Política e cultura, segundo uma opção democrática, constitucionalista, reformista, plural.
segunda-feira, 5 de outubro de 2026
domingo, 4 de outubro de 2026
O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões
Democracia brasileira demonstra vigor
Por O Globo
Brasileiros irão pacificamente às urnas votar
para presidente pela décima vez consecutiva
Algo de revigorante acontecerá hoje para a democracia brasileira: enquanto os candidatos e coligações que disputam votos se dilaceram, muitas vezes com ataques de baixo nível, os eleitores demonstram maturidade. O que se verá hoje nas seções eleitorais não pode ser confundido com apatia. É um eleitorado pacífico, ordeiramente em fila para fazer sua escolha. O comportamento estridente da classe política contrasta com a maturidade dos brasileiros, demonstração inequívoca da força deste que é o período democrático mais longevo do país. São dez eleições presidenciais consecutivas — e a democracia resiste.
Sobrenatural de Almeida, campanha na palma da mão e voto na ponta do dedo, por Luiz Carlos Azedo
Correio Braziliense
A rejeição pode motivar o voto útil, mas isso
não assegura uma decisão ainda hoje, quando “memes” e “deepfakes” chegarão ao
auge na disputa pela Presidência
O primeiro turno das eleições chega ao momento decisivo, hoje, com campanhas de
“boca de urna” proibidas nas ruas, mas com disputas intensas pela Presidência,
pelos governos estaduais e pelo Senado por meio das redes sociais. Parte da
mobilização migrou das praças para os celulares, ou seja, para a palma das
mãos, uma tendência que já vinha se demonstrando desde as eleições de 2018. A
novidade é a intensa utilização da inteligência artificial, seja nas campanhas
oficiais, seja na produção de memes e fake news nas redes sociais.
É possível dar bom-dia à democracia hoje? Por Dorrit Harazim
O Globo
Numa eleição da magnitude da atual, não há
mais espaço para o opcional. Após um hiato de quatro anos, o Brasil se vê
novamente às turras
‘Bom dia, democracia. Como é lindo o teu rosto’, postou no 2 de janeiro o imortal da Academia Brasileira de Letras Marco Lucchesi. Assim começava a coluna aqui publicada sobre a posse de Luiz Inácio Lula da Silva como presidente eleito do Brasil dois meses antes. Embora fosse a terceira subida de rampa do candidato do Partido dos Trabalhadores, a apertadíssima vitória sobre o incumbente Jair Bolsonaro (1,8% dos votos) retratava a fenda trevosa que continuaria a dividir o Brasil. Não deu outra: o novo governo mal havia se instalado quando ocorreu a delirante tentativa de golpe do 8 de Janeiro, com o consequente julgamento e condenação do derrotado insurgente a 27 anos e três meses de prisão em regime fechado.
O desafio de Lula na hora da decisão, por Bernardo Mello Franco
O Globo
Sob pressão, presidente precisa convencer
descontentes de que mudança pode ser para pior
Foi há 20 anos, quando a Itália venceu sua
quarta Copa do Mundo. Encerrado o torneio, o saudoso Fernando Vannucci saudou a
campeã e fez um discurso inflamado sobre o fiasco da seleção brasileira. “É
hora da gente mudar... ou mudar de vez. Vamos colocar o castelo de areia
abaixo!”, conclamou.
As redes sociais ainda engatinhavam, mas a
transmissão de 2006 virou meme instantâneo. Circula até hoje na internet, onde
vídeos antigos ganham novos significados, inspiram piadas, alimentam outros
debates.
No esporte e na política, mudar tudo é uma ideia poderosa. Derrubar o castelo soa mais tentador do que reformá-lo. É mais fácil destruir do que consertar as telhas, trocar as janelas, reparar os canos gastos pela ferrugem.
