Política e cultura, segundo uma opção democrática, constitucionalista, reformista, plural.
terça-feira, 1 de janeiro de 2013
Boa sorte e juízo! - Eliane Cantanhêde
A nova leva de prefeitos que assume hoje traz uma lufada de otimismo à política brasileira. Inaugura o pós-mensalão e projeta o futuro. Corrupção sempre haverá, mas projeta-se uma fase de mais pudor na gestão pública.
A estrela da festa é Fernando Haddad, que chega à prefeitura mais importante do país por um empurrão decisivo dos 80% de popularidade de Lula, mas tem todos os atributos pessoais e vem adquirindo os políticos para fazer não apenas uma boa gestão em São Paulo, mas também abrir horizontes para o PT. Nova cara, nova esperança.
Há, ainda, promessas em diferentes regiões e de diferentes partidos, como Gustavo Fruet (PDT) em Curitiba, Geraldo Júlio (PSB) em Recife, Rui Palmeira (PSDB) em Maceió, assim como Clécio Luís (PSOL) na distante Macapá. Apenas exemplos de sangue novo, para revigorar o combalido corpo político brasileiro.
Tudo, porém, está só começando. Haddad passou pelo MEC, Fruet e Palmeira, de famílias políticas, foram deputados, Geraldo Júlio, cria de Miguel Arraes, foi secretário em Pernambuco, e Clécio Luís, professor da rede pública, era vereador. Mas é agora que vão enfrentar o seu grande desafio, uma espécie de BBB político. O futuro de cada um depende de erros e acertos nas prefeituras.
Há histórico de prefeitos que fizeram excelentes carreiras, mas não faltam exemplos dos que naufragaram para todo o sempre. O mais recente é a de Micarla de Sousa em Natal. Jovem, bonita, tida como inteligente, ela disputou e ganhou a prefeitura pelo charmoso PV. Foi um fracasso retumbante e sai do cargo escorraçada pela decepção popular.
Não é, obviamente, o que se deseja aos novos e promissores prefeitos, que emprestam boas caras, currículos respeitáveis e milhões de boas intenções às suas cidades e às expectativas de seus eleitores. Que estejam à altura delas, deles e do futuro.
Ótimo 2013!
Fonte: Folha de S. Paulo
Ano-novo - Tereza Cruvinel
Comecemos o ano com poesia, ainda que buscando a leitura política. “Os dias do futuro estão em frente a nós/ como uma longa fila de círios acesos/ Dourados, quentes, vivos, pequeninos círios/ Os dias do passado ficam para trás/ como triste fileira de apagados círios ”’(Konstantyn Kavafys). Somos todos feitos de tempo , de círios que não devem ser queimados em vão: as pessoas, as instituições, os países. Os últimos 20 anos foram bem aproveitados pelo Brasil. Hoje começa um ano-novo que vem com deficits, mas também com as condições para ser produtivo e manter o país na trilha dos avanços. Não haverá eleições, com suas tensões, interdições e fortes antagonismos. Novos prefeitos tomam posse hoje, herdando problemas , mas olhando para frente. A presidente e os governa-dores poderão se dedicar inteiramente à gestão, ainda que pensando em faturar eleitoralmente no ano que vem.
O Congresso, com as Mesas Diretoras renovadas, deve buscar o prestígio perdido. Este ano, o que o calendário exige é preparação para a Copa de 2014. Na economia, as medidas contra a crise externa já foram tomadas. A reação demorou, mas começou no fim de 2012. O crescimento foi baixo mas com o emprego e os salários fecharam em alta. A nova classe média se consolidou, fortalecendo o mercado interno. Esses são os elementos favoráveis a que o ano seja menos conturbado e mais produtivo para o Brasil. Mas há problemas e elementos nefastos e o dia é propício a recordá-los. Haverá crescimento este ano, garantem analistas céticos e economistas engajados. Mas, para crescer sustentavelmente, o foco no consumo terá que ganhar uma inflexão pró-investimento.
O governo tomou medidas para modernizar e ampliar a infraestrutura, atraindo o setor privado para as parcerias. Mas faltam ainda iniciativas na área de inovação e tecnologia, o que exigirá mudanças drásticas na educação. As políticas sociais, o crédito e a distribuição de renda reduziram indiscutivelmente a pobreza e a desigualdade, mas a inflação nos espreita e, se tiver chance, pode devorar os ganhos obtidos pelos mais pobres. A união federativa resistiu a muitos solavancos desde a independência, mas o ano começa com a maioria dos municípios empobrecidos e disputas entre os estados e a União. Continuam irresolvidos problemas como a distribuição dos royalties do petróleo e dos recursos do FPE, a unificação das alíquotas do ICMS e a correção das dívidas estaduais, entre outros. Começa também o ano com disputas entre os Poderes, com o Judiciário avançando sobre os espaços normativos que o Congresso não ocupou. Por fim, há uma antecipada ansiedade com a disputa eleitoral de 2014. PT e PSDB, partidos polares do sistema, bem podiam se conter , sem deixar de se preparar para ela. O ano nos traz favores e desfavores mas, na balança, as condições permitem que a luz do círio seja bem queimada em 2013. Feliz ano-novo ao Brasil e aos brasileiros!
Preliminar
A reunião que o senador Aécio Neves teve após o Natal com os economistas Arminio Fraga, Pedro Malan e Edmar Bacha, presente o ex-presidente Fernando Henrique, foi uma preliminar para a formulação de seu discurso na pré-campanha presidencial. Denúncias de corrupção e temas polêmicos, como aborto, darão lugar a crítica permanente aos pontos fracos da gestão Dilma. “ Aécio apresentará um projeto alternativo. O mercado e os investidores estão muito inseguros, médio e longo prazos, com alguns traços do governo, como o viés estatista e intervencionista e a incerteza regulatória. Isso não é bom para o Brasil” , diz o deputado Marcus Pestana, um dos arqueiros de Aécio.
Fonte: Correio Braziliense
Brasileiro segue otimista com economia
Datafolha mostra que, após um 2012 fraco, 44% acreditam em melhora neste ano, mas com inflação mais alta
Para 57%, situação econômica pessoal vai progredir; otimismo é menor entre aqueles de maior renda
Patrícia Campos Mello
SÃO PAULO - O "pibinho" não abalou as expectativas dos brasileiros.
Apesar do desempenho pífio da economia em 2012, com crescimento que deve ficar abaixo de 1%, quase metade dos brasileiros acredita que a economia do país vai melhorar nos próximos meses.
Esse otimismo moderado apareceu em pesquisa nacional feita pelo Datafolha em 13 de dezembro, em 160 municípios. Para 44% dos 2.588 entrevistados, a economia vai melhorar; 38% acreditam que ficará como está e 13% acham que vai piorar. Não opinaram 5%. A margem de erro é de dois pontos percentuais.
Em janeiro de 2012 -antes, portanto, do PIB decepcionante-, a percepção dos brasileiros sobre o futuro da economia era praticamente a mesma: 46% achavam que ia melhorar, 13% apostavam em uma piora e 37% acreditavam que ficaria igual.
Os brasileiros com renda entre cinco e dez salários mínimos são os mais otimistas: 48% apostam na melhora da economia. Os mais pessimistas são os de maior renda (mais de dez salários mínimos) -16% acreditam que a situação vai piorar. A renda dos 10% mais pobres da população foi a que mais cresceu entre 2001 e 2009.
Situação pessoal
Os entrevistados se mostram esperançosos quanto à sua situação econômica. A maioria, 57%, acha que sua situação pessoal vai melhorar, enquanto 31% acreditam que ela não vai mudar. Apenas 8% dizem que vai piorar.
O desemprego tampouco desperta preocupações. A taxa medida pelo IBGE ficou em 4,9% em novembro, a menor para o mês desde 2002.
Segundo o Datafolha, 33% dos brasileiros acham que o desemprego vai diminuir; 31%, que vai ficar como está, e 33%, que vai subir -resultado semelhante ao da pesquisa de janeiro.
Mas o brasileiro se mostra mais receoso em relação à inflação, que deve ficar acima do centro da meta de 4,5% em 2012. Segundo última pesquisa do Banco Central de 2012, a estimativa de mercado é que o IPCA feche o ano em 5,71%. Segundo o Datafolha, 44% das pessoas acham que a inflação vai subir; 13%, que vai diminuir, e 37%, que vai ficar como está.
Fonte: Folha de S. Paulo
Perspectivas de emprego para 2013 - José Pastore
Em relação a muitos países, o Brasil tem sido um verdadeiro oásis em matéria de emprego. Enquanto os espanhóis amargam um desemprego de 25%, entre nós, a taxa é menor do que 5%. No Brasil, o quadro dos últimos anos tem sido o de falta de mão de obra.
Mas o que dizer de 2013? Confesso estar preocupado, especialmente, com o comportamento do emprego industrial. A geração de novos postos de trabalho nesse setor está em ritmo muito lento. Em alguns segmentos, já começa a haver perda de empregos, como é o caso da construção civil.
