sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Dizer que Lula 4 será Dilma 2 é exagero, assim como achar que não há risco de colapso, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Aperto das condições financeiras que houve depois da eleição logo chega à economia real

Cumprir à risca o arcabouço fiscal evita explosão certa, mas crescimento será bem baixo

Produção, vendas e emprego caíam no trimestre final de 2014. Despencavam quando Dilma Rousseff estava para voltar ao governo em 2015. Não há números indiretos e muito menos indicadores (que saem com atraso de uns dois meses) de que tal derrocada esteja acontecendo agora. Também não se está dizendo que Lula 4 seria reprise de Dilma 2. Primeiro, porque há providências a tomar a fim de impedir tal desastre. Segundo, porque o colapso que se viu a partir de 2015 não se deveu apenas à pavorosa política econômica.

Mas a dívida do governo e a dívida das pessoas são maiores do que no final de Dilma 1. Diminuir endividamento quando receita e salário crescem menos, se crescem, é mais difícil. Para piorar, problemas como gasto, dívida e eficiência da despesa do governo estão amarrados por uma camisa de força.

Janones e militância deram impulso decisivo à campanha de Lula, por Angela Alonso*

Folha de S. Paulo

Canal de WhatsApp encabeçado pelo deputado centraliza tarefas e acelera a ação nas plataformas

Estratégia converte apoiadores comuns em ativistas disciplinados

"Espontâneo" é juízo corriqueiro para megamobilizações, como a pró-Lula no segundo turno. O adjetivo oculta o trabalho organizacional que o enunciador desconhece.

A campanha foi tessitura de vários tecelões. Constituiu-se como rede nacional (com pernas globais), amarrio de iniciativas autônomas: militância partidária da base governista, lobby junto a elites sociais, ativismo presencial e digital.

Parte foi de carne e osso. Três exércitos de profissionais treinados no ativismo foram para a batalha. Um foi o petista raiz, socializado na redemocratização, que fez corpo a corpo e encheu os eventos de movimentos e sindicatos próximos ao PT.

As peripécias de um Bolsonarinho derrotado, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Flávio se evade para a Flórida e publica carta delirante com efeito cômico involuntário

Família fica isolada politicamente, mas resiliência do clã não deve ser subestimada

Marx errou. Ao menos no Brasil, a história não se repete como farsa, mas como sátira. O pós-derrota eleitoral de Flávio Bolsonaro superou o de Jair no quesito delírio com efeitos humorísticos involuntários.

Ambos optaram por curar a ressaca nos EUA, mas Flávio, em tese o moderado da família, recorreu a uma evasão rocambolesca e publicou uma carta que entrará para os anais da psiquiatria política na qual se declarou "verdadeiro presidente eleito" e que ilustrou com um brasão de armas da República com a inscrição "Estados Unidos do Brazil", que deixou de ser o oficial em 1968. Pensar que a população quase entregou as chaves do Planalto a este homem escancara as vulnerabilidades irredutíveis da democracia.

Aos trancos, os Bolsonaros dissolvem o capital político da família, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Flávio é o terceiro do clã a ficar de fora da cena nacional por erro de cálculo sobre os efeitos dos próprios atos

Considerando que na política não há vácuo, cedo ou tarde o lugar será ocupado por alguém na fila da direita

Os quase 60 milhões de brasileiros que optaram pelo candidato derrotado na eleição à Presidência tiveram seus votos inutilizados por ele. Em suma, foram feitos de palhaços.

No lance da fuga, de uma tacada Flávio Bolsonaro (PL) revelou sua face golpista e mostrou-se um colosso em matéria de autodestruição. Virou as costas para o eleitorado, deixou no "ora, veja" os políticos aliados, provou-se inabilitado para liderar a oposição e lustrou de razão o equívoco tático de Alexandre de Moraes de retomar a ofensiva judicial na base da afobação.

Advogado de araque, por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

Dos 38 presidentes da República, 23 eram advogados; isso não impediu os golpes

Flávio Bolsonaro, especialista em advogar em causa própria, quase foi mais um

No domingo (25) da eleição, os jornais abriram páginas com a galeria dos presidentes da República. Sob as fotos, a profissão e o mandato de cada um. Três foram eleitos, mas, por impedimento (Júlio Prestes) ou morte (Rodrigues Alves e Tancredo Neves), não tomaram posse.

Oito (Deodoro, Floriano, Getúlio e os cinco milicos de 1964) não foram eleitos —nem precisavam, porque tinham cavalos e tanques. E quatro exerceram mandatos-tampão constitucionais. Excluindo as reeleições (donde Lula só contou uma vez), foram 38 presidentes.

Direita entra em parafuso com fuga de Flávio, e Tarcísio desponta como novo líder, por Fábio Zanini

Folha de S. Paulo

Clã poderá ter de abrir espaço para nome mais ao centro em 2030

Senador havia saído fortalecido de eleição, mas pôs tudo a perder com ida aos EUA e carta golpista

O que acontecerá com a direita brasileira após a fuga espetacular de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos?

Seria o fim do domínio dessa família sobre a parte mais conservadora do eleitorado?

Passado o choque inicial da escapada do senador na calada da noite, essas são as perguntas que vêm sendo feitas por bolsonaristas que agora se sentem meio órfãos.

Afinal, Jair está preso, enquanto Eduardo e Flávio estão fora do país. Carlos e Michelle Bolsonaro, os novos senadores da família, são meio inexperientes e ainda uma incógnita. Tem também o Jair Renan, eleito deputado federal, mas esse deixa para lá.

Poesia | André Morais | Por que cantamos, de Mario Benedetti

 

Música | Elis Regina - Maria, Maria