A jornada do voto e os riscos atuais, por Míriam Leitão
O Globo
Eleitores decidirão o destino do país, e não
só os próximos quatro anos. O autoritarismo e o alinhamento acrítico aos EUA
são riscos que não podemos correr
Quando minha mãe nasceu, mulher não votava. O direito eleitoral feminino é recente. O voto é novo no Brasil. Há apenas 37 anos, o Brasil voltou a escolher livremente o presidente e os governadores, após a longa interrupção imposta pela ditadura. Apesar de as eleições terem se tornado rotina desde a redemocratização, não podemos perder de vista como é valioso o direito que hoje podemos exercer. No fim deste domingo, 4 de outubro, o país terá escolhido dois terços do Senado, toda a Câmara dos Deputados, todas as Assembleias Legislativas e vários chefes do Executivo. A composição do Senado definirá o perfil do Supremo Tribunal Federal que teremos. Será um Supremo capaz de corrigir seus erros ou ele será capturado para o projeto autoritário que um dia combateu?
Sem utopias, por Merval Pereira
O Globo
Votaremos este ano sem ânimo, sem utopias, sem esperança de melhoras. No máximo, tentaremos evitar nas urnas que o candidato que consideramos pior prevaleça.
Em 2022 o Supremo Tribunal Federal (STF) teve papel relevante, garantindo a democracia antes, durante e depois da campanha presidencial. Interveio até mesmo no dia da eleição, quando bloqueios ilegais nas estradas pretendiam impedir que eleitores nordestinos, majoritariamente lulistas, chegassem às urnas para votar. Hoje, o mesmo Supremo Tribunal Federal está mais uma vez envolvido com a eleição, mas do outro lado da mesa, não como mantenedor da ordem e da democracia, mas como fator de desestabilização eleitoral, interferindo indevidamente a favor do presidente Lula, que busca a reeleição.
Os Safras, história de um banco, por Elio Gaspari
O Globo
Eram três
irmãos — Edmond, José e Moise — que criaram a empresa com o sobrenome da
família. Triunfaram, brigaram (ao seu estilo), viram-se metidos num crime
Está nas livrarias “Os Safras — Uma história”, do
repórter Robson Viturino. Conta a trajetória do banco Safra. Tremenda história.
Eram três irmãos — Edmond, José e Moise — que criaram um banco com o sobrenome
da família. Triunfaram, brigaram (ao seu estilo), viram-se metidos num crime,
no qual morreu Edmond.
Em 2015, José Safra era o banqueiro mais rico do mundo. Batia os Rothschild, Warburg, Morgan, Goldman, Rockefeller, Setúbal e Moreira Salles. Tudo isso com um jeito simples e discreto, em pouco mais de 50 anos.
Não importa quem vença, o Centrão vai mandar e o STF estará em maus lençóis, por Eliane Cantanhêde
O Estado de S. Paulo
É bastante improvável que a eleição presidencial feche já no primeiro turno; as incertezas e tensões vão persistir para além da noite de domingo
Nunca antes na história deste País as eleições chegam ao fim
tão indefinidas, tensas e com o Supremo
Tribunal Federal roubando a cena, soterrado por erros e críticas. Ganhe
quem ganhar a Presidência, as únicas certezas são que o Judiciário estará na
mira e que o Centrão vai continuar poderoso, dominando o Legislativo e
controlando o Executivo.
Quem ganha neste domingo? É certo que o “segundo pelotão”, com Ronaldo Caiado, Romeu Zema, Augusto Cury e Renan Santos, mal deve chegar a 10% dos votos válidos e só dois candidatos têm chance de vitória, o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro. No mais, tudo continua incerto.
Eleições 2026: Um bom pedaço do atual regime de poder está em jogo, por William Waack
O Estado de S. Paulo
Número de senadores de oposição e a diferença
entre Lula e Flávio Bolsonaro dirá qual é a capacidade desse grupo de conduzir
a política
O mais atrevido esforço de parte da
burocracia estatal em dirigir o resultado de um pleito terá já no domingo uma
boa apreciação da eficácia de seus esforços. A combinação de número de
senadores de oposição e a diferença no primeiro turno entre Lula
e Flávio
Bolsonaro dirá qual é a capacidade desse grupo de conduzir a política.