As indústrias brasileiras vêm perdendo competitividade a passos largos. No que tange ao fator trabalho, o Brasil apresenta um dos mais altos custos unitários do mundo em decorrência de aumentos explosivos da remuneração, da baixa produtividade e do avassalador intervencionismo das leis e da Justiça do Trabalho no campo trabalhista. Resumo: a disparada do custo do trabalho brasileiro já assusta os investidores. A tais problemas se somam os entraves sistêmicos já conhecidos - ineficiência da logística, tributos e burocracia sufocantes, regulação imprevisível, educação de baixa qualidade e minguados investimentos em inovação. A lista é enorme e, no conjunto, pesa muito mais do que a crise externa na determinação da baixa competitividade das nossas indústrias. Tanto que vários dos nossos concorrentes estão se saindo melhor do que o Brasil, a despeito da crise externa.
Nos últimos meses alastrou-se a percepção de que o Brasil deixou de ser a bola da vez por ser pouco competitivo, em especial, na indústria. Com o descasamento acelerado entre o custo do trabalho - que explode - e a produtividade - que permanece estagnada -, é difícil visualizar um cenário de crescimento sustentável no campo do emprego industrial em 2013. Ao contrário, podemos ter perdas. Há notícias indicando que algumas empresas já vêm promovendo demissões em massa. Há também as que transferiram suas operações para o exterior.
O comércio e os serviços ainda respondem por um bom volume de empregos graças ao crescimento da massa salarial que leva muitas pessoas a consumir. Mas mesmo nesses setores há segmentos preocupantes. Os bancos iniciaram um período de dispensa de funcionários que tende a se acentuar em 2013. A elevação da inflação e o endividamento crescente fazem os recém-chegados à classe média reverem seus planos de consumo, o que deve afetar o comércio e os serviços neste próximo ano.
Não quero exagerar. Mas, em algum ponto, o fraco desempenho da indústria e do setor financeiro afetará o agregado, trazendo a geração de postos de trabalho para cerca de 1,2 milhão em 2013 - bem inferior aos anos em que o Brasil era realmente uma usina de empregos, como em 2010, quando o País abriu quase 3 milhões de novas oportunidades.
O quadro só não é de alarme porque a proporção de pessoas dispostas a trabalhar vem diminuindo por força da queda da taxa de natalidade ocorrida há décadas. Ademais, os jovens estão retardando a entrada no mercado de trabalho e os idosos estão antecipando a saída. Os três fenômenos concorrem para uma redução dos que se oferecem para trabalhar, contribuindo, assim, para baixar a taxa de desemprego.
As medidas de estímulo, apesar de estarem na direção certa, ainda não produziram os efeitos esperados para elevar a competitividade do setor industrial. Aumentar os investimentos e melhorar a sua qualidade são cruciais. Bem o contrário do que ocorreu em 2012, quando os investimentos industriais reduziram 28% em relação a 2011, que por sua vez já haviam encolhido, quando comparados com 2010.
Em suma, penso que 2013 será marcado por um baixo crescimento do emprego em decorrência da deterioração do mercado de trabalho do setor industrial e dos seus reflexos. Não será um ano catastrófico, mas estará longe do céu de brigadeiro usufruído nos últimos tempos.
José Pastore, professor de Relações do Trabalho da FEA-USP. É membro da Academia Paulista de Letras,
Fonte: O Estado de S. Paulo
Em busca do tempo perdido – Miriam Leitão
Em 2013 a presidente Dilma Rousseff terá seu ano decisivo. No terceiro ano de governo ela tentará deslanchar o crescimento para ter mais um mandato no Planalto. O crescimento medíocre do primeiro biênio e a inflação em patamar alto só não corroeram sua popularidade porque o consumo tem sido turbinado pelo crédito. Mas sua imagem de gerente perdeu consistência.
Na área internacional a incerteza terá como foco os Estados Unidos. A Europa tentará a difícil tarefa da construção das bases da união bancária, mas o continente passará o ano em recessão. A China pode crescer um pouco mais, mas não volta ao patamar de dois dígitos de alguns anos atrás. A crise política americana produzirá novos eventos de ameaça à recuperação.
O mundo pode não prejudicar muito o Brasil, mas não ajudará, como fez de 2003 a 2007 no governo Lula. Não se espera um novo boom de commodities, no máximo que o minério de ferro não caia abaixo do nível de 2012.
Aqui dentro há chances razoáveis de um ano com um PIB mais forte. Ontem, a média das projeções do mercado confirmaram os 3,3%, o que não quer dizer nada porque eles erraram muito em 2012, mas depois de dois anos de baixo crescimento, há o efeito até estatístico de recuperação. O crescimento não poderá contar apenas com o aumento do endividamento das famílias, porque esse processo está se esgotando. Houve no ano passado preocupação com o excesso de comprometimento da renda das famílias com o pagamento de dívidas. Muito devedor ainda está encalacrado. A relação crédito-PIB saiu de 25% para 52% em dez anos. Como os juros do crédito ao consumo continuam altos, os níveis de crédito-PIB de outros países não são parâmetro para nós.
O investimento público tem que ser maior e mais eficiente. Como recentemente disse o ex-presidente do BC Armínio Fraga, adianta pouco usar o investimento público na construção de pirâmides. O governo tem que ser capaz de fazer as apostas certas e mais racionais em projetos que realmente aumentem a competitividade do Brasil e eliminem gargalos.
A inflação deve permanecer alta, mas haverá alguns pontos de redução. Os alimentos não devem subir tanto, porque no ano passado o aumento foi em parte pela seca nos Estados Unidos. Eventos extremos de clima têm se repetido ano a ano, mas não se espera algo como a perda de grande parte das lavouras de soja, milho e trigo nos Estados Unidos. Mesmo assim, a inflação de alimentos, que ficou em 10% em 2012, permanecerá forte. A de serviços pode cair, porque o reajuste do salário mínimo será em percentual menor. E há ainda a queda dos preços de energia. Esse efeito será em parte neutralizado pelo reajuste da gasolina.
O governo tentará fazer algo mais forte para impulsionar a retomada do crescimento porque sabe que este ano é fundamental para os projetos do PT de permanecer no governo, seja com Dilma ou Lula.
O ano mais fácil de qualquer governo é sempre o primeiro e Dilma o perdeu. O governo parou nas sucessivas denúncias de corrupção que derrubaram sete dos seus ministros. Na economia foi preciso conter a inflação que refletiu os excessos de gastos eleitoreiros de 2010 e que bateram em 2011. Todas as previsões eram de recuperação do crescimento no ano passado, mas o país ficou estagnado.
A presidente Dilma tem cada vez menos entusiastas dos seus métodos de gestão. Tem muita decisão que depende apenas da sua atuação e fica estacionada em sua mesa. Bom gerente decide com agilidade. A política econômica é dominada pelo pacotismo que gera mais incerteza do que estímulo. É adepta dos projetos de impacto, como os do governo militar, mas sem ligação com as urgências do país, como o trem-bala. É lenta em decisões como a da privatização do Galeão que consumiu dois anos de hesitação.
Nesses dois anos que faltam para o fim do mandato, Dilma terá que superar seus erros gerenciais e focar no investimento público, se quiser melhorar seu desempenho na área econômica. Ao mesmo tempo terá que ter mais cuidado com a área fiscal. As contas finais não chegaram, mas até agora há risco de não cumprimento das metas de 2012 e o governo tem comprometido demais os bancos públicos em financiamento que não terá retorno garantido, principalmente Caixa e Banco do Brasil. Fazer bolha é fácil. O ano precisará ser de crescimento com boa gerência.
Fonte: O Globo
Criador do PSD concentra foco
Artur Rodrigues
Gilberto Kassab trocará o helicóptero que usava diariamente para ir aos eventos da Prefeitura pelo avião. Na ponte aérea entre São Paulo e Brasília, deve preparar o caminho para a disputa das eleições dos governos dos Estados por candidatos do Partido Social Democrático. Entre os pleiteantes da sigla, deve estar o próprio Kassab, no páreo para o Palácio dos Bandeirante.
Até 2014, Kassab passará quase 100% do tempo fazendo o que fez com mais eficiência nos últimos anos: política. Após sete anos de mandato, ele saiu da Prefeitura com a pior avaliação desde Celso Pitta - 42% dos paulistanos classificaram a gestão como ruim ou péssima, enquanto 27% disseram que foi boa ou ótima, segundo o Ibope. No entanto, o recém-criado Partido Social Democrático (PSD) firmou-se como a quarta força política do País, com 494 prefeitos eleitos, atrás só dos poderosos PMDB, PSDB e PT.
