sábado, 29 de abril de 2017

Opinião do dia - Murillo de Aragão

“O protesto não tocou a alma da cidadania, mais preocupada com a recuperação da economia e em dar apoio à Operação Lava Jato.”

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Mestre em Ciência Política e doutor em Sociologia pela Universidade de Brasília. “Manifestações e reforma”, O Estado de S. Paulo, 29/4/2017

Greve afeta transporte e comércio e termina com atos de vandalismo

Manifestação contra reformas afeta as grandes cidades e termina em violência

Greve começou na madrugada desta sexta e, com adesão de trabalhadores do setor de transporte, ruas das principais cidades ficaram vazias durante boa parte do dia; os protestos que começaram no final da tarde tiveram tumulto e confrontos com a polícia

- O Estado de S.Paulo

SÃO PAULO - A greve geral convocada para a sexta-feira pelas centrais sindicais, para protestar principalmente contra os projetos de reforma trabalhista e da Previdência, afetou a rotina de cidades em todos os Estados. Com a adesão dos trabalhadores do setor de transportes, as ruas, principalmente das grandes cidades, ficaram vazias. Em São Paulo, os índices de congestionamento ficaram bem abaixo da média.

As avaliações sobre o movimento eram divergentes. Mas, para boa parte dos analistas, o impacto na aprovação das reformas em tramitação no Congresso não deve ser muito forte. Para a consultoria Eurasia, que prevê que tanto a reforma trabalhista quanto a previdenciária sejam aprovadas até julho, as manifestações foram menores do que o esperado. A avaliação é que novos protestos poderão ocorrer nas próximas semanas, mas não devem paralisar o Congresso.

O governo fez questão de afirmar, desde o início do dia, que a greve tinha adesão menor do que a esperada. A avaliação era de que as manifestações ficaram concentradas nos grandes centros urbanos. As centrais sindicais, porém, asseguram que essa foi a maior greve já registrada no País.

No mercado financeiro, as manifestações não provocaram reações negativas. A percepção dos analistas foi de que a greve não foi suficiente para abalar o andamento das reformas. O dólar fechou o dia em queda de 0,1%, cotado a R$ 3,1787, após subir mais de 1% no início do dia. A Bovespa, por sua vez, fechou em alta de 1,12%, aos 65.403 pontos.

“Havia uma certa preocupação com o tipo de repercussão que (a greve) poderia ter, que se diluiu durante o dia. A paralisação praticamente se resumiu à mobilidade urbana”, disse o estrategista de renda fixa da Coinvalores, Paulo Nepomuceno.

O cientista político e professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), Cláudio Couto, porém, considera que a greve foi bem-sucedida. Para ele, o movimento tem potencial de influenciar a votação das reformas encaminhadas pelo governo ao Congresso, embora seja difícil fazer um prognóstico sobre qual será esse impacto. “A paralisação foi grande, principalmente no transporte público, que causa um efeito em cadeia, e na área de educação, que tem efeito na percepção das famílias”, avalia o especialista.

O comércio fez cálculos de uma grande perda com a paralisação. Segundo a Federação do Comércio do Estado de São Paulo (FecomercioSP), o faturamento diário do setor no País chega a R$ 5 bilhões, e uma greve geral tem potencial de causar um forte rombo. E, levando-se em conta o feriado de 1.º de maio, quando boa parte das lojas estará fechada, esse prejuízo potencial fica bem maior.

O presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (ACSP), Alencar Burti, afirmou que a realização de uma greve geral neste momento de recessão só atrapalha. “Os sindicalistas estão se esquecendo que estão em um País onde 14 milhões de pessoas estão desempregadas”, disse, em entrevista ao Broadcast.

A GREVE PELO BRASIL
As paralisações deixaram milhões de pessoas sem transporte público e transformaram parte das capitais do País em "cidades fantasma".

‘Silêncio das ruas’ teve duplo sentido

Enquanto parte dos acadêmicos e analistas considerou a greve um sucesso, outros consideraram a mobilização fraca, por falta de gente na rua

Alexa Salomão | O Estado de S.Paulo

Acostumados aos recentes protestos, com milhares de populares tomando avenidas pelo País, a greve geral com “clima de feriado” provocou reações dúbias entre acadêmicos e analistas acostumados a observar – e interpretar – fenômenos econômicos, sociais e políticos que emergem das massas. Enquanto alguns avaliaram o “silêncio das ruas” como um sinal de baixo engajamento, outros consideraram o ato um sucesso, alegando que uma greve pressupõe a parada que se viu.

Para uma parcela dos observadores, os piquetes pontuais em ruas vazias deixaram a impressão de que a maioria das pessoas não foi trabalhar por pura falta de opção para se locomover ou medo de represália, já que na véspera se espalhou a informação de que manifestantes iriam interditar avenidas de grandes cidades e rodovias.

A GREVE FOI FRACA
Samuel Pessôa, Pesquisador do Ibre
“Fazer greve é parar porque você quer impor prejuízo para o patrão (...). Essa foi uma greve política, contra algumas medidas do governo Temer: não ir para rua, nesse caso, não é greve, é feriado.”

A GREVE FUNCIONOU
Carlos Melo, Cientista político/ Insper
“Podemos dizer que as corporações, seja de metroviários ou professores, deram um sinal de força. (...) Há, agora, um argumento a mais: O povo é contra as reformas.”

Nesse caso, o movimento estaria restrito a ação organizada de alguns sindicatos, corporações, grupos estudantis. Teria faltado a adesão espontânea da população, como se viu nos protestos contrários ao aumento da passagem do transporte público, em 2013, e em favor do impeachment, no ano passado.