Já se enxerga o considerável tamanho do erro político, por parte da ala de força dentro do STF, em fundir a crise interna da instituição com o resultado de uma eleição. Ela dispõe de instrumentos de coerção contra adversários internos, especialmente o comando sobre parte relevante de aparatos de segurança como a Polícia Federal. Mas tem bem menos capacidade de controlar os grandes fatores que pesam na formação do voto.
Em quem você vai votar em 2030? Por Vinicius Torres Freire
Folha de S. Paulo
Mais do que candidatos, faltam novas forças e
coalizões sociais para renovar a política
Até agora, grupos que apareceram no cenário
político apoiam projetos reacionários
Na véspera do primeiro turno deste 2026,
pelas mídias sociais se viam cartazes criados por IA dos candidatos a
presidente de 2030: Flávio Dino,
ministro do STF,
contra Tarcísio
de Freitas, governador de São Paulo.
Sim, 2030 começou faz tempo. Não prestamos atenção.
Os próximos anos
serão de dificuldades econômicas. A depender do resultado de 2026, é
possível que venham a ser também de angústia política, sendo incertas
as condições de disputa da eleição de 2030, se com degradação democrática
maior ou total.
Sabe-se que Luiz Inácio Lula da Silva não
vai disputar o cargo de presidente em 2030. Nas direitas, caso o bolsonarismo
defina a candidatura principal, está longe de certo que Tarcísio ou equivalente
seja o candidato. Ainda que apareçam presidenciáveis pela esquerda, no momento
é difícil acreditar que o PT adote candidato de fora.
Ao menos desde 2002, o PT é o centro da política partidária. Alguma variante de antipetismo definiu a outra força maior. Desde 1994, o PT mais e mais se limitou a lulismo e Lula. Lideranças escasseiam faz tempo.
Caro leitor de direita, por Celso Rocha de Barros
Folha de S. Paulo
Se você votar em candidatos bolsonaristas,
recompensará quem montou o esquema Master
Se Flávio Bolsonaro perder essa, em 2030
haverá opções melhores
Leitor de direita, a grande mídia está
mentindo para você, não para te sacanear, mas para puxar teu saco.
Grande parte do público que paga por notícia
ou tem dinheiro para comprar os produtos dos anunciantes da grande mídia está
nas classes média e alta.
Historicamente, a classe alta tem maior
probabilidade (mas não igual a cem por cento) de votar em candidatos do centro
para a direita.
A classe média é um caso mais complexo, mas,
nos últimos anos, também tendeu para candidatos do centro para a direita.
Nenhum dos pobres que podem eleger Lula esse domingo
paga por notícia.
Isso quer dizer que, para não perder as classes que pagam por notícia como público, a grande mídia tem um medo desproporcional de desagradar a direita.
País vai às urnas refém do conflito surdo e radical, por Dora Kramer
Folha de S. Paulo
A política deixou de ser a arte de construir
consensos para se tornar a fonte de impasses sem resultados
O jeito de escapar da armadilha é a retomada
da obediência a regras e papéis legalmente estabelecidos
O Brasil vai
às urnas neste domingo (4) refém da armadilha criada pela batalha de
aversões e afeições em que se transformou a política, que deixou de ser a arte
da construção de consensos a partir de dissensos para se tornar a própria fonte
da discórdia.
A lógica é a do conflito pelo conflito produtor de impasses sem o alcance de resultados. Falar da polarização e atribuir a ela o aprisionamento do país a duas correntes surdas ao contraditório é chover no molhado dos chavões.
Padroeiro de Flávio Bolsonaro é homem, loiro e mora na Casa Branca, por Marcos Augusto Gonçalves
Folha de S. Paulo
Candidato diz que falou simbolicamente sobre
Cristo; é de se perguntar até onde vai sua devoção simbólica ao líder dos EUA
Subordinação do país aos interesses
americanos vai muito além da simples especulação
No ano passado, Flávio
Bolsonaro assistiu a um vídeo divulgado pelo governo Trump que exibia
forças americanas destruindo uma embarcação, acusada de pertencer a
narcoterroristas, na região do Caribe. Um ataque sumário, que feria as leis
internacionais e o bom senso.