Nos primeiros dias de janeiro, ele volta para a Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, onde se formou em Engenharia, para dar início à criação de um núcleo de estudos voltado à gestão de cidades. "Depois, na segunda quinzena de janeiro faço palestra sobre desenvolvimento urbano em Abu Dhabi (nos Emirados Árabes Unidos)", diz.
O descanso de verdade deve vir só em fevereiro. "Viajo para Nova York com uma sobrinha que vai iniciar o MBA. Vou acompanhá-la, aproveito e descanso."
Já visando o governo do Estado, Kassab terá de trabalhar para ganhar votos no interior, onde o governador Geraldo Alckmin (PSDB) é bastante popular. "Apesar de eu ter nascido em São Paulo, sempre atuei mais no interior", garante.
Dilma. No plano federal, o apoio à reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT), segundo ele, é o mais provável. Ele deve garantir o primeiro ministério do PSD, o que vai cuidar das pequenas e médias empresas. Pelos planos de Kassab, quem assumirá a carga é o vice-governador, Guilherme Afif Domingos.
Fonte: O Estado de S. Paulo
Mercado vê PIB abaixo de 1% em 2012 e eleva inflação
Expectativa para 2013, no entanto, foi mantida em 3,3%
SÃO PAULO — O mercado encerrou o ano estimando pela primeira vez que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano ficará abaixo de 1%, ao mesmo tempo em que elevou pela quarta semana seguida sua projeção para a inflação em 2012, mostrou pesquisa Focus do Banco Central, divulgada nesta segunda-feira. Os analistas consultados preveem agora que o PIB terá uma expansão de 0,98% neste ano, ante expectativa de 1% na semana anterior. Mas a perspectiva para 2013 foi mantida em 3,3%.
Em relação à inflação, os analistas preveem agora que a taxa medida pelo IPCA terá chegado a 5,71% em 2012, ante 5,69% na semana anterior. Já a expectativa para a inflação em 2013 é de alta de 5,47%, inalterado ante a semana anterior. O Banco Central já reduziu sua previsão para o crescimento da economia brasileira neste ano a 1 por cento, ante 1,6% estimado anteriormente. Ao mesmo tempo, elevou a perspectiva para a inflação neste ano a 5,7% e reduziu a projeção para 2013 a 4,8%.
A pesquisa Focus desta segunda-feira mostrou ainda que os analistas mantiveram a previsão de que a Selic encerrará 2013 nos atuais 7,25%, mesmo percentual estimado para a taxa básica de juros em janeiro.
Fonte: O Globo
Cabral põe Pezão na rua para garantir continuidade no Rio
Vice-governador deve disputar a eleição estadual só daqui a dois anos, mas já conta com ajuda de profissionais
Alfredo Junqueira
RIO - O torneiro mecânico Darcy Souza, 86 anos, não acreditava muito nas chances de seu filho, Luiz Fernando, na disputa de sua primeira eleição à Câmara Municipal de Piraí, pequena cidade no interior do Rio de Janeiro, em 1982. Para ajudá-lo, resolveu fazer uma graça com os vizinhos inspirando-se na principal característica física do filho. Pegou uma tábua de madeira e talhou um pé enorme. Escreveu "Luiz Fernando Pezão" e o número do garoto na disputa, pendurando a peça publicitária improvisada no bar mais frequentado do bairro.
O filho do seu Darcy se elegeu vereador, depois faturou duas disputas à Prefeitura de Piraí (1996 e 2000), virou secretário estadual e desde 2007 é vice-governador. Principal gestor da administração fluminense, foi ungido pelo governador Sérgio Cabral (PMDB) como candidato a sua sucessão em 2014.
Responsável pelas obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) no Rio, tem excelente trânsito no governo federal e chegou a ser cotado para assumir um ministério no início da administração Dilma Rousseff - que o adora.
Apesar do currículo, Pezão - 57 anos e calçado nº 47/48 - ainda é um ilustre desconhecido. Lançado por Cabral em 2010, a viabilidade eleitoral dele ainda é vista com desconfiança até por peemedebistas.
Campanha. Para tentar reverter o quadro, Cabral e Pezão colocaram a chamada pré-campanha na rua depois do 2.º turno das eleições municipais. Os tempos do marketing amador do pai ficaram para trás e, desde o início de novembro, o vice-governador passou a ser tutelado por profissionais do pacote de comunicação de Cabral.
A FSB Comunicações assumiu sua assessoria de imprensa e o publicitário e antropólogo Renato Pereira, dono da Prole Gestão de Imagem e estrategista das campanhas vitoriosas de Cabral e do prefeito Eduardo Paes (PMDB), já atua como consultor informal da candidatura.
As duas empresas prestam serviço para a administração estadual. A FSB recebe R$ 18 milhões anuais para cuidar da assessoria de imprensa do governo - incluindo a vice-governadoria. Já a Prole faz parte da PPR - Profissionais de Publicidade Reunidos, uma das seis agências que administram a propaganda institucional do Estado - cujos gastos somaram R$ 206 milhões em 2011.
A espontaneidade de Pezão passou a ser regulada, e ele praticamente sumiu do noticiário. A quase dois anos da disputa eleitoral, a prioridade é evitar desgastes. Até porque o vice-governador terá dois adversários experientes em pleitos ao estilo vale-tudo: o ex-governador e deputado federal Anthony Garotinho (PR) e o senador Lindberg Farias (PT).
Em pelo menos duas ocasiões este ano, por exemplo, o vice-governador fez questão de fazer elogios a Delta Construções - empreiteira que mais faturou em obras com a administração Cabral e que se tornou alvo de todo tipo de suspeita depois que a Polícia Federal revelou, na Operação Monte Carlo, as relações de sua diretoria com o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.
"Ela (Delta) é uma empresa agressiva e por isso tem mais contratos", defendeu Pezão, no fim de abril, dias antes de Garotinho divulgar em seu blog fotos e vídeos de Cabral em companhia do dono da construtora, Fernando Cavendish, e de secretários de Estado em festas e restaurantes de luxo pela Europa.
Imagem. Pezão recusou-se a dar entrevista ao Estado. Segundo sua assessoria, a prioridade neste momento é a agenda de entrega de obras do governo.
O desempenho de Pezão em 2014 depende totalmente da avaliação de Cabral pelo eleitorado - afirmam integrantes da equipe da dupla. O desastre na imagem do governador provocado pelo escândalo Cachoeira-Delta e as fotos dele com Cavendish está sendo revertido, segundo dados de pesquisas internas aos quais o Estado teve acesso.
As avaliações de "ótimo" e "bom" de Cabral somavam 53% antes do escândalo. Despencaram para 34% após a divulgação da fotos. Na reeleição de Paes, em outubro, esse número chegava a 45%. Em novembro, subia para 48%.
Com a recuperação do governador, Pezão será apresentado ao eleitorado como representante do que será chamado de "Renascimento do Rio", numa clara comparação entre as gestões Cabral e as do casal Anthony e Rosinha Garotinho, ressaltando a pacificação de favelas, investimentos em infraestrutura e os grandes eventos esportivos.
Embora o PMDB do Rio ainda conte com uma pressão do PT nacional para abater novamente a candidatura de Lindberg, como ocorreu em 2010, a equipe que prepara Pezão também articula uma estratégia para tentar neutralizar o carisma do petista. Para isso, vai reforçar a imagem do vice-governador como político dotado de três elementos de capacidade pessoal "fundamental": diálogo, realização e liderança.
Pezão ainda contará com uma extensa agenda de inaugurações de obras sob sua responsabilidade para tentar decolar até 2014, como a reforma do Maracanã para a Copa do Mundo, o Arco Metropolitano e novas intervenções em favelas e comunidades carentes.
Fonte: O Estado de S. Paulo
Cotado para governo é réu em cinco ações por improbidade
Inquérito também apura se vice beneficiou família da mulher ao ter desapropriado imóvel em cidade do interior do Rio
Desde setembro de 2006, o vice-governador do Rio de Janeiro Luiz Fernando Pezão está instalado num apartamento no Leblon, bairro mais valorizado da zona sul do Rio, comprado por sua mulher, a economista Maria Lucia Cautiero Horta Jardim.
Certidão do 2.º Ofício de Registro de Imóveis mostra que faltando pouco menos de um mês para a primeira eleição de Cabral, Maria Lucia pagou R$ 315 mil pelo imóvel. Atualmente, um apartamento similar na área vale pelo menos quatro vezes mais.
O documento também mostra que o imóvel foi colocado em indisponibilidade pela Justiça Federal em cinco ocasiões. Pezão reverteu a decisão em instâncias superiores. O vice-governador é réu em cinco ações que tramitam na 1.ª Vara Federal de Barra do Piraí por improbidade administrativa supostamente cometida durante suas gestões na cidade vizinha de Piraí. Nos processos, o Ministério Público Federal alega que a máfia das sanguessugas atuou na cidade vendendo ambulância superfaturada para a prefeitura. Pezão nega todas as acusações.