“Não poderia haver silêncio nas ruas porque essa greve teve uma natureza diferente das greves por salários, como a dos metalúrgicos”, diz o pesquisador Samuel Pessôa, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV).

Doria diz que manifestantes receberam R$ 100 para ir às ruas

Prefeito de São Paulo já havia criticado, mais cedo, a atitude de grevistas

Daniel Weterman | O Estado de S.Paulo

O prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), criticou os manifestantes que saíram às ruas nesta sexta-feira, no dia em que centrais sindicais realizaram uma greve geral no País. Em entrevista à Rádio Eldorado, emissora do Grupo Estado, o tucano disse que muitos dos que foram se manifestar receberam dinheiro dos sindicatos. Ele defendeu ainda o fim da obrigatoriedade do imposto sindical, como proposto na reforma trabalhista. Mais cedo, o prefeito também participou de uma entrevista ao vivo pela página do Estadão no Facebook.

"Os que pegaram bandeiras, os que gritaram, receberam R$ 100 para fazer isso, um sanduíche e uma lata de refrigerante, além de um transporte parcial para chegar a um ponto da cidade, para gritar nem sabem por quê e nem do quê com o dinheiro da contribuição sindical", disse o prefeito.

Ele afirmou ainda que o movimento foi motivado pelos partidos PT, PSOL e PCdoB, que "adoram essas boquinhas", em referência ao uso da contribuição sindical. Para o tucano, as pessoas que têm "consciência, decência e prudência" não apoiaram esse movimento.

Temer critica ‘atos isolados de violência’ em greve

Ministros do governo minimizam impacto da paralisação no País e dizem que manifestações animam a prosseguir com as reformas

Erich Decat | O Estado de S.Paulo

BRASÍLIA - O presidente Michel Temer e integrantes da cúpula do governo minimizaram nesta sexta-feira os efeitos da greve geral e focaram as críticas nos atos de violência ocorridos em algumas regiões.

“Houve a mais ampla garantia ao direito de expressão, mesmo nas menores aglomerações. Infelizmente, pequenos grupos bloquearam rodovias e avenidas para impedir o direito de ir e vir do cidadão. Fatos isolados de violência também foram registrados, como os lamentáveis e graves incidentes ocorridos no Rio de Janeiro”, disse Temer, em comunicado divulgado na noite desta sexta-feira.

Ao longo do dia o Palácio do Planalto ficou isolado por grades. Um forte esquema de segurança, que contou com a participação de soldados do Exército, garantiu a proteção, enquanto cerca de 3 mil manifestantes se espalharam pela Esplanada dos Ministérios.

Protesto de centrais afeta transportes e tem violência

Sindicalistas bloqueiam vias e estradas; no Rio, ônibus foram queimados

Temer lamenta ‘graves incidentes’ no Rio e reafirma compromisso com reformas

A greve geral convocada pelas centrais sindicais contra as reformas trabalhista e da Previdência teve manifestações em todos os estados e no Distrito Federal, mas os protestos afetaram principalmente os transportes, com bloqueios em estradas e vias de acesso ao centro de capitais, como a Ponte Rio-Niterói. Mascarados fizeram atos de violência e vandalismo, com depredação de bancos e lojas. No Rio, oito ônibus foram queimados e cinco pessoas ficaram feridas. O presidente Temer lamentou os bloqueios e reafirmou o compromisso com a “modernização da legislação”.

Bloqueios e confrontos

Manifestações foram marcadas por transtornos no trânsito e episódios de vandalismo

- O Globo

-SÃO PAULO, RIO E BRASÍLIA- A greve geral convocada pelas principais centrais sindicais em protesto contra as reformas trabalhista e previdenciária teve paralisações e protestos em todos os estados do país e no Distrito Federal. As manifestações, no entanto, contaram com o engajamento de poucas categorias e foram marcadas, principalmente, por bloqueios em rodovias e vias expressas nas grandes cidades, como a Ponte Rio-Niterói e a Avenida Rubem Berta, que dá acesso ao Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. Nas primeiras horas da manhã, trabalhadores enfrentaram grandes transtornos no trânsito e muitos não conseguiram chegar ao seu destino. Em São Paulo, ruas ficaram vazias, e lojas, fechadas. No fim da tarde, em algumas cidades, pequenos grupos promoveram atos de violência e vandalismo. Foi o caso do Rio, onde houve confrontos entre a polícia e manifestantes, no Centro da cidade.

A despeito de uma greve que se pretendia geral não ter parado o país, as centrais sindicais a classificaram como a maior já realizada no Brasil. Sem dar estimativas de participação, os dirigentes disseram que o êxito da paralisação se refletiu na “adesão e aprovação da população”.

Em nota, o presidente Michel Temer lamentou os bloqueios para “impedir o direito de ir e vir do cidadão” e reafirmou seu compromisso com a “modernização da legislação nacional”. Já o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), disse que a greve não passou de “um piquete” — termo usado para definir um grupo de grevistas que impede o acesso das pessoas ao local de trabalho:

Para centrais, atos foram um sucesso e tiveram a adesão da população

- O Globo

Em balanço divulgado ontem à noite, o Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo estimava que 90% dos cerca de 190 mil trabalhadores de sua base haviam aderido à paralisação.

— Os metalúrgicos aderiram à greve, e muitas empresas ficaram fechadas. Foi um dia histórico, um dia em que a unidade dos trabalhadores está fazendo a diferença — disse Miguel Torres, presidente do Sindicato e vice-presidente da Força Sindical.

