Política e cultura, segundo uma opção democrática, constitucionalista, reformista, plural.
quinta-feira, 1 de outubro de 2026
quarta-feira, 30 de setembro de 2026
O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões
Alta no custo do BPC exige revisão de critérios
Por O Globo
Tornar mais racional gasto com o benefício
não significa deixar quem precisa sem assistência — ao contrário
A trajetória do gasto com o Benefício de Prestação Continuada (BPC), que garante um salário mínimo a brasileiros com mais de 65 anos ou com deficiência e baixa renda, ressalta a urgência de reformular os programas sociais. Entre 2016 e 2025, o BPC foi a despesa com maior aumento médio real entre os gastos não financeiros do governo. Pelos cálculos otimistas da equipe econômica, custará R$ 153,3 bilhões aos cofres públicos em 2027, alta de 7,2% na comparação com 2026. Computando o reajuste recente do Bolsa Família, os dois principais benefícios assistenciais consumirão mais de 10% das despesas primárias da União no ano que vem.
O discípulo do Conde Koma, as eleições e a dimensão da crise do Supremo, por Luiz Carlos Azedo
Correio Braziliense
A poucos dias da eleição, a impressão de que
ministros estão à beira do pugilato encobre os fundamentos das decisões. Não há
risco de fraude eleitoral, mas há uma crise de confiança
Mitsuyo Maeda, o Conde Koma, nasceu no Japão em 1878 e fez da luta uma
profissão itinerante. Formado no judô de Jigoro Kano, percorreu países
demonstrando técnicas e enfrentando adversários de diferentes modalidades.
Chegou ao Brasil em 1914 e passou por Manaus em dezembro de 1915, com
apresentações no Teatro Polytheama. Seus desafios ajudavam a divulgar uma arte
marcial na qual técnica, equilíbrio e alavancas permitiam superar a força
bruta.
Cenas finais de um 1º turno estéril em propostas, por Fernando Exman
Valor Econômico
Primeiro turno se aproxima sem que os principais candidatos tenham detalhado o que farão em caso de vitória
A campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conseguiu nos últimos dias estancar os problemas que vinham se acumulando e, após semanas na defensiva, reequilibrou o jogo. Para aliados do petista, o freio de arrumação precisa continuar. E deve ser ainda mais intenso, se a direita repetir a arrancada final que costuma dar nas disputas presidenciais e o senador Flávio Bolsonaro (PL) passar para o segundo turno na dianteira.
Como dizem no mundo do futebol, Lula estava “encaixotado” pelo adversário. Em
outras palavras, estava bloqueado por uma marcação tática que o impedia de
trocar passes, avançar pelo campo e criar novas jogadas. Flávio tinha maior
posse de bola, dominando a pauta da campanha e neutralizando as investidas do
presidente.
Os estrategistas de Flávio sabiam que o plano do Palácio do Planalto era insistir no discurso de que Lula recebeu do ex-presidente Jair Bolsonaro um país destruído, com a máquina federal aos pedaços, e ao longo dos últimos anos conseguiu restabelecer as políticas públicas que haviam sido abandonadas. Com a casa arrumada, a reeleição então serviria como ponto de virada para um país melhor, com mais qualidade de vida e poder de compra para a população.
Quando a Igreja entra na mira, por Bernardo Mello Franco
O Globo
Documento cita ameaças e intimidações a
bispos católicos; início da ofensiva coincide com ano em que o clã chegou ao
poder
No último domingo, a cúpula da Igreja
Católica se viu arrastada para a guerra eleitoral. O candidato do PL ao
Planalto acusou integrantes da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil de
propagar mentiras para prejudicá-lo.
Sem apresentar provas, Flávio Bolsonaro disse
que “gente de dentro da CNBB” teria ajudado a disseminar o que ele chamou de
fake news sobre Nossa Senhora Aparecida. A fala viralizou nas redes e deu
início a uma série de ataques à entidade. Não foi a primeira vez.