O filho de Jair Bolsonaro disse sentir inveja da ação e convidou os americanos a fazerem algo semelhante no Rio: "Ouvi dizer que há barcos como este aqui na baía de Guanabara. Vocês não gostariam de passar alguns meses aqui nos ajudando a combater essas organizações terroristas?", disse ele, apelando ao presidente Donald Trump.
Que anticlímax! Por Ruy Castro
Folha de S. Paulo
Foi pena Flávio Bolsonaro ter se escafedido
do debate da Globo aos 44 do 2º tempo
A Faria Lima, o agronegócio e o Brasil
queriam saber de seus planos de desgoverno
Que anticlímax! Já sabendo que Lula não iria ao debate, para não ter de apanhar da turma do 1% e levar 20 minutos para poder responder, preparei-me para ouvir Flávio Bolsonaro e seu programa presidencial. Do qual, aliás, só conhecemos suas promessas de anistiar familiares presos ou condenados, soltar golpistas, pôr-se de quatro para Donald Trump e construir igrejas evangélicas. Há importantes questões envolvendo-o e que ele precisava esclarecer, até para dar satisfações aos interessados na sua eleição.
Onde foi parar a festa da democracia? Por Hélio Schwartsman
Folha de S. Paulo
Polarização exacerbada afasta tom celebratório
do dia da eleição
Eleitor balança entre medo e conformismo com
escolha do mal menor
Não muito tempo atrás, ainda era possível descrever o dia da eleição como festivo. Não que não houvesse divergências entre as pessoas, mas elas eram vistas mais como escolhas distintas do que como ameaça existencial. Estava implícito que quem perdesse aceitaria o resultado, parabenizaria o vencedor, e iria para a oposição. Ainda celebrávamos a retomada do direito de escolher nossos dirigentes depois de um hiato de mais de 20 anos imposto pela ditadura militar.
Sobre o afeto que se encerra, por Muniz Sodré
Folha de S. Paulo
É preciso distinguir a polarização política e
ideológica da afetiva, que contempla convivência cívica e até mesmo amor
A máquina de ódio religiosa transfunde
polarização afetiva na política: campanhas se orientam pelo escândalo do outro
Diante do show de horrores com esqueleto fora do armário oferecido pelo STF, vale perguntar se alguma parte cabe à polarização social. Não é exclusividade nossa, acadêmicos norte-americanos já se inquietam com esse fenômeno nas universidades. É preciso, entretanto, distinguir polarização política da afetiva. A primeira contempla posições ideológicas, com maiores ressonâncias onde se exacerbe a divisão entre conservadores e progressistas. A segunda, convivência cívica e, mesmo, amor. Mas as duas podem se superpor.
Incertezas, por Elimar Nascimento
Revista Será? (nº731)
Há os que vivem em um mar de certezas, por
mais turbulentos e imprevisíveis que sejam os tempos em que vivemos. Em
qualquer situação, estão certos do que está ocorrendo e do que vai acontecer.
E, se não acontece, não foi ele que errou, mas a culpa é de variáveis
imponderáveis que surgiram. A convicção da certeza persiste.
Aos que, desta natureza, se apoiam em pesquisas de opinião, mantêm a mesma postura. Nunca erram. O que ele falou se refere a um momento que passou. A culpa é deste e não de suas opiniões, sempre certas. Em último caso, o erro é do eleitor que mudou de opinião na hora em que se viu em frente à urna e com a consciência acima.
sábado, 3 de outubro de 2026
O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões
Que Deus? Que pátria? Que família?
Por CartaCapital
Flávio Bolsonaro é uma fake news ambulante
Em meio à guerra santa que ameaça o posto de
Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil, Flávio Bolsonaro, sem
esconder o constrangimento, ergueu uma santa de crochê à maneira de um capitão
de time de várzea que empunha uma taça de latão. Caso Robin, o parceiro do
Batman naquele seriado de tevê dos anos 60 do século passado, assistisse a esse
momento de devoção, não titubearia: “Santa hipocrisia”.