Um outro imóvel é fonte de preocupação para o vice-governador. Em 29 de janeiro de 2010, numa das muitas vezes em que assumiu a administração durante viagens de Cabral ao exterior, Pezão assinou decreto desapropriando um imóvel de parentes de Maria Lucia em Barra do Piraí.
O Estado do Rio pagou R$ 470 mil pela casa, cujo preço de mercado era avaliado em torno de R$ 300 mil. Até o fim de dezembro, o local ainda estava em obras para receber a sede da Procuradoria-Geral do Estado na cidade.
O caso virou um inquérito civil na 2.ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva de Cidadania de Barra do Piraí, que apura eventuais irregularidades no processo. O caso foi revelado pela revista Época, para qual Pezão disse que não sabia que a pertencia à família de sua mulher. "Eu não misturo assuntos de Estado com a família", afirmou o vice-governador, na ocasião. / A.J.
Fonte: O Estado de S. Paulo
Vice ganhou espaço na política com Garotinho
Ao final de seu segundo mandato como prefeito de Piraí, Luiz Fernando Pezão foi levado por Garotinho para ocupar a Subsecretaria de Governo durante a gestão Rosinha Garotinho (2003/2006). Posteriormente, assumiu a pasta como titular. Foi o início de sua ascensão na política regional.
Em pouco tempo, Pezão passou a frequentar reuniões do núcleo político dos Garotinho. Tornou-se íntimo e nome de confiança do casal - que na época era aliado do atual governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB).
Quando começaram as negociações para a composição da chapa que sucederia Rosinha na eleição estadual de 2006, Garotinho impôs Pezão como vice.
Cabral, na época senador, não gostou. Argumentava que não poderia ter como vice um ex-prefeito de uma cidade que tinha apenas 15 mil eleitores. Preferia Antonio Francisco Neto, que era secretário de Receita e ex-prefeito de Volta Redonda (200 mil eleitores), ou Nelson Bornier, deputado federal e ex-prefeito de Nova Iguaçu (490 mil eleitores).
Vencedor da eleição, Cabral rompeu com Garotinho no período de transição, em dezembro. Pezão fez o mesmo semanas depois. Rapidamente, o vice-governador conquistou a confiança de Cabral e tornou-se peça fundamental de sua administração.
Garotinho nunca perdoou o que chama até hoje de traição do aliado. Em seu blog, não o poupa Pezão de críticas e ofensas. Em 2014, em palanques opostos, os dois devem protagonizar os momentos mais polêmicos da campanha eleitoral, com trocas mútuas de acusações. / A. J.
Fonte: O Estado de S. Paulo
Receita de Ano Novo - Carlos Drummond de Andrade
Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)
Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)
Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.
segunda-feira, 31 de dezembro de 2012
OPINIÃO DO DIA – Ferreira Gullar: comédia sem graça
“Não obstante, uma coisa é inegável: os dirigentes petistas sabem que tudo é verdade. O próprio Lula admitiu que houve o mensalão ao pedir desculpas publicamente em discurso à nação.
Por isso, só lhes resta, agora, fingirem-se de indignados, apresentarem-se como vítimas inocentes, prometendo ir às ruas para denunciar os caluniadores. Mas quem são os caluniadores, o Supremo Tribunal e a Polícia Federal? Essa é uma comédia que nem graça tem.”
Ferreira Gullar, Poeta, ensaísta e critico de arte.
Manchetes dos principais jornais do País
O GLOBO
Corregedor será mais rigoroso com juízes
O que eles disseram em 2012
FOLHA DE S. PAULO
'Ponho as mãos no fogo por Lula', afirma Haddad
Assalto no RS tem 16 reféns, 3 mortes e caçada cinematográfica
Índia discute lei para a castração de estupradores
EUA chegam sem acordo à véspera do 'abismo fiscal'
Lei deveria proibir eleição de ex-presidente da República
O ESTADO DE S. PAULO
Governo só libera 18% da verba para o São Francisco
Dilma é mais concisa do que Lula
CORREIO BRAZILIENSE
Gasto com servidor triplica em 10 anos
ESTADO DE MINAS
Adeus pibinho?
4 mil servidores federais demitidos em 10 anos
Colheita de recordes
O TEMPO (MG)
Verticalização fará as favelas crescerem 20%
Nova eleição em cinco cidades
Prefeitos eleitos no Estado enfrentam novos desafios
2012: o ano em que a `bola de cristal´ dos analistas falhou
GAZETA DO POVO (PR)
Curitibanos elegem saúde e segurança como as prioridades de Fruet
Esportes na água fisgam os veranistas
Shows de música marcam a virada de ano em frente à tevê
Prefeitos do interior assumem com finanças comprometidas
ZERO HORA (RS)
O que vivemos... 2012
O que esperamos... 2013
JORNAL DO COMMERCIO (PE)
PAC terá novas regras
Transição caótica na Prefeitura de Natal
Corregedor será mais rigoroso com juízes
O que eles disseram em 2012
FOLHA DE S. PAULO
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Governo só libera 18% da verba para o São Francisco
Ministério da Integração Nacional diz que obras de transposição sofreram com licitações canceladas
O Ministério da Integração Nacional só desembolsou, até 20 de dezembro, 18% do orçamento de 2012 para a transposição do Rio São Francisco, maior obra do PAC no Nordeste. Com isso, o cronograma começou a ser afetado. O trecho piloto, previsto para entrar em funcionamento este mês, pode ficar para 2014. O ministério atribui o fato a contratos que tiveram de ser rescindidos, criando a necessidade de abertura de novas licitações, algumas das quais só devem ficar prontas em março. Dos R$ 940 milhões previstos para este ano, o governo gastou somente R$ 173 milhões. A obra recebeu, ainda, dinheiro dos restos a pagar de anos anteriores no valor de R$ 501 milhões. Mesmo entrando 2013 com restos a pagar de R$ 1,4 bilhão, o governo federal embutiu na MP 598, editada para contornar o fato de o Orçamento ainda não ter sido votado pelo Congresso, o empenho de R$ 419,2 milhões em créditos extraordinários para serem gastos na obra a partir do início do ano.
Governo desembolsa 18% do previsto no ano e obra de transposição avança pouco
Valores reservados no Orçamento efetivamente pagos na construção de canais para levar a água do rio São Francisco para o sertão nordestino ficam em R$ 173 milhões
Eduardo Bresciani
BRASÍLIA - O ritmo lento das obras da transposição do Rio São Francisco reflete as dificuldades que o governo vem enfrentando para levar adiante os investimentos na área de infraestrutura no País. Até 20 de dezembro, só 18% do Orçamento disponibilizado para 2012 havia sido desembolsado pelo Ministério da Integração Nacional. A execução se restringiu, basicamente, a restos a pagar dos anos anteriores. Com isso, o cronograma da megaobra de Dilma começou a ser afetado.
Uma nova licitação foi lançada no final do ano e pode levar para 2014 a inauguração do trecho piloto da obra, antes previsto para entrar em funcionamento ainda neste dezembro. O governo, apesar disso, mantém para 2015 a previsão de conclusão total da obra - que é a maior do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) no Nordeste.
O Ministério da Integração Nacional atribui a baixa execução financeira aos contratos que tiveram de ser rescindidos com algumas empresas, criando a necessidade de abertura de novas licitações, algumas das quais só serão abertas em março. No eixo leste, só R$ 32,4 milhões foram pagos do Orçamento deste ano.
A dotação inicial era de R$ 439,9 milhões, mas, diante das dificuldades de execução, foi reduzida para R$ 149,9 milhões. No eixo norte, os recursos disponíveis foram aumentados, chegando a R$ 790 milhões, mas pouco mais de R$ 140 milhões foram efetivamente pagos.
A obra, como aconteceu com boa parte dos investimentos do governo federal, foi tocada basicamente com a sobra de orçamentos anteriores. Na Transposição foram aplicados R$ 501 milhões de restos a pagar. O valor é pouco mais da metade do que o governo tinha de sobra. Para 2013, a cota de restos a pagar chegará a R$ 1,4 bilhão.
Atrasos. O calendário da Transposição tem sido afetado, ainda que o governo se recuse a revisar a previsão de conclusão para 2015. O projeto piloto, um trecho de cerca de 16 quilômetros no interior de Pernambuco, tinha previsão de inauguração agora em dezembro, mas as obras estão longe do fim.
O governo lançou um novo edital em novembro e o contrato com o consórcio que terá a responsabilidade de terminar o trecho será assinado somente em 2013. O ministério prevê, agora, que a água do São Francisco comece a correr nesse trecho em setembro de 2013, mas a licitação dá prazo de um ano para que o novo contratado conclua o serviço, podendo estender as obras para 2014.
O atraso no projeto piloto frustra os planos do ministro Fernando Bezerra Coelho, que contava com a inauguração para afastar as críticas ao ritmo da obra, lento desde o início do governo Dilma Rousseff. O trecho é considerado importante por reunir alguns dos principais elementos da obra, como barragem, ponte e aqueduto, além dos canais, possibilitando um primeiro teste prático de como a Transposição vai funcionar.
