domingo, 8 de dezembro de 2024

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Toffoli foi sensato em voto sobre Marco Civil

O Globo

Ministro criou regra razoável ao declarar inconstitucional o artigo 19 e impor dever de cuidado às plataformas digitais

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi certeiro na essência de seu voto sobre o Marco Civil da Internet. Declarou inconstitucional o artigo 19, que assegura às plataformas digitais imunidade por danos causados pelo conteúdo que veiculam até o momento em que a Justiça decida o contrário. Só que o Judiciário é lento demais. A maioria fica indefesa. Muitos não contam com recursos para contratar advogado. Mesmo os que têm condições dependem da Justiça morosa. Quando a decisão é tomada e enviada às plataformas, o dano se tornou irreversível. A postagem é retirada, mas o criminoso já atingiu seu objetivo.

O que é urgente na agenda do Brasil - Míriam Leitão

O Globo

O país não se prepara para o futuro ao deixar 10,3 milhões de jovens sem trabalho nem estudo. Destes, quase metade são mulheres negras

Com 10,3 milhões de jovens se faz um país. Um país do tamanho de Portugal. É isso que o Brasil tem de brasileiros entre 15 e 29 anos que não estudam nem trabalham. Esse número era maior. Havia um Uruguai a mais de jovens nessa situação em 2020. Os indicadores sociais melhoraram em 2023, no primeiro ano do governo Lula. Ainda assim certos números são dolorosos. Com 10,3 milhões não se preparando para o futuro se perde um país. Essa é “a medida mais rigorosa de vulnerabilidade juvenil”, diz o IBGE. Em 2020, 13,8 milhões não estudavam nem trabalhavam. Temos melhorado, mas ainda falta muito a fazer.

Lá como cá - Merval Pereira

O Globo

Aqui no Brasil, temos tido diversos problemas em torno da ética entre os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), e a questão central é a mesma: os componentes da mais alta Corte judiciária não admitem serem fiscalizados, e se unem corporativamente quando são criticados

Não é apenas no Brasil que a Corte Suprema de Justiça, aqui denominada Supremo Tribunal Federal (STF), está envolvida em disputas de poder e perde a credibilidade sempre que assume posições identificadas como políticas pela opinião pública. A Suprema Corte dos Estados Unidos, depois de diversos escândalos de ministros flagrados recebendo presentes ou remuneração indireta de milionários amigos, teve que divulgar um novo código de ética de condutas para seus “justices”, como são chamados os ministros.

Por trás do aparente consenso entre eles, há uma disputa acirrada entre os juízes liberais e a maioria conservadora, que acredita que as regras enfraquecem a Suprema Corte diante da opinião pública, e que a intenção dos que as defendem é meramente política, ainda mais agora que Donald Trump retorna ao poder com uma composição majoritariamente conservadora na Suprema Corte.

O 'mercado' falou e traiu-se - Elio Gaspari

O Globo

Pensamento reacionário sustenta que os avanços sociais prejudicam aqueles que pretendem beneficiar

Uma pesquisa da Genial/Quaest ouviu 102 operadores do mercado financeiro do Rio e de São Paulo para aferir o que eles pensam a respeito do governo. Resultou um prenúncio do fim do mundo: 98 acreditam que a economia vai piorar, 90 não confiam no governo e 85 acham que a isenção do imposto de renda para quem ganha até cinco salários mínimos é prejudicial.

Esse resultado tem cara e coroa. Num lado, mostra o que pensa o “mercado”, no outro, como pensa esse mesmo “mercado”. (Paul Volcker, o gigante que dirigiu o Banco Central americano, colocava a palavra entre aspas porque não sabia o que era esse ectoplasma.)

A divulgação dessa pesquisa coincidiu com novos dados sobre a situação de Pindorama. Com números de 2023, o IBGE informou que a pobreza extrema caiu de 31,6% para 27,4%. Em números absolutos os pobres eram 67,7 milhões e ficaram em 59 milhões.

O “mercado” acha que a isenção da cobrança de Imposto de Renda para o andar de baixo prejudica a economia. Ecoa um velho trabalho do professor Albert Hirschman (1915-2012) no qual ele mostrou como o pensamento reacionário sustenta que os avanços sociais prejudicam aqueles que pretendem beneficiar.

A Marinha está fora do ar - Bernardo Mello Franco

O Globo

A Marinha divulgou um vídeo em busca de apoio contra o ajuste fiscal. A repercussão foi desastrosa. A reação às criticas, pior ainda

A Marinha apostou nas redes sociais para tentar ganhar apoio contra o ajuste fiscal. Produziu um vídeo desastroso, que ofendeu os contribuintes e degradou a imagem da Força.

A peça foi divulgada a pretexto de homenagear o Dia do Marinheiro. Em ritmo de filme de ação, militares simulam escapar de um naufrágio, saltam de paraquedas e rastejam na areia, como se estivessem desembarcando na Normandia.