Um estudo feito pela Comissão Brasileira de
Justiça e Paz lista 61 investidas contra a CNBB e seus bispos desde 2018. O
início da ofensiva coincide com o ano em que Jair Bolsonaro chegou ao poder.
Entre os detratores citados no relatório, estão influenciadores bolsonaristas, uma produtora de vídeos de extrema direita e políticos do PL, como Paulo Bilynskyj, Gil Diniz e Eduardo Bolsonaro. O documento deixa claro que os ataques ultrapassam a disputa de opiniões. Há casos de ameaças, intimidações e ofensas.
Eleição descamba para temas aleatórios, por Vera Magalhães
O Globo
Captura da campanha por assuntos inflados
artificialmente, como guerra religiosa que foi parar no STF, mostra falência da
política e esgotamento da atual polarização
Quando parecia que a eleição deste ano não
tinha como ficar mais distante dos problemas reais do país, ela foi dragada por
uma escalada sem pé nem cabeça que começou num boato sobre Nossa Senhora Aparecida
e terminou, como sempre e como tudo, no plenário do Supremo Tribunal Federal
(STF).
A guerra santa se fundiu à guerra aberta entre ministros da Corte, num epílogo que nem as mentes mais criativas poderiam imaginar para uma campanha em que as atenções estiveram muito mais voltadas à lista de favorecidos por um banqueiro preso por fraude financeira que às propostas para o futuro do Brasil.
Ideia de Lula de faltar a debate é arriscada, por Elio Gaspari
O Globo
Como não há ideias nem propostas, Nossa Senhora Aparecida ocupou o espaço vazio
Lula tende a não ir ao debate de quinta-feira
na TV Globo.
Com isso, o primeiro turno ficará sem debate entre os candidatos competitivos.
É pena, mas os nomes de uma terceira via tiveram meses para romper a barreira
de um dígito e não conseguiram. Essa monotonia fez da eleição presidencial um
evento burocrático, sem ideias, plataformas ou desafios. Lula 4.0 seria uma
continuação de Lula 3.0, que nada foi além dos Lulas passados. Há um candidato
do PT,
outro contra o PT, e estamos conversados.
A ideia de faltar a mais esse debate é arriscada. Numa eleição apertada como esta, a imagem da cadeira vazia pode ter um efeito desastroso mesmo para o segundo turno.
Nossa Senhora Aparecida que se cuide, por Vera Rosa
O Estado de S. Paulo
A guerra santa promovida após vir à tona uma
notícia falsa de que o candidato do PL, Flávio Bolsonaro, pretendia tirar de
Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil ressuscitou a batalha
entre duas alas do STF, às vésperas das eleições.
Não bastasse a campanha do primeiro turno estar chegando ao fim sem que os eleitores saibam as propostas dos candidatos para comandar o País pelos próximos quatro anos, agora os dois principais postulantes à Presidência têm um juiz para chamar de seu. Na prática, a agenda sobre o que precisa ser feito para impulsionar o desenvolvimento do Brasil foi sequestrada pelo escândalo do Banco Master e pela crise do STF.
O gênio das eleições, por Hélio Schwartsman
Folha de S. Paulo
Na reta final do primeiro turno, Lula parte
para o vale-tudo do populismo
Medidas testam limites do eleitor moderado,
que não tem tantas alternativas
O eventual eleitor institucionalista em busca
de argumentos para não votar em Lula
deparou-se com vários no último par de semanas. Como a lista é longa,
concentro-me nos dois casos mais gritantes de populismo
eleitoreiro.
O primeiro foi o reajuste de 15% nos benefícios do Bolsa Família, decretado a apenas 17 dias do primeiro turno. O problema aqui não é o conteúdo, mas o timing. Compensar o programa pelas perdas inflacionárias dos últimos anos sempre teve sentido, mas o governo Lula, por boas ou más razões, havia preferido não fazê-lo. O reajuste não constava da proposta de Orçamento para 2027 enviada ao Congresso pouco antes. Mas bastaram as pesquisas o colocarem num quadro eleitoralmente desafiador para ele agir.