O Orçamento total da obra chegou a R$ 8,2 bilhões e R$ 3,5 bilhões já foram investidos. Dos 16 lotes, sete estão em andamento e apenas um concluído. Foram realizadas rescisões parciais em alguns trechos e novas licitações serão lançadas até março de 2013, segundo a previsão da pasta.
O ministério informou ainda que dois lotes estão com as obras paralisadas. As empresas já foram advertidas e multadas. Foi aberto ainda um processo para suspendê-las de licitações da pasta e declará-las inidôneas, o que impediria sua contratação por qualquer outro órgão público.
Fonte: O Estado de S. Paulo
Novo pacto federativo pode unir PSDB e PSB
De saída da liderança do PSDB na Câmara Federal, deputado vê o partido de Eduardo Campos como par perfeito para o projeto tucano
Tércio Amaral
RECIFE — As roupas esportivas, no primeiro momento, disfarçam um traço marcante de sua personalidade: o discurso forte que adotou como líder do PSDB na Câmara. Aos 40 anos, o advogado pernambucano Bruno Araújo se despede da liderança tucana contabilizando um saldo positivo: o crescimento do partido nas regiões Norte e Nordeste, nas eleições municipais; a consolidação do nome do senador Aécio Neves (MG) como candidato do partido à Presidência em 2014; e uma postura mais forte na oposição ao governo da presidente Dilma Rousseff (PT). Em entrevista ao Correio, o tucano faz uma análise da política nacional, sem esquecer dos temas ligados ao PSDB de Pernambuco, como a "aliança branca" do partido com o governador Eduardo Campos (PSB).
Como o senhor avalia a atuação do PSDB no contraponto ao overno petista?
Eu acho que a oposição participou de momentos importantes, como a redução da atenuante das dívidas previdenciárias daqui a 20, 30 anos, e a criação do Fundo de Previdência do Servidor Público. Algo que o PSDB tentou implantar com o governo FHC e que houve todo o tipo de restrição do Partido dos Trabalhadores (PT). Este ano, o fundo foi constituído porque teve um encaminhamento favorável. O PSDB não agiu como o PT agiu quando não era governo. O PSDB também teve um momento fantástico quando garantiu numa medida provisória (MP) a retirada de todos os impostos federais dos produtos da cesta básica. Foi uma vitória política que esbarrou no veto da presidente Dilma, que prometeu para o início deste ano uma comissão interministerial para estudar como fazer essa redução. E essa comissão, até hoje, não se reuniu.
Qual foi o aprendizado do senhor como líder da bancada?
Acho que quem constrói uma formação política em Pernambuco, com a diferença de pequenas nuances, está preparado para se fazer no plano nacional. Após esses seis anos como relator-geral da Receita Orçamentária, como presidente de comissão, como líder de partido, a gente passa a ter uma visão muito clara não só do funcionamento do Congresso, mas, sobretudo, das nossas diversidades regionais, da compreensão da sintonia do discurso adotado tanto por Aécio Neves (senador do PSDB) quanto por Eduardo Campos (governador de Pernambuco) na discussão de um novo pacto federativo. Fica claro como os recursos e os tributos apurados pelo país estão concentrados em Brasília em detrimento de onde, de fato, há demandas, que são os estados e os municípios.
Como o senhor avalia o veto da presidente Dilma à partilha dos royalties do petróleo?
A presidente Dilma não conseguiu fazer com que os 26 estados brasileiros mais o Distrito Federal conseguissem uma composição com outros dois estados, que são agentes dessa construção. Ela fez o que é mais fácil, mas que sempre gera um efeito colateral. Ela jogou essa decisão para o Congresso Nacional sabendo que, quando se joga isso para o Congresso, através de um veto, cria-se uma cultura de que o veto é como jogar a sujeira debaixo do tapete. Mas, dada a importância nacional da mobilização desses recursos, o Congresso deixou claro que não vai aceitar que esse veto entre para a lista dos 3 mil que nunca foram apreciados. É tarefa do Congresso Nacional apreciar os vetos, mas, neste caso, infelizmente, fica a constatação de que uma presidente da República não conseguiu agir como chefe de Estado e construir um entendimento entre as unidades da Federação. Não há, por parte dos pernambucanos, nenhuma relação de desrespeito em relação ao carioca ou ao capixaba. O que há de parte de todos nós é a compreensão de que fazemos parte de um único país e, quando falarmos de riquezas oriundas do subsolo, todos tenham a sua participação. Pela inabilidade da presidente Dilma, esse assunto será resolvido pelo Congresso com a derrubada do veto, no dia 13 (de fevereiro).
E qual a sua avaliação do governo da presidente Dilma?
Primeiro, do ponto de vista da presidente-gerente, se nós fizermos uma análise muito fria, vamos perceber que é o segundo ano da gestão Dilma Rousseff onde nós teremos um Produto Interno Bruto (PIB) próximo de zero. Consequentemente, falta muito para a presidente Dilma confirmar a fama de uma boa gerente. Do ponto de vista da presidente Dilma líder, chefe de Estado, nós assistimos muito mais o presidente Barack Obama (dos EUA) do que a presidente Dilma. Ela é reclusa no Palácio e só fala para o Brasil em cadeia de televisão duas vezes ao ano, ou fala através de suas ministras Ideli Salvatti (Relações Institucionais) e Gleisi Hoffmann (Casa Civil). Eu acho que faria melhor se a presidente falasse mais ao país.
E em relação à próxima eleição, o PSDB alimenta o sonho de uma dobradinha entre Eduardo Campos e Aécio Neves em contraponto ao governo petista?
O governador Eduardo Campos inseriu Pernambuco como um dos protagonistas no cenário nacional, falando em eleições presidenciais. A inserção do governador de Pernambuco no ambiente de uma pré-candidatura presidencial faz bem ao ego do pernambucano. Eu acho que as candidaturas começam a se delinear: a de Aécio Neves, do meu partido, e a de Eduardo Campos, do PSB, podem marcar um novo ciclo da política nacional. Um ciclo da modernidade, do eleitor que procura gestões eficientes, que tratam da vida real do brasileiro. Eu diria que a inserção de Eduardo nesse contexto faz muito bem à história política de Pernambuco. Ele tem um papel hoje maior do que qualquer vice em qualquer chapa. Eu espero que estes projetos consolidados de uma disputa presidencial de Eduardo e de Aécio em algum momento possam convergir para o que faça bem ao país.
E por que essa relação não é tão clara em Pernambuco?
Sobretudo pela simbologia. Apesar dessa boa relação nacional entre tucanos e socialistas, o PSB tem ainda, sobretudo, um compromisso muito firme com o governo do PT. E o PSDB tem, em relação ao PT, seu principal adversário nacional. Eu acho que esta tese (da nacionalização do palanque de Pernambuco) manteve um cuidado importante nas aparências entre os dois partidos.
Fonte: Correio Braziliense
A década perdida - Marco Antonio Villa
A eleição de Luiz Inácio Lula da Silva em 2002 foi recebida como um conto de fadas. O País estaria pagando uma dívida social. E o recebedor era um operário.
Operário que tinha somente uma década de trabalho fabril, pois aos 28 anos de idade deu adeus, para sempre, à fábrica. Virou um burocrata sindical. Mesmo assim, de 1972 a 2002 - entre a entrada na diretoria do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e a eleição presidencial -, portanto, durante 30 anos, usou e abusou do figurino do operário, trabalhador, sofrido. E pior, encontrou respaldo e legitimação por parte da intelectualidade tupiniquim, sempre com um sentimento de culpa não resolvido.
A posse - parte dos gastos paga pelo esquema do pré-mensalão, de acordo com depoimento de Marcos Valério ao Ministério Público - foi uma consagração. Logo a fantasia cedeu lugar à realidade. A mediocridade da gestão era visível. Como a proposta de governo - chamar de projeto seria um exagero - era inexequível, resolveram manter a economia no mesmo rumo, o que foi reforçado no momento da alta internacional no preço das commodities.
Quando veio a crise internacional, no final de 2008, sem capacidade gerencial e criatividade econômica, abriram o baú da História, procurando encontrar soluções do século 20 para questões do século 21. O velho Estado reapareceu e distribuiu prebendas aos seus favoritos, a sempre voraz burguesia de rapina, tão brasileira como a jabuticaba. Evidentemente que só poderia dar errado. Errado se pensarmos no futuro do País. Quando se esgotou o ciclo de crescimento mundial - como em tantas outras vezes nos últimos três séculos -, o governo ficou, como está até hoje, buscando desesperadamente algum caminho. Sem perder de vista, claro, a eleição de 2014, pois tudo gira em torno da permanência no poder por mais um longo tempo, como profetizou recentemente o sentenciado José Dirceu.
