Folha de S. Paulo
Dos 38 presidentes da República, 23 eram
advogados; isso não impediu os golpes
Flávio Bolsonaro, especialista em advogar em causa própria, quase foi mais um
No domingo (25) da eleição,
os jornais abriram páginas com a galeria dos presidentes da República. Sob as
fotos, a profissão e o mandato de cada um. Três foram eleitos, mas, por
impedimento (Júlio Prestes) ou morte (Rodrigues Alves e Tancredo Neves), não
tomaram posse.
Oito (Deodoro, Floriano, Getúlio e os cinco milicos de 1964) não foram eleitos —nem precisavam, porque tinham cavalos e tanques. E quatro exerceram mandatos-tampão constitucionais. Excluindo as reeleições (donde Lula só contou uma vez), foram 38 presidentes.
Não. Nenhum desses presidentes advogados está
entre os grandes advogados do país. A maioria nunca defendeu uma causa e sua
única relação com o direito se limitou ao diploma na parede. Não quer dizer
que, além da carreira política, alguns não se dessem bem na profissão.
O ex-candidato e fujonildo
Flávio Bolsonaro é advogado. Seu "escritório", aberto em
2021, ficava na sua própria mansão em Brasília. Não empregava outros advogados,
não acolhia estagiários e era administrado por uma senhora moradora nos
cafundós. Dos poucos casos de
que tratou, um era em causa própria e outro, defendendo seu pai
—pelo visto, sem muito sucesso. Apesar disso, seu CNPJ faturou cerca de R$ 14
milhões nesses cinco anos.
Por coincidência, as contas bancárias do
"escritório" de Flávio batem com as do também
advogado Willer Tomaz, ambos investigados por lavagem de dinheiro.
Flávio poderia defender Willer e a si próprio, mas, que pena, se mandou sem nem
se despedir.

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