O que muda de Jair Bolsonaro em 2018 para Flávio em 2026? Por Wilson Gomes
Folha de S. Paulo
STF enfraquecido, Trump e aprendizado
institucional tornam diferente um eventual novo ciclo bolsonarista
Em 2026, o projeto é mais legível e as
condições para executá-lo podem ser mais favoráveis
Em 2018, a rejeição ao PT, a ojeriza aos partidos e grupos que dominavam a política nacional, a sensação de que a vida havia parado de melhorar, os ventos internacionais favoráveis a um populismo radical de direita e, como decorrência disso tudo, uma vontade quase desesperada de mudança de rumo político levaram milhões de eleitores a conceder praticamente um cheque em branco a Jair Bolsonaro. Um candidato que, sabia-se então como se sabe hoje, exibia poucas, se alguma, das qualidades que normalmente se procuram em alguém a quem se pretende entregar o governo do país.
Um Inverno prolongado na política brasileira, por Vagner Gomes*
Foi naquele ano que o PMDB se tornou vitorioso em todo o país ao ponto da imprensa o comparar ao PRI do México (uma comparação que demonstrava o temor dos meios de comunicação de uma hegemonia em favor de um Estado de Bem Estar Social). A comparação se apresentou como equivocada, pois o Partido de Ulisses era uma grande frente de diversificadas tendências que tinham em comum a luta pela derrota política do atraso ao qual o país se entregou após 1964.
terça-feira, 29 de setembro de 2026
O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões
Dino faz uso político da Justiça
Por O Globo
Autorização para fake news sobre Nossa
Senhora e decisão de Gilmar sobre Bolsa Família atropelam TSE
Tem sido preocupante a politização das decisões eleitorais da Justiça. Na semana passada, espalhou-se a notícia falsa de que Flávio Bolsonaro, se eleito, tiraria de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. Era uma especulação descabida, que Flávio desmentiu de imediato. Ele entrou com representação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e, no mesmo dia, o ministro André Mendonça, vice-presidente da Corte, determinou a remoção de conteúdos das redes sociais. O ator e humorista Antonio Tabet recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF), quando o caminho institucional correto teria sido acionar o plenário do TSE. Já no domingo, o ministro Flávio Dino anulou decisão de Mendonça e, por motivação nitidamente política, liberou as publicações com a mentira, favorecendo a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Polêmicas entre Lula e Flávio têm limites nos votos consolidados, por Luiz Carlos Azedo
Correio Braziliense
Até domingo, a tendência mais consistente é a
de Lula preservar a dianteira no primeiro turno, com Flávio buscando reduzi-la
pelo voto útil. Mas precisa combinar com o eleitor.
Depois de semanas dominadas pela crise do Supremo, pelo caso Banco Master e pelo
confronto entre Lula e Flávio Bolsonaro sobre corrupção e democracia, as
pesquisas Quaest e a Nexus divulgadas nesta segunda-feira, 28, mostram que, ao
menos em parte, as duas controvérsias mais recentes, a medida provisória que
proibiu as bets e o boato sobre Nossa Senhora Aparecida, favoreceram o
presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O petista manteve a vantagem no primeiro
turno e empata no segundo com Flávio Bolsonaro.
Na Quaest, Lula passou de 37% para 39%, e Flávio, de 33% para 34%. A Nexus
registrou 42% para o presidente e 37% para o senador, ante 40% e 37% na rodada
anterior. Os dois levantamentos indicam uma ampliação numérica da dianteira de
Lula no primeiro turno. As mudanças individuais, contudo, são pequenas diante
das margens de erro e não demonstram que uma polêmica específica tenha
produzido o movimento. Num eventual segundo turno, a Quaest mostra 42% para
cada candidato; a Nexus, 46% para Lula e 44% para Flávio, também em empate
técnico.