O vídeo alterna imagens de esforço e sacrifício com cenas de civis em momento de lazer. Enquanto marinheiros quebram a cabeça numa prova, paisanos dão risada e erguem um brinde. Enquanto um militar dispara um tiro em alto-mar, um civil joga videogame no sofá.

Ferveu – Dorrit Harazim

O Globo

Na semana passada, o Brasil se armou de vergonha passageira. A violência policial se mostrou em combustão

Graduado em engenharia civil e mestre em engenharia de transporte pelo prestigioso Instituto Militar de Engenharia (IME), no Rio de Janeiro, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, construiu invejável carreira na administração pública. Sabia fazer contas e dar significado a números. Também estava com a matemática em dia quando chefiou o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e o Ministério da Infraestrutura deste imenso Brasil. Foi ao assumir o Palácio dos Bandeirantes que cometeu seu cálculo trevoso: entregou a Secretaria de Segurança Pública ao capitão da reserva da PM Guilherme Derrite, sabendo que o titular se dedicaria à construção de uma polícia de Estado violenta, temida, brutal. Conseguiu. Os indicadores de 2024 em relação ao governo anterior gritam: variação de +104,2% no número de mortes por intervenção policial da Polícia Militar do Estado de São Paulo.

Ao contra-argumentar, como fez em Brasília nesta semana, que o número de homicídios no estado caiu de 2.405 para 2.065 no mesmo período, Tarcísio cometeu uma desonestidade intelectual insidiosa. Deixou no ar a ideia de que uma queda nos índices de criminalidade e execuções policiais a rodo são vasos comunicantes, se retroalimentam. Não são e, se forem, devem ser separados pela força da lei. É certo e fartamente documentado que boa parte da sociedade brasileira aceita participar do primitivo gambito de que polícia feroz mata o crime. Afinal, não faz tanto tempo assim o Rio elegeu governador (Wilson Witzel) um indivíduo que prometeu “tiro na cabecinha” de meliantes e, bem antes dele, outro governador (Marcello Alencar) premiava com bonificação os agentes da ordem que matassem mais.

Lula fecha ano com grande vitória diplomática – Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

Brasil teve vitórias importantes na política externa, como a aprovação da Aliança Global Contra a Fome e a assinatura do Acordo Mercosul-União Europeia

O Brasil voltou ao leito natural de sua tradição diplomática e, graças a ela, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fecha o ano com vitórias importantes na política externa, como a aprovação da Aliança Global Contra a Fome, na reunião de cúpula do G20 no Rio de Janeiro, e, principalmente, a assinatura do Acordo Mercosul-União Europeia, que vinha sendo negociado há 25 anos. O anúncio da conclusão das negociações ocorreu durante a 65ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul, no Uruguai, na sexta-feira.

A concretização do acordo esteve ameaçada, sejam pelas posições iniciais da Argentina, já superadas; seja pela dura oposição que ainda sofre da França, uma nação com a qual temos grandes parcerias estratégicas, inclusive, no plano militar. O presidente francês Emmanuel Macron, que mantém excelentes relações pessoais com Lula, pressionado pela crise política francesa, ainda vê o acordo como uma ameaça aos seus agricultores e trabalha contra sua ratificação pelo Conselho da União Europeia, o Parlamento europeu.

2026: o ano que vem chegando mais cedo - Pedro Malan

O Estado de S. Paulo

Os próximos dois anos muito dirão sobre nossos inafastáveis desafios na área fiscal

Tema frequente de meus artigos neste espaço, ao longo de anos, tem sido a visão de que no Brasil convivem em simbiose o moderno e o anacrônico. E de que o Brasil moderno pode estar, ainda que muito gradualmente, aumentando seu peso relativo em relação a seu lado anacrônico – que nunca deve ser subestimado. Isso vale tanto para o mundo da política quanto para aquele da economia. Na arena político-institucional, continuamos tentando construir uma sociedade em que parte não irrelevante da opinião pública seja contra a apropriação espúria e uso indevido de recursos públicos; contra a ocupação e aparelhamento da máquina governamental para servir a interesses eleitorais, corporativistas, partidários e clientelistas. Em ambas as dimensões da vida pública – política e economia – penso ser possível expressar esperanças não insensatas em diálogos não impossíveis.

