O Globo
Continua de pé a previsão do banqueiro André
Esteves: 'A eleição será 51% a 49%, só não sabemos para quem'
Debate civilizado como o da TV Globo tem algo
de monótono. Tanto é assim que o momento mais eletrizante foi o último bloco,
quando eles passaram a se insultar. Isso não foi consequência de uma
preferência pelo baixo nível, mas resultado de um segundo debate sem ideias
novas.
Esse segundo debate pode definir votos de
quem não ia votar ou virar votos em branco ou nulos, mas virar de Bolsonaro
para Lula (ou vice-versa), a chance é mínima.
Uma eleição esquisita, parecida com o rei Luís XVII da França, cujo reinado não houve.
Lula tratou a verdade com mais carinho do que
Flávio Bolsonaro, fez muito bem em dispensar o terno de enterro do debate da
Band e pareceu mais jovem. Quando sua assessoria diz que ele é teimoso, conta
uma verdade. Pelo menos dez vezes ele listou realizações do seu governo, todas
inúteis, salvo aquelas em que expunha a atitude anticientífica e debochada de
Jair Bolsonaro durante a pandemia (700 mil mortos).
Terminado o ciclo de pesquisas e debates, o
resultado da eleição é imprevisível, e o eleitor sabe o que não quer, como
sabia em 1989. Então, não queria Lula. Noves fora o desastre da pandemia,
Flávio Bolsonaro subscreve as políticas do governo de seu pai.
Passada quase uma década, os ponteiros estão
no mesmo lugar, como se o tempo estivesse congelado. A direita refinou-se, mas
é a mesma, a começar pelo sobrenome. Basta dizer que Flávio Bolsonaro aceita a
escala 5x2, enquanto em 2018 o candidato a vice da chapa do capitão atacava o
13º salário. Afora esse detalhe, a eleição de 2026 é como se não tivesse
existido. Um candidato é o mesmo e o outro é o filho do derrotado que tentou
dar um golpe e acabou preso.
Previsão eleitoral
Na tarde da última quinta-feira saiu mais uma
pesquisa do Datafolha. Deu 50% x 50%.
Continua de pé a previsão do banqueiro André
Esteves: “A eleição será 51% a 49%, só não sabemos para quem.”
O derrotado
O grande derrotado da campanha eleitoral foi
o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com suas decisões monocráticas
escalafobéticas.
Fica ressalvado o papel do corregedor-geral
da Justiça Eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, que evitou maiores desastres.
Duas bolas de ferro
Contados os votos, Lula e Flávio se deram
conta de que, para um, a blindagem de Lulinha e, para outro, o estilo debochado
usado no debate da Band foram más ideias, produzidas pela onipotência.
A vida na Wikipédia
Saiu nos Estados Unidos “The Last Best Place
on the Internet: A Human History of Wikipedia” (”O Último Melhor Lugar da
Internet: Uma História Humana da Wikipédia”), do jornalista Richard Cooke.
Conta a história do sucesso da enciclopédia eletrônica Wikipédia, uma ideia
improvável que entrou na internet em 2001 e se transformou num dos maiores
acervos de informações do planeta.
Uma enciclopédia grátis, que viria a ser
editada em 300 idiomas, alimentada por voluntários. Sem patrocinadores, parecia
ser coisa de algum doido, intoxicado pelas leituras da escritora libertária
russo-americana Ayn Rand (1905-1982).
A Wikipédia tornou-se a maior enciclopédia
produzida pelo gênero humano, com 7,2 milhões de artigos e 278 mil editores.
Lê-los levaria 20 anos, sem uma hora de sono. Seu site recebe 508 milhões de
visitas por dia. É o triunfo do caos produzido por uma coletividade.
As enciclopédias apareceram no século XVIII,
mas em 1945 o cientista americano Vannevar Bush, um visionário da sociedade
digital, imaginou uma cápsula do tamanho de uma caixa de fósforos, vendida ao
preço de um jornal, com o conteúdo da Encyclopaedia Britannica. Em 1990, a
Britannica vendeu 100 mil edições nos Estados Unidos. Seis anos depois, vendeu
seis mil. Ela mantém sua relevância na rede, de graça, como a Wiki.
A Wikipédia não foi a primeira enciclopédia
eletrônica, também não teve um pai perfeitamente identificável, nem produziu
bilionários. Ela saiu do caos, de graça. Cooke ensina que um fenômeno como a
Wikipédia nasceu da fertilidade do terreno da cultura dos Estados Unidos.
Recordar é viver
Passados seis anos, o trabalho de três
repórteres (João Batista Jr., Ana Clara Costa e Breno Pires) mostrou as
alavancas que moviam as mutretas das compras de vacinas para a Covid.
Em julho de 2020 morria uma pessoa por
minuto. No dia 17 daquele mês, os empresários Danilo Berndt Trento e Francisco
Maximiano, diretor institucional e dono da Precisa Medicamentos, saíram com o
senador Flávio Bolsonaro num passeio de lancha pelo lago Paranoá, em Brasília.
Os dois diziam representar o laboratório indiano Bharat Biotech, responsável
pelo desenvolvimento da vacina Covaxin, e queriam fechar um acordo com o
governo de Jair Bolsonaro para produzir vacinas para o Brasil. Para enfeitar o
passeio, incluíram três garotas de programa e mimaram o senador com um Rolex em
tom prateado.
O passeio não parece ter rendido contratos.
Só em janeiro o governo se interessou pelas vacinas da Precisa, e a indiana
Bharat Biotech voltou ao radar.
Nesse momento, reaparece o senador Flávio
Bolsonaro e desponta o presidente da Fiesp, Paulo Skaf.
A transação ganhou um novo formato, com novos
personagens. As vacinas seriam 33 milhões, da Oxford/AstraZeneca, cacifadas por
12 grandes empresas. Metade iria para os funcionários dos patrocinadores e
metade para o SUS.
Nove integrantes do consórcio saíram do grupo
logo que ele foi anunciado. Pudera, cada vacina custaria US$ 23,79, quatro
vezes superior aos US$ 5,25 do mercado, a conta não fazia sentido, nem era
explicada.
Essa foi a única operação de compra de
vacinas prontamente apoiada pelo presidente Jair Bolsonaro.
Havia gato naquela tuba e não se falou mais
no assunto. A essa altura os mortos eram 226 mil.
Sensacional
Defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro chamou
de “sensacionalismo” o noticiário que tratou da contratação de mulheres para as
festas que ele organizava. Nelas, os convidados não podiam entrar com celulares.
A Polícia Federal (PF) já pediu ao Supremo
Tribunal Federal (STF) que o assunto seja investigado.
Passada a campanha eleitoral, será difícil
segurar o tema.
Afinal, são conhecidos os nomes dos
encarregados do recrutamento das senhoras, e o próprio Vorcaro admitiu que se
valia do encanto feminino para amolecer poderosos corações: “Esse é meu
business”.
Eremildo, o idiota
Eremildo é um idiota, acredita em todas as promessas dos candidatos e nas suas declarações de bens.

Um comentário:
o povo já não aguenta mais bye bye PT a mudança está chegando só não enxerga quem não quer até a Datafolha teve que se curvar a realidade Flávio 52 Lula 48 e vai ser muito mais do que isso , sabemos todos nós que no final as pesquisas puxam sempre pro lado da esquerda , do Lula
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