O destino do país vai às urnas, por Roberto Amaral*
Lincoln ressalta que o golpe militar “não foi [só] contra um governo constitucional, eleito pelo povo, mas contra o Brasil como nação que aos trancos e barrancos se estruturava para promover o arranco desenvolvimentista conjugado com as Reformas de Base”. Foi tudo isso, mas foi ainda mais: para além dessa tragédia, fez por terra um processo democrático então caracterizado pela crescente ascensão das forças populares e pelo esforço coletivo para dar fim à miséria.
É preciso lembrar e relembrar a herança de 21 anos de uma ditadura luciferina, que não só desterrou as liberdades civis e políticas, não só fechou o Congresso e aviltou o Poder Judiciário, como impôs o terror, tanto o terror cultural a que se referia Alceu Amoroso Lima quanto o terror das prisões, da tortura e dos assassinatos ainda sem conta fechada.
As dúvidas da reta final, por Míriam Leitão
O Globo
A pouco dias da eleição, as pesquisas mostram
dois candidatos à presidência empatados, mas com os blocos de eleitores se
movendo
Dentro de cinco dias estaremos diante da urna
eletrônica e o que a democracia nos oferece é uma enorme avenida. Escolher o
próximo presidente, renovar dois terços do Senado, eleger os deputados da
Câmara Federal, das assembleias legislativas e os governadores. Com a campanha
curta, e drenada por temas estranhos à natureza da escolha, as pesquisas nos
mostram um país em que dois candidatos ao Planalto estão empatados, mas com
blocos de eleitores se movendo. A pesquisa Quaest, encomendada por este jornal,
traz informações relevantes, só que ainda há muitas dúvidas.
A sondagem foi melhor para Lula do que para Flávio Bolsonaro em dois pontos cruciais. Aumentou de 5 para 11 pontos percentuais a vantagem de Lula sobre Flávio no eleitorado feminino. Eu disse aqui, colunas atrás, que o presidente estava perdendo essa dianteira no eleitorado feminino, e as mulheres foram decisivas na vitória de Lula em 2022. Isso se reverteu. Outra boa notícia para Lula é a redução da distância que ele estava de Flávio Bolsonaro na região Sudeste, que concentra 42% do eleitorado brasileiro e tem os três maiores colégios eleitorais do Brasil, São Paulo, Minas e Rio de Janeiro. A diferença há uma semana era de seis pontos, agora caiu para dois: 35% para o candidato do PL, 33% para o petista.
Dias finais, por Merval Pereira
O Globo
O maior perigo que corremos, como nação
laica, é cairmos na guerra religiosa, que nunca foi parte das campanhas
políticas.
Os últimos dias de campanha trazem novas discussões, mais debates estéreis, mas nada de propostas para o futuro do país. Discute-se se o voto útil funcionará para evitar um segundo turno — parece improvável — ou se Nossa Senhora Aparecida deixará de ser a padroeira do Brasil. Perde-se tempo numa guerra religiosa que não deveria nem ser cogitada, quanto mais disputada. O maior perigo que corremos, como nação laica, é cairmos nesse tipo de embate, que nunca foi parte das campanhas políticas, a não ser em casos pontuais e não institucionais.
A grande aposta de Lula, por Fernando Gabeira
O Globo
Apesar dos grandes julgamentos e de todas as
críticas midiáticas, o bolsonarismo resistiu
Ao proibir as bets nove dias antes do
primeiro turno, Lula
fez sua maior aposta. Muitos observadores consideram grandes suas chances de
êxito. As pesquisas mostram que a maioria condena apostas on-line. Grande
número de mulheres pode decidir o voto a partir dessa medida.
É impossível cravar cientificamente qual será o resultado das eleições de domingo. O universo do futebol foi atingido. Lula fez menção ao Flamengo; a torcida não gostou. Enfim, há muitos fatores a analisar.