A economia entre o ajuste e o longo prazo - Rolf Kuntz

O Estado de S. Paulo

Para fazer a economia crescer no ritmo de outros emergentes, será preciso ir além da formação do capital físico. Será indispensável cuidar muito mais do capital humano

Com mais empregos, pobreza em queda e consumo em alta, o Brasil completa dois anos de atividade econômica vigorosa, com crescimento acumulado próximo de 6%, talvez pouco superior a essa marca. Nos 12 meses até outubro, o Produto Interno Bruto (PIB) aumentou 3,1%; manteve-se o dinamismo de 2023, quando a produção avançou 3,2%. Esse balanço indica um fim de ano mais luminoso para a maioria dos brasileiros – mesmo para quem usar o 13.º salário para liquidar dívidas. Quem buscar uma renegociação terá boa chance, de acordo com especialistas, de conseguir um desconto e começar o ano novo mais tranquilo.

Mantido esse quadro, o presidente Lula da Silva poderá citar bons números em suas falas de fim de ano – se deixar de lado, é claro, o aumento da dívida pública e a elevação do risco inflacionário. Nem por isso o público atento deixará de ouvir o noticiário sobre os dados negativos. O pessoal do mercado financeiro já alardeia e continuará alardeando o risco de um desastre nas contas públicas, sem dar muita importância aos números mais favoráveis da produção, do emprego e do varejo. No mundo das finanças, o fato de mais ou menos pessoas estarem comendo, consumindo e vivendo em condições decentes parece às vezes ter pouca ou nenhuma relevância.

Guerra sem fim - Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Tarcísio pede desculpas por câmeras e política de segurança. Mas Derrite fica?

Depois da série de cenas de barbárie da polícia de São Paulo, tida e havida como a melhor e mais preparada do País, o governador Tarcísio Gomes de Freitas teve de fazer um “meia volta, volver”, admitir o “equívoco” de se opor ao uso de câmeras corporais e, por fim, pedir desculpas públicas pela sua política de segurança pública, suas declarações sobre o tema e os efeitos degradantes na tropa. Ok. E o executor dessa política, Guilherme Derrite, continua?

A culpa é dos direitos humanos? - Celso Rocha de Barros

Folha de S. Paulo

Não se trata de discutir se o criminoso é santo, mas de admitir que o Estado não é

O debate sobre a violência da polícia em São Paulo é uma boa oportunidade para esclarecer o público sobre o que, exatamente, é a defesa dos direitos humanos no debate sobre criminalidade.

A defesa dos direitos humanos tem uma dimensão moral, relacionada à dignidade da pessoa humana —inclusive dos criminosos sob a guarda do Estado. Esses valores são os que definem o liberalismo político e a civilização moderna.

Os países que consideramos desenvolvidos são os que mais respeitam os direitos humanos. O "agir dentro dos limites da lei" diante de criminosos é só um caso da regra geral "agir dentro dos limites da lei".

Mas essa coluna não é uma pregação moral. É um conselho de prudência sobre quanto poder devemos dar aos funcionários do Estado.

Acordo com UE ainda demora e tem limites - Vinicius Torres Freire

Folha de São Paulo

Lula 3 faz gol; UE terá disputa política ou até jurídica; efeito vai levar ao menos década

O Brasil, com o Mercosul, enfim deu passo importante para fechar um acordo de (quase) livre comércio relevante e, se tudo der certo, inédito (não há livre comércio nem mesmo no Mercosul).Abertura comercial não era ideia querida no Brasil, ainda menos para a esquerda. Mas é um governo de esquerda que está prestes a abrir os portos às nações amigas da União Europeia (ou "muy amigas", como a França). Além disso, ou apesar disso, Lula 3 conseguiu restringir bastante o acesso dos europeus às compras do governo.

Apesar de tanta festa, não se conhece o texto literal do acordo. Como era esperado e na prática inevitável, o Brasil conseguiu apenas aumentos de cotas (limites quantitativos de exportação) em produtos em que é muito competitivo (carnes, por exemplo). Melhor do que nada. Mas o mercado europeu continua fechadão nesse aspecto (de outro modo, poderia haver revolta ainda maior no agro da UE).

Intentona sem pé nem cabeça - Muniz Sodré

Folha de S. Paulo

Luta não se trava entre abstrações como classe e ideologia, e sim entre indivíduos

A reação popular e institucional ao autogolpe presidencial na Coreia do Sul suscita uma ponderação sobre a força da instituição no enfrentamento da trama golpista entre nós. Instituição, recorde-se, é um modo regulatório da vida social que funciona por um "fazer saber", constitutivo do processo de subjetivação. É o que fazem família, escola, religião e o próprio exército, instâncias pertinentes à convivência humana. Nelas Jean-Paul Sartre divisou uma característica contraditória, como conceito de algo inerte e, ao mesmo tempo, transformador.

Celebridade filosófica - Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Livro mostra a ascensão e o declínio das ideias de Henri Bergson, filósofo que ganhou Nobel de Literatura em 1927

Henri Bergson não é hoje um nome que se escuta com muita frequência fora dos círculos filosóficos, mas, nos anos 1910, ele era uma celebridade, do tipo Taylor Swift mesmo. Quem quisesse um bom lugar para assistir às suas aulas no Collège de France tinha de chegar com várias horas de antecedência.