A controvérsia em torno da patrona, da imagem negra recolhida de um rio por pescadores, não deixou de produzir um milagre. O esforço do chamado jornalismo profissional em provar que alguns fatos compunham uma fake news, a ponto de colocar em dúvida o trabalho de uma das mais competentes jornalistas, Maria Cristina Fernandes, se assemelha a um épico bíblico. A água se converteu em vinho.
A democracia se defende pelo voto, por Oscar Vilhena Vieira*
Folha de S. Paulo
Maior risco é fazermos escolha que ameace a
democracia e a nossa soberania
Se a questão institucional é a mais
relevante, qual a melhor opção eleitoral para enfrentá-la?
Neste domingo (4), mais de 150 milhões de
brasileiros deverão comparecer às urnas para escolher quem governará o país
pelos próximos quatro anos.
A decisão fundamental colocada à frente de
cada eleitor é com quem pretendemos enfrentar as múltiplas crises em que
imergimos na última década: de mãos dadas à extrema direita, especializada em
promover o caos para usurpar o poder, ou com a centro esquerda, com suas
mazelas e inconsistências, mas reiterado compromisso democrático?
Essa não é uma pergunta retórica, mas uma pergunta política e moral, pois se refere à responsabilidade pelas decisões que cada um terá que tomar no próximo domingo.
Entrevista | Brasil chega à eleição sob degradação institucional sem precedentes, diz coautor de livro sobre democracia, por Fernando Canzian
Folha de S. Paulo
Segundo Marcus Melo, cientista político e
colunista da Folha, há escalada no conluio entre interesses públicos e
privados, com suspeitas sobre núcleo do Judiciário e outras instituições
Disputa presidencial ganha peso inédito
diante da possibilidade de até quatro indicações ao STF
O cientista político Marcus André Melo
vê o Brasil diante de uma deterioração institucional que, em sua avaliação,
ultrapassa os padrões das crises anteriores. Para ele, o caso Master expõe
um entrelaçamento inédito entre interesses públicos e privados e alcança
instituições que ocupam o centro do sistema de freios e contrapesos da
República.
Professor da Universidade Federal de
Pernambuco e colunista da Folha,
Melo afirma que a crise também alterou a própria disputa pelo poder. A
possibilidade de o próximo presidente indicar até quatro ministros do STF (Supremo
Tribunal Federal) eleva, segundo ele, o peso da eleição de 2026 e aumenta as
consequências de uma disputa já marcada por conflitos entre os Poderes.
Apesar do diagnóstico sombrio, Melo, coautor
do livro "Por que a democracia brasileira não morreu?" (Companhia das
Letras), vê instituições e setores da sociedade que continuam funcionando e
capazes de reagir.
Nesta entrevista, ele analisa a trajetória da democracia brasileira desde a redemocratização, os efeitos da Lava Jato, a relação entre Executivo, Legislativo e Judiciário e os riscos de uma crescente degradação institucional.
Atrás nas pesquisas, Flávio Bolsonaro volta a desacreditar as eleições, por Alvaro Costa e Silva
Folha de S. Paulo
Filho 01 fugiu ao debate para não ter de
enfrentar a fúria de Renan Santos
Campanha presidencial de 2026 mistura cansaço
e descrédito
Um espetáculo caricato, desmoralizado pelos
próprios participantes e não raro violento. Com a concorrência dos discursos
sedutores e mentirosos veiculados nas redes e aplicativos e o domínio do
marketing sobre as propostas de governo, os debates eleitorais na televisão
estão em xeque.
Desde 2002 nenhum pleito presidencial havia registrado menos de três encontros na primeira rodada. Neste ano houve apenas um, o da Band, em agosto, transcorrido num clima melancólico: três homens tristes falando ao vento. O da Globo nem isso. Cancelado à última hora, após a desistência de Flávio Bolsonaro, entra na categoria de mico histórico.