Ele ressaltou que não considera a greve de ontem “geral”:

— A greve geral está sendo construída. Reverter o que foi feito pela Câmara é difícil, mas não é impossível. Precisamos de unidade dos sindicatos, se quisermos mudar a situação.

À tarde, em ato na frente da superintendência do INSS na capital paulista, os presidentes das centrais sindicais protestaram contra a reforma da Previdência e classificaram a greve como a maior já realizada no país. Sem dar estimativas de participação, os dirigentes disseram que o êxito da paralisação se refletiu na “adesão e a aprovação da população”.

Manifestações restringem circulação nas cidades

Atos bloqueiam rodovias e acessos a aeroportos nas capitais

- O Globo

Os atos convocados em diversas cidades do país atrapalharam o trânsito ontem. Pela manhã, manifestantes interditaram as principais rodovias e ruas de acesso aos centros das grandes capitais. Houve bloqueios também nas vias de acesso aos aeroportos.

O engenheiro Adauto Paez, de 75 anos, enfrentou dois engarrafamentos no Rio. Ele saiu da Ilha do Governador e ficou retido num protesto. Depois, ficou preso na Ponte Rio-Niterói.
— Isso é uma pouca vergonha. Até se a reivindicação deles for alguma coisa razoável, já deixou de ser, perdeu a razão. Isso é um absurdo. Vai atrapalhar todo mundo por que o cara resolveu que não quer trabalhar — reclamou o engenheiro. — Na Ilha, fiquei 45 minutos parado. E aí cheguei aqui (em Niterói) e deu nisso.

BLOQUEIO NO SANTOS DUMONT
O bloqueio ao acesso ao Santos Dumont atrasou Tatiane Santos, que foi ao aeroporto buscar a mãe, que chegava de viagem:

Ônibus são incendiados e seis ficam feridos no Rio

Grupo promove atos de violência. Confronto com a polícia impede comício na Cinelândia

- O Globo

Os protestos contra a aprovação das reformas trabalhista e da Previdência no Rio, ontem, terminaram em confrontos violentos entre manifestantes e policiais. Até o início da noite, pelo menos oito ônibus foram queimados por manifestantes, que foram perseguidos pelos policiais nas ruas do Centro do Rio, deixando um rastro de barricadas de fogo em várias vias na região da Cinelândia. Os PMs usaram bombas de gás lacrimogênio e de efeito moral para dispersar os manifestantes, o que acabou inviabilizando o comício que ocorreria como ato final do protesto. À noite, o governo estadual informou que havia seis feridos no Hospital Souza Aguiar, três homens e três mulheres.

Os protestos causaram problemas no trânsito logo cedo, com o fechamento da Ponte Rio-Niterói e de outras vias, e interrupção do fluxo de veículos para o aeroporto Santos Dumont, mas poucos registros de confusão.

Bloqueios e manifestações nas principais vias do Rio paralisaram o trânsito

Treze ônibus do BRT Transoeste foram depredados durante a manhã

- O Globo

O carioca viveu um dia caótico ontem para ir e voltar do trabalho por causa das manifestações contra as reformas trabalhista e da Previdência. Com a redução no número de ônibus em circulação no início da manhã e o fechamento de vias importantes da cidade, o trânsito deu um nó em algumas regiões. O pico de congestionamento foi registrado às 8h31m: 73 quilômetros, de acordo com o Centro de Operações Rio (COR). Por volta de 5h30m, o COR e a Polícia Militar começaram a atuar em bloqueios na Linha Vermelha, na altura da Infraero, e na Avenida Radial Oeste, próximo à Mangueira. A Ponte Rio-Niterói teve suas pistas interditadas por uma hora e 20 minutos, entre 6h20m e 7h40m. Em Niterói, um grupo ainda bloqueou o embarque nas barcas, na Estação Praça Arariboia. Apesar dos transtornos, metrô e trens funcionaram normalmente, de acordo com as concessionárias.

Greve atinge transportes e escolas em dia de confronto

Protestos atingem 130 cidades e terminam em confronto no Rio e SP

- Folha de S. Paulo

SÃO PAULO, RIO - Confrontos e depredações, estradas e avenidas bloqueadas, além de dezenas de manifestantes detidos.

Esse foi o saldo dos protestos contra as reformas trabalhista e da Previdência no Rio e em São Paulo entre a tarde e a noite desta sexta (28).

Foram 130 cidades com manifestações ou greves pelo Brasil, segundo levantamento da Folha. Em pelo menos 38 houve interrupção do serviço de transporte público. Em 34 municípios, rodovias ou avenidas foram interditadas por manifestantes. Nove registraram confrontos violentos.

Os atos que começaram no início da tarde nas duas capitais fizeram parte da greve geral promovida por entidades sindicais e movimentos sociais em todo o país.

Protestos foram livres e debate continua no Congresso, diz Temer

Gustavo Uribe, Mariana Dias | Folha de S. Paulo

BRASÍLIA - Apesar da paralisação de diversas categorias de trabalhadores, o governo do presidente Michel Temer deu caráter de "manifestações políticas" à chamada greve geral convocada para esta sexta-feira (28) em todo o país.

A ordem no Palácio do Planalto foi minimizar a adesão de vários setores e se ater aos protestos, destacando, inclusive, os atos mais violentos.

Em nota divulgada no início da noite, Temer não fez uso da palavra "greve", disse que as "manifestações políticas" ocorreram "livremente", com "fatos isolados de violência", mas que o debate sobre as reformas deve ser feito na "arena" do Congresso.

"Infelizmente, pequenos grupos bloquearam rodovias e avenidas para impedir o direito de ir e vir do cidadão, que acabou impossibilitado de chegar ao seu local de trabalho ou de transitar livremente", disse o presidente.

