imaterial da bela festa que vivemos é ter posto em evidência que a sociedade brasileira mudou muito e para melhor, o que, não sendo um fenômeno claramente perceptível no dia a dia, já esboça o futuro do país.

Foi, sim, uma prova de fogo. Os brasileiros reagiram à eliminação da nossa equipe com maturidade que não esperávamos de nós mesmos, habituados que estamos a nos menosprezar. Onde choramos, qualquer um chorava. Dar a volta por cima que demos, no melhor estilo do mestre Vanzolini, quero ver quem dava. Equivocaram-se os que esperavam uma reação histérica frente à derrota, quebra-quebras e ranger de dentes. Em vez disso, houve lucidez face às nossas deficiências, aplausos, em campo, para o adversário que nos devastava e justificado orgulho de tudo mais que, na Copa, foi grande sucesso.

Houve tristeza; depressão, não. Nas esquinas virtuais, o debate sobre as causas do fracasso esquentou. A vitalidade das redes, que a sociedade brasileira vem usando a fundo, mostrou uma opinião pública que discute e argumenta, o que é bom para a democracia. Acrescente-se a explosão de humor cáustico que desdramatizou o que se esperava fosse um velório. Pena de nós, não precisava...

Os aplausos vão para o povo brasileiro — saravá, saudoso Ubaldo — que, em todos os níveis, tem muito mais competências do que admitem os que alimentam a baixa estima e os catastrofismos. O cartão vermelho vai para o padrão Fifa de corrupção. Entre as poucas prisões, a mais notória foi a de um seu parceiro privilegiado que, como um camelô fugindo do rapa, escapou pela porta dos empregados do Copacabana Palace quando a Polícia Federal sentiu cheiro de enxofre no negócio milionário da venda de ingressos. Cartão vermelho também para o superfaturamento dos estádios e para o desabamento de um viaduto mal construído que feriu e matou, crimes que terão que ser apurados.

A sociedade brasileira surpreende. Já tinha surpreendido com as manifestações pacíficas de junho do ano passado ao colocar claramente suas reivindicações e ao se retirar das ruas, dando prova de bom senso, para não confundir-se com um punhado de mascarados saídos não se sabe de onde nem mandados por quem.

Os candidatos à Presidência da República vão se defrontar com essa sociedade que mal suspeitam. Melhor do que imaginam, ela sabe o que quer e o que está em jogo. Se suspeitassem não venderiam a alma em alianças tragicômicas em troca de um minuto a mais na televisão. Faço uma aposta ousada que vai contra o senso comum: marqueteiros não terão sucesso junto a uma população descrente das balelas que lhe contam nesse tempo de televisão tão cobiçado. Essa venda de almas e votos, ao contrário, tira votos pela indignação que a geleia geral provoca.

Há, no eleitorado, uma forte exigência de verdade que ainda não encontrou eco. Daí o voto órfão. Na última pesquisa Datafolha, somados os votos brancos, nulos e indecisos, um em cada quatro brasileiros não escolhe ninguém. É possível que essa mistura de desilusão e perplexidade venha a decidir o resultado das eleições.

A aposta na propaganda para conquistar esses votos pode sair pela culatra. Como assistir, no horário eleitoral, a bravatas que a vida real em tempo real desmente? Como não se irritar com essa espécie de making of que vem a público, onde se discute as estratégias de convencimento que serão adotadas em campanhas milionárias?

Esta seria a campanha das campanhas se desta vez, no jogo eleitoral, a mágica ilusionista do marketing perdesse para a vida real, para a lucidez da população sobre o que precisa para bem viver.

O eleitorado deixou de ser massa informe. Quanto mais se individualiza, mais se torna imprevisível, ganha em diversidade e complexidade. As malhas da “ciência” marqueteira terão problemas para pescar esse eleitorado nuançado, que vive às voltas com os infindáveis problemas de um cotidiano áspero e há muito perdeu a paciência com promessas. O teste do candidato será a credibilidade que se perde ou se ganha em não mais que um minuto no cara a cara com o eleitor. O voto que hoje é órfão e em outubro será decisivo só encontrará abrigo na sinceridade.

Derradeiro legado da Copa: aprendemos, com o descalabro de Felipão, a desconfiar das lideranças iluminadas e a confiar nas equipes bem treinadas e competentes, onde não há herói nem condottiere, apenas cada um fazendo bem o que tem que fazer na posição em que joga no time. Não é isso o bom governo?

Rosiska Darcy de Oliveira é escritora