O lobo, por Pedro Doria
O Globo
O regime parece ter perdido a capacidade de
se regenerar. De se aperfeiçoar
Entre novembro e dezembro de 2022, o pai do senador Flávio Bolsonaro (PL) dedicou boa parte de seu tempo a convencer os comandantes do Exército e da Aeronáutica a dar um golpe militar em seu nome. Não é uma hipótese. É um fato histórico documentado. Foi o que disseram em depoimento à Polícia Federal e ao Supremo o general Marco Antônio Freire Gomes, que estava no topo da hierarquia do Exército, e o brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Junior, seu par na Força Aérea. Baptista Junior é autor do livro “Eu disse não”, que conta justamente os detalhes daqueles dias, publicado neste mês pela Autêntica. E, no entanto, quando a pesquisa Meio/Ideia perguntou aos brasileiros em março sobre o tema, 39% disseram acreditar que o golpe fora tentado por Jair Bolsonaro; 54% falaram que não acreditam. Foi a última vez em que uma pesquisa nacional tratou do tema. Nesta semana, à medida que entramos na reta final do primeiro turno destas eleições, as pesquisas mostram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no que, essencialmente, é um empate com Flávio. Pode dar qualquer coisa.
O cálculo de risco que esvaziou o debate, por Maria Cristina Fernandes
Valor Econômico
Presença ou ausência do debate é um perde-perde, mas Lula avaliou que, na segunda opção, perderia mais
“Vou fazer uma pergunta e eles vão passar
meia hora batendo em mim. Vou fazer mais outra pergunta e vai ser mais meia
hora só apanhando”. Ao final, os adversários teriam uma coleção de cortes
contra si e ele, a imagem de acuado. Foi assim que o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva expressou a seus principais assessores, no fim de semana, sua
resistência em ir ao debate de quinta na TV Globo. Prefere ir apenas no 2º
turno, mas ainda não deu resposta.
A campanha de Renan Santos (Missão) passou a alimentar a expectativa de que, na ausência de Lula, seria chamado. Neste caso, a dúvida é se o senador Flávio Bolsonaro (PL) manterá a decisão de ir, já anunciada. Pode vir a se tornar o principal alvo, a começar por Renan, o mais agressivo da disputa, mas perderia a oportunidade de acusar Lula de fujão.
IA e o futuro do trabalho no Brasil, por João Saboia*
Valor Econômico
Algumas ocupações serão simplesmente extintas, enquanto outras serão transformadas e novas ocupações serão criadas
Há um temor generalizado no mundo sobre as
transformações que a inteligência artificial (IA) poderá trazer ao mercado de
trabalho nos próximos anos. O Brasil não foge a essa visão pessimista. Que tipo
de empregos serão eliminados? Em que quantidade? Como e quantos serão os novos
empregos gerados? E naqueles que sobreviverão, que mudanças serão realizadas
nas atividades desenvolvidas? Em resumo, há mais dúvidas que certezas na medida
em que a IA vai se disseminando no interior da economia.
Embora reconhecendo que a IA possa trazer grandes transformações e sérios problemas no mercado de trabalho, vamos desenvolver no artigo de hoje uma visão relativamente otimista sobre esse tema dentro do contexto de nosso país.
A Constituição do Super-Homem, por Renato Janine Ribeiro
Folha de S. Paulo
Carta determinou que presidente da República
articule os Poderes
Impeachment de Dilma e emendas, contudo,
esvaziaram o alcance de suas ações públicas
A Constituição
Federal de 1988 —seguramente, a melhor da história brasileira, a mais
democrática, que tirou os direitos humanos da entrada de serviço para
colocá-los na entrada social— trouxe uma grande dificuldade para o presidente
da República.
Se no anterior período, ditatorial, ele tinha inúmeros poderes, agora precisa ser um Super-Homem: cabe-lhe articular os Poderes, o Legislativo e o Judiciário, que tinham sido castrados na ditadura militar, bem como os estados, que corretamente retomaram sua autonomia, e ainda os municípios, que foram a chave da construção de nossa sociedade e obtiveram em 1988 uma autonomia constitucional que antes não tinham.