O sucesso não estava limitado à França. Bergson também atraía grandes públicos na Inglaterra e nos EUA. Ele foi a causa do primeiro congestionamento de veículos registrado na Broadway em Nova York, em 1913.

O Rio de Janeiro precisa de uma “Grande Política” - Vagner Gomes de Souza*

O estado do Rio de Janeiro se esvaiu numa política conservadora desde que a “Lava Jato” local atingiu algumas figuras da política fluminense. Os partidos políticos do “centro político” se esvaziaram enquanto muitas “facções” oportunistas se fizeram presente como uma alternativa na política local. A falência financeira do estado é um problema crônico em que as soluções ganham espaço também na mediação do judiciário. Para agravar o cenário, uma “onda de violência” atingiu funcionários públicos da segurança estadual sem que tenhamos até hoje a dimensão de tamanha incidência num ente da federação. Veio uma intervenção da Segurança Pública estadual sob uma lógica sempre hobbesiana. Aqui, é o melhor cenário para se vislumbrar que o “o homem é o lobo do homem” a despeito da vitalidade cultural da sociedade e de nossos potenciais universitários.

Sucesso e fracasso das nações - Sérgio C. Buarque

Revista Será?

A prosperidade das nações é o resultado da formação de instituições inclusivas baseadas em um sistema democrático, com regras estáveis e seguras, com mecanismos que permitem que os cidadãos escolham os seus dirigentes e busquem livremente suas ocupações, adquiram educação e conhecimentos, e de instrumentos de distribuição igualitária de serviços públicos, com destaque para a educação. As nações que fracassam contam, ao contrário, com instituições extrativistas constituídas por regimes instáveis e pouco permeáveis, que desincentivam a inovação e os investimentos, convivendo com corrupção política e rede de apadrinhamento que favorecem a apropriação da riqueza por uma minoria e a distribuição desigual de acesso aos serviços públicos. Esta é a interpretação dos economistas que foram agraciados como o Prêmio Nobel deste ano – Daron Acemoglu, James A. Robinson e Simon Johnson. De acordo com o  Comitê do Prêmio Nobel em Ciências Econômicas, os três economistas proporcionaram “uma compreensão muito mais profunda das causas fundamentais do fracasso ou do sucesso dos países”, exposta no best seller “Por que as nações fracassam” (assinado por dois dos economistas premiados), publicado em 2012. 

Degradación de la política en el siglo XXI: de la impotencia al espectáculo - Daniel Fernández

El Diário (Espanha)

Trump ha sabido aprovechar como nadie la impotencia de la política democrática y las oportunidades que ofrece el nuevo sistema mediático. En este contexto, no es casualidad que Nayib Bukele sea ahora uno de los líderes de moda 

Cada vez que el Partido Demócrata pierde unas elecciones en Estados Unidos, resurge el debate sobre sus dificultades para conectar con los sentimientos e inquietudes del norteamericano medio. Desde la presidencia de Bill Clinton en los años noventa, quedó claro que el partido había adoptado un nuevo paradigma: la aceptación de las políticas económicas neoliberales como único camino viable. Este giro relegó la lucha por la igualdad como eje central del programa demócrata, que había definido su identidad desde el New Deal y, especialmente, durante la presidencia de Lyndon Johnson en los años sesenta. 

Comparar las políticas y discursos de aquella época, marcados por la Gran Sociedad y una agenda redistributiva, con las de los demócratas a partir de los noventa evidencia la derechización del espectro político estadounidense. Dicha evolución no solo distanció al partido de las clases populares, sino que contribuyó a un replanteamiento de la identidad progresista en favor de un enfoque más tecnocrático y centrado en las élites urbanas. Del mismo modo que Margaret Thatcher afirmó en 2002 que su mayor logro político había sido Tony Blair y el nuevo laborismo, Ronald Reagan bien podría haber dicho lo mismo respecto a Clinton. 

Poesia | O açúcar, de Ferreira Gullar

 

Música | Teresa Cristina - Positivismo (Noel Rosa)

 

sábado, 7 de dezembro de 2024

O que a mídia pensa - Editoriais / Opiniões

Mundo ganha com acordo Mercosul-EU

O Globo

Num momento de avanço do protecionismo, tratado resgata benefícios do livre-comércio

O fim das negociações do acordo entre Mercosul e União Europeia (UE) é um passo decisivo para o Brasil. Agora, além de trâmites burocráticos, o único risco que paira sobre a parte comercial do tratado — a mais relevante — são as pressões de bastidor para que seja rejeitado pelo Conselho Europeu ou pelo Parlamento Europeu. Mas, apesar da resistência empedernida de uns poucos países como França ou Polônia, é pouco provável que a iniciativa de 25 anos naufrague depois de tanto esforço.