Amarrar a Justiça | Cristovam Buarque

- O Globo

Na noite de 11 de março de 1996, o Palácio do Buriti, sede do governo do Distrito Federal, sofreu um atentado. Duas balas foram atiradas contra o gabinete do governador. As vidraças foram quebradas, as balas atingiram paredes, mas ninguém foi ferido. O grave acidente nunca foi apurado de forma conclusiva pela polícia, mas diversos suspeitos tiveram seus nomes considerados, todos eles opositores ao meu governo naquele momento.

Quase 20 anos depois, em uma entrevista por telefone ao jornal “Correio Braziliense” sobre a política local, afirmei que, na época, falava-se que o atentado fora perpetrado por conhecidos personagens da cidade, contra os quais pesavam outras suspeitas. Por causa dessa entrevista, um destes senhores abriu um processo contra mim, por danos morais, pedindo indenização de R$ 500 mil. Argumentei na Justiça que na entrevista eu não fiz acusações, apenas disse que “falavam” sobre suspeitos autores do atentado. Apresentei nomes de algumas testemunhas que teriam escutado os rumores que sugeriam o envolvimento destas pessoas citadas como participantes.

Faca no peito | Adriana Fernandes*

- O Estado de S.Paulo

Discurso antirreformista tem servido para aumentar o valor das barganhas no Congresso

É cedo para o Palácio do Planalto e as lideranças governistas subestimarem o poder de mobilização da greve geral e dos protestos contra a reforma da Previdência na intenção de votos dos deputados. Mas o que já é certo é que as manifestações conseguiram aumentar a pressão por uma nova onda de exigências de setores específicos que têm conseguido apoio parlamentar para travarem uma queda de braço sem fim com o governo.

Boa parte dessas exigências tem pouca ou nenhuma relação com a Proposta de Emenda à Constituição enviada ao Congresso. Mesmo assim, as corporações têm conseguido êxito. Assim, o discurso antirreformista tem servido para aumentar o valor das barganhas num cenário em que ainda faltam muitos votos para aprovação da Previdência no plenário.

Sem adesão popular | Merval Pereira

- O Globo

A greve de ontem, que antes de ser “geral” foi mais um imenso protesto de sindicatos e associações de classe, pode ter sido um sucesso do ponto de vista classista, mas não houve indicações de adesão popular às causas prioritárias do movimento, contra as reformas trabalhista e Previdenciária.

Não resta dúvida de que a greve foi muito bem organizada, já que teve caráter nacional com o mesmo modo de atuação: o segredo é bloquear os transportes. E, para fazer isso com eficiência, basta meia dúzia de militantes para fechar avenidas e estradas. A dispersão organizada é melhor que a concentração grandiosa em poucos pontos, e a polícia ainda ajudou ao não atuar preventivamente para impedir os bloqueios.

Paralisar avida normal do país pode ter sido, no entanto, um tiro no pé, especialmente devido aos atos de vandalismo. Ter que usar piquetes e violência para impedira ida ao trabalho e a circulação normal do transporte público é prova de fraqueza do movimento; é prova de que não tem adesão popular. A ajuda dos black blocs só reforça essa sensação.

Manifestações e reforma | Murillo de Aragão

- O Estado de S.Paulo

Protesto não tocou a alma da cidadania

As manifestações desta sexta-feira pelo Brasil não lograram atingir seu objetivo, que era o de paralisar o País de forma ampla em protesto contras as reformas encaminhadas pelo governo. E não atingiram seus objetivos por vários motivos.

Primeiro, pela fraca adesão da população. O protesto não tocou a alma da cidadania, mais preocupada com a recuperação da economia e em dar apoio à Operação Lava Jato.

Em segundo lugar, a despeito da impopularidade das reformas, a realidade do desemprego fala mais alto. Muitos sabem que contratar no Brasil está caro e difícil. Com quase 14 milhões de desempregados, fica complicado defender um modelo que gera desemprego em vez de condições de empregabilidade.

Paralisação vai ter impacto nas reformas no Congresso | Carlos Melo

- O Estado de S. Paulo

Uma coisa é a greve, outra, a adesão a ela. A greve ocorreu e foi um sucesso; parou várias cidades. Em São Paulo, decretou feriado. Porém, a adesão a ela não saberemos qual foi. Sua base foi o transporte: como separar os que eram contra as reformas e, portanto, aderiram, daqueles que não ficaram em casa apenas porque não tinham transporte? As manifestações na Av. Paulista permitem aferir a adesão pelo número de quarteirões ocupados; são mais eficientes para medir reações. Então, nos resta, analisar a greve pela greve.

Pelo resultado, podemos dizer que as corporações, seja de metroviários, motoristas de ônibus ou professores, deram um sinal de força. Professores pararam não só escolas públicas, mas também escolas particulares. As cidades ficaram vazias e explicitaram o mal-estar: nada anda muito bem no País. Isso tem impacto sobre o Congresso.

Além da raiva social | Miriam Leitão

- O Globo

Existe a raiva social. Em época de recessão e desemprego de 14,2 milhões de pessoas, é natural o sentimento de rejeição ao governo, ainda mais quando ele é impopular. Há também, como em toda greve, a luta política. Essa mistura fortaleceu o movimento, mas isso não quer dizer que os líderes tenham razão. O absurdo é a violência, de manifestantes e da polícia, como forma de crescer ou reprimir a paralisação.

