Folha de S. Paulo
Clã poderá ter de abrir espaço para nome mais
ao centro em 2030
Senador havia saído fortalecido de eleição,
mas pôs tudo a perder com ida aos EUA e carta golpista
O que acontecerá com a direita brasileira
após a fuga espetacular de Flávio
Bolsonaro para os Estados Unidos?
Seria o fim do domínio dessa família sobre a
parte mais conservadora do eleitorado?
Passado o choque inicial da escapada do
senador na calada da noite, essas são as perguntas que vêm sendo feitas por
bolsonaristas que agora se sentem meio órfãos.
Afinal, Jair está preso, enquanto Eduardo e Flávio estão fora do país. Carlos e Michelle Bolsonaro, os novos senadores da família, são meio inexperientes e ainda uma incógnita. Tem também o Jair Renan, eleito deputado federal, mas esse deixa para lá.
A decisão de Flávio de fugir, e depois ainda
divulgar uma carta golpista, deve tirá-lo do jogo para a eleição de 2030.
Mesmo tendo perdido para Lula, ele tinha
saído fortalecido da eleição, com quase 60 milhões de votos. Teria, assim,
condições de pleitear uma nova candidatura daqui a quatro anos. Mas preferiu
jogar tudo para o alto e rasgar a fantasia de moderado. Nem aliados próximos o
apoiaram nessa empreitada.
Dos Bolsonaros que restam, talvez Michelle
possa agora assumir o posto de líder do clã e, quem sabe, disputar a
Presidência daqui a quatro anos.
A família Bolsonaro, afinal, é a maior
responsável pelo ressurgimento da direita brasileira na década passada e não
gosta de ter seu protagonismo contestado. Mas depois da derrota de domingo
passado, talvez percebam que alguém com perfil mais de centro tenha maiores
chances eleitorais.
É aí que entra Tarcísio
de Freitas, que já se movimenta para assumir o figurino de adulto na sala
dessa direita meio caótica.
Ele foi leal a Flávio durante a campanha e
está em posição de pedir um gesto de retribuição na próxima eleição. A única
dificuldade é que o nome dele não é Tarcísio Bolsonaro, mas ele terá quatro
anos para convencer a direita de que pode finalmente tirar o PT do poder.
E o Flávio? Esse tende a ficar esperneando lá
nos Estados Unidos e ser cada vez menos relevante no debate político.
Quem sabe a fuga dele não rende uma sequência
para Dark Horse?

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