Trata-se de uma enorme conquista para o Mercosul, para a UE e para o livre-comércio, tão combalido com o avanço do protecionismo. Ao longo do tempo, o impacto em geração de riqueza e crescimento deverá ser significativo. Apesar das mudanças em relação à versão preliminar de 2019, o acordo representa um avanço substantivo, resultado da persistência do Itamaraty ao longo de administrações de todas as inclinações ideológicas.

A economia não funciona sem o mercado – Carlos Alberto Sardenberg

O Globo

O crescimento não é sustentável a médio prazo se continuar baseado na expansão do gasto e da dívida pública

Não há contradição entre o pibão e o dólar a R$ 6.

Não há contradição entre aplaudir o crescimento atual e manifestar preocupação com os próximos dois anos. Não há contradição entre a economia real e o mercado financeiro, como se este pudesse ir bem se o país estivesse em frangalhos. O mercado apoia a economia real.

Eis um exemplo: neste ano, as companhias aumentaram o financiamento tomado no mercado de capitais, mediante a emissão de debêntures ou outras operações. Investidores no mercado compram os papéis das empresas e ganham com isso. As companhias se financiam a prazo mais longo e a juros menores que nos bancos.

Bobagem, portanto, dizer que o mercado financeiro joga contra o país real. Isso seria jogar contra as empresas, participantes vitais do mercado como tomadores ou investidores. 

Seattle, 25 anos – Pablo Ortellado

O Globo

Ardor ativista dos anos 1990 e 2000 parece ter colaborado para as profundas e perigosas transformações que vivemos

Vinte e cinco anos atrás, protestos contra a rodada do milênio da Organização Mundial do Comércio pararam a cidade de Seattle, nos Estados Unidos. Na época, os protestos foram vistos como um divisor de eras. O historiador inglês Eric Hobsbawm havia dito que o breve século XX começava com a Primeira Guerra Mundial e terminava com a queda do Muro de Berlim. O sociólogo francês Edgar Morin disse então, em artigo no jornal Le Monde, que o século XXI começava em 1999, com Seattle. Hoje, essa história parece esquecida, mas seus efeitos, visíveis e invisíveis, permanecem estruturando o tempo presente.

Seattle foi o símbolo de um movimento mais amplo que começou um pouco antes, em 1994, com a revolta de Chiapas, no México. Em janeiro daquele ano, indígenas que se identificavam como zapatistas tomaram a cidade de San Cristóbal de las Casas em protesto contra o Nafta, acordo de livre-comércio entre Canadá, México e Estados Unidos. O governo mexicano preparou uma reação armada ao levante, mas a mobilização da sociedade civil mexicana impediu um massacre.

O Fefaetiapá® - Eduardo Affonso

O Globo

Ministério da Saúde tomou para si o encargo de propagar picaretagens etimológicas, a título de luta antirracista

Já deveria estar no calendário de eventos da Embratur: em fevereiro (ou março) tem carnaval; em abril, a Alvorada de São Jorge, em Quintino; em junho, o Festival Folclórico de Parintins e o São-João de Campina Grande; em outubro, a Oktoberfest e, em novembro, o Festival de Falsas Etimologias.

Normalmente bancado com verbas públicas, o Fefaetiapá® (Festival de Falsas Etimologias que Assola o País) celebra a disseminação e consolidação das FNBs (Fake News do Bem), um tipo de desinformação inclusiva, empática, que goza de imunidade. Não está na mira do STF, não precisa ser removida das redes sociais e recebe o selo de garantia de ministérios públicos, universidades federais, tribunais de Justiça.

Neste ano, foi o Ministério da Saúde. Talvez por não precisar se preocupar com gerenciamento de vacinas, epidemia de dengue, doenças dizimando ianomâmis, falta de medicamentos contra o câncer de mama ou aumento dos casos de aids, o MS tomou para si o encargo de propagar picaretagens etimológicas, a título de luta antirracista. É que deve ser muito mais fácil proteger o cidadão de termos como “inhaca” do que contra o bacilo de Koch (65,2% dos casos de tuberculose no Brasil foram registrados na população negra, mas isso não deve ter nada a ver com desigualdade, racismo estrutural etc.).

Da Coreia à França, a crise das democracias - Fareed Zakaria

Washington Post / O Estado de S. Paulo

As pessoas estão cada vez mais desconfiadas das instituições tradicionais e das elites que as dirigem

A democracia liberal foi marcada por ênfase em procedimentos, não em resultados

Foi uma semana e tanto em todo o mundo. O presidente da Coreia do Sul colocou o país sob lei marcial, mas foi rejeitado pelo Parlamento. Na França, o primeiro-ministro e seu governo receberam um voto de não confiança pela primeira vez em mais de 60 anos. Esses eventos distintos têm um tema subjacente comum: uma crise das instituições democráticas.

