quinta-feira, 29 de outubro de 2026

Êxito além-fronteiras, por Maria Hermínia Tavares

Folha de S. Paulo

Reeleição de Lula tem ao menos três efeitos de importância internacional

Brasileiros provaram ser possível vencer a extrema direita votando livremente

Imprevisível, inédita e inquestionável, a reeleição do presidente Lula tem efeitos positivos mais vastos do que a auspiciosa derrota do que há de pior na política brasileira. Três deles, ao menos, possuem dimensão internacional e potencial para fortalecer a presença externa do Brasil.

O primeiro é que a amazônia escapou do previsível avanço da degradação, patrocinado pelo negacionismo em aliança com o crime. A proteção da floresta continua a ser um problema maiúsculo de interesse global. Seu enfrentamento requer do governo clareza de objetivos; capacidades estatais acrescidas; recursos utilizados com sabedoria; cooperação internacional; e inteligência política para dialogar e arbitrar interesses legítimos e conflitantes: populações indígenas e tradicionais; produtores rurais; pecuaristas; mineradores legalizados; a numerosa população que vive em suas cidades.

A diferença entre direita e esquerda, por Marcelo Rubens Paiva

Folha de S. Paulo

Um lado vê a desigualdade como um problema a ser enfrentado pela ação do Estado

O outro prefere um Estado mínimo, com as pessoas cuidando da sua segurança, saúde e educação

Na semana da eleição, um grupo de 50 estudantes do segundo ano do ensino médio, de cinco escolas paulistanas, queria que eu explicasse o que era direita e esquerda. Votariam pela primeira vez.

Formaram um círculo de cadeiras de plástico brancas no salão de festas do meu condomínio. Sei que aqui tem alunos de direita, ou que a família é de direita, e respeito a convicção de cada um de vocês, comecei.

Isso é democracia. Aliás, se fosse na ditadura militar, esta reunião jamais seria possível. O zelador ou o síndico chamaria a polícia, seríamos presos e talvez torturados, contei.

A fuga do amarelão, por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

Não faltam sinônimos para definir Flávio Bolsonaro como covarde e mentiroso

Os braços musculosos sob a camiseta amarela são incapazes de encarar a lei

Qual você prefere? Amarelão, covarde, medroso, pusilânime, frangote, maricas, desertor, foragido, poltrão, peidão, pipoqueiro, frouxo, trêmulo, borrão, arregão? Ou, numa palavra, cagão —digo, fujão? Se você for um dos meus fiéis leitores bolsonaristas ou um dos 59.826.041 eleitores que cravaram o número de Flávio Bolsonaro na urna neste domingo (25), a escolha é farta. Todas definem o caráter do homem que, não fosse por outros 64.256.232 brasileiros, poderia ser agora o presidente da República. Derrotado e sujeito a investigação e processo por uma quantidade de acusações —a escolha também é farta—, preferiu escafeder-se a enfrentar a Justiça. Onde está o machão que ele fingia ser?

Entrevista | Alberto Aggio – El Clarin – 28 de Outubro de 2026

Em entrevista de Alberto Aggio concedida a Edison Ortiz, historiador e organizador cultural chileno, e publicada no El Clarin (Chile, 28.10.2026). Na entrevista se registram as interpretações do historiador sobre as razões e os eixos de mobilização que marcaram a vitória eleitoral de Lula e os desafios que se abrem doravante. Para Aggio, não há duvida de que a vitória de Lula foi um resgate, em novos termos, do que vem significando, apesar de muitos descaminhos e insuficiências, a construção da democracia, que agora se vê fortalecida.

Presidente do PT, Edinho Silva, explica estratégia do governo Lula para a segurança pública - Globonew

 

Poesia | Hoje que a tarde é calma e o céu tranquilo, de Fernando Pessoa

Hoje que a tarde é calma e o céu tranquilo,

E a noite chega sem que eu saiba bem,

Quero considerar-me e ver aquilo

Que sou, e o que sou o que é que tem.

Olho por todo o meu passado e vejo

Música | Paulinho da Viola - Timoneiro