Os bancos e as empresas estatais foram usados como instrumentos de política partidária, em correias de transmissão, para o que chamou o ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal, de "projeto criminoso de poder", quando do julgamento do mensalão. Os cargos de direção foram loteados entre as diferentes tendências do Partido dos Trabalhadores (PT) e o restante foi entregue à saciedade dos partidos da base aliada no Congresso Nacional. O PT transformou o patrimônio nacional, construído durante décadas, em moeda para obter recursos partidários e pessoais, como ficou demonstrado em vários escândalos durante a década.
O PT era considerado uma novidade na política brasileira. A "novidade" deu vida nova às oligarquias. É muito difícil encontrar nos últimos 50 anos um período tão longo de poder em que os velhos oligarcas tiveram tanto poder como agora. Usaram e abusaram dos recursos públicos e transformaram seus Estados em domínios familiares perpétuos. Esse congelamento da política é o maior obstáculo ao crescimento econômico e ao enfrentamento dos problemas sociais tão conhecidos de todos.
Não será tarefa fácil retirar o PT do poder. Foi criado um sólido bloco de sustentação que - enquanto a economia permitir - satisfaz o topo e a base da pirâmide. Na base, com os programas assistenciais que petrificam a miséria, mas garantem apoio político e algum tipo de satisfação econômica aos que vivem na pobreza absoluta. No topo, atendendo ao grande capital com uma política de cofres abertos, em que tudo pode, basta ser amigo do rei - a rainha é secundária.
A incapacidade da oposição de cumprir o seu papel facilitou em muito o domínio petista. Deu até um grau de eficiência política que o PT nunca teve. E o ano de 2005 foi o ponto de inflexão, quando a oposição, em meio ao escândalo do mensalão, e com a popularidade de Lula atingindo seu nível mais baixo, se omitiu, temendo perturbar a "paz social". Seu principal líder, Fernando Henrique Cardoso, disse que Lula já estava derrotado e bastaria levá-lo nas cordas até o ano seguinte para vencê-lo facilmente nas urnas. Como de hábito, a análise estava absolutamente equivocada. E a tragédia que vivemos é, em grande parte, devida a esse grave erro de 2005. Mas, apesar da oposição digna de uma ópera-bufa, os eleitores nunca deram ao PT, nas eleições presidenciais, uma vitória no primeiro turno.
O PT não esconde o que deseja. Sua direção partidária já ordenou aos milicianos que devem concentrar os seus ataques na imprensa e no Poder Judiciário. São os únicos obstáculos que ainda encontram pelo caminho. E até com ameaças diretas, como a feita na mensagem natalina - natalina, leitores! - de Gilberto Carvalho - ex-seminarista, registre-se - de que "o bicho vai pegar". A tarefa para 2013 é impor na agenda política o controle social da mídia e do Judiciário. Sabem que não será tarefa fácil, porém a simples ameaça pode-se transformar em instrumento de coação. O PT tem ódio das liberdades democráticas. Sabe que elas são o único obstáculo para o seu "projeto histórico". E eles não vão perdoar jamais que a direção petista de 2002 esteja hoje condenada à cadeia.
A década petista terminou. E nada melhor para ilustrar o fracasso do que o crescimento do produto interno bruto (PIB) de 1%. Foi uma década perdida. Não para os petistas e seus acólitos, claro. Estes enriqueceram, buscaram algum refinamento material e até ficaram "chiques", como a Rosemary Nóvoa de Noronha, sua melhor tradução. Mas o Brasil perdeu.
Poderíamos ter avançado melhorando a gestão pública e enfrentado com eficiência os nossos velhos problemas sociais, aqueles que os marqueteiros exploram a cada dois anos nos períodos eleitorais. Quase nada foi feito - basta citar a tragédia do saneamento básico ou os milhões de analfabetos.
Mas se estagnamos, outros países avançaram. E o Brasil continua a ser, como dizia Monteiro Lobato, "essa coisa inerme e enorme".
Marco Antonio Villa é historiador e professor da Universidade Federal de São Carlos (UFCAR)
Fonte: O Estado de S. Paulo
Que venha 2013! Um pé no sonho, outro na realidade - Marcus Pestana
A cada ano, repetimos o velho hábito. O rito da passagem do ano é recheado de balanços, previsões, profecias, projeções. Videntes escolhem suas vítimas e os grandes acontecimentos, os búzios preveem o fim do mundo e catástrofes climáticas, cartomantes predizem guerras e campeões, economistas ditam a inflação futura e as taxas de crescimento. Acaba o ano e o calendário maia fica desmoralizado, o ministro da Fazenda, desacreditado - jurou que o PIB cresceria 4% e foi desmentido pelo 1% real. Videntes, tarólogos, cartomantes e economistas fazem novas assertivas sobre o futuro, sem sequer pedir desculpas pelos erros do ano anterior.
O mito da virada do ano faz parte do exercício daquilo que mantém o mundo em movimento e a humanidade em ação: o sonho, a esperança, o processamento das perdas e a fé em dias melhores.
No Brasil, o pessimismo é proibido. Afinal, sempre fomos e seremos o país do futuro. Nosso povo é contaminado por um otimismo atávico. Este, definitivamente, não é um país qualquer. É o Brasil de Pixinguinha, Noel, Chico, Caetano, Vila Lobos, Gonzaga e Paulinho. É a terra de Guimarães, Machado e Drummond. É o solo de Garrincha, Pelé, Zico, Romário, Ronaldos e Neymar. É a nação de homens como JK, Vargas, Tancredo e Ulysses. É o universo de um povo alegre, criativo, batalhador. Como ser pessimista? A lógica gregoriana está aí para nos avisar que é só uma questão de tempo, o futuro é nosso e ninguém tira, é só ter paciência e fé.
Gostaria de me somar à "banda dos contentes", ao exercício fácil de prognósticos otimistas. Mas não devo e não posso.
O ano de 2012 não terminou bem. O Brasil está perdendo oportunidades, sacrificando o horizonte de médio e longo prazo. Escândalos se sucedem a cada semana. O PIB de apenas 1% e a queda dos investimentos sinalizam tempos difíceis. A instabilidade regulatória, o viés estatista e a insegurança jurídica afastam parcerias. A má condução de assuntos em setores essenciais, como energia elétrica e petróleo, impede avanços. O Congresso, parecendo uma nau a deriva diante da incapacidade monumental de Dilma para a coordenação política e a promoção do diálogo, patrocinou cenas lamentáveis na votação dos royalties e sequer conseguiu votar o Orçamento para 2013. O PT, alvejado pela condenação de seus principais líderes no processo do mensalão, frequenta o perigoso terreno do confronto com as instituições democráticas e republicanas, como o Poder Judiciário, o Ministério Público Federal e a imprensa. Os estímulos fiscais e creditícios pontuais e a queda dos juros não produzem os efeitos esperados. Fica claro que uma nova rodada de reformas se faz necessária. A inflação ensaiou sair de controle. Enfim, 2012 não será lembrado como céu de brigadeiro ou mar de rosas.
Que venha 2013. Um pé no sonho, o outro na realidade. Se quisermos concretizar o país do futuro, não podemos ficar deitados em berço esplêndido. Há que se arregaçar as mangas e trabalhar duro.
Marcus Pestana é deputado federal (PSDB-MG)
Fonte: O Tempo (MG)
O bicho vai pegar - Ricardo Noblat
“Não respondo nem amarrada” Dilma Rousseff ao reagir à pergunta sobre se o candidato a presidente em 2014 será ela ou Lula
Conselho que vale no mínimo para os primeiros meses do novo ano: preste atenção quando Gilberto Carvalho (foto), ministro da Secretaria Geral da Presidência da República, disser alguma coisa. Lula alugou a boca dele ao se ver acuado pelo julgamento do mensalão, pela descoberta da quadrilha da qual fazia parte Rosemary Noronha, sua ex-secretária, e pela delação à procura de um prêmio feita por Marcos Valério .
GILBERTO FOI posto na antessala da presidente Dilma para funcionar como o principal olheiro de Lula , prestando também ao exigente chefe todo tipo de serviço . Um deles: falar quando Lula não puder ou não achar conveniente . Transmitir suas orientações públicas para dentro ou fora do PT . Com especial afinco , Gilberto ocupou-se disso nas últimas atribuladas semanas.
EM ENTREVISTAS vapt-vupt, em pelo menos uma, extensa, concedida ao jornal “Correio Braziliense”, e em vídeo divulgado no site do PT , ele disse o que Lula lhe soprou. O PT está obrigado a ser solidário com os mensaleiros que tombaram lutando , imagina Lula. Mais do que isso: está obrigado a defendê-los diante dos evidentes “exageros” produzidos durante os quatro meses de julgamento.