Aparentemente, a Coreia do Sul é uma incrível história de sucesso. Sua economia cresceu mais de 5% por cinco décadas consecutivas, um recorde igualado apenas por Taiwan. O país hoje é mais rico que o Japão em termos de PIB per capita. Ainda assim, foi abalado por profunda polarização e batalhas políticas.

Cultura do horror - Miguel Reale Júnior

O Estado de S. Paulo

Como se normalizou o descaso para com o processo democrático, não se reagindo à prática da violência política, tanto nos EUA como aqui?

A sociedade civil organizada bem vislumbrou a vocação autoritária de Jair Bolsonaro ao longo do exercício de seu mandato. Desde 2020, diversos e relevantes setores sociais denunciaram o golpismo, reafirmando os valores da democracia.

Em muitos manifestos anotava-se estar a Nação exausta do clima artificial de confronto, proclamando-se: “A sociedade brasileira é garantidora da Constituição e não aceitará aventuras autoritárias”.

Bolsonaro veio empreendendo intensa luta contra as urnas eletrônicas, alcançando o cume no ato de 7 de setembro de 2021, na Avenida Paulista, no qual chegou a dizer que não cumpriria ordem da Justiça Eleitoral e “só sairia da Presidência preso ou morto”, além de que sem voto impresso “não haveria eleições”.

A esquerda perdeu? - Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Apesar de insucessos eleitorais, esquerda parece ter triunfado ao emplacar teses que se tornaram o pensamento convencional

Há uma espécie de consenso de que a esquerda está em crise. Ela ainda obtém vitórias eleitorais em alguns países, como o Uruguai e o México, mas experimentou recentes reveses em vários outros, como Estados Unidos e Argentina. A esquerda estaria com dificuldades para adaptar seu discurso para os tempos atuais.

Não discordo da necessidade de atualização da pauta, mas receio que o quadro seja mais complexo. Dependendo da medida escolhida, dá para dizer que a esquerda triunfou.

Quem me chamou atenção para isso foi José Eli da Veiga, que me mandou uma interessante discussão entre o cientista político francês Vincent Tiberj e o ex-ministro da Educação Jean-Michel Blanquer travada nas páginas do Le Monde.

Feitiço contra o feiticeiro – Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Tarcísio se arrisca a perder apoio da população ameaçada pela brutalidade policial

De quantos casos "isolados" o governador Tarcísio de Freitas vai precisar para se render à evidência de que há uma crise na administração da segurança pública em São Paulo? Quantos abusos "pontuais" serão necessários para ele aceitar que a brutalidade por parte de agentes do Estado é inaceitável?

Talvez essa tomada de consciência ocorra quando, e se, a sociedade perceber que qualquer um do povo pode ser vítima da violência desmedida de policiais pagos para protegê-la, e disso decorra uma queda na avaliação positiva de seu governo.

Há golpistas de todos os tamanhos e estilos – Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

Bolsonaro convocou um 171 clássico para agir em parceria com os militares aloprados

A tese segundo a qual o Brasil é o país do golpe (e não o do jeitinho, que era uma noção romântica de nós mesmos) cada dia ganha mais evidência. O golpismo representa uma força de trabalho impressionante, brava gente brasileira escolada na arte de falar javanês e na ciência de transformar ossos em ouro.

Ninguém escapa de ser enganado. Tido como gênio do mercado financeiro e ostentando nas redes para atrair incautos, o ex-soldado da PM Djair de Araújo embolsou R$ 30 milhões de seus colegas de farda. Até os temidos "caveiras" do Bope dançaram. Com a promessa de pagar dividendos que alcançariam 5% do valor investido, policiais venderam imóveis e contraíram empréstimos para despejar entre R$ 300 mil e R$ 500 mil nas contas de uma empresa fajuta. Era um esquema de pirâmide, que ruiu.

O senhor da guerra- Demétrio Magnoli

Folha de S. Paulo

Alternativa para conflito em Gaza encontra-se na proposta árabe de paz

"Imagine um apocalipse. Você olha à direita, à esquerda, tudo que vê são edifícios destruídos, danificados por fogo, por mísseis, tudo. É Gaza, bem agora." Yuval Green, 26, reservista de Israel, atendeu ao chamado às armas no rastro do 7 de outubro, mas decidiu dar um basta e explicou seu motivo moral à BBC. Ele entendeu que a guerra já não é sobre reféns ou o Hamas. E, depois de contemplar o apocalipse, talvez algum colega tenha lhe contado: Netanyahu, o senhor da guerra, pretende ficar em Gaza.

