Folha de S. Paulo
Gestão Lula não entusiasma brasileiros e
deixa herança maldita na economia
Flávio Bolsonaro não tem currículo para ser
presidente e ainda traz risco à democracia
É perfeitamente compreensível o desejo do
eleitor de impor uma derrota a Luiz Inácio Lula da Silva, mas
o preço dessa escolha é a vitória de Flávio
Bolsonaro, um cenário que exige reflexão.
O terceiro mandato de Lula foi, numa avaliação generosa, medíocre. Não trouxe nada que entusiasmasse, e os indicadores sociais passáveis que produziu foram obtidos de forma insustentável, com base num aumento de gastos públicos que não pode ser esticado por mais tempo. Para que a inflação não explodisse, os juros foram à ionosfera e nela permanecem, asfixiando a economia e aumentando o endividamento de empresas e famílias.
Para piorar, nas últimas semanas, diante da
perspectiva de não ter seu mandato renovado, Lula entrou no modo populismo
total. Acelerou gastos como se não houvesse amanhã e abandonou bandeiras
históricas do partido, como a manutenção da maioridade penal aos 18 anos. Não tenho como
condenar o eleitor que tenha perdido a fé numa ação política baseada em
responsabilidade e princípios
Em condições normais, antecipar a
aposentadoria de Lula não seria má ideia. O problema de fazê-lo agora é dar a
vitória a Flávio Bolsonaro, passo que, no mínimo, deveria despertar
algum medo no eleitor. O jovem Bolsonaro nunca passou de um senador sem
destaques positivos e envolvido em histórias que deveriam deixar o cidadão que
se preocupa com corrupção com um pé atrás, das rachadinhas ao "Dark Horse". E isso nem é o mais grave. Ao longo
da campanha, Flávio deu vários sinais de que caprichará no estelionato
eleitoral e nenhum de que é um democrata convicto.
Repetiu vários dos piores motes
antidemocráticos do pai, que ameaça tirar da cadeia para colocar na cerimônia de posse, caso eleito. Tampouco sabemos o grau de
influência que o ex-capitão condenado por tentativa de golpe exerceria sobre seu governo. Talvez estejamos diante de um
análogo daquilo que os civilistas chamam de erro essencial sobre a pessoa. Você
vota em Flávio, mas contrai laços com Jair. Bom voto, se é que isso é possível.
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