“NÃO É PORQUE um companheiro seu cometeu um erro ou foi vítima de exageros que você irá abandoná-lo”, ensina Lula. Ou melhor: Gilberto. “Por outro lado , não há dúvida de que o PT precisa se renovar e se refazer do ponto de vista da ética, da coisa pública, e fazer isso não apenas olhando para os próprios erros, mas para as questões estruturais da política que induzem a essa cultura.
” NO SEGUNDO SEMESTRE de 2005, Lula foi à televisão e pediu desculpas aos brasileiros. Uma vez reeleito no ano seguinte, voltou a se referir ao mensalão como “uma farsa ”. Quem quiser espere deitado o dia em que Lula admitirá o que o Supremo Tribunal Federal concluiu enfático: foi mensalão. E com dinheiro público. Não foi caixa dois, o que também configuraria crime.
“O ERRO DO PT foi um erro de caixa dois”, insiste Gilberto . Digo: Lula . “Não reconheço nada do que foi co-locado em termos de pagamentos mensais.” Compreensível. Lula não pode admitir que mentiu durante todos estes anos. De resto , os presídios estão super-lotados de inocentes condenados sem motivo... Acolher mais alguns não far á para eles a menor diferença.
A ESPERTEZA DE Lula é maior do que a de Gilberto. Lula teria sido mais cuidadoso ao responder sobre a reforma política, que poderia introduzir o financiamento público de campanhas. Gilberto revelou sua descrença na aprovação da ideia de financiamento público — até aí nada de mais. Mas derrapou ao afirmar: “Os outros partidos não são menos corrompidos do que o PT .” Epa!
LULA NÃ O DIRIA que o PT é um partido corrompido — o que é isso , meu irmão? Golpismo midiático? Sai pra lá! Lula diria que o PT apenas se valeu das mesmas armas empregadas pelos demais partidos . Não deixaria brecha para que se pense que seus companheiros , mártires do mensalão, possam ter embolsado algum. Se desviaram dinheiro, foi para o bem do povo brasileiro.
POR FIM, em 2013 o “bicho vai pegar”, alertou Lula via Gilberto . Para ele, os ataques sofridos por Lula têm um só objetivo: “Destruir o nosso PT , o nosso governo.” Lula receia ser processado pelo que Marcos Valério anda dizendo e convoca o PT para a luta . Ao mesmo tempo , sabe que essa seria sua melhor chance para voltar como candidato a presidente em 2014. “O povo é quem me julgará. ” Que tal? Feliz ano novo!
Fonte: O Globo
Dilma fica acuada e PMDB, revigorado - Melchiades Filho
Dilma Rousseff chega à metade do mandato com popularidade recorde, base partidária intacta, a vitória eleitoral mais crucial de 2012 e um cardápio de medidas para aquecer a economia.
Nada, porém, permite antever um 2013 tranquilo para o governo e para o PT.
O desfecho do mensalão ainda está distante. Haverá o impacto midiático da prisão dos condenados. E, ainda que o STF dê início à apreciação do braço tucano do escândalo, a maior expectativa é se será ou não instalado um outro inquérito-mãe, amparado em novas revelações de Marcos Valério.
Nesse segundo "round", procuradores e policiais investigariam a suposta participação de Lula no esquema de desvio de dinheiro público para a compra de apoio parlamentar. Assessores do ex-presidente, como o faz-tudo Freud Godoy e o tesoureiro Paulo Okamotto, teriam as vidas devassadas.
Existem ainda as pendências da Porto Seguro, operação da PF que causará constrangimentos à medida que vazarem e-mails apreendidos no escritório e na casa da ex-assessora íntima de Lula.
No limite, os dois casos poderão manchar o governo Dilma e resultar na interdição eleitoral de Lula, trauma que o Planalto e o PT parecem não descartar. Gilberto Carvalho, ministro e porta-voz lulista, convocou a militância às ruas porque o "ano será brabo". Lula avisou que sairá em caravana pelo país para defender o "legado".
Outro fator de instabilidade é a economia. Até aqui, o hiperativismo da equipe dilmista não engajou o empresariado. Talvez seja impossível tutelá-lo e ao mesmo tempo convencê-lo a investir.
Esse capitalismo de "lucro tabelado" e os resultados anêmicos do PIB levam a iniciativa privada a buscar alternativa na política. O assediado da vez é o governador Eduardo Campos (PSB-PE).
É prematuro apostar em ruptura, mas não em corrosão. O provável é que um núcleo de siglas médias (PSB, PDT, o PSD kassabista) flutue dentro da coalizão, enquanto avalia a conjuntura e recruta apoio e financiamento para voo próprio.
Dilma, assim, aos poucos se vê empurrada para outro aliado, este sem projeto solo.
No governo, o PMDB já faz o papel de ouvidor dos setores insatisfeitos da economia. Tem no vice-presidente Michel Temer o melhor nome para aproximar os três Poderes, atritados em razão da hipertrofia do Executivo e agora também do Judiciário. E deverá tomar o comando do Congresso, com Renan Calheiros (Senado) e Henrique Alves (Câmara). É nessa legenda versada em driblar e fabricar crises que a presidente terá de confiar.
Resumo: o PT estará forte mas na linha de tiro, a oposição ganhará contorno dentro da base, e o PMDB poderá virar o fio-terra da República.
Fonte: Folha de S. Paulo
Fala, Dilma - José Roberto de Toledo
Imagine se você tivesse que falar em público quatro dias sem parar. Está no preço de ser presidente. Mesmo pouco expansiva, Dilma Rousseff encarou essa maratona verbal ao longo dos dois anos no cargo. Foram 96 horas de verborragia, diluídas em 730 dias. Um pronunciamento público dia sim, dia não, em média. Acha muito? Ela não fala nem a metade do que Lula falava.
Comunicar-se é parte vital do exercício da Presidência. Foram 350 falas de Dilma desde a posse, entre discursos, mensagens, homenagens e pronunciamentos. Por comparação, Lula discursou 2.407 vezes em oito anos como presidente - praticamente todo dia útil e mais um pouco. Ele não só fazia uso mais frequente da palavra, como gastava muito mais o verbo. Seus discursos eram duas vezes e meia mais palavrosos do que os da sucessora.
Há dois motivos para tanta diferença. Lula preferia o improviso, e falando de cabeça gastava mais tempo, repetia mais palavras, redundava. Mas soava espontâneo, arrancava reações da plateia e se alimentava delas. Dilma segue o script, até agora.
Lula foi um presidente falante e conversador. Viajou mais, esteve em mais lugares, interagiu mais com o público. Recebeu melhor feedback e fez disso o seu termômetro da opinião pública - por mais enviesado que fosse o tipo de amostra selecionado, já que na maioria das vezes o governante discursa para sua claque ou para um público cativo, que depende de sua boa vontade.
Dilma não é tão palaciana quanto os presidentes militares, mas é mais dependente de intermediários para sentir o pulso da rua. Isso não é necessariamente ruim, mas faz diferença no governar.
Boa parte das decisões de Lula era gestada nesse contato com o seu eleitor, numa dinâmica de retroalimentação intuitiva. Essa sensibilidade para captar o que pensa e quer a maioria está na gênese tanto da sua popularidade quanto do seu populismo. Quanto mais crescia sua aprovação, mais Lula discursava. O fim do governo foi uma avalanche de sintagmas, boa parte deles propagandeando o nome de sua candidata à sucessão.
Dilma segue um processo mais cartesiano. Deu certo até agora, mas têm crescido as pressões para a presidente conversar mais, principalmente com os empresários. E conversar implica ouvir.
A presidente não parece apaixonada pelo som da própria voz, como grande parte dos políticos é. Mas isso não a faz automaticamente mais disposta a escutar a voz dos outros. Durante a campanha eleitoral, Dilma conseguiu encher uma sala virtual maior do que qualquer outro político brasileiro no Twitter. Eleita, não deu mais nenhum pio na rede social. Fechou o canal que tinha aberto.
Quando tem a palavra, Dilma costuma disparar cerca de 100 delas por minuto. Mas a ocasião faz a média. Em situações formais, como quando se dirige aos militares, a presidente faz uso do papel ou do teleprompter para ler seus discursos. Acaba falando mais rapidamente. No pronunciamento de final de ano veiculado em cadeia de rádio e TV na antevéspera do Natal, Dilma conseguiu emendar 1.304 palavras em 11 minutos: 118 por minuto.
Quando está mais descontraída e arrisca algum improviso, a presidente fala mais devagar. Há dez dias, no discurso de reinauguração do Mineirão, Dilma até puxou corinho ("Ô, ô, o Mineirão voltou"), e a velocidade de sua língua caiu para 92 palavras por minuto. Em contrapartida, interagiu com a audiência. No dia seguinte, numa inauguração em Caxias do Sul, ela voltou a quebrar o protocolo. Pode virar uma tendência.