O Corredor de Netzarim, com cerca de 7 km de comprimento e de largura, corta a Faixa de Gaza do Mediterrâneo à fronteira israelense, pouco ao sul da Cidade de Gaza. Imagens de satélite mostram que as forças de Israel destruíram centenas de edificações situadas ao longo do corredor, dando lugar a 19 bases e dezenas de postos militares. O senhor da guerra tem um plano para o pós-guerra: girar os ponteiros do relógio para antes de 2005, quando Israel retirou suas forças e seus assentamentos da Faixa de Gaza.

O Direito à Preguiça - Marcus Pestana

Paul Lafargue, escritor e jornalista revolucionário franco-cubano, genro de Karl Marx, cuja obra foi o marco fundador do pensamento marxista, escreveu, no final do século XIX, O DIREITO A PREGUIÇA. Na epígrafe do primeiro capítulo cita Lessing “Sejamos preguiçosos em tudo, exceto em amar e em beber, exceto em sermos preguiçosos”. E abre seu texto dizendo: “Uma estranha loucura se apossou das classes operárias das nações onde reina a civilização capitalista. Esta loucura arrasta consigo misérias individuais e sociais que há dois séculos torturam a triste humanidade. Esta loucura é o amor ao trabalho, a paixão moribunda do trabalho, levado até o esgotamento das forças vitais do indivíduo e da sua progenitora. Em vez de reagir contra essa aberração mental, os padres, os economistas, os moralistas sacrossantificaram o trabalho” ...... “Na sociedade capitalista, o trabalho é a causa de toda a degenerescência intelectual, de toda a deformação orgânica”.

Fio da navalha – André Barrocal

CartaCapital

Entre a ira do mercado e a chantagem do Centrão, o governo busca um alívio para a segunda metade do mandato

O governo discutiu por dois meses medidas de controle de gastos públicos antes de o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, anunciar as linhas gerais em cadeia de rádio e tevê na noite de 27 de novembro e detalhá-las em uma coletiva de imprensa no dia seguinte. O pacote contém propostas dolorosas para um presidente eleito e apoiado principalmente pelos mais pobres. Contenção do aumento no salário mínimo, redução do número de beneficiários do abono salarial, pente-fino em programas sociais. Um ministro que participou no gabinete presidencial de reuniões preparatórias do plano afirma: Lula sempre deixou claro que o peso do ajuste não poderia cair apenas nas costas do povão. A tentativa de barrar supersalários no serviço público, a gastança parlamentar com verbas do orçamento e alguns privilégios das Forças Armadas foi pensada para repartir o ônus dos 70 bilhões de reais de ajuste fiscal nos dois últimos anos de Lula. “Queríamos que todo mundo pagasse a conta, mas nenhuma medida pegava o andar de cima”, diz uma testemunha dos acontecimentos.

Sem bufunfa no colchão - Luiz Gonzaga Belluzzo e Manfred Back

CartaCapital

Apostas em outras moedas e nas taxas de juro podem ser também, como o são realizadas em reais na Terra Brasilis

Na mítica trilogia épica, Indiana Jones, nosso arqueólogo corre desesperadamente atrás da Arca da Aliança e o Santo Graal. Assim como Indiana, nossos “especialistas” procuram neuroticamente o dinheiro nas “arcas” dos mercados!

O dinheiro não está lá, mas exerce seus poderes nas altas esferas da abstração ­real. Suas poderosas funções – unidade de conta, meio de troca e de pagamento, reserva de valor – escaparam das algemas da imediatidade material e buscam realizar o seu conceito em formas cada vez mais ideais e abstratas.

Violência sem limites - Aldo Fornazieri

CartaCapital

Partidos e parlamentares comprometidos com a democracia, assim como a sociedade civil, precisam dar um basta à brutalidade policial em São Paulo

A sociedade tem se deparado, nas últimas semanas, com cenas de violência policial assustadoras e inaceitáveis. Quem paga a polícia são os cidadãos e o pressuposto deveria ser o de que ela tem de proteger a sociedade, e não executar, assassinar pessoas desarmadas e inocentes.

Em 5 de novembro, o menino Ryan da Silva Andrade Santos, de apenas 4 anos, foi morto em uma operação policial no litoral paulista. Na madrugada do dia 20, o estudante de Medicina Marco Aurélio Cardenas Acosta foi executado à queima-roupa na escadaria de um hotel na capital. Nos últimos dias, apareceram vídeos que mostram um policial à paisana executando Gabriel Renan da Silva Soares com vários tiros pelas costas, após o jovem negro furtar três pacotes de sabão líquido. O PM foi apenas afastado das funções, quando a Justiça deveria ter decretado a sua prisão.