Eleições ao Senado: desprezadas, fundamentais e imprevisíveis, por Alvaro Costa e Silva
Folha de S. Paulo
A expectativa é de uma apuração cheia de
suspense e com reviravoltas na reta final
Casa legislativa deverá sediar os grandes
embates e as grandes crises do próximo governo
A maioria dos eleitores ainda não sabe citar
espontaneamente o nome de um candidato ao Senado.
E olha que neste ano, com a renovação de 2/3 da casa legislativa, serão dois
números a digitar.
É o resultado de um processo eleitoral engessado que privilegia, em primeiro lugar, a corrida pela Presidência e, em seguida, os governos estaduais. A expectativa de uma apuração cheia de suspense e de surpresas no pleito ao Senado é enorme, a depender das escolhas de última hora. Ou de escolha nenhuma, com o voto sendo anulado.
Lula e o PT não ouviram o bom conselho da autocrítica, por Dora Kramer
Folha de S. Paulo
Campanha da reeleição chega à reta final
míope aos erros e sem conseguir atingir o ponto de virada
Populismo pode surtir efeito, mas não apaga a
fadiga com a longevidade de um presidente no poder
Pleito batendo à porta, a campanha da
reeleição ainda está no modo
"onde foi que erramos?", sem conseguir chegar ao ponto de
virada. Houve um equívoco de origem que Luiz Inácio da Silva e o PT não cometeram sozinhos.
A quase totalidade do mundo político e adjacências compartilhava a visão de que Flávio Bolsonaro (PL) seria presa fácil, escolhido pelo pai para manter o nome da família na roda. Era essa a impressão que davam os telhados de vidro e a falta de lastro do moço.
A santa, a Justiça e as mentiras, por Hélio Schwartsman
Folha de S. Paulo
Campanhas não hesitam em abraçar fake news
que as favoreçam
Embate entre Mendonça e Dino amplia
descrédito do Judiciário
"Ele pode ser um f.d.p., mas é o nosso
f.d.p.", teria dito
Franklin Roosevelt sobre o ditador nicaraguense Anastasio Somoza.
Algo parecido vale para a desinformação eleitoral.
O bolsonarismo, que se esmerou em espalhar notícias falsas sobre o kit gay na campanha de 2018 e sobre o fechamento de igrejas por Lula em 2022, correu para o TSE para pedir a derrubada de postagens, turbinadas pelo lulismo, que falam de uma suposta intenção de Flávio Bolsonaro de cassar o estatuto de Nossa Senhora Aparecida de santa padroeira do Brasil.
Nossa Senhora, salve o Brasil! Por Eliane Cantanhêde
O Estado de S. Paulo.
Só falta ministros irem para o STF de vermelho ou enrolados nas bandeiras de Brasil, EUA e Israel
A contagem regressiva do primeiro turno já
começou, num cenário estável e com o presidente Lula cinco pontos à frente do
senador Flávio Bolsonaro na Quaest, mas só se fala sobre o STF, onde a
polarização eleitoral domina tudo e todos e corrói ainda mais a imagem da
Corte. É como se só os seus dez votos fossem eleger o novo presidente.
Nas ruas, não se veem bandeiras, cartazes ou carros paramentados, sejam pró-Lula, sejam a favor de Flávio, numa das eleições mais frias e desanimadas de que se tem notícia. Mas, no Supremo, a equipe da campanha de Lula só falta se vestir de vermelho, com estrela no peito, e a de Flávio, a qualquer hora, aparece enrolada nas bandeiras de Brasil, EUA e Israel.
A escola xandônica, por Carlos Andreazza
O Estado de S. Paulo
André Mendonça vestiu-se de Xandão e, pois, censurou. A porteira estava aberta; a estrada, pavimentada. Será sempre por boa causa – contra a “reprodução sucessiva” de mentira. Na origem, havia uma mentira. E logo haveria a proibição genérica de referências à Nossa Senhora Aparecida. O gênio que não voltará mais à lâmpada é esse.