As reformas são necessárias e afetam mais os grupos que têm privilégios. Mas este é um governo que vive um equilíbrio difícil. Ele tem apoio político, mas não social. Se a manifestação assustar os políticos, que já estão com baixa credibilidade, reduzirá a chance de aprovação de projetos do governo. Os 296 votos na Câmara para a reforma trabalhista seriam insuficientes se estivesse sendo votada uma Proposta de Emenda Constitucional. Se os protestos reduzirem o tamanho da base aliada, haverá reflexos na frágil recuperação econômica que está ocorrendo.

Dilema Tostines | Julianna Sofia

- Folha de S. Paulo

O termômetro escolhido pelo Palácio do Planalto para medir a lealdade de sua base aliada na Câmara dá sinais de avaria. A votação da reforma trabalhista nesta semana amealhou 296 deputados favoráveis, sendo mais que suficiente para a aprovação da proposta enviada por Michel Temer. Indica a temperatura para apreciação da reforma mais importante da gestão peemedebista, a da Previdência, que precisa de 308 votos?

A cúpula palaciana professa que sim. O resultado foi (burocraticamente) celebrado, mas não serve como exibição de força parlamentar. Para os articuladores de Temer, o placar permite mapear as defecções, e os deputados infiéis serão punidos com perda de cargos.

A vez dos sindicatos | Suely Caldas

- O Estado de S. Paulo

A falta de uma reforma sindical é a maior lacuna no texto da reforma trabalhista aprovada na Câmara

O foco maior da reforma trabalhista, aprovada pela Câmara dos Deputados, foi atualizar regras na relação capital x trabalho e regulamentar o que já era praticado sem regra alguma (o trabalho em casa, por exemplo). Como seria impossível fazer isso mudando a retalhada e septuagenária Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), a saída encontrada foi submeter a legislação aos acordos negociados entre patrões e empregados, representados por seus respectivos sindicatos. O texto aprovado que segue, agora, para o Senado tem méritos e lacunas.

No limite do achincalhe | João Domingos

- O Estado de S. Paulo

Com a Operação Lava Jato, muitas coisas têm brotado dos subterrâneos. Algumas delas, em forma de raízes fortalecidas pelo medo da prisão e pela maturação do tempo: as delações premiadas. Tal fenômeno mostra que, de todos os bens acumulados pelos suspeitos, a liberdade é o mais indispensável. Tão indispensável que a fidelidade a alguém ao qual se foi muito próximo pula para o último plano.

As delações do ex-líder do governo no Senado Delcídio Amaral, do casal de publicitários João Santana e Mônica Moura, marqueteiros de uma campanha do ex-presidente Lula e de duas de Dilma Rousseff, e dos executivos e ex-executivos da Odebrecht provam tudo isso. Nenhuma amizade foi capaz de segurar a intangível busca pela liberdade.

Na massa do sangue (sobre o segundo turno francês)

Vital Moreira | Esquerda Democrática

1. Sim, é gritantemente comprometedora a recusa do BE [Bloco de Esquerda] e do PCP, seguindo os partidos homólogos franceses e o seu candidato Mélenchon, de tomarem partido entre Le Pen e Macron na segunda volta das eleições presidenciais francesas.

Mas não é assim tão surpreendente como alguns julgam. Por um lado, como já se notara antes das eleições, são mais os pontos programáticos em comum entre Le Pen e Mélenchon (o nacionalismo e o soberanismo, a oposição à UE, ao euro e à disciplina orçamental, o protecionismo económico interno e externo) do que aquilo que os separa (em especial, a xenofobia da extrema-direita). Por outro lado, entre o antiliberalismo autocrático ou populista e a democracia liberal, o coração da extrema-esquerda sempre tendeu a preferir o primeiro. Está-lhes na "massa do sangue".

Por isso, o escancarado namoro da candidata da extrema-direita aos eleitores do candidato derrotado da extrema-esquerda só se torna mais escandaloso por ser ungido pelo cúmplice silêncio do candidato e dos partidos que o apoiaram, em França como em Portugal.

2. É compreensível a incomodidade de alguns socialistas portugueses perante esta crua demonstração prática da genuína natureza político-doutrinária dos seus parceiros políticos da "Geringonça". Mas também aqui não há nenhum motivo para surpresa nem para indulgência.

Ninguém podia de boa fé acreditar que o oportunismo "venal" que levou a extrema-esquerda a apoiar o atual Governo implicava o abandono, ou sequer a suspensão, das sua viscerais inimizades doutrinais e políticas, designadamente a democracia liberal, a integração europeia, o euro, a liberalização comercial externa, a disciplina e a responsabilidade orçamental.

Não há somente silêncios que comprometem. Também há alianças...

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Vital Moreira é professor em Coimbra e eurodeputado pelo PS português.

A greve e as reformas – Editorial | Folha de S. Paulo

Com paralisações expressivas no transporte público e a adesão de categorias tradicionalmente ligadas à militância sindical, a greve geral convocada para esta sexta-feira (28) alterou o cotidiano das principais cidades brasileiras, havendo de ter satisfeito as expectativas de seus organizadores.

Foi, entretanto, relativamente modesta a dimensão dos atos públicos que, em clima de véspera de feriado, acompanharam o movimento —caracterizado pelo governo como iniciativa circunscrita à insatisfação dos sindicatos com as reformas previdenciária e, em especial, trabalhista.

A Câmara dos Deputados, afinal, acaba de aprovar projeto que, entre outras providências, extingue o imposto que financia as entidades de empregados e patrões.