Poesia | Poema das sete faces, de Carlos Drummond de Andrade

 

Música | Geraldo Azevedo: Estou em Paz (Geraldo Azevedo e Sergio Peres)

 

sexta-feira, 6 de dezembro de 2024

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Avanço contra pobreza e miséria merece celebração

O Globo

Para que queda de ambas se consolide, porém, governo precisará fazer bem mais do que tem feito

O Brasil registrou avanço significativo no combate à pobreza e à miséria, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2023, ambas caíram aos menores índices da série histórica iniciada em 2012. A proporção de pobres na população foi de 36,7% no ápice — período da pandemia — para 27,4%. A pobreza extrema, de 9% para 4,4%. Estimativas da FGV Social sugerem que a fatia de pobres e miseráveis na população nunca foi tão pequena. Como, apesar da queda, os contingentes ainda são enormes, o combate às duas chagas históricas não pode esmorecer. Para que a tendência se consolide, o governo precisará fazer bem mais do que tem feito.

Dois fatores foram responsáveis pelos resultados positivos. O primeiro foi a redução do desemprego. A desocupação caiu de 8,8% no primeiro trimestre de 2023 para 7,9% um ano depois. A massa salarial, descontada a inflação, cresceu 6,6%, e o rendimento médio subiu 4%. Para a população vulnerável, mais dinheiro no bolso é a diferença entre a pobreza e uma vida mais digna. Mas a previsão é que o crescimento econômico que embalou a geração de emprego e renda arrefeça.

O julgamento do ano - Fernando Gabeira

O Estado de S. Paulo

É uma questão que não se pode arrastar. É preciso resolver de uma vez a constante reaparição da variável autoritária na política brasileira

Apesar de imprevisível, o Brasil já tem um importante roteiro político para o ano que entra. É o julgamento do processo de tentativa de golpe, envolvendo militares e Jair Bolsonaro.

Em fevereiro, a Procuradoria-Geral da República (PGR) deve apresentar a denúncia. É o mais provável, embora tenha também a prerrogativa de pedir novas investigações. Essa denúncia pode englobar ou não os três temas: desvio de joias, falsificação de vacinas e tentativa de golpe. No caso das vacinas, podem ser vistas como um instrumento necessário para a fuga. No entanto, as joias aparecem mais como uma espécie de fundo de horror para a travessia do deserto. Mas nunca se sabe se os fatos serão entrelaçados ou se estaremos diante de três processos distintos.

A economia real e o humor do mercado - Vera Magalhães

O Globo

Governo faz discurso binário de que ente maldoso não se preocupa com os pobres, mas conhece lógica que dita pé atrás com a política fiscal

Os dados positivos de vários indicadores macroeconômicos e sociais animaram Lula e ministros a reforçar o discurso de que há desconexão entre o mau humor do mercado financeiro com as decisões de política econômica, sobretudo fiscal, e a economia real. É o tipo de contraposição que funciona bem em discursos, rende argumentos para os defensores do governo no Congresso e na conversa de redes sociais, até pode indicar um caminho para recuperar a avaliação do presidente nas pesquisas de opinião, mas não é fidedigna, por opor variáveis distintas e esconder que o desequilíbrio fiscal pode, sim, comprometer os ganhos a respeito dos quais o governo bate bumbo na outra ponta.

Plano B de Bananinha - Bernardo Mello Franco

O Globo

Declaração indica que ex-presidente só apoiará quem tiver seu sobrenome

Eduardo Bolsonaro foi a Buenos Aires tirar uma selfie com Javier Milei e visitar aliados do pai na cadeia. Depois da incursão carcerária, deu um recado sobre a eleição presidencial de 2026. “O plano A é Bolsonaro. Posso ser o plano B”, disse.

Com cinco palavras, o Zero Três se autoproclamou candidato ao Planalto. A frase joga luz sobre a estratégia eleitoral do clã.

Jair Bolsonaro, o plano A, está inelegível até 2030. Foi condenado duas vezes pelo Tribunal Superior Eleitoral. Com o capitão fora do jogo, abriu-se um espaço para novos competidores no campo da direita.

A declaração de Eduardo indica que a família só admite uma alternativa ao patriarca se ela também usar o sobrenome Bolsonaro. Isso limita as opções a quatro nomes: Flávio, Carlos, Eduardo e Michelle.

Entre o inferno e o céu - Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Para o mercado, tudo é um desastre; na vida real, milhões de brasileiros saem da miséria

No mesmo dia, a pesquisa Genial/Quaest e o IBGE nos confirmaram duas realidades: no setor financeiro, que detesta o presidente Lula, 96% consideram que a economia vai mal; milhões de brasileiros, porém, vêm sendo tirados da miséria pelos programas sociais e justamente pelo aquecimento da economia, do emprego e da renda.

Sim, a inflação ultrapassou a meta, os preços absurdos são um dos grandes temas nacionais, os juros vão continuar subindo e Lula tem dificuldade com equilíbrio fiscal e em assimilar a importância do corte de gastos para os pobres, o País e o sucesso do seu governo. Tudo isso é verdade, mas a economia está tão desastrosa como diz o mercado?