Mendonça censurou com base em jurisprudência do TSE; aquela, aplaudida, aclamada mesmo, por meio da qual – para além de se derrubar publicações – cassaram-se contas em redes sociais. Bloqueou-se uma rede social no Brasil – em defesa da democracia.
segunda-feira, 28 de setembro de 2026
O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões
Existem boas ideias na educação — só falta espalhá-las
Por O Globo
Resultado do Pisa mostra que aluno valoriza
os professores e costuma receber atenção deles
Nem tudo é má notícia na educação brasileira. Pelo menos a motivação dos professores é valorizada pelo aluno, como constatou a última edição do Pisa, a avaliação internacional promovida pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE). No ano passado, 82% dos estudantes avaliaram positivamente seus professores, mantendo o patamar verificado em 2015 (81%). Para 78%, os docentes persistem até que o aluno entenda a lição. E 76% afirmam receber ajuda adicional, fora do tempo de aula, para compreender a matéria. Nesses quesitos, os alunos brasileiros tiveram desempenho melhor ou comparável aos da OCDE.
Sobre a (in)constância da humanidade atual, por Aldo Paviani*
Correio Braziliense
As sociedades que se encontram dentro da
curva de crescimento possuem visão de futuro: traçam caminhos, planejam e
realizam seus projetos. Já as que estão fora dela aplicam a máxima "o
futuro a Deus pertence"
A humanidade atravessa um período de profundas alterações estruturais e de processos, impulsionadas, em parte, pelas transformações no perfil populacional e sociocultural. O volume demográfico de diversas regiões tem se modificado, assim como a representação de gênero. As mulheres vêm ocupando papéis cada vez mais proeminentes na estrutura populacional, tanto em âmbito regional quanto nacional. A Região Centro-Oeste, por exemplo, segundo o IBGE, é atualmente composta por 52% de mulheres e 48% de homens. Espera-se, portanto, que elas assumam um protagonismo crescente não apenas na manutenção das famílias, mas na ocupação de cargos de liderança na sociedade, uma das principais pautas sociais do momento. Todavia, o aumento simultâneo da violência contra a mulher sugere que parcelas da sociedade ainda reagem de forma brutal a essas mudanças sociofamiliares.
Medida tem apelo, mas não contorna problema do endividamento, por César Felício
Valor Econômico
A motivação eleitoral da proibição das bets
no Brasil, decidida na sexta-feira pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, é
óbvia.
Pelo menos duas pesquisas mediram nos últimos
meses a adesão a uma proibição total das apostas online e a maioria absoluta se
mostrou favorável à interdição. Na mais detalhada delas, da Ideia, de julho,
56% dos entrevistados concordaram com a proibição.
Um sinal do apelo da medida é o fato de que o
principal rival do presidente, o senador Flávio Bolsonaro (PL), tachou a medida
de “eleitoreira, hipócrita, populista”, mas ao mesmo tempo ponderou: “sempre
fui contra os jogos”.
Renan Santos (Missão), em vídeo, procurou desqualificar a iniciativa como pouco efetiva. “Vou dizer exatamente o que vai acontecer: a Medida Provisória vai caducar. É só uma medida eleitoreira.” Frisou ser contra jogos.
Golpe de misericórdia ou tarde demais? Por Bruno Carazza
Valor Econômico
Medidas poderosas a poucos dias do primeiro
turno testam a capacidade de Lula de obter um quarto mandato
Na Zona Leste de São Paulo, a jornalista
Renata Lo Prete, apresentadora do Jornal da Globo, pergunta a um grupo de três
mulheres empregadas num salão de beleza: “O que motiva vocês a trabalharem
tanto?” Sem pestanejar, a manicure Janine Mendes Pereira responde: “As dívidas!”
Segundo o Mapa da Inadimplência do Serasa
Experian, o Brasil tinha em agosto 83,9 milhões de pessoas com o CPF negativado
por pagamentos em atraso. Isso representa 51% da população adulta brasileira,
mas em algumas unidades da Federação esse índice é ainda mais preocupante, como
Mato Grosso do Sul (60,9%), Amazonas (61,2%), Distrito Federal (63,2%) e Amapá
(64,9%).