Aos monólogos oficiais, contrapõe-se quase uma centena de diálogos com jornalistas. Foram 98 entrevistas em dois anos - boa parte em viagens internacionais ou em visitas de governantes estrangeiros. Nessas ocasiões as entrevistas coletivas fazem parte do protocolo. Assim, em temporada de viagens ao exterior aumentam as vezes em que Dilma responde perguntas de repórteres.
Foi o que aconteceu em dezembro, o mês mais prolífico em discursos e entrevistas de Dilma em 2012:8 bate-papos com a imprensa e 30 discursos, um recorde para a presidente. Tantas palavras têm dois motivos: as viagens à Rússia e à França, e um aparente esforço de convencimento, mirando os empresários, de que a economia vai bem.
Há sinais de que Dilma começou a se comunicar mais. Talvez seja a urgência de vencer a batalha das expectativas econômicas. Talvez seja mais prática em eventos públicos. Mais provável que seja uma combinação de necessidade e experiência. Está na hora.
Nos próximos dois anos, a presidente precisará exercitar a conversação com mais frequência, engenho e arte, se não quiser correr risco de cumprir a maldição de Chacrinha.
Fonte: O Estado de S. Paulo
No último dia - Paulo Brossard
Este artigo deverá ser publicado no último dia de 2012, é natural, portanto, relembrar alguns fatos do ano que finda. Creio não errar se disser que o processo do mensalão foi o maior sucesso dada sua relevância intrínseca, sem falar em seu ineditismo na história do país. Para ele foi relevante o enorme rastreamento operado pela Polícia Federal de variados delitos envolvendo muitos indivíduos, a minuciosa denúncia do Procurador-Geral da República e seu recebimento pelo Supremo Tribunal Federal, o formidável trabalho do ministro relator e do ministro revisor, e, um a um, dos demais juízes. As divergências entre os votos dos ministros, especialmente do relator e revisor, evidenciam que no feito já histórico foram observados os princípios e normas universais que disciplinam o funcionamento dos órgãos coletivos da Justiça. No entanto, pessoas em geral condenadas pelo Supremo Tribunal Federal censuraram o tribunal, que tanto as condenou como a outras absolveu. O lamentável é que a essa manifestação, aliás, dissonante da opinião do país, se juntou a censura do ex-presidente da República, que não corou ao negar o fato histórico que ocupou 53 sessões públicas do Supremo, assistidas pelo Brasil inteiro até o julgamento. Ainda bem que essa dissidência ensejou outro fato notável a ser registrado.
Com efeito, se o ex-presidente Luiz Inácio juntou-se aos censores do mais alto tribunal da nação, a posição da senhora presidente da República constituiu exemplo impecável ao dizer que as decisões da Justiça deviam ser cumpridas e não discutidas e ao notar que "o PT não é perfeito", acentuou não haver crise entre os poderes por causa da condenação de réus petistas, e reiterou que as decisões da Justiça deviam ser cumpridas e não discutidas, e por intermédio do Ministro da Justiça, repetiu, com as mesmas palavras, a anterior declaração. Dir-se-á que é o óbvio, mas nem por ser óbvio deixa de ser relevante, e é relevante exatamente porque, apesar de sê-lo, não falta quem o ignore, menospreze ou conteste. E tanto mais relevante o acontecimento quando a presidente guarda particular relação política com seu antecessor. Poder-se-ia dizer, com a benção da linguagem bíblica, que, como Eva foi feita da costela de Adão, a senhora presidente foi modelada por seu antecessor. E, não obstante, em relação à separação e harmonia entre os poderes, Eva foi modelar.
Poderia relacionar o PIB, batizado de Pibinho, mas prefiro ficar nos casos apontados, e como meio mundo indaga sobre os efeitos do fenômeno do mensalão não hesito em dizer que serão benéficos à nação, mas, embora seja extraordinário o acontecido, ainda há muito por fazer pela sociedade, suas expressões mais variadas e sem descontinuidade, a começar pela boa escolha dos que ela elege. Na minha já longa vida pública, vi com meus olhos, coisas que não podiam acontecer e aconteceram. Vou mencionar apenas uma. Ademar de Barros, em São Paulo, foi chefe partidário, interventor nomeado e depois governador duas vezes, e disputando a presidência da República, recolheu votos copiosos em todo país, a despeito de ser personagem assaz controvertida. Contudo, o mais desenvolvido dos Estados brasileiros o elegeu e reelegeu governador, sem falar nas votações milionárias que no país obteve em duas ocasiões. Da personagem se dizia que "rouba, mas faz". Esse dado sempre me pareceu inquietante e ilustrativo e ainda hoje me inquieta. Mas tudo pode acontecer, até o milagre. E não foi um milagre o que veio a suceder a partir do mensalão?
*Jurista, ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal
Fonte: Zero Hora (RS)
Pernambuco adere à mobilização pró-Lula
Presidente do PT, Pedro Eugênio defende o movimento nacional em defesa do ex-presidente, acusado de suposto envolvimento com o mensalão, e promete reforçá-lo
Ana Lúcia Andrade
O chamado feito pelo secretário-geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, para que a militância do PT invada as ruas de todo o País, em 2013, em defesa do ex-presidente Lula das acusações de suposto envolvimento com o mensalão, foi acatado em Pernambuco. O presidente estadual da legenda, deputado Pedro Eugênio, defende a mobilização nacional e já decretou que o PT local vai se organizar para fazer parte do roteiro e fortalecer o projeto de defesa de Lula e da legenda. Ainda não há uma data precisa para início dos atos pró-Lula. Por ora, as reuniões de organização do movimento estão restritas às cúpulas do PT nacional, em São Paulo, e da legenda no Rio de Janeiro.
Para o dirigente petista, "por mais que se diga que não houve no julgamento do mensalão um movimento contra o PT, ele ocorreu nitidamente". E mais: Pedro Eugênio acredita que a decisão de o Supremo Tribunal Federal (STF) realizar o julgamento durante o período eleitoral não foi uma simples coincidência. "Mas algo dirigido para atingir o PT nas eleições, principalmente na disputa de São Paulo. O partido não se conforma com essa decisão (a condenação dos petistas). Sabemos que decisão judicial é soberana e temos que cumpri-las. Mas também temos o direito de expressar nossas posições", argumentou o dirigente do PT pernambucano.
Os petistas condenados pelo STF na Ação Penal 470 - conhecida como mensalão - foram: o ex-ministro de Lula José Dirceu, o ex-presidente do PT José Genoino e o ex-tesoureiro da legenda Delúbio Soares, todos por formação de quadrilha e corrupção ativa pela compra de votos de parlamentares, e o deputado federal João Paulo Cunha (SP), que foi condenado por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e peculato (uso de cargo público para prática de desvios).
No chamamento feito em vídeo, no último dia 17, o secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, alerta os militantes do PT a "descansar bem agora, porque no ano que vem o bicho vai pegar e precisamos fortemente da nossa militância mais uma vez na rua, conversando com o povo, esclarecendo as pessoas, mostrando qual é esse projeto que, cada vez mais, graças a Deus, está mudando o Brasil". Entende Carvalho, que os "ataques sem limites" ao ex-presidente Lula "têm como objetivo destruir o PT e o governo".
A reação do PT é uma resposta ao depoimento que o publicitário Marcos Valério, operador do mensalão, deu à Procuradoria-Geral da República no qual afirma que o dinheiro do esquema teria servido também para pagamento de despesas pessoais do ex-presidente Lula. Desde que as declarações vieram a público que políticos do PT e ministros da presidente Dilma se mobilizam em defesa do petista.
Fonte: Jornal do Commercio (PE)
O que eles disseram em 2012
"A compra de apoio político no Congresso pôs em risco o regime democrático, a independência dos poderes e o sistema republicano".
Joaquim Barbosa, presidente do STF e relator do mensalão
"Vou manter o sistema tributário vigente. O IPTU uai ficar exatamente do jeito que está. Se puder fazer alguma coisa para abaixar, eu faço".
Eduardo Paes, prefeito, em campanha. Reeleito, anunciou aumento de IPTU
"O dia em que falarem para vocês que caiu raio (e, por isso, o sistema elétrico falhou), gargalhem. (...) Acho ridículo dizer que vamos ter risco de racionamento".
Dilma Rousseff, presidente da República
"Não vou fingir que o caminho que estou oferecendo seja fácil ou rápido. Vocês não me elegeram para dizer o que queriam ouvir. Vocês me elegeram para dizer a verdade".
Barack Obama, presidente reeleito dos EUA
"Se não tiver (sic) pressão, vai trabalhar no Banco do Brasil, senta no escritório e não faz nada".
Luiz Felipe Scolari, técnico da seleção brasileira, ao assumir a função no lugar de Mano Menezes
"Hoje você tem de competir com um bocado de gente, achar seu espaço, ter oportunidade, palco. Ou se profissionaliza para valer ou... desaparece".
Gilberto Gil, cantor e ex-ministro da Cultura
Fonte: O Globo
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