Faria Lima sabe que as contas de Flávio não fecham, por Adriana Fernandes
Folha de S. Paulo
Mercado e alguns setores do empresariado
acreditam que senador fará um ajuste rigoroso e duradouro nas contas públicas
Mas nada do que ele disse ou fez até aqui
legitima esta expectativa
Flávio
Bolsonaro agrada à Faria Lima porque o mercado e alguns setores do
empresariado acreditam que o senador fará
um ajuste rigoroso e duradouro nas contas públicas caso eleito.
Mas nada do que Flávio disse ou fez até aqui
legitima essa expectativa.
No Senado, foi um parlamentar ausente nos grandes debates econômicos —sempre blindado pela base cativa do seu pai, Jair Bolsonaro, alinhada com as pautas conservadoras de costumes e de segurança pública.
A importância de votar apesar da fadiga, por Juliana Diniz
O Povo (CE)
Para nós, mulheres, o abatimento é ainda mais
profundo, pois jamais poderíamos imaginar que teríamos de lidar, dentre outros
riscos, com uma tentativa infame de desacreditar o voto feminino e de nos
devolver à vida estritamente doméstica
Um sentimento definirá bem o humor de boa
parte do eleitorado com este pleito de 2026: a fadiga. Uma sensação geral de
falta de esperança, de que não vale a pena acreditar na mudança, porque o
cenário está de tal forma degradado que qualquer expectativa alimentada é tida
como crença ingênua. De que adianta um modesto voto? Pensa o eleitor, e a
resposta que tem dentro de si é a mais desencantada possível.
Para nós, mulheres, o abatimento é ainda mais profundo, pois jamais poderíamos imaginar que teríamos de lidar, dentre outros riscos, com uma tentativa infame de desacreditar o voto feminino e de nos devolver à vida estritamente doméstica. Obstáculos de toda ordem diminuem a competitividade das candidaturas femininas, e a violência política de gênero está aí mais viva que nunca, aparecendo na forma de comentários sexistas veiculados em rede nacional.
Em nome de Deus, por André Gustavo Stumpf
Correio Braziliense
As denúncias lançadas contra o candidato de
oposição, como farras com prostitutas, amizade com milicianos e lavagem de
dinheiro, não incomodaram tanto quanto acusação de fundo religioso. O Brasil da
República é laico, mas o brasileiro é religioso
Política e religião não se combinam. É difícil governar com base em conceitos religiosos. Desde os antigos até os dias de hoje, a confusão é séria. Jesus Cristo, o homem chamado filho de Deus, foi um essênio que viveu na Galileia entre 6 e 4 a.C e 30-33 d.C. numa tribo isolada no deserto de onde saiu para pregar o arrependimento, a justiça e amor ao próximo. Sua pregação ocorreu em território dominado por Roma. O homem forte na região, Pôncio Pilatos não gostou do que ouviu, sobretudo porque o profeta era visto pelos seus seguidores como um rei. Dois reis não convivem no mesmo pedaço. O dos cristãos morreu na cruz.
Nenhuma hipótese é absurda, por Carlos Andreazza
O Estado de S. Paulo
É tão urgente preocupar-se com o risco de interferência estrangeira no processo eleitoral quanto seria alarmar-se com a interferência interna – intervenção tocada por ministros do Supremo – que se desenvolve, concretamente, já.
Atenção à blitz autoritária – para minar a confiança no TSE – imposta por quem, na eleição passada, fora defensor-mor da Corte Eleitoral, em função de cuja proteção chancelou-se toda sorte de arreganho censor. Era defesa do TSE mesmo, ou do monopólio sobre o instrumental xandônico por meio do qual, em nome de salvar a democracia, exercia-se o poder?
O trabalho vai deixar de pagar a conta? Por Fábio Gallo
O Estado de S. Paulo
A questão colocada pela IA é saber o que acontecerá com os impostos em meio à redução do emprego
Salários geram imposto de renda e
contribuições sociais e, quando são gastos, alimentam também a tributação do
consumo. Assim, o trabalho ajuda a financiar o Estado moderno. Nos países
desenvolvidos, os tributos sobre o trabalho ainda respondem por cerca de metade
da arrecadação.