A ‘greve geral’ das corporações – Editorial | O Globo

A tática de bloquear vias impediu o acesso aos locais de trabalho, mas gerou um fato político ao qual o governo deu a resposta certa: não suspende as reformas

A chamada greve geral convocada contra as reformas da Previdência e trabalhista foi um retrato dos interesses que se sentem contrariados com as mudanças. São grupos que defendem a manutenção de vantagens de sindicatos e de segmentos da máquina do estado que se beneficiam de ganhos na aposentadoria e nos salários.

A greve foi um espelho da resistência de corporações sindicais, e outras, a revisões cruciais para que a economia volte a crescer, e os 14,2 milhões de desempregados comecem a reocupar vagas no mercado de trabalho. Todos vítimas de uma crise derivada da irresponsabilidade fiscal dos governos lulopetistas, dos quais essas corporações também se beneficiaram.

Greve compulsória – Editorial | O Estado de S. Paulo

Como era previsível, milhões de trabalhadores tiveram de aderir compulsoriamente à tal “greve geral” convocada pelas centrais sindicais para protestar contra as reformas trabalhista e previdenciária. A título de defender os direitos desses mesmos trabalhadores, os sindicalistas cassaram-lhes o elementar direito de trabalhar, por meio da paralisação dos transportes coletivos. E aqueles que tentaram chegar ao trabalho de outras maneiras foram igualmente impedidos ou tiveram imensa dificuldade graças ao bloqueio criminoso de ruas, avenidas e estradas realizado por “movimentos sociais” que se comportam como bandos de delinquentes. Quando e onde nenhuma dessas táticas funcionou, os sindicalistas partiram para a pancadaria pura e simples.

Penas da vida | Graziela Melo

As penas
da vida
são tantas!

Me seguem
ao caminhar!

São fortes,
duras e
consequentes

e se repetem,
se refletem
nas sombras
da lua,

nas portas
da rua

nas ondas
do mar!!!

Gota d'água - Beth Carvalho (Chico Buarque)

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Opinião do dia – O Estado de S. Paulo

“Sindicalismo estatal é aberração. É uma caricatura ofensiva das formas autênticas de mobilização e de organização dos trabalhadores. Não por acaso essa forma de sindicalismo foi criada, no Brasil, juntamente com o peleguismo, durante uma ditadura. Extinguir esse tipo de parasitismo só pode beneficiar a democracia.”


*Editorial, O Estado de S. Paulo, 28/4/2017

Número de partidos tem de cair em 2018, dizem analistas

Participantes do 'Debate Estadão' dizem que cláusula de barreira e fim de coligações proporcionais são necessários

Adriana Ferraz e Daniel Weterman | O Estado de S.Paulo

SÃO PAULO - Não dá mais para esperar. Analistas ouvidos nesta quinta-feira, 27, durante o 'Debate Estadão: A Reforma Política que Queremos', organizado pelo Estado em parceria com a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP) e o movimento Vem Pra Rua, foram unânimes em afirmar que mudanças no sistema político-partidário são urgentes, que devem ser discutidas, aprovadas e colocadas em prática a tempo das eleições de 2018. A adoção de pelo menos três regras foi consenso, com destaque para a cláusula de barreira, medida que tem por objetivo reduzir o número de partidos. As demais são o fim das coligações proporcionais e a realização de campanhas mais baratas.

Citada como essencial por todos os palestrantes, a cláusula de barreira ajudaria a reduzir a fragmentação partidária brasileira, já que com ela partidos seriam obrigados a obter um número mínimo de votos para ter representatividade no Congresso e, assim, fatia maior do Fundo Partidário. Hoje, são 35 partidos e outros 57 com pedido de autorização no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). “Escassez gera eficiência e abundância gera incompetência”, afirmou o líder do movimento Vem Pra Rua, Rogério Chequer.

A cláusula de barreira e o fim das coligações nas eleições proporcionais foram aprovados pelo Senado no fim do ano passado e estão em discussão em comissão da Câmara.

Para o cientista político Jairo Nicolau, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), estabelecer uma cláusula que diminua a dispersão partidária e vetar a possibilidade de os partidos firmarem coligações proporcionais são medidas que deveriam ser adotadas já para 2018. “Com a tendência atual, vamos chegar a 2018 com um Congresso praticamente impossível de ser governado e com um presidente com muita dificuldade de diálogo e articulação política.”

Dois impeachments em 25 anos indicam necessidade de reforma política, diz José Álvaro Moisés

Em Debate Estadão, cientista político da USP lista medidas urgentes, como cláusula de barreira, definição de teto de gastos para campanhas e ampliação da representatividade

Adriana Ferraz e Daniel Waterman | O Estado de S.Paulo

SÃO PAULO - O professor José Álvaro Moisés, cientista político da Universidade de São Paulo (USP), avalia que a eleição de 2014 foi o processo eleitoral mais desequilibrado do País, em função da incapacidade do governo eleito da então presidente Dilma Rousseff coordenar sua base de apoio. "Uma crise de coordenação, que gerou perda de apoio e impeachment. Dois impeachments em um período de 25 anos é um indicador que temos problemas graves e que a reforma política é necessária", disse o professor nesta quinta-feira, 27, durante o 'Debate Estadão: A Reforma Política que Queremos', organizado pelo Estado na sede da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP), na capital paulista.

Jairo Nicolau defende redução de fragmentação partidária e nova lei de financiamento para 2018

Cientista político é um dos palestrantes do 'Debate Estadão: A Reforma Política que Queremos', transmitido ao vivo pelo Facebook

Adriana Ferraz e Daniel Weterman | O Estado de S.Paulo

SÃO PAULO - O cientista político Jairo Nicolau, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), afirmou nesta quinta-feira, 27, que o Congresso precisa definir, já para as eleições de 2018, a redução da fragmentação partidária na Câmara e no Senado, além de uma nova legislação para o financiamento de campanhas. Nicolau é um dos palestrantes do 'Debate Estadão: A Reforma Política que Queremos', organizado pelo Estado na sede da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP), na capital paulista. O evento é transmitido ao vivo na página Estadão Política, no Facebook.