Trata-se de um problema de longa data, mas que se agravou no mandato do presidente Lula. Prova disso é que quatro anos antes, ainda no governo de Jair Bolsonaro, havia 68 milhões de inadimplentes - um quantitativo já bastante expressivo, embora 19% menor do que o atual.
Eleitores entre o velho e o retrógrado, por Carlos Pereira
O Estado de S. Paulo
Com Bolsonaro ou Lula, Brasil vira as costas
para o futuro ao ver a eleição cair em uma armadilha
Daqui a uma semana, o Brasil vai às urnas para celebrar o décimo episódio consecutivo de eleições livres, limpas e competitivas. Por si só, esse já deveria ser motivo de regozijo. Afinal, preenchemos com sobra os requisitos de uma democracia consolidada: incerteza sobre quem vencerá antes de o jogo acabar, certeza de que o vencedor governará e repetição do jogo em calendário estável e regular, com alternância de poder.
O paradoxo é que uma democracia que aprendeu a repetir o jogo parece ter desaprendido a renovar suas escolhas. Em vez de uma disputa entre agendas distintas para o futuro, a maioria dos eleitores brasileiros se vê diante de uma armadilha eleitoral: escolher entre o velho e o retrógrado.
O Brasil que vai votar cansado, por Preto Zezé
O Globo
A mesma pessoa que quer ordem quer proteção
social. O mesmo eleitor que votou num lado já votou no outro
No Acre, uma mulher me contou uma cena do
mercado. O filho pequeno colocou um chocolate no carrinho. Ela teve que tirar.
A criança chorou, e ela precisou explicar que não dava para pagar tudo, que
naquele mês era só o básico. Nenhum debate na TV tem essa cena. E ela resume o
Brasil que vai às urnas no dia 4.
Nas últimas semanas, estive em Brasília, Acre, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro e Nordeste. Realidades e sotaques diferentes, problemas que mudam de nome. Mas uma palavra atravessou quase todas as conversas: cansaço. E é esse eleitor cansado quem decidirá a disputa.
A crise vai da economia à política, por Carlos Alberto Sardenberg
O Globo
O quadro piora em 2027. Nesta reta final de
campanha, o governo tem tomado medidas que aumentam o gasto
Não será por falta de aviso. A economia tem
dado seguidos sinais de piora há algum tempo, mas a semana passada foi
especial. No sentido negativo. A inflação voltou a subir forte, os números
indicando que deverá terminar o ano mais perto dos 5%, acima do teto da meta.
Segundo dados do IPCA-15 de setembro, ficaram mais caros dois itens que
impactam diretamente o orçamento das famílias: energia elétrica e alimentação.
No quesito das contas públicas, a equipe econômica finalmente admitiu o que analistas independentes mostram há meses: haverá déficit neste ano, de novo. Isso apesar de a arrecadação de impostos continuar quebrando recordes. Em agosto, a receita alcançou R$ 235,5 bilhões, o melhor resultado para o mês em toda a série histórica. De janeiro a agosto, o governo federal arrecadou R$ 2,1 trilhões, um ganho real (descontada a inflação) de 7,12% sobre o mesmo período do ano passado.
A metástase institucional do caso Master, por Marcus André Melo
Folha de S. Paulo
O passivo de ilícitos passa a sobredeterminar
as relações entre os três Poderes e vira moeda de troca
Presidentes, ministros e parlamentares agora
calculam também os riscos de exposição e retaliação
As revelações mais recentes sobre Davi
Alcolumbre acrescentam uma dimensão ainda mais grave à crise
política atual. Seu comportamento podia ser explicado, em larga medida, pela dinâmica
institucional de um presidente hiperminoritário diante de um Legislativo
hostil. Nessa interpretação, Alcolumbre seria essencialmente o agente
representativo de uma maioria parlamentar.
Essa explicação institucional não é falsa. Tornou-se, porém, claramente insuficiente.







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