Agora, o problema colocado pela IA não é
apenas saber quantos empregos desaparecerão. É saber o que acontecerá com os
impostos quando uma parcela maior da renda potencialmente deixar de remunerar o
trabalho e passar a remunerar o capital.
Ao longo do tempo, os países construíram um sistema tributário relativamente confortável para o Estado, onde as pessoas trabalham, recebem salários, pagam tributos, consomem e pagam mais impostos. Agora, imagine que a IA permita produzir a mesma coisa com menos trabalho humano.
Decisão será fácil porque eleitor sabe onde o calo aperta, por Flávia Oliveira
O Globo
Não parecia que, quatro anos depois, trama
golpista exposta, investigada e julgada, estaríamos novamente diante do risco
de ruptura
A esta altura, resta pouco a dizer sobre a corrida eleitoral, entre os Poderes, acidentada; entre os eleitores, entediante. O que faltou em transparência e aprofundamento de propostas sobrou em protagonismo do Supremo Tribunal Federal (STF), ora por atos dos próprios ministros, ora pela judicialização recorrente por candidatos e legendas. Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva, em artigo aqui no GLOBO, classificou o pleito deste 2026 como a eleição do cansaço. É sentimento expresso tanto no excesso de trabalho, dívida, perrengue, frustração quanto na escassez de encantamento pela política e, pior, pela democracia.
Amanhã, por Eduardo Affonso
O Globo
Eleger é selecionar o melhor — e lá vamos
nós, de novo, recolher na xepa o que parecer menos podre
Amanhã é domingo, dia de fila de votação, em pé, de castigo. O castigo é bizarro: optar entre a bijuteria barata banhada a ouro (de tolo) e a estatueta de ouro (com pés de barro). É mais uma eleição que não faz jus ao nome: eleger é selecionar o melhor — e lá vamos nós, de novo, recolher na xepa o que parecer menos podre.
Com a menor folga desde 2002, Lula põe a biografia em jogo, por Thaís Oyama
O Globo
O presidente tem dado sinais de que está
disposto a descer aos pântanos da política para buscar os votos de que precisa
Em abril, o presidente Lula dizia não ter certeza se disputaria a reeleição. No fim daquele mês, seu ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, foi autorizado a testar potenciais substitutos em pesquisas. O entorno do presidente descrevia seu estado de alma: de forma alguma Lula encerraria a biografia com uma derrota para o filho de Jair Bolsonaro. Naquele momento, Flávio Bolsonaro — que havia tirado de campo a candidatura Tarcísio de Freitas, ao ser ungido em dezembro candidato a presidente pelo pai — surpreendia com o crescimento nas pesquisas, tecnicamente empatado com Lula nos dois turnos.
Os múltiplos aspectos na polêmica sobre as BETS, por Marcus Pestana
O Brasil que sai das urnas, por Murillo de Aragão
Revista Veja
Votação não desfaz dependência recíproca
entre Congresso e STF
Domingo o eleitor irá votar convencido de que
decide o futuro do país. Decide, mas em parte. Na segunda-feira conheceremos a
nova Câmara, dois terços do Senado e os governadores eleitos no primeiro turno.
E começará, antes mesmo das posses, um novo capítulo da guerra institucional
que vem marcando as relações entre os Poderes.
O novo Senado terá influência direta sobre o futuro do Supremo. A Casa já mostrou que sabe usar esse poder: em abril, rejeitou Jorge Messias, algo que não acontecia desde 1894. Com a vaga de Luís Roberto Barroso ainda aberta e novas aposentadorias previstas, o próximo presidente poderá indicar quatro ministros até 2030. Cada nome dependerá do Senado. Não por acaso, a renovação de 54 cadeiras foi apresentada por muitos candidatos como um instrumento para alterar a relação de forças com o STF.
Eleição diferente, por José Casado
Revista Veja
Reta final com guerrilha religiosa no palanque e esgrima de vaidades no STF
É uma eleição diferente. Delineia o fim de um ciclo com a despedida da geração que se mantém hegemônica na política desde o fim da ditadura.