Ele afirmou, ainda, que mudanças mais profundas que essas não são oportunas no momento considerando o quadro de representantes na Câmara e no Senado, cujas principais lideranças estão envolvidas em casos de corrupção. Para 2018, o professor propôs estabelecer uma cláusula de barreira que diminua a dispersão partidária no Congresso e o fim das coligações. "Com tendência atual, vamos chegar a 2018 com um Congresso praticamente impossível de ser governado e com um presidente com muita dificuldade de diálogo e articulação política", disse.

'Risco de polarização entre quem nega política e populistas', alerta Milton Seligman

Professor do Insper diz que reforma política pode reduzir a polarização e defendeu voto distrital para reduzir custo da 'luta pelo poder'

Daniel Weterman e Adriana Ferraz | O Estado de S.Paulo

SÃO PAULO - O País precisa discutir mudanças eleitorais para diminuir o risco de uma polarização entre candidatos que negam a política e populistas de direita e esquerda em 2018, disse nesta quinta-feira, 27, o professor Milton Seligman, do Insper, durante o 'Debate Estadão: A Reforma Política que Queremos', organizado pelo Estado na sede da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP), na capital paulista. "Que tenhamos a sorte, como na França, alguém de centro cair no meio da disputa", afirmou, em referência ao candidato Emmanuel Macron, que disputa a presidência na França.

'Sem reforma política, corremos o risco de eleger um salvador da pátria', diz Luiz Felipe d'Ávila

Cientista político defende a redução da fragmentação entre as siglas e o fim do fundo partidário

Adriana Ferraz e Daniel Waterman | O Estado de S.Paulo

SÃO PAULO - O cientista político Luis Felipe d’Ávila, do Centro de Liderança Pública (CLP), afirma que deixar de promover a reforma política antes das próximas eleições significa assumir o risco de eleger uma espécie de "salvador da pátria", um demagogo. "Esse é o meu maior medo para 2018, que voltemos a cair nas mãos de populistas. Mas, se não aprovarmos a reforma, essa ideia se fortalece. Aí, sim, será uma crise muito mais séria porque estamos apenas começando a sair da UTI", afirmou na manhã desta quinta-feira, 27, durante o 'Debate Estadão: A Reforma Política que Queremos', organizado pelo Estado na sede da Fecomercio-SP, na capital paulista.

Voto distrital é resposta para conectar eleitores e eleitos, acredita Rogério Chequer

Líder do Vem pra Rua, que participou do Debate Estadão, citou outras mudanças necessárias para a reforma política, como as candidaturas independentes de partido

Daniel Weterman e Adriana Ferraz | O Estado de S.Paulo

SÃO PAULO - O líder do movimento Vem pra Rua, Rogério Chequer, defendeu nesta quinta-feira, 27, discussões para renovar os representantes no Congresso nas eleições de 2018. Para isso, ele afirmou que é fundamental o fim das coligações, uma cláusula de barreira, candidaturas independentes (sem partido) e o voto distrital. Chequer participa do 'Debate Estadão: A Reforma Política que Queremos', organizado pelo Estado na sede daFederação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP), na capital paulista.

Segundo ele, essas mudanças motivariam o maior protagonismo das ideologias dos partidos e o engajamentos dos militantes nas campanhas e na política brasileira. O líder do movimento, um dos que esteve à frente das manifestações pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e de apoio à Operação Lava Jato, afirmou que os assuntos mais importantes para a renovação política de 2018 não estão sendo discutidos pela comissão especial da reforma política da Câmara dos Deputados.

TSE cobra ressarcimento de R$ 11 mi de partidos

Medida atinge sete legendas e pagamento terá de ser feito com fundos próprios; segundo decisão, PT também teve suspenso repasse de R$ 7,9 milhões

Rafael Moraes Moura e Guilherme Mendes e Letícia Fucuchima | O Estado de S.Paulo

BRASÍLIA - O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou ontem que sete partidos devolvam um total de R$ 11 milhões aos cofres públicos, por meio de recursos próprios. A decisão foi tomada nos julgamentos das contas de PT, PSDB, PMDB, DEM, PSL, PSOL e PSTU referentes a 2011. Na análise, o tribunal encontrou gastos não comprovados.

A reprovação de contas do PSDB foi um dos últimos atos do ministro Henrique Neves, que deixou a Corte após completar o segundo biênio – em seu lugar, tomou posse ontem o ministro Admar Gonzaga. Entre as irregularidades apontadas, constam despesas com passagens aéreas e gastos com diretórios estaduais sem a efetiva comprovação, além da não apresentação de notas fiscais de hospedagem.

Distritão, proposta de Temer, volta ao centro do debate

Por Raphael Di Cunto | Valor Econômico

BRASÍLIA - O modelo em discussão agora entre os partidos para orientar a reforma política é o Distritão (onde os mais votados se elegem, sem considerar os partidos), antiga proposta do presidente Michel Temer quando ainda diriga o PMDB. Além disso, o debate contempla a volta do financiamento empresarial. A lista fechada perdeu força.

