Folha de S. Paulo
A expectativa é de uma apuração cheia de
suspense e com reviravoltas na reta final
Casa legislativa deverá sediar os grandes
embates e as grandes crises do próximo governo
A maioria dos eleitores ainda não sabe citar
espontaneamente o nome de um candidato ao Senado.
E olha que neste ano, com a renovação de 2/3 da casa legislativa, serão dois
números a digitar.
É o resultado de um processo eleitoral engessado que privilegia, em primeiro lugar, a corrida pela Presidência e, em seguida, os governos estaduais. A expectativa de uma apuração cheia de suspense e de surpresas no pleito ao Senado é enorme, a depender das escolhas de última hora. Ou de escolha nenhuma, com o voto sendo anulado.
O Senado deverá sediar os grandes embates (e
as grandes crises) do próximo governo. Pauta do momento, a deliberação sobre o
impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal já estava na mira de Jair
Bolsonaro antes de ele ser preso. O ex-presidente negociou com o Partido
Liberal o poder de indicar candidatos em diversos estados.
A ideia era formar uma maioria capaz de
confrontar o Supremo, especialmente depois do julgamento da trama golpista. As
denúncias do envolvimento de ministros no esquema picareta de Daniel Vorcaro
deram novo impulso à estratégia. Segundo o Datafolha, 34% dos eleitores afirmam
que a chance de votar em um candidato aumenta se ele apoiar o impeachment.
Em São Paulo, o Datafolha mostra o empate
entre Marina Silva
(15%), Simone Tebet
(14%), Guilherme Derrite (12%) e André do Prado (12%). Os dois últimos acabam
de ser beneficiados com o apoio de Ricardo Salles (4%), que desistiu de
concorrer. Marina se posiciona contra "os homens tóxicos". Tebet
aposta no cenário nacional: "Temos o risco de colocar a milícia na
Presidência da República".
A mesma incerteza se verifica no Rio de
Janeiro, com tradição de reviravoltas na reta final. A novidade é a liderança
de Benedita da Silva (19%), único quadro do PT com expressão no
estado. Cinco candidatos aparecem em empate técnico: os bolsonaristas Carlos
Jordy (12%) e Carlos Portinho (12%), Pedro Paulo (9%), Marcelo Crivella (7%),
Mônica Benício (6%). Com a força do voto evangélico, Crivella pode crescer.
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