Dois candidatos encarnam esse epílogo: Lula,
80 anos, e Ronaldo Caiado, 77 anos, ajudaram a fazer a Constituição (1988),
disputaram a primeira presidencial com voto direto (1989) e estão aí nas urnas,
de novo, quase quatro décadas depois.
O sujeito oculto desta eleição é Jair Bolsonaro, 71 anos. Ele ascendeu na política cultuando o saudosismo do regime militar, que o renegara no Exército. Está inelegível e condenado à prisão até os 97 anos de idade, porque tentou construir a própria ditadura depois de ter perdido a reeleição para Lula (2022).
Sobe-e-desce, por Carlos Drummond
CartaCapital
Os rumos da economia sob Lula ou sob Flávio
Bolsonaro
Além do significado político, a eleição presidencial do domingo 4 será, para a economia, ainda mais decisiva do que aquela de 2002, quando a vitória de Lula impediu o ingresso do País na Alca e a privatização da Petrobras, acredita o economista Marcelo Manzano, professor do Instituto de Economia da Unicamp e diretor do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho da mesma universidade. “Muito mais estará em jogo, não apenas porque o projeto de país representado por Lula é radicalmente diferente daquele defendido por Flávio Bolsonaro, mas também porque o cenário internacional nos coloca diante de desafios enormes. Caso a oposição vença, o nosso futuro estará ameaçado.”
Luiz Inácio e Mahatma Gandhi, por Luiz Gonzaga Belluzzo
CartaCapital
As políticas públicas e sociais dos três
mandatos do presidente foram impulsionadas por um ambiente democrático
É atribuída a Mahatma Gandhi uma resposta
irônica ao jornalista que o questionou sobre a Civilização Ocidental. Gandhi
disparou: “Teria sido uma boa ideia”.
Na esteira do Iluminismo e da Revolução Francesa, a dita Civilização, entre dores e contradições, busca sobreviver às muitas agressões dos que proclamam sua defesa. O século XX testemunhou a dura peregrinação da “boa ideia”, sempre atormentada pela tensão permanente entre desejos despóticos dos poderosos e os anseios dos mais frágeis pela autonomia do indivíduo. Autonomia que reivindica a convivência entre singularidade e diferença, ancoradas nas solidariedades da pertinência cívica e republicana.
Páreo a páreo, por Cláudio Couto
CartaCapital
Uma eleição completamente aberta
A eleição presidencial de 2026 chega à reta
final indefinida, com os dois principais contendores empatados tecnicamente,
tanto no primeiro quanto no segundo turno, na maior parte dos levantamentos de
intenção de voto.
Por um lado, presidentes no cargo costumam contar com o benefício da incumbência, podendo recorrer a medidas de última hora (como nos casos, agora, da proibição das plataformas de apostas e do reajuste do Bolsa Família), além de ter na propaganda eleitoral um instrumento capaz de mostrar as realizações do governo e, com isso, melhorar seus índices de aprovação, como se viu em eleições passadas. Por outro lado, a figura de Lula, central na política brasileira desde o fim dos anos 1970, apresenta sinais de fadiga, não entusiasmando os mais jovens e desalentando muitos dos mais velhos. Tal quadro é evidenciado por dados da pesquisa Meio-Ideia do fim de setembro: o atual presidente perde para Flávio Bolsonaro entre eleitores de 16 a 24 anos (53,5% x 40,4%) por diferença bem maior do que a vantagem que tem na faixa etária dos 45 aos 59 anos (51,8% x 46,8%).
O risco evangélico, por Aldo Fornazieri*
CartaCapital
O proselitismo religioso contamina, como
nunca, o processo eleitoral
A política brasileira tem sofrido uma crescente e perigosa contaminação religiosa. As eleições de 2026 representam uma escalada nesse processo. Determinados líderes e grupos evangélicos estão se tornando um grave risco à paz religiosa, social e política. Estimulam o preconceito, o ódio e a intolerância. A família Bolsonaro, notadamente Flávio e Michelle, estão envolvidos com esses grupos e ameaçam o Estado laico. Michelle age, provavelmente, movida por uma fé distorcida. Flávio, por oportunismo político e eleitoral.









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