Como em todas as reformas políticas até hoje, contudo, não há consenso e alguns dos articuladores do projeto avaliam como improvável aprovar o distritão porque esse modelo exige uma proposta de emenda à Constituição (PEC), com o apoio de 308 dos 512 deputados (o presidente da Câmara não vota). O cenário hoje, dizem, é que seja mantido o sistema proporcional, mesmo com críticas, diante da falta de maioria para prevalecer outro sistema.

Apontada como tábua de salvação dos políticos envolvidos na Lava-Jato, a proposta de adotar a lista fechada nas eleições para deputado e vereador perdeu força nas articulações da Câmara.

Greve geral é teste para aprovação das reformas

Por Raymundo Costa e Cristiane Agostine | Valor Econômico

BRASÍLIA - Centrais sindicais e movimentos populares, apoiados por mais de 90 categorias profissionais, prometem para hoje a maior greve geral dos últimos 20 anos no país, com protestos previstos nos 26 Estados e no Distrito Federal contra as reformas trabalhista e da Previdência.

Na noite da quarta-feira, enquanto a Câmara dos Deputados iniciava o desmonte da CLT, não havia um único sindicalista em frente ao Congresso. Calcula-se que os sindicatos perderão mais de R$ 3 bilhões com as mudanças, mas eles preferiram apostar as fichas na greve geral, convenientemente convocada para a véspera do feriado prolongado.

A extensão do movimento hoje deve dar uma dimensão do grau de dificuldade do governo para aprovar as reformas. Se a mobilização for grande, será mais difícil reunir os 308 votos necessários para a reforma da Previdência.

Centrais prometem maior greve desde 1996

Por Cristiane Agostine | Valor Econômico

SÃO PAULO - Centrais sindicais e movimentos populares, apoiados por pelo menos 92 categorias profissionais, prometem fazer hoje a maior greve dos últimos 20 anos no país, contra as propostas de reforma trabalhista e da Previdência articuladas pelo presidente Michel Temer. A votação da reforma trabalhista na Câmara, finalizada na madrugada de ontem, deve intensificar as críticas ao governo federal nos protestos previstos em 24 Estados e no Distrito Federal.

O apoio à greve vai além do sindicalismo, das entidades populares e dos parlamentares da oposição a Temer. Ontem, o Ministério Público do Trabalho afirmou que o motivo dos protestos é " justo e legítimo" e criticou as reformas trabalhista e previdenciária. A posição reforça a defesa da paralisação já feita por juízes do trabalho.

A flexibilização das leis trabalhistas aprovada pelos deputados, com a previsão de retirada de direitos, acirrou os ânimos dos sindicalistas para a greve, segundo os dirigentes das maiores centrais sindicais.

Para o presidente nacional da CUT, Vagner Freitas, Temer e o relator da proposta na Câmara, deputado Rogério Marinho (PSDB-RN), "são os maiores militantes da greve". "Eles estão me auxiliando a fazer a maior greve geral da história. O que eles aprovaram na Câmara vai potencializar os protestos. Eles acharam que iriam intimidar a greve, mas a retirada de direitos e o sucateamento dos sindicatos fará com que o empenho dos sindicalistas aumente", disse. "E a população começa a perceber que os direitos dos trabalhadores serão retirados".

Planalto mapeia apoios para mudança da CLT no Senado

Por Vandson Lima, Fabio Murakawa e Marcelo Ribeiro | Valor Econômico

BRASÍLIA - O governo trabalha para confirmar no Senado o projeto de reforma trabalhista aprovado na Câmara dos Deputados há dois dias. O plano ideal, segundo líderes da base governista, passa por uma aprovação rápida - com todo o trâmite durando cerca de três semanas - e a manutenção do texto sem alterações, o que permitirá seu envio direto para a sanção presidencial. O Palácio do Planalto, no entanto, já acendeu o sinal de alerta para dificuldades, sendo a possível influência negativa do líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), a maior delas.

Por um lado, o fato de o relator na Câmara ter sido o tucano Rogério Marinho (PSDB-RN) ajuda o governo. O parecer por ele produzido foi elogiado por senadores do seu partido e será por eles defendido sem mudanças. Por outro, é a resistência no próprio PMDB do presidente Michel Temer, em diversas frentes, que preocupa.

Responsável pela negociação com o Congresso, o ministro da Secretaria de Governo, Antonio Imbassahy (PSDB-BA), foi lembrado ontem por líderes aliados no Senado que a reforma trabalhista tramita, obrigatoriamente, por pelo menos duas comissões do Senado: a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) e a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Caberá a seus respectivos presidentes designar relatores para a matéria, que poderão propor alterações ao texto.

Placar da votação é visto com cautela

Por Andrea Jubé, Marcelo Ribeiro e Cristiano Zaia | Valor Econômico

BRASÍLIA - O Palácio do Planalto celebrou, com cautela, o placar de 296 votos que garantiu a aprovação da reforma trabalhista na Câmara. A avaliação é que a votação expressiva é apenas um ponto de partida para redobrar o trabalho pela aprovação da reforma da Previdência.

Foram contabilizadas 86 dissidências, que de um lado, mostram um número alto de insatisfeitos na base aliada. Em contrapartida, agora o governo sabe exatamente onde se localizam os focos de insatisfação e poderá atuar para debelá-los. Entre os recursos para isso, na semana que vem o governo começa a liberar emendas parlamentares relativas a 2016.

Nas palavras de um ministro com gabinete no Palácio, com a aprovação da reforma trabalhista, "o jogo está zerado". Segundo este auxiliar presidencial, os 296 votos creditados à reforma da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) não revelam que a reforma previdenciária "tem os mesmos 296 votos". Contudo, permitiu ao governo atualizar o mapa da base aliada, de modo que os estrategistas da votação sabem exatamente onde atuar.